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Postada em 11-12-2006. Acessado 924 vezes.
Título da Postagem:PAX Americana: Até quando?
Titular:Cleber Almeida de Oliveira
Nome de usuário:Professor
Última alteração em 11-12-2006 @ 09:39 pm
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PAX AMERICANA:

ATÉ QUANDO?

 

 

 

Uma epidemia degenerativa progride em velocidade alarmante, tomando de assalto os mínimos padrões de discernimento e de racionalidade de grande parte da população brasileira. Esta doença contagiosa, e hodierna, propagada, basicamente, através de um processo desinformativo, de distorção e de manipulação de fatos, de uma massificação tendenciosa, e que tem por finalidade atingir objetivos escusos e personalistas, busca criar um padrão monocromático e unilateral, uma mentalidade tacanha e segregacionista que reaja automaticamente, e de forma contundente, contra tudo aquilo que se relacione ao militarismo. Além do mal / mau em si, a banalização e o descaso para com atitudes e procedimentos cívicos e patrióticos, normalmente limitados ao comportamento e a disciplina exercidos no interior das Forças Armadas, salvo raras e resolutas posturas isoladas, se apresenta como um efeito colateral tão danoso e mortal quanto a própria “doença”. O constrangimento, e mesmo uma certa vergonha, de se demonstrar quaisquer formas de expressão, de manifestação espontânea de brasilidade, a não ser quando alguma seleção nacional, atleta ou artista conquista um título de expressão, extremamente arraigados na cultura popular, tem afastado, principalmente, a juventude da formação de valores éticos e de uma nacionalidade que se constituem em requisitos sem os quais nenhuma nação, nenhum país chega a ser grande.

Para muitos o Brasil deve continuar sendo, pelo menos em suas limitadas “opiniões abalizadas”, uma onça sem dentes e nem garras, ou seja, um belo exemplar de força, mas que se limite a apenas mostrar suas belas pintas e que, no máximo, emita alguns rugidos, desde que não muito fortes e nem por demais ameaçadores e / ou constrangedores. A idéia primeira era empregar a conhecida figura do leão, mas como este grande e majestoso felino não é nativo das nossas matas, e para não correr o risco de ser interpretada como uma postura politicamente incorreta, alguma forma de estrangeirismo de mentalidade retrograda e de submissão colonialista, tendo em vista que a figura do rei dos animais já é secularmente empregada pelos ingleses, bem como também para facilitar a compreensão geral, é bem melhor valorizar o produto nacional, a versão Made in Brasil, e por isso a decisão por usar como exemplo a onça pintada, o grande felino nacional – tão incompreendido, perseguido e em sério risco de vias de extinção.

Vivemos um mundo que, na virada para o século XXI, empreende um acelerado processo de transformações, e que carrega em seu bojo as sementes de tempos não tão civilizados e equilibrados; o que me faz relembrar de semelhantes indícios na passagem do século XIX para o XX, onde, com as disputas imperialistas e as tensões da Paz Armada, se esvaiam os últimos suspiros da Era Vitoriana e da Belle Epóque – finda com o atentado terrorista (Gravilo Princip, da Mão Negra) de 28 de junho de 1914, em Sarajevo, deflagrando a Primeira Grande Guerra Mundial e a perda dos sonhos e da “inocência” de áureos tempos e de toda uma geração, nos enlameados e sangrentos campos de batalha e trincheiras da Europa. A nova ordem mundial que começou a se estabelecer com o avanço da globalização, na década de 1980, e com o fim do comunismo soviético, tecnicamente assinalado com a queda do Muro de Berlim e a substituição da União Soviética pela Comunidade dos Estados Independentes (CEI), em 1991, parecia acenar como uma nova era de paz e de prosperidade, já que o ex-mundo bipolarizado agora seria unificado sob a égide de uma ordem capitalista mundial. Ledo engano. A Guerra Fria deixou de figurar como a grande besta do Apocalipse, para, simplesmente, ceder o lugar de novo cavaleiro do Armagedon, ao terrorismo. E é nessa guerra sem fronts definidos, sem exércitos regulares contra os quais lutar, sem convenções e padrões a serem observados e respeitados, enfrentando um inimigo sem rosto, e que desafia toda uma tradição militar, em que teremos que saber como nos situar para não sermos colhidos pelos vagalhões da insanidade e do caos social, a que tais grupos pretendem mergulhar toda a presente civilização.

