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60 anos da FEB NA Itália - Parte 2
Inserido por: Professor
Em: 11-25-2006 @ 10:00 pm
 

 

60 ANOS DA PARTICIPAÇÃO DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (FEB) NA 2ª GUERRA MUNDIAL – PARTE 2

 

 

Desde a invasão da Sicília (Operação Husky), em começos de julho de 1943 –após o termino das operações na África do Norte dois meses antes (Torch) –, seguida pela destituição de Mussolini (25/07) e sua prisão (26/07), e da rendição italiana (08/08) anunciada pelo novo Primeiro-Ministro Marechal Pietro Badoglio,–  o armistício com os Aliados foi assinado em 03 de setembro, quando unidades do 8º Exército atravessaram o Estreito de Messina, desembarcando perto de Reggio –, e a declaração de guerra à Alemanha (01/10), o Alto-Comando alemão, há muito já ciente da fraqueza militar e da possibilidade de defecção dos italianos, já havia traçado planos para a defesa da Itália. Foram estabelecidas várias linhas defensivas (Bárbara, Bernhard – de Inverno –, César, Gótica, Gustav, Hitler), desde o sul da península italiana até a fronteira norte (Áustria), para deter, ou apenas retardar, o avanço aliado; devido ao comprometimento maciço da esmagadora maioria de tropas e recursos do Eixo em outras frentes – principalmente o front russo, e na defesa da Muralha do Atlântico. De forma idêntica, os Aliados armazenavam suprimentos e equipamentos, e concentravam suas melhores tropas para a invasão da Europa, marcada para fins do primeiro semestre de 1944. Como a abertura da frente italiana, de certa forma um tipo de resposta aos insistentes pedidos russos de abertura de uma segunda frente de combate de modo a aliviar a pressão do maciço ataque alemão ao seu território, desviando tropas de outros teatros de operações, inclusive das estacionadas, por exemplo, na França e na Bélgica, o que também enfraqueceria as defesas alemães durante os desembarques do Dia D, e nas subseqüentes operações de libertação da Europa ocupada pelas forças nazistas, havia a necessidade de arregimentar novas unidades militares para a recém-criada zona de guerra. Estava traçado, pelas contingências do conflito, o local de atuação da FEB.

No Brasil, os preparativos para o embarque das unidades da DIE continuam em ritmo acelerado. O estado Maior Especial, criado em 15 de maio de 1944, composto por três oficiais brasileiros do EM Divisionário – entre eles o então Tenente-Coronel Humberto Castelo Branco – e por mais dois membros da Missão Militar Norte-Americana, sendo que a representação da FEB no interior ficou a cargo do Coronel Henrique Lott, e a Supervisão Geral coube ao General Hayes Kroner, tinha por missão planejar, coordenar e executar o embarque dos vários escalões da DIE, assunto tratado como altamente secreto, tanto que até a reunião dos seus elementos no Gabinete do Ministro da Guerra é que se interaram sobre o fim da sua convocação. A organização, e distribuição, dos efetivos, da DIE, foi assim constituída:

“Divisão de Infantaria Divisionária 1ª (1ª DIE)

