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Mais Concorrido que a USP...Mulheres Querem Entrar no EB

Publicado em 26 de Nov. de 2016


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25 de novembro de 2016

Mais concorrido que a USP: por que tantas mulheres querem entrar no Exército?

 


BBC BRASIL.com
A primeira seleção de mulheres para as escolas de preparação para funções de combate no Exército já pode ser considerada um sucesso: a concorrência é tanta que gerou uma relação candidato por vaga superior às das carreiras mais procuradas no vestibular da USP, um dos principais do país.
Mais de 7,7 mil jovens se inscreveram para as 40 vagas reservadas pela primeira vez às mulheres na Escola Preparatória de Cadetes do Exército
Com isso, são 192 candidatas disputando cada vaga - a seleção ainda não chegou ao fim. Na escola de sargentos, que também abre suas portas a elas pela primeira vez, a relação é de 179/1.
Para comparação, o curso mais concorrido da Fuvest 2017 - Medicina em Ribeirão Preto - teve 6,8 mil candidatos inscritos para 90 lugares, ou 70,5 por vaga.
Mas por que tantas mulheres querem se tornar oficiais do Exército?
"Meu pai fez serviço militar. No último ano do colégio, os meus amigos começaram a se alistar e passei a vê-los correndo todos os dias de manhã fazendo exercício. Eu moro na frente do quartel e eles passam correndo na rua fazendo Educação Física", responde a candidata Andressa Muniz, de 19 anos.
"É uma profissão que eu idolatro bastante. Fui conversar com um sargento do quartel e ele me explicou sobre a estabilidade da carreira. Mas o meu interesse não é só nisso, mas tem também a questão da patente, a questão do respeito dos homens."
Andressa diz ter esperança de que, como oficial do Exército, seja mais respeitada em uma sociedade na qual ainda há muita discriminação contra as mulheres.
"Não digo que estou lutando contra o machismo. Mas entrando no Exército eu calaria a boca de muitas pessoas que dizem que mulher não serve para ser militar, para ser infante", afirma.
"Os homens começam a ver a gente de forma diferente. Na rua, uma mulher de farda é muito mais imponente. Eles vão olhar e pensar: 'ela deve se esforçar da mesma forma que os homens'."
Ação
A dedicação é tanta que Andressa frequenta um cursinho dedicado aos concorridos processos seletivos das escolas militares. E ela não é a única mulher ali.
A BBC Brasil conversou com um grupo de jovens que estuda no curso preparatório General Telles Pires, no centro de São Paulo. Todas apontam a possibilidade de ter um futuro emocionante - longe dos escritórios, por exemplo - como um atrativo da carreira militar.
"Fiquei empolgada com a possibilidade da ação", diz Daniela Petrosino, de 15 anos. Uma vontade que, segundo a mãe, vem de longe.
"Eu não me envolvi, foi decisão dela. Ela fala disso desde pequena, então agora não tenho medo e dou muito apoio", conta Patrícia Petrosino.
As jovens já têm, inclusive, planos sobre quais carreiras querem seguir caso consigam ser aprovadas.
"Queria a Artilharia porque tenho mais interesse na ação do que nas atividades da Intendência (logística e administração)", diz Letícia Martins, de 16 anos - uma vontade compartilhada pela colega Daniela.
Andressa, por sua vez, sonha com a Infantaria, e Isabela Cristina Carleto Caldas, de 19 anos, com a Cavalaria.
 
