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A Batalha de "Admin Box"
Inserido por: Piero
Em: 08-29-2006 @ 04:16 pm
 

 
Curriculum 
Vitae

 

 

 

Autor: * Dr.Dal Piero

 

Na noite de 3 de fevereiro de 1944, os nipônicos se puseram em marcha. Deslocaram-se silenciosamente, com sua característica habilidade, através de um terreno que parecia intransitável. Repetiam assim suas táticas de infiltração que, a seu tempo, haviam favorecido extraordinário triunfos às armas do Sol-Nascente, na primeira companha da invasão da Birmânia. Poucas vezes, na história da guerra, infantaria alguma ofereceu uma demonstração maior de capacidade de resistência, coragem, tenacidade e espírito de sacrifício, que a exibida pelos soldados nipônicos. Sem contar praticamente com nenhum veículo motorizado, nem abastecimentos adequados ou suficientes, os soldados japoneses se locomoviam através da selva, vencendo todos os obstáculos. Seus próprios inimigos qualificaram essas incríveis marchas como verdadeiras "blitzkriegs a pé".

Carregando unicamente suas armas e rações mínimas, os nipônicos avançaram onde qualquer outro exército teria visto seus homens desfalecerem. Foi assim que as tropas do Coronel Tanahashi conseguiram um completo e inesperado rompimento no flanco da 7ª Divisão hindu. Inesperadamente os ingleses viram surgir, pela sua retaguarda e da espessura da mata, uma força de mais de 8.000 soldados prontos para o combate. O primeiro alarma for dado na madrugada de 4 de fevereiro. Uma coluna de abastecimento inglesa deparou de repente com um destacamento de vanguarda japonês, trocando tiros entre eles. A princípio, o comando britânico acreditou estar em presença de membros da policia birmânica, tal foi a confusão que o encontro provocou. Posteriormente, descobriu-se que as linhas telefônicas que uniam a frente com a retaguarda haviam sido cortadas. Pouco antes do amanhecer o cerco estava praticamente fechado.

Avançando pelo Norte, através das colinas e dos arrozais, os soldados japoneses caíram sobre as espáduas das desprevenidas forças britânicas.

O chefe da 7ª Divisão, General Messervy, ao receber a dramática noticia, ordenou que imediatamente marchasse ao encontro dos nipônicos uma brigada de gurcas que fora mantida na reserva.

Durante todo o decorrer da jornada travaram-se intensos combates. Ao cair a noite, os nipônicos concretizaram o rompimento definitivo.

O General Messervy assim relata os acontecimentos: "Fui despertado por uma explosão de gritos e queixumes, apesar de, estranhamente, ter escutado muito poucos disparos. Salter da cama e andei, de pijama, durante uma hora mais ou menos, tratando de averiguar o que se passava. Todo o acampamento estava de pé, porém a confusão reinava em toda a parte. A escuridão era completa. De súbito, os japoneses, lançando gritos como aqueles que se escutam quando o Arsenal faz um gol em seu próprio campo, atacaram os postos de comunicações. Os soldados, junto com uma companhia de tropas hindus de engenharia, tiveram que lutar como forças de defesa do quartel-general. Os japoneses chegaram mergulhados na neblina que os ocultava parcialmente. Contudo, conseguiram cruzar em massa apenas a linha exterior de nossa posição. Nenhum japonês chegou realmente até o meu posto-de-comando. Os poucos que conseguiram aproximar-se foram mortos a tiros pelos meus assistentes.Outros retrocederam correndo".

Os japoneses, ao serem contidos pela desesperada resistência britânica, assestaram seus morteiros e descarregaram uma chuva de projéteis sobre as posições inimigas. Em poucos minutos, as tendas e barracas estavam envoltas em chamas. Todos os fios telefônicos ficaram cortados.

