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Marechal-do-Ar Eduardo Gomes: O Homem e o Mito (1 de 2)
Inserido por: Cambeses
Em: 11-08-2007 @ 05:42 pm
 

 
Curriculum 
Vitae

 

 

 

Autor: * Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

  Parte 1/2                            Marechal-do-Ar Eduardo Gomes: O Homem e o Mito

Cel.-Av. R1 Manuel Cambeses Júnior
Vice-Diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica

O Brigadeiro Eduardo Gomes foi uma personalidade tão multifacetada e rica em sua abrangência, que, com extrema facilidade, encontramos adjetivos laudatórios para definir a sua intensa vida militar e a trajetória brilhante percorrida durante várias décadas, no exercício da dignificante arte de comandar e de transmitir seus profícuos conhecimentos a várias gerações de brasileiros.
         Não seria difícil distinguir-se entre as várias nuances de sua marcante personalidade a de maior significação. Destacava-se, entretanto, o seu devotado amor à Aeronáutica, seu acendrado patriotismo e seus inquebrantáveis dotes morais.
         Há pessoas que se identificam com a História pelo desempenho extraordinário de sua missão, nas exigências de cada época. Eduardo Gomes foi uma delas. Militar extremamente dedicado à carreira, exímio aviador, leal companheiro, devotado patriota, combatente de primeira hora e cidadão exemplar.
         À par de suas inúmeras virtudes morais e intelectuais, o inolvidável Brigadeiro tinha como paradigma de vida a transparência e a sinceridade. Porte altivo, coragem e determinação, integridade moral e honestidade, aliados a um coração terno e generoso, lhe outorgaram uma personalidade muito especial, tal qual o raro brilho de um cristal puro e radiante de luz. Realmente, uma personalidade ímpar, plasmada no amor e dedicação ao trabalho e ao estudo, embasada nos exemplos de um lar paterno bem formado.
         A rapidez da evolução da tecnologia e, conseqüentemente, do avião, nas primeiras décadas do século passado, haveria de ser acompanhada por homens idealistas e deterministas, no sentido de um bom aprimoramento do uso de tão extraordinária máquina, bem como, na busca da utilização da mesma para a solução de alguns problemas nacionais.
         Eduardo Gomes foi um daqueles homens extraordinários que marcaram os momentos gloriosos e históricos da Aviação brasileira, tendo deixado como herança a sua devoção no cumprimento do dever e a confiança num notável engrandecimento do Ministério da Aeronáutica e de uma ativa e fecunda participação da Aviação no desenvolvimento da nação brasileira.

ORIGEM, INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA



         Eduardo Gomes, filho de Luis Gomes Pereira e Jenny de Oliveira Gomes, nasceu em 20 de setembro de 1896, na cidade de Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro.

Seu pai foi Oficial da Marinha, com honras de Capitão-Tenente da Armada, por Decreto do Governo. Com 18 anos de serviço, demitiu-se da Marinha. Devido a alguns empreendimentos desastrosos, sua fortuna ficou bastante reduzida, passando a depender de seu ardor jornalístico. Sua mãe despertava a atenção por sua beleza, espírito empreendedor e cultura, pois falava fluentemente, aos 18 anos, o francês, o inglês e o alemão, tendo aprendido, também, piano, equitação e escultura
         Eduardo Gomes iniciou seus estudos no Colégio Werneck, no qual rapidamente tornou-se líder entre seus colegas.
         Continuando seus estudos, ingressou no Colégio São Vicente de Paulo, no Rio de Janeiro, realizando o Curso de Humanidades, onde revelou-se, de forma extraordinária, em matemática.
         Por sua dedicação aos estudos, atingiu a posição de coronel-aluno, Comandante do Batalhão Colegial, com direito ao uso de espada.

EDUARDO GOMES - O MILITAR



         Desenvolveu, durante o Curso na escola Militar um elevado espírito de cooperação e camaradagem, colocando-se entre os melhores de sua turma, ajudando, freqüentemente, os colegas menos preparados.
         Foi declarado Aspirante-a-Oficial, em 17 de dezembro de 1918, na Arma de Artilharia. O Aspirante-a-Oficial Eduardo Gomes foi designado para servir no IX Regimento de Artilharia, em Curitiba, Paraná, e lá foi promovido a Segundo-Tenente, em janeiro de 1921.

Manteve, desde cadete, intensa amizade com Siqueira Campos, seu colega de turma da Arma de Artilharia, que com ele compartilharia, mais tarde, de eventos heróicos e históricos.
         Em 1922, foi servir na Escola de Aviação Militar, no legendário Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, para fazer o Curso de Observador Aéreo de Artilharia. Reunia, assim, o feliz casamento de sua Arma de formação com a Aviação que tanto o empolgava e fascinava.

