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Revolta em Santa Maria
Inserido por: ACMA
Em: 10-01-2008 @ 03:57 pm
 

 

            A 16 de novembro de 1926, o 5º Regimento de Artilharia Montada, sob o comando interino do Tenente Coronel João Moreira Cezar Barroso, é surpreendido, na madrugada desse dia, por uma revolta liderada pelos irmãos 1o Tenentes Nelson e Alcides Gonçalves Etchegoyen, em conluio com os também 1o Tenentes Iguatemy Gonçalves Moreira e Heitor Lobato Vale, ambos do 7o Regimento de Infantaria, e apoiados por elementos do Parque de Aviação e grande número de civis.

            O Tenente Coronel Cezar Barroso, recolhendo-se ao quartel do 1º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar, comandado pelo Major Aníbal Garcia Barão, assume o comando da guarnição, em virtude de seu comandante encontrar-se prisioneiro dos revoltosos. Com o comandante do 1º Regimento, prioriza ações e sufoca a rebelião.

            Apresentaram-se no mesmo dia, àquele comando, o Major Julio Eraldes de Oliveira; Capitães Raphael Villeroy França, Manoel Grott e Tancredo Régis de Alencastre; 1º Tenente Gabriel Ferrugem de Mello Mattos; 2º Tenentes Poty de Albuquerque Souto Maior, comissionados Anaurelino Barreto Alves, Antonio Saldanha e Corbiniano Jobim; 2º Sargentos Marcos Martins Júnior, Eulálio Franco da Rosa e Vespasiano Cardoso Jobim; 3º Sargentos Raul de Andrade Neves e Delicarliense Patrício de Azambuja.

            Na noite desse dia os insurretos abandonam a cidade em direção a Caçapava, com um efetivo inferior a 300 homens e com dois canhões.

            O comandante da 5ª Brigada de Infantaria e da guarnição, Coronel Enéas Pompilho Pires, assumindo suas funções, manda recolher ao regimento, acessórios do material de artilharia encontrados no lugar denominado “Galpões” e entregues àquela autoridade pelo cidadão Lúcio Theodózio Gonçalves.

            O comandante da 3ª Região Militar, via rádio-telegrama, de 18 de novembro, informa ter conhecimento, através da Brigada Militar, de que os rebeldes abandonaram dois canhões no Passo do Raimundo.

            O destacamento do Tenente Coronel Esteves, no dia 25 de dezembro, ataca os rebeldes de “Zeca Netto”, ao sul de São Sepé, durando o combate até as 16:00 horas, tendo o inimigo batido em retirada desordenada, deixando mais de 30 mortos, inclusive seu chefe “Juca Castelhano”, perdendo também armas, munições e miudezas provenientes de contínuos saques, seguindo rumo a Seival, na cabeceira do arroio Santa Bárbara, onde os aguardava forças do Tenente Coronel Hyppólito e do Major Moraes.

            Os rebeldes pressentindo uma patrulha do Major Moraes, já pela madrugada, retrocedem e rumam para Maricá, em direção a Macedos, sempre perseguido pelas forças legais.

            Pequenos grupos, talvez desgarrados do combate, surgiam num ou outro ponto da estrada de ferro, no ramal para Santa Maria, tendo um contingente do 3º Batalhão de Engenharia, tiroteado e posto em fuga, um que pretendia depredar a ponte sob o rio Jacuí.

O boletim nº 268, do comando do 5º Regimento de Artilharia Montada (atual Regimento Mallet), sediado em Santa Maria, aos 20 de novembro, transcreve em seu item II, alocução e elogio de autoria do Coronel Elias Pompilho Pires, comandante da 5ª Brigada de Infantaria (atual 3ª Divisão de Exército – Divisão Encouraçada), constante do boletim da guarnição do dia 19 do mesmo mês.

            “Os tristes acontecimentos da madrugada de 16, tiveram o seu fim na madrugada de 17, às 3:00 horas. E assim devia ser, porque não tiveram direção, logo que o 1º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar do Estado, aceitou repto lançado pelos amotinados pela voz do canhão, a desmoralização e anarquia lavraram em todo o pessoal, principalmente nos dirigentes superiores; pois compreenderam que tinham perdido a ascendência moral sobre seus contrários. Daqui a impor a supremacia tática, foi rápida. Os rebeldes, em vez de procurarem pelo fogo e pela manobra repelir o contrário, tornaram-se passivos; cavaram trincheiras e abriram um fogo inócuo de fuzil e metralhadora, que era garbosamente respondido pelos defensores da cidade.

            Sentindo-se desmoralizados e convencidos de que não demoraria a chegada de reforços, aceleraram o tiro de artilharia, pondo em ação dois canhões que até as 02:30 horas, atiraram para o centro da cidade, sem objetivo, para mais de 100 granadas, causando perda de vidas e danificações em vários prédios.

