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As trincheiras da mantiqueira (1 de 3)
Inserido por: Coordenador
Em: 07-24-2006 @ 08:33 pm
 

 

Parte 1/3

AS TRINCHEIRAS DA MANTIQUEIRA:

Os embates da Brigada Sul na Revolução Constitucionalista

 

Autor: Professor Francis Albert Cotta *


Resumo: partindo de uma perspectiva que privilegia a relação HISTÓRIA E NATUREZA, fornece dados sobre os embates travados entre paulistas e mineiros no setor da Serra da Mantiqueira durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Procura “re-construir”, a partir do cruzamento das fontes oficiais e não oficiais, da iconografia, dos objetos e armamentos existentes no Museu Histórico da PMMG, o cotidiano dos soldados da Força Pública de Minas.

Palavras-chave: Força Pública de Minas, Revolução Constitucionalista, História e Natureza

INTRODUÇÃO

Decorridos setenta anos do movimento paulista que ficou conhecido por Revolução Constitucionalista, certamente não temos bons motivos para rememorar a guerra fratricida travada entre paulistas e mineiros. Todavia, podemos observar a disciplina, a abnegação, a persistência, a bravura, e sobretudo a iniciativa, demonstradas tanto por mineiros quanto por  paulistas. Tais predicados não servem apenas para designar os soldados do front, mas são extensivos a todos os voluntários civis (crianças, mulheres e idosos) envolvidos direta e indiretamente no processo. No desenrolar do Movimento encontramos exemplos que, guardadas as especificidades políticas, culturais e históricas, mexem com o homem hodierno - legítimo representante de uma sociedade marcada pelo conformismo, pela avidez e pela frustação. Um indivíduo incapaz de se mobilizar efetivamente e de forma autônoma[1].

Ao “re-construírmos” parte da história da “Revolução Constitucionalista de 1932" optamos por destacar os confrontos do Setor do Túnel da Mantiqueira, por entendermos que alí se travou um dos mais decisivos embates entre as forças paulistas e mineiras. A Serra da Mantiqueira se constituiu um baluarte, “o reducto magico, o fortim lendário”[2], dentre outros fatores, por sua posição estratégica, principalmente no que diz respeito às ferrovias: Central do Brasil e a Estrada de Ferro Sul de Minas. A região do Túnel, que liga as cidades mineiras de Manacá e Passa Quatro à cidade paulista de Cruzeiro, desde os primeiros dias do conflito foi transformada em verdadeira praça militar, para abastecer o setor do Vale do Paraíba e a zona da Mantiqueira.

O presente estudo foi estruturado visando fornecer aos leitores informações do movimento das tropas mineiras no Setor Sul, sendo importante ressaltar que existiram outras frentes. Optamos por não entrar em detalhes excessivamente técnicos no que diz respeito às estratégias militares desenvolvidas cotidianamente no front. Não pretendíamos, tampouco, chegar à exaustão dos fatos ocorridos em cada sub-setor da Mantiqueira. Elegemos alguns fragmentos que nos auxiliarão na compreensão do processo.

Cogitamos que a novidade do presente trabalho está no uso de fontes primárias - manuscritas (oficiais e não oficiais) e impressas: boletins, jornais, mapas e, sobretudo, a rica iconografia - pertencentes ao hermético Arquivo do Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais. Todo este material chega finalmente ao conhecimento do público em virtude do empenho e generosidade acadêmica do Centro de Pesquisa e Pós-graduação do Instituto de Segurança Pública, na figura do Tenente Coronel Gilson Ferreira Campos, que nos franqueou o acesso ao Museu.

O trabalho de coleta de fragmentos em museus e arquivos é uma tarefa árdua, solitária e cansativa. Todavia, o historiador se sente extremamente recompensado quando pode contribuir, de alguma forma, para o develamento de questões “do passado” que estão intimamente ligadas às nossas práticas hodiernas.

