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60 anos da FEB NA Itália - Parte 1
Inserido por: Professor
Em: 11-25-2006 @ 09:55 pm
 

 

60 ANOS DA PARTICIPAÇÃO DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (FEB) NA 2ª GUERRA MUNDIAL – PARTE 1

 

 

Oito de maio de 2005, Dia da Vitória, sessenta anos.

O que será que esta data representa para as novas gerações? Será apenas mais um dia comemorado pelos militares, e por uns poucos estudiosos e saudosistas? Afinal, o que tudo isso tem a ver com eles, com o mundo que conhecem, no qual vivem? E o Brasil, por que cargas d’água foi se meter numa guerra fora das Américas? Qual a razão para mandar brasileiros arriscarem, e alguns perderem, a vida em um teatro de operações europeu?

Tais indagações nos remetem a um outro fato tão preocupante e tão urgentemente prioritário. A cada ano que passa se avolumam as baixas nas colunas restantes da FEB. Nossos valentes e estimados pracinhas que sobreviveram a Segunda Grande Guerra Mundial, que voltaram do front italiano, estão perdendo sua última batalha para o mais incansável, implacável e determinado oponente de todos, o tempo. Não se trata apenas dos últimos alentos de uma geração de valentes e de abnegados soldados e concidadãos, como poucos em nossa história, e mesmo na da humanidade, mas, também, de uma corrida para salvar sua memória, para resgatar e preservar seu ilibado e heróico legado, para que o futuro lhes reserve algo mais do que um mero verbete em uma enciclopédia ou uma curta e sucinta citação em uma página de um livro didático.

Qualquer objetivo que se pretenda alcançar só o será se conhecermos mais detidamente, e mais profundamente, a missão a que nos propomos efetivamente cumprir. Para que se possam cerrar fileiras nesse embate pelo resgate desta parte épica de nossa memória nacional é preciso, primeiramente, saber os “por quês” , os fatos, as condições se época, os cenários interno e externo, as razões de Estado e da política internacional, que fizeram com que trilhássemos os caminhos da belicosidade.

O Estado Novo, instituído por Getúlio Vargas, em 1937, apresentava matizes que nos aproximava mais do cenário das ditaduras nazi-fascistas européias do que o das democracias ocidentais. Isto, porém, não se constitui em uma quase certeza de que o governo brasileiro pendesse para o lado do Eixo – Alemanha, Itália, Japão –, embora mantivesse relações normais com este bloco, igualmente com os Aliados, pois a muitos foge a compreensão de que devido a nossa situação estratégica privilegiada, e de poder de influência na América Latina, realizávamos um metódico e meticuloso jogo de xadrez da diplomacia internacional. Logicamente, havia grupos, dentro do governo central, e em diversos segmentos sociais e institucionais, de “americanófilos” e de “germanófilos”, que incansavelmente disputavam o apoio oficial brasileiro à sua causa, ao seu bloco em guerra. Nesse ponto é bastante esclarecedora, e perspicaz, a seguinte observação:

“Os traços nacionalistas que caracterizavam a Constituição de (19)37, confirmados através de inúmeros decretos e reforçados pela ideologia dos chefes militares, se estendia também às relações internacionais. Por isso, seria falso afirmar que uma adesão clara do governo, até 1940, quer à política dos países do Eixo, quer às exigências norte-americanas. Ambos os blocos tentavam conquistar as simpatias e as preferências de Vargas, através dos seus principais colaboradores, que, é inegável, tinham preferências ideológicas e mesmo procuravam forçar compromissos políticos com os E.U., ou com a Alemanha. Oswaldo Aranha, primeiro embaixador em Washington e depois Ministro do Exterior, desde logo seria conquistado pelos americanos; também Lourival Fontes, chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda. Do outro lado, Francisco Campos, Felinto Müller estimulavam as tentativas da embaixada alemã, faziam vista grossa à propaganda nazista e às organizações das minorias alemã e italiana, cuja atividade, muito sintomaticamente, tinha sido restringida por lei. Góes Monteiro e Dutra oscilavam, mas por razões muito específicas: estavam interessados no bloco que oferecesse melhores condições: equipamentos e armas para o Exército, então em fase de reorganização, e financiamentos para as industrias de base, que almejavam instalar no país.”(1)                                 

A construção da Companhia Sider1úrgica Nacional forçaria a queda-de-braço final, determinando para que lado penderia o fiel da balança. Em uma jogada de mestre Vargas informava, em maio de 1940, ao Departamento de Estado americano que a poderosa Krupp (alemã), se dispusera a construir a usina. Sabendo de que tal aliança levaria, fatalmente, à dependência militar brasileira em relação à Alemanha, o governo norte-americano apresentou uma tentadora contraproposta: empréstimos da ordem de $20 milhões de dólares feitos através do EXIMBANK (banco/instituição semi-oficial) – depois elevados para $ 45 milhões –, além de vantagens adicionais como: incremento do transporte marítimo do carvão – vindo do sul –, e equipamento para a Estrada de Ferro Central do Brasil – transporte do minério de ferro extraído em Minas Gerais. Logicamente que o reaparelhamento das Forças Armadas com equipamento norte-americano de última geração fazia parte do pacote. Em contrapartida o governo brasileiro começou a minar a influencia pró-nazista no governo e na sociedade. O Ministro da Justiça, Francisco Campos, notório “germanófilo”, perdeu o controle do DIP, agora nas mãos de Vargas, o que levou ao fechamento do jornal nazista Meio-Dia e a censura de outros dois, e a proibição, em fins de 1941, de todos os jornais editados em língua estrangeira.