            Este ato de brutalidade caracteriza os sentimentos baixos que prevaleceram nos instintos bestiais dos dirigentes da rebelião. Finalmente, as 3:00 horas abandonaram a cidade, rumando para São Gabriel. E assim, em poucas horas, mais ou menos 600 homens, com infantaria, artilharia e metralhadoras pesadas, foram derrotados por cento e poucos, tal foi o seu estado de desmoralização e anarquia. E tanto isto é verdade que, já quase 200 apresentaram-se e grande número está foragido pelos matos próximos.

            Historiado ligeiramente, o crime de indivíduos sem consciência, cabe agora elogiar os senhores Tenente Coronel João Moreira Cezar Barroso, comandante do 5º RAM, pela iniciativa que tomou, recolhendo-se ao quartel do 1º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar do Estado e ali assumindo o comando da guarnição, durante as horas em que estive retido em meu quartel general.

            A este digno camarada eu me confesso sumamente grato pelos bons serviços que prestou no sentido de restabelecer a ordem postergada por indivíduos desfibrados.

            Senhor Major Anníbal Garcia Barão, comandante do 1º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar do Estado, pela habilidade com que se houve para resistir aos amotinados, salvando a cidade do saque e talvez a família santamariense da desonra pelos instintos bestiais de quem desprezando os mais elementares preceitos de humanidade, não trepidou em bombardear uma população íncme. A conduta do senhor Major Barão,é de tal jaez que não se encontram termos para bem caracterizá-la.

            A admiração que lhe consagro levou-me a recomendá-lo ao senhor Presidente do Estado, por intermédio do senhor Claudino N. Pereira, comandante geral da Brigada Militar do Estado.

            Fica o senhor Major Barão autorizado a elogiar e agradecer em meu nome, os serviços prestados pelos dignos comandados”.

            As forças revoltadas compunha-se de militares do regimento de artilharia, de infantaria, do parque de aviação e um grande número de civis.

            No dia 22 embarca, com destino a Santo Ângelo, o 26º Corpo Auxiliar da Brigada Militar, que se achava encostado ao regimento e o contingente de artilharia, no dia 25, para Cachoeira.

            Em 25 de novembro, o Boletim Regimental nº 274, passando a ausentes um universo de 119 homens do efetivo do regimento, supostamente integrantes da fração rebelde, foram os mesmos considerados desde o dia 17, réus de deserção, em virtude das partes de ausências, dos inventários e partes acusatórias. Dos elementos que se encontravam no aquartelamento por ocasião da revolta, quase todos a par das circunstâncias, se obrigaram a obedecer aos cabeças do movimento, situação que posteriormente ficou comprovada.

            Quanto aos demais, residentes na cidade, uns poucos não conseguiram sair de suas residências a fim de se apresentarem às autoridades competentes, sujeitos que estavam em se envolver nos combates localizados que ocorreram durante todo aquele dia, por ocasião da insurreição.

            Do restante, alguns preferiram deixar a cidade, outros em maior número até o município, pelos mesmos motivos, apresentando-se nos distritos e cidades vizinhas, como São Martinho, Júlio de Castilhos, São Pedro do Sul, Cachoeira do Sul, General Câmara, Ijuí, Cruz Alta, São Gabriel, Caçapava do Sul, Rosário do Sul e Alegrete, o que ficaria também esclarecido mais tarde, no decorrer dos processos a que foram submetidos.

            A partir do dia 23 do mesmo mês de novembro, começariam paulatinamente, as apresentações dos faltosos a saber:

Seção Extra do Regimento:

·        1º Sargentos Gavino Mário de Freitas e Saturnino Antunes Maciel; 3º Sargento Marcos da Fontoura Martins.

·        Cabos Waldomiro Nunes Teixeira, Germano de Faria Rosa, João Manoel da Silveira Marques, João Pedro da Silva Pillar e Clementino Nunes da Silva.

·        Soldados Manoel Rodrigues, João de Deus Teixeira, Miguel dos Santos Bandeira, Lydio de Faria Corrêa, Ataliba Soares de Oliveira, Francisco Ribeiro, Pautilio Saldanha, Pedro Nunes de Oliveira, Marino Rodrigues Leopoldo, Delmar Pereira da Silva, Symphoroso Marques de Souza, Leandro Pedrozo e Ataliba Rodrigues de Oliveira.

 

Seção Extra do I Grupo:

·        2º Sargentos Trajano Luiz de Vasconcellos e Alfredo Appel; 3º Sargento Eggydio Affonso da Silveira.

·        Cabos Ernesto Rodrigues da Costa e Ignácio Rodrigues.

·        Soldados Miguelino Ramos e Homero de Vargas.

 

1a Bateria:

·        3º Sargentos João Alves e Amado Iracet.

·        Cabos Wanderley de Araújo e Silva e Alcides Francisco Soares.

·        Soldados Felício Bastos, Jorge Pereira, Juvenal Saldanha, Júlio Bueno, Antonio Candido Rodrigues de Lima, Balduíno Silveira da Silva, Arlindo Baptista de Campos, João Baptista Dutra, Annísio Corrêa, Francisco Emilio Gabriel, Leôncio Mendes Escobrar, Dinarte Alves dos Santos e Nelson Rodrigues Teixeira.

