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Jacareacanga
Inserido por: Coordenador
Em: 07-25-2006 @ 01:03 am
 

 

 

Colaborador: Paulo ATzingen


Belém, 23 de maio de 2001

Prezado Editor

Senhor

Muito pouco se falou a respeito da Revolta de Jacareacanga ocorrida em 1956 nas matas do Tapajós. A mobilização de um contingente de 400 homens, entre estes, brigadeiros, tenentes, paraquedistas, além dos aviões, navios, e todo um arsenal bélico para prender, no final um homem (o major Veloso) proporcionou-nos o ânimo de iniciar esta empreitada, principalmente por considerarmos a insustentável fragilidade do homem em suas convicções. Ele trai. A insustentável leveza do ser de  Kundera adapta-se a esta circunstância.

O episódio de Jacareacanga que foi precedido pela novembrada, a insurgência dos militares contra a posse de Juscelino Kubitschek, trouxe a lume o espírito nacionalista presente no coração dos rebeldes insurgidos, representado na história por Major Veloso.

O fato em si, analisado sob o ponto de vista de grandiosidade histórica comparado, por exemplo à Cabanagem, foi modesto considerando os efeitos do confronto: 1 morto. Garcia Marques certa vez afirmou que mede-se o tamanho da história pelo número de mortos que ela produziu. Discordando do prêmio Nobel Colombiano (ele, é claro, em sua vasta obra tem o direito também de dizer asneiras) acreditamos que os conflitos mesmo psicológicos ou domésticos são grandiosos, dependendo, é claro, da capacidade que temos de análisá-lo, dissecá-lo. E é isto que fazemos contribuindo dessa forma à história, à cultura e à educação do Pará.

Este texto que envio a seguir poderá ser aproveitado pela editoria deste conceituado meio de comunicação. Posso, inclusive enviar fotografias. Meus contatos são: atzingen@hotmail.com.br – fonefax 91-230-2886 ou Av. Serzedelo Correa, 15 apto. 2102 – Centro -  Belém/PA – 66.025-240 - Jacareacanga: Narrativa de traições sem heróis.

Levante era contra a posse de Juscelino Kubistchek

Um tema que voltará a ferver e que colocará por terra tudo (ou quase tudo) que foi dito e escrito a respeito.

Com o lançamento do livro Asas da Verdade, de João Ferreira de Lima programado para julho próximo, a discussão sobre o polêmico movimento de Jacareacanga volta à baila. Traições, covardia, nacionalismo, coragem são ingredientes do livro que, segundo o autor, tratará de um assunto que jamais foi exposto com clareza nos livros de História, nas revistas ou nos jornais da época.

Lima, tenente reformado da FAB, hoje com 81 anos,  vivenciou todas as etapas da rebelião, desde a prisão de um dos principais comandantes que, à paisana, viera do Rio de Janeiro na tarde do dia 18 de fevereiro de 1956 para assumir a base em Val-de-Cans, até o aborto do movimento, ocorrido nas matas do Tapajós, com  a prisão do major Haroldo Veloso.

Com uma memória privilegiada, Lima expõe com clareza detalhes que impressionariam não um autor épico à procura de feitos heróicos, mas escritores que buscam na sociologia e na psicologia a razão dos conflitos humanos. A batalha de Jacareacanga e, principalmente, os acontecimentos que a antecederam, formam um prato cheio de contradições e dúvidas a respeito dos princípios e valores que emolduram a brasilidade e o civismo, no caso específico aqui, os da caserna.

Relembra João Lima que o coronel Fídias  veio do Rio de Janeiro especialmente para assumir o comando em Val-de-Cans, a principal base aérea da Amazônia. “Esse episódio jamais foi relatado uma vez que partiu de uma denúncia velada e que as dezenas de fotógrafos e repórteres em Val-de-Cans, que aguardavam um furo, jamais souberam”, recorda Lima.  A vinda desse comandante para assumir Val-de-Cans deflagraria todo o movimento na região pois só o que faltava era um comando para que os indecisos se manifestassem. Esse procedimento aliás, é ainda bastante comum em nossos dias uma vez que temos exemplos de sobra de pessoas ligadas a certos poderes que, mesmo tendo a certeza de suas contradições, permanecem imparciais para não perderem regalias.

O relato de Lima é interessante porque na época ele desempenhava o papel de sargento, e portanto, estava sempre no front. As glórias, invariavelmente, recaem para os postos mais avançados, o que nos lembra o poema de Bertold Brecht: “O jovem Alexandre conquistou a Índia. Ele Sózinho? César bateu os gauleses. Não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?” Esse nó, aliás, de “para quem vão os louros?” pode ser percebido por aqueles que acompanharam a trajetória do movimento. Três forças, três comandantes (ou seja, o Estado Maior) para sufocar uma revolta de proporções jamais mensuráveis. É importante lembrar que o movimento implodiu em função, talvez, da indecisão dos comandos em aderir ou não. A “voz oficial” falou mais alto.

