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Município de Canguçu - RS: Na História Militar 1756-1945 (1 de 2)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 06-29-2006 @ 06:54 pm
 

 

Parte 1/2

Sumário

1- Canguçu localização e significação indígena  do nome

2- Canguçu o 22 o município gaúcho a ser criado e  distrito de Piratini

na Revolução Farroupilha

3- Os primeiros funcionários de Canguçu em 1857

4- Exploradores e povoadores das terras de Canguçu

5- As  terras de Canguçu atual nas invasões de 1763 e 1773/744

6- Em Canguçu bases de guerrilhas de Rafael Pinto Bandeira contra os espanhóis

7- Patrício Corrêa Câmara e seus Dragões percorrem Canguçu em 1776

8- As terras de Canguçu em 1784 , em  mapa de Demarcação de limites

9- A sede da Real Feitoria  do Linhocânhamo, origem de Canguçu Velho

10- A origem da cidade de Canguçu, povoado transferido  de Canguçu  Velho

11- Raízes históricas da Economia de Canguçu

(Linhocânhamo  , pecuária, caminho de tropas para as charqueadas e trigo)

12- Visita do Bispo do Rio de Janeiro a Canguçu freguesia em 1815

13- Expansão atual da fronteira agrícola em Canguçu com descendentes de alemães

14- Razões militares da fundação de Canguçu em 1800

15- O Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional de Canguçu na Guerra do Paraguai

16- Canguçu na Guerra Civil 1893-95 e na  Revolução de 1923

17- O primeiro historiador de Canguçu J. Simões Lopes Neto em 1912 e as fontes de História de Canguçu de hoje.

Canguçu localização e significação indígena  do nome

Canguçu está  incrustado na Serra dos Tapes a qual  forma junto  com a Serra Herval a região fisiográfica gaúcha Serras do Sudeste. Serras divididas pelo rio Camaquã que limita ao norte o município e que se constituem dos solos mais antigos do Estado, como parte do Escudo Rio-Grandense de formação no Período Arqueano.

A denominação de Canguçu deriva da palavra indígena Caa-guaçu, significando  mata grande ou mato grosso, de igual forma que já foi denominada primitivamente a região onde se situa a célebre Avenida Paulista em São Paulo, bem como outros locais, segundo se conclui ou lê-se em descrições mais antigas.  

        Caa- guaçu era uma alusão a milenar mata grande que encobriu primitivamente  a encosta da Serra dos Tapes voltada para a Lagoa dos Patos e que daria o nome a ilha de Canguçu, mais tarde chamada de ilha da Feitoria como parte da estância Feitoria depois de adquirida por esta.

Os primitivos habitantes de Canguçu foram os índios Tapes, tapuias, guaranizados e subordinados aos  guaranis e que deram seu nome a região onde Canguçu se assenta. Vestígios deles ainda são encontrados nos traços de habitantes do Posto Branco, Canguçu  Velho e Herval. 

Canguçu o 22 o município gaúcho a ser criado e  distrito de Piratini na Revolução Farroupilha

Canguçu foi o 22º município gaúcho a ser criado, por desmembramento do de Piratini  do qual “ foi o distrito de1831-57 e o de “ mais perigo e mais farrapo durante a Revolução Farroupilha “, segundo Francisco Pedro de Abreu ou Moringue.

 Então Canguçu teve grande participação  e projeção. Pois as tropas que integraram a Brigada Liberal de Antônio Neto que o apoiaram em 10 set 1836 na vitorioso combate  do Seival e no outro dia  na proclamação  da República Rio-Grandense, era constituída por canguçuenses na proporção de cerca de ¼.

Ao ser instalada  a República Rio-Grandense  em Piratini, em 6 novembro  de 183,6  quem carregou o pavilhão  tricolor pela  primeira vez  foi o canguçuense Major de Lanceiros Joaquim Teixeira Nunes – o Coronel Gavião, considerado pelo General Tasso Fragoso como a maior lança farrapa e que 7se tornou célebre no comando do Corpo de Lanceiros Negros Farroupilhas. Personagem abordado com grandeza e simpatia na minisérie A Casa das sete mulheres pelo ator Douglas Simon ao que fornecemos a seu pedido diversos subsídios sobre este grande guerreiro farrapo.