Figura marcante neste momento crucial foi a do Ministro do Exterior, Oswaldo Aranha. Através de uma ação diplomática firme e decisiva, e mesmo, em certos momentos, agressivamente incisiva, anulou, ou minimizou ao máximo, a influência nazista na América do Sul, com destaque para suas atuações junto à Argentina e ao Paraguai; evitando assim a abertura de uma nova frente que colocaria em risco o esforço de guerra aliado. A política continental, norteada pela noção de um panamericanismo unificador, já acertada anos antes na Conferência do Panamá (1939), e endossada na de Havana (1940), se efetiva na Conferência do Rio (1942), na qual Osvaldo Aranha arrebatava a América Latina para o lado das democracias ocidentais.

“A conferência do Rio de Janeiro, de que participavam ministros do exterior dos países americanos, selava também a aliança Vargas-Roosevelt. As conseqüências econômicas e políticas seriam fundamentais: as mais imediatas seriam os acordos de Washington, assinados a 3 de março de 1942, pelo ministro Souza Costa, representante de Vargas. O Brasil concedia permissão aos americanos para utilizar, em colaboração com tropas brasileiras, o Nordeste como base de defesa aérea e naval, desde Fortaleza até Salvador.”(2)[2]

Economicamente, foram eliminadas as companhias aéreas Condor (alemã) e Lati (italiana) – em troca o governo brasileiro receberia $ 200 milhões de dólares em armamento. Criou-se a Cia. Vale do Rio Doce – através de concessões de Companhias (Itabira Iron Company) e de outros negócios estrangeiros (principalmente ingleses) no Brasil (ferrovia Minas-Vitória), e de empréstimos –, que passou a fornecer milhares de toneladas de minério de ferro (750.000) para americanos e ingleses. Borracha, cacau e café também entraram na pauta dos negócios acertados, incrementados com financiamentos – do EXIMBANK – para sua exploração.

Estava, pois montado o cenário para que fossem criadas as condições necessárias para que o Brasil deixasse sua posição de neutralidade e de paciente barganha diplomática e assumisse uma posição clara, e participativa, na guerra que desde 1939 incendiava o mundo. Seguindo os princípios do panamericanismo, mesmo que em alguns momentos não assumidos de público pelo governo brasileiro – discurso de Vargas a bordo do “Minas Gerais” (outubro de 1939), sucesso da Blitzkrieg na França e eminente colapso das democracias ocidentais (aliados) –, de mutualidade entre os signatários, e de acordo com a nova direção / orientação assumida pela nossa política externa, passamos tanto a execrar e condenar qualquer nação estrangeira que cometesse atos de beligerância que comprometesse os interesses e a soberania das nações das Américas – ataque japonês a base estadunidense de Pearl Harbour, 07 de dezembro de 19141 – como também a fornecer ajuda material  e suporte político às mesmas. Desde então tal atitude / postura passou a ser encarada pelos países do Eixo, especialmente pela Alemanha, algo mais do que um revés nas suas pretensões político-estratégicas no continente latino-americano, tornara-se uma provocação, um verdadeiro estado de guerra não declarado. Assim, a amálgama da evolução dos acontecimentos – internos e externos – e dos fatores / motivações políticos e econômicos (estruturais), chegamos ao motivo / razão imediato ou aparente (conjunturais), e seus desdobramentos, que levou, fatalmente, a nossa entrada no conflito ao lado dos Aliados, ou seja, o torpedeamento dos navios da nossa Marinha Mercante.

“(...) No dia 15 de janeiro de 1942, reúnem-se as nações americanas no Rio de Janeiro decidindo romper as relações diplomáticas com as potências do Eixo. Um mês depois, ou exatamente a 4 de fevereiro, o navio brasileiro “Cabedelo”, com a tripulação composta de 54 homens, desaparece misteriosamente, no decorrer de uma viagem da Filadélfia para o Brasil. Logo se atribuiu seu desaparecimento a uma ação dos submarinos do Eixo, o que veio a ser comprovado, pois nos dias seguintes, quatro navios brasileiros forma torpedeados nas costas norte-americanas, dentro dos limites da zona de segurança estabelecidos pelas nações panamericanas na Conferência do Panamá. As embarcações afundadas foram o “Buarque” (16/2), o “Olinda” (18/2), o “Arabuta” (7/3) e o “Cairu” (9/3), sendo que com este último encontraram a morte 6 passageiros e 47 tripulantes.

