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As trincheiras da mantiqueira (2 de 3)
Inserido por: Coordenador
Em: 07-24-2006 @ 08:36 pm
 

 

Parte 2/3 (leia a parte 1/3)

O Comandante do 2º Batalhão de Infantaria da Força Pública de Minas, em decorrência das várias apreensões feitas na frente de combate, informou que os paulistas utilizavam: fuzis ordinários, mosquetões belgas/austríacos, fuzis metralhadores, metralhadoras pesadas Hotchkiss, metralhadoras Madsem, morteiros Stock, granadas de mão, revólveres e pistolas, além peças de artilharia[13]. Os soldados mineiros também possuíam armamentos semelhantes. O elemento complicador residia no transporte, manutenção e utilização deste material bélico nas condições climáticas e topográficas da Serra da Mantiqueira. Afim de contribuirmos para a compreensão desta dimensão, forneceremos à seguir alguns dados técnicos sobre os armamentos.

Comecemos pela família Hotchkiss, que é composta pela metralhora pesada e pelo fuzil metralhador. A metradora Hotchkiss é uma arma automática com cadência de 400 disparos por minuto, sendo a velocidade prática de 250 tiros por minuto. Sua munição (cartuchos de guerra de bala ogival do fuzil Mauser mod. 1895) é adaptada aos carregadores metálicos rígidos - modelo Puteaux para 30 cartuchos - acondicionados em cofres para dez carregadores. Seu alcance máximo é de aproximadamente 4.300 metros e o prático de 2.000 metros. A metralhadora pesa 48 quilos, sendo 24 Kg a metralhadora e 24 Kg o reparo tripé. O Fuzil Metralhador Hotchkiss, também é uma arma automática e funciona pela ação direta dos gases da própria carga de projeção. Seu peso é de 7 quilos e 500 gamas, tem 1 metro e 65 centímetros de comprimento, atira com cartucho de fuzil Mauser, emprega carregadores de aço pesando 35 gramas, e que comportam 35 cartuchos. Tem uma velocidade teórica de 200 tiros por minuto e prática de 60 tiros.

A Metralhadora Madsen é uma arma automática de grande recuo, tem 7 mm de calibre, possui carregadores metálicos com capacidade de 35 cartuchos e velocidade teórica de 300 tiros por minuto. Pesa 22 quilos, aí incluído o seu reparo. O fuzil Mauser, de 1908, modelo brasileiro, é uma arma de repetição, de 7 mm de calibre e de depósito na culatra, com capacidade para cinco cartuchos. Atira a bala ponteaguda e é muninciado por meio de um carregador de lâmina. Seu alcance máximo é cerca de 4.000 metros e o peso total com sabre e baioneta é de 4 quilos e 700 gramas. Possui, sem a baioneta, aproximadamente, 1 metro de cumprimento.[14]

Não é difícil imaginarmos as dificuldades provenientes do transporte, da acomodação e da utilização destas metralhadoras. O remuniciamento era uma questão delicada, pois, uma vez posicionada, em uma toca ou trincheira, a metralhadora deveria estar sempre com munições suficientes para dar respostas eficientes às investidas dos paulistas ou mesmo para proporcionar  cobertura, em caso de progressões dos soldados mineiros. Os responsáveis pela metralhadora não podiam se deslocar da trincheira. Por questões táticas, dependiam de outros soldados, para lhes trazerem munições e alimentos. Neste sentido, a Serra não se mostrava generosa. Em dado momento, era a picada deficiente que “mal dava para passar um combatatente”, em outro, o terreno íngreme e acidentado. O soldado, mal alimentado e submetido a altitudes acima de 1.700 metros, não conseguia levar muitas caixas de munições.

Através dos dados apresentados pelo Coronel Lery, podemos captar a envergadura dos embates. (QUADRO 2):

QUADRO 2

Efetivo e armamento - Setor do Túnel da Mantiqueira - 1932

EFETIVO

ARMAMENTO

Oficiais

Praças

20 metralhadoras pesadas:

Colt, Hotchkis,Maxim

Fuzis ordinários

2.505 unidades

combatentes

não combatentes

combatentes

não combatentes

132

20

3.039

98

125 Fuzis metralhadores ZB

8 peças de artilharia

3 carros de assalto

Fonte: Relatório de Campanha. Cel. Edmundo Lery Santos. Quartel do 7º B.I., em Bom Despacho, 25/11/32.

