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A Análise do Terreno
Inserido por: Piero
Em: 08-29-2006 @ 04:51 pm
 

 
Curriculum 
Vitae

 

 

 

Autor: * Dr.Dal Piero

 

"Atravessar água, subir por uma ladeira ou ir contra a corrente de um rio, acampar em terreno mortal ou de frente para florestas são igualmente
dignos de nota porque não levam à vitória."

Sun Tzu

A análise correta e precisa do terreno é onde reside o sucesso e o fracasso do estrategista, a compreensão das máximas de Sun Tzu nos mostram a importância que esse assunto representa. Compreender os tipos de terreno é a maior responsabilidade de um comandante, e é crucial examiná-las a fundo.

Alguns terrenos são facilmente transitáveis, outros te retêm, outros ainda são favoráveis à formação de barreiras; alguns são estreitos, outros, íngremes descampados.

Quando ambos os lados podem ir e vir, diz-se que o terreno é facilmente transitável. Quando o terreno é facilmente transitável, assume a tua posição primeiro, escolhendo o lado mais ensolarado, de fácil acesso a rotas de suprimento, para vantagem na batalha.

Quando podes ir, mas a volta te é penosa, diz-se que fica retido. Neste tipo de terreno, se o adversário estiver despreparado, poderás impor-te se prosseguires em teu intento; mas se o inimigo estiver preparado, se prosseguires em teu intento e não fores bem-sucedido, o retorno te será difícil, para a tua desvantagem.

Quando os dois lados têm dificuldades de prosseguir, o terreno é chamado de terreno de barreira. Num terreno de barreira, ainda que o oponente te ofereça uma vantagem, não a aceites - retira-te, atraindo o inimigo, e então ataca, para a tua vantagem.

Num terreno estreito, se chegares primeiro, ocupa-o por inteiro e aguarda o oponente. Se o inimigo chegar lá primeiro e se guarnecer os pontos de estreitamento, não o persigas. Persegue-o se ele não ocupar esses pontos.

Em terreno íngreme, se chegares primeiro, ocupa o lado mais elevado e ensolarado, e aguarda o adversário.

Em terreno descampado, a força do ímpeto está equilibrada e é difícil lançar um desafio, e desvantajoso lutar.

Clausewitz sugere que a relação entre guerra, geografia e terreno pode ser vista, senão como as mais importantes, pelo menos como a peculiaridade mais notável da atitude militar. Esta relação é permanente. Os atos de guerra ocorrem em locais específicos. Isto faz com que o terreno seja da maior importância, uma vez que ele condiciona todos os outros fatores, e algumas vezes os altera completamente. Somos forçados a levar em conta as menores características do terreno, bem como as características mais evidentes de grandes áreas geográficas.

Embora ambos os lados tenham, geralmente, de enfrentar as mesmas dificuldades de terreno, aquele com habilidade e talento superiores pode transformar estas dificuldades em uma vantagem para si.

Uma igualdade de dificuldades, além do mais, existe apenas em teoria, pois, de modo geral, um dos oponentes, geralmente aquele que se encontra na defensiva, está mais familiarizado com o terreno do que o outro.''

Vejamos um caso ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial em Viborg, a sudoeste da linha defensiva finlandesa. Ponto vital, por onde cruza a estrada que liga Leningrado a Helsinki. A baía de Viborg é um mar de gelo. Os russos, aproveitando a grande espessura da camada sólida que cobre as águas, utilizam-na para deslocar unidades pesadas, inclusive tanques. Ao longe, aparecem algumas ilhas. Sobre uma delas apontando para a baía, poderosos canhões costeiros dominam toda a zona gelada. Tais os elementos que configuraram uma estranha guerra. Aos tiros da artilharia finlandesa, que se repetirão muitas vezes batalhões inteiros são sepultados nas águas.

A primeira ação se realiza quando um batalhão soviético, apoiado por numerosos tanques, cruza a superfície gelada. Os grandes canhões, após a correção de tiros, começam a acertar exatamente na periferia da compacta unidade russa. Aquilo parece não ter sentido. As possantes granadas, disparadas diretamente sobre a formação, causariam baixas consideráveis. Mas os finlandeses não disparam sobre os homens nem sobre os tanques. Disparam ao redor.

Poucos minutos bastam para os russos compreenderem a extensão da tragédia. Mas já é tarde, impossível salvar os seus homens.

O gelo, quebrado em enormes extensões, cede sob o peso formidável dos tanques e estala com estrondo ensurdecedor. Um alarido de terror eleva-se das unidades russas e logo depois se faz o silêncio. Sobre a superfície gelada da baia, agora quebrada em mil pedaços, restam homens dispersos. Aqui e ali, aferrando-se penosamente ao que flutua ao seu alcance. Tudo o mais, tanques, canhões, artilharia, cavalos e homens, jaz no fundo das águas geladas.

