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Bento Gonçalves da Silva ( 1788-1849 ) (2 de 2)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 06-29-2006 @ 06:37 pm
 

 

Ler a Parte 1/2

continuação:

-         Conquistar Porto Alegre e derrubar o Governo da Província substitui-o   por um revolucionário.

- Neutralizar as ações do Comandante – das - Armas e do Comandante da Fronteira do Jaguarão ( cargo do qual Bento Gonçalves fora demitido pelo Comandante – das - Armas desde 30 de dezembro de 1834 ), na oportunidade em que eles se encontravam tratando de interesses particulares, em suas estâncias.

- Conquistar o controle de Alegrete, São Borja, Cruz Alta e respectivas áreas de influência, sob a liderança de Bento Manoel e com o concurso do 8º BC de Linha de São Borja, ao comando do Major João Manoel de Lima e Silva ( tio de Caxias ), e irmão do Ministro da Guerra do Império ..

- Conquistar o controle político - militar das seguintes localidades,          além de Alegrete: Jaguarão, Bagé, São Gabriel na fronteira com o Uruguai e, mais a retaguarda – Herval, Canguçu e Piratini, na  Serra dos Tapes e Encruzilhada e Caçapava, na Serra do Herval;  no corte do Jacuí, Rio Pardo , importante centro provincial e Cachoeira e Triunfo; em torno de Rio Grande, ao Sul, Povo Novo ( terra de Netto )  e ao norte Mostardas Estreito e, em trono de Porto Alegre, Guaíba ( na época Pedras Brancas ), Viamão e Santo Antônio da Patrulha.

Não foram incluídas Porto Alegre, Rio Grande, Pelotas, São José do Norte e a Colônia de São Leopoldo, núcleos sob controle dos imperiais, bem como Herval.

Bento Gonçalves contava com o apoio das unidades de linha do Jaguarão, Bagé, São Gabriel, Rio Pardo e São Borja, pois, dois comandantes delas, João Manoel de Lima e Silva e José Mariano de Mattos, estavam comprometidos com a Revolução. Eram os únicos com curso na Academia Real Militar do Largo de São Francisco, no Rio.

No dia do início da Revolução julgava-se Bento Gonçalves distante e em licença em Entre - Rios.

Mas ele encontrava-se em seu QG revolucionário, em Guaíba ( Pedras Brancas ), acolhido na casa do primo Gomes Jardim, dando os últimos retoques e instruções para que o movimento fosse simultâneo. Sua última instrução foi dirigida a Canguçu, para seu amigo e parente Florentino Souza Leite.23 Dali ele poderia acompanhar o lance decisivo – a conquista de Porto Alegre. 

Execução do Plano 

Em 19 de semtebro de 1835, forças ao comando dos parentes de Bento Gonçalves, Onofre Pires e Gomes Jardim, cerram sobre Porto Alegre.

Onofre, depois de concentrar, em Viamão, elementos locais de Osório, Santo Antônio e Gravataí atuais. Gomes Jardim depois de atravessar o Guaíba, com elementos que reuniu em Pedras Brancas (Guaíba )  uniu-se a Onofre Pires, mais tarde morto em duelo com Bento Gonçalves, a quem coube dirigir a ação, a partir de posições hoje ocupadas pelos cemitérios, junto à ponte Azenha ( ponte do moinho ).

O ataque teve lugar à noite, com vantagens para os revolucionários que penetram em 20 de setembro , no perímetro, sem reação, com adesão da Guarda Nacional e reforço de cerca de 300 homens do Capitão Manuel Antunes de Porciúncula ( concunhado de Bento ), que este propusera para comandar os Permanentes antes de 30 de novembro, no que foi recusado pelo Presidente Braga. Aumentada a pressão, a Polícia ( Corpo de Permanentes ) desertou. O Presidente Braga procurou reagir no Arsenal de Guerra.

No desamparo, embarcou na escuna “ Rio-Grandense” e rumou para Pelotas à procura  de apoio. Lá prendeu, sob suspeita de querer atuar sobre ele, o mineiro Domingos José de Almeida, que transportou preso para Rio Grande, soltando-o, somente, quando vitoriosa a Revolução e embarcou forçado para o Rio de Janeiro.