Canguçu foi palco de dois combates denominados de Canguçu, respectivamente em 25/26 de outubro e 6 de novembro de 1843 e nos locais Pedra das Mentiras e Cerro do Ataque, nos fundos do atual Colégio N. S. Aparecida em ambas as margens do arroio. E  ambos combates  vitórias imperiais de Chico Pedro.

Foi em Canguçu que o maior cronista farrapo – Manoel Alves da Silva Caldeira, veterano farrapo, escreveu cartas-depoimentos aos historiadores Alfredo Varela Alfredo,  Ferreira Rodrigues, Alcides Lima e a Piratinino de Almeida  que lhes permitiram  resgatar  expressivamente  a memória do Decênio Heróico.

A vila de Canguçu  em momentos  difíceis da Revolução  abrigou por diversas vezes Bento Gonçalves da Silva até agosto de 1843,conforme se concluiu de ofício do Barão de Caxias ao Ministro da Guerra.

Isto até que Canguçu fosse ocupado pela Ala Esquerda do Exército ao Comando de Caxias, de setembro de 1843 em diante. Comandou a referida Ala Esquerda o célebre guerrilheiro  farrapo, Francisco Pedro Buarque de Abreu , o futuro Barão de Jacuí, cuja vida e obra resgatamos pioneiramente em Porto Alegre Memória dos sítios Farrapos e da administração do Barão de Caxias.Brasilia:EGGCF,1989.

Canguçu foi criado município junto com Passo Fundo  e por sugestão  do simbolista farrapo Major Bernardo Pires, autor do desenho da Bandeira da República Rio - Grandense, e desde 1891,  adotada como a do  Rio Grande do Sul, conforme estudamos em Autoria dos símbolos do Rio Grande do Sul  subsídios para a sua revisão histórica tradicionalista e legal.Recife:UFRPE,1971.

Os primeiros funcionários de Canguçu em 1857

Os primeiros funcionários públicos de Canguçu em 1857 foram  José Ignácio Moreira, Vicente Ferrer de Almeida e Antônio Joaquim Bento. Os dois primeiros  , ex funcionários dos ministérios  farrapos e respectivamente da Justiça e da Câmara Municipal de canguçu e trisavós dos ex-prefeitos  Gilberto Moreira Mussi e Odilon Almeida Mesko que deram grande impulso à cultura local e representaram o município na Assembléia do Estado. E Antônio Joaquim Bento professor régio de meninos e pai  do ex intendente de Canguçu de 1905/17 Cel GN Genes Gentil Bento e avô do ex prefeito Conrado Ernani Bento 1932/35,1935/37 e 1952/56 e trisavô do vereador Conrado Ernani Bento Neto.

Exploradores e povoadores das terras de Canguçu

Da fundação portuguesa do Rio Grande do Sul em 1737, com o desembarque do Brigadeiro Silva Pais na cidade do Rio Grande atual, e até a criação  do município de Canguçu  o seu povoamento por Portugal, teve início  após a conquista dos Sete Povos das Missões pelos exércitos de Portugal e Espanha, em 1756, ao final da Guerra Guaranítica.

 Após eliminada a reação indígena  as terras de Canguçu  passaram a ser  trilhadas por grupos militares, nas ligações das bases militares portuguesas em Rio Grande, estabelecida  em 1737, e a de Rio Pardo em 1752.

 Onde se ergue   a cidade Canguçu, desde então  passou a ser ponto obrigatório de passagem para quem procedente do norte do rio Camaquã demandasse a então Vila do Rio Grande. Isso por ser o local  um nó orográfico onde possuem nascentes os cursos d’ água que deságuam nos rios Piratini e Camaquã e Lagoa dos Patos.

