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As trincheiras da mantiqueira (3 de 3)
Inserido por: Coordenador
Em: 07-24-2006 @ 08:39 pm
 

 

PARTE 3/3 (Leia a parte 2/3)

Juiz de Fora. 28 de outubro de 1932. Documentos avulsos. Arquivo do Museu da PMMG.

Em setembro, o Hospital Militar publica a relação de oficiais e praças que, vindos do front, continuavam baixados naquele nosocômio. A maioria dos convalescentes provinham do setor do Túnel da Mantiqueira (QUADRO 4).

Quadro 4

Oficiais e praças baixados no Hospital Militar - Setembro de 1932.

Nº de convalescentes

Origem

34

Passa Quatro

08

São Lourenço

05

Varginha

03

Manacá

13

Caxambú

03

Três Corações

01

Itajubá

Fonte: Hospital Militar FPMG. Belo Horizonte, 1 de setembro de 1932.

Documento avulsos do Arquivo do Museu da Polícia Militar de Minas Gerais.

Os oficiais médicos e seus auxiliares, que serviam em diversas Unidades da Força Pública na Serra da Mantiqueira, visitavam diariamente as trincheiras. Tinham uma dupla jornada de trabalho: ora estavam nas barracas, ora nas linhas de frente Os feridos mais graves eram encaminhados para o Trem Hospital, para Passa Quatro e para o Hospital Militar, em Belo Horizonte. O Trem Hospital produziu 54 operações, com 51 feridos registrados. No dia em que o Chefe do Serviço de Saúde chegou de Belo Horizonte pode observar 7 laparotomias, sendo 5 por projéteis, uma por ferimento perfuro-cortante e outra por apendicite. Dessas, 4 foram praticadas pelo Dr. Juscelino Kubitschek. Em seu relatório final, o Tenente Coronel A. Magalhães Goés - Chefe do Serviço de Saúde da Força Pública teceu os seguintes elogios ao Capitão Dr. Juscelino Kubitschek:

“Cirurgião do Hospital de Passa-Quatro - temperamento de slavo, calmo, modestíssimo, em extremo disciplinado, resistência de aço para, num só dia, socorrer mais de 40 feridos, sem se esfalfar, foi a grande revelação do Serviço de Saúde. Mostrou-se um ótimo cirurgião, um improvisador de meios para uma boa assistência aos grandes feridos de guerra, com impecável educação, inteligência e maneira discreta. O seu elogio pode ser resumido, transportando-se para aqui o pedido dos oficiais do Exército que, ao partirem para a frente, solicitavam terem-no como cirurgião, no caso de ferimento em combate.”[26]

 A queda do Túnel

Durante mais de dois meses os soldados da Serra da Mantiqueira foram submetidos à dureza natural da Campanha que se traduziu: nas explosões de granadas e nas rajadas de metralhadoras - que cortavam as árvores finas; nas peculiaridades das trincheiras; nos desmoronamentos de abrigos e tocas em virtude das chuvas; na mistura entre o suor (fruto das atividades mecânicas e da ansiedade) e a garoa úmida e gelada que molhava os corpos dos combatentes; nas altas altitudes e consequente ar rarefeito; nas dificuldades de transposição do terreno com seus morros, grotas e picos; na falta de água e na alimentação deficiente (que deixava o militar “bambo de fome”[27]); por fim, nas patrulhas de exploração/ reconhecimento e no serviço de vigilância de estradas. A despeito das duras exigências poucos foram aqueles que desertaram.

Nos dias finais do confronto na Serra, os sub-setores avançavam: Gomeira, no flanco esquerdo, Garupa, no flanco direito e na frente do Túnel. Em Itagaré as tropas mineiras vinham conquistando terreno, palmo a palmo, à bala e à baioneta. O objetivo de sua conquista residia no fato de envolver os paulistas cortando-lhes a comunicação com Cruzeiro. Em todas as ofensivas os oficiais e sargentos estavam lado a lado com seus comandados, “convencendo pelas palavras e arrastando pelos exemplos”. (FIGURA 15).