O homem, a técnica e o meio

O teatro de operações da Brigada Sul foi a região da Serra da Mantiqueira. Nas cidades de Passa Quatro, Manacá e Túnel existiam estações da Estrada de Ferro Viação Sul Mineira (FIGURAS 2 e 3). Nesta época funcionava uma malha ferroviária que ligava diversas cidades mineiras, bem como fazia ponte com cidades paulistas. Para o transporte dos soldados da Força Pública de Minas foram utilizados diversos vagões..

Jésus Ventura de Carvalho, Sargento do 7º Batalhão de Infantaria da Força Pública, foi um dos militares transportados pelos vagões da Sul Mineira. Em suas memórias de campanha, relatou que passando por Passa Quatro, os soldados mineiros, famintos e cansados, receberam de “bondosas senhoras” várias broas e pães. Não foi possível saciar a todos, pois, em poucos minutos partiram para Manacá. Naquela cidade, pernoitaram no interior das composições. Jésus segue relatando que Manacá era um lugarejo que não possuía comércio, e a população havia fugido devido aos conflitos militares. A alimentação da tropa era trazida de Passa Quatro e preparada em uma cozinha de campanha[15].

Mesmo para quem não conhece de visu o local onde se encontra o Túnel, na Serra da Mantiqueira, não é difícil fazer idéia dos inumeráveis acidentes que o terreno apresenta: picos elevadíssimos de difícil acesso (Gomeira, Gomeirinha, Cristal e Itaguaré, dentre outros), grotas perigosas, verdadeiros abismos para operações de guerra. Era um taquaral horrível, coberto de matas e subidas indescritíveis (FIGURA 4). O soldado mineiro sofria com a chuva, com o frio, com o ar rarefeito. Ordinariamente, a condução de alimentos e munições era feita em bruacas transportadas por burros (FIGURA 5)[16]. Os soldados das trincheiras eram mal alimentados (geralmente a ração consistia em um pirão com carne cozida), pois, os homens não aguentavam conduzir muitos alimentos - nem sempre os animais tinham acesso a determinados locais.

A queixa dos soldados era sempre a mesma: “o terreno não ajudava”. Algumas trincheiras não possuíam um bom campo de tiro. Neste sentido, os “ângulo mortos” são algumas das dádivas dos terenos acidentados. Se a Serra castigava os soldados, com o clima não era diferente. Além dos resfriados e das gripes, a umidade e a garoa constante interferiam no funcionamento dos armamentos e na qualidade das munições. Afinal, não há pólvora que resista a permanente exposição à umidade. Era preciso vencer os óbices, coordenar a tropa e atuar de maneira eficiente. De uma maneira ou de outra a Serra ditou as regras do jogo.

Em função do terreno e das estratégias adotadas pelo Estado Maior da Brigada Sul, a  linha de combate ficou dividida em três sub-setores: 1º) Sub-setor da frente: abrangia toda a frente do Tunel para a direita e esquerda, até as elevações das montanhas; 2º) Sub-setor da direita: compreendia: Fazenda de São Bento, Morro do Cristal-Garupa e Serra do Itaguaré; e 3º) Sub-setor da esquerda: elevações da Fazenda Gomeira e imediações. O mapa do teatro de operações, desenhado por João Batista Mariano, do Serviço Auxiliar de Engenharia/ Seção Técnica, facilitará a localização das tropas paulistas e mineiras, do Posto de Comando, do Posto de Reabastecimento, do Trem Hospital, das peças de artilharia, do Estado Maior e de vários outros detalhes mencionados neste trabalho (FIGURA 6).

As posições paulistas

Os paulistas realizavam uma verdadeira “guerra de trincheiras”; já os mineiros, mesclavam entre as “trincheiras” e a guerra “de movimentos”, esta última mais praticável no terreno já dominado pela Brigada Sul. Em uma “guerra de trincheiras” o soldado permanece noites e dias imobilizado, tendo que responder à fuzilaria adversária e se manter atento e vigilante quanto a possíveis incursões inimigas nas linhas sob sua guarda.