Em todos os outros lugares a revolução impôs-se, sem resistência, à exceção dos seguintes:

Rio Pardo resistiu até 30 de setembro, sob a liderança do Marechal João de Deus Mena Barreto. E capitulou na presença de Bento Gonçalves e com reforços da Guarda Nacional, de Cachoeira e Triunfo.

Em São Gabriel houve resistência até 4 de outubro de 1835, quando o 3º  Regimento de Cavalaria de Linha aderiu à revolução, ali liderada pelo tenente-coronel e mais tarde general farrapo João Antônio da Silveira.

São Gabriel revolucionária, dissuadiu a reação do Comandante das Armas, seguida de seu internamento no Uruguai, ao ver, em Batovi, o 2º RC de linha de Bagé aderir à Revolução. Foi substituído na função, pela revolução vitoriosa, pelo Coronel Bento Manoel Ribeiro, seu desafeto.

A reação mais forte foi, em Herval, do Tenente-Coronel João da Silva Tavares, que passou a dominar a área entre o Jaguarão e Pelotas, com um grupo de homens de sua família.

Lançou-se contra o Capitão Domingos Crescêncio de Carvalho, que havia aderido à revolução com o 4º RC de 1ª Linha, de Jaguarão, obrigando-o a emigrar. Mais tarde, em 16 de outubro, o Capitão Crescêncio bateu Silva Tavares, no Retiro, no arroio Pelotas, junto a Pelotas atual.

O Major Manuel Marques de Souza protegia Pelotas que reagia à revolução por ter sido muito  prestigiada pelo Presidente Braga que a elevara à cidade com o nome de Pelotas.

Ao Marques de Souza, futuro Conde de Porto Alegre, coube a última reação, ao vencer, em 14 de outubro de 1835, no arroio da Várzea, próximo a Pelotas, o Capitão Manuel Antunes de Porciúncula.

Bento Gonçalves decidiu numa ampla manobra estratégica, submeter ao mesmo tempo Pelotas, Rio Grande e São José do Norte.  

Enviou Onofre Pires, a partir  de Porto Alegre, contra São José do Norte, para servir de bigorna ao papel que ele faria de martelo, para submeter Rio Grande, abrigo do Presidente Braga deposto.

 Assim, a partir de Porto Alegre, através de passo da Armada, no Camaquã, depois de reunir recursos em Camaquã, Encruzilhada, Canguçu e Pelotas ,ocupou esta última cidade forte de 400 homens, forçando a que  sua Câmara reconhecesse o Governo Revolucionário em 15 de outubro.

A seguir transpôs o Passo dos Negros, no São Gonçalo. Em 20 de outubro cercou Rio Grande. Rendido, e sem condições de resistência, o Presidente Braga deixou Rio Grande, em 23 de outubro, depois da Câmara local reconhecer o Governo Revolucionário, bem como a de São José do Norte.

Com o reconhecimento do Governo Revolucionário pelas câmaras de Pelotas, Rio Grande e São José do Norte coroava-se de êxito o plano revolucionário farrapo.

Bento Manoel assumiu o Comando – das - Armas revolucionário.  Os 8º BC de Lima e Silva e o 1º Corpo de Artilharia a Cavalo de Mattos retornaram de São Borja, e Rio Pardo para o esquema de segurança do Governo Revolucionário, em Porto Alegre.

Assim, em cerca de 1 mês, a Revolução Farroupilha havia dominado e empolgado todo o Rio Grande do Sul e, particularmente, seus mais importantes e estratégicos pontos: Rio Grande, Porto Alegre e Rio Pardo e com apoio das cinco unidades de Linha: 3 Regimentos de Cavalaria ( Jaguarão, Bagé e São Gabriel ), Batalhão de Caçadores e 1 Corpo de Artilharia a Cavalo, a mais importante guarnição do Exército.

Fora do Rio Grande estavam os maiores obstáculos e a causa próxima da Revolução: O Presidente Braga e o Marechal Sebastião Pereira Barreto .

 Toda esta trama liberal republicana é explicada por Morivalde Calvet Fagundes na obra A Maçonaria e as forças secretas da revolução, instrumento de trabalho fundamental ao historiador do século XIX em geral ,repetimos. 