Ora porque atacaram os alemães embarcações brasileiras? Porque à altura dos acontecimentos o Brasil possuía uma marinha mercante que, sem se comparar àquelas das potências mundiais, era uma das mais numerosas e bem equipadas, podendo assim desempenhar importante papel no capítulo de abastecimento para os países beligerantes. Esta marinha mantinha contato comercial permanente com os E.U.A. e nada mais desinteressante para as potências do Eixo do que o envio sistemático por parte do Brasil de materiais estratégicos. Não aprece estivesse a Alemanha interessada na entrada do Brasil na guerra como adversário seu. O que realmente parece é que o governo nazista esperava intimidar os brasileiros como já fizera com povos de várias nações européias, supondo que a flutuação da nossa política exterior, aliado ao fato de termos um governo de exceção, fizesse com que nosso país se submetesse. Em maio, junho e julho, mais 8 embarcações foram postas a pique na região costeira do Haiti e Porto Rico. Começava a esboçar-se uma reação patriótica em nosso país. Os jornais pressionavam o governo no sentido que este tomasse uma iniciativa destinada a pôr fim àqueles abusos de uma potência para a qual só tinha sentido as soluções de força. Foi quando a situação atingiu seu clímax. No dia 15 de agosto de 1942, quando navegava de Salvador para Maceió, conduzindo 73 tripulantes e 233 passageiros, o “Baependi”, a apenas quinze ou vinte milhas da costa, foi atingido por uma carga de torpedos que o pôs a pique em poucos instantes. 270 brasileiros morreram em decorrência deste atentado. Logo em seguida, no mesmo dia, foi afundado o “Araraquara”, com 131 mortos. No dia 16, o “Aníbal Benévolo”, no dia 17 o “Itagiba”, a 18 o “Araras”, totalizando 607 mortos. A consciência nacional despertou de vez. Longe de amedrontar-se, recordando talvez as orgulhosas posições do Imperador Pedro II diante de situações semelhantes, o povo, liderado pelos estudantes, saiu às ruas exigindo a entrada do Brasil na guerra.”(3)[3]

Logicamente que o Getúlio Vargas apressou-se em tomar a frente, a ponta de lança das manifestações populares que se avolumavam, varriam e congraçavam o país, buscando capitalizar para o seu governo todos os possíveis dividendos – políticos, econômicos, sociais – que a então presente situação lhe descortinava.

  Apesar de pouco difundido, é notório que havia uma expressiva, bem organizada e atuante rede de espionagem do Eixo entre nós. Para alemães – mais atuantes - e italianos, suas células organizacionais centravam-se, principalmente, nas suas colônias no sul do Brasil, enquanto que os japoneses aqui radicados prestavam idêntico serviço de informações – principalmente pescadores, através da organização intitulada Dragão Negro. A caça a “Quinta Coluna”, a prisão dos seus elementos e o desmantelamento das suas ações passou a ser uma das grandes preocupações da defesa interna. Neste particular há de se louvar os cuidados observados pelo governo brasileiro para preservar, pelo menos, a integridade física dos milhares de pacíficos imigrantes alemães, italianos e japoneses – e de seus descendentes aqui nascidos, brasileiros, portanto –, que não tinham quaisquer ligações com o estado de beligerância entre sua nova pátria e sua terra de origem – ou de seus ancestrais –, fazendo jus a sua importante contribuição para o progresso da nação, evitando assim a proliferação de atos racistas e de vandalismos que colocariam em xeque a ordem pública e institucional.

Através do Ministério das Relações Exteriores, em 21 de agosto de 1942, foi encaminhado aos governos da Itália e da Alemanha documento que se tornaria a nossa Declaração de Guerra aos países do Eixo.

“Senhor Ministro

A orientação pacifista da política internacional do Brasil manteve-o, até agora, afastado do conflito em que se debatem quase todas as nações, inclusive deste hemisfério.

Apesar das declarações de solidariedade americana, votadas na Oitava Conferência Internacional de Lima, e na Primeira, Segunda e Terceira reuniões de Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, efetuadas, respectivamente, no Panamá, 1939, em Havana, 1940, e no Rio de Janeiro, 1942, não variou o Governo Brasileiro de atitude, embora houvesse sido, insolitamente, agredido o território dos Estados Unidos da América, por força do Japão, seguindo-se o estado de guerra entre a República irmã e o Império agressor, a Alemanha e a Itália.

Entretanto, a declaração XV da Segunda daquelas reuniões, consagrada pelos votos de todos os Estados da América, estabelece:

“Que todo atentado de um Estado não americano contra a integridade ou a inviolabilidade de território e contra a soberania ou independência política de um Estado americano será considerado como um ato de agressão contra os Estados que assinaram esta Declaração”.

