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Marcha terrestre no itinerário Salvador
Inserido por: Neder
Em: 04-02-2008 @ 11:38 am
 

 

MARCHA TERRESTRE NO ITINERÁRIO SALVADOR –BRASILIA POR DESTACAMENTO
 DA 6ª REGIÂO MILITAR PARA PARTICIPAR DA INAUGURAÇÃO DA NOVA CAPITAL EM 21 ABRIL 1960

Cel Cláudio Moreira Bento (X)

 

 Ao pesquisarmos do ponto vista militar para o nosso artigo,O Combate de Jenipapo, descrição e análise militar e a sua projeção estratégica na independência no Ceara, Piauí e Maranhão. combate em 13 de março de 1823 no Piauí, entre patriotas maranhenses, piauienses e cearenses contra o Governador e Comandante das Armas do Piauí o Major João José da Cunha Fidié, na campanha para a consolidação da Independência do Brasil nos citados estados,  causou nossa admiração à rapidez com que Fidié cobriu a distância de cerca de  660 km de marcha em 23 dias numa média diária de 24km/dia por numa região assolado pela seca. alimentando-se de gado requisitado e dificílima obtenção de água para beber,  e para outros usos, os soldados preparando a sua própria alimentação e deslocando a sua Artilharia com 11 peças, seguramente de baixo calibre e em trajeto sujeito a ataques dos patriotas e com pesada bagagem ou impedimenta.

            E procuramos em nossa História Militar uma marcha para comparar o feito militar do experimentado soldado, veterano da Guerra contra Napoleão na Península e que ao retornar a Portugal dirigiria por mais de 10 anos o Colégio Militar em Lisboa que até o final de seu comando formava oficiais de Portugal.

       E lembramos que nosso amigo e confrade na Academia Itatiaiense de História Cel Lauro Amorim nos falava duma marcha de Salvador a Bahia em 1960 que ele comandou como Capitão  do Destacamento que realizara aquele feito histórico . E o mesmo o nosso companheiro de Infantaria da Turma Aspirante Mega de 15 de fevereiro de 1955, Aspirante Filadelfo Reis Damasceno que foi subcomandante do Destacamento de Marcha desta marcha. Evento sobre o qual fomos indagados sobre detalhes por nosso presidente no IHGB Professor Pedro Calmon , baiano de Amargosa, que desejou saber de nós maiores detalhes desta marcha , os quais não conhecíamos detalhes como agora os resgatamos neste trabalho.

       E  pedimos ao confrade Cel Lauro o seu relatório de marcha e fotos então tiradas nesta marcha que serviu para avaliarmos  o grande feito de Fidié em sua marcha considerada por oficiais de Infantaria como extremamente forçada . E a seguir publicamos o Relatório do Capitão Lauro Amorim da sua Marcha Terrestre de itinerário de cerca de 685 km a pé feita em 29 dias , numa média diária de cerca de 24 km /dia

  Relatório do Capitão de Infantaria Lauro Amorim da Marcha Bahia – Brasília realizada por Destacamento ao seu comando

         Durante uma reunião do Estado- Maior da 6-ª. Região Militar, em Salvador, foi levantada a idéia de se realizar uma operação  realizando um deslocamento de Salvador a Brasília, por ocasião da inauguração da Nova Capital. A idéia foi imediatamente aceita pelo comandante da Região, General de Brigada João de Almeida Freitas, que solicitou autorização das autoridades superiores e determinou ao seu Estado- Maior que fizesse os estudos necessários para uma operação desta envergadura.

       Esta marcha simbolizaria a união do passado com o presente ligando o Marco da Fundação da cidade de Salvador , a primeira capital do Brasil , a Brasília, a capital do futuro

         A operação foi designada “Marcha Bahia-Brasília” e foi concebida para ser realizada com: 

 Transporte ferroviário de Salvador a Brumado (BA)

 Transporte rodoviário de Brumado a Bom Jesus da Lapa (BA)

 Transporte fluvial de Bom Jesus da Lapa a Carinhanha (BA)

 Marcha a pé de Carinhanha a Brasília (DF)

 Transporte Aéreo de Brasília a Salvador

        Entretanto não foram realizados o transporte ferroviário, por haver  caído uma ponte em virtudes de fortes chuvas ocorridas na Região, e o transporte aéreo, por falta de verba.

