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Os Generais de Bolsonaro

Publicado em 17 de Dez. de 2018


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Os generais de Bolsonaro: quem são os militares de mais alta patente no círculo do presidente eleito
8 oficiais da mais alta patente das Forças Armadas, até o momento, estarão no 1º e 2º escalão: são paraquedistas, estrategistas, com experiência em missões de paz e chefia administrativa.

 

Tahiane Stochero, G1 SP
Ao assumir a presidência da República, em 1º de janeiro de 2019, o capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro (PSL) levará ao 1º e 2º escalão do Executivo ao menos oito militares de quatro e três estrelas – os dois níveis mais altos da hierarquia das Forças Armadas brasileiras. O número de oficiais da mais alta patente dentre ministros é o maior desde a redemocratização do país.
Até agora, o presidente eleito anunciou os nomes de sete generais do Exército e um almirante da Marinha (veja a lista abaixo).
O G1 fez uma radiografia deles. Em comum, todos são da reserva remunerada e possuem mais de 60 anos, com experiência no comando de unidades militares de grande porte, no Brasil e no exterior. Boa parte – seis deles – são paraquedistas, assim como Bolsonaro, e já ocuparam cargos na administração pública como civis (após passarem para a reserva).
Dois deles, ainda na ativa, atuaram em posições como assessores parlamentares da Força à qual pertenciam, possuindo trânsito e capacidade de diálogo com os três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). Um dos generais, inclusive, chegou a ser candidato a governador nas eleições deste ano, não obtendo êxito. Poucos dos escolhidos possuem atividade nas redes sociais e quase todos ocuparam postos em missões de paz na ONU no exterior, em especial, no Haiti, onde o Brasil comandou uma força multinacional das Nações Unidas por 13 anos.

Veja quem são os escolhidos:
Antônio Hamilton Martins Mourão (Vice-presidente)
Augusto Heleno Ribeiro Pereira (Gabinete de Segurança Institucional)
Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo)
Fernando Azevedo e Silva (Defesa)
Maynard Marques de Santa Rosa (Secretaria de Assuntos Estratégicos)
Floriano Peixoto Vieira Neto (secretário-executivo Secretaria-Geral da Presidência)
Guilherme Theophilo (Secretaria Nacional de Segurança Pública)
Almirante Bento Costa Lima Leite (Minas e Energia)

Os generais de Bolsonaro
Além do vice-presidente, eles comandarão cinco ministérios – incluindo a Defesa, pasta criada em 1999 e que, até o governo de Michel Temer, era chefiada por um civil. Estarão sob controle de militares postos importantes de interlocução do governo com o Parlamento, com os estados e os municípios, além da análise de contratos de propaganda governamental e a decisão estratégica sobre projetos de longo prazo do país.
O número de oficiais da mais alta patente presente no 1º escalão do Executivo em 2019 será o maior desde 1988, quando foi reescrita a Constituição Brasileira, podendo ser ainda comparado ao formado pelo último governante do regime militar.
João Figueiredo (1979-1985), que liderou o Planalto no período de transição democrática, teve quatro generais ocupando ministérios (Assuntos Fundiários, Casa Civil, Educação e Cultura e chefia do Estado-Maior das Forças Armadas), conforme pesquisa realizada no Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas. O número de generais no 1º escalão de Figueiredo chega a sete se forem incluídos os três ministros das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) que, na época, tinham status de ministério, o que não ocorre mais.
Figueiredo, assim como Bolsonaro, escolheu alguns civis com experiência militar, mas de patente inferiores: um ex-estudante de escola militar assumiu a pasta de Minas e Energia, o tenente-coronel Jarbas Passarinho a Previdência Social, e outro coronel o Ministério do Interior.

