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JOÃO CÂNDIDO! HERÓI NACIONAL

Publicado em 21 de Nov. de 2008

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João Cândido, O Mestre-Sala dos mares, que virou letra de música popular brasileira, cantada por Elis Regina , não lutou somente pelos seus direitos, mas, sim, pelos direitos de todos os seus assemelhados e pares dentro da caserna, Contudo, não postei nada sobre o dia da consciência negra, porque, não creio que exista raça entre os seres humanos, mas sim pessoas dotadas de livre arbítrio, raciocínio lógico e liberdade de expressão para serem considerados homens livres independentemente da cor da sua pele. Somos pessoas e temos DNA, genética, caráter, moral, personalidade, temperamento, estereótipo, família, sangue vermelho, dois hemisfério cerebral, um só coração, enfim, por essas características desafio quaisquer pessoas a me convencer de que existam pessoas diferentes por meio de raça ou da cor da pele ?
Por incrível que pareça nessa época a Marinha do Brasil era uma das maiores potências mundiais, pois, comprou três couraçados (navios blindados de guerra), três cruzadores, seis caças-torpedeiros, seis torpedeiros, três submarinos e um transporte, para reaparelhar a nossa Marinha de Guerra (plano de compra aprovado no Congresso Nacional em 14 de novembro de 1904), assim, o Brasil passou a ter a terceira esquadra militar do mundo. Entretanto, dos três navios blindados, apenas dois foram realmente adquiridos: o Minas Gerais e o São Paulo.
Em abril de 1910, o Minas Gerais chegou à Baia da Guanabara, era o navio mais bem equipado do mundo, mas, as questões de regime de trabalho, o recrutamento dos marujos, as normas disciplinares e a alimentação deixavam a desejar. O retardamento das reformas nessas áreas fazia lembrar os anos dos navios negreiros. Tudo na Marinha, Código Disciplinar e recrutamento, principalmente, ainda eram iguais ao da monarquia. Homens de bem, criminosos, marginais eram juntamente recrutados para servirem obrigatoriamente durante 10 a 15 anos e, a desobediência ao regulamento tinha a punição de chibatadas e outros castigos conforme nos relata Marília Trindade Barbosa, 1999 (fonte de pesquisa).
Mas, em 16 de novembro de 1889, Deodoro da Fonseca, através do Decreto n 3 um dia depois da Proclamação da República acabou com os castigos corporais na Marinha do Brasil, mas, um ano depois tornou a legalizá-los: Para as faltas leves, prisão e ferro na solitária, a pão e água; faltas leves repetidas, idem por seis dias; faltas graves 25 chibatadas.
A Revolta da Chibata não pode ser esquecida, a lembrança de João Cândido, o Almirante Negro deve perpetuar por toda história. Esse marinheiro gaúcho, nascido em 24 de janeiro de 1880, demonstrou mais uma vez a coragem herdada dos seus descendentes negros. Morreu aos 89 anos, mas, deixou um legado de luta como exemplo para todos os negros e afros-decendentes do Brasil. Eis mais um testemunho de sangue derramado, por um ideal de transformação. As escolas não o apresentam como herói nacional, não há uma maior divulgação e explicações sobre o que fez e quem foi João Cândido, e, porque, ele é chamado de Almirante Negro, muitos entram e saem da Marinha sem sequer ouvir falar o nome dele. Hoje, só mudou as chibatas físicas, mas continuam as chibatadas pelo governo dentro do âmbito social e salarial.
Curiosamente, passamos da terceira maior frota Naval do mundo para talvez uma das piores dos dias atuais, Navios sucateados e parados sem objetivos de Defesa da Soberania Marítima Nacional, e as demais forças seguem o mesmo destino de descaso e aviltamento militar dentro das Forças Armadas. Parece que cada país, possui o seu Martin Luther King, mas os deles são lembrados e sua sociedade os vêem como heróis e seus sonhos realizados e o nosso ? Sequer é mencionado pelos militares quanto mais lembrados. O presidente Lula participou da inauguração e da fixação da estátua de João Candido, no dia 20 de Novembro chamado de dia da consciência negra. Outrossim, dizer que o negro precisa de um dia de consciência é o mesmo que dizer que ele passa 364 dias sem consciência, para mim, assim como as cotas nas Universidades é a autenticação do racismo e discriminação racial do Brasil.
Mas, será que ele o Presidente Lula se sensibiliza com as nossas atuais reivindicações, ao saber que se trata de um militar que lutou contra a injustiça imputada a seus pares castrense dentro dos Navios de guerra da Marinha do Brasil. Não basta ter uma estátua, tem que haver memória, uma conciência parlamentar e governamental, e não por cor de pele, para a defesa da história desse país e esse episódio deve fazer parte da historia dessa Nação e Lembrado por todos. Como símbolo de luta de classe e liberdade de um povo. Cor não é raça, raça só de animais irracionais, somos, sim, seres humanos livres, criados por Deus rigorosamente iguais, com as mesmas oportunidades dadas pelo criador, mas os homens através do etnocentrismo cultural, social e econômico, surgidos após a queda do feudalismo provocada pelo surgimento da revolução indústrial, criaram a colonização de escravos pela força do armamento bélico impondo suas vontades egocêntricas e ignóbil. Este filme se repete nos dias atuais, e somos novamente as vítimas pela cor da pele, pela classe que pertencemos ou pelo país que nascemos. A Luta deve continuar!!!!


Atenciosamente! MARMOSILVA-RIO

1 comentários


CARDOSOLIRA comentou. Clique aqui para ver seu perfil.

21 de Nov. de 2008 às

CARDOSOLIRA
Amigo Marmo Silva uma postagem muito elucidativa, parabéns. (BRAVO ZULÚ).
Um abraço do amigo.

Cardoso Lira

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