       A operação foi executada com transporte rodoviário  de Salvador a Bom Jesus da Lapa (1019 km), transporte fluvial de Bom Jesus da Lapa a Carinhanha (115 km), marcha a pé de Carinhanha a Brasília (685 km), transporte rodoviário  de Brasília a Salvador 2322 km) perfazendo um total de 4141 km percorridos em 45 dias, dos quais 685 km a pé, em 29 dias.

       O Estado-maior da Região fez um reconhecimento do percurso, do que resultou um relatório para o Comandante do Destacamento, com as informações necessárias para a operação: estado das estradas e pontes, condições de abastecimento de água, carne verde, verduras, etc.

       O destacamento foi constituido somente de voluntários de todas as unidades e estabelecimentos da Região e mais um pequeno grupamento da Polícia Militar da Bahia. Todos fomos submetidos à rigorosa inspeção de saúde e a um árduo plano de treinamento, do que resultou a constituição definitiva do destacamento com 82 integrantes , sendo:

7 0ficiais (inclusive 1 tenente da Polícia Militar da Bahia, 1 tenente médico  e 1 aspirante-a-oficial R2 intendente

1 aluno do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR)

20 Sargentos

             12 Cabos

46 Soldados

   Como comandante do Destacamento  planejei  e fiz executar um plano de treinamento físico do dia 22 de fevereiro ao dia 9 de março intercalando, diariamente, uma sessão de Educação Física com a realização de marcha. As sessões de Educação Física foram corridas de 2000, 3000, 4000 e 5000 metros e jogos de 37 km, sendo os últimos quatro dias seguidos de marcha de 30, 32,37 e 37 km encerradas com um acampamento. O treinamento de marcha totalizou 278km realizado sob as mais variadas condições: terreno: no asfalto, terra e areia; horário: madrugada, manhã, tarde e noite; tempo: com sol. chuva e nublado; temperatura:variadas.

        Após o treinamento fomos submetidos à nova Inspeção de Saúde e considerados aptos para a operação. Todos tomaram vacinas antiamarílica, variólica e Tet-Tab.

       A F orça Aérea prestou-nos inestimável apoio tanto com os aviões T6 da Base Aérea de Salvador como com os aviões L19 da 1-ª Esquadrilha de Ligação e Observação (ELO), desempenhando missões de suprimento, não só transportando peças e acessórios para viaturas como alimentos perecíveis e abastecimento geral nos dias em que o Destacamento se viu privado do transporte terrestre em virtude da intransitabilidade das pontes sobre os rios que transbordaram de seus leitos. Durante os altos(paradas) o Destacamento preparou pistas de pouso para os aviões

 

 

 

  
Reunião do Destacamento junto o marco de fundação de Salvador    
 

 

 
Destacamento formado junto ao marco da Fundação de Salvador tendo à frente o Capitão Lauro Amorim e na fila  anterior z no meio, o tenente Filadelfo Damasceno,  nosso companheiro da Arma de Infantaria Turma Aspirante Mega fev 1955 como sub comandante do Destacamento e já historiador autor de um livro publicado depois da marcha História do Batalhão Pirajá o atual 19º Batalhão de Caçadores
 Desta marcha ele muito nos falou. Faleceu cedo. Era baiano.

 

  As 8:00 horas do dia 15 de março de 1960, junto ao Marco da Fundação da Cidade de Salvador, foram realizadas as solenidades programadas e constando de missa celebrada por S. Eminência D. Augusto Cardeal da Silva, Primaz do Brasil, palavras do Comandante da Região e entrega a min Comandante do Destacamento de uma Mensagem assinada pelo Governador da Bahia, Juracy Montenegro Magalhães, pelo Prefeito de Salvador, Heitor Dias e pelo Comandante da ¨6-ª RM e endereçada ao Presidente da República, Juscelino Kubscheck de Oliveira.