Limitações
Mas ainda há um obstáculo: nenhuma das carreiras desejadas pelas jovens está aberta às mulheres, ao menos por enquanto.
Neste primeiro concurso, as oficiais poderão chegar apenas à Intendência e ao Quadro de Material Bélico - função relacionada à logística ligada a armamentos, veículos e aeronaves.
As candidatas a sargento, por sua vez, poderão atuar na área técnico-logística (manutenção de armamentos, equipamentos de comunicação, veículos e aeronaves e funções de Intendência e topografia).
O Exército garante que isso não significa que elas assumirão papéis apenas secundários. Mas ansiosa pela ação, Isabela diz ter um plano:
"No ano que vem vou fazer prova para Quadro de Material Bélico. Quando eu já estiver lá dentro vou tentar fazer cursos mais ligados ao combate. Eu quero a especialização em 'Defesa Química, Biológica e Nuclear'", conta, citando a área que lida com a possibilidade de ameaças dessa natureza.
"Em geral, biologicamente o corpo do homem é mais forte que a mulher, mas isso não quer dizer que não haja mulheres melhor preparadas fisicamente que muitos homens", acrescenta.
"Não é só o físico que importa, há todo o lado psicológico. Não é o corpo que manda, e sim a cabeça. Se a pessoa leva um tiro na perna em uma batalha e é emocionalmente forte, não vai se dar por vencida."
O Exército afirma que, ao decidir incorporar mulheres nessas novas vagas, fez adaptações nas normas e nas instalações - como criar uniformes, alojamentos e banheiros específicos, além de padrões para o penteado e para o tamanho do cabelo e regulamentações sobre uso de pulseiras, anéis, brincos, maquiagem, correntes e bolsas.
"O Exército acompanha de forma permanente a evolução da sociedade brasileira, buscando adequar-se às novas necessidades e anseios da mesma", disse a instituição em nota à BBC Brasil.
As jovens que passarem no concurso deste ano poderão se tornar aspirantes a oficial em 2021. A primeira general, porém, pode surgir apenas em 2051.
 
Crise e carreira
Clodoaldo de Souza, professor de matemática e coordenador do cursinho, conta que as mulheres representam entre 10% e 15% dos alunos. Mas ele diz acreditar que essa porcentagem vai aumentar agora, com a abertura das carreiras.
"Elas costumam ser mais aplicadas e concentradas que os rapazes", elogia.
"A maioria começa a estudar com 15 ou 16 anos, porque podem prestar concurso logo que acabam o ensino médio. Elas geralmente chegam um pouco mais maduras que eles, sabendo o que querem."
Na avaliação de Souza, a estabilidade de um emprego público é um dos maiores atrativos.
Nelson Marconi, professor de economia da FGV e PUC-SP, afirma que, em meio à atual crise econômica, boa parte das carreiras públicas se tornou uma opção ainda mais atraente para jovens profissionais.
Isso porque, explica, oferecem salários iniciais mais altos e estabilidade, algo difícil de se conseguir como iniciante no setor privado.
"Há uma oferta de emprego menor no setor privado, e os salários estão se deteriorando", diz o professor. Ele acrescenta que essa queda nos níveis salariais é menor no serviço público.
Muitos candidatos de concursos, porém, já se preocupam com uma possível mudança nesse cenário: a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 241, que pretende amenizar o rombo nas contas públicas ao estabelecer um teto para o crescimento das despesas federais por 20 anos.
Marconi, porém, minimiza esse risco.
"A maior parte das carreiras públicas têm remuneração melhor que a do setor privado. (A política de austeridade) pode diminuir um pouco o poder de compra, mas ele não será depreciado a ponto da carreira não ser atrativa."
O que pode ocorrer, na opinião do especialista, é uma eventual diminuição no número de vagas nos concursos.
 
Resistência familiar
O Exército começou a aceitar mulheres em 1992, na chamada "linha não bélica". Elas se formavam no ensino convencional em áreas como administração, comunicação e saúde e depois eram integradas à instituição - mas não podiam chegar aos postos mais altos.
"Sonho desde pequena em ser militar, era louca para seguir a carreira, mas mulheres não podiam entrar no Exército. Eu entrei na faculdade de enfermagem pensando em entrar no Exército depois", conta Isabela.
"Eu estava com a minha vida pronta: trabalhava e fazia faculdade. Mas quando soube dessas vagas larguei tudo e vim para o cursinho."
Filha de um engenheiro químico e de uma protética, ela conta que precisou vencer a resistência deles.
"Não tenho militares na família, e no começo meus pais não gostaram. Acho que é porque meu pai é muito protetor, não queria que eu ficasse longe e pensou que eu poderia sofrer", diz.
"O meu namorado é da Aman. Nos primeiros três meses ele foi contra, mas depois começou a me incentivar. Ele queria me proteger porque sabia das dificuldades, como ficar longe de casa e da família."
 
Esta reportagem faz parte da série especial 100 Mulheres, da BBC.
O que é o 100 mulheres?
 
