Olá Visitante! Junte-se a nós! ou Entre para inserir uma História Militar.
[ Anuncie Já | Fórum | Blogs | Bate-Papo | Ajuda | Proposta ]
 
Página PrincipalPortal Militar Escute hinos e canções militares na Rádio do PortalHinos Fórum do Portal MilitarFórum Blogs Hospedados no PortalBlogs Converse no chat com militaresBate-Papo Videos do YoutubeVideo ArtigosArtigos AgendaAgenda Hotel de TrânsitoHotel Deixe um mensagem para todos do portal.!Fonoclama EntrarEntrar! Junte-se a nós!Junte-se a nós!
  Ir para Página Principal do Portal Militar
 
   
 
[ Todos as Histórias | Todos os Colaboradores | Os últimos 20 Colaboradores ativos ]

[ Dúvidas | Política de Publicação | Busca avançada ]

Usuários Colaboradores podem enviar Histórias Militares ou relacionadas, além de poder comentar as Histórias enviadas por outros usuários!
© Todos os direitos reservados aos seus autores. Esta material não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização de seus autores. As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Portal Militar.com.br ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo brasileiro.
 

 
A Ilha de Malta
Inserido por: Piero
Em: 08-29-2006 @ 04:43 pm
 

 
Curriculum 
Vitae

 

 

 

Autor: * Dr.Dal Piero

 

"Previna ao Marechal Kesselring sobre as trágicas conseqüências para os meus meios de transportes entre a Itália e a África, se não conseguir a supremacia aérea sobre a ilha de Malta".

Rommel em carta direta para Hitler

Situada no arquipélago de seu nome, no Mar Mediterrâneo, nas costas da Sicília, é constituída pelas ilhas de Malta (246 quilômetros quadrados), Gozo (67 quilômetros quadrados) e Comino (2 quilômetros quadrados), além de alguns rochedos desabitados. Apresentando um relevo acidentado, que forma a S.O. falésias com quase 100m de altura. Não possuí curso d'água, o que exige a abertura de poços para o abastecimento da população. O clima é agradável, luminoso durante a maior parte do ano, com nevadas raras no inverno e chuvas muito escassas. Malta produz apenas uma quarta parte dos víveres que consome e não possuí nenhuma industria importante. Os ventos fortes castigam a região, o mais temível é o siroco, quente e enervante, originário da África desértica.

Vento este que em novembro de 1940 iria mostrar a sua trágica força. "O Argus encontrava-se a 400 milhas ao oeste de Malta quando os pilotos de 14 Hurricanes receberam ordens de preparar-se para voar. Na ilha os homens vêem com espanto e alegria somente cinco aviões. Os outros nove, desviados pelo vento, esgotaram seu combustível e caíram ao mar".

A posição de Malta, na charneira central do mar, confere-lhe o seu valor estratégico. "É a frente do mar da Itália contra o perigo turco em 1567", ou seja, frente às vigias que esta possui na Albânia e na Grécia. A sua missão é ao mesmo tempo oferecer uma base às frotas, resistir às armadas inimigas e defender o seu próprio território contra os possíveis ataques de corsários.

Prova de Força

A brusca chegada da armada turca sobre Malta em Maio de 1565, provocou na Europa o efeito de um furacão. Mas este furacão - pelas suas conseqüências, um dos grandes acontecimentos do século - só surpreende metade dos governos responsáveis. Como equipou o sultão, como organizou esta enorme máquina de guerra sem que o boato chegasse à Europa? Desde o final de 1564, em Viena, onde se estava sempre tão bem informado sobre as questões turcas, Maximiliano dizia ao embaixador veneziano que uma grande frota iria sair de Constantinopla a tempo nuovo. Filipe II armava-se, mas não haveria perigo igualmente do lado de Chipre?

Começava assim o divertido jogo dos prognósticos...

No inicio de Janeiro, de Nápoles, D. Garcia escrevia ao rei que seria essencial por termo à questão corsa, antes de Abril, ou seja, antes da chegada dos Turcos. Era precise estar livre no Oeste para melhor resistir, a Leste, a um ataque que em breve se saberia ser muito sério. A 20 de Janeiro, Petremol escrevia a Catarina de Médicis, de Constantinopla, que a armada turca cairia sem dúvida sobre Malta, mas repetia o que lhe fora dito, sem saber mais nada.

Cada vez que se encarava um assalto turco o nome de Malta afluía naturalmente ao espírito. No fim do mês de Janeiro, D. Garcia de Toledo pensava ir lá, assim como a La Goleta, sendo as duas praças, juntamente com a Sicília, esta demasiado vasta para ser seriamente ameaçada, os bastiões da Cristandade face ao Leste, aqueles que forçosamente o Turco devia atacar.

Durante todo o Inverno, e depois na Primavera sucederam-se os boatos alarmantes. Segundo avisos de 10 de Fevereiro, trabalhava-se a fúria no arsenal turco; em meados de Abril, estariam sem dúvida em pé de guerra 140 galeras, dez maonas (ou grandes galeaças), vinte navios redondos e quinze caramusalis... A respeito destes alarmes, pouco importava que Alvaro de Bazan, com as galeras de Espanha, tivesse conseguido obstruir o rio de Tetuão, afundando navios na sua embocadura ou que os corsários se tenham apoderado de três navios saídos de Málaga que propunham resgatar no cabo Falcão, como era costume. Mesmo a sensacional entrevista de Baiona não consegue desviar a atenção e as armamentos (oito corpos de galeras postas a navegar em Barcelona e três galeotas em Málaga') não bastam para infundir tranqüilidade.

