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A Guerra do Paraguai vista por um inglês
Inserido por: Coordenador
Em: 07-25-2006 @ 12:58 am
 

 

A GUERRA DO PARAGUAI VISTA POR UM INGLÊS

 

 
Colaborador:  Gen. Raymundo Negrão Torres(x)


 

Um dos mais importantes episódios da História do Brasil foi a Guerra do Paraguai. Primeiro pela magnitude do conflito, o maior havido entre países sul-americanos e que, em um estudo sobre as guerras no mundo, feito pelos historiadores Melvin Small e J, David Singer, foi considerada a sexta em severidade dentre os conflitos havidos no período de 1816 a 1980. Depois, pelas conseqüências militares, políticas, econômicas e sociais que dela resultaram para as nações envolvidas. Sobre ela foram escritos livros às dezenas e se tem desenvolvido nos últimos anos um controvertido processo de revisão.

Um dos mais importantes depoimentos sobre aquele conflito é praticamente desconhecido, embora mencionado na vasta bibliografia arrolada por Tasso Fragoso em sua obra “A Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai”. Trata-se de um livro publicado em Londres em 1870, logo depois do término do conflito. Seu autor, o inglês Richard Francis Burton (1821-1890), foi militar, diplomata, cientista, naturalista e autor de mais de 30 livros. Um autêntico vira-mundos, explorador de vida movimentada e romanesca, era, ao tempo, cônsul inglês em Santos e deixou, sob a forma epistolar, um excelente trabalho sobre a guerra. Na obra intitulada Cartas dos Campos de Batalha do Paraguai, Richard Burton - muitas vezes confundido com o ator de cinema seu homônimo - reuniu 27 missivas; a primeira datada de Montevidéu em 11 de agosto de 1868, e a última escrita em Buenos Aires em 21 de abril de 1869, depois de visitar os campos de batalha por duas vezes (de 15 de agosto a 5 de setembro de 1868 e de 4 a 18 de abril de 1869). As informações do autor são de um verdadeiro repórter e vêm preencher algumas importantes lacunas na memória da guerra, avassalada nos últimos tempos por um revisionismo maniqueísta, tendencioso e ideológico. As apreciações do autor sobre as operações militares e sobre o teatro da guerra são complementadas e enriquecidas por importantes dados sobre os principais personagens e sobre o Paraguai.

O livro do escritor britânico - cuja edição em português só foi publicada em 1997 pela Biblioteca do Exército Editora - fornece elementos insuspeitos para desmascarar certas falsificações históricas que, como um vírus, têm contaminado os livros didáticos, onde os jovens brasileiros vêm estudando nossa história. Particularmente sobre dois aspectos que vêm sendo explorados pelo revisionismo, o livro de Richard Burton fornece elementos de pesquisa e ponderada reflexão: a falácia do genocídio paraguaio e a versão fantasiosa de que a economia do país vizinho era tão próspera e poderosa, ao ponto de causar arrepios nos ingleses que, por isso, a resolveram destruir, com a ajuda subserviente de brasileiros e argentinos.

Parece até que o autor, com um século de antecedência, estava prevendo as manipulações que surgiriam a respeito da população do Paraguai, antes e depois da guerra, ao incluir em seu livro uma gama significativa de dados sobre isso, de varias fontes, fazendo questão de ressaltar a enorme disparidade na avaliação do número de habitantes. A começar pela capital, Assunção, a que atribui, em 1857, uma população de 12 mil almas, quando alguns autores a estimavam em 15, 20 e até 48 mil habitantes, assinalando Burton que: “onde os limites de um país são traçados com imprecisão, sabemos bem o que pensar de seus recenseamentos. Não devemos nos espantar, portanto, ao constatar que, por volta do início da guerra, os extremos da estimativa variassem entre 350 mil e um milhão e meio de habitantes.” Em 1795, um recenseamento considerado meticuloso, registrara 97.480 almas, incluindo onze mil “índios de missão’. Duas décadas depois, um tal de Graham - cônsul americano em Buenos Aires - já apontava 300 mil, cifra que, por nova estimativa aparecida em 1825, cai para 200 mil. Em 1839/40, um recenseamento ordenado pelo Dr. Francia e que o autor considera o mais confiável, indica uma população de 220 mil habitantes. A cifra mais exagerada e na qual têm se baseado os inventores do genocídio, é de 1.337.000, de um certo coronel du Graty, que dá ao Paraguai quase a mesma população de toda a Confederação Argentina que, na época, possuía um milhão e meio de habitantes. A conclusão de Burton é de que, considerando o recenseamento de Francia e os índices estimados de natalidade e morte, a população do Paraguai teria duplicado até 1865, cifrando-se então em 450 mil almas, sendo que a população masculina, entre 15 e 55 anos, seria de 110 mil homens, coerente com o efetivo do Exército paraguaio em abril de 1965, citado pelo coronel George Thompson em seu livro sobre a guerra, ou seja 80 mil combatentes.

Os dados econômicos são ainda mais reveladores. A ditadura de Francia, fechando o país como medida de autodefesa contra o expansionismo argentino, criara uma economia que, embora pobre, era auto-suficiente, sem dívida pública, pois, exportava muito pouco e importava menos ainda, e não dependia de empréstimos externos. Não possuía analfabetos, mas sua instrução carecia de objetivos, escorados em um jornal, poucos livros e limitada instrução secundária, servida por apenas um instituto superior. A agricultura, basicamente de subsistência, ainda usava o arado de madeira. O principal produto de exportação era a erva-mate (monopólio do governo), além do fumo e do algodão, culturas que começaram a ser desenvolvidas no governo de Carlos Lopez. As importações incluíam armamentos, ferragens, secos e molhados e tecidos, principalmente para confecção de fardamentos. Com os recursos amealhados pela severa política de Francia, Carlos Lopez pôde iniciar um programa de desenvolvimento do país, com viés nitidamente belicista. Mandou vir um grande número de técnicos estrangeiros, principalmente ingleses, que lhe permitiram implantar um arsenal de guerra, uma fábrica de armas e de pólvora, uma fundição em Ibicui, iniciar a construção de uma ferrovia de Assunção à Vila Rica (108 milhas) e inúmeras estradas carroçáveis. Nos dois anos anteriores à guerra o comércio exterior do Paraguai era de três milhões de libras esterlinas, enquanto a esse tempo o comercio exterior do Brasil era superior a 20 milhões de libras.


Colaborador:  Gen. Raymundo Negrão Torres(x)

 (x) Militar da reserva, é membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.

 


Última alteração em 07-25-2006 @ 12:58 am

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