        As 14:55 horas do mesmo dia teve início o deslocamento rodoviário a partir do pátio do QG da 6-ª RM. Acompanhava-nos, também, uma equipe de Imprensa chefiada por um capitão R1, com dois sargentos (cinegrafista e fotógrafo) e dois jornalistas (Jornal da Bahia e A Tarde).

        Neste deslocamento a tropa passou e foi recebida com homenagens pelas autoridades das cidades de Feira de Santana, Jequié, Vitória da Conquista, Brumado, Caetité, Riacho de Santana e chegando a Bom Jesus da Lapa às 3:00 horas do dia 20 de março,  embarcando, imediatamente no vapor “Barão de Cotegipe”. Neste percurso de 101 km somente os primeiros 115km (até Feira de Santana) eram asfaltados. 0s restantes eram estradas de terra em péssimo estado devido as chuvas.Ttivemos inclusive, neste trajeto, um acidente com a viatura cisterna que virou e, em conseqüência, o resto da marcha foi feito sem a mesma. Durante este transporte rodoviário a tropa foi alimentada com ração de combate R-2, tipo EMFA, confeccionada e fornecida pelo Estabelecimento Regional de Subsistência da Região.

         Às 18:27 horas do dia 20 teve início o deslocamento fluvial chegando às 20:30 horas do dia 21 em Carinhanha, tendo a tropa permanecida embarcada. Como a chata para o transporte das viaturas não havia chegado a tempo foram embarcados apenas o jeep e um caminhão.

    

 

 

O nosso primeiro dia de Marcha do Destacamento

 

  A marcha a pé teve início às 07:00 horas do dia 22 com apoio, apenas das duas viaturas citadas. Em conseqüência, só foi transportado o estritamente essencial, como seja, material de estacionamento, cozinha e gêneros para oito dias. As outras viaturas de apoio seguiram após a chegada da chata e as mais pesadas (dois caminhões e a viatura tanque de combustível) deram a volta por Minas Gerais e foram se encontrar com a tropa em Formosa, já em Goiás.

           A tropa realizou a marcha com seu uniforme e equipamento de campanha normal, inclusive armamento, exceto o capacete de aço.

           A marcha tinha início, diariamente, em torno das 04:00 horas (assim que terminasse a refeição da manhã) para que, por volta das 11:00 horas estivesse terminada.

           O Grupamento de Apoio Logístico ao Destacamento deslocava-se e montava o próximo acampamento e a cozinha de modo que a tropa ao terminar a marcha encontrava o acampamento pronto e a cozinha em funcionamento.

          

 

  

 


O Destacamento chegando num acampamento onde era esperado com a refeição pronta e algumas barracas montadas

 

 A etapa média diária de marcha era de 30km, com o mínimo de 26km e o máximo de 47km. O limite era determinado em função da existência de água nas proximidades, já que estávamos sem a viatura cisterna.

           Às 10:00 horas do dia 25 atingimos a cidade de Cocos (BA), sendo recebidos pelas autoridades locais. Nos dias 29, 30, 31 de março e 1-º de abril tivemos que ficar estacionados, pois, duas viaturas apresentaram panes e ficamos aguardando a chegada das peças trazidas pelo avião L 19 que nos apoiava. Para que não fosse quebrado o ritmo do trabalho físico a tropa foi submetida a sessões de Educação Física e Ordem Unida.

        

 

  

 


Chegada do Destacamento ao Marco da Trijunção Minas Gerais, Bahia e Goiás em que posou para a foto
 o comandante do Destacamento Capitão  Lauro Amorim e ao seu lado o médico do Destacamento

 

 Às 06:00 horas do dia 7 de abril atingimos o Marco da Trijunção (Minas Gerais, Bahia e Goiás). No dia 10 subimos a serra de São Domingos, com aclive bastante acentuado. Às 10:45 do dia 14 atingimos a cidade de Formosa e fomos recebidos, também com homenagens. No dia 18 de abril desloquei-me de Jeep à procura de um local para a preparação de um campo de pouso para o L19.