Foi a parcela combatente da FEB e foi também comandada por Mascarenhas de Moraes. Foi integrada pela Infantaria Divisionária (ID), ao comando do gen. Zenóbio da Costa e composta dos Regimentos de Infantaria – 1º RI (Regimento Sampaio-Rio de Janeiro, ao comando do cel. Aguinaldo Caiado de Castro), 6º RI (Regimento Ipiranga-Caçapava-SP, ao comando do cel. João Segadas Viana, futuro ministro da Guerra 1961-62), 11º RI (Regimento Tiradentes-São João del Rei, ao comando do cel. Delmiro Pereira de Andrade). Comandou ao final da guerra o 6º RI o cel. Nelson de Melo, futuro ministro da Guerra em 1962. O 1º RI teve ação destacada na conquista de Monte Castelo, em 21 de fevereiro de 1945, além de em outras ações. O 6º RI teve papel destacado na conquista de Castelnuovo e rendição em Fornovo, em 29 de abril de 1945, da 148ª Divisão de Infantaria Alemã e de remanescentes da divisão italiana, Itália. O 11º RI teve atuação destacada no combate de Montese, em 14 de março de 1945, além de em outras ações; pela Artilharia Divisionária (AD) ao comando do gen. Cordeiro de Farias e composta dos grupos de Artilharia I-GO-105 (Grupo de São Cristovão-Rio, ao comando do ten.-cel. Levy Cardoso), II-GO-105 (Grupo Monte Bastione, de Campinho-Rio, ao comando do cel. Geraldo da Camino, sendo o primeiro a entrar em ação na Itália), III-GO-105 (Grupo Bandeirantes de Quintaúna, em São Paulo-SP, ao comando do ten.-cel. José de Souza Carvalho, IV-GO-155 (grupo Montese), ao comando do ten.-cel. Hugo Panasco Alvim), 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO da FAB, sob controle operacional da FEB); 9º Batalhão de Engenharia de Combate, de Aquidauana-MT, ao comando do ten.-cel. José Machado Lopes, 1º Batalhão de Saúde de Valença-RJ ao comando do maj. Bonifácio Borba; Esquadrão do Recolhimento, atual Esquadrão ten. Amaro de Valença-RJ, ao comando inicialmente do cap. Franco Ferreira e depois do cap. Plínio Pitaluga – Tropa Especial (Companhia de Transmissões, Companhia de Manutenção Leve, Companhia de Intendência, Companhia do Quartel-General, Banda de Música e, Pelotão de Polícia organizado à base da mobilização de policiais da Guarda Civil de São Paulo). A 1ª DIE foi organizada à base de uma Divisão de Infantaria do Exército dos EUA. Ou seja com 14.254 homens (734 oficiais e 13.520 pracinhas, expressão que passou a denominar os expedicionários brasileiros e que até hoje perdura) e equipado com 66 obuses (54 de 10mm e 12 de 155mm) 144 morteiros (90 de 60mm e 54 de 80mm), 500 metralhadoras (87 submetralhadoras 4,5, 175-30 e 237-50), 11.741 fuzis (5.231 carabinas e 6.510 fuzis todos .30), 1.156 pistolas, 45, 2.387 armas anticarro (13 canhões 37mm e 57 de 57mm, além de 585 lança-rojões 2.36 e 1.632 lança-granadas) e 72 detectores de minas anticarro e máscaras contra gases para todo o efetivo. Possuía 14.358 viaturas motorizadas, das quais 13 carros blindados M8 e cinco de meia-lagarta. Isto permitia à 1ª DIE transportar de uma só vez um terço de seu efetivo, o que ocorreu na perseguição no rio Panaro. Os 47 botes de assalto e passadeiras permitiam à divisão realizar pequenas transposições de cursos d’água. Seus 736 telefones, 42 telégrafos, 592 estações de rádio e 10 aviões Piper Cub de ligação lhe proporcionavam ampla capacidade de observação e ligação. Com esta organização a 1ª DIE tinha possibilidade de atacar numa frente de até 6 Km e defender uma frente de cinco a 10 km, depois de adaptação em montanha que ocorreria na região dos Apeninos. O adestramento da 1ª DIE iniciou no Brasil com apoio em 115 regulamentos americanos (210.874 exemplares) traduzidos e coordenados pelo Estado-Maior da FEB do Interior, que funcionou na Casa de Deodoro e prestou grande concurso à mobilização complexa da FEB sob a chefia do gen. Anor Teixeira dos Santos. Concorreram para este adestramento vários oficiais com estágio no Exército dos EUA. Assim, em 25 de maio de 1944, aniversário da Batalha de Tuiuti, a 1ª DIE desfilou em moldes americanos, ou seja, motorizada, pelas ruas do Rio de Janeiro. (...) A mobilização da 1ª DIE foi tarefa complexa e hercúlea que passou pela convocação de civis, policiais de São Paulo, reservistas de tiros de guerra, operários da fábrica de fechaduras para serem transformados em armeiros, enfermeiras, médicos aproveitados como oficiais de outras especialidades e expressivo número de oficiais de nossos CPOR e NPOR. Houve muita criatividade e adaptabilidade do homem brasileiro às atividades baseadas particularmente na motorização e nas comunicações de rádio, que exigiram muitos especialistas. Enfim foi tornado possível o que era necessário. (...) A DIE refletia na sua composição a predominância dos seguintes contigentes fornecidos pelos estados: Rio de Janeiro (8.036 h); São Paulo (3.889); Minas Gerais (2.947); Rio Grande do Sul (1.880)... Portanto os cariocas e fluminense representaram juntos cerca de 32% da FEB.”(11)[1]

Poucos mais de um mês após o épico desfile militar das tropas no centro do Rio de Janeiro (24/05/1944), tendo sido nossos pracinhas entusiasticamente ovacionados pela multidão e autoridades presentes, em 29 de junho de 1944, o 1º Escalão da FEB – perfazendo um total de 5.081 homens –, juntamente com seu comandante – general Mascarenhas de Moraes –, embarcam no navio de transporte de tropas norte-americano General W. A. Mann. O Presidente Getúlio Vargas, em 30 de junho, acompanhado de oficiais generais brasileiros, inclusive do Ministro da Guerra, e norte-americanos, visita nossos bravos soldados já alojados a bordo do General W. A. Mann, dirigindo-lhes algumas poucas palavras de incentivo e de despedida, mensagem esta que indubitavelmente externava o sentimento da esmagadora maioria dos seus compatriotas. A partida para o teatro de operações europeu, destino apenas conhecido pouco antes do embarque pelo General Mascarenhas de Moraes – notificado pelo General Kroner –, teve início às 06:30 da manhã de 02 de julho de 1944, tendo sido escoltados (comboiados) até Gibraltar por contratorpedeiros brasileiros – Marcílo Dias, Greenhalg e Maria e Barros – e por belonaves da esquadra norte-americana aqui estacionados, de lá foram acompanhados por um comboio de navios norte-americanos e ingleses até Nápoles. Apesar da ansiedade e do desconforto vivenciados durante a travessia do Atlântico, a tranqüilidade e a segurança do comboio foi quebrada apenas por um alerta de atividade de submarinos alemães; que não resultou em ataque a qualquer um dos navios.