Conseqüentemente, o atentado contra a integridade do território e a soberania dos Estados Unidos deveria ser considerada como um ato de agressão contra o Brasil, determinando a nossa participação no conflito e não a simples declaração de solidariedade com o agredido, seguida, algum tempo depois, da interrupção das relações diplomáticas com os Estados agressores.

Sem consideração para com essa atitude pacífica do Brasil, e sob o pretexto de que precisava fazer guerra total à grande nação americana, a Itália (Alemanha) atacou e afundou, sem prévio aviso, diversas unidades navais mercantes brasileiras, que faziam viagens, de comércio, navegando dentro dos limites do “Mar Continental”, fixados na Declaração XV de Panamá.

A esses atos de hostilidade, limitamo-nos a opor protestos diplomáticos tendentes a obter satisfações e justa indenização, reafirmando porém nesses documentos nossos propósitos de manter o estado de paz.

Maior prova não era possível da tolerância do Brasil e de suas intenções pacíficas.

Ocorre, porém, que agora, com flagrante infração das normas do Direito Internacional e dos mais comezinhos princípios de humanidade, foram atacados, na costa brasileira, viajando em cabotagem, os vapores “Baependi” e “Aníbal Benévolo” (do Lloyd Brasileiro, patrimônio nacional), o “Araras” e o “Araraquara” (do Lloyd Nacional S.A.) e o “Itagiba” (da Cia. Navegação Costeira), que transportavam passageiros, militares e civis, e mercadorias, para portos do Norte do país.

Não há como negar que a Itália (Alemanha) praticou contra o Brasil atos de guerra, criando uma situação de beligerância que somos forçados a reconhecer na defesa da nossa dignidade, da nossa soberania e da nossa segurança e da América.

Em nome do Governo Brasileiro, peço, Senhor Ministro, se digne Vossa Excelência levar esta declaração ao conhecimento do Governo italiano (alemão) para os devidos efeitos.

Aproveito a oportunidade para renovar a V. Excelência os protestos da minha alta consideração.

 

 

Oswaldo Aranha

Ministro das Relações

Exteriores do Brasil”(4)[4]

Convencionou-se adotar a data de 22 de agosto de 1942 como a da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial; seguida pelo estado de guerra (31 de agosto de 1942) contra a Alemanha e a Itália. Em setembro, foi criada, pelo governo, a Coordenação da Mobilização Econômica, com a missão de coordenar o funcionamento da economia no contexto de emergência gerado pelo conflito mundial.

Somente nos restava a formação de um contingente de força militares, devidamente treinadas, equipadas e doutrinadas para a “guerra moderna” que se desenrolava nos campos de batalha europeus – e nos demais teatros de operação. Estava para nascer a Força Expedicionária Brasileira, nossa gloriosa FEB. Mesmo a despeito daqueles que consideravam parcas as chances do Brasil entrar em guerra contra o Eixo e, mais ainda, de enviar tropas para lutar na Europa, uma probabilidade tão ínfima como a de uma “cobra fumar”, estávamos a caminho, pela primeira vez na nossa história de Estado independente e soberano, de enviar um tão grande número de tropas para lutar em outro continente. Tamanha responsabilidade com a organização e os preparativos foi dividida com os Estados Unidos da América, nosso elo de ligação com a causa dos Aliados.

“Iniciaram-se então as conversações sobre o envio de um contingente brasileiro à frente de combate. A formação de uma força expedicionária correspondia a um duplo projeto político de Vargas: de um lado, fortalecer as Forças Armadas brasileiras internamente e aos olhos dos vizinhos do Cone Sul, em especial a Argentina, e com isso garantir a continuação do apoio militar ao regime do Estado Novo; de outro lado, assegurar uma posição de significativa importância para o Brasil no cenário internacional, na qualidade de aliado especial dos Estados Unidos. Entretanto, as vitórias aliadas no norte da África, em novembro de 1942, reduziram consideravelmente a importância estratégica do Nordeste do Brasil e, por extensão, as possibilidades de reequipamento das Forças Armadas brasileiras. Preocupado, Vargas insistiu com o presidente norte-americano Franklin Roosevelt, quando este visitou Natal em janeiro de 1943, no fornecimento do material bélico prometido pelos Estados Unidos e no interesse brasileiro em tomar parte ativa nos combates. Com a concordância de Washington, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi finalmente estruturada em agosto de 1943. Para seu comando foi convidado o general Mascarenhas de Morais.

Da criação da FEB até o embarque do 1° Escalão para a Itália transcorreu quase um ano. Nesse período, dedicado à preparação e treinamento das tropas, inúmeros foram os desencontros entre Brasil e Estados Unidos, desde os relativos à liberação do equipamento militar necessário para a atuação das forças brasileiras, até os decorrentes da ausência de uma definição quanto à área de atuação da FEB. Finalmente liberados os armamentos norte-americanos de que o Brasil necessitava no início de 1944, e superada a resistência britânica à presença de uma força brasileira no Mediterrâneo, o primeiro contingente de tropas brasileiras embarcou em 30 de junho de 1944, rumo à Itália. Ao longo dos oito meses seguintes, outros quatro escalões seguiram para o teatro de operações. Também a FAB se fez representar com um grupo de aviação de caça e uma esquadrilha de ligação e observação.