Reviravolta na Revolução 

Depois de consolidada a Revolução com domínio de todo o Rio Grande do Sul de então, o quadro vai alterar-se substancialmente, a partir da posse, em janeiro de 1836, do novo Presidente Araújo Ribeiro, em Rio Grande. Contou com o Coronel Bento Manuel Ribeiro  para lutar pelos imperiais, o que se deu ( dezembro de 1835 a março de 1837 ).Muitos revolucionários se satisfizeram com a derrubada do governo provincial ,como foi o caso do Tenente Osório futuro Patrono da Cavalaria do Exército .

E por uma hábil e incruenta manobra política a estratégica , a cidade do Rio Grande voltou definitivamente ao Império, junto com São José do Norte. Serviu para o Império ali estabelecer inexpugnável base terrestre e naval, aberta a reforços de toda a natureza e protegida pelo canal São Gonçalo.

Porto Alegre foi reconquistada em definitivo, em 15 de junho de 1836, com a prisão de 36 líderes revolucionários. Este fato fez abortar a idéia de reconquistar Rio Grande e criou condições de apoio mútuo de Porto Alegre  e Rio Grande, através das forças navais que em pouco dominaram toda a navegação interior do Rio Grande ( 23 de agosto de 1836 ).

Este fato veio agravar-se ainda, mais quando Bento Gonçalves foi preso na ilha do Fanfa, quando retirava-se do sítio de Porto Alegre, e ao atravessar o rio Jacuí . Isto por insistência imprudente de Onofre Pires, desde então seu inimigo, ao ser criticado por ele Bento.

Estas circunstâncias adversas foram amenizadas com a vitória de Netto, em Seival, em 10 de setembro de 1835,com a sua Brigada Liberal integrada por gente de Piratini e de seus distritos Canguçu, Cerrito e Bagé ate o Pirai , seguida da Proclamação da República no dia seguinte, no Campo do Menezes.

Bento Gonçalves fora favorável a bater por partes o adversário. Primeiro Bento  Manuel, depois de conquistar Rio Grande e, finalmente, Silva Tavares. Mas foi voto vencido pelo Major João Manoel que decidiu que Bento Manuel e Rio Grande fossem atacados ao mesmo tempo, segundo Canabarro Reichardt ao biografar Bento Gonçalves ( Ed. Globo, 1933 ). 

Prisão e fuga de Bento Gonçalves 

Em 4 de outubro de 1836, Bento Gonçalves foi obrigado a render-se sem aceitar as condições que lhe foram oferecidas.

 Elas implicavam na cessação da Revolução. Ele, estava ferido a bala desde Viamão.

Foram presos com ele, Onofre Pires e o Conde Tito Lívio Zambecari. Bento Gonçalves e os demais foram levados para o Rio, para a Fortaleza de Santa  Cruz. Ali já se encontravam vários aprisionados em Porto Alegre, quando esta foi tomada pelo Império.

Bento Gonçalves recriminou Onofre Pires como responsável, pelo peso de sua opinião, pela armadilha da ilha do Fanfa. Teve com ele uma discussão, ao ponto de quase irem às vias de fato, não fora a intervenção de Greenfel, segundo testemunhou Caldeira.

Esta inimizade se acentuou em Alegrete. Isto quando Onofre Pires integrou a minoria oposicionista na Assembléia Constituinte, instalada em 1º  de setembro de 1842, em Alegrete, o que provocou a renúncia tempos depois de Bento Gonçalves à Presidência e ao Comando – em - Chefe.

 Ela foi terminar em 27 de fevereiro de 1884. Tudo por haver se deixado, cego pela paixão, ser manipulado por um grupo, que nem sequer prestou-lhe assistência nos seus últimos momentos.

 Quando Bento Gonçalves retornou da Bahia de onde fugira, Onofre Pires recusou a  entregar –lhe o Comando do sítio de Porto Alegre  , conforme registrou Caldeira, em seus "Apontamentos".

Bento, Onofre e Zambecari foram levados ao Rio, à Fortaleza de Santa Cruz, para fazerem companhia aos presos, em Porto Alegre, e mais Corte Real, preso em combate por Bento Manuel, no passo do Rosário. 

Bento Gonçalves preso no Rio e Bahia 

Bento partiu consciente de que o vácuo de poder gerado com a prisão e dos demais, com a queda de Porto Alegre, tinha sido preenchido com a Proclamação da República por Netto.

