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Município de Canguçu - RS: Na História Militar 1756-1945 (2 de 2)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 06-29-2006 @ 06:57 pm
 

 

Parte 2/2

continuação... Leia a parte 1/2

De 1783-89 funcionou em Canguçu, com sede em sobrado de pedra em Canguçu -Velho, a Real Feitoria do Linhocãnhamo do Rincão do Canguçu. Suas terras se estendiam da Lagoa dos Patos pela encosta da Serra dos Tapes acima, até as nascentes  do Arroio das Pedras ( atual Arroio Grande ) abrangendo  o Rincão  do Canguçu, situado entre este arroio e o de Correntes e sem abranger as terras hoje conhecidas como Ilha da Feitoria, conforme provamos  com base em mapa da mesma feitoria existente na Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional e artigo na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro  (v.340. jul/set 83) e mais tarde na plaqueta Real Feitoria do Linhocânhamo do Rincão da Canguçu 1883-89. Localização ( Canguçu:Prefeitura/ACANDHIS,1992).

Ele funcionou com escravos vindos da Fazenda Real de Santa Cruz no Rio de Janeiro e outros apreendidos  num contrabando, cujos nomes publicamos em sua maioria em nosso livro O negro na sociedade do Rio Grande do Sul. Porto Alegre:IEL,1975.

 Esta iniciativa que durou cerca de 6 anos deu bons frutos e foi a única bem sucedida no Brasil, tendo produzido linho, item estratégico essencial para  a navegação marítima para o fabrico do velame e cabos das embarcações e de cujo fornecimento Portugal dependia da Inglaterra.

 Por razões  desconhecidas até hoje a Feitoria foi transferida  para São Leopoldo atual, numa das interinidades no governo do Rio Grande do agora Brigadeiro  Rafael Pinto Bandeira. Suas instalações em São Leopoldo  em 1824, iriam abrigar os primeiros imigrantes alemães para o Rio Grande do Sul.

A origem da cidade de Canguçu, povoado transferido  de Canguçu  Velho

Em torno do abandonado  local da Real Feitoria em Canguçu, haviam-se condensado alguns moradores que deram origem ao povoado Canguçu que passou a ser Canguçu - Velho depois de  11 anos, com a criação,  em 180,0 da atual cidade de Canguçu, como capela curada em invocação a N. S. da Conceição de Canguçu.

Estudo de    ruínas da Real Feitoria em Canguçu  Velho levou um pesquisador a confundi-la  com a primeira missão jesuítica  no Rio Grande, equívoco que explicamos em artigos no Diário Popular  de Pelotas sob o título – Canguçu primeira redução  guaranítica? Para tal consultamos especialistas jesuítas no assunto no Seminário  Cristo rei em São Leopoldo. O artigo é de 22 de novembro de 1970.O citado conferencista confundiu a região entre os rios Icamaquã e Piratini nas Missões ,junto ao rio Uruguai, com os rios Camaquã e Piratini afluentes das bacias das lagoas dos Patos e a Mirim. E tomou as ruínas da sede da Real Feitoria do Linhocânhamo como sendo a da 1a missão jesuítica que em realidade foi a de São Nicolau. E que trabalho nos deu para desenraizar esta falsidade da memória de Canguçu  produzida por uma historiografia de amadores.  

Raízes históricas da Economia de Canguçu

(Linhocânhamo  , pecuária, caminho de tropas para as charqueadas e trigo)

A economia de Canguçu teve início com a iniciativa oficial da Real Feitoria, que além do linho desenvolveu a pecuária bovina para a extração de couros e graxa e a lavoura de subsistência que incluía estopa para a confecção de roupas aos escravos.

Abordamos fotos que retiramos das ruínas na Real Feitoria. do sobrado e do mangueirão de pedra quadrado em nossos livros O Negro e descendentes na Sociedade do Rio Grande do Sul 1635/1975.(Porto Alegre:IEL,1975.p.96/106) e em Canguçu reencontro com a História.(Porto Alegre:IEL,1983.p.25/29).

Com o estabelecimento das charqueadas em Pelotas, a população de Canguçu beneficiou-se da proximidade das mesmas   para onde conduzia o gado que produzia  ou, da exploração da infra-estrutura comercial de apoio aos carreteiros, viajantes e tropas de gado que por ali passavam demandando Pelotas e provenientes de diversas regiões do Rio Grande .