E, para além disso, impõe-se a angustiante certeza, todos os dias confirmada, da força da armada que vai chegar e que tanto os barcos do corsário do Levante como do Ponente vão reforçar. É possível que em Argel, desde o Inverno de 1564, como afirma Haedo, Hassan Paxá tenha sido posto ao corrente da ação contra Malta.

Todos os postos de escuta, tanto os de Constantinopla como aqueles que estão mais perto, como os de Corfú e de Ragusa, estão de acordo. De Ragusa, um aviso com data de 8 de Abril, anunciava que as primeiras vinte galeras de Piali Paxá tinham saído dos estreitos, a 20 de Março e acrescentava que os boatos falavam de Malta como objetivo da expedição, sem que se pudesse afirmar nada de seguro.

Pelo seu lado, o governo espanhol temia um ataque contra La Goleta, e, a 22 de Março, tinham sido tomadas medidas para recrutar quatro mil soldados de infantaria na Espanha, destinados parte à Córsega e parte à infantaria das galeras.

Filipe II desdobrava-se em advertências: a frota turca virá com mais galeras do que nos anos passados, escrevia a 7 de Abril ao Prior e Cônsules de Sevilha que punha ao corrente das ordens dadas a Alvaro de Bazan: atingir Cartagena para ai embarcar tropas espanholas destinadas à Córsega, depois regressar a Maiorca e continuar ai a guarda contra os corsários. Em Nápoles, a 8 de Abril, o vice-rei pensa que perante a grandeza do perigo ameaçador, recrutar dez mil a doze mil homens e irá pessoalmente à Plúglia. Mas, quanto ao que se conta de um empreendimento turco contra Piombino, com o auxilio do duque de Florença, não acredita nisso?.

Com a demora habitual, começam a saber-se, no Ocidente, as etapas da viagem turca. A 17 de Abril, quarenta galeras estão no canal de Negroponte; a 19 juntam-se-lhe trinta; o resto da frota, ou sejam 150 velas, encontra-se em Quios. Portanto, os navios precisaram de duas semanas (e certos elementos mais) para atingirem o Arquipélago.

Durante o caminho, completaram os seus abastecimentos (nomeadamente de bolachas) e tomaram tropas a bordo. Dragut insistiu para que a armada se fizesse depressa ao mar e terra exigido cinqüenta galeras para impedir a concentração da frota de Filipe II. Em Corfú corre o boato de que a armada vai cair sobre Malta, mas o informador toma as suas precauções: dados os preparativos - escreve - tem-se por mais certo que ela irá contra La Goleta. Em Maio, chegava a Navarino; a 18, estava em Malta.

Mais uma vez, a frota turca viajara a toda a velocidade, colocando do seu lado a vantagem da surpresa e da rapidez. A 17, de Siracusa, Carlos de Aragona enviava à pressa, por correio especial, uma curta informação a D. Garcia de Toledo: à uma hora da manhã, a guarda de Casibila disparou trinta tiros. Visto que disparam tantas vezes, é bem provável, tememo-lo, que se trate da frota turca.

Em breve a noticia era confirmada: a 17, a frota turca tinha sido "descoberta" ao largo do cabo Passero e o vice-rei de Nápoles informava o rei a 22, numa carta que acompanhava as noticias pormenorizadas dadas por D. Garcia. O rei recebeu estas primeiras informações concretas a 6 de Junho.

Apesar de advertidos do perigo, os responsáveis pela defesa, os Espanhóis e o grão-mestre, ficaram surpreendidos com a rapidez do acontecimento, sobretudo, o grão-mestre que tinha hesitado em encetar despesas e, na ilha de Malta, em proceder às demolições necessárias. Houve atrasos no encaminhamento dos víveres e dos reforços e cinco galeras da Religião, em excelentes condições, bloqueadas no porto, não conseguiriam prestar à frota cristã o menor serviço.

A resistência dos cavaleiros

Mas o grão-mestre, Jean de La Valette Parisot, e os seus cavaleiros defenderam-se admiravelmente. A sua coragem salvou tudo. Chegada a 18 de Maio em frente da ilha, a frota turca utilizava imediatamente, no literal Sudeste, a ampla baía de Marsa Sciraco, um dos melhores ancoradoiros de Malta depois da baía de Marsa Muset, que servirá de porto a La Valette. Desembarcava três mil homens na noite de 18 para 19 e, no dia seguinte, vinte mil. Submersa, a ilha foi ocupada sem grande dificuldade. Só restava aos cavaleiros o pequeno forte Saint-Elme, que dominava o acesso de Marsa Muset e da Velha Cidade - o Burgo (vasto acampamento entrincheirado), e os potentes fortes de São Miguel e de Saint-Ange. Considerações marítimas fizeram com que os Turcos começassem o cerco, a 24 de Maio, pelo menos poderoso destes fortes, o de Saint-Elme, na esperança de disporem em seguida do porto cuja entrada ele dominava. A artilharia começou a disparar a 31 de Maio.

Ora, a fortificação só foi tomada a 23 de Junho, depois de um bombardeamento de uma extrema violência. Não escapou nenhum dos defensores. Mas esta tenaz resistência tinha salvo Malta. Proporcionou-lhe o tempo indispensável para preparar a repressão do assalto e terminar as construções previstas, no Burgo e em São Miguel, pelo arquiteto dos cavaleiros M. ° Evangelista. Permitira também aos Espanhóis recuperar o seu atraso. Só circunstâncias fortuitas impediram que Juan de Cardona, comandante das galeras da Sicília, socorresse Malta antes da queda de Saint-Elme. Este pequeno destacamento de seiscentos homens desembarcou ainda oportunamente, a 30 de Junho, e conseguiu atingir a Velha Cidade, prova de que nem a terra nem o mar estavam perfeitamente guardados pelos sitiantes.

