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Marechal-do-Ar Eduardo Gomes: O Homem e o Mito (2 de 2)
Inserido por: Cambeses
Em: 11-08-2007 @ 05:52 pm
 

 
Curriculum 
Vitae

 

 

 

Autor: * Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

 

Continuação. Leia a parte 1/2 

EDUARDO GOMES - A REVOLTA DE COMUNISTA DE 1935



         O Partido Comunista do Brasil fez eclodir, nos dias 23 e 24 de novembro de 1935, levantes nas cidades de Natal e Recife, respectivamente.
         Eduardo Gomes teve atuação decisiva no combate à Intentona Comunista, deflagrada em 1935, quando parte da guarnição da Escola de Aviação Militar sublevou-se, chefiada, entre outros, pelos Capitães Agliberto Vieira de Azevedo e Sócrates Gonçalves da Silva.
         No Rio de Janeiro, então Capital Federal, era esperado um levante no 3° Regimento de Infantaria na Praia Vermelha, o que efetivamente se deu na madrugada do dia 27 de novembro, envolvendo, também, a Escola de Aviação Militar, no Campo dos Afonsos.
         Eduardo Gomes, Comandante do 1° Regimento de Aviação (Campo dos Afonsos), vinha mantendo contato com o Chefe de Polícia do Rio de Janeiro, procurando estar informado dos acontecimentos. Já havia tomado providências quanto ao aumento da segurança da sua Unidade. Não imaginava, entretanto, um levante naquela Escola.
         Agindo de surpresa, os revoltosos dominaram a maior parte das instalações do 1° Regimento de Aviação, conseguindo isolar Eduardo Gomes no prédio do comando. Os rebeldes persistiram na luta até o amanhecer.
         Eduardo Gomes havia sido ferido na mão por um tiro de fuzil, logo no início dos combates; mesmo assim continuou resistindo com um punhado de bravos oficiais e praças. Solicitados por Eduardo Gomes, chegaram reforços oriundos do Regimento Andrade Neves quando os insurretos se puseram em fuga, facultando o domínio do levante.
         Comentando a coragem e determinação do Brigadeiro, afirma em seu livro Caminhada com Eduardo Gomes, o Ten.-Brig. Deoclécio Lima de Siqueira: “Cercado por forças superiores, ferido nas dependências de seu próprio comando, teimara em lutar. E com esta teimosia não permitiu que o movimento se alastrasse, nem que as trágicas conseqüências se avolumassem”.

Ao final, ficou constatada a morte de três oficiais e seis soldados das Unidades legalistas do Campo dos Afonsos.
         Eduardo Gomes permaneceu no Comando do 1° Regimento de Aviação até a instalação do Estado Novo no Governo Federal, em 10 de novembro de 1937.
         No dia seguinte, por ser contrário àquele golpe de estado, apresentou-se ao Estado-Maior do Exército formalizando sua demissão do comando, sendo, por isto, exonerado
         Eduardo Gomes foi promovido a coronel em maio de 1938. Havia a articulação de um movimento armado contra o Governo do Estado Novo pelos integralistas. Havia informações de que Eduardo Gomes dele participaria, entretanto, em carta enviada no dia 14 de maio ao Diretor de Aeronáutica do Exército, comunicava que houvera recusado o convite a ele formulado.
         Em junho de 1938, foi criado o Serviço de Rotas e Bases Aéreas, subordinado à Diretoria de Aeronáutica do Exército. Ao novo Serviço foram subordinados o CAM, o Serviço de Meteorologia, o Serviço de Radiocomunicações e o Serviço de Manutenção dos Campos de Pouso.

Eduardo Gomes, em outubro daquele ano, assume a Chefia do Serviço de Rotas e Bases Aéreas. Voltava, assim, a ocupar-se das atividades do CAM. No decurso dos anos passados, graças às ações diretas e indiretas de Eduardo Gomes, o CAM havia aumentado de muito suas Linhas. Entre outras, podem-se citar as que passaram a ligar o Rio de Janeiro a Assunção (no Paraguai), a interligar cidades interioranas brasileiras, a realizar o Roteiro do Rio Tocantins e a penetrar a Amazônia (seguindo pela costa e pelo interior).