A ação diplomática e de representantes militares brasileiros precede ao desembarque das primeiras unidades da FEB a Nápoles, em 16 de julho de 1944. O incansável Embaixador Vasco Leitão da Cunha, em 06 de junho, em Nápoles, estabelece conversações com o Q.G. aliado para que sejam tomadas as medidas necessárias para a chegada das tropas brasileiras, oportunidade na qual ainda conferencia com o representante pessoal do Presidente Roosevelt, Robert Murphy. No campo militar, porém, os desencontros marcaram os acertos finais. A Missão Militar brasileira, composta de oficiais que haviam estado como observadores na Itália, em Argel, desde fins de março daquele ano, foram notificados que os dois escalões da FEB aportariam em breve e receberiam instrução complementar idêntica a das tropas francesas e norte-americanas que haviam passado pelo Norte da África, na área de estacionamento provisório que ficava a menos de 10 quilômetros de Oran. O novo chefe da Missão Militar Brasileira, Coronel João Pinto Pacca, desde início de junho, foi surpreendido no começo de julho com a decisão do Comando Aliado do Mediterrâneo de transferir o desembarque da Divisão Brasileira para Nápoles, concluindo seu treinamento na Itália. Deslocando-se prontamente para o novo ponto de chegada das nossas tropas, inspecionou áreas de estacionamento de tropas (stating areas) encontrando as condições mais favoráveis na de nº 3, em Bagnoli. Solicitou, ainda, a montagem de barracas – piramidais e para praças – e a disponibilização de demais peças de equipamento individual – foi informado que tais solicitações não se faziam necessárias, pois o equipamento já teria sido embarcado no Brasil –; com relação as viaturas que deveriam ser destinadas ao transporte do 1º escalão da 1ª DIE, havia uma prioridade de sua cessão, inclusive das reservas, para a organização do VII Exército, sendo acertado que seriam alocados os meios de transporte necessários próximo a chegada da FEB.

Nestes termos, podia-se antever que o desembarque dos nossos pracinhas na Itália seria marcado pelo desencontro de informações e pela falta de coordenação do Comando Aliado local.

“Desembarcada, no dia 16 de julho, a tropa seguiu a pé para Agnano, a 25 quilômetros de Nápoles, para a área de estacionamento situada em um bosque na cratera de um vulcão extinto, Astronia. O local não estava preparado para recebê-la. Não havia barracas nem cozinhas, pois julgavam que a FEB as trouxesse consigo. (...)”(12)[2]

Nesta “confusão administrativa” nossos soldados foram pegos de surpresa. Em primeiro lugar, não entendiam porque haviam passado por Argel e não tinham desembarcado no campo que havia sido determinado para o seu treinamento complementar. Depois, ao chegarem a Itália, em Nápoles, não receberam nenhuma ajuda operacional – transporte, equipamentos –, desfilando desarmados e com o uniforme com os qual saíram do Brasil – e que em muito se assemelhava com a tonalidade dos uniformes dos infantes do Exército Alemão –, fato este interpretado por moradores locais como se tratando da chegada de um contingente de prisioneiros alemães. Alguns historiadores chegam a falar de uma certa hostilidade dos napolitanos para com as nossas tropas, devido a esta seqüência de mal-entendidos, mas sem confrontamentos; outros negam tal versão e mesmo afirmam ter havido uma recepção calorosa.

Outras unidades foram, posteriormente, enviadas ao front italiano: 2º Escalão (22/09/44) – 5.133 homens; 3º Escalão (22/09/44) – 5.243 homens; 4º Escalão (23/11/44) – 4.722 homens; e o 5º Escalão (08/02/45) – 5.128 homens. 

Passado este momento de “desencontros”, a FEB foi intensamente preparada, e equipada, para os combates que se lhe avizinhavam. Transferido para Tarquínia, a partir de 29 de julho, o 1º Escalão da 1ª DIE foi incorporado, em 05 de agosto, ao 5º Exército norte-americano, sob o comando do General Mark ClarK. Em 18 de agosto desloca-se para a região de Vada-Rossignano, mais ao norte, incorporando-se ao 4º Corpo de Exército, comandado pelo General Willis Crittenberg. Na ocasião o 5º Exército norte-americano encontrava-se desfalcado em suas fileiras, pois cedera, como todas as demais unidades operacionais experientes naquele teatro de guerra, unidades para a Operação Overlord, e para o posterior processo de libertação da Europa ocupado pelas tropas do Eixo, sendo urgentemente necessária uma reposição de contingentes para o rompimento das defesas alemãs e o prosseguimento da ofensiva.

A história da atuação da FEB nos campos de combate da Itália mostra o alto poder de adaptação das tropas brasileiras, a aplicabilidade dos seus comandantes e a capacidade de superação de uma tropa, que recebeu treinamento e instruções muito aquém das demais tropas aliadas que já se encontravam engajadas em combate há mais tempo, e que tendo que, nessas condições, fazer frente ao mais bem preparado e doutrinado soldado daquela guerra, o alemão, cumpriu seu dever com bravura e determinação ímpares (20.573 prisioneiros). É bem verdade que a Alemanha já se encontrava na defensiva desde as derrotas na África do Norte e em Stalingrado, e que não dispunha da mesma disponibilidade de material bélico, e mesmo de tropas, como nos tempos das arrasadoras e vitoriosas Blitzkriegs, mas de forma alguma seus soldados tinham perdido a singular disciplina e o “mítico” espírito combativo, cobrando um alto preço para cada centímetro de terreno conquistado pelos Aliados na Itália; e em todos as outras frentes de batalha.