 E  entre o final da Guerra do Paraguai em 1870  e até  a revolução  de 93, tropas de gado provenientes das Missões e de Cima da Serra , aproveitando a ponte do rio Jacuí  acima de Cachoeira do Sul que foi incendiada  por forças do governo para impedir  o acesso de federalistas ao norte do Jacuí.

Foi deste tempo o estabelecimento em Canguçu, abaixo do Colégio N.S Aparecida de uma afamada Indústria de carros e carruagens puxadas por cavalos que eram encomendas por tropeiros e que as levavam quando de volta das charqueadas de Pelotas para seus compradores. Eu recordo  dos vestígios da mesma atras de casa de D.Semira Guerra bem como das casas de seus operários ferreiros e marcineiros etc situadas  na frente dela o local onde a Prefeitura retirava terra para reparar as ruas .Local hoje defronte o Quartel da Brigada Militar.

 Este foi o período áureo da economia de Canguçu . Data deste tempo a Mangueira Enterrada da Lacerda, feita de pedra. E era ela um equipamento esperado  com ansiedade pelos tropeiros  que ali encerravam o gado e tinham uma folga  das repetidas noites de ronda, para prevenir em campo aberto estouros da boiada. É um monumento mudo daquela época.

 E deste tempo de grande movimento de viajantes por Canguçu que surgiu a lenda da Pedra das Mentiras, na Coronilha .Este local era  muito disputado para pousos, pela boa aguada e proteção  dos ventos oferecidas pelas pedras.

Lenda  colhida em 1912 por J. Simões Lopes Netto na Revista do Centenário de Pelotas nº 4 que reproduzimos na Revista dos 200 anos de Canguçu.Resende-RJ:ACANDHIS,2000.p.155/156 etc

Visita do Bispo do Rio de Janeiro a Canguçu freguesia em 1815

O trigo sempre foi muito cultivado em Canguçu. 0 5 o Bispo do Rio de Janeiro D. José Caetano da Silva Coutinho, passou em Canguçu nos dias 25,26 e 27 de novembro de 1815 . Entre outras coisas observou que a freguesia de Canguçu produzia 1000 a 2000 alqueires de trigo, o que  a fazia uma das mais notáveis da Capitania neste  particular e supunha que o próprio  vigário padre Tourem fosse um grande plantador de trigo.

 Na Revolução Farroupilha Canguçu forneceu  considerável quantia  de trigo para alimentar a Brigada Liberal do General Antônio Netto ocupando Pelotas depois de conquistá-la  e aquartelada no Teatro 7 de Abril. Fato que seu sobrinho General revolucionário Zeca Netto repetiria por algumas horas na Revolução de 1923, com força constituída de vários canguçuenses como ele filho da canguçuense Rafaela Mattos, irmã do Ten Cel Honorário do Exército que comandou um Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional de Canguçu na Guerra do Paraguai.

O Gen. Zeca Netto, que estudamos na Revista do Clube Militar sob o título: Gen Zeca Netto –traços do seu perfil militar ,jan/fev 1984,p.31/33, ouviu de seus ancestrais da família Matos da Armada, em Canguçu, que antes que aqueles campos fossem povoados de gado o foram plantados  com trigo que era vendido no Passo Rico e depois Passo  dos Negros no Canal São Gonçalo em Pelotas

 A abertura dos Portos do Brasil, 1808, provocou a entrada no Rio Grande de trigo a melhores preços proveniente dos EUA, o que junto com a ferrugem determinou o quase abandono desta cultura para concentrar o esforço na criação de gado vacum para produzir o charque  para alimentar as concentrações de escravos em Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, e guarnições de navios  etc.

Canguçu é  considerado o município brasileiro com maior número de minifúndios e também como possuidor do maior Sindicato Rural.

Expansão atual da fronteira agrícola em Canguçu com descendentes de alemães

 Sua fronteira agrícola em expansão foi  liderada por  descendentes alemães pomeranos que se irradiaram da Colônia de São Lourenço fundada em 15 de janeiro de 1857,por Jacob Rheingantz e 13 dias antes da criação dos municípios gêmeos  de Canguçu e Passo Fundo, pela Lei Provincial n o 340 .

Canguçu por diversas vezes tem ocupado a posição  de maior produtor de batata e milho do Rio Grande do Sul . Seria  o único local onde se observa  em seus cerros pedregosos a ocorrência do espinho de cruz, que em verdade deveria figurar em seu brasão e bandeira. Cerros pedregosos que inspirou o historiador gabrielense do passo do Ivo, Osório Santana Figueiredo a denominar Canguçu de “A magnífica dos cerros.”