Tomado Saint-Elme, os Turcos fizeram incidir os seus esforços, por terra e por mar, sobre a considerável construção, mas em parte improvisada, de São Miguel. A artilharia, os assaltos, as minas, os ataques com barcas, nada foi poupado, nada venceu a resistência da defesa. A salvação, quase milagrosa, foi finalmente assegurada, a 7 de Agosto, pela intervenção em pessoa do grão-mestre e por uma surtida da cavalaria da Velha Cidade que, lançando-se sobre a retaguarda turca, espalhou ai o pânico. Um mês mais tarde, a 7 de Setembro, o exército turco nada tinha progredido. As suas fileiras tinham-se reduzido devido a estes repetidos assaltos, às epidemias e até à fome. De Constantinopla, não chegavam os reforços de homens e de víveres. Sitiados e sitiantes tinham na realidade chegado ao esgotamento das suas forças. Então interveio D. Garcia de Toledo.

O socorro de Malta

Os historiadores criticaram a D. Garcia a falta de rapidez na ação. Avaliaram eles sensatamente as condições em que ele teve de atuar? Perder Malta teria sido uma catástrofe para a Cristandade.Mas perder a frota hispânica acabada de reconstituir era expor-se a um perigo irremediável. Por outro lado, como se trata dessa luta do Mediterrâneo ocidental contra o Mediterrâneo oriental, não esqueçamos que este é mais navegável que aquele; e que na concentração das frotas hispânicas, o golfo de Leão desempenha o papel de um obstáculo muito mais difícil do que o de um mar Egeu semeado de ilhas.

Contra a rapidez de uma concentração não existe apenas o espaço, mas também as múltiplas tarefas policiais, de transporte e de abastecimento no Mediterrâneo ocidental onde todos os pontos estão simultaneamente ameaçados pelos corsários. É precise em Gênova, em Livorno, em Civitavecchia, em Nápoles, embarcar víveres, dinheiro, tropas. Finalmente, existe a Córsega onde a revolta continua a assolar e a conquistar terreno.

Avaliem-se estas dificuldades pelas viagens da esquadra de Espanha, sob as ordens de Alvaro de Bazan. No princípio de Maio chega a Málaga; embarca ai canhões e munições destinados a Orão. De Orão volta para Cartagena, onde embarca nas suas dezanove galeras e duas naves, 1.500 homens que conduz a Mers-el-Kébir. Chega a Barcelona apenas a 27 de Junho; a 6 de Julho encontra-se em Gênova; a 21 em Nápoles e em cada um destes portos é retida por pequenas tarefas...

Imaginemos milhares de movimentos semelhantes, recrutamentos de tropas, comboios de forçados, fretamentos de naus para os transportes, envios de fundos. Tudo isto exige tempo. Fora preciso esperar por Agosto-Setembro de 1564 para concentrar a frota do Penon. Mais uma vez, a concentração não se pode fazer mais cedo. A 25 de Junho, dois dias depois da queda do forte Saint-Elme, D. Garcia ainda só dispunha de 25 galeras. No fim do mês de Agosto tinha uma centena, entre boas e más. Nestas condições, fez ou não bem em esperar? Não arriscar as suas forças em pequenas vagas?

Quando aí se encontrava a quase totalidade dos navios, realizou-se um conselho de guerra no inicio de Agosto, em Messina, sobre a maneira como se devia utilizá-los. Os audaciosos recomendavam enviar um apoio de homens, com sessenta galeras reforçadas; os prudentes e os peritos, como se dizia "os marinheiros práticos", aconselhavam ir a Siracusa para ai esperar os acontecimentos...

Dez dias mais tarde, com a chegada de J. A. Dória, D. Garcia dispôs finalmente de todas as suas galeras. Então, bruscamente, sem ouvir a opinião de ninguém, decidiu-se a lançar um corpo de desembarque para a ilha, com as suas galeras reforçadas. A 26 de Agosto, a frota de socorro abandonava a Sicília. O mau tempo fê-la desviar-se para a ponta Oeste da ilha, até Favignana. Dai, atingiu Trapani onde um milhar de soldados aproveitou a paragem para desertar.

Um vento de feição levou-a em seguida a Lampedusa e finalmente ao Gozzo, ao Norte de Malta. A rajada que surpreendera a frota na sua partida tinha, muito a propósito, esvaziado o canal de Malta dos seus navios, mas foi impossível às galeras cristãs juntarem-se oportunamente em redor do Gozzo. Se bem que, cansado da guerra, D. Garcia regressou à Sicília a 5 de Setembro. Esta partida falhada valeu-lhe criticas, desdéns e troças, enquanto esperava as injustiças dos historiadores.

Mas a partir do dia seguinte, sob a intervenção categórica de João André Dória, a frota retomava o mar; na noite de 7 passava o canal que separa o Gozzo de Malta e encontrava-se, com temporal desfeito, à altura da baía do Friul. Querendo evitar os perigos de um desembarque noturno, D. Garcia de Toledo ordenou que se esperasse o nascer do dia; ordenadamente, o desembarque conseguiu fazer-se em hora e meia, na praia de Melicha. Depois disto a frota regressou à Sicília.

O corpo desembarcado, sob o comando de Alvaro de Sande e de Ascanio de la Corna, progrediu bastante lentamente devido ao peso das bagagens que era preciso transportar, devido à falta de animais, às costas dos homens. Chegou penosamente junto da Velha Cidade onde ficou alojado em grandes armazéns, fora da cintura. Seria preciso ir mais adiante? O grão-mestre pensava que não.