Em 15 de março de 1837, falhou sua fuga da Fortaleza Lage, em solidariedade a Pedro Boticário que, por ser gordo, não conseguiu passar por uma janela. Melhor sorte tiveram Corte Real e Onofre. 

Bento foi transportado para Bahia e preso no Forte do Mar. Comandava o navio, o mais tarde Visconde de Inhaúma, herói  da Guerra do Paraguai.

Em 10 de setembro de 1837, decorridos 13 dias preso na Bahia, Bento, com auxílio da Maçonaria, evadiu-se do Forte do Mar em operação com o concurso do Tenente Coronel Francisco José da Rocha que estudamos pioneiramente em O Exército Farrapo e os seus chefes

Este, mais tarde, no Rio Pardo terá um sério incidente de insubordinação com o General Bento Manuel. E este, em conseqüência,  abandonará a causa republicana para longa neutralidade ( 18 de julho de 1839 a 9 de novembro de 1842 ).

 Isto por alegar e com razão haver sido desprestigiado com a promoção do citado oficial, em que pese as satisfações tentadas  por Bento Gonçalves ,para cobrir erro clamoroso praticado por subordinados a ele pelo jornal O Povo .

A fuga de Bento Gonçalves foi desvendada por Pedro Calmon e assim sintetizo:

Do Forte do Mar Bento Gonçalves foi levado à ilha Itaparica. Foi embarcado num navio que transportava farinha para Pelotas e Montevidéu. Foi desembarcado em Florianópolis atual. Dali seguiu a cavalo, em companhia do catarinense Mateus.

 Em 3 de novembro de 1837, atingiu Torres e em 10 de novembro de 1837, Viamão ( depois Setembrina ) - Quartel-general do sítio ao Comando de Onofre Pires.

Isto, decorridos 1 ano e 7 meses de sua prisão e dois meses de sua fuga da Bahia.

Ambas as prisões no Rio e Salvador eram insalubres e desconfortáveis, conforme trecho de carta  na qual Bento pedia

" Mais 3 camisas, por estarem em frangalhos as suas, um capote por sentir frio à noite, pois só tinha um lençol para cobrir-se e um par de tamancos para passear na masmorra em que  estava preso que é toda uma lagoa cheia imundície e de péssimo cheiro".

 Masmorra sob a muralha externa, com entrada de luz indireta pela porta de grade.

Estes fatos hoje fantasiados revelam o martírio do líder farrapo que chegou na Bahia, em 26 de agosto de 1837, conforme observou o Jornal , local apresentado "ar seco, aspecto melancólico e sisudo".

 Bento Gonçalves na Presidência da República 

Em Viamão, Bento reassumiu a Presidência e o Coamdo-em-Chefe do Exército, com a Revolução em melhores condições em deixara. Onofre Pires apresentou-lhe reação em entregar-lhe o comando, conforme queixou-se Bento a Caldeira.24

Com célebre incidente de Bento Manuel, pretendo o Presidente da Província, em Itapevi, Alegrete, quando este ia prendê-lo, a causa republicana ganhara um novo alento.

No período de 23 de março de 1837 a 18 de julho de 1839 em que Bento Manuel lutou pelos farrapos, acrescido do período de neutralidade 15 de julho de 1839 a 8 de novembro de 1842, ou portanto durante 5 anos 7 meses e 16 dias, a República Rio-Grandense estruturou-se e se organizou melhor até 1840, quando começou a declinar, em razão do grande endividamento interno e externo.

Nessa fase, Bento Gonçalves atuou mais como político e diretor da guerra no campo estratégico, como Presidente e Comandante-em-Chefe do que comandante tático. 

Grande endividamento interno e externo         

Depois de quase 5 anos de revolução a economia do Rio Grande a base da pecuária que a sustentava começou a apresentar sinais de exaustão e a crescer em demasia o endividamento externo e interno.  

Os créditos internos e externos se retraíram com reflexos no apoio logístico e administrativo ao Exército da República.

Surgiu oposição a Domingos José de Almeida que deixou a estrutura de apoio logístico que detinha como Ministro da Fazenda e Interior, cercado de acusações das mais injustas, segundo interpretações dominantes.

