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Reparando um injustiça histórica sobre a invasão da PUC há 30 anos.
Inserido por: GrupoGuararapes
Em: 10-04-2007 @ 03:23 pm
 

 
 

Jornalista José Alberto Bombig

 

Quanta Injustiça

 

            Li sua reportagem com o título: INVASÃO DA PUC MARCOU A REDEMOCRATIZAÇAO, publicada na Folha de São Paulo de 23 de setembro de 2007. Até aí tudo bem, quanto ao que diz, pois é um ponto de vista político. Política e religião não adianta discutir, é perda de tempo.

Mas logo em baixo vem uma grande inverdade e injustiça: “HÁ 30 ANOS, INVESTIDA DA POLÍCIA MILITAR”. Não é verdade este fato que se alardeia aos quatros ventos e faço esta afirmação pois era eu o Comandante da Polícia Militar, da época. Vou contar o que se passou e várias vezes tenho afirmado e parece que há uma vontade de se esconder a VERDADE.

            Recebi ordem do Secretário de Segurança de São Paulo para cercar a PUC, no dia 21 de setembro de 1977. Chamei o comandante do Choque, coronel PAULO WILSON, um dos mais brilhantes oficiais que conheci na minha vida. Dizer de suas qualidades seria poder cometer até uma injustiça, pois são tantas que poderia falhar em não apontar uma, ou mais, delas.

Decidi que iríamos cercar a PUC, a partir de manhã cedo e ficaríamos a dois quarteirões da sede para evitar qualquer problema com os estudantes. E, assim, procedemos. A ordem era ninguém entrar e quem quisesse sair poderia. Passamos o dia todo sem nenhum problema. O nosso planejamento era ganhar pelo cansaço.

            Já era noite, perto de 19:00 hs, tudo na maior tranqüilidade, quando vejo policiais da Polícia Civil dirigindo-se para a sede da PUC. Corri e pedi para que não fizesse isso, pois a coisa estava sob controle. Não fui atendido e fiquei no meu lugar. Logo, depois, chega-me o Cel Paulo WILSON, emocionado e com lágrimas nos olhos, afirmando a maior VERDADE que vi: “VAMOS LEVAR A CULPA E NADA FIZEMOS”. Fiquei quase sem ação e imaginando o que se poderia fazer para salvar a situação da melhor maneira possível. Logo depois, vem a ordem para embarcar os jovens em uma fileira de ônibus e levá-los para o QUARTEL TOBIAS AGUIAR. Tomei pé da situação, passei a não admitir mais a presença de quem quer que fosse, só a da minha Polícia Militar. Eu, à frente, e auxiliado por oficiais fomos colocando os meninos nos ônibus, dando fuga ao maior número possível, particularmente as meninas que estavam grávidas.

            Ao chegar dentro do TOBIAS DE AGUIAR fomos organizando as coisas. Senti que os jovens estavam com fome. Providenciei uma merenda e procurava acalmá-los, pois queria mandá-los o mais rapidamente possível para casa. Eles começaram a sentir que estavam em segurança. Eu chegava ao portão e encontrava muitas mães e pais aflitos. Procurava consolá-los e várias vezes entreguei seus filhos. Assim, passamos a noite de 22 para 23 de setembro. Só fui para casa quando não tinha mais nem um menino no meu Quartel TOBIAS AGUAR. Ao chegar e conversando com a minha esposa, que já faleceu, lhe fiz ver que não era possível resolver problemas só com a força e sim, também, com a inteligência.

            Em toda esta pseudo-guerra, duas coisas me marcaram para sempre. Um ou dois dias, depois, meu filho estava na casa da namorada quando chega uma amiga, grávida. Ela conta o sufoco que passou na PUC e disse: “a minha sorte é que encontrei um Oficial do Exército, que vendo a minha barriga, me mandou embora. Parecia ser um homem bom”. Meu filho apenas lhe disse: “É meu pai”. Até hoje não conheci esta moça e deve sempre falar bem da POLÌCIA MILITAR, pois não fomos nós que invadimos a PUC.  A outra é que a Polícia Militar perdeu um dos mais brilhantes oficiais. PAULO WILSON não aceitou o que fizeram e pediu transferência para a reserva. Já general, se não me falha a memória, fui fazer uma visita a este formidável oficial. Choramos nossas dores ao lado de sua querida esposa. Foi um encontro de um chefe com um subordinado que se respeitavam. Quando vou a SÃO PAULO, sempre, pergunto por ele, mas nunca mais o vi. Fico triste em não mais ter-lhe abraçado. Se ele leu essa sua reportagem deve ter dito: QUANTA INJUSTIÇA! NÃO FOI A POLÍCIA MILITAR QUEM INVADIU A PUC!

Uma fotografia minha já foi colocada dizendo que eu tinha invadido a UNIVERSIDADE. Não. Podem me acusar de ter fracasso na Missão, mas não culpem a grande FORÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO.

            Jornalista José Alberto Bombig. Procure pessoas que estão vivas. Perguntem e eu tenho certeza que afirmarão que não foi a POLÍCIA MILITAR QUEM INVADIU A PUC.  

            È preciso restabelecer-se  a Verdade Histórica.

 

 

            Atenciosamente,

Fortaleza, 30 de setembro de 2007

 

GENERAL DE DIVISÃO REFORMADO FRANCISCO BATISTA TORRES DE MELO

EX-COMANDANTE  DA POLÍCIA MILITAR DE SÃO PAULO de 1974-1977. 

QUE PARA MIM É A MELHOR PM DO MUNDO.

 


Última alteração em 10-04-2007 @ 03:23 pm

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