Com efeito, os Turcos tinham abandonado as suas posições, evacuado o forte Saint-Elme e embarcavam de novo. Nestas condições, mais valia não mandar avançar o corpo expedicionário, já conturbado com doenças, até às posições turcas pejadas de detritos e de cadáveres e não correr o risco de uma epidemia pestífera.

Contudo, prevenidos por um trâinsfuga espanhol, um mourisco, do pequeno número de Cristãos desembarcados (cinco mil), os chefes turcos tentaram um regresso ofensivo. Lançando para terra alguns milhares de homens, empurraram-nos para o interior da ilha até à Velha Cidade onde foram massacrados nas tortuosas ruelas da Cidade; os que escaparam regressaram às galeras de Piali Paxá que retomaram a rota do Levante, dirigindo-se o grosso da frota para Zante. A 12 de Setembro desaparecia do horizonte de Malta a última vela turca. Ao saber esta noticia, Garcia de Toledo que, com as suas sessenta galeras reforçadas, tinha embarcado em Messina um novo corpo expedicionário, achou por bem desembarcá-lo em Siracusa.

O que teriam feito estes homens numa ilha devastada, sem víveres? A 14 entrava com a sua frota no porto de Malta para ai embarcar de novo a infantaria espanhola de Nápoles e da Sicília e tomava rapidamente a direção do Levante, esperando capturar pelo menos algumas naus na retaguarda do inimigo. Atingiu assim Cerigo a 23, onde permaneceu emboscado quase oito dias, mas falhou, devido ao temporal, o seu objetivo. A 7 de Outubro regressava a Messina.

A noticia da vitória espalhou-se rapidamente. Em Nápoles era conhecida a 12, em Roma a 19. A 6 de Outubro, talvez mais cedo, lançava a consternação em Constantinopla. Os Cristãos não podiam andar pelas ruas da cidade por causa das pedras que os Turcos lhes lançavam e que por sua vez choravam uns a morte de um irmão, outros a de um filho, de um marido, de um amigo.

Contudo, o Ocidente, quanta mais tinha temido mais se alegrava. Em Madrid, a 22 de Setembro de 1565 ainda se estava pouco otimistas?. Veja-se o entusiasmo do senhor de Bourdeilles, aliás Brantôme, que tal como tantos outros chegara demasiado tarde a Messina para embarcar para Malta. Daqui a cem mil anos, o grande rei da Espanha, Filipe, será digno de reputação e de louvores, digno também de que toda a Cristandade reze outros tantos anos pela salvação da sua alma, se Deus ainda não lhe concedeu o seu lugar no seu Paraíso por ter tão perfeitamente socorrido em Malta tantas pessoas de bem que tomavam o caminho de Rodes.

Em Roma, onde com o anúncio das galeras turcas se experimentaram tantos receios no Verão, celebrou-se o heroísmo dos cavaleiros, agradeceu-se a Deus pela sua intervenção, mas não se pagou qualquer tributo de reconhecimento aos Espanhóis, antes pelo contrário. O papa dava o exemplo: não lhes perdoava as faltas de rapidez na ação, nem as dificuldades que tinham suscitado desde a sua subida ao trono. O cardeal Pacheco, ao conhecer a noticia da vitória, solicitou ao papa uma audiência que foi o mais desagradável possível. O cardeal sugerira que a ocasião era boa para conceder ao rei o quinquenio, e foi, escreve, como se lhe tivesse dada um tiro de arcabuz. Enviar-lhe o quinquenio? - perguntou finalmente. Será muito bom se eu lho conceder quando ele mo pedir... Em audiência pública, alguns instantes depois, o papa conseguia falar da vitória sem nomear o rei da Espanha, nem o capitão-mor, nem as suas tropas, atribuindo tudo a Deus e aos cavaleiros.

Durante a Segunda Guerra Mundial

Malta significa refúgio. Esse é o significado da palavra. Como vimos seu solo foi palco de domínio normando e espanhol. Os turcos foram os únicos que não conseguiram içar nele o seu verde-pavilhão. Posteriormente chegaram os franceses e ingleses e nas mãos destes a ilha chegou ao nosso século. Com a Segunda Guerra Mundial, Malta tornou-se notícia. Sua localização, em pleno centro do conflito, a poucos quilômetros da Itália e África do Norte, no mar Mediterrâneo, tornou-a ponto obrigatório de penetração para os comboios que se dirigiam à África a base valiosíssima para os ingleses, que obstacularizavam as comunicações do Eixo.

Seus habitantes novamente estavam rodeados pelas hostilidades de uma guerra. Reconheceram através do ataque contínua da aviação ítalo-germânica, empenhada na destruição da pequena ilha, e, também, pelos atos de heroísmo de um grupo de aviadores da RAF.

A luta de Malta assumiu traços épicos, durante a Segunda Guerra Mundial. A ilha fechou-se em si mesma, afundou-se em suas cavernas, entrincheirou-se em suas rochas e resistiu. Resistiu infatigavelmente. Seu território foi bombardeado sem trégua várias vezes, porém Malta resistiu.

Não somente resistiu: atacou. Atacou bem, como testemunham as palavras de Ciano em seu diário: "Dessa maneira, nossos navios mercantes não durarão nem um ano". E como suas palavras fossem poucas, a resistência e o ataque malteses refletiram-se nas palavras do Almirante Doenitz, em setembro de 1941: "não poderemos sustentar durante mais um ano uma nova campanha de Rommel É preciso destruir Malta".

Em 1940 a situação de Malta era um ponto de grande valor estratégico e, como tal, foi cenário de luta feroz. Através dos séculos, os fenícios, cartagineses, romanos, árabes e normandos lutaram pela posse de Malta. Napoleão, valendo-se de grande armada, capturou-a em 1798. Os ingleses, sob o comando de Nelson, a sitiaram naquele mesmo ano e a conquistaram em 1800. Daí em diante, até 1939, Malta viveu em paz.