‘Tropa de elite de paraquedistas’
Bolsonaro, que se formou como paraquedista militar em 1977, colocou no alto escalão uma “tropa de elite” de paraquedistas – são seis generais com a qualificação: além de Mourão, o futuro ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno Pereira, o responsável pela Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, o novo ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e o futuro titular da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Guilherme Theophilo.
Acrescenta-se “à tropa de paraquedistas” o futuro comandante do Exército do presidente, o general Edson Leal Pujol.
No Supremo Tribunal Federal, um paraquedista também marcará presença: o general Ajax Porto Pinheiro foi indicado para ser o assessor do presidente da Corte, José Antonio Dias Toffoli. Assim como Pujol e mais outros três generais do alto escalão de Bolsonaro, Pinheiro foi comandante militar na missão de paz da ONU no Haiti, onde o Brasil manteve tropas de 2004 a 2017. O número de oficiais da mais alta patente escolhidos por Bolsonaro que esteve no Haiti chega a 6 se for contabilizado o novo ministro da Defesa, que coordenou operações multinacionais no país caribenho.
Mais três generais de Bolsonaro estiveram em operações internacionais de paz no exterior: o vice, Mourão, atuou na Angola; o futuro ministro de Minas e Energia, almirante Bento Costa Lima Leite, foi observador em Saraievo e o general Theophilo atuou como observador na América Central.
Lima Leite diferencia-se ainda dos demais generais por ter perfil técnico específico – era, até então, diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha.
Apenas dois dos oficiais – Mourão e Theophilo – são ativos nas redes sociais. Um terceiro, o general Santa Rosa, que assumirá a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), costuma se pronunciar através de artigos em blogs e sites especializados. Os demais, são apontados como “estrategistas”: costumam analisar o cenário e dialogar em busca de resultados.

Outros militares
Além deles, dois civis com experiência militar comandarão ministérios: o engenheiro formado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) Tarcísio Gomes de Freitas chefiará a Infraestrutura e o professor de colégios militares Ricardo Vélez-Rodríguez ficará no comando da Educação.
O tenente-coronel da reserva da Aeronáutica Marcos Pontes, que foi piloto de caça e astronauta, chefiará a Ciência e Tecnologia.

Núcleo militar
A escolha de militares para a cúpula do Executivo, segundo o sociólogo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Adriano Codato, que estuda a formação política brasileira após a Constituição de 1988, é resultado de dois fatores:
– o fato do PSL, partido de Bolsonaro, “ser pequeno e sem estrutura”
– a dimensão simbólica de uma “convocação às Forças Armadas”.
No segundo turno das eleições, o ainda candidato prometeu que, se eleito, iria escolher todo o primeiro escalão a partir de critérios técnicos, sem a interferência de partidos políticos, além de requisitos como “competência, autoridade, patriotismo e iniciativa”.
“Os militares tendem a funcionar nesta conjuntura como substitutos ‘neutros’, ‘imparciais e, ‘técnicos’ aos políticos profissionais, envolvidos constantemente em escândalos de corrupção. Reedita-se a mitologia, enterrada desde o fim da ditadura, de que os militares seriam, por excelência, ‘servidores públicos’ desinteressados”, diz Codato.
Para o pesquisador, é impossível prever o impacto da atuação de tantos oficiais no 1º escalão. “Os militares, tanto como corporação quanto como indivíduos, estão afastados há muito tempo da elite administrativa do Estado brasileiro. O maior risco pode ser não exatamente a interferência dos militares no Executivo, mas a interferência no sentido inverso, do Executivo e, portanto, da política partidária e dos interesses econômicos, nas Forças Armadas. O quanto esse caminho inverso pode influenciar as Forças Armadas, é impossível, hoje, prever”, afirma ele.
Codato cita que o presidente da República possui 23 mil cargos de livre nomeação e que, neste caso, “é impossível” falar-se em uma “militarização” da administração pública. “É preciso não confundir a presença dos militares à frente de ministérios importantes com a militarização da administração do Estado”.
O cientista político Alcindo Gonçalves, da Universidade Católica de Santos, entende não ser possível comparar o “núcleo militar” do governo Bolsonaro com a presença de oficiais no comando do país no regime imposto em 1964.
“A nomeação de militares é diferente de um governo das Forças Armadas, um poder exercido pelas Forças Armadas, quando você tinha generais, almirantes e brigadeiros da ativa representando as Forças Armadas no comando do Executivo”, diz.
Gonçalves diz ainda que, apesar de os militares escolhidos por Bolsonaro serem da reserva, há “uma mudança importante na política brasileira”. “Agora, temos um governo de alguém que foi militar, um civil que foi eleito, e que escolhe figuras militares individualmente, por suas qualidades, méritos e experiências, segundo o próprio Bolsonaro explicou, mas que trazem consigo valores culturais que representam uma postura militar”, diz o especialista.
“Não podemos achar que militar é uma ave rara. Eles possuem aprendizados que podem contribuir para a função pública. O que não pode haver é misturar ideias da tradição militar na interferência da condução política”, salienta o professor.

 

Fonte: G1



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