Messervy decidiu, então, retirar-se até a base de suprimentos da divisão, conhecida com o nome de "Admin Box". Essa posição estava localizada em uma ribanceira, no meio da qual se erguia uma colina de noventa metros de altura. Ali se concentrariam os restos dispersos da divisão, para oferecer uma resistência maciça. O General Messervy dividiu seus homens em vários grupos. Colocando-se à frente de um deles, o chefe britânico partiu para "Admin Box". Internando-se através da floresta, para evitar os destacamentos japoneses que bloqueavam todas as picadas, ao cabo de quatro horas de marcha extenuante, o general se achava já em seu objetivo. Havia ali reunida uma força de 8. 000 soldados, pertencentes às diversas unidades da divisão. As tropas foram organizadas em unidades de combate e distribuídas pelo perímetro defensivo. Na posição central foram localizados os tanques e canhões, para proteger os postos-de-comando e os hospitais de campanha.

Os japoneses acossaram incessantemente as linhas inglesas, enquanto estas se encontravam em vias de reorganização. Da Índia, chegou a Messervy uma mensagem do almirante Mountbatten. Nela, era informado que já havia sido dado a ordem para o envio de reforços imediatos para liberar as forças sitiadas. O comunicado terminava com a seguinte frase: "Até que cheguem, é imperativo que todos os homens permaneçam em seus postos e lutem até o fim".

No lado nipônico, entrementes, reinava um júbilo indescritível. As rádios japonesas transmitiam sem cessar informes da vitória, repetindo o estribilho de "a marcha sobre Nova Delhi começou... O Coronel Tanahashi entrará em território hindu dentro de uma semana".

"Rosa de Tóquio", a célebre comentarista que, dia por dia, dirigia mensagens para desmoralizar as tropas britânicas, em inglês, assinalou: "Por que não voltam para suas casas... Tudo isso já terminou. . .".

Não obstante, um novo fator entraria em jogo, frustrando os planos japoneses. Como assinalam os cronistas do episódio "desgraçadamente para o Coronel Tanahashi a boca da rede ainda estava aberta,.. Esquecera-se do ar... ".

De fato, os Aliados, valendo-se das poderosas Unidades de transporte que haviam concentrado na Índia, haveriam de assegurar a resistência das forças sitiadas em "Admin Box". As tropas cercadas, em lugar de ceder terreno e abandonar as armas, se manteriam firmes, graças ao abastecimento que receberiam pelo ar.

Os britânicos haviam já tomado todas as providências necessárias para levar a cabo o abastecimento dos seus companheiros cercados. Nos aeródromos da Índia haviam sido embaladas e depositadas junta às pistas, rações e munições para dez dias, suficientes pare 40.000 homens. Os aviões do Comando Aéreo Nº 1, apoiados pelas esquadrilhas de caças que limparam o céu de aparelhos nipônicos, começaram o abastecimento, numa ininterrupta corrente.

Em "Admin Box", as unidades britânicas submetidas ao castigo da artilharia nipônica localizada nas colinas circundantes, se mantiveram firmes, sem ceder um palmo de terreno. A luta alcançou uma violência inusitada. Os japoneses combatiam com "garra" e tenacidade. Ao cair a noite, os nipônicos vestiam capuchos e caretas e, gritando como demônios, tentavam atemorizar as tropas inimigas.

Uma idéia das terríveis condições dessa luta é fornecida pela declaração de um oficial britânico, veterano da retirada de Dunquerque: "Eu teria preferido passar duas semanas no inferno de Dunquerque a dois dias no de "Admin Box".

As baixas inglesas foram enormes. Centenas de feridos afluíam aos postos de campanha, onde os médicos e enfermeiros trabalhavam sem descanso. Um deles, o Major Liwall, realizou mais de 250 intervenções cirúrgicas no espaço de poucos dias. . . Finalmente, e com o apoio de reforços chegados da Índia, as tropas de "Admin Box" romperam o cerco.

Ma manhã de 23 de fevereiro, o Major-General Briggs, chefe da 5° Divisão, penetrou no reduto que estava reduzido a um montão de ruínas fumegantes, carregando garrafas de uísque e de rum para celebrar a libertação com os sobreviventes.

Assim se encerrou a batalha em "Admin Box", uma das mais sangrentas da luta na Birmânia.

A primeira tentativa dos japoneses para se aproximar da Índia havia sido frustrada. Mais de 7.000 soldados nipônicos haviam tombado na empresa.

 


Última alteração em 08-29-2006 @ 04:16 pm

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