Sabe-se muito bem que a globalização liderada pelos Estados Unidos, e pelas grandes potências capitalistas, não é um processo que, apesar da sua “propaganda oficial”, visa à igualdade entre diferentes culturas e economias. A formação de uma nova ordem capitalista internacional vem provocando choques ideológicos e despertando antigas rivalidades que colocam em risco o projeto da formação de um grande mercado unificado e de uma grande, coesa e irmanada comunidade internacional. As demonstrações de força, e de desconsideração para com as resoluções da ONU, promovidas após os atentados de 11 de setembro de 2001, as intervenções e posteriores ocupações militares do Afeganistão e do Iraque, só fazem crescer a distância entre os padrões ocidentais e orientais, bem como aumenta a desconfiança de países de todo o mundo com relação a onde se dará à nova “ingerência imperialista”, ou seja, temem pela manutenção das suas soberanias. Focando o Oriente Médio, o contínuo desrespeito por parte dos israelenses às resoluções da ONU, a vitória do Hamas na Palestina e a volta da “linha dura” ao governo iraniano – crise do programa nuclear –, servem como munição para manter e alastrar o conflito, e que, com o terrorismo, leva o campo de batalha a qualquer lugar do mundo, desestabilizando as relações internacionais e aumentando a desconfiança e o medo entre diferentes povos e governos.

Os intrincados caminhos da geopolítica, quer seja no Oriente Médio – conflitos étnicos e religiosos –, no Extremo Oriente – China e Coréia do Norte, em especial –, no leste europeu – guerras nas repúblicas da ex-Iugoslávia e da ex-União Soviética –, na África – os sucessivos conflitos étnicos e tribais –, largamente apreciados por estudiosos – civis e militares –, não se constituirá no foco principal deste ensaio, quer tanto pela riqueza de fontes disponíveis como pela clara definição de centrar o foco das considerações ao continente latino-americano.

Certa vez, muito apropriadamente, o Barão do Rio Branco, um diplomata arguto, tenaz e extremamente consciente dos horizontes da nossa política externa, o ícone das nossas relações internacionais, afirmou que ao Brasil caberia tratar de se manter como o grande mediador da região platina e, por extensão, das Américas do Sul e Latina. Estendendo um pouco mais, com toda a humildade e respeito ao grande brasileiro que foi, as “fronteiras” do seu sábio conselho, a influência brasileira encontra-se apta, também, desde há muito tempo, a fazer a diferença junto aos países de língua portuguesa, como bem demonstrado pelas destacadas participações em Angola e em Moçambique, e mais recentemente no Haiti, além da chance absurdamente perdida de atuar mais incisivamente no Timor Leste; onde fomos, felizmente, salvos pela brilhante atuação do nosso representante da ONU, o brasileiro Sérgio Vieira de Melo – tragicamente falecido em atentado terrorista contra a base da ONU no Iraque.

As raízes desta absurda paralisia imposta às vívidas chances de nos destacarmos como um dos grandes pilares dos rumos da política local, e mundial, vem de longa data. Interesses particularistas, quase sempre políticos, engessaram nosso “braço forte”, deixando-nos a mercê do triste, repetitivo e limitado, papel de meros coadjuvantes de cruciais e decisivos eventos históricos, e que acabaram por nos furtar o direito inconteste de sermos ouvidos e considerados com mais veemência em muitas oportunidades de primordial interesse para a Pátria. A criação da Guarda Nacional, em 1831, enfraquecendo o exército imperial / regencial, deixando a segurança nacional a cargo das milícias dos coronéis, nos valeu sérias agitações internas pela falta de um padrão de referência de uma sólida Força Armada institucionalizada – além, é claro, de fatores sociais, políticos, econômicos e regionalistas – pronta a defender e resguardar a manutenção da ordem e dos poderes constituídos. Quando eclodiu a Guerra do Paraguai, tínhamos pouco mais do que uma parca e triste sombra de um Exército Brasileiro, na verdade dispúnhamos de um punhado de tropas precariamente equipadas e com um treinamento e doutrinação incompatíveis para os rigores dos combates que se avizinhavam, o que em muito facilitou a arrancada paraguaia inicial, levando-os a atingirem seus intentos estratégicos com o mínimo de desgaste, até a formação da sua base avançada em solo brasileiro, em Uruguaiana, província do Rio Grande do Sul, problema equacionado pela reorganização e reaparelhamento das tropas imperiais levadas a cabo com a costumeira tenacidade e brilhantismo do grande gênio militar Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias; sem jamais menosprezar as imprescindíveis colaborações de oficiais tenazes como Osório, Malet e tantos outros que tão bem serviram sua nação.

Finda a grande guerra do continente sul-americano, que poderia muito bem ter sido evitada se os dirigentes paraguaios não estivessem tão seguros da sua grande vantagem militar ante a aparente fragilidade brasileira neste particular, bem como dos demais países platinos, possuíamos um Exército com grandes efetivos, bem armado, motivado e disciplinado, colocando-nos em uma situação ímpar para “dar as cartas”, pelo menos regionalmente, na mesa de negociações. Uma vez mais, nossos “prestimosos” dirigentes civis, leiam-se, principalmente, os chefes da Guarda Nacional, e seus acólitos, trataram de perder o bonde / trem da história, usando de todas as artimanhas possíveis para desmobilizar o poderio das nossas garbosas e heróicas Forças Armadas, inclusive minimizando sua decisiva importância na manutenção do Império, e por extensão dos seus poderes pessoais, dispensando-lhes um tratamento vergonhoso e desdenhoso, tanto aos que retornaram dos ensangüentados campos de batalha quanto para com os que lá tombaram em defesa da integridade do nosso território e que deram suas vidas pela salvaguarda do nosso povo, pensando estarem assim preservando o seu poder e garantindo a submissão dos militares, cujo crescente poderio e popularidade tanto os incomodava e os obscurecia. O resultado deste lento suicídio foi a Proclamação da República, e a concretização dos seus piores pesadelos, a perda do seu poder de mando. Tal atitude desmedida e irascível, somada ao histórico desencontro entre o Marechal Deodoro da Fonseca e certas “atitudes” dos arquitetos do movimento republicano, geraram uma desconfiança indisfarçável de uma parcela considerável dos militares em relação aos políticos civis, durante a denominada República da Espada.

Há outros exemplos de igual monta, ou mesmo menores, durante o período republicano, como o da importância estratégica que a aliança com o Brasil significou para o esforço de guerra norte-americano e aliado, pois se o Estado Novo cedesse nossas bases militares ao Eixo, abrir-se-ia uma nova frente de guerra, contando ainda com o risco iminente da maioria dos países latino-americanos seguirem o exemplo brasileiro. Nesse caso, pelo menos, Getulio Vargas soube muito bem tirar proveito da situação e firmar a posição brasileira. Infelizmente, não houve uma solução de continuidade a altura do arranjo inicialmente estabelecido.

Chegamos, enfim, ao ponto crítico, ao calcanhar de Aquiles de toda a questão. Como Historiador, como Professor de História, percebo um tratamento quase que unilateral, depurativo, segregacionista, inquisitório e, pior, pautado em um revisionismo histórico inconseqüentemente e desprovido de fundamentação acadêmica, direcionado por um revanchismo ideológico que busca estabelecer uma grande “caça as bruxas”, concomitantemente com os redobrados esforços de se apagar, ou reformular a apresentação, de posturas e de ações, destes “avatares da cidadania”, e dos seus robóticos séqüitos e seguidores, que não possam vir a ser plenamente, e nem minimamente, justificadas à sociedade. O período dos Governos Militares que se estabeleceu no Brasil durante vinte e um anos (1964-1985), é, normalmente, apresentado como um vácuo na evolução política-social brasileira, uma idade das trevas, a nossa moderna Idade Média – paralelismo que por si só denota o incomensurável grau de “analfabetismo histórico funcional” destes pseudointelectuais –, um retrocesso que deve ser execrado e exorcizado pelos “verdadeiros brasileiros e nacionalistas”, prioritariamente, reduzindo o poder e a importância das Forças Armadas, evitando assim uma “maior possibilidade” de novos golpes e uma seqüência de regimes ditatoriais. Que houve erros lastimáveis e desnecessários, de ambas as partes envolvidas nos conflitos que ocorreram ao longo destas duas décadas, e mais um ano, é incontestável, afinal as instituições e os movimentos ideológicos são feitos por seres humanos falhos e passionais, mas, antes de qualquer coisa, de qualquer propagandismo elaborado no vácuo dos fatos, há que se considerar que nem tudo foi perdido. Diferente de outros países onde a transição para governos civis, a chamada volta à “normalidade democrática”, foi tumultuada e violenta, o “caso brasileiro” ocorreu dentro de um processo lento e gradual que buscou a reconciliação entre facções antagônicas, dando o justo tempo para cicatrizar “antigas feridas”, e ajustar a transição política de forma pacífica – com pluralidade e com eqüidade –, evitando assim novas e indesejáveis convulsões sociais e institucionais. Na maioria das vezes, tal visão imparcial, é tida como regressista e protecionista, carcomida e calcada em uma mentalidade inadequada aos novos padrões de interpretação deste “momento sombrio” da História do Brasil. De igual maneira, não entendo como estes “paladinos” da verdade histórica e da democracia teimam em justificar atitudes infinitamente mais repressivas e atentatórias à dignidade humana, desferidas por seus ícones políticos e ideológicos, somente por serem, como dizem, estritamente necessárias para combater os “inimigos fascistóides da justiça” e do estabelecimento de uma nova e mais justa ordem social – uma deformada nova ilha da Utopia, banhada pelo tsunami dos seus dogmas putrefatos. Seu discurso além de vazio é “poeticamente” monstruoso, falso, castrante e repressivo a mais leve brisa de um livre arbítrio que contrarie suas incontestáveis posturas filosóficas e políticas.

Chega de sermos apenas um gigante pela própria natureza, forte e impávido colosso, deitado eternamente em berço esplêndido, de ser o país do futuro. É mais do que a hora de nos levantarmos e fazermos sombra a outras potências. Nossas Forças Armadas, resistindo a todos os revezes, os despropérios e os desleixos que lhes foram, e são, impostos, estarão sempre prontas a servirem como mais um vigoroso argumento da nossa crescente ascensão no cenário internacional, não como a ponta de lança da Projeção de Força de uma potência imperialista e repressora, uma vez que são treinadas e equipadas para a defesa do território nacional, mas como o sustentáculo de uma grande nação que muito tem a oferecer como uma forte e respeitável  mediadora junto a comunidade das nações.

Nas últimas décadas os norte-americanos firmam cada vez mais suas “bases” no seu “quintal” latino-americano. A mediação diplomática aliada ao poderio econômico, sustentados na força militar, seguindo a velha e prática política do Big Stick – falar macio, mas com um porrete sempre à mão –, garantem a continuidade da Doutrina Monroe, concedendo-lhes a outorga de “xerifes” dos conflitos americanos. Quer seja de forma indireta, como na Nicarágua, ou então de maneira abertamente agressiva, conforme visto na intervenção militar no estratégico Panamá, o Tio Sam deixa claro que pretendem manter por longo tempo, preferencialmente indefinidamente, o seu papel de árbitro supremo e inconteste das querelas locais, de paladino da democracia e da justiça ante o caos comum as republiquetas, aos governichos e aos arroubos de poder dos caudilhos latinos. Como na época do antigo Império Romano do Ocidente, inúmeras vezes “chamado” para arbitrar e intervir em conflitos e disputas entre tribos e reinos, os norte-americanos são, hoje,  constantemente “convidados” a prestarem auxílio e a darem suporte em muitos países, em vários pontos do mundo. Na América do Sul, o combate ao narcotráfico estreita os laços entre os militares norte-americanos e as Forças Armadas locais, na maioria dos casos armadas e treinadas por eles, o que leva, por extensão, a uma maior “afinidade” entre a condução das políticas locais, e mesmo regionais, com os interesses do governo e de grupos econômicos “ianques”, como por exemplo na Bolívia e na Colômbia. Recentemente, o governo do Paraguai aceitou, de maneira oficial, a “ajuda” norte-americana no combate ao narcotráfico local, ampliando assim o raio de ação do seu aparato “militar e policial” na nossa “vizinhança”. Do ponto de vista econômico, o fato do Chile ter “fechado questão” com os Estados Unidos da América do Norte, descartando seu apoio ao Mercosul, inclusive nas negociações da formação da ALCA, até o momento, no aguardo das intenções do novo governo chileno, bem como fragilizando a posição das potências locais e dispersando possíveis adesões – prejudicando mais diretamente ao Brasil, e seus parceiros –, demonstra  que a estratégia norte-americana apresenta uma frente de atuação muito mais ampla e mais, digamos, “globalizante”; com movimentos de pinça envolventes e que apertam cada vez mais suas tenazes, sufocando possíveis “concorrentes” pelo cerco e pelo desgaste, ou seja, consagrando a milenar prática de dividir para conquistar.        