O envio da FEB e da FAB ao teatro de operações veio coroar um processo que se iniciara quase quatro anos antes, mas constituiu também o ponto de partida de uma nova etapa, qual seja, a da busca, por parte do governo brasileiro, de participação nos arranjos do pós-guerra que iriam definir uma nova ordem mundial.”(5)[5]

No Nordeste brasileiro, ponto estratégico devido a sua proximidade com a África do Norte, e na defesa do Canal do Panamá, foram instaladas, conjuntamente com unidades militares locais, instalações norte-americanas para assegurar a defesa do Atlântico Sul, e como base de operações para incursões contra posições do Eixo durante a Operação Torch (Tocha) – Norte da África. Formou-se assim o U.S.A.F.S.A. (United States Armed Forces South Atlantic), com Quartel-General no Recife, grupamento que também dispunha de unidades aéreas e navais de outros países, chefiado pelo Vice-Almirante Jonas Howard Ingram (Comandante das USAFSA) e o General Robert L. Walsh (Comandante da Ala Sul dos Transportes Aéreos). Bases aéreas como a de Parnamirim, em Natal (O Trampolim da Vitória), e a de Ibura, em Recife, além de aeroportos em Salvador e na região Norte (borracha), e portos utilizados na campanha anti-submarina, foram decisivas para o esforço de guerra Aliado. Tais operações de busca e de destruição da ameaça ao comércio marítimo aliado representado pelos sorrateiros U-Boat (submarinos) alemães, e de defesa de pontos estratégicos do litoral brasileiro, e da subárea do Atlântico Sul, compreendida entre Dacar na África do Norte e Natal no Brasil, mesmo até Salvador, eram de responsabilidade, desde 1942, da 4ª Esquadra Norte-Americana / Força Tarefa 3. 

A ação conjunta de forças brasileiras e norte-americanas era coordenada pela Comissão Mista de Defesa Brasil-Estados Unidos (Joint Brazil-United States Defense Comission), resultante do Acordo de 23 de maio de 1942, regulando não apenas aspectos militares e econômicos das relações entre os dois países, como também encarregada de zelar pela defesa do continente americano.

“(...)Também se reafirmava a resolução, aprovada na Terceira Reunião de Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, de que a cooperação, para a proteção de ambos os países e do continente, deveria continuar até que desaparecessem os efeitos do conflito.

Para a execução de do Acordo seriam constituídas duas comissões mistas brasileiro-americanas, uma com sede nos Estados Unidos e outra no Brasil, compostas de representantes do Exército, da Marinha e das Forças Aéreas dos dois paises. Cabia a essas comissões elaborar planos minuciosos e estabelecer, entre os estados-maiores, acordos destinados à defesa mútua. Constariam desses planos, além de outros assuntos, as atribuições do comando das operações e, de um modo geral, as responsabilidades de cada parte contratante nos teatros de operações que se viessem a criar. A elas caberia, no caso de se modificar a situação estratégica, recomendar aos dois governos as alterações a introduzir nos planos aprovados e as medidas a executar, para garantir-lhes o êxito.”(6)[6]

Cessão de instalações aéreas e navais necessárias à defesa conjunta e ao esforço de guerra comum, entre outras franquias, como trânsito de tropas norte-americanas e construção de depósitos para material e alojamento para pessoal, complementavam o acordo. Porém, é importante reforçar que tropas dos Estados Unidos somente poderiam atuar e se estabelecer em território nacional em caso de sofrermos ataque de forças extracontinentais, e na constatação de ameaça de ataque; sendo que, em ambos os casos, mediante solicitação do governo brasileiro e com subordinação ao Comando local. Em casos especiais, previa-se o deslocamento de forças militares para a defesa de outros pontos do continente, desde que não comprometessem a defesa militar brasileira.

O plano original previa a formação, e o envio, de três Divisões de Infantaria Expedicionárias, as quais ainda deveriam passar por mais uma etapa complementar de treinamento e de familiarização com o uso dos novos equipamentos norte-americanos, fora do território brasileiro, antes de entrarem efetivamente em combate. Como sabemos somente uma Divisão do Exército Brasileiro se fez presente na Campanha Italiana, lutando com bravura e determinação ao lado das demais unidades, de vários países, que compunham o 5º Exército Aliado. Relatos de oficiais que viveram este período febril, que precedeu ao embarque da FEB para a Itália, como os do Marechal M. Poppe de Figueiredo, então Major e Chefe da 2ª Seção do Estado-Maior Regional da 7ª RM (AL,PE,PB,RN,CE,MA,PI,Fernando de Noronha) / 3ª D.I.E., nos dão a clara noção do clima de total prontidão e de pleno engajamento nos exercícios e simulações que se procediam, cada vez mais aprimorados, inclusive com ordem do Comandante local – General Newton Cavalcante, substituto do General João Batista Mascarenhas de Moraes – para que todos os militares – do General ao soldado – usassem permanentemente o seu equipamento de campanha – inclusive o cantil –, para tornar este um procedimento rotineiro, uma ambientação, pois logo o fariam nas operações na Europa, atestando a seriedade do treinamento e o desejo de lutar dos nossos combatentes.    