Outro ponto nevrálgico da narrativa de Lima é sobre a traição do major Paulo Vítor. Para a imprensa da época ele foi persuadido por Veloso a aderir ao movimento lá em Santarém. Chegou em Belém “imaculado” num vôo do CAN – Correio Aéreo Nacional para só depois se rebelar. Porém, para quem conhecia Vítor sabia que ele já vinha do Rio de Janeiro com a “pedra cantada”, grande amigo de Veloso que era. Até aí tudo bem, pois o momento era de grandes dúvidas e indecisões. Ocorre que o major, segundo contemporâneos do Lima, voou para Santarém levando consigo uma tropa de 40 homens que foram rendidos e praticamente “escravizados” no Aeroporto do Tapajós. Acompanhem o relato no box:

Uma equipe composta de 1 tenente, 1 sargento, 3 cabos e 15 soldados constituía a tropa da P.A. Já a da Cia. de Guarda da Base Aérea possuía também um numero equivalente de combatentes.

Mesmo diante de nossa desconfiança e protestos Paulo Vítor decola de Belém,  na manhã do dia 14, rumo a Santarém.  Levaram armamento suficiente para um grande combate.  Fuzis, metralhadoras Thompson 50 munição básica, mantimentos lotaram o avião Douglas.

Em Porto de Moz, a primeira escala, Vítor iniciou o que eu já havia anunciado. Começou ali, no baixo amazonas, a esfacelar a tropa, deixando boa parte dos soldados com um dos comandantes. Essa estratégia logicamente foi precedida por uma grande traição a bordo iludindo seus comandados.

Em Santarém e Itaituba a tropa foi fracionada em outras duas partes comandadas por tenente Braga e tenente Glasne. De Itaituba o major Paulo Vítor decolou para Jacarecanga com o que sobrara dos homens, onde já o esperava Veloso.

A chegada de Vítor a Santarém para se aliar a Veloso já estava premeditada muito antes do que se imaginava. Veloso jamais esteve sem noticias do que ocorria no Pará e no pais e isso se deve ao Calabar Paraense "Newton Barreiras" comandante do esquadrão de Catalinas, de Val de Cans. Barreiras não assumira de fato o movimento e traia o brigadeiro Cabral, fingindo-se contra o movimento, porém alimentando-o com informações. Usou como trincheira a simulação de legalista e comodamente não queria correr riscos.

Imediatamente no dia seguinte (15), Paulo Vítor sobrevoa Santarém, deixando em grande expectativa o efetivo militar que ali o aguardava. Ao rolar na pista os procedimentos  de desembarque foram efetivados. Ao abrir da porta da aeronave, antes de ser colocada a escada, salta Veloso e Cazuza, metralhadoras em punho gritando:

- "Mãos ao alto!" A partir desse momento estava rendida a tropa de Santarém e Veloso assumia o comando da base. Pilotando a aeronave o traidor: major Paulo Vítor

Lima,  proporciona aos estudantes e amantes da história a mais próxima versão da verdade sobre a grande insurgência dos militares (contabiliza-se que na época houve 70% de adesão ao movimento entre oficias e suboficiais da Marinha, Exército e Aeronáutica) contra o governo Kubistcheck.

Este por sua vez, em jornais da época, reclamava contra a rebelião lá do palácio do Catete no Rio de Janeiro: :    "Trata-se de uma incontida explosão de ódio acumulado, pois nem tive ainda tempo de errar. Usarei de energia e severidade contra aqueles que falharem nos deveres da Pátria, ameaçando o regime", afirmou para imprensa carioca o presidente Bossa Nova.

Para compreender  o movimento de Jacareacanga  é necessário alguns pressupostos, entre eles, entender  o espírito humano  e idealista do Major Veloso, o líder rebelde, que antes de sua fuga espetacular num avião da FAB rumo às florestas amazônicas, foi sertanista, desbravador das matas, experimentando também, anos depois, o gosto de ser Deputado Federal pelo Pará. O jornalista Jorge Ferreira da revista “O Cruzeiro” em sua edição de março de 1956, nas páginas 117 e 118 faz a seguinte descrição de Veloso:

A história da Base Aérea do Cachimbo é uma história épica, prenhe de episódios heróicos, românticos, doídos, episódios ricos de aventuras e de emoções, onde a morte andou sempre rondando perto. Começou em 1945 com os incomparáveis Irmãos Villas Boas (...) Mas um dia o Cachimbo ficou pronto. Foi em janeiro de 1954. Bandas de música, churrascos, ministros, altas personalidades, o falecido Presidente Vargas, rojões e flores.  Os convidados puderam apertar a mão que gerou o milagre do Cachimbo apertaram a mão ossuda do Major Haroldo Veloso. Porque o major Veloso foi a alma e o cérebro da construção do Cachimbo. Isolado da família durante meses a fio, longe das comodidades do asfalto do Rio de Janeiro, devorado pela malária, pelos insetos, pelas formigas, judiado pelo meio, e à vezes até pela infâmia, jamais fraquejou. Ele amava a sua obra, ele amava o seu sertão. Era, antes de tudo, um forte. A história do Cachimbo é a sua história, o Cachimbo tem o seu sangue.”

Aos 81 anos, com boa parte deles de serviços prestados ao Pará e ao Brasil, João Lima declara que não se sentiria com a missão cumprida se seu túmulo fechasse e fosse sepultado com ele verdades históricas até então nunca ditas. E diz mais: desafia qualquer um, pessoa ou grupo que queira contestar qualquer fato que ele relata em seu livro.

Paulo ATzingen
Jornalista DRT 185/PA

VELOSO E KAIAPÓ

TENENTE LIMA

MINEIRO E SOLDADO

SOLDADO LIMA


 


Última alteração em 07-25-2006 @ 01:03 am

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