A influência do terreno, "que condiciona todos os outros fatores e algumas vezes os altera completamente", tem sido de importância por toda a História Militar. Os métodos que proporcionaram a Napoleão o seu grande sucesso na Europa Central falharam totalmente na Rússia, em 1812, somente depois que a Guerra dos Bôeres já estava de fato em andamento foi que a Grã-Bretanha percebeu todas as dificuldades apresentadas pelo Teatro de Operações sul-africano,

Embora as características secundárias do terreno tenham sido sempre da maior importância no campo tático, é difícil para nós atualmente, equipados com boas cartas topográficas, compreender as surpresas desagradáveis que os comandantes, antigamente, muitas vezes tinham que enfrentar. O reconhecimento pessoal feito pelo general e pelos seus ajudantes-de-ordens tinha de servir como a base para qualquer decisão, pois apenas ocasionalmente encontrava-se disponível um leve esboço de uma parte do terreno.

Em Leuthen, os planos prussianos foram muito ajudados por um conhecimento profundo do terreno neste local onde Frederico e alguns de seus comandantes subordinados haviam adquirido em manobras durante o período de paz. Em praga, por outro lado, as dificuldades do terreno pantanoso sobre o qual a esquerda prussiana tinha de passar na sua aproximação e desdobramento foram muito maiores do que pareciam ser segundo um reconhecimento ligeiro feito por Schwerin e Winterfeldt, O primeiro ataque da infantaria na esquerda fracassou na maior parte devido a esta desvantagem imprevista.

O Rei censurou-se após a Batalha de Kolin por não haver pessoalmente feito o reconhecimento do terreno na frente e no flanco direito dos austríacos, alvos do ataque principal.

Pode ser dito em sua defesa que tal ação teria atraído prematuramente a atenção dos austríacos para esta região, especialmente porque teria sido necessário primeiro expulsar a cavalaria ligeira austríaca que se encontrava lá estacionada. Na verdade, o Rei havia formado uma impressão falsa daquele pedaço de terreno e não percebera que os austríacos poderiam estender a sua direita até onde de fato o fizeram.

Por má sorte, também, um esboço do terreno, anteriormente feito por um oficial de engenharia, que poderia ter fornecido a informação desejada, não foi encontrado no momento de se tomar a decisão. Embora a Batalha de Kunersdorf tenha sido travada no seu próprio país, uma parte da má sorte que acometeu o Rei foi devida a informações inadequadas quanto ao terreno,

O fato de a Batalha de Bautzen não haver terminado em um extermínio completo dos exércitos aliados é, freqüentemente, atribuído ao movimento lento do Marechal Ney, encarregado do envolvimento da direita inimiga. Ney, entretanto, tinha de atravessar com suas tropas destreinadas o pantanoso Vale Spree, passar através de desfiladeiros entre grandes lagos e desdobrar-se do lado oposto. A natureza do solo que tinha de atravessar ajudou os aliados, uma vez que possuíam excelentes tropas, o que não era o caso de Napoleão, embora ele fosse superior em número.

Tais condições nas batalhas iniciais não puderam ser evitadas, devido ao tipo de cartas de que dispunham. Mesmo em 1866, o Sweipwald, tão importante na Batalha de Koeniggraetz, não aparecia nas cartas prussianas. Esta omissão tornou extremamente difíceis as manobras do Primeiro Exército nesta batalha.

"O comandante na guerra deve atuar em um meio onde seus olhos não podem enxergar; onde seus maiores poderes de dedução não podem sempre penetrar; e onde, devido às mudanças constantes, ele raramente pode ficar totalmente familiarizado." O desenvolvimento do poder da imaginação e de suas várias ramificações é uma parte essencial do treinamento e da educação dos oficiais superiores, tornando-se um requisito indispensável para os chefes de Grandes Unidades distribuídas por uma área considerável. A capacidade de se formar rapidamente quadros mentais precisos de uma situação especialmente importante hoje em dia, quando o escalão superior não pode esperar ver suas tropas com seus próprios olhos. Wellington demonstrou não possuir tal capacidade em Ligny, a 16 de junho de 1815, ao assegurar a Blucher que enviaria ajuda quando, na verdade, os exércitos encontravam-se em tal posição que era impossível qualquer ajuda da sua parte.

Os oficiais devem estar conscientes da importância da geografia para uma visão global do mundo. A Geografia oferece aos estrategistas e aos chefes militares um quadro real e dinâmico da região sujeita ao planejamento, possibilitando, assim, um diagnóstico preciso. Em contrapartida a História nos mostra as ações dos grandes homens, como estes se conduziram na guerra, as causas de suas vitórias e de suas derrotas, assim podemos fugir às responsáveis por estas e imitar as causadoras daquelas.

Os acontecimentos em geral que formam a História percorrem uma elíptica como as órbitas dos cometas, sempre voltam e percorrem o mesmo caminho, a única coisa que muda é a forma como observamos tais movimentos.

 


Última alteração em 08-29-2006 @ 04:51 pm

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