Os demônios das revoluções, as contradições, as insatisfações, as injustiças, as calúnias, osdesejos divergentes, as ambições incontroláveis, e as frustrações, etc. foram soltos nos campos da República Rio-Grandense e substituídos pelo gado que sustentara a luta e as cavalhadas.

Estas, agora desgastadas, eram a base da mobilidade farrapa e penhor para prolongamento da luta, e, ela assim, sobreviver e manter acesa a esperança de uma solução honrosa.

Em 1840 foi eleita a Assembléia Constituinte, em Alegrete, de 36 deputados. Liderou a maioria de 30, Domingos José de Almeida e a minoria de 6, Antônio Vicente da Fontoura, ambos inimigos: Fontoura foi apoiado por Onofre Pires.

Foram sessões tumultuadas de 1º de dezembro de 1841 a 16 de fevereiro de 1842, quando tinha lugar a  a aproximação do Conde de Caxias de Alegrete. 25

Foi inclusive apresentado um projeto de abolição da Escravatura, pelo Coronel José Mariano de Matos, mas rejeitado. 26

O Império através de seus agentes procurava minar para reinar, segundo se conclui de Morivalde Valvet Fagundes, ao custo da  derrubada de Bento Gonçalves. 27

Bento foi acusado de autor intelectual do assassinato do Vice - Presidente Antônio Paulino da Fontoura, caso rumoroso abordado pelos historiadores da Revolução.

Embora contando com apoio da maioria, Bento Gonçalves renunciou em 4 de agosto de 1843, passando a Presidência  a Gomes Jardim e o Comando – em - Chefe a David Canabarro. 28

Foi lutar como comandante de Divisão. Ao passar o comando a Canabarro, referiu-se a este como “benemérito e ínclito rio-grandense”.

Exortou a todos a se reunirem em torno de tão virtuoso patriota, desse novo Fábio ( Gomes Jardim ), que pela  segunda vez deixa a “charrua” ( arado ).

A renúncia teve lugar em Piratini, novamente capital desde março de 1843, depois de ter sido em Caçapava e Alegrete.

Nesta fase, Bento como comandante de Divisão, tomou parte dos dois combates de Canguçu, em 25/26 de outubro de1843 ( Pedras das Mentiras) e 6 de novembro de 1843 ( Cerro do Ataque ), ao lado do Cerro da Liberdade, na tentativa de lá desalojar Chico Pedro de Abreu, desde agosto, instalado em Canguçu com a Ala Esquerda do Exército de Caxias, conforme estudamos.29

Duelo com coronel Onofre Pires

Logo depois desses combates de Canguçu , terra de Teixeira Nunes e de Manoel Alves da Silva Caldeira, 30 ,Bento duelou com Onofre Pires, que morreu em 3 de março de 1844.

Em carta a Domingos de Almeida de 4 de março, Bento descreveu o duelo: "fim desastroso de Onofre, que fazia o papel de Santerre"( da Revolução Francesa ) na minoria ( liderada por Antônio de Fontoura ) que o incitara "a provocar-me tão atrevidamente... a paixão dominava a minoria e por isso, vendo aquele homem tão corpulento, o julgaram um gigante e eu um pigmeu.

         Enganaram-se e, depois escondendo todos os rabos, se retiram de Onofre, ao ponto de não  achar-se um só desses malvados a seu lado, ao menos na hora da morte. Que malvadeza!!!

       Eu lamento a sorte de Onofre, mas não tenho o menor remorso, porque obrei como verdadeiro homem de honra. Em tais casos obrarei sempre assim, não me importando com o tamanho nem com a fama da pessoa que se atreva a atacar a minha honra"31. Bento Gonçalves possuía 54 anos ou a desvantagem de 10 anos a mais que o corpulento e atlético Onofre Pires.

Escudado em imunidade parlamentar Antônio da Fontoura acusou Bento Gonçalves de general sem sorte, que teve a infelicidade, como companheira de seus passos e operações. Só vencendo as batalhas de Setembrina, a retirada sobre Gravataí e ação de Arroio dos Ratos.

Onofre Pires entre outras acusações genéricas não provadas, assacou contra seu primo estas palavras - "Ladrão da fortuna, ladrão da vida, ladrão da honra e ladrão da liberdade."