        Neste deslocamento, ainda a 30km de Brasília avistei os altos edifícios e o lago da cidade o Paranoá. No meu Diário de marcha registrei o seguinte:

 “Foi a primeira impressão que tive: algo de majestoso, perdido no meio daquela imensidão que é o Planalto Central. Senti nesta oportunidade, o monumental trabalho do homem, erguendo do nada naqueles campos imensos uma cidade grandiosa. Queiram ou não, não  resta a menor dúvida, ao se divisar aquele panorama concluir que, forçosamente, Brasília será um fator de progresso para a região e para o Brasil”.

  

 

  

A chegada do Destacamento á Nova Capital depois de uma marcha forçada

 

  Às 11:00 horas do dia 19 atingimos o quartel da 6-ª Cia de Guardas, em Brasília, e acampamos entre esta e o Palácio do Planalto, sendo preparado um campo de pouso para o avião L 19.Cumpre ressaltar que não houve nenhuma baixa. Todos os que iniciaram o deslocamento em Salvador chegaram a Brasília.

           Do relatório médico ressaltamos: alguns mais importantes problemas de saúde: resfriados ou gripes -60 casos , diarréia-102, desinteria-10, pneumonia-1, gastrite-1 e, alguns curiosos: picada de insetos -12, rachadura de lábio (frio)-10, luxação de mandíbula (queda da mandíbula)-2, aliás a mesma pessoa.
 

     

 

 

 
No dia 21 de abril de 1960 o Destacamento tomou parte no Desfile Militar, uma das solenidades comemorativas da Inauguração da Nova Capital, encerrando o mesmo. O Destacamento  tomou parte com o uniforme de marcha (uniforme de instrução, equipado e armado) com exceção da Guarda Bandeira e Estandarte do 19-º BC que estavam com o uniforme tradicional do Batalhão dos Periquitos, da Guerra do Paraguai, e os outros Estandartes e Escoltas (CPOR de Salvador, Colégio Militar de Salvador e Polícia Militar da Bahia) com seus uniformes de parada.
 

 

 

     

 

 Guarda de Honra em uniforme histórico do 19º BC  Batalhão Pirajá de Salvador e levando o Estandarte da Unidade

 

   Em frente ao Palanque Presidencial a tropa fez alto e fiz a entrega solene ao Comandante a 6-ª RM, Gen Freitas, da mensagem trazida da Bahia.

        O Gen Freitas fez a leitura da Mensagem e, em seguida entregou-a ao Exmo Sr Presidente da República, Juscelino Kubstchek de Oliveira.

 

 


0 Capitão Lauro Amorim no acampamento do Destacamento vendo-se ao fundo o Palácio do Planalto e
na foto abaixo hasteando a Bandeira Nacional no acampamento em Brasilia

 

 

Em Brasília o nosso acampamento foi visitado pelo Comandante da Região, Gen Freitas, pelo Ministro da Guerra, Marechal R1 Odílio Denys e pelos Governadores dos Estados de Bahia e Sergipe, respectivamente, Gen Juracy Montenegro Magalhães e Dr Luiz Garcia. O ultimo governador do meu Estado Natal.

 

 

  

Visita ao Acampamento do Destacamento do Ministro da Guerra Marechal Odílio Denys em 22 de abril e que cumprimenta os seus integrantes por aquele feito histórico. A sua direita  o comandante da 6ª Região Militar General João de Almeida Freitas e a sua esquerda o comandante do Destacamento Capitão Lauro Amorim

 

   Às 15:00 horas do dia 23 teve início o deslocamento em transporte rodoviário no trajeto Brasília, Belo Horizonte, Salvador e chegando ao Quartel General da Região até o Marco da Fundação da Cidade de Salvador, ponto inicial e final da marcha. Nesta  ocasião o Destacamento foi saudado pelo Prefeito de Salvador  Heitor Dias, e, em seguida, foi celebrado um ofício religioso em regozijo pelo fiel e feliz cumprimento da missão.