 

2a Bateria:

·        2º Sargento Carlos Soares de Oliveira; 3º Sargentos Horácio Pereira de Carvalho e João Correa dos Santos.

·        Cabos Ulysses Soares e Júlio de Castilhos Gonçalves.

·        Soldados João Waldemar Kung, Pedro Octávio Weisheimer, Albanez Leal Coutinho, Theodoro Weltha, Lelis Pedroso Maciel, Hortêncio Prudêncio da Silva, Alberto Welther, Argentino Porto Inda, Osório de Souza Sobrinho, Luiz Nunes e Lourenço Henrique da Silva.

 

3a Bateria:

·        3º Sargento Camilo José Ferreira.

·        Cabo Sebastião dos Santos Petinga..

·        Anspeçada Cypriano Cimas.

·        Soldados Rodolpho Pery dos Santos e José de Oliveira Gomes.

Seção Extra do II Grupo:

·        Soldados Alpheu Castellãn, Eugenio Rocha e Anthero de Ávila Pereira.

4a Bateria:

·        3º Sargentos Aggrypino Rodrigues Puget e João Fleck.

·        Cabos Bento Porto Pereira, Clarestino da Rosa e Trajano Pereira de Matos.

·        Soldados Sérgio Lucas Pereira, Waldomiro Soares de Lima, Antonio Gomes de Menezes, João Martins de Oliveira, Dácio Braga, Alberto Batista de Campos, Fontoura Cezar, Christino Severo, João de Souza Leite, Floriano de Figueiredo, João de Deus Garcia e José Trindade dos Santos.

5a Bateria:

·        2º Sargentos Caio Rodrigues Leopoldo e Dyonísio Ferreira Marques; 3º Sargentos Gabino Soares Barbosa, João Pahim Maciel, Cezar Vieira da Silva e Dario Fayett Ramos.

·        Cabos André Pereira da Silva, Hugo Ferreira Jobim, Emiliano Saldanha, João Rodrigues e Francisco Pereira.

·        Soldados André Avelino de Souza Andrade, Dorival de Freitas, Marcos Evangelista, Moacyr da Silva, Aristides Dias Nunes, Mozart Simões Dias, Alcides Gabriel de Oliveira, Tharlindo Alves da Silva, Jonathas Dias, Zeferino Silveira Castro, João Pinto, Ruth Marinho da Silva, José Corrêa Fogaça, João Graciliano Gonçalves, Marcionílio Vidal, José Bastos e Domingos José Espíndola.

6a Bateria:

·        1º Sargento Antonio Mendes Gonçalves.

·        Cabo Athaydes Nunes da Silva.

·        Soldados Arthur Soares de Oliveira, Martins Dornelles e Fernando Salles.

            Nos boletins subseqüentes relativos aos anos de 1927 e 1928 nada consta que os referidos militares tenham sido condenados, pois muitos deles integraram as forças do movimento de 1930 e 1932.   

            Quem acabou destacando-se em favor do direito legal, foi o Soldado Oscar dos Santos Moraes, que, estando preso para se ver processar, quando libertado pelos amotinados, recusou-se acompanhá-los.

            Em virtude daquela atitude tomada, foi elogiado a 15 de janeiro de 1927, pelo Coronel Simeão Pereira Reis, comandante da 3ª Brigada de Artilharia, “por ter, na ocasião dos tristes acontecimentos havidos no regimento nos dia 16 e 17 de novembro último se furtado a participar do movimento tendencioso.

            Após ter assistido ao saque levado a efeito no aquartelamento, na ocasião do levante, com a máxima boa vontade, envidou esforços, reavendo grande parte de material bélico e objetos saqueados, teve considerado digno dos maiores elogios o seu procedimento, que em ato de apreciável patriotismo, espontaneamente tanto se interessou pelos bens da nação.

            Após aquele fato, rumando à cidade de Cruz Alta, apresentou-se na 3a Brigada de Artilharia, dando, assim, evidentes provas de lealdade e disciplina, já que ocupando lugar demasiadamente modesto na classe militar, teve, em tais circunstâncias, a hombridade necessária para, desprezando propostas menos dignas, acercar-se dos leais servidores da pátria”.

            Por informações oficiais recebidas a 31 de dezembro, “Zeca Netto” e seus rebeldes, acossados por forças legais, transpuseram a fronteira com o Uruguai, em Três Vendas, sendo desarmados por um regimento oriental e mandados internar.

            Com ofício do comandante da 3ª Brigada de Cavalaria, apresenta-se a 6 de janeiro, o 3º Sargento João Paim Maciel que, obrigado a acompanhar os revoltosos, conseguiu enganá-los no Passo do Camisão, abandonando-os no dia 19 de novembro, internando-se nos matos.

            A 22 do mesmo mês, mantendo contato com as forças do Dr. