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Mallet na Santa Cruz da Barra
Inserido por: Israel
Em: 07-30-2006 @ 04:43 pm
 

 
Curriculum 
Vitae

 

 

 

Autor: * Dr.ISRAEL BLAJBERG

Nota: texto semi-ficcional versando sobre a tradicional Festa da Artilharia, realizada em Niteroi-RJ.
 
O invulgar brilhantismo  da solenidade, ao anoitecer da ultima sexta-feira na Fortaleza de  Santa Cruz, ensejou a inspiração para escrever algumas
palavras alusivas.
 
Organizada pela AD/1, comandada pelo General James Sinclair Mayer, contou com a presença do Marechal Waldemar Levy Cardoso, 104 anos,
detentor do Bastão de Comando da FEB, do General Domingos Carlos de Campos Curado, Comandante Militar do Leste, e expressiva participação de Oficiais-Generais, Autoridades e Artilheiros da Ativa e da Reserva.
 
O Marechal Levy Cardoso emocionou a todos os presentes com sua fala eloquente recordando extensivamente a gloriosa atuação da Artilharia da
FEB na Itália.

xxx

Quase 5 séculos guardiã da entrada da barra. A Fortaleza está movimentada naquele final de sexta-feira. Artilheiros de todas as épocas comemoram 203 anos de nascimento do Marechal Emilio Luis Mallet, o Patrono da Arma dos fogos largos, poderosos e profundos, a Ultima Ratio Regis do Rei Frederico da Prússia, a protegida de Santa Bárbara.

Chegam os integrantes da Ordem dos Velhos Artilheiros. Um senhor idoso destaca-se na multidão. Passa pelo Corpo da Guarda exibindo a altivez e a postura própria dos grandes chefes militares. Certamente teria sido um importante general ... os soldados da guarda sentem que ali esta alguém que merece honras, e automaticamente levantam-se, prestando a continência.

Estranhamente, uma súbita ventania varreu a entrada do quartel pouco antes da chegada daquele senhor, logo se dissipando à sua passagem.

Ele se admira com o material da exposição. Modernidade Nada igual ao seu tempo. Autopropulsada, Astros, Anti-aérea, confundem o velho General ... nomes estranhos gravados ... Avibrás ... Tectran ... jamais vira na sua vida ... logo se regojiza ao avistar uma peça 75 hipomovel, o material ao qual estava acostumado, e que conduzira para a vitória em tantas batalhas.

No pátio, tropas representativas de todas as unidades da artilharia das Guarnições do Rio e Niterói formam o dispositivo, os estandartes azuis tremulando ao vento. A Bia do Colégio Militar, alunos envergando o tradicional uniforme garance, Cadetes da AMAN com barretinas, unidades orgânicas das tropas blindadas de boina preta, Artilharia Aeroterrestre de boina vermelha, as fardas brancas dos Fuzileiros Navais do Batalhão de Artilharia.

A Banda executa "Pompa e Circunstancia". Os mais antigos artilheiros presentes colocam uma corbeille de flores junto ao busto del Mallet. Ao toque de Marechal, a Bia/CM executa a salva de 19 tiros. A cada 05 segundos os ares estremecem. ... línguas de fogo saltam da boca dos tubos clareando o céu e o mar. Ruído metálico de estojos projetados ao solo, impacto surdo do fechamento das culatras, cheiro de pólvora queimada... a Poderosa Artilharia faz tremer a terra ao troar dos canhões ...

Somente quem teve a honra e a gloria de integrar uma tropa artilheira desdobrada no terreno conhece bem o significado deste poder mais alto que se impõe no campo de batalha... linhas de fogo em posição, sistemas funcionando, radares girando, a Central de Tiro efervescendo com os cálculos de derivas, elevações, distancias, tiro longo, tiro curto, a voz do observador chegando via radio do PO, comandos "...exposiva, carga 5, espoleta instantanea ..." "peça pronta e carregada...!" NA - No Alvo, a missão de tiro cumprida. Peça atirou !!!