        A Mensagem transportada pelo Destacamento de Salvador a Brasília tinha o seguinte teor

 

“ DA BAHIA DE THOMÉ DE SOUZA Á BRASÍLIA DE JUSCELINO KUBSTCHECK

 

                                                    Senhor Presidente:

 

         Daqui desta cidade que foi a primeira capital do Brasil, mandamos a Vossa Excelência, nesta hora em que se instala a Nova Capital, esta palavra de fé nos destinos da Nação.

         Aqui nascemos, para orgulho de todos nós. A  descoberta fora um pouco mais abaixo, e aí se plantou em solo baiano – em solo brasileiro, vale dito – a primeira Cruz de Cristo.

       Pouco tempo depois, porém, era a cidade subindo a escarpa, cá dentro na Baía de Todos os Santos.

       E se construíram as primeiras casas  e se levantou a primeira igreja com pedra de cantaria vinda de Portugal.

      E se abriu a primeira escola e se elevou o primeiro forte e se constituiu o primeiro governo.

      Dali para cá, são quatrocentos e poucos anos de trabalho, de desbravamento, de bandeirismo, de busca, de construção, de lutas e de esperança.

       A civilização implantada no litoral foi ganhando o interior. Bandeiras e mais bandeiras saíram de São Paulo e da Bahia, desbravando-a terra inóspita e ponteando de vilas e currais o sertão maravilhoso.

 

          E mandava daqui, “desta baya” dizer, em agosto de 1549, o padre Nóbrega ao seu provincial padre Simão Rodrigues:

    “Eu trabalhei por escolher um lugar para o nosso Colégio dentro da cerca e somente achei um que lá vai por mostra a Sua Alteza, o qual tem muitos inconvenientes porque fica muito junto da Sé, e duas igrejas juntas, não é bom, e é pequeno, porque onde se há de fazer a casa não tem mais X braças posto que tenha ao cumprido da costa 40. E não tem onde se possa fazer horta, nem outra coisa por ser tudo costa mui íngreme e com muita sujeição  da cidade.

      E portanto a todos nos parece muito melhor um teso que está logo além da cerca, para a parte donde se há de estender a cidade de maneira que ante de muitos anos podemos ficar no meio....

          O mesmo dizemos  a Vossa Excelência, Senhor Presidente, diz-lhe a Bahia, à hora da instalação da Nova Capital do Brasil, sonho que vem do nascer da República.       A “cerca” da civilização, do progresso, não chegou ao planalto central; mas, dentro em pouco, Brasília estará ao “meio”.

         Esta é a esperança da Bahia de Thomé de Souza na Brasília de Vossa Excelência.

Cidade de Salvador, 21 de abril de 1960.

Juracy Montenegro Magalhães

Governador do Estado da Bahia

Heitor Dias

Prefeito da Cidade de Salvador.

Gen. João de Almeida Freitas

Comandante da 6-ª Região Militar.”

Integrantes do Destacamento que realizou A Marchaa a  Pé de Cariranha  Brasilia

Os mais moços beiram a idade de hoje de 65 anos e seus nomes e unidades a que pertenciam são a seguir relacionados como homenagem da Academia ao seu histórico feito realizado voluntariamente com votos que vivam para ver em 2010 o cinqüentenário da Nova Capital Brasília que eles visitaram na sua inauguração

 

 


A esquerda o trecho Cariranha - Brasília percorrido pelo Destacamento , balizado por Cocos,Sapateiro ,Marco da Trijunção, Formoso, Goiás Minas, Formosa, Trajeto percorrido em alguns pontos por volta de 1925 pela Grande Marcha da Coluna Miguel Costa Prestes .
Percurso percorrido pelo Destacamento:  685 km em 29 dias com uma média diária de cerca de 24 km.