       As  terras de Canguçu atual nas invasões de 1763 e 1773/744

Com a invasão do Rio Grande   em 1763, pelos espanhóis ao comando do Gen. D. Pedro Ceballos, governador de Buenos Aires  e conseqüente domínio espanhol da Vila de Rio Grande por cerca de 13 anos (1763-1776), as terras de Canguçu,  cujo povoamento  já havia sido iniciado no vale do rio Piratini, passaram a servir de bases de guerrilhas portuguesas contra os espanhóis dominando o Forte de Santa  Tecla  que estabeleceram próximo de Bagé atual em 1774.. 

Guerrilhas ao comando do  legendário Major Rafael Pinto  Bandeira, foram enviadas para Canguçu atual, desde o Rio Pardo, para espionar e ferretear os espanhóis em Rio Grande, pela retaguarda, no corte do Canal São Gonçalo.

Em 1773-74, a frustada invasão do Rio Grande pelo Governador de Buenos Aires, o mexicano D. Vertiz y Salcedo, após derrotado em Santa Bárbara  e Tabatingai e detido face Rio Pardo – A Tranqueira  Invicta, foi obrigado a retirar-se, sob forte pressão guerrilheira de Rafael Pinto Bandeira , para a base militar espanhola mais próxima, que era Rio Grande.

 Nesta ocasião ele atravessou com seu Exército(Armada) as terras do atual município de Canguçu, após difícil travessia do passo  do Camaquã, desde então conhecido por Armada, em alusão a Real Armada de Espanha, designação na época de exército, e que por ali passou, quando deveria ter feito em melhores condições pelo passo do Camaquã de Baixo e atual Vao dos Prestes.

Um dos objetivos do mexicano D. Vertiz era eliminar as bases de guerrilhas portuguesas nas Serras do Sudeste.

Em Canguçu bases de guerrilhas de Rafael Pinto Bandeira contra os espanhóis

Na Serra dos Tapes, ao sul do rio Camaquã,  na Encruzilhada do Duro, atual Coxilha do Fogo, foram estabelecidas guerrilhas capitaneadas por Rafael Pinto Bandeira e local para onde  convergiam para o Sul  os caminhos que atravessavam  os passos do rio Camaquã.

 Na Serra do Herval foram estabelecidas  as guerrilhas capitaneadas por Francisco  Pinto Bandeira,  pai de Rafael  e após pelo paulista Cipriano Cardoso e baseadas na Guardas  da Encruzilhada, atual cidade de Encruzilhada do Sul, e que ali preveniam ataques  sobre o Rio  Pardo partidos de Rio  Grande, através de Canguçu atual  e do rio Camaquã. Ou pelo Sul, a partir de Montevidéu.

Estas guerrilhas incursionavam fundo nos territórios sob controle de Espanha, os atuais Uruguai, províncias de Corrientes e Entre Rios, Sete Povos das Missões e distrito de Entre-Rios ( entre os rios Uruguai, Ibicuí, Santa Maria e Quaraí ).

Incursões em operações militares denominadas arreadas que botavam abaixo instalações  pecuárias espanholas naqueles territórios e ao  mesmo tempo retiravam dos possíveis caminhos de invasão ao Rio Grande, o gado  cavalar  e vacum que encontravam.

 Mapa da época assinala a região da atual cidade de Canguçu como depósito de bovinos, cavalares  e muares arreados por Rafael Pinto Bandeira e seus homens e que ali também vigiavam os movimentos dos espanhóis na vila de Rio Grande a partir de 1763, tendo pouco antes o atual  território de Canguçu atravessado pelos Dragões do Rio Grande em Rio Pardo, que dali foram transferidos ao comando do Cel . Thomaz Luiz Osório para erigirem e defenderem a Fortaleza de Santa Teresa, no atual Uruguai, e que na ocasião  foi conquistada pelos espanhóis.