“Havia muito, o Gen. Walsh mantinha contatos com o General Newton, servindo eu como intérprete. No início de 1944, em uma dessas entrevistas, em nosso Quartel-General, a 3ª Divisão Expedicionária já estando em condições de embarcar, foram considerados, em um primeiro exame, os problemas referentes ao transporte da tropa até perto da África do Norte, onde receberia armamento e equipamento, fornecidos pelos nossos aliados norte-americanos. Tudo dependia de decisão do governo brasileiro.

Todos nós esperávamos com ansiedade por essa decisão. A 1ª D.I.E., comandada pelo Gen. Mascarenhas de Moraes, também se preparava no Rio. Eis que, certo dia – negro para todos nós –, ao passar para texto claro longo rádio cifrado do Ministro Eurico Dutra, recebo o impacto terrível de que não mais iríamos à guerra, pois determinava o Ministro que fossem embarcados para o Rio os especialistas que havíamos formado, a duras penas – lembro-me bem do número, cerca de setecentos. Iam integrar a 1ª D.I.E. A razão, pudemos sabê-lo mais tarde, era de natureza financeira: o Brasil cooperaria no esforço de guerra dos Aliados com uma Divisão de Infantaria, em vez d[7]e três.”(7)

No âmbito governamental, os preparativos para a correta instrução e aparelhamento da FEB, e o seu posterior deslocamento para os campos de batalha de além-mar, faziam, também, afora o contexto estritamente militar, parte tanto da política interna – mobilização nacional – como da política externa – relacionamento com os Aliados –, ou seja, inseria-se na estratégia de Getulio Vargas de tornar nossa participação na Segunda Guerra Mundial um importante, e determinante, “cacife” a ser colocado nas futuras mesas de negociação do mundo pós-guerra; e mesmo de aprofundá-la naquele distinto e singular momento. Hábil político, Vargas conseguiu encarnar o sentimento popular e externá-lo de maneira ímpar e grandiosa, exímio orador colocou-se como a voz da defesa da brasilidade e simbolizando a figura do grande líder que resgataria a dignidade de uma pátria amante da paz – injustamente agredida por uma potência estrangeira. Dessa maneira crescia a identificação entre a FEB e cada um dos seus concidadãos, não havendo para tanto oposição de quaisquer barreiras sócio-políticas-econômicas-culturais, nem limitação geográfica, pois em cada rincão deste imenso país-continente prevalecia uma quase que unanimidade sobre o valor e a missão dos nossos pracinhas; mesmo entre aqueles que por motivos e / ou convicções diversas desdenhavam a participação do Brasil “em uma guerra que não era nossa” – como alguns afirmavam na época –, ou que então temiam por uma grande, e desumana, mortandade de militares brasileiros distantes do solo pátrio.

“Vencendo laboriosamente as difíceis etapas de organização, só um ano depois, seja, a 31 de dezembro de 1943, o presidente pôde anunciar que:“O ano próximo virá encontrar-nos em tarefas árduas e de séria responsabilidade. Pela primeira vez soldados brasileiros pisarão o solo de outros continentes para tomar parte em operações de guerra.”

A 20 de maio (1944), o presidente assiste às manobras do primeiro contingente, no campo de Gericinó, no Rio de Janeiro. Vargas aproveita a oportunidade para acentuar a necessidade da industrialização nacional, fator decisivo das guerras modernas. Dias depois, o contingente desfilou na avenida Rio Branco, sob aplausos de grande multidão. “Chegou a hora de honrar a pátria”, proclamou o presidente em discurso de intensa vibração, “a pátria tudo espera de vós, e orgulha-se de vossa coragem consciente, de vossa dedicação. Que a benção de Deus vos acompanhe, como vos acompanham nossos espíritos e os nossos corações, até o regresso, com a vitória.”

Essas palavras eram as do povo. (...)”(8)[8]

O reequipamento das nossas forças navais de combate beneficiou-se da Lei de Empréstimos e Arrendamentos (Lend-Lease), firmada com os Estados Unidos, dotando a Marinha de Guerra – Esquadra – de embarcações modernas, e de várias classes e empregos diversos. No tocante a Marinha Mercante, o governo, através do Decreto-lei nº 4.611, de 24 de agosto de 1942, determinou a incorporação de navios de nacionalidade alemã, italiana e dinamarquesa (ocupação alemã), que passariam a usar a bandeira brasileira, reforçando a frota nacional seriamente comprometida, e sacrificada, com os torpedeamentos, e afundamentos, de que fomos vítimas da campanha submarina do Eixo no Atlântico; o fretamento de unidades mercantes (vapores) norte-americanas complementaram nosso reaparelhamento.