Os velhos artilheiros se emocionam. Com saudade, recordam as marchas, evoluções, manobras e cerimônias. Rápidas entradas e saídas de posição, Campanhas de Tiro, Escolas de Fogo em Gericinó, Resende, o regimento inteiro saindo cedinho, muitos ainda do tempo da Hipo, a longa fila de viaturas tracionando as pecas deslizando pela estrada, ainda escuro, amanhecendo.

Um dia foram jovens tenentes. Para alguns, o reconhecimento veio na forma das platinas de General. Para todos, a certeza do dever cumprido apos anos e anos de luta pelos mesmos ideais.

Como por encanto, o altivo senhor aparece proximo a muralha. Ninguém o tinha visto, mas de repente ele ali estava... a Canção da Artilharia começa a ser entoada por todos os presentes. As emoções atingem um pico máximo. Sem que os demais notem, ele enxuga uma lagrima furtiva ... não somente ele sente o coração bater mais forte .... Não fica bem para um Soldado chorar, assim todos procuram conter-se, entoando com um nó na garganta, mas com a mesma vibração de 40, 50 anos atrás as estrofes da Canção.

Logo vem a ordem de preparar para o desfile. Os Velhos Artilheiros formam em coluna por meia-duzia, ao lado da imensa bandeira azul ostentando ao centro a Bomba em Chamas.

Desfilam em honra ao seu Patrono em cadencia lenta, como soe acontecer desde os tempos imemoriais da Hipo, quando elegantes cavalos tracionavam pacientemente pesadas pecas. A vibração faz alguem cantarolar a Canção da Artilharia de Costa, no que é seguido por todos. Os tradicionais sítios da Artilharia de Costa estão vivos e presentes, nos estandartes do CEP e da Bia Estácio de Sa do DPEP, outrora sedes do I e II GACos, respectivamente Forte Duque de Caxias e São João. Herança lusitana dos fortes que no passado repeliram os invasores, depois transformados na A Cos/1 com seus Grupamentos de Leste (GL) em Niterói e de Oeste (GW) no Rio. Os poderosos canhões 305 e 240 mm do lendário FC, o antigo III GACos hoje Museu do EB.

A Guarda Bandeira conduz o estandarte da AD Cordeiro de Farias, seguindo-se os de todas as OMs de Artilharia das Guarnições do Rio e Niterói e Btl Art do CFN.

O Comandante da AD/1 convida a todos para a recepção. O Mar Levy Cardoso relembra a epopéia da Artilharia da FEB. Todos ouvem atentamente. O senhor idoso novamente aparece ao fundo. O Grande Arquiteto do Universo havia concedido permissao para que a alma do Grande Marechal Emilio Luis Mallet pudesse retornar por breves momentos a este Vale de Lagrimas, bem no dia da sua Festa. Por uma espécie de conduto celestial, tal qual a Caverna da Macpelah em Hebron, irá retornar. Por ela, onde estão sepultados os patriarcas Abraão, Isaac, Jacob e Sara, sobem as almas para o outro mundo, conforme reza a tradição, o livro sagrado do Zohar.

Porque lá se encontra o Portal do Paraíso, agora aberto na escurdião do mar profundo que se estende diante da Fortaleza, pelos desígnios do Altíssimo em honra daquela que domina no Ar, no Mar, na Terra, e agora na Selva.

O Barão de Itapevy admira mais uma vez a sua invicta espada diante do palanque, encantando-se por rever a peca de gala, dourada e de punho em cruzeta, que lhe fora presenteada pela tropa, ao ascender ao posto de Tenente-General.

Outra súbita ventania varre agora o pátio vazio da Fortaleza. A grande bandeira brasileira tremula ao ventro frio, iluminada. Apenas a sentinela ficou por ali após o final da formatura, e mal se dá conta quando um clarao corta os ceus. Feliz, o Patrono desaparece no firmamento, deixando suas bênçãos a toda a sua Artilharia.

Artilheiros do Brasil de ontem e de hoje, continuarao honrando sua memória !!!

 

(*) da Turma Marechal Rondon

CPOR/RJ, Artilharia - 1965

 

iblaj@telecom.,uff.br, iblaj@bndes.gov.br

 


Última alteração em 07-30-2006 @ 04:46 pm

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