“Na Península Itálica quatro fases caracterizaram a nossa atuação:

1ª fase: Operações no vale do rio SERCHIO

2ª fase: Operações no vale do rio RENO

3ª fase: Operações no vale do rio PANARO

4ª fase: Operações de perseguição ao S do Rio PÓ.

     À chegada do primeiro escalão, foi constituído o Dst FEB, que é, de imediato, engajado na frente de combate, no vale do rio SERCHIO.

     O XV Grupo de Exércitos Aliados, composto pelo V Exército norte-americano e VIII inglês, vinha desde a Sicília, Sul da Itália, empurrando os alemães para o Norte. Estes, articulados em 3 Exércitos (o X, o XVI e o Exército da Ligúria) se instalam defensivamente na chamada “Linha Gótica”, uma frente de cerca de 280 Km, do Mar Tirreno ao Adriático, tendo como ponto forte as alturas que dominavam BOLONHA. O objetivo estratégico era o de liberar, antes da chegada do inverno, o norte italiano, fazendo-se junção com as tropas que operavam na França. Entretanto, a ofensiva é detida, porquanto são retirados do V Exército, sob comando do qual iria a FEB atuar, o VI Corpo de Exército (três Divisões de Infantaria) e o Corpo Expedicionário Francês (sete Divisões) para serem empregados na frente francesa, que era, assim, substancialmente reforçada, após o desembarque aliado na Normandia. Havia já três meses que americanos e ingleses acometiam sem sucesso BOLONHA – acidente capital da defensiva alemã. BOLONHA resistia e, em ferozes contra-ataques, as tropas alemãs infligiam as mais severas perdas, aos V Ex A e VIII inglês. Criou-se o mito da inexpuguabilidade da linha Gótica.

     Nosso Destacamento chegou nessa fase crítica da guerra e se incorporou ao IV Corpo de Exército, sob o comando do Gen Willis Crittenberger, subordinado ao então desfalcado V Exército N.A., sob o comando do Gen Mark Clark.

     Assim, como se pode concluir, é bem verdadeiro o que disse o Gen Mascarenhas de Moraes em seu livro “A FEB pelo seu Comandante”: ‘Para os que não sabem avaliar o esforço da FEB, pois não se situaram, como nós, na mais cruenta frente de batalha da Europa Ocidental, só posso dizer uma coisa: a FEB não teve um só dia de descanso, em sua campanha na Itália.’”(13)[3]

Muito já foi escrito sobre a atuação heróica da FEB, desde o disparo da primeira carga de artilharia, na tarde de 16 de setembro de 1944, em Massarosa, nas encostas do Monte Bastione, ao fim das operações (cessar-fogo), em 03 de maio de 1945, passando pelo período de ocupação do trecho da planície do Pó – entre 03 de maio e 02 de junho -, até a chegada dos 4.931 homens do 1º Escalão ao Rio de Janeiro, em 18 de julho de 1945 – pouco mais de um ano após o desembarque em Nápoles –, e o posterior, e vibrante, desfile da vitória, acompanhado, além do povo e autoridades civis e militares brasileiras, pelos Generais Mark Clarck, Willis Krittenberg, J. C. Ord e Donald Brand. Ao relato desta epopéia, desta heróica pagina das nossas Forças Armadas, deixo sua descrição para aqueles que dedicaram suas vidas a nossa História Militar.

