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A Logística da Planície Paduana
Inserido por: Piero
Em: 08-29-2006 @ 04:21 pm
 

 
Curriculum 
Vitae

 

 

 

Autor: * Dr.Dal Piero

 

Os planos traçados pelos exércitos aliados, prevendo a sua entrada na planície paduana, foram detalhados e minuciosos. Determinou-se, em primeiro lugar, que à medida que os exércitos avançassem, o território libertado iria ficando sob a responsabilidade do Comando Supremo Aliado do Mediterrâneo. Para tal fim, antes que se iniciasse o avanço, foram designados "comandos de distrito".

Essa organização, que ocupava centenas e centenas de pessoas, devia tomar posse do território ocupado, deslocando-se coordenadamente com o avanço aliado. Tudo se desenvolveu de acordo com os planos previstos, principalmente pela inestimável colaboração prestada às autoridades aliadas pelos cidadãos italianos.

Um grave problema, que teve que ser resolvido, foi o do restabelecimento das vias de comunicação avançadas. Na planície de Pádua todas as pontes de certa importância tiveram que ser consertadas ou substituídas. Nestes casos, o cuidadoso preparo antecipado dos materiais necessários abreviou enormemente os prazos concedidos à reconstrução das pontes. Dessa maneira, os efetivos aliados não correriam o risco de, a qualquer momento, ver tolhido o seu avanço.

O problema dos portos foi solucionado com a determinação das medidas a serem tomadas nos portos de Gênova, Veneza e Trieste. E foi este último que recebeu maior atenção das autoridades aliadas, por ser considerado o mais protegido e o de maior rendimento para o abastecimento das tropas. O porto de Veneza ficou limitado ao tráfego civil.

A respeito dos prisioneiros que fossem feitos no decorrer da batalha, o problema foi estudado com especial cuidado, pois calculava-se, acertadamente, que os alemães não somente seriam derrotados mas que dificilmente poderiam retirar-se para além dos Alpes, dado o estado precário de suas vias de comunicação.

Previu-se, em linhas gerais, que deveriam ser aprisionados perto de um milhão de homens e resolveu-se dividi-los, em partes iguais, entre americanos e ingleses. A rapidez da rendição dos efetivos inimigos, no entanto, transtornou os planos aliados, que tiveram de improvisar meios adequados para alojar e alimentar os prisioneiros. Em princípio, os efetivos germânicos permaneceram sob o comando dos seus próprios oficiais e empregaram seus próprios meios de transporte, de saúde e de abastecimentos. Os víveres e vestuário tomados aos alemães foram destinados ao abastecimento de suas próprias unidades prisioneiras. Os armamentos, porém, assim como os transportes, criaram aos Aliados algumas dificuldades, pois eram reclamados pelos italianos, franceses e iugoslavos, que pediam a devolução dos materiais confiscados pelos alemães em seus respectivos países.

Quanto aos alemães, suas dificuldades aumentavam dia a dia. A esmagadora superioridade aérea aliada permitia esperar a provável interrupção da corrente de abastecimentos da Alemanha. Além disso, desde que a destruição das pontes sobre o Pó isolara uma ampla região, os depósitos localizados ao sul do rio foram escassamente supridos; em troca, foram deixados grandes depósitos na zona alpina.

Os alemães, com o fito de armazenar combustível e munições, cavaram grandes depósitos na rocha viva, no norte da Itália. Foram espalhadas outras reservas de elementos bélicos, disfarçadas com tetos, redes de camuflagem ou aterros. Os abastecimentos de elementos semelhantes eram divididos em pequenos depósitos, bem dissimulados e separados um do outro. As tarefas de transporte e suprimento se efetuavam na calada da noite e sob a mais severa vigilância.

A proteção e a camuflagem dos depósitos foram extremamente eficientes, a tal ponto que a maioria das perdas foram causadas durante os bombardeios aos transportes ferroviários e marítimos, e não aos depósitos propriamente ditos.

O trânsito pelas estradas foi regulamentado pelas autoridades alemães, e dividido em transportes táticos e de abastecimentos concernentes às tropas da frente de combate, e trânsito para as autoridades civis e militares, em caráter oficial. Para este último tipo de trânsito organizou-se um cuidadoso serviço de controle, dividido por zona, localidade e cidade, sob a dependência do comandante das tropas de abastecimento da Itália setentrional. Esse procedimento conduziu a uma melhor utilização dos meios e a uma grande economia de combustível.

O transporte automotor, em virtude da redução das disponibilidades de combustível, não pôde ser aproveitado em toda a sua real capacidade. Os postos designados para a descarga de combustível estavam ao norte do Pó. O combustível era, em seguida, conduzido em caminhões a Ostiglia, de onde, por meio de oleodutos, chegava ao sul do Pó.

Os ataques aéreos aliados, nesse meio tempo, continuavam implacáveis. Os principais alvos eram o sistema ferroviário, as pontes sobre o Pó e as estradas secundárias. Os "partizans", por seu turno, atuavam com eficiência, destruindo pontes e interrompendo estradas. Imediatamente após as destruições, que inutilizaram a maioria das pontes sobre o Pó, os germânicos se entregaram à tarefa de construir pontes de pontões, ferry-boats, carrinhos suspensos com cabos de aço, etc., procurando suprir, da melhor maneira possível, a grave situação criada. Nesse período, a energia demonstrada pelo comando alemão foi extraordinária. Soube solucionar problemas e providenciar o abastecimento de unidades e o transporte de tropas em condições, aparentemente, muito difíceis.

Posteriormente à destruição das pontes sobre o Tagliamento e o Piave e à balbúrdia do serviço ferroviário da região veneziana, sentiu-se claramente a grande vantagem dos transportes marítimos. Em conseqüência, foram eles intensificados entre Trieste e Veneza e ao longo do baixo Pó, resultando de grande ajuda para o abastecimento do X Exército. Alguns meios de transporte marítimo foram transferidos, por via terrestre, do Tirreno até ao Adriático, onde prestaram inestimáveis serviços. Simultaneamente com o tráfego marítimo funcionou a navegação interna.

Resumindo, em fins de 1944 e princípios de 1945, a situação dos alemães tornou-se muito grave. O tráfego mal dava para satisfazer somente uma parte das exigências normais. Rapidamente, a situação foi piorando até chegar ao desgaste total. As reservas de munições começaram a escassear e os depósitos a esvaziar-se, um após outro. Os combustíveis foram pelo mesmo caminho e outro tanto ocorreu com as armas, cujas perdas não puderam ser, adequadamente, cobertas.

No mês de fevereiro de 1945, o abastecimento de munições foi muito reduzido e as últimas reservas dos depósitos consumidas. Os projéteis para morteiros de trincheira de 120 mm somente podiam ser empregados nos grandes combates; diariamente, as peças leves podiam disparar 12 tiros; as pesadas, por sua vez, dispunham de apenas 5 tiros. A 15 de abril, nos depósitos de munições do grupo de exércitos havia-se esgotado a reserva de balas de metralhadora; dez dias mais tarde terminava a munição para artilharia pesada de meio e grosso calibre.

Nos primeiros dias de abril, o combustível estava, também, praticamente esgotado. O recolhimento de lenha para os gasogênios encontrava-se, na ocasião, bastante reprimido pela atividade febril dos "partizans". Em meados de abril, os transportes por estrada de ferro, na Itália setentrional, foram totalmente interrompidos.

A navegação pelos rios, lagos e canais se viu seriamente obstada pela constante intervenção dos caça-bombardeiros aliados. Pode-se realmente concluir que a supremacia aérea aliada foi o fator preponderante na derrota das forças armadas alemãs.