Na noite do dia 12 para 13 de setembro as sentinelas das posições dos flancos informaram que, na retarguarda do Túnel havia grande movimentação de tropas e composições. Às primeiras horas do dia o Comandante Lery foi informado que os paulista haviam se retirado utilizando composições e caminhões. Os últimos paulistas deixaram o Túnel abandonando veículos, munição, granadas e grande quantidade de outros objetos[28]. Após o avanço e conquista de Cruzeiro estavam encerradas as operações na região do Túnel (FIGURA 16).

Com a queda do Túnel, a Brigada Lery recebeu determinações para operar no Setor Centro, onde a Brigada Amaral reclamava reforços. Pouco tempo depois, 29 de setembro, ocorreu definitivamente a deposição das armas paulistas. Terminada a Revolução Constitucionalista, seus principais chefes civis e militares foram exilados para Lisboa. Com o sentimento de dever cumprido, os soldados mineiros retornaram à caserna. Todavia, a rotina dos batalhões e destacamentos, ainda na década de 1930, seria novamente interrompida. Novamente a Força Pública de Minas Gerais “pegaria em armas” ...  mas, esta é uma outra história!


[1] A este respeito, o filósofo Cornelius Castoriadis demonstrou profunda preocupação com aquilo que denominou “a escalada da insignificância” nestes tempos que, segundo ele, se caracterizam pelo conformismo generalizado, diante da profunda crise de significações imaginárias sociais que até aqui vinham fornencendo sentido à sociedade e identidade aos indivíduos. No “deserto superpovoado”que gera a coletivização atomizante ou a socialização dissocializante, a “privatização” reina, acarrentando apatia, a demissão e desinteresse quanto aos negócios públicos, vistos como estranhos. CASTORIADIS, Cornelius. Feito e a ser feito. Rio de Janeiro: DP&A, 1999.

[2] DEL PICCHIA, Menotti. A Revolução Paulista atravez de um testemunho do Gabinete do Governador. São Paulo: Cia. Editora Nacional. 1932.

[3] O ESTADO DE SÃO PAULO. Anno LVII. Nº19.216. São Paulo. Domingo, 10/07/32.

[4] O jornal  1ª Folha da Noite trazia em letras garrafais: “O Sr. Pedro de Toledo será acclamado presidente de S. Paulo às 15 horas no Palacio da Cidade”. Anno XII.N.3.524. São Paulo. Domingo, 10/07/32. 

[5] DIARIO NACIONAL. Anno V. Nº 1.510. São Paulo, Domingo,10/07/32.

[6] DIÁRIO DE SÃO PAULO. Anno IV. Nº 1.087. São Paulo. Domingo.10/07/32.

[7] SANTOS, Amilcar Salgado. A epopéia de São Paulo em 1932. Diário da linha de frente. São Paulo: s. ed. 1932. MARTINS, José de Barros. Álbum de família. 1932. São Paulo: Martins, 1954.

[8] Manuscritos. Passa Quatro, 14 de julho de 1932. p .II. Documentos avulsos. Arquivo do Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais.

[9] CORREIO DA MANHÃ. Terça-feira. 12/07/32.

[10] Sobre a brilhante vida militar do Cel Gabriel ver COTTA, Francis Albert. Reflexões iniciais sobre as contribuições do Corpo Escola e Escola de Sargentos para o processo pedagógico policial-militar (1912-1931) In O Alferes, Belo Horizonte, 16 (53): 25-66, jan./jun.2001.

 [11] BOLETIM GERAL da Força Pública de Minas Gerais. Estado Maior. 1ª Seção. 10/07/32. p. 755.  Arquivo do Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais. Documentos avulsos.

[12] Tais voluntários, bem como os militares da Força Pública receberam vencimentos, ajuda de custo e terço de campanha. No período de campanha, os familiares dos combatentes receberam etapas. Botetim Geral da Força Pública, 30 de julho de 1932, p. 952 e 975. Arquivo do Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais.