EDUARDO GOMES - O EPISÓDIO HISTÓRICO DOS “18 DO FORTE”



         Naquele ano, 1922, com 26 anos de idade, volta a encontrar-se com Siqueira Campos no Forte de Copacabana, onde aquele servia, e com ele compartilha de um movimento rebelde contra a política do governo federal no tocante a má administração e as irregularidades na campanha eleitoral.

Chefiados por Siqueira Campos, no dia 6 de julho de 1922, por sugestão de Eduardo Gomes, quatro oficiais e treze soldados e civis, saem do Forte de Copacabana e, pela Avenida Atlântica, que margeia a praia, seguem à luta contra cerca de 4.000 homens. À eles juntou-se um civil, o gaúcho Otávio Corrêa.
         Neste episódio, que ficou conhecido como “Os Dezoito do Forte”, Eduardo Gomes foi gravemente ferido no embate com as forças governistas.
         Todos levavam um pedaço da Bandeira Nacional do Forte de Copacabana, que Siqueira Campos havia repartido entre eles.

A revolta do Forte de Copacabana, que abriu o ciclo revolucionário em que predominavam os Tenentes, nasceu do ressentimento militar contra a candidatura de Artur Bernardes, cuja impopularidade mais se acentuou com o episódio das “cartas falsas” – quando o jornal Correio da manhã publicou duas cartas atribuídas a Artur Bernardes -, que objetivavam incompatibilizar os militares com o candidato à sucessão de Epitácio Pessoa.
         Tal fato acabou originando uma séria crise, agravada com a prisão do Marechal Hermes da Fonseca, então Presidente do Clube Militar, “em condições que feriam a sua dignidade de oficial-general”, como declarou mais tarde o Capitão Euclides Hermes, então comandante do Forte de Copacabana.
         A revolta do Forte extinguiu-se num lance de desesperada bravura, pois não conseguindo tornar vitorioso o movimento, os derradeiros revoltosos iriam terminar suas vidas lutando contra as forças do governo, no episódio que ficou conhecido como os “Dezoito do Forte”.
         Do combate então travado, embora gravemente feridos, escaparam com vida: Eduardo Gomes e Siqueira Campos.
        

ENVOLVIMENTO EM OUTROS MOVIMENTOS POLÍTICO-MILITARES



Julgado e condenado, por sua participação naquele episódio, antes de ser preso Eduardo Gomes foge e vai viver em Mato Grosso, onde trabalhou como professor, com identidade falsa e, mais tarde, em Campos, como Engenheiro Civil.

Posteriormente, em 1º de julho, por ocasião da eclosão da Revolução Paulista, de 5 de julho de 1924, comandada pelo General Isidoro Dias Lopes, foi preso em Santa Catarina.
         Tendo sido preso, foi cumprir sua pena, inicialmente, na Fortaleza de Santa Cruz (de onde tentou fugir) e, posteriormente, na Ilha Trindade. Com a eleição de Washington Luiz, em novembro de 1926, os prisioneiros de Trindade foram trazidos para o Rio de Janeiro e depois postos em liberdade condicional.

Ao participar do movimento revolucionário de 1930, que saiu vitorioso, foi finalmente anistiado e reintegrado à vida militar, graças ao Decreto-Lei, de 8 de novembro de 1930, que anistiou todos os civis e militares envolvidos nos movimentos revolucionários ocorridos no país.
         A partir daí, sua carreira militar desenvolveu-se rapidamente, sendo promovido a Capitão, em 15 de novembro de 1930, a Major, cinco dias depois, em 20 de novembro; a Tenente-coronel, a 16 de junho de 1933; Coronel, em 3 de maio de 1938 e a Brigadeiro-do-Ar, a 10 de dezembro de 1941.
         Atendendo ao pedido de diversos companheiros, ao final do ano de 1930, realiza o curso de pilotagem, no Campo dos Afonsos, tendo como instrutor de vôo seu amigo, Casemiro Montenegro Filho, já que ele, até então, exercia a atividade de observador aéreo. Inicia, desta forma, uma nova fase na sua vida, indo conhecer diversos rincões do Brasil através da Aviação.
         Juntamente com o Capitão Casimiro Montenegro Filho e com o Capitão Antônio Lemos Cunha, irá lutar pela criação do Correio Aéreo.