Em 20 de janeiro de 1941, foi criado o Ministério da Aeronáutica, e, com ele, a fusão da Arma de Aviação do Exército e do Corpo da Aviação Naval, dando origem à Força Aérea Brasileira.
         Em outubro de 1941, foi criada a Diretoria de Rotas Aéreas em substituição ao Serviço de Rotas e Bases Aéreas, e, subordinado àquela Diretoria, foi criado o Correio Aéreo Nacional (CAN) pela fusão do Correio Aéreo Militar (CAM) com o Correio Aéreo Naval. Eduardo Gomes foi mantido na Chefia do Serviço de Rotas e Bases Aéreas até sua total desativação em novembro daquele ano.


        

EDUARDO GOMES - NO COMANDO DAS I e II ZONAS AÉREAS



         A 10 de dezembro de 1941 é promovido a Brigadeiro-do-Ar e designado Comandante das I e II Zonas Aéreas, sediadas em Belém e em Recife (Norte e Nordeste do Brasil), respectivamente. Transfere-se para Recife. Sendo, nesta época, condecorado com a Ordem do Mérito Aeronáutico.

Desde de 1941, o Governo brasileiro autorizara a Panair do Brasil S.A. a construir e melhorar os aeroportos de Amapá, Belém, São Luiz, Fortaleza, Natal, recife, Maceió e Salvador. Imediatamente foram iniciadas as obras em ritmo frenético, tendo em vista que se vislumbrava a importância que essas bases tinham no patrulhamento do Atlântico Sul e no apoio às tropas que combatiam as Forças do Eixo, no Norte da África. Essas obras tinham que ser sempre submetidas à prévia aprovação do Governo brasileiro. Aumentaram, assim, as responsabilidades do Brigadeiro Eduardo Gomes na supervisão de todas as obras, em todos os aeroportos. Fazia-se sempre presente para que tudo transcorresse o melhor possível. Era o senso de responsabilidade que sempre marcou sua vida. Aquelas bases aéreas eram, na época, as maiores do mundo; vultosos recursos financeiros, de materiais, de máquinas e humanos estavam ali sendo aplicados. Visitava todas, chegando sempre de surpresa.
        

A DECLARAÇÃO DE GUERRA AOS PAÍSES DO EIXO



         O Governo brasileiro declarou guerra aos países do Eixo em agosto de 1942. Muito antes desta data, Eduardo Gomes já combatia de forma particular as Forças daqueles Países, autorizando transporte aéreo de homens e de material, o patrulhamento do litoral, a cobertura aérea de comboios de navios ao longo do litoral brasileiro, Norte e Nordeste, e ataques de aviões brasileiros a submarinos do EIXO.

Reconhecido pelos norte-americanos como seu grande aliado, por ter opinião favorável ao estabelecimento de bases aeronavais norte-americanas em território brasileiro. Todavia, discordou dos termos do convênio a ser firmado, que continham elementos que ofendiam a soberania nacional, uma vez que os norte-americanos, para facilitar suas operações, argumentavam com a necessidade de administrarem as bases brasileiras com uma comissão mista.
         Eduardo Gomes concordara com a cessão das bases, durante a guerra, mas era contrário à administração pretendida. Ao ser perguntado, cordialmente, pelo Almirante Ingram, sobre a administração das bases brasileiras por comissão mista, nos termos do convênio, respondeu:
         - NEVER!
         Resposta curta, direta e sem rodeios. Devido a sua resistência jamais foi permitida tal medida.
No início de 1944, o Brigadeiro Eduardo Gomes presidiu a cerimônia de substituição do esquadrão norte-americano pelo esquadrão brasileiro equipado com aviões Ventura PV-1, com equipagens adestradas em curso especial.
         Em setembro de 1944, Eduardo Gomes foi promovido a Major-Brigadeiro-do-Ar.
         Os norte-americanos afeiçoaram-se a Eduardo Gomes. Reconheciam-lhe a franqueza, a mútua fidelidade em favor dos ideais comuns e o agraciaram com uma comenda honrosa: Medalha Legião do Mérito Americano.

O CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA DO BRASIL



         Em 1943, o Manifesto dos Mineiros (por ter sido publicado no Estado de Minas Gerais) repudiou a ditadura instalada no País, visando a deposição do Presidente Getúlio Vargas, por ser um regime incoerente com a participação das Forças brasileiras que combatiam contra países de regime de ditadura.
         Tendo Getúlio Vargas sido deposto, as eleições foram realizadas em 2 de dezembro de 1945.
         A candidatura de Eduardo Gomes foi lançada com o mote: “candidato do povo, o Brigadeiro da Libertação”.

Entretanto, o General Eurico Gaspar Dutra, candidato dos adeptos de Vargas, foi o vitorioso, sendo empossado como Presidente da República.
         Ao término do mandato de Dutra, foram marcadas eleições para o dia 3 de outubro de 1950.
         Nesse ano, novamente é lançada a candidatura de Eduardo Gomes. Uma vez mais, não consegue eleger-se, tendo saído vitorioso Getúlio Vargas que, agora, retornara à Presidência.
         Eduardo Gomes retorna à Aeronáutica no cargo de Diretor de Rotas Aéreas, recusando o convite de Vargas para ser seu Ministro da Aeronáutica.


        

O EDUARDO GOMES E SUAS DUAS GESTÕES À FRENTE DO MINISTÉRIO DA AERONÁUTICA



         Empossado Getúlio Vargas, a partir de 1954, recomeçaram campanhas contra seu governo, muito acirradas pelo jornalista Carlos Lacerda. Tendo havido um atentado contra a vida de Lacerda, na qual foi ferido mortalmente o Major-Aviador Rubens Florentino Vaz, a crise política decorrente teve seu clímax com o suicídio de Vargas na manhã do dia 24 de agosto de 1954.
         O Dr. Café Filho assumiu a Presidência e Eduardo Gomes aceitou ser seu Ministro da Aeronáutica.

O Dr. Juscelino Kubitschek foi vitorioso nas eleições realizadas em 3 de outubro de 1955 e empossado em janeiro de 1956. Em decorrência, Eduardo Gomes deixou de ser Ministro da Aeronáutica e em setembro de 1960 passou para a Reserva Remunerada no posto de Marechal-do-Ar.
         Depois de alguns anos na Reserva, em 1965, assumiu, novamente, o Ministério da Aeronáutica, convidado pelo, então, Presidente Castelo Branco.
         Naquela oportunidade, graças a sua atuação, foi criada a Aviação Embarcada na Força Aérea Brasileira, dando solução ao impasse entre a Aeronáutica e a Marinha, relativo à operação de aeronaves de asa fixa no navio-aeródromo Minas Gerais.
         Eduardo Gomes deixou o Ministério da Aeronáutica no dia 15 de março de 1967, ao final do Governo Castelo Branco.

CONCLUSÃO



         No dia 12 de junho de 1981, foi realizada uma missa comemorativa do cinqüentenário do Correio Aéreo Militar, no Campo dos Afonsos, no mesmo hangar de onde havia partido o primeiro avião para o histórico vôo pioneiro do CAM, em 1931.
         Eduardo Gomes sentou-se na primeira fila.
         Foi esta a sua última aparição em público e em atos oficiais.
         No dia seguinte, dia 13 de junho de 1981, Eduardo Gomes faleceu.
         A 6 de novembro de 1984, o País reverenciaria, uma vez mais, o querido “Brigadeiro” (como gostava de ser chamado), com a homenagem póstuma do Governo Federal, através de ato legal.
         Lei nº 7.243:
         O Presidente da República,
         Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
         ...
         Artigo 2º - É proclamado Patrono da Força Aérea Brasileira o Marechal-do-Ar Eduardo Gomes.