Participação na Pacificação e Final

Bento Gonçalves participou do encaminhamento da pacificação em Ponche Verde em 1845, cedendo face "um valor mais alto que se levantava" - a ameaça de Rosas da Argentina intervir em apoio ao Rio Grande do Sul, desequilibrando a balança para a causa republicana, contra o Império, o que o Ministro da Justiça do Império, Marquês do Paraná, percebeu e tratou de apressar a paz. Este personagem mineiro e muito conciliador era o modelo do falecido Presidente Tancredo Neves.

Pobre, depois de haver perdido seus bens no Uruguai ao lutar contra Artigas 1816-21, apoiar a Independência do Brasil e combater na Cisplatina (1825-28 ), Bento foi tentar refazer sua vida no Cristal, hoje Parque Histórico em sua memória. Teve de pedir emprestadas 150 cabeças de gado.

Ele foi recebido pelo Imperador em 10 de dezembro de 1845.

Em 18 de julho de 1849, vítima de pleurisia, veio a falecer em Guaíba ( atual ) na casa de Gomes Jardim.

Local onde planejara e dera início à Revolução de 20 de setembro, marco inicial do processo revolucionário histórico rio-grandense, encerrado quase um século depois, ainda em Piratini, no combate de Cerro Alegre ,de 20 de setembro de 1932, assinalado pela prisão do Dr. Borges de Medeiros e seu envio preso para Pernambuco, segundo Osório Santa Figueiredo.

Não fora a morte de Bento Gonçalves, seguramente o teríamos em campo, à frente de uma Divisão Brasileira, comandando seus co- provincianos na defesa da Integridade e da Soberania do Brasil, no Prata, contra Oribe e Rosas, como o fizera com destaque na invasão de Alvear. Mas seu  filho Caetano o representou a altura na Guerra do Paraguai e seu neto Major do Exército Bento Gonçalves da Silva como comandante do Corpo de Transportes no sitio federalista do Rio Negro e de Bagé.

É um herói nacional por sual contribuição civil e militar à implantação da República no Brasil, em 15 de novembro de 1889, regime no qual vivemos há mais de  um século.

Ao leitor interessado, para um melhor julgamento do herói, recomendamos a leitura serena do Diário de Antônio Vicente da Fontoura 32 que ao prosseguir de modo obsessivo e altamente meritório a Paz, tinha sido injusto com Bento Gonçalves e outros líderes em seus conceitos, desde que passou a liderar a minoria oposicionista a Bento, em 1841. Prestamo-lhe as homenagens que foram possíveis em 1985 - Sesquicentenário Farroupilha 33 .O programa Guerra dos Farrapos da TV Bandeirantes em 2 de dezembro de 1985, penso, distorceu a imagem sesquicentenária do herói 34  honrado e distinto chefe de família , o que a minisérie A casa das sete mulheres restaura no essencial

"Eu sou eu e as minhas circunstâncias " afirmou Ortega y Casset. Bento Gonçalves tem de ser julgado e entendido nas circunstâncias que enfrentou. Circunstâncias que estudos recentes feitos com muita seriedade científica e competência por Décio Freitas, Sandra Jatahy Pesavento e Helga I. L. Piccolo 35 ajudam a bem entender a eclosão da Revolução Farroupilha que não poderia ter líder mais representativo do que Bento Gonçalves, que encarnou o espírito do Rio Grande do Sul.

Trabalhos que ajudarão a redimi-lo de investidas sensacionalistas , de distorções da imagem do herói ao tentarem apresenta-lo como herói ladrão ou um conquistador machista e ditador barato.

Sabemos que não foi um Deus, que foi um homem normal com virtudes e defeitos, mas que correspondeu ao que dele esperaram os rio-grandenses e que dele fizeram, faz século e meio, seu vulto maior.  

E mais do que isto, é um herói do Exército Brasileiro por sua memorável e distinta atuação na Guerra Cisplatina em 1825-28. E aí estão eloqüentes as partes de combate atestando sua significativa contribuição.

Sobre sua opinião sobre a Paz de Ponche Verde transcrevo o seu pensamento em documento enviado a Davi Canabarro.

