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A Casa das 7 Mulheres
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-03-2006 @ 09:37 pm
 

 

A CASA DAS 7 MULHERES

(A História e a Fantasia)

Gaúcho natural da Serra dos Tapes onde se encontra a cidade de Piratini e Canguçu, o seu  distrito de mais perigo e mais farrapo” durante a Revolução Farroupilha 1835-45 e, além, autor do livro O Exército Farrapo e  os seus Chefes em 1991 e outros sobre o assunto , cabe-me fazer algumas considerações históricas  sobre o magnífica mini série A Casa das 7 mulheres da Globo que vem com traje de gala divulgando a Revolução Farroupilha, onde possui suas raízes a República Federativa do Brasil implantada há 114 anos.

A minissérie atende em seu miolo ou espinha dorsal ,até agora ,o desenvolvimento histórico da Revolução Farroupilha.

Mas como disse seu diretor Jaime Monjardin “ela possui 40 % de História e 60 % de fantasia”.E aproveitou um tema histórico e o vestiu de gala com toda a pompa e circunstância e de forma notável.

No tocante as Fantasia como elemento notável para atrair os tele espectadores e passar-lhes o essencial da História ,usou recursos inexistentes na época e tudo, por conta da citada e louvável fantasia.

Exemplos :O uso de lenços vermelhos e brancos pelos farrapos e imperiais, um costume que remonta a Guerra Civil  na Região do Sul 1893-95. O cenário lindíssimo dos Aparados da Serra   onde a revolução não chegou. Luxo nas estâncias ,casas e igrejas incompatível com aspecto espartano das mesmas do que a estância de Bento Gonçalves  em Cristal-RS , hoje Parque Histórico em sua memória é um exemplo .Imperiais entrando a cavalo dentro de uma igreja  quando os santos no Império eram mais respeitados que os próprios generais e a canção do Exército era a de  N. S. da Conceição a sua padroeira. Era raro o uso de carroças e sim carretas. E não existiam carruagens  que só aparecem em Pelotas por volta de 1865 .

 Os Farrapos não possuíam uniformes conforme abordamos no livro citado e nem usavam bigodes. As casas não possuíam vidraças o que só apareceria mais tarde. Tanto que o Ministro de Fazenda Domingos de José de Almeida , mineiro de Diamantina, levava em suas viagens em sua carretinha ,uma pequena janela com vidraças para instalar nos locais onde montava o seu escritório itinerante.

Aliás ele não foi ainda citado bem como os cariocas João Manoel Lima e Silva e José Mariano de Matos, oficiais com curso na Escola Militar do Largo de São Francisco.

E aos três se deve a idéia depois da vitória de Seival da proclamação da República Rio Grandense em 11 set 1836 em Campo do Menezes pela Brigada Liberal de Antônio Netto e composta de 4 esquadrões mobilizados em Piratini, Canguçu, Cerrito e Bagé .

João Manoel foi o primeiro general farroupilha e foi assassinado pelos imperiais em São Borja e de lá trasladado para Caçapava  do Sul e ali espalhados seus ossos pelos campos por imperiais. Era tio do futuro Duque de Caxias.

José Mariano de Matos foi Ministro da Guerra Farrapo, vice presidente da República e seu presidente interino e autor do brasão farrapo e adotado desde 1891 pelo Constituinte Gaúcha. Ao fim da Revolução foi Ajudante General de Caxias na Guerra contra Oribe e Rosas 1851-52 e terminou como Ministro da Guerra do Império em 1864.

A minisérie exagerou nas tintas revolucionárias ao tratar do maior general do período ,o sorocabano General Bento Manoel Ribeiro que assim foi defendido pelo grande  Osvaldo Aranha.

“ Bento Manoel, o grande farroupilha foi até certo ponto a figura mais caluniada da nossa história. Não lhe compreendiam as aparentes variações e transigências . Não lhe perdoavam o monarquismo destoante do espirito da Revolução .Investigações mais profundas permitiram resgatar a verdadeira figura moral do soldado. Bento Manoel é um dos maiores tipos do Rio Grande. Guerrilheiro e soldado, a sua fé de ofício não inveja a de ninguém. Lutou pelo Rio Grande sem nunca perder de vista a Integridade do Brasil ” 

Concordamos com Osvaldo Aranha e na História da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada estamos abordando os argumentos em que  ele  justificou suas atitudes e que nunca foram ouvidos e considerados e sim abafados por esta quadro popular no folclore gaúcho.