Entre a Guerra contra  Oribe e Rosas (1852) e a Revolução de 93, foi que Canguçu recebeu imigrantes alemães e descendentes. Alemães   vindos da Pomerânia, próximo a Polônia, com características de linguagem e costumes bem como nível cultural, bastante diferenciados  dos colonos vindos para São Leopoldo em 1824.

Isolados, sua Cultura aos poucos se descaracterizou e estão a merecer um estudo urgente. Outro contingente foi o italiano que se fixou na Colônia Maciel.    

Ambos os núcleos tiveram grande expansão vertical e têm muito contribuído para grandesa do município. Mas ambos estão à merecer um estudo mais apurado com apoio no que conseguimos colher e que consta  do 2 o volume dos originais de Canguçu reencontro com a História, com exemplares na ACANDHIS, Biblioteca do Colégio N.S Aparecida, Casa de José Moreira Bento etc

Razões militares da fundação de Canguçu em 1800

Canguçu foi fundado em 30 de dezembro 1799 pelo governador do Continente, o Ten. Gen. Sebastião Xavier da Veiga Cabral que como coronel havia tido destacada atuação  na reconquista da Vila de Rio Grande em 1º de abril 1776.

Governou o Rio Grande por cerca de 20 anos  e comandou de seu leito  de morte, em Rio Grande, a vitoriosa Guerra de 1801, da qual resultou a incorporação definitiva dos territórios das Missões, do Piratini ao Jaguarão e do divisor  do Tratado de Santo Ildefonso até o rio Santa Maria.

 Canguçu foi criado dentro de um contexto estratégico, com vistas a ali aprofundar o bloqueio em Piratini iciada a povoar como Vila dos Casais em 1789 do novo e projetado caminho de invasão ao Rio Grande, a  partir do recém fundado Forte de Cerro Largo (atual Mello), via Herval, Pinheiro Machado, Piratini e Canguçu atuais por via seca. Caminho que  de Canguçu  poderia o invasor  infletir, ou para o Rio Grande ou para Rio Pardo, as principais bases militares de Portugal do litoral e na campanha.

 Os povoadores de Canguçu nesta guerra prestaram valioso concurso operacional  e logístico. O comandante da expansão ocorrida entre os rios Piratini e Jaguarão, foi o Marechal de Campo Manoel Marques de Souza, o maior proprietário ao Sul de Canguçu atual, nas regiões  de Cerro Pelado , Vila Freire no atual município de Cerrito que pertenceu a Canguçu por um século 1857/1957.     

Grande proprietário em Canguçu  foi o seu subcomandante  o Cel.  Jerônimo de Azambuja  que foi  o 1º inspetor da criada Capela de Canguçu e contribuiu com a maior quantia para a sua construção conforme abordamos na obra Os 200 anos da Igreja Matriz N. S. da Conceição de Canguçu. ( Resende-RJ:ACANDHIS,200)   

Em  nossas lutas externas de 1812, 1816-17, 1825-5-28 e 1851-52 na fronteira sobre o atual Uruguai, Canguçu concorreu com soldados mas foi poupado de envolvimento, dada a sua posição  no interior e em serra.

 

O Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional de Canguçu na Guerra do Paraguai

Na Guerra do Paraguai Canguçu enviou um Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional ao comando do já citado Ten Cel. Teófilo de Souza Matos.

 De retorno foi  homenageado em cerimônia cívica no cerro, desde então da Liberdade, com a libertação de duas escravas menores, tendo interpretado o sentimento da comunidade o que fora o 1º professor régio do município Antônio  Joaquim Bento, orador da Sociedade Libertadora local, no âmbito da Maçonaria.

 O Cerro da Liberdade, monumento natural e belíssimo, em data recente foi arrasado para fornecer aterro  para a Estrada da Produção Sul e Super Porto de Rio Grande.

Nas revoluções Canguçu teve envolvimento intenso na Farroupilha, conforme abordado, ao ponto de ser considerado por Chico Pedro ou Moringue, ”como o distrito de mais perigo e mais farrapo.”

 

Canguçu na Guerra Civil 1893-95 e na  Revolução de 1923 

Na Revolução de 93 não foi atingido direto pelas operações, mas a ele ligam-se, por laços de família, as suas maiores lideranças militares.

