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Postada em 11-01-2006. Acessado 820 vezes.
Título da Postagem:Evolução, técnica e aperfeiçoamentos na guerra submarina
Titular:Dr. Fabrizzio B. Dal Piero
Nome de usuário:Piero
Última alteração em 11-01-2006 @ 10:26 pm
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Autor: * Dr.Dal Piero

No segundo semestre de 1942, a guerra submarina viu seu curso alterado pela aparição do que parecia ser uma nova arma. Cada vez com maior freqüência ocorria um episódio que abalava psicologicamente as tripulações dos submarinos; de súbito, inesperadamente, quando a unidade se encontrava em navegação, longe de possíveis atacantes, aparecia um avião inimigo, surgido repentinamente entre as nuvens, e caía sobre o submarino, descarregando sobre ele suas bombas de profundidade. A única explicação era que os aviões inimigos utilizavam, indubitavelmente, o radar. Em represália, os submersíveis germânicos foram providos, pouco depois, de um aparelho denominado FUMB ("Revelador de radar"). Esse artefato permitia aos submarinistas descobrir em que momento estariam sujeitos à observação e, em conseqüência, teriam uma margem de tempo suficiente para submergir imediatamente e escapar à perseguição.

Como resultado da aplicação do radar na luta anti-submarina, a caça aos mercantes aliados se viu prejudicada; quase todos os comboios começaram a navegar acompanhados por um porta-aviões auxiliar, cujos aviões patrulhavam constantemente a rota dos navios. Dessa maneira, a campanha submarina germânica viu-se cada vez mais obstaculizada.

Os submersíveis germânicos, premidos pelas circunstâncias, foram obrigados a recorrer a novas armas que permitiram que eles atacassem e se defendessem das pequenas naves de escolta, destróieres e, principalmente, de torpedeiros. Deve-se destacar que esses tipos de navios não eram mais atacados pelos submarinos, em virtude da sua extrema mobilidade e escassa importância da sua tonelagem. Porém, sem dúvida, continuavam sendo, para os submarinos, inimigos perigosos. Em conseqüência, os técnicos germânicos aperfeiçoaram um novo tipo de torpedo, denominado "Zaunkonig", que, munido de um artefato acústico, se dirigia automaticamente para as hélices da nave atacada.

Outras armas foram paralelamente projetadas e postas em prática na luta submarina. Duas delas foram as chamadas FAT e LUT. Tratava-se de torpedos de longo alcance, que podiam ser disparados de grande distância, eliminando, assim, grande parte do risco da nave atacante. Os FAT e LUT eram lançados sem um objetivo determinado, isto é, simplesmente eram dirigidos contra a massa de barcos que integravam o comboio. Quanto maior fosse a sua densidade, maiores seriam as possibilidades de que o projétil alvejasse algum dos navios. Contudo, o perigo, para os submarinos alemães crescia, dia a dia. Realmente, o aperfeiçoamento crescente dos ecogoniômetros, utilizados pelas naves aliadas, tornava arriscado, inclusive, permanecer relativamente longe da zona patrulhada pelos barcos de escolta.

Os germânicos, uma vez mais, recorreram a novas armas. Para esse caso, desenvolveram e puseram em prática o BOLD. Era um recipiente que, lançado por meio dos tubos lança-torpedos, em determinado momento, liberava uma substância química que produzia grande quantidade de borbulhas. Estas, por sua vez, produziam nos aparelhos detetores dos barcos aliados ecos semelhantes aos submarinos, induzindo-os a erro. Como contramedida, os Aliados treinaram minuciosamente grupos de verdadeiros especialistas na caça submarina, que, depois, embarcados nas naves escolta, se converteram num gravíssimo perigo para os submersíveis germânicos, visto que seu traquejo lhes permitia identificar facilmente os ecos reais dos falsos.

As bombas de profundidade, também, foram extremadamente aperfeiçoadas pelas Aliados. Os explosivos utilizados eram cada vez mais potentes, atuando sobre o submarino cada vez a maior distância. Como defesa, os germânicos passaram a montar as máquinas dos seus submarinos sobre bases de borracha, para reduzir os efeitos das explosões.

Uma arma anti-submarina particularmente perigosa era o HEDGEHOG ("porco-espinho"). Esse aparelho lançava simultaneamente dezesseis pequenas bombas de profundidade. Destas, somente uma explodia ao tocar num submarino; as demais afundavam silenciosamente. O objetivo era não perturbar o funcionamento dos aparelhos de escuta da nave atacante.

A despeito de tudo e apesar das eficazes medidas desenvolvidas pelos Aliados, as perdas sofridas por eles continuaram sendo particularmente graves. Nos primeiros dias de novembro de 1942, por exemple, um grupo de 13 submersíveis alemães atacou o comboio SC-107, pondo a pique 15 navios com um total de 88.000 toneladas.




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