O eclodir da Segunda Guerra Mundial não provocou grandes mudanças na ilha. Sua população, na maioria constituída por Homens de natureza corpulentas e bem tradicionais, mantiveram-se dedicados à criação de gado bovino e caprino, à cultura do trigo, legumes, verduras e frutas.

Depois de iniciada a luta, os malteses confiaram na neutralidade da Itália, potência vizinha. Porém, durou pouco aquela tranqüilidade. Por volta de junho de 1940, ao esgotar-se a resistência da França, entrou a Itália na guerra. No dia seguinte, aviões de bombardeio surgiram sobre a ilha. Malta, naquele instante, contava com quatro aviões de caça de modelo antigo, destinados a sua defesa. Os pilotos eram apenas seis e com tal minguada força área a ilha começou a participar da guerra. Ao enfrentar os aviões inimigos, um dos caças foi derrubado. Ficaram somente três, que sustentaram a luta, heroicamente, durante quatro meses, com a desvantagem de um contra dez. Foram cognominados "homens de Fé, Esperança e Caridade", e converteram-se no símbolo da resistência maltesa.

Devido à escassíssimo defesa antiaérea de que dispunham, os malteses foram obrigados a procurar refúgios. Então, ressalta o valor inestimável dos túneis e covas escavados nas pedras da ilha. Os túneis tinham entre vinte e oitenta metros de profundidade e durante a máxima violência do assédio grande parte da população viveu no interior deles. O gado, inclusive, foi transferido para as covas profundas, para protegê-lo dos bombardeios.

Entre os meses de janeiro e agosto de 1942, deu-se a fase mais difícil da defesa da ilha. A frota inglesa empregou esforços desesperados na tarefa de abastecer os defensores da minúscula possessão, gravemente ameaçada pelos bombardeios. Durante todo esse tempo a atuação da Royal Navy destacou-se em torno desta dramática luta. A situação não podia ser mais grave. Na Sicília, a escassos 100 quilômetros da ilha, encontravam-se estacionados dois corpos aéreos (Flieger Korps), da Luftwaffe, com 600 aviões Junkers 88 e Messerschmitt 109 Rommel, entretanto, em princípios de 1942, esperava impaciente o fim da companha, com o objetivo de dispor daqueles 600 aviões, necessários à Líbia.

Malta, entretanto, quase sem víveres nem combustível, com seus poucos canhões antiaéreos já desgastados, dispunha de uma dezena de Spitfires para a defesa. Habitualmente, ao cair da tarde, os doze ou quinze Spitfires disponíveis ficavam reduzidos a quatro ou cinco. O número real de aviões empregados na defesa de Malta nunca foi conhecido pelos alemães. Prova esta afirmação de Kesselring: Não posso compreender onde se ocultam as oito ou dez esquadrilhas de Spitfires que defendem Malta..."

Em seus melhores momentos, as "oito ou dez esquadrilhas" eram um esquadrão de Hurricanes e dois de Spitfires, tntalizando uns nnventa aviões, dos quais só dez nu doze estavam em condições de decolar diariamdnte. Os aviões de reforço que se enviavam eram transportados em porta-aviões até às proximidades da ilha, par causa da pouca autonomi` de vôo. Isto custou à Hnglaterra a perda do porta-avião Eagle, afundado por um submarino, e sérias avarias ao Illustrious.

Por volta de 1943, depois da batalha de Malta, a vitória custou aos ingleses 840 Rpitfires e a vida de 520 pilotos da RAF. Por seu lado, a Alemanha perdera ali 390 Junkers 88, 400 Messerschmitt 109 e 100 Junkers 87. Além disso, a Itália perdeu 230 Macchi 202, 330 Cant Alcyone e 79 Savóia.

Começa a ação

Em 28 de novembro de 1941, o Marechal Kesselring chegou à Itália. Sua missão era empreender uma enérgica ação contra o Ilha de Malta, objetivando melhorar as possibilidades do abastecimento das tropos do Eixo, na África. Esta ação serin indispensável, pois a pequena ilha do Mediterrâneo convertera,se no centro onde se organizavam e efetuavam ataques a comboios partidos da Itália para a Líbia.

A força britânico da Ilha dispunha de submarinos, avhões e torpedeiros e dois cruzadores, que depois foram quatro, o que aumentou o poderio do ilha. Com estes efetivos, os ingleses atacaram as vias de comunicação do Eixo, durante novembro e dezembro de 1941. Navios mercantes e naves de guerra foram afundados ou avariados nas diversas ações. Naquele período, Malta parecia capaz de desorganizar as comunicações entre a Líbia e a Itália. Durante o mês de novembro, mais de 60 % do material bélico enviado da Itália à Líbia perdeu-se no fundo do Mediterrâneo, pela atuação das forças inglesas de Malta.

Por conseguinte, seria indispensável a imediata reação do Eixo contra a ilha e ela consubstanciou-se na atividade aérea intensificada, sem perda de tempo. Os bombardeios (72 em novembro de 1941) aumentaram para 170 em dezembro e 270 em janeiro de 1942. As conseqüências não se fizeram esperar. A ilha, cercada, restringida em seus aprovisionamentos marítimos pelo assédio da aviação inimiga, reduziu ao máximo sua atividade e colocou-se na defensiva. As reservas de material, notadamente de gasolina, ficaram reduzidas ao máximo. A situação de Malta começou a tornar-se insustentável.

A difícil situação de Malta alentou os projetos do Alto Comando do Eixo, concernente à invasão da ilha. Com efeito, a operação abriria o caminho da Líbia e permitiria o envio das tropas para a África do Norte, transferidas do ataque à ilha. Em fevereiro de 1941, quando Rommel e suas forças se transferiram para a Líbia, começaram as preparativos da invasão.