“Operações da 1ª DIE/FEB

Esta divisão brasileira foi uma das 20 divisões e 16 brigadas aliadas compostas de canadenses, sul-africanos, indianos, neozelandeses, marroquinos, argelinos, além de franceses, italianos e poloneses livres e, particularmente, ingleses e americanos que integraram, no final da Batalha dos Apeninos, o XV Grupo de Exércitos aliados destinado a libertar a Itália do jugo nazi-fascista, bem como a fixar importantes efetivos alemães dos XIV Exército e Exército da Ligúria para impedir que atuassem nas frentes da Operação Overlod (invasão aliada da Normandia, em 16 de junho de 1944) e da Operação Anvil e depois Dragoon (invasão aliada pelo sul da França, em 15 de agosto 1944). Para a última foram rocadas algumas divisões francesas, cuja falta na Batalha dos Apeninos a 1ª DIE/FEB veio de certa forma minorar. Os brasileiros entraram em combate em 18 de setembro de 1944 na proporção de um terço de seus efetivos e com o nome de Destacamento FEB, antes que houvesse completado o ciclo de instrução normal previsto pela doutrina americana. Eles atuaram na região da boca do cano da bota que a Itália representa. O destacamento foi lançado ao norte do rio Sérchio para combater os alemães estabelecidos na Linha Gótica (280km), entre os mares Tirreno e Adriático. A 1ª DIE/FEB teve seu batismo de fogo através de seu Destacamento em 18 de setembro na conquista de Camaiore, seguida de Monte Agudo e Monte Prano em 26 de setembro. O destacamento foi rocado mais para a direita no vale do Sérchio onde conquistou Fornaci e Barga. Em 11 de outubro lançou-se sobre Galicano que conquistou e consolidou. Daí lançou-se, em 30 de outubro, sobre Castenuovo de Garfagnana onde foi repelido e retraiu sobre Galicano, tendo conhecido o seu primeiro insucesso, fato comum em tropas estreantes. Mas progrediu em 15 dias 40 km, capturou uma fábrica de peças de aviões, em Fornaci, fez 208 prisioneiros do rio Reno, onde recebeu uma frente de 15km, muito ampla, sobre a estrada 62, ao norte de Porreta Terme e que era dominada pelo Monte Castelo que impedia o prosseguimento do V Exército sobre Bologna. Monte Castelo, defendido com unhas e dentes pelo inimigo, foi alvo de cinco ataques. Os primeiro e segundo ataques foram executados em 24 e 25 de novembro pela Força Tarefa 45 (Task Force 45) integrada por brasileiros e americanos. Os ataques não foram bem sucedidos mas resultaram na conquista temporária de monte Belvedere. O terceiro ataque foi feito pela 1ª DIE/FEB um dia após contra ataque alemão que reconquistou Belvedere dos americanos, fato negativo no ataque brasileiro que foi flanqueado por Belvedere, ponto onde o inimigo concentrou o esforço de defesa por ser a chave de acesso à rica planície do rio Pó e realizado com chuva, lama e céu encoberto, do que resultou mais um insucesso brasileiro. À noite, em conferência no Passo de Futa – QG do IV Corpo, seu comandante precipitou-se e colocou em dúvida a capacidade de combate dos brasileiros e quis saber a razão do insucesso. A resposta do comandante brasileiro foi dada por escrito. Ele argumentou: "Que tropas veteranas americanas também foram obrigadas a recuar de Monte Belvedere naquela frente, face a forte resistência inimiga; que a missão atribuída à 1ª DIE/FEB de defender numa frente de 20km e de atacar numa frente de 2km era exorbitante para uma divisão de Infantaria e que ela não havia, por culpa do governo no Brasil e do V Exército na Itália, tido o período de treinamento padrão mínimo previsto para as divisões americanas e que ela estava recebendo missão de tropa de montanha sem sê-lo".

Passo de Futa foi o ponto de inflexão de alguns insucessos iniciais de uma tropa bisonha para as vitórias de uma tropa veterana e bem comandada e assessorada pelo Estado-Maior. O inverno, iniciado logo após, obrigou a uma estabilização da frente por 70 longos dias. Então, os brasileiros vindos de um país tropical, padeceram rude e rigoroso inverno, com temperaturas variando de - 15º a – 4º e, sobretudo, tenso, face às possibilidades de veteranos alemães acostumados àquelas condições de tempo e terreno. A 1ª DIE/FEB ressurgiu do inverno, o mais rigoroso dos últimos 50 anos, aguerrida, disposta e veterana. Suas ações estrategicamente até o fim se incluem na Batalha dos Apeninos que foi muito cruente e penosa. Os Apeninos foram acidente capital estratégico para o inimigo, por impedir o acesso dos aliados à rica planície do Rio Pó. E, após conquistados os Apeninos, seria a vez dos Alpes, o que significaria a decisão da guerra na Itália. A chave para a conquista dos Apeninos era a cidade de Bologna. O acesso a esta era a Estrada Nacional 64 que era dominada pelas elevações de Monte Belvedere, Monte Castelo e Castelnuovo etc... Foi nestas elevações que os alemães de 232ª Divisão de Infantaria, ao comando do experimentado gen. barão von Eccart von Gablenz, que comandara o XXVI Corpo de Exército alemão na Batalha de Stalingardo, concentraram seu esforço defensivo, particularmente em Monte Belvedere, pivô de defesa inimiga nos Apeninos e que possuía dominância de fogos e vistas sobre Monte Castelo. É importante este entendimento de que as dificuldades de conquista de Monte Castelo encontravam-se bem mais no seu flanqueamento por Belvedere, onde o inimigo concentrou seu esforço defensivo, do que nele próprio e que para conquistar Monte Belvedere os americanos usariam uma unidade especializada, a 10ª Divisão de Montanha.