A Serra da Mantiqueira se constituiu uma das principais fortificações paulistas pela importância e posição estratégica - situada acima da boca do Túnel da Mantiqueira. Em forma de T, os paulistas, formavam uma linha quebrada que se estendia por toda a crista da montanha. As trincheiras possuíam um metro e pouco de profundidade, protegidas por trilhos, dormentes e sacos de areia, tinham nas brechas os suportes necessários para a colocação de metralhadoras. (FIGURA 7)

A fortificação paulista era feita de dormentes e trilhos. No centro, o abrigo para a artilharia; ao lado, outro abrigo para o PC. As trincheiras paulistas avançavam morro acima em todas as direções, dominando completamente a Serra da Mantiqueira. Eram ligadas por comunicações subterrâneas, picadas e escadinhas. Os postos avançados eram ligados por completa rede de telefone de campanha. Os paulistas não tiveram dificuldades para locomoção e subsistência[17]. As posições paulistas apresentavam-se guarnecidas de armas automáticas, bem entrincheiradas, entretanto bastante enfraquecidas pela ação do fogo mineiro. O sistema de defesa paulista achava-se disseminado pelas elevações da Serra da Mantiqueira e nas mediações da boca do Túnel existiam diversas peças de artilharia (FIGURA 8). 

Planos de ataque, artilharia e carros de assalto

Os primeiros passos da Brigada Sul, logo que chegou em Manacá, foi o reforço/substituição da tropa federal: 4º RCD e 2º Batalhão do 11º RI, que ali se encontrava a  quatro dias. Posteriormente, um pelotão do 7º Batalhão da Força Pública, ocupou a Fazenda São Bento, localizada a dez quilômetros de Manacá. Tal propriedade dava acesso ao Morro do Cristal e em continuação à Serra do Itaguaré, além da boca do Túnel.

O Morro do Cristal, fica a seis quilômetros de terreno acidentado e a 1.750 metros de altitude. Somente após seis dias de exaustivo trabalho, se conseguiu acesso via picadas. Mais tarde ocorreu a ocupação da Garrupa e de outros pontos estratégicos na Serra da Mantiqueira.

Os planos dos mineiros consistiam, em ataques iniciados pela artilharia, daí os soldados de infantaria, abririam fogo de metralhadoras sobre as posições paulistas, ao mesmo tempo em que procuravam avançar e ocupar melhores posições, caso não pudessem tomar as trincheiras de assalto. Durante o fogo da artilharia, os soldados progrediriam, aproveitando-se da “metralisação”. Os combatentes procurariam tirar o melhor partido dos seus fogos, quer da artilharia, quer das armas automáticas, sempre progredindo.

A artilharia mineira ficou a cargo de uma bateria do 10º Regimento de Infantaria e duas peças do 8º R.A.M, de Pouso Alegre (FIGURA 9). Ressalta-se ainda a participação da seção de carros de assalto sob o comando do 2º Tenente Comissionado Miguel Matuck. Desses carros, dois estavam armados com metralhadoras, e o terceiro com um canhão 37, mantinha fiscalização da estrada que ia da boca do Túnel, fazendo reconhecimento até as proximidades das primeiras trincheiras paulistas (FIGURA 10).

Os deveres do soldado no front - algo que foi institucionalizado na “força policial-militar” de Minas Gerais a partir de sua criação, no último quartel do século XVIII, e se consolidou durante o XIX[18] - eram constantemente elencados pelos superiores hirárquicos, seja através de boletins ou de ordens diretas. O capitão Amilcar Martins reproduziu parte dessas instruções:

Merece castigo: quem renuncia à luta antes de esgotados todos os meios de que dispõe”; custe o que custar: é preciso sempre em certos pontos, avançar contra o inimigo, repelí-lo de sua posição, ou então resistir até o fim e sucumbir sem arredar o pé”; é proibido: depor as armas sob pretexto de envolvimento por parte do inimigo (consumidas as munições, faz-se um último esforço com a baioneta), recuar sob qualquer pretexto (o recuo de uma tropa só poderá resultar de uma manobra regulada por instruções nitidamente específicas); o exemplo: em circunstância alguma o soldado é mais obediente do que no fogo traz os olhos fitos no chefe, que lhe transmite a sua vontade, bravura e sangue frio, eo torna capaz de todas as dedicações e sacrifícios; os que caírem nas mãos do inimigo: podem dar a conhecer: nome, pronome, posto, lugar do nascimento. Nada mais, absolutamente nada mais, dirão.[19] 