A Revolução Constitucionalista

Manhã de 10 de julho de 1932, a machete do dia:“ Está victorioso, em todo o Estado, o movimento revolucionario de caracter constitucionalista[3], o jornal anunciava ao povo paulista que pela madrugada ja haviam aderido ao movimento, irrompido em 9 de julho, todas as guarnições federais inclusive Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina. Comunicava que as forças de Mato Grosso marchavam para Baurú, e que o General Bertholdo Klinger ( um gaúcho) chegaria de avião naquele mesmo dia. Simultaneamente, o Dr. Pedro de Toledo - anteriormente nomeado por Getúlio Vargas interventor federal de São Paulo - seria aclamado pelo povo presidente do Estado[4]. À esta altura dos acontecimentos tropas paulistas já haviam invadido as fronteiras de Minas Gerais, ocupando as cidades de Passa Quatro, Guaxupé, Cambuí, Extrema, e Camanducáia. No Diário Nacional era anunciado o motivo do movimento: “Solidario com o general Bertholdo Klinger, o Estado de S. Paulo insurgiu-se contra a ditadura infiel, que ameaça arrastar o paiz á anarchia”[5]. O General Isidoro Dias Lopes (também um gaúcho), comandante supremo das forças sublevadas e o Coronel Euclides de Figueiredo (um carioca), Chefe do Estado Maior das tropas revolucionárias, fizeram publicar em todos os jornais paulistas o seguinte manifesto revolucionário:

“Ao povo paulista - Neste momento, assumimos as supremas responsabilidades do comando das forças revolucionarias, empenhadas na luta pela immediata constitucionalização do paiz. Para que nos seja dado desempenhar, com efficiencia, a delicada missão de que nos investiu o ilustre governo paulista, lançamos um vehemente appello ao povo de S. Paulo, para que nos secunde na ação primacial de manter a mais perfeita ordem e disciplina em todo o Estado, abstendo-se e impedindo a pratica de qualquer acto attentatorio dos direitos dos cidadãos, seja qual fôr o credo politico que professem. No decurso dos acontecimentos que se seguirão, não encontrará a população melhor maneira de collaborar para a grande causa que nos congrega, do que dando, na delicada hora que o paiz atravessa, mais um exemplo de ordem, serenidade e disciplina, caracteristicos fundamentaes da nobre gente de S.Paulo.”[6]

A resposta da sociedade civil paulista foi imediata. Uma mobilização geral que se traduziu, entre outras frentes, na Campanha do Ouro, organizada pela Associação Comercial de São Paulo e na associação MMDC (sigla em homenagem aos paulistas Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo, que teriam sido os primeiros mortos em prol da causa constitucionalista em 23 de maio de 1932). O MMDC foi o responsável pela organização dos batalhões voluntários, serviço de reabastecimento, fornecimento de uniformes, calçados, agasalhos, mantimentos e correio militar. Em virtude do decreto nº 5585 de 14 de julho de 1932, são expedidas pelo “Thesouro do Estado de S. Paulo.Brazil” cédulas de 5, 10, 20, 50 e 100 mil réis, com as figuras dos paulistas Fernão Dias Paes Leme e Domingos Jorge Velho. São criadas delegacias técnicas de: 1)engenheiros do estado, 2)controle de veículos e embarcações e 3)gasolina e álcool. Há um profundo envolvimento da Escola Politécnica, de fábricas como a Matarazzo e a Nadyr Figueiredo. À vista de delegados oficiais do Exército fabricavam granadas de mão e fuzil, bombardas, espoletas para cartuchos de guerra, trotil, metralhadoras, o trem blindado e o carro blindado lança-chamas. [7]

No campo estratégico, em 10 de julho, os soldados paulistas já estavam na região do Túnel. Parte do efetivo do 5º RI de Lorena, sob o comando do Tenente Melchiades Tavares da Silva ocupou Passa Quatro e dinamitou várias pontes da via férrea, “o que teria causado pânico e alarme a muitas famílias”[8]. Este ato indignou a população local, que não podia protestar, pois, estava completamente isolada, em virtude da retirada dos trilhos da estação férrea pelos paulistas (FIGURA 1). Inicialmente os 2º, 3º, 4º Regimentos de Exército, duas Seções de Artilharia, 3 batalhões de voluntários e 1 Cia. do Corpo de Bombeiros também se envolveram no processo de ocupação de pontos estratégicos. Neste momento Getúlio Vargas enviou tropas federais, através de Minas, para reprimir os paulistas. As primeiras unidades a chegarem na localidade são o 11º Regimento de Infantaria, vindo de São João Del Rei, sob o comando do Major Herculano Assumpção, o 4º RCD, de Três Corações, e o 10º RI, tendo à frente o Capitão Alexandre Zacarias de Assumpção.