Terminado o inverno, o próximo passo a 1ª DIE/FEB foi cooperar com o IV Corpo na conquista de saliente dos Apeninos em sua zona de ação, cortado pelo rio Marano, que integrava a Linha Defensiva Gengis-Kan e dominava a estrada 64 (Porreta Terme-Bologna), essencial ao abastecimento de 10 divisões do V Exército. Para a conquista do saliente no maciço onde se situavam as posições alemãs de Belvedere, Monte Castelo, Soprassaso, Castelnuovo, Gorgolesco, Mazzancana, Della Torracia, La Serra, Stª Maria Viliana, Torre de Nerone, Montese e Montelo foi elaborado o Plano Encore a ser executado pela 10ª Divisão de Montanha americana e 1ª DIE/FEB. O plano visava expulsar o inimigo do vale do Reno e após perseguí-lo no vale do rio Panaro. Os brasileiros deviam sucessivamente: capturar Monte Castelo com auxílio da 10ª de Montanha que devia capturar Belvedere e Della Torracia; limpar o inimigo do vale do Marano; apossar-se de Stª Maria Viliana e capturar Torre de Nerone e Castelnuovo, o último, chave para liberar as comunicações do V Exército nos vales dos rios Silla e Reno. Em 20 de fevereiro, a 10ª de Montanha conquistou Gorgolesco e Mazzancana, o último, com auxílio de pilotos brasileiros do 1º Grupo de Caça (o Senta a pua!). Em 21 de fevereiro, a 10ª de Montanha e a 1ª DIE/FEB atacaram simultaneamente Della Torracia e Monte Castelo, objetivos que conquistaram sucessivamente. O primeiro foi Monte Castelo, pelos brasileiros. A conquista brasileira de Monte Castelo foi o episódio mais emocionante e afirmativo da capacidade de combate do brasileiro e de sua maturidade operacional. Em 23 e 24 de fevereiro os brasileiros travaram o encarniçado combate de La Serra. Em 5 de março caiu pela manobra contra Castelnuovo, o falado, traiçoeiro e famigerado saliente na rocha-Soprassaso, responsável pelas maiores perdas da FEB no inverno. Ele era o objetivo dos nossos pracinhas que o conquistaram com grande gana. Depois dele, veio a conquista pela 1ª DIE/FEB de Castelnuovo, base para a montagem de um ataque do V Exército sobre Bologna. A seguir, teve curso a Ofensiva da Primavera, de 14 de abril - 2 de maio, para libertar o norte da Itália e desfechada pelo XV Grupo de Exército Aliado. À 1ª DIE/FEB coube inicialmente conquistar, em 14 de abril, as alturas de Montese, Cota 888 e Montelo, com forte apoio de artilharia e de blindados e geradores de fumaça americanos. A reação da artilharia alemã ali concentrada antes de ser destruída, para não cair em poder dos aliados, foi de grande e inusitada intensidade. Foi um duríssimo e disputado combate, o que é atestado pelas 426 baixas brasileiras (34 mortos, 382 feridos e 10 extraviados). Em Montese, a 1ª DIE/FEB ajudou a romper a defensiva alemã nos Apeninos e conquistou a chave de acesso ao vale do rio Panaro o que facilitou ao V Exército derramar-se sobre a planície do rio Pó, em aproveitamento do êxito e logo a seguir em perseguição. Sobre a conquista de Montese referiu o comando do IV Corpo aliado:"Ontem só os brasileiros mereceram as minhas irrestritas congratulações. Com o brilho de seu feito e seu espírito ofensivo, a 1ª DIE/FEB está em condições de ensinar às outras divisões como se conquista uma cidade".

