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O Brasil um país sem memória
Inserido por: ClaudioBento
Em: 08-09-2006 @ 10:19 pm
 

 
Curriculum 
Vitae

 


Autor: Cel Eng QEMA Ref Claudio Moreira Bento

 

 

É consagrada e corrente a expressão em epígrafe. Expressão talvez um bom disfarce, como desculpa esfarrapada de responsabilidades de Estado não cumpridas. A memória histórica de um país integra a cultura nacional. E a sua cultura é item de importância estratégica. E dentro da cultura sobressai, em relevância, o resgate, preservação, culto e divulgação a sua memória histórica, ou a sua História, por esta ajudar um povo considerado a estudar o seu passado, para entender o presente e assim com mais segurança e certeza planejar o futuro de seu país. E desenvolver a memória história de um país é responsabilidade de Estado, o que Portugal entendeu ao apoiar financeiramente, com expressivos subsídios governamentais, as atividades de sua Academia Portuguesa da História, a qual, como brasileiro, me orgulho de a integrar.

Segundo o acadêmico da AHIMTB, Cel Nilton Freixinho, como historiador e pensador afirmou em artigo A Educação dos jovens e a memória nacional de que "o passado só contém e representa valor quando tem algo a dizer ao presente. E é o peso do passado que estrutura o inconsciente de um povo e dá-lhe consciência coletiva, como Nação, gerando rigorosamente, a âncora de sua existência e de persistência no tempo. E externo minha preocupação quanto à falta de empenho das atuais gerações de brasileiros bem como o de situar o papel das entidades históricas do Brasil devotadas ao estudo, à análise, ao culto e a divulgação das lutas dos antepassados para alicerçar e forjar a Nação que integram. E mais, que historiadores e sociólogos proclamam que o descaso para com a memória nacional enfraquece e ameaça a coesão nacional ou a unidade da Nação, em face de pressões destrutivas, por confundir a consciência da sua real identidade e perspectiva históricas". A quem atribua a esta identidade e perspectiva nacional confusa, o decepcionante desempenho da Seleção Brasileira, a qual faltou determinação e garra, ao contrário da Alemanha, Argentina, França, Portugal que lutaram até o fim com garra e determinação e que embora sem conquistar a Copa foram bem recebidas em seus países, ao contrário do Brasil. Coesão nacional deficiente a explicar, talvez, a evolução do crime organizado ao nível absurdo de enfrentar de armas em punho o Estado em São Paulo. Ou a impunidade decorrente da corrupção de deputados, nos lamentáveis e tristes episódios que passam à História como "mensalão" e "Máfia dos Sanguesugas". No Brasil a atividade histórica é tentada desenvolver com imensas dificuldades financeiras por brasileiros integrantes com vocação ou pendor para esta atividade, integrantes das diversas entidades históricas, academias ou institutos municipais, estaduais e federais, etc.

Mas se observa que embora trabalhem com precaríssimos recursos para esta finalidade estratégica, são freqüentes os desencontros entre eles, por vaidades e preconceitos dos mais variados entre eles e as instituições, uma vez que a posse de conhecimento histórico, possui certa sedução. No Brasil as entidades que se dedicam à História, são super desvalorizadas no campo da cultura nacional, e o que realizam é fruto da abnegação e sacrifício de poucos, que ainda lutam impotentes para fazer frente às manipulações históricas e mitos dominantes, dando razão ao que nos parece, a este pensamento que deparamos no Museu da República no Palácio do Catete. "Ser o passado comparável a uma enorme planície onde correm dois rios. Um reto e de margens bem definidas que é o rio da História. Esta fruto da razão e da análise isenta de fontes históricas autênticas, fidedignas e integras, à luz de fundamentos de crítica escolhidos para a análise com o máximo de isenção. O outro é um rio cheio de curvas e meandros e de margens indefinidas e instáveis e por vezes com perigosos alagamentos. Este é o rio do mito. E este fruto das paixões humanas, das fantasias, da ignorância, do preconceito, das manipulações políticas e em especial as ideológicas, das deformações, e da injustiça etc." Mitos que Rui Barbosa já denunciava em seu tempo. Assim mesmo esta tarefa relevante que objetiva desenvolver, preservar, cultuar e divulgar a memória nacional, responsabilidade de Estado, é levada avante sem recursos dos poderes públicos por historiadores das diversas categorias, integrantes das já mencionadas academias, círculos, institutos, e com seus pouquíssimos recursos retirados de seus bolsos.

Algumas dessas instituições sobrevivem precariamente com recursos de aluguéis como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, graças a empréstimo a ele concedido pela CEF, por decisão do Presidente Emílio Médici, para a construção de sua atual sede, quando era presidente da entidade Pedro Calmon. Instituto que por longo tempo tinha a sua Revista editada pela Imprensa Nacional, que a dispensou, encontrando ela apoio temporário no Senado graças ao acadêmico da ABL Senador José Sarney, o que as demais entidades não dispõem desta graça para divulgar seus trabalhos. Outras como o CIPEL, em Porto Alegre, publicam anualmente, em cooperativa, excelente revista na qual cada articulista financia o seu artigo. E a estas entidades heróicas, com diferenças de possibilidades enormes em função de desencontros e de recursos particulares que conseguem amealhar e mais trabalho heróico de seus integrantes, elas vêm substituindo os governos nestas tarefas que a eles caberiam por dever de Estado. Diversas delas são nominais sem a mínima capacidade realizar despesas.