Getúlio Vargas informava que as reivindicações paulistas não tinham razão de ser, pois:

 “... foi promulgada a Lei Eleitoral, marcou-se a data em que se devem efetuar as eleições, escolheram-se os juízes dos tribunais eleitorais; nomearam-se os funcionários que compôem as respectivas secretarias; abriram-se os créditos necessários e acaba de ser designada a comissão incumbida de elaborar o projeto de constituição...”[9] 

A organização das forças militares em Minas Gerais

Olegário Dias Maciel, representante do povo mineiro, apoiou Getúlio Vargas. Por sua vez, a Força Pública de Minas, tendo como Comandante Geral o Secretário do Interior Gustavo Capanema, e Chefe do Estado Maior, o Coronel José Gabriel Marques[10], acatou integralmente as determinações do Presidente do Estado de Minas Gerais. Em 10 de julho, determinou-se oficialmente a prontidão e mobilização dos batalhões de infantaria da Força Pública, os militares deveriam ser recolhidos e permanecerem prontos para embarque. Nesta mesma data ocorreu a designação para as funções de Comandante das Operações: Coronel Gabriel e Sub Chefe das Operações: Ten Cel José Vargas da Silva. O Serviço de Estado Maior seria composto por seções de mobilização, de engenharia e transporte, de abastecimentos, de comunicações, de requisições militares e de expediente e passaporte[11]. Durante o Movimento foram criados diversos batalhões de infantaria provisórios[12]

As forças de Minas foram divididas em três brigadas ou destacamentos: 1) Setor do Túnel da Mantiqueira, comandada pelo Cel. Edmundo Lery Santos; 2) Poços de Caldas, comandada pelo Cel. Otávio Campos do Amaral; e 3) Triângulo Mineiro, comandada pelo Cel. Antônio Fonseca. O meio utilizado para a mobilização e consequente reunião dos batalhões que comporiam estas brigadas foi a comunicação pelo serviço de rádio do Estado a todas as cidades servidas por essas Unidades. A Brigada Sul foi organizada em 14 de julho, na cidade de Lavras. As Unidades foram incorporadas de forma gradual. Na arrancada final estiveram diretamente envolvidos nas operações dez Unidades, perfazendo 3.289 militares (QUADRO 1)

QUADRO 1

Mapa da Tropa - Setor do Túnel da Mantiqueira

UNIDADE

COMANDANTE

PROCEDÊNCIA

EFETIVO

Estado Maior da Brigada Sul

Cel Edmundo Lery Santos

Bom Despacho

13

1º Batalhão de Infantaria

Ten Cel Francisco Campos Brandão

Belo Horizonte

794

2º Batalhão de Infantaria

Major José Pinto de Souza

Juiz de Fora

445

3º Batalhão de Infantaria

Major Targino Ribeiro de Meirelles

Uberaba

394

7º Batalhão de Infantaria

Ten Cel Fulgêncio de Souza Santos.

Bom Despacho

741

8º Batalhão de Infantaria

Major José Persilva

Belo Horizonte

422

19º Batalhão Infantaria Provisório

Major Joaquim Francisco de Paula

Belo Horizonte

324

Regimento de Cavalaria

Ten Cel Anísio Fróes

Belo Horizonte

232

Serviço Auxiliar de Engenharia

Ten Cel Otacílio Negrão de Lima

Belo Horizonte

80

Serviço de Saúde

Major Dr. J. Santa Cecília

Belo Horizonte

23

Trem Hospital

Capitão Dr. Carlos Alberto Quadros

Belo Horizonte

21

TOTAL

3.289

Fonte: Relatório de Campanha. Cel. Edmundo Lery Santos. Quartel do 7º B.I., em Bom Despacho, 25/11/32.

Leia a parte 2/3

 


Última alteração em 07-24-2006 @ 08:37 pm

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