A morte do Ten Cel Fulgêncio e as granadas paulistas

No dia 30 de julho, após treze dias de confrontos, ocorreu uma ofensiva geral das tropas paulistas, se valeram da artilharia e do fogo intenso de metralhadoras que varriam as posições mineiras. Os disparos ocorriam tanto na frente do Túnel como nos flancos direito e esquerdo - Cristal e Gomeirinha, respectivamente. Foi neste dia fatídico que a Força Pública Mineira sofreu várias baixas perdendo, dentre outros, o Tenente Coronel Fulgêncio de Souza Santos, ferido mortalmente por um projétil. Os tenentes Anastácio Rodrigues de Moura e João Luiz de Freitas também foram vítimas letais da explosão de uma granada de mão. Na frente do Túnel várias praças foram mortas e feridas em virtude de explosões de granadas que caiam no interior das trincheiras[20].

O raio de ação da “granada defensiva” fabricada por São Paulo é de cerca de 50 metros. Tal artefato é cópia da granada inglesa “Mills”. Em São Paulo, eram carregadas com nitrato de amônio e alumínio metálico (posteriormente substituídos por trotil). Para ser lançada à mão era um pouco pesada (700 gramas), já o lançador, a arremessava a uma distância de 20 a 24 metros. Na modalidade de lançamento por fuzil, utilizava-se o bocal-sabre, também uma invenção paulista. Com este mecanismo a granada atingia a distância de 80 a 100 metros. Ao explodir fragmentava-se em 44 estilhaços[21]. Ressalta-se que quando ocorre uma explosão, seja ela de uma granada ou de qualquer outro artefato, nem sempre são os fragmentos que causam as lesões ou óbitos. As ondas de choque, produzidas pelo escape súbito e repentido de gases do interior de um espaço limitado, são responsáveis por rompimento de tímpanos e órgãos internos.

Carlos Drummond de Andrade: a percepção do poeta

A fim de realizar visita de inspeção aos diversos setores da região do Túnel, no dia 3 de agosto, chegaram em Manacá: Gustavo Capanema - Comandante Geral da Força Pública e Secretário do Interior, Cel. José Gabriel Marques - Comandante das Forças em Operação e Chefe do Estado Maior da Força Pública, Carlos Drumond de Andrade - da Secretária do Interior, Ten Cel Dr. Magalhães Góes - Chefe do Serviço de Saúde da Força Pública e Tenente Lélio Augusto Fernandes da Graça, ajudante de ordens. O Cel Gabriel, Gustavo Capanema e Ten Cel Vargas não se encontraram apenas nas linhas de combate, a cidade de Passa Quatro foi parada obrigatória para repasse de ordens e acertos diversos (FIGURA 11).

Carlos Drummond de Andrade visitou as trincheiras da Serra da Mantiqueira e ao retornar à Belo Horizonte proferiu um cintilante discurso sobre o soldado do Túnel e a imagem que teve da trincheira:

“... estive diante do Túnel e vi o soldado lutando, e o soldado não me viu, porque estava lutando. Estava integralmente lutando. Com o corpo dentro da terra, tal um bicho inferior, sua cabeça alçava-se à superfície e era como um acontecimento humano na paisagem da serra. Corpo, cabeça e fuzil faziam um só indivíduo e acusavam uma só decisão.(...)”[22]

O Poeta é capaz de captar as minúncias, mostrando como a luminosidade da Serra da Mantiqueira é cortada quando se entra em uma escura trincheira. Percebia a terra cortada de fresco, os torrões ainda se esboroando, os degraus improvisados, os ramos secos e as vigas suspensas. Caminhava, tropeçava e onde a luz não guiava, porque ausente, guiava-o o ruído seco, metálico, pontuado das armas e granadas que detonavam (FIGURA 12).

Drummond viu o soldado “o olho na alça de mira, o pensamento no alvo, o mundo para ele era o morro fronteiro, mancha verde, onde devia haver uma trincheira espiando; a vida estava inteira naquele instante, e não havia marchas pesadas nem caminhadas futuras”. Na serra enorme o Poeta via apenas um homem, feito de pau, de ferro, de substâncias indiferentes, um ser sem necessidade e sem desvios, agindo certo, visando certo, atirando firme (FIGURA 13).