 A conquista de Montese ajudou a desmantelar a Linha Gensis-Kan. A 1ª DIE/FEB, em aproveitamento do êxito, conquistou o vale do médio Panaro em 19 de abril e, Zocca, nó rodoviário que ofereceu forte resistência em 20, Marano e Vignola em 23, onde foram recebidos os brasileiros aos brados de "Vivam nossos libertadores (Liberatori)"; à partir daí, teve início a Perseguição. Em solução singular, mas de grandes dividendos táticos, a 1ª DIE/FEB iniciou a perseguição com a Infantaria embarcada em veículos de sua Artilharia Divisionária e protegendo o flanco direito do V Exército. Em 24 de abril ela alcançou S. Paulo d’Énza. De 27-30, no vale do rio Taro, combateu com o inimigo em Colechio e em Fornovo di Taro, após o que executou manobra envolvente contra os alemães reunidos em Respício, onde eles receberam ultimato para rendição incondicional dos brasileiros. O inimigo rendeu-se em Gaiano na região de Fornovo di Taro. Rendição que se caracterizou como ação de nível e repercussão estratégica, e foi recebida do experimentado gen. Otto Fritter Pico, veterano de diversos teatros de operações e comandante da 148º Divisão de Infantaria Alemã e do gen. Mário Carloni, comandante da Divisão Bersaglieiri, Itália, e, ainda, de sobras da 90ª Divisão Panzer. Foram capturados 20.573 homens, dos quais 894 oficiais, e entre eles muitos veteranos do África Korps, ao par de copioso material bélico. Sobre este feito dos brasileiros comentou o gen. Mark Clark agora no comando do XV Grupo de Exércitos: "Foi um magnífico final de uma atuação magnífica". De 28-30 de abril, enquanto tinha curso a rendição alemã, Benito Mussolini foi morto em 28, em 29 os russos entraram em Berlim e em 30 Adolf Hitler se suicidou. A 1ª DIE/FEB ocupou Alexandria a 30, em 1º maio ocupou Casale, Solero, Salvatore e Costeleto, dia em que o Alte. Doenitz assumiu o poder na Alemanha. Em 2 ocupou Turim, terra natal do ten.-gen. Carlos Napion, patrono do Serviço de Material Bélico do Exército Brasileiro, e estabeleceu ligação com a 27ª Divisão Francesa em Susa. Neste dia houve rendição incondicional das tropas alemãs na Itália. Dia 8 de maio – Dia da Vitória Aliada na Segunda Guerra Mundial. A 1ª DIE/FEB foi a primeira tropa aliada a estabelecer contato com a Operação Dragoon, em Susa. De 8 de maio – 3 de junho a 1ª DIE/FEB atuou como tropa de ocupação das regiões de Piacenza e Alexandria. Após, concentrou-se em Francolise para retornar ao Brasil, o que teve lugar em 14 de junho na cidade do Rio de Janeiro, onde foi recebida vitoriosa e triunfalmente pelo Brasil e passou sob um arco do triunfo encimado pela legenda – "A cidade as Forças Armadas Brasileiras". A atuação da 1ª DIE/FEB na Itália foi dividida em quatro fases pelo seu oficial de operações ten.–cel. Humberto de Alencar Castelo Branco: I – Campanha do Destacamento FEB no vale do rio Arno; 2 – Campanha da margem oriental do rio Reno; 3 – Ofensiva sobre as defesas dos Apeninos; e 4 – Rompimento da frente e perseguição. A 1ª DIE/FEB integrou o IV Corpo com mais três divisões americanas: a 10ª de Montanha; a 1ª Blindada (os tigres) e 34ª de Infantaria (os cabeças-de-boi). Atesta também o valor do soldado brasileiro cruz encontrada após o combate de Castelnuovo e com esta inscrição expressiva em alemão – "Aqui jaz um herói brasileiro". Em 1962 o terceiro ano da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército produziu a valiosa pesquisa. O comportamento do combatente brasileiro na Itália, com vistas dela tirar valiosos ensinamentos de Engenharia Humana. Combatente que se fez representar na FEB por cerca de 74%, de cariocas e fluminenses (32%), paulistas (15,5%), mineiros (11,7%), gaúchos (7,5%) e paranaenses (6,1%). A pesquisa histórica crítica, baseada em ampla bibliografia então disponível e depoimentos de veteranos chegou a interessantes e relevantes considerações ou conclusões, que não podem ser desconhecidas do planejador, pensador e chefe militar do Exército Brasileiro. Por exemplo: a pesquisa concluiu que na FEB o combatente brasileiro não se adaptou e mesmo reagiu a normas disciplinares rígidas, confirmação de pesquisas anteriores sobre o mesmo tema na História Militar do Brasil. E, mais, que ele se submete a liderança afetiva dos chefes que o comandam pelo exemplo e não aos ausentes espiritualmente, e insensíveis às esperanças, aspirações, imaginação e sentimentos de seus homens. Como fatores concorrentes para o bom desempenho do combatente brasileiro na Itália e que contribuíram para ele sentir-se valorizado socialmente alinhe-se: 1 – Lutar no V Exército dos EUA que dispensava grande atenção e valor à vida e ao bem-estar dos seus soldados e onde o prêmio e o castigo eram distribuídos com isenção e sem favores, além de que com presteza e oportunidade; 2 – Lutar em território com uma população histórica e tradicional, mas então vencida, dominada, submissa, torturada pela fome, desemprego e corrupção e com emotividade semelhante à brasileira; 3 – Sentir-se alvo de orgulho no Brasil, de estímulos de sua imprensa, de atenções das madrinhas de guerra, de desvelo familiar e dos brasileiros e atenções dos superiores; 4 – Ser alvo agora de interesse geral, boa assistência médica, alimentação jamais sonhada, dinheiro farto, roupa variada e farta e assistência religiosa; 5 – Lutar e ser bem sucedido contra considerado melhor soldado do mundo; e 6 – Desenvolvimento de fortes laços de camaradagem, na adversidade da guerra, com reflexos no moral elevado, disciplina consciente e sentimento de honra e de dever. Influíram no combatente na Itália:  Sentimento de autodefesa; expressiva rusticidade biopsíquica; limitada confiança nos superiores; reduzido hábito de subordinação por afetividade; temor reverencial ao desconhecido; agradável surpresa pela forma como foi assistido e administrado; submissão ao considerado insuperável.”(14)14

Resgatar a honra e a dignidade tanto daqueles que fizeram o sacrifício supremo (443 mortos), o de dar livremente a vida em defesa da Pátria, como daqueles bravos que puderam retornar, com ou sem ferimentos físicos (2.722 feridos), emocionais e espirituais (35 prisioneiros e 23 extraviados – 10 enterrados como desconhecidos), e que constituem um elo vivo entre um passado glorioso e a esperança de um amanhã mais digno e com um maior sentimento de civismo e de patriotismo, de brasilidade é, enfim, a missão a que se dispõe este trabalho. Ao Brasil, a toda a sociedade e instituições, cabem prestar-lhes as mais sinceras reverências e aprofundar o destaque e a chance que nos deram de melhor nos situarmos na nova ordem mundial do Pós-Segunda Guerra Mundial. Não se trata de um discurso apologético, nem de querer criar sofismas insustentáveis para atribuir a FEB, e aos nossos pracinhas, a imagem de uma força militar descomunal, ou de guerreiros míticos, semideuses da guerra, mas sim de, uma vez mais, reconhecer-lhes o valor, de situar com justiça, e isonomia, seu lugar na História e de manter viva acessa a chama do orgulho nacional; tanto para eles como para as incontáveis gerações de valentes brasileiros anônimos que fizeram da nossa garbosa terra um gigante entre as nações.