Ofertas de apoio para a obtenção de um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, feitas por norte-americanos e espanhóis, porém, em um primeiro momento, subordinadas ao envio de tropas ao “esforço internacional” para a reconstrução das instituições no Iraque – seja lá o que isto de fato signifique –, demonstram, por si só, o peso que representamos no cenário latino-americano, bem como no novo mundo globalizado.

Certamente, o tempo das calmarias está chegando ao fim. A avalanche do terrorismo, e a apreensão mundial por intervenções injustificadas, das tensões regionais orquestradas pelos neo-caudilhismos oportunistas sul-americanos – capitaneado pelo estilo bombástico de Hugo Chavez e pelo discurso nacionalista dúbio de Evo Morales, com uma hipotética, porém mais do que falsa, “guinada à esquerda”; disputa pelo próximo espólio do decrépito comandante Fidel Castro –, cedo ou tarde, baterão à nossa porta. De onde virá a ameaça? Quais serão os inimigos em potencial? Onde se dará o desafio a nossa soberania? Como defender – de potências estrangeiras, e de certas organizações internacionais, oficiais ou não, que são verdadeiros “lobos em peles de cordeiros”, e mesmo de “revolucionários” locais infiltrados em várias instâncias de poder e de movimentos sociais – um país de dimensões continentais? No máximo pode-se especular e traçar conjecturas dentro das informações disponíveis, mas uma coisa é certa, cada centavo gasto na área militar é amplamente justificado, pois o que está em jogo não é tão somente o reaparelhamento das Forças Armadas ou a concretização dos sonhos megalomaníacos dos militares, como normalmente pensam os menos informados, ou estrategicamente desinformados, mas sim a segurança e o direito a vida e a liberdade de cada cidadão brasileiro em qualquer rincão desta abençoada terra.

Se norte-americanos, ingleses e franceses, e mesmo o restante da Europa e do mundo, tivessem mantido um mínimo estado de prontidão, se não tivessem reduzido seus efetivos militares a meras tropas de parada, e igualmente condenado os equipamentos e materiais bélicos a um desenvolvimento criminosamente precário e insatisfatório, quem sabe, tendo em vista que o correto procedimento histórico é de se tratar de fatos concretos, e não o de ficar tecendo suposições ou adivinhações, as forças do Eixo não estivessem tão dispostas a iniciar a Segunda Grande Guerra Mundial que tanto flagelo fez abater sobre o mundo.Talvez, também não teríamos vivido a apreensão da Guerra Fria. Ou, quem sabe, as guerras da Coréia, Vietnã, Afeganistão, e tantas outras, não teriam sido evitadas. Quem pode saber!?

Thomas Hobbes, na sua obra “O Leviatã”, diz que “o homem é lobo do próprio homem”, ou seja, que há, entre nós, uma tendência, quase que natural, dos mais fortes submeterem os mais fracos, de subjugarem os notadamente despreparados e os menos adaptados ao “processo evolutivo” e às mudanças dos tempos. Cabe-nos, então, decidir se chegou “a hora da onça beber água”, ou, então, o fatídico, e vergonhoso, momento de mandá-la como um submisso cordeiro para ser imolada em holocausto – pela inominável covardia da nossa inação.

 

CLEBER ALMEIDA DE OLIVEIRA – PROFESSOR DE HISTÓRIA

DELEGADO AHIMTB – DELEGACIA TENENTE-BRIGADEIRO

NELSON FREIRE LAVENÈRE-WNADERLEY – SANTOS DUMONT – MG

 

  

 

      

         

               

 




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