O Padre Kobal e a assistência religiosa

No meio das operações apareceu no Posto de Comando do Cel. Lery, o Reverendo Padre Alfredo Christovam Kobal, que se mostrou incansável em estimular os soldados e encorajá-los à prática do dever, sob a proteção de Deus. Padre Kobal, como ficou conhecido, soube captar a simpatia da tropa, tornando-se respeitado por oficiais e praças, que viam nele um entusiasta e ao mesmo tempo um sarcedote pronto e esforçado para minorar os sofrimentos daqueles que tinham a infelicidade de caírem feridos. O Sarcedote corria diariamente as trincheiras, ora numa ora noutra frente e sempre alegre levava conforto moral e seu gesto de bravura. Celebrava missas aos domingos em setores diferentes e com sua palavra cheia de fé e ardente de entusiasmo evoca o nome de Deus em favor dos soldados de Minas (FIGURA 14). O Padre Kobal permaneceu com as forças mineiras até a queda do Túnel, vindo depois para a frente de Guaxupé. Após solicitação do Cel Lery, o General Jorge Pinheiro, Comandante da 4ª Divisão de Infantaria, concedeu ao religioso as vantagens honoríficas do posto de 2º Tenente[23].

Serviço de Saúde - Atuação do Capitão Dr. Juscelino Kubitschek

Segundo o Cel Lery, o serviço de saúde foi o mais eficiente possível. Era constituído de um Trem Hospital, que chegou em Manacá nos últimos dias do mês de julho, fixando-se próximo ao Estado Maior da Brigada Sul. Possuía: instalação radiológica completa, carro de alta cirurgia e sala de assepsia, como também sala do Diretor - inicialmente o Capitão Dr. Carlos Alberto Quadros; carro dormitório transformado em enfermaria com vinte leitos; carro de pequenas cirurgias com consultório médico; sala de curativos de pequenas cirurgias, gabinete dentário e secretaria de Intendência; carro restaurante; carro farmácia com medicamentos; carro de carga e, finalmente uma prancha para a condução do auto-ambulância[24].

Por seu turno, o Dr. J, Santa Cecília, Major Chefe do Serviço de Saúde do Setor do Túnel  foi realista ao afirmar que o número de feridos e mortos foi de tal montante que trouxe atropelo e desorganização na assistência aos feridos, o que teria motivado a deliberação do Chefe do Serviço de Saúde da Força Pública de enviar para aquele setor um oficial médico com poderes para dar a necessária organização ao Serviço Sanitário.

Desde o início da ocupação do Túnel, foi a Santa Casa de Passa Quatro, situada a seis quilometros à retaguarda do Trem Hospital, a primeira instituição a prestar socorros aos soldados mineiros. Inicialmente, faltavam leitos em quantidade suficiente para atender ao grande número de baixados; entretanto, não só essa como outras necessidades foram gradativamente supridas pelo Governo.

A longa permanência nas trincheiras, o frio e a umidade reinante trouxeram inúmeros casos de gripe, bronquites e reumatismo. No período de 17 de julho a 31 de agosto, baixaram 1.016 homens, sendo 214 feridos e 802 doentes. Acerca das enfermidades sofridas pelos soldados mineiros, relevante é o relatório apresentado pelo Capitão médico Dr Dilermando Martins. Mesmo que relacionado ao efetivo do 2º Batalhão de Infantaria, traduz a situação da maioria dos combatentes nas trincheiras da Mantiqueira[25]. Percebe-se alimentação inadequada e as condições climáticas desfavoráveis eram as principais causas das moléstias (QUADRO 3).

Quadro 3

Enfermidades dos soldados do 2º Batalhão de Infantaria - 1932

Nº de pacientes

Tipo de enfermidade

34

Gripe

18

Desinteria

13

Ferimentos

09

Cancro

07

Reumatisto

03

Pithiatismo

02

Queimadura

      Fonte: Relatório do Capitão médico Dr. Dilermando Martins da Costa Cruz Filho.

Leia a parte 3/3

 


Última alteração em 07-24-2006 @ 08:36 pm

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