[13] RELATÓRIO do Major José Pinto de Souza ao Sr. Comandante Geral da Força Pública de Minas Gerais. Juiz de Fora, 22 de novembro de 1932. 57 páginas datilografadas. Documentos avulsos. Arquivo do Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais.

[14] SANTIAGO, Ruy. Guia para a instrução militar. Para uso dos Tiros de Guerra e Escolas de Instrução Militar , dos monitores e graduados do Exército e das polícias militarizadas. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1938, pp. 252-352.

[15] ANOTAÇÕES manuscritas para “Uma pequena história do 7º Batalhão desde a primeira semana do mês de julho de 1932".p.3. Documentos avulsos. Arquivo do Museu da Polícia Militar de Minas Gerais.

[16] O Ten Cel Enísio Fróes, Comandante do Regimento de Infantaria informou em seu relatório que foram adquiridos 35 burros para o serviço de transporte. Relatório de 28 de novembro de 1932, dirigido ao Comandante Geral da Força Pública de Minas. Documentos avulsos. Arquivo do Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais.

  [17] Jornal A NOITE. Rio de Janeiro. 20 de setembro de 1932.

[18] Um esboço dos fundamentos da cultura organizacional da “força policial-militar” de Minas Gerais temos em COTTA, Francis Albert. De desclassificados a corpos dóceis: a implementação da disciplina militar prussiana em Minas Gerais. In: O Alferes, Belo Horizonte, 15 (52): 61-96, jul./dez.2000.

[19] MENEZES, Amilcar Dutra. O que o soldado deve saber. Rio de Janeiro: 1940, pp. 67- 69.

[20] BOLETIM nº 16, Brigada Sul. Estado Maior. Força Pública de MG. Quartel em Manacá, 31 de julho de 1932. Arquivo do Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais. Documentos avulsos.

[21] ASSUMPÇÃO. Moacyr Nunes. Estudo sobre granadas de mão e de fuzil. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1940, pp.38-47.

[22] O discurso de Carlos Drummond foi publicado na revista O Alferes, Belo Horizonte, 6 (16): 131-132, jan,/fev./mar.1988.

[23] COMUNICAÇÃO - Ministério da Guerra. Comando do 1º Grupo de Destacamentos. Passa Quatro, 8 de agosto de 1932. Nº 31. 1ª Seção. Arquivo do Museu Histórico da PMMG.

[24] OFÍCIO de apresentação do Capitão Diretor do Trem Hospital -Manacá. Serviço de Saúde da Força Pública de Minas Gerais. Nº 01, Belo Horizonte, 27 de julho de 1932.

[25]Os boletins gerais da Força Pública trás inúmeros casos de militares da Brigada Sul acometidos por enfermidades como bronquite aguda, fadiga e sarna. Boletins Gerais da Força Pública período de julho à setembro de 1932. Documentos avulsos. Arquivo do Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais. 

[26] BOLETIM do Estado Maior. Força Pública de Minas Gerais. Belo Horizonte, 28/9/32. Arquivo do Museu Histórico da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. Documentos avulsos.

[27]  CARVALHO, Sargento Jésus Ventura de. Anotações manuscritas para “Uma pequena história do 7º Batalhão de Infantaria, desde a primeira semana do mês de julho de 1932".p.5. Documentos avulsos. Arquivo do Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais.

[28]RELATÓRIO da BrigadaSul - Setor do Túnel. Força Pública de Minas Gerais. Cel Edmundo Lery Santos. Belo Horizonte, 28 de março de 1933.p.84. Documentos avulsos. Arquivo do Museu Histórico da Polícia Militar de Minas Gerais.


Autor:Professor Francis Albert Cotta *

* Doutorando em História Social da Cultura - FAFICH/UFMG.

Professor e pesquisador do Instituto de Educação de Segurança Pública de Minas Gerais.

Militar do GATE de Minas Gerais

 


Última alteração em 07-24-2006 @ 08:39 pm

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