Antes de enviar a FEB para os teatros de operação extracontinentais, havia que se vencer uma certa indecisão aliada (norte-americana) de como, quando e onde, se assim o fosse decido, empregar as tropas brasileiras. Criada pela Portaria Ministerial nº 47-44, de 09 de agosto de 1943, contando somente com a 1ª D.I.E., nossa Força Expedicionária ainda teria de receber o aval dos Aliados, um voto de confiança, para efetivamente se engajar na guerra que já há quatro anos vinha destruindo o mundo.

“Dias depois da resposta de Mascarenhas (Comandante da 1ª D.I.E.), O General Dutra (Ministro da Guerra) parte para os Estados Unidos, em longa viagem de inspeção às instalações militares norte-americanas, lá permanecendo mais de um mês.

Em sua visita é assinada a Recomendação nº 16 que confirmava os entendimentos feitos no Rio de Janeiro, quando da reunião das duas Comissões Mistas (Washington e Rio de Janeiro), relativos ao envio de oficiais brasileiros, pertencentes ao Corpo Expedicionário, para estagiar nos Estados Unidos.

Iniciam-se, assim, os primeiros preparativos para a constituição do Corpo Expedicionário.“Os derradeiros meses de 1943 foram vividos pela Divisão brasileira num ambiente de transformações de efetivos e de seleção física. Contundo, ao encerrar-se o ano, a organização da FEB permanecia em fase embrionária”(Mascarenhas de Moraes)

Apesar dessas primeiras providências, ainda parecia, para ambos os governos, um pouco duvidosa a nossa participação na luta.”(9)[9]

Um ponto fundamental deste impasse, quanto ao envio de efetivos militares brasileiros, era de natureza puramente logística. Os Aliados enfrentavam, então, uma séria, e preocupante, carência de embarcações (navais) de transporte e de desembarque de tropas e equipamentos (LST, LCT, LCVP), tendo também que, ao mesmo tempo, estabelecer rígidos critérios para a distribuição, e utilização, destes limitados recursos tão urgentemente necessários em mais de um dos teatros de operações. Há que se lembrar que a guerra não se desenrolava tão somente em território europeu, onde tais equipamentos eram vitais para a colocação de unidades combatentes nos litorais ocupados por alemães e italianos – planejamento dos futuros desembarques na África do Norte, na Sicília e na Itália, além dos gigantescos preparativos para a operação Overlord (Normandia). Os japoneses haviam formado uma complexa e extensa linha (perímetro) defensiva em boa parte do Oceano Pacífico, estabelecendo fortes bases – aéreas e navais – em um grande número de ilhas, o que lhes proporcionava manter a possibilidade de novas surtidas contra territórios e posições aliadas na área – inclusive uma constante ameaça contra a Austrália –, provocando um onipresente estado de alerta, fato que necessitava de uma efetiva campanha que os desalojasse dos seus quartéis; aliviando assim a pressão exercida nas forças aliadas lá estacionadas e, em um segundo momento, propiciando o desmantelamento do “anel protetor” que garantia o abastecimento do Império do Sol Nascente e abrindo caminho para o seu posterior ataque. Seria uma campanha de conquista de ilha por ilha, na qual havia a necessidade de manutenção de grandes unidades navais de transporte e de desembarque de tropas e de equipamentos tiveram papel primordial, e decisivo, para o êxito das operações anfíbias. Este panorama é bem situado na correspondência entre o Conselheiro de Relações Políticas, do Departamento de Estado norte-americano, Laurence Duggan, e o Embaixador Caffery – que inclusive acompanhara as conversações confidenciais entre Vargas e Roosevelt durante a Conferência de Natal (28/01/1943) sobre o envio de tropas brasileiras além mar –, relatando conversa com Philip Bonsal, Chefe da Divisão das Repúblicas Americanas, datada de 08 de outubro de 1943.

“Prezado Senhor Caffery:

O Phil Bonsal e eu conversamos hoje demoradamente com o Coronel Hertford sobre a possibilidade do Brasil enviar tropas às zonas de combate na Europa.

O seu telegrama afirmando que o projeto fora aprovado em princípio, e as declarações do General Dutra quando aqui esteve, parecem uma clara indicação de que o Brasil gostaria de enviar tropas. A questão é quando e em que condições. O general Dutra disse ao General Marshall que gostaria de mandar três divisões no próximo verão, todas formando uma força expedicionária. Do ponto de vista brasileiro, pode-se ver muitas razões que indicam que esse seria o melhor método. Existem, porém, inúmeras dificuldades do ponto de vista do Departamento de Guerra, uma das quais parece intransponível. A dificuldade principal é a impossibilidade de se conseguir meios de transporte marítimo para levar, de uma só vez, três divisões completamente aparelhadas. Isso representa uma operação de larga escala que reclamaria o desvio de um número excessivo de navios. O Departamento de Guerra, cujo programa de transportes marítimos foi assentado com um ano de antecedência, talvez poderia transportar uma divisão em dezembro ou em princípios do ano vindouro, e outra na primavera. Essas divisões receberiam três meses de intenso treinamento na África do Norte a fim de, ao chegarem às zonas de combate, estarem tão bem preparadas e treinadas quanto as nossas tropas.