Érico Veríssimo em sua trilogia O Tempo e o Vento focaliza com base histórica as aventuras de Rafael  Pinto  Bandeira, mas não o local da mesma em grande parte feitas em Canguçu, ou partir dele, e inclusive a partir  de 1774 na vigilância ali, da Fortaleza de Santa Tecla, então erigida pelos espanhóis  e somente arrasada cerca de 2 anos após pelos majores  Rafael Pinto Bandeira que estudamos em Comando Militar do Sul –quatro décadas de História 1953-1895 ( Porto Alegre: Ed.Palotti,1996) e Patrício Corrêa da Câmara, conforme o abordamos em detalhes em nosso livro 3a Brigada de Cavalaria Mecanizada Brigada Patrício Corrêa da  Câmara.(Porto Alegre: Ed. Pallotti,2002).

Patrício Corrêa Câmara e seus Dragões percorrem Canguçu em 1776

A Patrício Corrêa da Câmara  se deve a primeira descrição do caminho que percorreu  em Canguçu atual, e que reproduzimos no livro citado da 3a Brigada  de Cavalaria Mecanizada quando deslocou-se da conquistada fortaleza de Santa Tecla , junto  com seus Dragões do Rio Grande em Rio Pardo, para ocupar posição no Taim que poderia ser atacada pelo agora Vice Rei do Prata, General D. Pedro Ceballos após este haver  invadido e dominado  a Ilha de Santa Catarina em 1777 para a seguir, depois de impedido de reconquistar Rio Grande por sua frota haver  sido dispersada por uma tempestade,conquistar  em definitivo a Colônia do Sacramento e de lá expulsar os portugueses doa quais muitos deslocados vieram se estabelecer em terras de Canguçu atual.

Rafael Pinto Bandeira e seus guerrilheiros foram os primeiros a reconhecer e a explorar Canguçu e durante a Guerra de 1763-76, quando ele teria estado à morte no local da atual cidade de Canguçu, onde coordenava  a ação de seus guerrilheiros  nos vales dos rios Piratini e Camaquã.

Ao final da guerra, depois  de expulsos os espanhóis de São Martinho, Santa Tecla e Vila  de Rio Grande, as terras de Canguçu se reabriram ao povoamento português que fora interrompido com a invasão espanhola em 1763.

Os povoadores iniciais de Canguçu foram  guerrilheiros  das tropas de Rafael Pinto Bandeira , bem como deslocados portugueses de Colônia do Sacramento que passou definitivamente ao domínio de Espanha, após quase um século de acirrada disputa diplomática  e militar com Portugal e açorianos e descendentes mandados  vir em migração oficial para povoarem os Sete Povos das Missões e que com a guerra permaneceram nas regiões litorâneas de Mostardas, Estreito, São José  do Norte e em Povo Novo e no vale do Jacuí.

As terras de Canguçu em 1784 , em  mapa de Demarcação de limites

A Comissão de Demarcação de Limites do Tratado de Santo Ildefonso de 1777,pelo qual Canguçu foi fronteira de fato  entre Portugal e Espanha por cerca de 24 anos, de 1777-1801, percorreu  até 1884 as vertentes do rio Piratini e as encontrou bastante povoadas e,  no espaço em branco  hoje ocupado  por Canguçu registrou em mapa o Cerro Partido, acidente geográfico característico de Canguçu que mergulha nas nascentes do arroio Pantanoso, no local conhecido  como Banho do João Paulo( Duarte).

Localizou mais ao sul a estância  de Luiz Marques de Souza, estabelecida antes da invasão de 1763 e que durante a dominação espanhola serviu de base  de guerrilha contra os espanhóis  em Rio Grande e cujas ruínas nós identificamos com auxílio da historiadora Marlene Barbosa Coelho em 1972, conforme publicamos sob o título Tropeada Cultural à Zona  Sul, no Diário Popular de Pelotas de 12, 19 e 26 de março de 1972.

A sede da Real Feitoria  do Linhocânhamo, origem de Canguçu Velho 

Continua na Parte 2/2

 


Última alteração em 06-29-2006 @ 06:54 pm

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