Bento Gonçalves e a Paz 

“Cidadão General David Canabarro General em Chefe do Exército

Em observação a quanto ordenais em vosso ofício de 21 de janeiro último, chamei a conselho os oficiais superiores da força  de meu imediato mando para emitirem suas opiniões sobre a transcendente negociação entabolada com o Barão de Caxias, comandante – em - chefe do Exército Imperial, e pela Ata que aqui junto envio ,vereis o unânime acordo dos mesmos.

No dia 18 do corrente   marchei do Cristal no empenho de cumprir vossa ordem, depois de haver tomado as precisas medidas para a segurança daquela força, e chegando a Jaguarão no dia 19, uma inopinada constipação (resfriado) me privou de prosseguir  a marcha a esse campo, e resolvi a ele mandar o cidadão Ismael Soares da Silva, seguindo o Exército Imperial , a fim de ser informado do ponto que ocupais e estado da negociação pendente.

Ele acaba de regressar voltando do campo deste por saber que só aguardavas a  minha chegada, e ser isto impossível segundo meu estado de saúde.

É pois de meu dever dirigir-vos esta para anunciar-vos quanto venho de responder e habilitar-vos com meu voto para conclusão de tão apetecido  arranjo.

Minha opinião , Sr General, é e será aquela que adote a maioria de seus irmãos de armas, sempre que esteja nas raias do justo e do honesto, e, ainda, mesmo, quando no caso vertente estes sagrados objetos deixem de ser observados, nem por isso serei capaz de a ela opor-me, tendo eu outros meios em semelhante caso ,para deixar ilesa minha honra e consciência.

A paz é indispensável fazer-se , o país altamente a reclama pois infelizmente vítima de nossos desacertos nada temos a lucrar com os azares da guerra .

Eu vejo, mau grado meu, que hoje não podemos conseguir vantagens que estejam em harmonia com nossos sacrifícios, por se haver, a despeito de meus incessantes conselhos, perdido a melhor quadra de negociar-se uma conciliação honrosa.

Nada sei das condições em que se tenha  a paz lavrado, e mesmo das instruções que conduziu o comissionado da Corte do Brasil, e sendo tudo para mim misterioso me abalanço a lembrar-vos que uma das primeiras condições deve ser o pleno esquecimento de todos os atos que individual ou coletivamente tenham praticado os Republicanos durante a luta, não sendo em nenhum caso permitido a instauração de processo algum contra estes, nem ainda para reivindicação de interesses privados.

Tendo emitido  minha opinião, resta-me repetir-vos que a paz é absolutamente necessária, que os meios de prosseguir na guerra se escasseiam, o espírito público(opinião pública)  está contra qualquer idéia que tende a prolongar seus sofrimentos, classificando de guerra caprichosa a continuação da atual.

Uma conciliação é sempre preferível aos azares de um derrota; a história antiga e a moderna nos fornecem mil exemplos que não devemos desprezar. ( O grifo é do autor )

Compenetrai-vos desta verdade e evitai quando puderdes os funestos sucessos que vão aparecer se prevaleceram as bravatas contra os conselhos da sã razão.

 Lembrai-vos que muitos que os propalam vos abandonarão no momento do perigo.

Eu pretendo esperar aqui vossa ulterior resolução, e só depois dela poderei mover-me quando minha saúde o permita.

É portador o Tenente José Narciso Antunes por quem espero uma resposta categórica destes negócios.

Deus vos guarde. - Estância do Velho Neto , 22 de fevereiro de 1845. Ass:Bento Gonçalves da Silva .”

Depois de 6 dias de feita a Paz em  honrosas escreveu a Dionísio Amaro da Silva :

...Por fim temos uma paz que só conseguimos algumas vantagens pela generosidade do Barão de Caxias ,deste homem verdadeiramente amigo dos rio-grandenses ,que nào podendo fazer-no publicamente a paz, por causa da péssima escolha e da estupidez sem igual dos que a dirigiram , nos fez o Barão do caxias o que já não podíamos esperar ,salvando assim em grande parte a nossa generosidade .E finaliza :

“Sigo para a minha pequena fazenda ,unicamente com a ingente glória de achar-me o homem ,talvez ,mais pobre do pais.”

PS:A numeração em vermelho refere-se a notas do texto no livro O Exército farrapo e os seus Chefes.

(x)Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e do Instituto de História e Tradições do RGS   bento@resenet.com.br 

 


Última alteração em 06-29-2006 @ 06:37 pm

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