“ Pode um altivo humilhar-se

pode um teimoso ceder,

pode um pobre enriquecer,

pode um pagão batizar-se

pode um avaro emprestar,

um lascivo confessar-se.

tudo pode ter perdão!

Só Bento Manoel não  ”

Lamento a abordagem exagerada da figura de Bento Manoel pela minisérie , que se reflete negativamente em seus descendentes que por ai se encontram , merecendo destaque o General Bento Ribeiro, hoje nome de um bairro no Rio e que como Chefe do Estado – Maior do Exército criou a celebre Missão Indígena da Escola Militar do Realengo ( 1919-1921 ).

Não sabemos em que fontes a minissérie buscou apoio, pois não vi ela referir-se a nenhuma delas o que me parece seria ético e justo que o fizesse, como homenagem a todos aqueles que com suas pesquisas possibilitaram os argumentos para Jaime Monjardin .Isto fortaleceria a democracia e o direito à propriedade intelectual .Fica o registro! Não chego ao ponto de alguns escritores classificarem esta ausência de referência a seu trabalhos de pirataria intelectual .Talvez a autora do romance A casa das 7 mulheres tenha feito em seu livro .

Em 1971 produzimos o livro A Grande Festa lanceiros focalizando a inauguração do Parque Histórico Osório em Tramandai e nele ,em razão de replica do barco Seival ali colocado ,resgatamos o feito épico do transporte dos barcos Seival e Farroupilha ,da Lagoa dos Patos ao Atlântico .E junto as histórias de Garibalda, Anita , e do norte-americano John Crigs, esquecido na minisérie em sua grandesa e que atuou como construtor e comandante do barco Seival, em cujo comando encontrou a morte na batalha naval de Laguna. E mais os esquecidos lanceiros negros farrapos e seu líder o Cel Joaquim Teixeira Nunes , natural de Canguçu e considerado pelo General Tasso Fragoso como “a maior lança farrapa.”

Isto nos fez sugerir neste livro ,então pela presença de Garibaldi, John Grigs  e Anita, um consórcio cinematográfico Brasil, EUA e Itália para fazer um filme que hoje a minisérie esta fazendo com grande brilho que nos enche de orgulho .

A novela e magnífica . Os reparos  correm por conta do tratamento injusto de Bento Manoel na minisérie e ela em  seu excelente trabalho, não mencionar os historiadores que ajudaram a fazer o seu trabalho preservando a memória desta revolução .

 E  o que a Globo realizou é do  agrado geral , menos para o descendentes do General Bento Manoel apresentado como um homem diabólico sem levarem em conta o quanto lhe devem a Unidade, a Soberania e a Integridade do Brasil e mesmo a expansão do  Brasil no Sul de 1801 a 1828. Confirmar é obra de simples  raciocínio e verificação !

E por último: A Revolução Farroupilha conforme demonstramos no livro citado foi feita pela guarnição do Exército do Rio Grande a maior da época ,em apoio aos fazendeiros e charqueadores que integravam a Guarda Nacional que era comandada por Bento Gonçalves.

As 6 unidades do Exército que guarneciam a Província se revoltaram :1 de Infantaria, 1 de Artilharia e 4 de Cavalaria.

Bento Manoel e Bento Gonçalves eram oficiais de Estado Maior do Exército e vinham de comandar a Cavalaria de Rio Pardo e Jaguarão. Só o comandante do 2º RC de Bagé não se revoltou e o Ten Osório, hoje patrono da Cavalaria, aderiu a revolução e conduziu seu comandante até a fronteira.  

Sintetizando a minisérie satisfaz a História em sua espinha dorsal e a fantasia no esplendor de suas imagens onde ressaltam gravuras da época de Porto Alegre e Rio Grande que conseguiram movimentar dando um impressão de realismo ,acredito que por conta do gênio de Hans Donner .Vamos  aguardar o que vem por ai e como Caxias o seu pacificador será tratado historicamente  na minissérie em seu bicentenário de nascimento em 2003 ?  ocasião em que lançaremos um livro Caxias e a Unidade Nacional o reverenciado como patrono da Academia de História Militar Terrestre do Brasil .

 


Última alteração em 07-03-2006 @ 09:37 pm

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