 

MARCHA BAHIA – BRASÍLIA  A CONSTITUIÇÃO DO DESTACAMENTO

Comandante – Cap Inf  Lauro Magalhães Castro Amorim

Oficiais :1-º ten FILADELFO REIS DAMASCENO – 1-ª Cia Ind Fz-º.2-º Ten WILMAR MENEZES BASTOS – 19-º B C. 2-º Ten  ARISTENES BORGES CASTELO BRANCO – POLÍCIA MILITAR e ASP R-2 CONV LUIZ EDMUNDO SANTOS OLIVEIRA – 19-º BC

Praças – 19-º Batalhão de Caçladores Batalhão Pirajá: 3º Sgt WALTER FERREIRA NUNES. 3-º Sgt ROQUE DA SILVA TIANO. Cabos  MANOEL VALENTIM DOS SANTOS e  MANOEL DOS REIS CARDOSO. Soldados  MILTON NERI DOS SANTOS. CAETANO SANTANA. FRANCISCO MARQUES DE JESUS. GERSON BARBOSA. WALTER BATISTA DE SOUZA GILSON OLIVEIRA.ANTONIO DA LUZ FERREIRA RAMOS e  HÉLIO BEZERRA DA SILVA.

1-ª Cia Independente de Fuzileiros: Cabos  OSVALDO VALERIANO VIANA e  GIL REGIS LOPES e Soldado  AUGUSTO MARIANO DA SILVA

4-ª Companhia de Guardas: Soldados ANTONIO LAURÊNCIO CHAGAS   e ANTONIO OLIVEIRA DE ALMEIDA

 C M S: 3-º Sgt ANTONIO SILVA e Soldados MANOEL FIRMINO DOS SANTOS,      MILTON LOPES DE OLIVEIRA e  DIÓGENES DE CARVALHO NUNES

Companhia de Policia da 6ª Região Militar: Soldados  IZAURO ALVES PENA e FLORISVALDO NASCIMENTO RIBEIRO.

Companhia do Quartel General da 6ª Região Militar:2-º Sgt NELSON ALVES SANTANA e Soldados  JUDIRVAL PEREIRA DA SILVA.  FAUSTO MAGALHÃES MELO e  RAIMUNDO SANTOS E SOUZA.

1ª Bateria do 4º Grupo de Artilharia de Costa Móvel: 3º Sgt JOSÉ RODRIGUES SOARES. Cabo NICANOR DE ASSIS MELO. Soldados d  CARLOS MAGNO DA SILVA, .WALTER EVANGELISTA DE OLIVEIRA e   ALMIR SANTOS

  Estabelecimento Regional de Finanças da 6 ª Região Militar:. Cb ADELSON CALDAS DA SILVA MELO. Centro de Preparação de Oficias da Reserva de Salvador:  Aluno JOÃO DE MELO CRUZ e soldados  Pedro Paulo de Souza  e  FLÁVIO SANTANA

18 ª Circunscrição de Recrutamento: Soldado  WLADMIR RODRIGUES DO NASCIMENTO

28º Batalhão de Caçadores:  3-º Sgt ANTONIO DANÚBIO FERREIRA DA SILVA,   3-º Sgt renaldo silva andrade e   3-º sgt ERILO ARAGÃO PRADO. Cabos ROBSON FERREIRA DE ANDRADE, AMINTHAS BARRETO.Soldados HERONIDES CONCEIÇÃO,  JOSÉ CATARINO DOS SANTOS, ANTONIO OLIVEIRA, JOSÉ ALVES DE ARAÚJO, JOSÉ ALVES DOS SANTOS, HUMBERTO FELISMINO SOBRINHO,      JOSÉ ANTONIO ALCÁNTARA, WALMIR SILVA ANDRADE,d JOSÉ EWERTON SOARES DE MENEZES, MAURO CARLOS DA SILVA,d JOSÉ DOMNGOS DAMASCENO,  GILBERTO DOS SANTOS e BENEDITO ÂNGELO GONÇALVES.