Além desse problema de transportes marítimos, que o Departamento de Guerra insiste ser o fator predominante, existe outra consideração que sugere a conveniência do Brasil seguir as indicações do Departamento de Guerra se de fato se interessa em enviar tropas às zonas de combate; i.e., a atual disposição dos nossos chefes militares de empregar tropas brasileiras. O Coronel Hertford informa que o General Eisenhower e o General Clark afirmam que gostariam de receber tropas brasileiras e que poderiam utilizá-las. O General Marshall é a favor. Existe, no entanto, um ambiente propício no Departamento de Guerra, porém, dependendo do progresso da guerra, ele pode se alterar. Por uma ou outra razão, o General Marshall e o General Eisenhower poderão perder o interesse no assunto.

É, portanto, a minha opinião que, se o Brasil acha-se de fato interessado, deverá manifestar o seu interesse agora e aceitar em geral os planos de operações sugeridos pelo Departamento de Guerra.

Os nossos telegramas têm indicado claramente que a utilização de tropas brasileiras necessita de aprovação dos Estados Maiores em Conjunto. Se o projeto tiver forte apoio do General Marshall e do General Eisenhower, a necessária aprovação seria conseguida. O Departamento de Guerra, porém, não deseja apresentar projetos aos Chefes dos Estados Maiores sem ter a certeza de o Brasil realmente deseja enviar tropas às zonas de combate e aceita os planos de operações sugeridos.

Ao apresentar-lhe o resumo acima, não desejo dar a impressão de que achamos que o Brasil deve ser persuadido a enviar tropas, mas antes que, se tal for a decisão do Brasil, seria conveniente se aceitassem o esboço sugerido pelo Departamento de Guerra, e procedessem de acordo com o mesmo, pois do contrário não haverá garantias sobre quando uma força expedicionária brasileira poderá ser transportada.

Sinceramente,

Laurence Duggan”(10)[10]

Estas consultas, iniciadas em princípio de outubro, através da consulta feita pelo Coronel Hertford – representante do Estado-Maior norte-americano junto à Comissão Mista de Defesa Brasil-Estados Unidos – ao Adido Militar junto à Embaixada dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, Coronel Claude M. Adams, sobre a receptividade do governo e do Estado-Maior brasileiro em enviar, para fins de treinamento, ainda em dezembro daquele mesmo ano, uma Divisão para a África do Norte; com posterior envio de uma segunda Divisão. Em 08 de dezembro de 1943, ao invés de uma Divisão, parte, para Argel, uma Comissão Militar Brasileira, acompanhada (assessorada) por alguns militares norte-americanos, chefiada pelo General Mascarenhas de Morais, com o intuito de observar o teatro de operações do Mediterrâneo, estabelecendo os primeiros contatos com o General Eisenhower (Comandante das Forças Aliadas no Mediterrâneo) e o general Giraud (Comandante-em-chefe das Forças Francesas); desloca-se, posteriormente, para Nápoles (Itália). A que se destacar a importante participação, nestes eventos, do Ministro Vasco Leitão da Cunha como elo de ligação diplomática, e facilitador de conversações, entre a missão militar brasileira e os Comandantes aliados, franceses e italianos – e os seus respectivos governos.

 

 

CLEBER ALMEIDA DE OLIVEIRA – PROFESSOR DE HISTÓRIA

DELEGADO AHIMTB – DELEGACIA TENENTE-BRIGADEIRO

NELSON FREIRE LAVENÈRE-WANDERLEY – SANTOS DUMONT – MG

 

 

 



[1] Mota, Carlos Guilherme(org). Brasil em perspectiva. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1988. p.273.

[2] Ibem. p.276.

[3] Ibdem. p.345, 346.

[4] Ibdem. p.346, 347.

[5] FEB – Força Expedicionária Brasileira. O Brasil na guerra. Rio de Janeiro: Portal FEB. Disponível em: <http://raulgraciani.sites.uol.com.br.>. Acesso em: 23 abr. 2005, 17:19:45.

[6] SILVA, Hélio. 1944: O Brasil na Guerra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974. p.105, 106.

[7] FIGUEIREDO, Marechal M. Poppe de. Brasil, um gigante que despertou. Rio de Janeiro: Símbolo. p.183.

[8] QUADROS, Jânio e FRANCO, Afonso Arinos de Melo. História do Povo Brasileiro.  São Paulo: J. Q. Editores Culturais, 1967. p.85.

[9] Opus citatum. SILVA, Hélio. p.216, 217.

[10] Ibdem. p.218, 219.

 


Última alteração em 11-25-2006 @ 09:55 pm

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