O Senador Pedro Simon em função de um Congresso de entidades históricas brasileiras entrou com projeto no Congresso, mas que não vingou, no sentido de que o Executivo financiasse atividades dos institutos históricos estaduais que em última análise são responsabilidade de Estado, mas que eles as vem executando, como no caso do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro desde 1828.

Desta precariedade tem se aproveitado, sem reação, os manipuladores da nossa História e mesmo jornalistas ciosos de sua função social, mas que invadem a função social do historiador e não dão apoio a divulgação de trabalhos dos mesmos, que possuem técnica próprias para apresentar interpretações, com apoio na análise de fontes históricas confiáveis, por íntegras, críticas e fidedignas. Jornalistas cuja profissão foi regulamentada em 1968, com nossa participação acidental, ao encaminharmos o problema a nós apresentado por um grupo de jornalistas na Rádio Mundial do Rio, à consideração do Ministro do Trabalho Jarbas Passarinho, que por sua vez conseguiu a aprovação do Presidente Costa e Silva.

A Academia de História Militar Terrestre do Brasil no seu problema específico vem atuando há 10 anos sem apoio financeiro do Estado e assim o substituindo na tarefa de pesquisar, preservar, cultuar e divulgar a História, as Tradições das Forças Terrestres Brasileiras do Exército, Fuzileiros Navais, Infantaria da Aeronáutica, Polícias e Bombeiros Militares, com vistas a retirar da análise crítica do passado de cinco séculos de lutas destas forças, lições com vistas à formação em Arte e Ciência Militar de seus quadros e subsídios para o desenvolvimento de doutrinas militares brasileiras genuínas, como o fizeram as grandes nações, potencias e grande potencias militares. E a História Militar Terrestre do Brasil tem muito a ensinar quando forem analisadas a suas lutas de resistência vitoriosas, ou guerra de guerrilhas, a estratégia do fraco contra o forte: como a Guerra Brasílica que culminou com a expulsão dos holandeses no Nordeste em 1654; a Guerra Gaúcha que expulsou o invasor espanhol do Rio Grande do Sul; em 1776; a Guerra da Selva, em que Pedro Teixeira expulsou invasores da Amazônia para depois conquistá-la; a centenária Guerra do Mato, em Alagoas, conduzida por ambos os contendores na Guerra dos Palmares, e as levadas a efeito no Acre e Amapá sob a liderança de Plácido de Castro e o General Cabralsinho contra forças regulares alienígenas etc. A Academia de História Militar Terrestre do Brasil há 10 anos num trabalho original e pioneiro vem montando guarda e integrando as tradições das forças terrestres brasileiras, guardando documentos históricos militares terrestres, desenvolvendo arquivos e bibliotecas integradas especializadas, reais e virtuais, publicando livros e representada no território nacional por delegacias em unidades da Federação acolhidas por unidades das forças terrestres, desenvolvendo instrumentos de trabalho do historiador militar terrestre, valioso arquivo bibliográfico militar terrestre brasileiro, arquivo de todas as cerimônias de posses de acadêmicos, entre outros documentos, com um desvelo, uma aplicação e uma devoção que surpreendem, muitas vezes, instituições universitárias que não tratam e desconhecem estes assuntos de História Militar Crítica Terrestre, mas que contribuem indiretamente para ela, ao resgataram, com técnicas específicas, a História Militar Descritiva do Brasil, que alimenta a citada História Militar Crítica, feita pelo soldado terrestre à luz de fundamentos e princípios da Arte e da Ciência Militar.

Assim a AHIMTB pleiteará junto ao Congresso um amparo financeiro para dar continuidade a seu trabalho de relevância estratégica com vistas a tirar do passado militar de 500 anos do Brasil subsídios para o progressivo desenvolvimento de uma doutrina militar terrestre brasileira, como a sonhou o Duque de Caxias, patrono do Exército e da AHIMTB, para que assim o Brasil possa integrar com autoridade o Conselho de Segurança da ONU e o ora anunciado G-13 ensaiado na Rússia e para uma doutrina militar conjunta a serviço da proteção militar do Mercosul!

Um projeto aprovado neste sentido seria uma alternativa de existência regular oficial da AHIMTB, com rendas certas e despesas certas, para seu custeio oficial, caso seu amparo sensibilize e interesse as Comissões de Segurança do Congresso que legislam sobre a segurança do Brasil no concerto das nações.

Uma providência neste sentido seria uma contribuição para por fim a triste expressão "0 Brasil um país sem memória", circunstância esta por culpa do Estado a quem compete desenvolver a memória nacional, e ele a tem deixado a cargo de instituições sem meios financeiros para levar a efeito esta sua obrigação de projeção estratégica. Este é o nosso entendimento, salvo melhor juízo.

(x) Presidente da AHIMTB, benemérito do IHGMB e emérito do IHGB.

 


Última alteração em 08-09-2006 @ 10:19 pm

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