19-ª Circunscrição de Recrutamento:  2-º Sgt MOACIR PASSOS LIMA e   3-º Sgt JOSÉ LEONARDO MACHADO BARRETO MENEZES

Policia Militar da Bahia: Soldados RANULFO EDSON GONÇALVES e             AURÉLIO MOTA DE ARAUJO

   

 


 

Cel Lauro  Magalhães Castro Amorim 2007

 

 Comandante do Destacamento de Marcha de 1960 . Coronel Lauro Amorim natural de Cachoeiro do Itapemerim e residente em Resende desde 1991, onde foi declarado Aspirante a Oficial de Infantaria da Turma de 1949 Marechal José Pessoa da então Escola Militar de Resende , a atual Academia Militar das Agulhas Negras É casado  com a resendense D. Olga dos Santos Amorim também acadêmica da Academia Itatiaiense de História.  Ao comandar a Marcha Salvador Brasília em 1960, ele era capitão Ajudante de Ordens do comandante da 6ª Regi]ao Militar  . Foi instrutor do Curso de Infantaria da AMAN em 1962/63 . Foi instrutor da Escola de Comando e  Estado -Maior do Exército em 1967 /1968 e dali seguiu para cursar o Curso de Estado-Maior do Exército Alemão. Ao retornar continuou instrutor da ECEME de 1971-72 .Ao final do seu tempo de instrutor por falar alemão foi contratado pela Volkswagem do Brasil onde trabalhou por longo período. Ao  deixar aquela empresa  veio  residir em Resende quando exerceu diversas funções: A assessoria, consultoria e secretàrio de Administração e de Turismo da Prefeitura de Itatiaia.

O Cel Lauro Amorim e sua esposa Olga integram a Comissão de Relações Públicas da Academia de História Militar Terrestre do Brasil junto com a Presidente da Academia Itatiaiense de História  D.Alda Bernardes Faria e Silva.


 

 


Última alteração em 04-02-2008 @ 11:38 am

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  Comentário enviado por: ledolive
(Publicado em 02-20-2014 às 05:27 pm)

Comentário: Como testemunha ocular da marcha, já que dela participei, complementarei o relato do Cel. Cláudio Moreira Bento. 1- Na realidade a marcha Bahia-Brasilia foi um "rebento" da Marcha Aracaju-Salvador, idealizada e realizada pelo então 1º Ten. Filadelfo Reis Damasceno. 2 - Com a experiência adquirida com a primeira marcha o Ten. Damasceno iniciou a preparação e treinamento da Marcha Bahia-Brasilia (quando nela ela me engajei) mais tarde encampada pelo general Almeida Freitas, que designou o Cap. Amorim (seu ajudante de ordens) para comandá-la. 3 - Nos primeiros dias de marcha o Cap. Amorim, por ter sido acometido de uma crise de gastrite, retornou a Salvador só voltando à linha de frente quando já estávamos às portas de Brasilia. Desse modo o Ten. Damasceno foi o comandante de fato da Marcha. 4 - O Ten. Damasceno foi um dos maiores oficiais que conheci. Vivia para o nosso Exército. Perdeu dois dedos de uma das mãos em serviço, quando ainda tenente, recusando passar para a reserva, por puro amor ao Exército. Morreu prematuramente de desgosto ao ser preterido para promoção ao generalato.
 


  Comentário enviado por: ledolive
(Publicado em 02-20-2014 às 05:27 pm)

Comentário: Como testemunha ocular da marcha, já que dela participei, complementarei o relato do Cel. Cláudio Moreira Bento. 1- Na realidade a marcha Bahia-Brasilia foi um "rebento" da Marcha Aracaju-Salvador, idealizada e realizada pelo então 1º Ten. Filadelfo Reis Damasceno. 2 - Com a experiência adquirida com a primeira marcha o Ten. Damasceno iniciou a preparação e treinamento da Marcha Bahia-Brasilia (quando nela ela me engajei) mais tarde encampada pelo general Almeida Freitas, que designou o Cap. Amorim (seu ajudante de ordens) para comandá-la. 3 - Nos primeiros dias de marcha o Cap. Amorim, por ter sido acometido de uma crise de gastrite, retornou a Salvador só voltando à linha de frente quando já estávamos às portas de Brasilia. Desse modo o Ten. Damasceno foi o comandante de fato da Marcha. 4 - O Ten. Damasceno foi um dos maiores oficiais que conheci. Vivia para o nosso Exército. Perdeu dois dedos de uma das mãos em serviço, quando ainda tenente, recusando passar para a reserva, por puro amor ao Exército. Morreu prematuramente de desgosto ao ser preterido para promoção ao generalato.