A ocupação levar-se-ia a cabo mediante uma ação de pára-quedistas, tropas aerotransportadas, enquanto o corpo aéreo e a marinha italiana se aprestariam para dar o apoio necessário.

Estando em marcha os estudos preliminares, por volta de 1941, as forças italianas, naquela época empenhadas em luta inteiramente desfavorável na Grécia, seriam auxiliadas por unidades alemãs. Foi, então, que os pára-quedistas e tropas aerotransportadas, que deviam ser empregados na invasão de Malta, foram desviados e utilizados com êxito na invasão de Creta, abandonando, no momento, o projeto de ataque a Malta.

Consequentemente, com o desvio das forças aéreas alemãs, para sua utilização nos Bálcãs, Creta e, mais tarde, na Rússia, Malta obteve uma capacidade ofensiva maior. Realmente, as perdas do Eixo tornaram necessária a remessa de reforços para a África por via aérea, em média de 200 homens por dia.

Contudo, apesar do extreme perigo que a pequena base britânica representava para o potencial do Eixo, o chefe do Estado-Maior italiano, General Cavallero, mostrava-se negligente a executor o projeto C 3 (invasão de Malta). Somente em meado do mês de março de 1942 Kesselring conseguiu o apoio de Cavallero. Mas este fixou o data da invasão para mais tarde, no mês de agosto.

Um novo contratempo surgiu, então. Kesselring, com, clara visão do problema que Malta representava para o Eixo, exigia o desembarque até abril ou maio. O General Cavallero, por seu lado, insistia na data por ele fixada: agosto de 1942. O chefe italiano sustentava que a preparação de um corpo expedicionário não seria completa antes daquela data e não compartilhava da disposição de Kesselring de cair sobre a ilha de maneira surpreendente e rápida.

Referindo-se à operação, afirma Ciano que Cavallero nào parecia convencido do êxito da operação de ataque e, mais ainda, alguns dos altos chefes designados pare levá-la a cabo opunham-se decididamente à sua execução. Na verdade, as condições para um desembarque na ilha eram ótimas, porque os bombardeios destruíram grande parte da defesa. Assim, Kesselring era quem via mais claramente a situação. Sabia e considerava lógico tirar partido, já que as condições dos habitantes e defensores de Malta eram precárias. Naquela ilha mediterrânea faltava o mais essencial. Faltava combustível, armas e munições. Os aviões necessitavam de reparos, os pilotos achavam-se esgotados pelo excesso de missões a cumprir, os barcos de guerra evacuaram o porto, temerosos da ameaça de destruição pela aviação ítalo-germânico.

Por outro lado, os submarinos passavam horas e horas do dia submersos para evitar os bombardeios. Referindo-se à situação da ilha e seus defensores, disse o General A. A. Hugh Lloyd, comandante das forças aéreas de Malta:

". . . as condições de vida chegaram a ser extremamente difíceis. Toda vez que se pedia um esforço físico, notava-se a insuficiência da alimentação. A água, a luz e as demais coisas estavam racionadas. As reservas de carvão e petróleo durariam, ainda, algumas semanas. Ter vinte aviões de caça, no mês de abril, era um sonho. Geralmente, começamos o dia com doze à 6 noite restam-nos um ou dois. Depois, cessávamos de voar e, febrilmente consertávamos os danificados."

A situação era desesperadora e Kesselring o sabia e sabia que deveria atacar. Porém, Cavallero, inexplicavelmente, adiava a operação, embora sabendo que a artilharia antiaérea operava com grande racionamento de munições e só disparava quando os bombardeiros, em picada, descia, a menos de mil metros.

Além disso, a rede de radares estava neutralizada pelas interferências efetuadas pelos alemães. Em suma, a situação não poderia ser pior para os defensores e nem mais encorajadora para os atacantes.

No que diz respeito aos aprovisionamentos, a condição de Malta não era melhor. Durante o mês de janeiro chegaram à ilha alguns barcos pequenos; em fevereiro ninguém pode aproximar-se de Malta. Finalmente, em março, o Almirante Cunningham resolveu fazer um desesperado esforço para reabastecer a ilha. Reuniu quatro navios mercantes, levando como escolta todos seus cruzadores e torpedeiros.

Batalha de Sirte

Distante ainda de Malta, nas águas da Cirenaica, um submarino italiano avistou a frota inglesa, no dia 21 de março.

Informado, o Alto Comando italiano empreendeu várias missões de reconhecimento, com o que ficou ciente que os mercantes eram escoltados por quatro cruzadores, dez torpedeiros e algumas naves menores. Decidiu então o comando italiano que os cruzadores Gorizia, Trento e Bande Nere saíssem a interceptar os navios ingleses.

Para apoiar o ataque partiriam de Taranto o encouraçado Littorio e seis torpedeiros. A meia-noite de 21 de março, a frota italiana foi ao encontro dos barcos ingleses. Os cruzadores levavam a missão de interceptar o inimigo no golfo de Sirte, na Cirenaica, e o encouraçado chegaria depois, assegurando proteção aos cruzadores, contra qualquer eventual surpresa. Na manhã de 22 de março, a frota italiana, a toda máquina, dirigiu-se para o sul, em busca da inglesa. Por volta das 10 horas da manhã, um avião de reconhecimento localizou a posição dos britânicos. As naves inglesas dirigiam-se para Malta, a uma velocidade de 14 nós.

As informações dos aviões de reconhecimento dos navios italianos divergiam radicalmente quanto ao número de unidades e o rumo seguido. Por isso, evitando que os britânicos fugissem ao cerco, os italianos mudaram o rumo e colocaram-se entre os ingleses e a distante ilha de Malta.