Gumersindo Saraiva era neto e filho de canguçuenses e foi batizado na Vila Freire e o General Honorário do Exército  Hipólito Pinto Ribeiro era canguçuense   

Hipólito foi   o comandante governista da maior batalha da Revolução a de Inhanduí e o comandante superior da tropa que em Campo Osório frustou , com a morte do Almirante . Saldanha da Gama, a última  esperança de restabelecimento do Império.

Canguçuenses integrantes da Cavalaria Civil ao serviço dos governos federal e estadual foram vítima de degola junto com o seu comandante Coronel Maneco Pedroso de Piratini , por parte de mercenários platinos a serviço de federalistas conforme abordamos em artigo: O massacre federalista de Rio Negro em Bagé em 28 nov 1893. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.v.154,n o 378,jan/mar1993,p.55/88  e na História da 3a Região Militar 1889-1953(Porto Alegre:Ed.Pallotti,1995

Conseguiram escapar deste triste e trágico fim o Cel Bernardino Mota por estar guarnecendo um posto em Candiota e o Ten Cel João Paulo Prestes que conseguiu escapar do cerco ,mas encontraria a morte no combate de Passo do Mendonça na Revolução de 1923 , na margem direita do rio Camaquã .

 Na Revolução de 23 Canguçu foi  cenário nas operações capitaneadas  pelo General Zeca Netto que se defrontou com outro  canguçuense ilustre  o Coronel Juvêncio Lemos, no combate de Canguçu Velho de 14 de agosto de 1923, nas terras da antiga   Real Feitoria do Linhocãnhamo.

Em Porto Alegre o canguçuense Cel. G. N. Genes Gentil Bento, como Notário do 3º Ofício, foi  encarregado de organizar a Guarda Republicana  para defender Porto Alegre dos revolucionários.

Na 2º Guerra Mundial Canguçu concorreu  com o pesado tributo em vidas representado por 10 % dos mortos gaúchos da Força Expedicionária Brasileira – FEB os soldados Hortêncio Rosa e Izidro Matoso

No Cerro dos Borges, na cidade de Canguçu, de onde há mais de 200 anos Rafael Pinto Bandeira vigiava o inimigo, hoje abriga a estratégica instalação do Sindacta 2 ( Sistema Nacional de Defesa Aérea e de Controle do Tráfego Aéreo). Canguçu foi chamado  pelo professor  alemão Eduardo Wilhelmy de “ jóia incrustada  na Serra dos Tapes”  e em data recente pelo historiador  Osório  Santana Figueiredo, de “ A magnífica dos cerros”, conforme já referido . 

O primeiro historiador de Canguçu J. Simões Lopes Neto em 1912 e as Fontes de História de Canguçu 

O primeiro  historiador  de Canguçu foi em 1912, J. Simões Lopes  Neto na Revista do Centenário de Pelotas n o 4   com apoio em elementos que lhe foram fornecidos pelo Intendente Genes Gentil Bento e Carlos Noberto Moreira, observadores e divulgadores da memória local oral.

Obra continuada por Conrado Ernani Bento, filho do primeiro e genro do segundo que legou-nos valiosa documentação que vinha preservando e que a usamos em nossa pesquisa de mais de 25 anos e que traduzimos na obra:

BENTO Claudio Moreira, Cel. Canguçu reencontro com a História. P. Alegre, IEL, 19836 ( com prefácio de Luiz Carlos Barbosa Lessa).

Esta obra indica a localização de exemplares da pesquisa original bem ampla de que o livro se constituiu um resumo devido o alto custo

Foi  uma vida dedicada ao resgate da memória local a professora  Marlene Barbosa Coelho, hoje nome da Casa da Cultura de Canguçu pela qual lutou.

Sua obra se traduz na criação  e desenvolvimento do Museu Municipal Cap. Henrique José Barbosa, seu  ancestral que morreu na Guerra do Paraguai, de onde enviou  cartas à família com riquíssimas informações históricas de natureza militar.

Para dar continuidade a este esforço de resgate, culto e divulgação da História de Canguçu, foi criada em 13 de setembro de 1988 a Academia Canguçuense de História  (ACANDHIS) tendo como patrono Conrado Ernani Bento que não sendo historiador teve  a sensibilidade de colecionar e preservar  por mais de 50 anos documentos  históricos da maior importância  para restauração da história de Canguçu que realizamos  com grande esforço e amor, sobretudo à terra  natal e em memória dos  nossos ancestrais das famílias Gomes, Silveira, Vaz, Borba, Matos, Oliveira, Moreira e Bento, povoadoras de Canguçu.