Um elemento que contribuiu para a derrota germânica foi o evidente cansaço físico e moral das tropas. Os homens, diminuídos moralmente pelos reveses sofridos em outras frentes e pelos constantes ataques aéreos sofridos, decaíram, rápida e continuamente, de capacidade combativa. Essa decadência atingiu tons realmente dramáticos quando, mais tarde, a guerra alcançou o território alemão propriamente dito e os soldados começaram a perder contato com suas famílias. O comando germânico tentou, a principio, compensar a deficiência qualitativa e quantitativa das tropas, com uma intensificação na atividade da artilharia. Contudo, a redução das reservas até seu esgotamento e a evidente diminuição da produção fizeram com que essa atividade fosse também prejudicada até quase a paralisação total.

A escassez de munição germânica não deve ser interpretada como a evidência de uma superioridade esmagadora, nesse terreno, por parte dos Aliados. Pelo contrário, também estes sofreram as conseqüências do exaurimento das reservas, até extremos alarmantes.

Declara, a respeito, o General Clark: "Existiam, sim, muitos problemas sérios que nos mantinham intranqüilos. Na verdade, a escassez de munição de artilharia, que travara nosso avanço para Bolonha, prolongou-se por várias semanas e exerceu uma influência direta em nossa impossibilidade de reavivar a ação ofensiva durante o inverno. Em meados de novembro de 1944 eu fora obrigado a reduzir a distribuição de munição destinada ao V Exército."

Tampouco havia perspetiva de integralizar, a curto prazo, reservas para operações ofensivas em escala capaz de permitir a chegada na Bolonha. A situação que prevalecia nos Estados Unidos, em matéria de munição, era tão critica que foi necessário recorrer a um programa de envio de encomendas diárias das linhas de produção de armamentos, aos cais. Se a atual proporção de consumo continua-se como estava mostrando que iria permanecer, a reserva ficaria reduzida a, aproximadamente, 60.000 projéteis ao cabo de quinze dias do ataque programado para dezembro. Quer isto dizer que não haveria munições para rechaçar o contra-ataques inimigos.

Múltiplos problemas, referentes ao abastecimento, entorpeceram os movimentos das forças aliadas. Nos fins de novembro, numa viagem de inspeção a um batalhão brasileiro pronto a partir para a frente de combate, o General Clark observou que muitos homens levavam roupas demasiadamente leves. Clark resolveu comentar o fato com o General Mascarenhas que explicou que os soldados haviam chegado do Brasil sem roupas apropriadas para uma campanha invernal na Itália.

Isso causou um problema sério que precisava ser resolvido de imediato e permitiu também descobrir um fato curioso. Os soldados brasileiros tinham pés pequenos em comparação com os norte-americanos e foi muito difícil conseguir calçados do tamanho apropriado, em quantidade suficiente. O que se conseguiu, com certa rapidez, foram blusões de combate e roupa interior de inverno.

Outra das preocupações de Clark consistiu em evitar que os germânicos, como de fato procuraram fazer, destroçassem as pouco experientes forças brasileiras, o que teria servido de excelente material de propaganda para acusar os Estados Unidos de utilizar os brasileiros como "bucha para canhão" na frente de combate. Foi determinado também que os homens revezassem na primeiro linha, durante os meses de inverno, o mais regularmente possível, a fim de que pudessem ir aos diversos centros de distração existentes nas principais cidades italianas.

A conquista da planície Paduana foi possível graças a uma forte realização de ações estratégicas que deram forma ao combate, ações essas que variaram de acordo com os óbices e as necessidades que surgiam.

A logística foi fundamental em toda campanha na Itália. Sua correta utilização, tanto pelos Aliados quanto pelos germânicos, mostra que qualquer situação, seja ela positiva ou negativa, planejada ou repentina, de tempo indeterminado ou conjuntural, merece passar por uma análise total, em todas as suas implicações, pela ótica da logística.

Vale mencionar que o General Clark antes de partir do posto de comando no Passo de Futa para assumir um novo comando foi visitado pelo General de Divisão Souslaparov, representante russo na Itália, que lhe concedeu a Ordem Militar Russo de Suvorov, Primeiro Grau, que Stalin tinha lhe dado como prêmio pela conquista de Roma.

 


Última alteração em 08-29-2006 @ 04:21 pm

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