As 14 h 35 m os cruzadores avistaram os barcos ingleses e o comando italiano comprovou que a escolta aos mercantes era constituída por quatro cruzadores e outras unidades menores.

Imediatamente, os cruzadores ingleses abriram fogo contra as naves italianas. Estas, seguindo ordens recebidas, responderam ao ataque e se distanciaram. Realmente, presumia-se que, nas imediações, encontrava-se um encouraçado inglês, cuja presença, se verdade, constituiria sério perigo para os cruzadores italianos. Portanto, os barcos italianos afastaram-se das unidades inglesas, dispostos a esperar que a situação fica-se esclarecida.

Enquanto isso, os navios britânicos estenderam uma cortina de fumaça e névoa artificial, ocultando-se das vistas dos italianos. O encontro, sem conseqüências, limitou-se a trocas de tiros a grande distância. Os barcos ingleses retomaram sua posição no comboio e os cruzadores italianos singraram para o norte, à espera do encouraçado Littorio.

As 15 h 30 m, os cruzadores chegaram às proximidades do encouraçado, uniram-se a ele e, de acordo com as ordens recebidas, inverteram a rota e voltaram à procura do inimigo. O contato estabeleceu-se, novamente, às 16h 30m. Os barcos ingleses, envoltos em espessa cortina de névoa, eram pouco visíveis dos navios italianos.

Entretanto, o mar encrespara-se e grandes ondas sacudiam os barcos. Leve neblina estendeu-se pela superfície do Mediterrâneo, reduzindo a visibilidade ao mínimo. Mesmo assim, ambas as frotas lutavam. O radar auxiliava a inglesa e a italiana disparava quase às cegas.

Perto das 18h 30 m, quando as condições meteorológicas tornaram praticamente impossível a visibilidade, os torpedeiros ingleses lançaram-se ao ataque. Emergindo, de surpresa, do banco de neblina artificial, cinco torpedeiros avançaram a toda velocidade e lançaram seus torpedos contra o Littorio. O estado do mar e a distância frustraram o êxito do intento.

Ao cair da noite, a escuridão propiciou que as naves adversárias perdessem o contato. Os italianos abandonaram a batalha e seguiram para o norte. Dois dos torpedeiros, que se distanciaram do Littorio, fizeram água e foram a pique. Foram os únicos barcos que se afundaram no combate de Sirte.

Com respeito aos navios mercantes integrados no comboio, sua sorte mudou radicalmente, quando se encontravam diante de Malta. Foram, realmente, afundados por aviões alemães, na manhã seguinte. Por este motive, das 26 000 toneladas de abastecimentos que transportavam, somente 5 000 foram recuperadas. A situação de Malta, dia a dia, tranava-se mais dramática. A falta de elementos era completa e a impossibilidade de obtê-los raiava ao cúmulo. Como medida preliminar, decidiu-se, então, reforçar a força aérea da ilha, enviando caças por seus próprios meios, isto é, voando. Em virtude da pequena autonomia dos spitfires, estes deveriam chegar às proximidades de Malta, a bordo de porta-aviões e deles decolar até a ilha.

Assim, em diferentes missões, os porta-aviões Wasp (americano) e o Eagle (inglês), levaram à ilha 47, 64 e 17 Spitfires, reforçando consideravelmente sua defesa.

Além disso, o lança-minas Welshman, de 2600 toneladas de deslocamento e quase 40 nós de velocidade, burlou o bloqueio em muitas ocasiões, conduzindo armas, abastecimentos e peças sobressalentes.

Assim, chegou o início de junho de 1942. O Almirantado inglês, convencido de que somente operações de grande envergadura para o abastecimento poderiam sustentar a luta e salvar Malta, resolveu enviar dois comboios simultâneos, um partindo de Gibraltar e outro de Alexandria. O primeiro (operação Harpoon) contava com seis navios mercantes, e o segundo (operação Vigorous) compunha-se de onze.

Na noite de 11 de junho, os seis barcos de comboio de Gibraltar entraram no Mediterrâneo. O Alto Comando italiano foi informado e imediatamente alertou suas unidades. O Littorio, o Vittorio Veneto, o Duillio e mais seis cruzadores receberam ordens de zarpar, com a missão de interceptor o comboio britânico. Era 13 de junho.

Todavia, uma noticia inquietante chegou ao Alto Comando da marinha italiana. Exatamente no dia 13, saíram dos portos egípcios e sírios onze barcos escoltados por sete cruzadores, vinte e quatro torpedeiros e outras unidades menores. O comando do comboio estava a cargo do Almirante Vian.

O movimento das naves foi descoberto por aviões de reconhecimento alemães, que interpretaram corretamente: tratava-se, sem dúvida alguma, de comboio de abastecimentos, rumando para Malta. O Alto Comando italiano encarregou-se da situação e agiu rapidamente. O grosso da frota será mandado a enfrentar o comboio em Alexandria. Em vista disso, o Littorio, o Vittorio Veneto, quatro cruzadores e alguns contratorpedeiros saíram ao encontro das naves inglesas.

A frota italiana, já navegando, foi atacada repetidamente por aviões torpedeiros ingleses, da base de Malta. Depois de vários ataques fracassados, um torpedo, finalmente, acertou o alvo, avariando seriamente o cruzador Trento, que foi obrigado a abandonar a operação. Os encouraçados (Littorio e Vittorio Veneto) sofreram ataques de torpedos, mas saíram ilesos. Entretanto, informações errôneas dos pilotos ingleses os deram por avariados. Assim, a frota que integrava o comboio, que havia invertido a rota e regressado a Alexandria, tornou a girar e retomou seu antigo caminho. Supunha-se, com efeito, que os encouraçados não interfeririam na provável batalha e isto daria certa vantagem aos navios britânicos. Porém, aproveitando a confusão criada pelas inversões da rota, várias lanchas torpedeiras alemãs levaram a cabo alguns ataques contra o comboio, avariando o cruzador Newcastle e afundando o torpedeiro Hasty.