  As duas últimas chegadas com a criação do município  em 1957 , com Ignácio José Moreira, primeiro funcionário da Justiça em Canguçu  e que fora uma espécie de chefe de gabinete do Ministério do Interior da Republica Rio Grandense e de Antônio Joaquim Bento, o primeiro professor régio para meninos de Canguçu e filho do Alferes Antônio Joaquim Bento que chegara ao Brasil como integrante da Divisão de Voluntários Reais de Portugal que incorporou o atual Uruguai ao Brasil de 1821/28 como Província Cisplatina.

Desmobilizado Antônio Joaquim em Piratini ele e seu amigo Vicente Ferrer de Almeida casaram com duas filhas do português natural de Guimarães e nosso tetravó José de Mattos que instalou em Piratini um moinho que deu o nome do arroio do Moinho e que construiu a 1a igreja de Piratini .Arroio a margem do qual se instalou a primitiva Vila dos Casais, conforme abordamos em nossa plaqueta Piratini um sagrado símbolo gaúcho farrapo.Resende-RJ:IHTRGS/ACANDHIS,2.000. 

Como farrapo Antônio Joaquim Bento(pai) teria sido o primeiro professor de Alegrete e Vicente Ferrer oficial do Corpo de Lanceiros Negros e funcionário do Ministério da Guerra e da Marinha, segundo concluímos da leitura do jornal O Povo da República Rio Grandense.

E pensar que toda esta história aqui restaurada  estava completamente esquecida pela comunidade por coberta pela patina do tempo, a qual com paciência, persistência a removemos com nossas pesquisas iniciadas em 1957,Centenario do Município de Canguçu.

Como canguçuense me sinto orgulhoso e realizado .E espero que outros continuem este trabalho e que não mais permitam que Canguçu pelo desconhecimento de seu passado se torne de novo uma nau sem bússola, perdida no meio de uma tempestade sem saber de onde é que veio , onde  é que esta e para onde é que esta indo.

Cabe aqui ressaltar os resgate genealógico de povoadores de Canguçu que conseguimos em Petropolis-RJ ,com o grande genealogista Carlos Grandmasson  Rheingantz e que publicamos em Canguçu reencontro com a História  e  bastante ampliados pelas notáveis genealogistas Ilka Guittes Neves em Canguçu - RS primitivos moradores, primitivos batismos1800/1915(Pelotas:UFPel,1998) por nós apresentado e por Alda Maria de Moraes Jaccottet .Cadernos de Genealogia -Obstinadas famílias de Canguçu-RS Livro n o 1 B de batismos 1813-19.Pelotas,1999 e mais de Adolfo Fetter Junior . Os Vetter/Fetter 170 anos de Rio Grande do Sul e Brasil. Pelotas: Edição do autor,1997.

 Obra que contou com nossa colaboração as p.6,485,486(nota) e com obras nossas relacionadas a p.517, em que esclarecemos a participação na Revolução Farroupilha, do Sargento Jacob Fetter que inclusive viveu em Canguçu como comandado de Chico Pedro ou Moringue.

Não podem serem esquecidas as atas de sessões da Academia Canguçuense de História em seus mais de 10 anos de funcionamento, primorosamente registradas pela secretária professora Aliete Ribeiro e que estão em processo de digitação  pelo acadêmico Cairo Moreira Pinheiro, podendo brevemente  serem difundidas pela INTERNET.

Eis ai um valioso conjunto de fontes sobre as história de Canguçu e de sua gente para se levar avante a idéia de pesquisar, preservar, cultuar e divulgar a História, a Tradição  e o valores culturais e históricos de Canguçu .

Tarefa muito relegada talvez por Canguçu não ter antes possuído historiadores para realizar esta tarefa como aconteceu com outras cidades e que as projetaram no cenário estadual.

Não se pode esquecer a contribuição do canguçuense Major Angelo Pires Moreira que copiou de jornais antigos na Biblioteca Pública de Pelotas , notícias sobre Canguçu as quais incorporamos na Revista Canguçu 200 anos e que constam, em encadernação por nós mandada fazer, do Arquivo de Conrado Ernani Bento com a sua nora Professora Yonne Maria Sherer Bento, vice presidente da ACANDHIS.

Com esta síntese e as fontes históricas nela indicadas pode o perquisador e leitor interessado aprofundar e mesmo desenvolver a História de Canguçu.

 


Última alteração em 06-29-2006 @ 06:57 pm

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