Eduardo Gomes foi um desses patriotas que se destacaram pela autenticidade e, sobretudo, pela grandeza de alma. Qualidades que os tornam figuras incomparáveis – faróis balizando, nos meandros da caminhada, a direção certa na incerteza aparente da existência humana. Homens dotados de integridade de caráter e talento, aliados à longa experiência adquirida no contato com as asperezas da vida, características que lhes enriquecem o espírito, que se transborda, em busca do semelhante, proporcionando-lhe, sob variadas formas, ensinamentos, cultura e educação, em prol do desenvolvimento da Humanidade.
         Um dos maiores nomes da história da República de nosso País, tal a sua figura majestática, a sua tenacidade e a excelsitude de suas inquebrantáveis qualidades morais. Representou o triunfo da probidade e da inteligência, da honradez e da cultura, que lhe permitiu que olhasse de frente - com coragem e sem corar -, a vida e os homens de seu tempo. Viveu uma vida materialmente modesta, mas enriquecida pelo saber haurido ao correr de uma vida afanosa, mas feliz, que permitiu a este patriota exemplar ascender às culminâncias da vida política nacional.
         O jovem visionário que não hesitou em arriscar a vida, no episódio dos “Dezoito do Forte”, cedeu lugar a um chefe resoluto e sábio, mestre da estratégia e formador de opiniões. Fortaleceu a cidadania ao plantar as sementes do Correio Aéreo Nacional, abrindo as portas para o esquecido e carente interior brasileiro, revigorando a união entre irmãos separados pela distância e pela precariedade das comunicações. De sua vontade férrea e de sua visão de País, brotaram as linhas aéreas que subiram as cabeceiras dos rios e ajudaram a construir um Brasil mais coeso e mais solidário.
         Empunhou a espada – com maestria e tenacidade - quando a Pátria dela mais necessitava, seja ao barrar a insensata marcha do totalitarismo raivoso que contaminara os quartéis, seja ao comandar a atuação da nascente Força Aérea no litoral Norte e Nordeste, em plena II Grande Guerra, organizando a luta contra a ameaça submarina que espreitava nossos mares.
         O Cidadão Eduardo Gomes tornou a se manifestar por meio de espontânea convocação da sociedade, que exigiu sua presença na arena política por confiar em seu patriotismo e senso ético. Colocou-se a serviço da democracia e da justiça, atuando como verdadeiro catalisador do amadurecimento político da sociedade brasileira e como imprescindível fiador da normalidade institucional.
         Comandou a Aeronáutica com o olhar de um resoluto estadista e o coração de um jovem Tenente. Soube escolher a hora de ser Cidadão e de ser Soldado, tendo a coragem de uni-los em um só, quando a têmpera da realidade prevaleceu sobre vontades e opiniões que não percebiam os desafios e as incongruências de um mundo em mudança.
         Por tudo isso, esse notável Cidadão-Soldado é o Patrono da Força Aérea Brasileira. Não só por seus feitos heróicos, que figuram entre os mais gloriosos das armas brasileiras. Não apenas por sua influência na sociedade de sua época, ao contribuir enfaticamente para a educação política do povo brasileiro.
         Refazendo os passos de sua brilhante trajetória, reaprendemos que a arte e a ciência da guerra são pequenos demais para conter a magnitude da contribuição da Força Aérea Brasileira para com o País. Revivendo os ideais e as convicções de nosso Patrono, alimentamos nossa certeza no aprimoramento da Instituição.
         O Brasil deve ao Brigadeiro o reconhecimento pela dedicação, competência e patriotismo que demonstrou, de modo contumaz, durante toda a sua extraordinária carreira, sem medir esforços para elevar e honrar a imagem de nosso País no cenário internacional. Um nome querido e respeitado, uma reserva moral, um patrimônio de inteireza e caráter e um exemplo edificante para brasileiros de todas as épocas.
         Estamos certos de que Eduardo Gomes morreu tranqüilo quanto ao julgamento de seus concidadãos. A Pátria saberá honrá-lo, quando a perspectiva do tempo permitir uma avaliação mais exata de sua obra e um conhecimento perfeito de sua pureza de intenções.
         À época de seu desenlace, sentimos e compartilhamos com seus entes queridos e legião de amigos a amargura deste momento inexorável da existência humana, última parte do desenrolar de uma vida em que o gênero humano – a exemplo dos inolvidáveis vôos empreendidos pelo insigne Brigadeiro, nas asas do Correio Aéreo -, realiza uma decolagem, deslancha um vôo de cruzeiro e, finalmente, vê chegado o momento da aterrissagem e o final de uma gloriosa jornada.

Esteja onde estiver Brigadeiro Eduardo Gomes – insigne Patrono da Força Aérea Brasileira -, receba os nossos agradecimentos pela prestimosa atenção e carinho dispensados à Aeronáutica brasileira. Que seus edificantes atributos morais e intensa dedicação à vida militar e ao País, ecoem por muito tempo em todas as instituições militares e em todos os rincões deste nosso amado Brasil.

 


Última alteração em 11-08-2007 @ 05:56 pm

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