        

EDUARDO GOMES - A CRIAÇÃO DO CORREIO AÉREO MILITAR



         Havia sido criado no Campo dos Afonsos, em maio de 1931, o Grupo Misto de Aviação com militares e meios materiais transferidos da Escola de Aviação Militar, também no Campo dos Afonsos. O Grupo continha uma Esquadrilha de Treinamento que possuía alguns aviões com condições de vôos mais longos. As normas estabelecidas para o vôo no Campo dos Afonsos limitavam as operações dos aviões brasileiros a um cilindro com centro no Campo dos Afonsos e com raio que não deveria exceder os dez quilômetros. Os pilotos daquela esquadrilha de treinamento desejavam ir mais além, de forma a atingir todo o território nacional. Aquela limitação provinha de uma concepção de emprego tático do avião na Primeira Guerra Mundial, quando devido às limitações técnicas daquele engenho, sua aplicação em um raio de dez quilômetros era recomendável e suficiente. O Brasil, entretanto, com sua grandeza territorial e carente de ligações das suas cidades, levava a aumentar a vontade daqueles pilotos em dar sua contribuição para melhorar, até modificar, aquela situação.
         Os vôos dos aviões franceses vindos da França, via África, sobrevoando o Brasil, indo até Buenos Aires, davam a certeza da necessidade de ser criado um correio aéreo brasileiro. Tanto insistiram, que o Ministro da Guerra criou, no Grupo Misto de Aviação, o Serviço Postal Aéreo Militar, que logo passou a chamar-se Correio Aéreo Militar.

Os Tenentes Lavanère-Wanderley e Casimiro Montenegro Filho, de posse de uma mala postal da Empresa de Correios, no dia 12 de junho de 1931, realizam o vôo que se tornaria o primeiro do Correio Aéreo Militar, estabelecendo a rota Rio de Janeiro–São Paulo.

Estava ultrapassado o cilindro do Campo dos Afonsos. O então Major Eduardo Gomes, um dos grandes batalhadores do Correio Aéreo Militar, assistira e participara daquela partida pioneira, que iria proporcionar um dos importantes objetivos nacionais: a integração do País.
         O destino estava predestinando-o a ser, no restante de sua carreira militar, o condutor, consolidador e símbolo de um sonho tão difícil de ser realizado.Em agosto de 1931, assumiu o cargo e as funções de Comandante do Grupo Misto de Aviação, pelo qual respondeu até março de 1932
         Em 1932, é designado Comandante das Forças da Aviação Militar do Governo Federal, contrário ao levante da Revolução Constitucionalista no Estado de São Paulo..
         Pela primeira vez, Eduardo Gomes se colocava ao lado do Governo Federal. Pensava que o decurso de somente dois anos de Governo era insuficiente para a obtenção de resultados consistentes e sólidos; portanto, no seu entender, era indevido tal movimento. Devido à eclosão do movimento insurrecional, foi compelido a reduzir a sua total dedicação ao Correio Aéreo Militar para, usando a aviação militar, combater os rebeldes. O Correio Aéreo Militar, devido à situação do País, teve que interromper suas operações de julho a outubro daquele ano. Eduardo Gomes transfere-se com seu grupo para a cidade de Resende, centralizando ali o comando de suas forças no Vale do Paraíba assumindo, cumulativamente, o Comando das Unidades Aéreas do Destacamento de Exército do Leste. Sua extraordinária atuação contribuiu para dominar aquele levante paulista.
         Terminado o conflito, retomou suas atividades no Correio Aéreo Militar, comandando, novamente, o Grupo Misto de Aviação até março de 1933, quando este foi extinto, passando a ser o 1° Regimento de Aviação, sediado no Campo dos Afonsos, permanecendo, no seu Comando.
         Dando prosseguimento às suas atividades aeronáuticas, tratou Eduardo Gomes de imediatamente ampliar as operações do Correio Aéreo Militar ao estender, em outubro, a Linha Rio-São Paulo até Goiás, com escalas em diversas cidades.

De tal forma foi o êxito alcançado que, ainda em 1932, foram ativadas as rotas para os Estados de Mato-Grosso e do Paraná.
         Em 1933, com a preocupação da penetração na direção norte, era inaugurada, no dia 15 de fevereiro, a Linha do Rio São Francisco, ligando o Rio a Fortaleza; sendo esta Linha estendida até Teresina, em dezembro daquele ano.
         Em 23 de junho de 1934, foi inaugurada a Linha do Rio Grande do Sul, ligando a capital Porto Alegre a Santa Maria. No final daquele ano e, no ano de 1935, outras Linhas foram inauguradas.
         O Correio Aéreo Nacional veio reforçar a coesão nacional, como um elemento novo no sistema de comunicações do país, aproximando o remoto interior dos grandes centros populosos.

Leia a continuação: parte 2/2

 


Última alteração em 11-08-2007 @ 05:48 pm

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