Neste mesmo sangrento conflito surge a figura, ao mesmo tempo idílica e reconfortante, do Capitão Frei Orlando Alvares da Silva, Patrono dos Capelães (militares) do Exército Brasileiro, vitimado em trágico incidente – tiro acidental (fogo amigo) –, a 20 de fevereiro de 1945, durante seu deslocamento de Docce para Bombiana.

A Justiça Militar registrou um total de 137 condenações, sendo apenas duas por crimes de guerra – passíveis de pena de morte; comutadas, posteriormente, para detenção e demais medidas cabíveis –, o que representa 0,54% de todo o contingente – menos de 1% da tropa. Como os próprios italianos diziam: “O brasileiro não foi feito para a guerra, porque tem bom coração”. São várias as histórias de pracinhas que, ao presenciarem o sofrimento da população civil, simplesmente entregavam, sem qualquer barganha ou tentativa de tirar proveito do desespero dos que tinham perdido praticamente tudo por causa da guerra, boa parte dos seus mantimentos – senão tudo –, algumas peças de roupa – agasalhos, principalmente –, cobertores e outros tantos itens de provisionamento por eles recebidos. Os laços espontâneos de amizade, formados no calor da batalha, e na turbulência do conflito, atestam as elevadas moral e disciplina da FEB, bem como o espírito humanitário e solidário que, historicamente, marcam a ilibada e meritória atuação da esmagadora maioria dos militares brasileiros em todas as operações bélicas das quais participaram – e nos cenários aos quais hoje somos, regularmente, solicitados a intervir.     

Para finalizar, recorro uma vez mais aos frutos do incansável trabalho diuturno da seleta casta de Historiadores Militares Brasileiros que tanto perseveram em manter elevado o nome do Brasil e dos seus heróis, ou seja, de todo o povo brasileiro.

“A FEB no contexto mundial da Segunda Guerra foi de pouca expressão. Foi mais um símbolo na luta em defesa do mundo livre. Para o Brasil e seu povo foi grande o seu significado. Pois a FEB foi a única força expedicionária enviada à Europa por um país da América Latina. Ela traduziu um esforço nacional hercúleo para um país então essencialmente agropecuário, em recrutá-la e prepará-la, em sua primeira participação militar extracontinental, como nação independente. Seus integrantes tiveram de derrubar grandes barreiras para se adaptarem rapidamente à doutrina militar americana, à tecnologia militar que vigorou na Europa e à ecologia de um campo de batalha montanhoso, em inverno com neve, e psicologicamente às circunstâncias de distância da pátria, enquadrados por Exército de uma grande nação industrial, além de enfrentarem soldados com excelente fama de valor militar. Doutrinariamente teve de adaptar-se da doutrina militar francesa, vigorante desde 1920, a americana. Tecnologicamente, teve de adaptar-se à motorização, mecanização e radiofonia militar com as suas complexas implicações, em substituição ao cavalo, ao muar e outros meios de comunicações menos modernos que o rádio. Ecologicamente foi adaptar-se à montanha e à neve só conhecido por alguns brasileiros em cartões de Natal. A FEB foi a embaixadora da atualização do Exército dos padrões operacionais na Primeira Guerra par os da Segunda. Como fatos negativos a serem respondidos um dia pela História e apontados por alguns analistas, como resultado da convivência e influência militar americana, foi o permitir-se o desmantelamento da indústria bélica do Exército, em função da aquisição fácil e barata de excedentes americanos e o desestímulo e quase abandono do esforço nacionalizador da doutrina do Exército, sugerido pelo Duque de Caxias em 1856 e que recebeu forte estímulo de 1919-1939, sob a influência da Missão Indígena da Escola Militar do Realengo e Missão Militar Francesa e de alguns expressivos pensadores militares brasileiros da época, como J. B. Magalhães e o próprio mar. Humberto Castello Branco.”(15)15

 

CLEBER ALMEIDA DE OLIVEIRA – PROFESSOR DE HISTÓRIA

DELEGADO AHIMTB – DELEGACIA TENENTE-BRIGADEIRO

NELSON FREIRE LAVENÈRE-WANDERLEY – SANTOS DUMONT – MG

 

 



[1] INFORMATIVO GUARARAPES. Participação das Forças Armadas e da Marinha Mercante do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1942-1945). Rio de Janeiro: Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB) – Coronel Cláudio Moreira Bento. Disponível em: http://www.resenet.com.br/ahimtb/biblimilbra.htm>. Acesso em: 17 abr. 2005, 17:28:12.

[2] Opus citatum. SILVA, Hélio. p.239. 

[3] CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DO EXÉRCITO (CDOCEX). A atuação da FEB na Itália. Brasília: Centro de Documentação do Exército – Coronel Manoel Soriano Neto. Disponível:<http://cdocex.eb.mil.br/arquivosDocs.>. Acesso em: 17 abr. 2005

14 Opus Citatum. INFORMATIVO GUARARAPES.

15 Opus citatum. INFORMATIVO GUARARAPES.

 


Última alteração em 11-25-2006 @ 10:00 pm

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