A situação mudou fundamentalmente na manhã seguinte, quando o comando inglês comprovou que os encouraçados italianos continuavam sua marcha e já se encontravam muito perto. Por isso, ordenou uma terceira inversão de rota e regresso a Alexandria. Mas a informação dos torpedeiros, aludindo a possíveis avarias nos dois encouraçados, resultou, uma quarta ordem: rumo a Malta. A ordem em seguida foi cumprida sem que nenhum avião de reconhecimento inglês houvesse avistado os encouraçados italianos, avançando a toda marcha na direção do comboio. Em vista disso, o Almirante Vian resolveu manter o rumo e encaminhar-se a Alexandria.

Anulado o comboio saído do Egito e da Síria, restava o de Gibraltar. Este também foi atacado, sofrendo a perda de quatro de suas naves. Somente dois chegaram a Malta, com 15 000 toneladas de carga. A situação da ilha chegou a ser desesperadora. Restava às forças do Eixo tentar o assalto direto. Assalto, sem dúvida, que teria êxito. Então, um evento veio alterar fundamentalmente os planos. Rommel, no Cirenaica avança vitoriosamente. Por conseqüência, Hitler considerou a situação da África do Norte e do Mediterrâneo completamente solucionada. De imediato, a operação Malta começou a ser relegada.

Mars tarde, durante os primeiros dias de julho, a situação na frente egípcia, estabilizada em El Alamein, Hitler resolveu reter a divisão Folgore, que formava Parte do corpo expedicionário para Malta. A 27 de julho, a operação Malta foi considerada sem efeito e seu comando dissolvido.

Posteriormente, quando a situação da África sofreu uma considerável reviravolta, o Eixo compreendeu o erro cometido. Compreendeu muito tarde, já que Malta fora e era o ponto chave do Mediterrâneo.

Operação Pedestal

O fracasso dos comboios enviados a Malta em junho de 1942 convenceu o Almirantado da necessidade de fazê-los acompanhar por uma forte escolta. Para isso foram destacadas, no Mediterrâneo, poderosas unidades da Frota Metropolitana britânica. Esta operação, destinada a possibilitar a chegada a Malta de suficientes abastecimentos, recebeu a denominação em código de "Pedestal".

No dia 9 de agosto penetrou no Mediterrâneo uma frota integrada pelos encouraçados Nelson e Rodney, e os porta-aviões Furious, Eagle e indomitable, sete cruzadores e trinta e dois destróieres. Dois dias mais tarde, no dia 12 de agosto, a poderosa frota zarpou do porto de Argel e rumou para Malta, escoltando catorze barcos mercantes carregados de abastecimentos. Nesse mesmo dia os ingleses tiveram seu primeiro contratempo, ao ser afundado o porta-aviões Eagle por um submarino alemão. A frota, apesar disso, prosseguiu adiante em sua missão. No dia seguinte os aviões alemães e italianos com base na Sardenha e Sicília iniciaram uma série de violentos ataques contra os navios ingleses, afundando um destróier e um navio mercante. O Indomitable, por seu lado, sofreu sérias avarias. Ao cair da noite, os alemães e italianos lançaram ao ataque seus submarinos e lanchas torpedeiras. Conseguiram afundar dessa maneira sete barcos mercantes e dois cruzadores, danificando outros cinco navios entre os quais estava um petroleiro norte-americano, cuja carga era vital para a defesa da ilha. Na manhã do dia 13, a Luftwaffe repetiu seus ataques, com fúria violenta e crescente. O comboio, finalmente, aproximou-se da ilha e foi protegido pelos caças da defesa destacados em Malta. Conseguiram assim entrar no porto quatro navios mercantes e, além disso, o petroleiro norte-americano, que foi rebocado. Apesar das perdas sofridas, a operação havia alcançado o pleno êxito.

Números da Guerra de Malta

Alarmas

2 537

Mortos

1 183

Feridos

1 263

Edifícios destruídos

18 498

Em um ano a aviação inimiga lançou

12 000 ton.

O poder ofensivo da ilha de Malta se resumiu em:

1º - Em sua estratégia localização

2º - Pelo extraordinário espírito de sacrifício das tripulações da RAF, que comandavam um pequeno número de aviões Glenn Martin, Blenheim, Beaufort e Wellington.

As tripulações da RAF tiveram perdas, que oscilaram entre 25 e 30 por cento de seus efetivos em cada missão e afundaram em poucos meses, durante o ano de 1941, mais da metade da tonelagem mercante italiana e alemã que operava no Mediterrâneo.

Perdas do Eixo durante junho, julho e agosto de 1941.

Junho

Toneladas afundadas

45 000

Toneladas avariadas seriamente

25 000

Toneladas avariadas

25 000

Julho

Toneladas afundadas

80 000

Toneladas avariadas seriamente

65 000

Toneladas avariadas

25 000

Agosto

Toneladas afundadas

120 000

Toneladas avariadas seriamente

30 000

Toneladas avariadas

25 000


 


Última alteração em 08-29-2006 @ 04:43 pm

[ Envie esta História para um amigo! ]

 
Comentar
Comentar
Veja mais
Veja mais
Perfil do usuário colaborador
Perfil do usuário colaborador
Envie uma Mensagem Privada
Envie uma Mensagem Privada