O BBC 100 Mulheres (100 Women) indica 100 mulheres influentes e inspiradoras por todo o mundo anualmente. Nós criamos documentários, reportagens especiais e entrevistas sobre suas vidas, abrindo mais espaço para histórias com mulheres como personagens centrais.
Por isso, queremos que VOCÊ se envolva com seus comentários, opiniões e ideias. Você pode interagir e encontrar o conteúdo do 100 Mulheres em plataformas como Facebook, Instagram, Pinterest, Snapchat e YouTube, usando a hashtag #100women. 
TERRA/montedo.com

5 comentários


Avassalador comentou. Clique aqui para ver seu perfil.

26 de Nov. de 2016 às 6:08

Avassalador
Mulheres na manutenção e Administração,concordo em parte, já como combatente, não concordo; vale ressaltar que não é bom para o EB nem para as demais FA, pois vejo que as FA vai criar uma reserva militar sem qualidade para combater, não quero com o meu comentário desprestigiar as mulheres, apenas mergulhei nas peculiaridades físicas das mulheres e lancei olhares para o ponto de vista de estratégia.


Amiel Ballistra

26 de Nov. de 2016 às 13:48

Amiel Ballistra
"Andressa diz que como Oficial do Exército espera ser mais respeitada". Dentro do quartel você terá subordinados. Fora dele, continuará esperando. "Meu namorado, que é da AMAN". Você se casa com ele, e isto representará um aumento de 100% na renda familiar. O Coronel morre, deixa pensão pra Coronela, e vice-versa. Comparar concurso da USP com qualquer outro das FFAA é brincadeira. Izabela esclarece:-" era louca (?) para seguir carreira militar. Estava com minha vida pronta, TRABALHAVA E ESTUDAVA. Larguei tudo e vim para o cursinho". Por isso pensam os políticos: --Ingressou na vida militar, estudo e trabalho ficam em segundo plano. O desenvolvimento da carreira se dá por "impulso oficial". Basta cumprir o regulamento disciplinar e esperar o transcurso do tempo--. Vá ser um professor universitário, médico, dentista, biólogo, economista, etc. e fique parado no tempo, satisfeito com o que aprendeu na Universidade. Após 20 anos o médico terá se transformado em enfermeiro, o economista em guarda-livros. Mas o Tenente "virou" Coronel.


Amiel Ballistra

28 de Nov. de 2016 às 17:44

Amiel Ballistra
Será que as mulheres terão direito a dispensa maternidade? E os maridos, se também forem militares? E os períodos livres para amamentação? Nos quarteis existirão berçários? Andressa sonha com a Infantaria. Em caso de guerra, haverá trincheiras para homens e trincheira para mulheres? Ou elas serão dispensadas? As promoções serão apenas pelo mérito ou a aparência influirá? Quando Governador de MG, o Itamar Franco foi questionado ao promover uma Capitã, preterindo Oficiais mais antigos. Na Aeronáutica, Cabos do Quadro Feminino (enfermagem) foram promovidas a 3º Sargento, enquanto os Cabos, masculinos (também enfermagem) ficaram "marcando passo". Casos semelhantes sucederam também com Sargentos de algumas especialidades, oriundos da Escola de Especialistas. Isto reforça a disciplina? Como fica a hierarquia? Se as mulheres tem os mesmos direitos que os homens, deve haver uma fila única dentro dos quadros, armas ou especialidades tanto para graduados como para oficiais. Uma loura, miss Camaquã, que só sabe "fazer joguinho" no tablet, e uma negra formada em ciência da computação. Quem será escolhida para ajudante de ordens do Almirante de Esquadra Dom Casmurro? É preciso fazer uma lei clara e severa.


Guilherme

29 de Nov. de 2016 às 1:26

Guilherme
Salário igual ao dos homens. Respeito. Estabilidade. Moralidade. Mérito. Carreira. Quer mais? Melhor profissão para as mulheres.


Fox Apostilas

30 de Nov. de 2016 às 21:31

Fox Apostilas
Candidatas que tem interesse em ingressar no exército para ser OFICIAL (ESPCEX) ou Sargento (ESA), acesse o site: http://www.foxapostilas.com.br


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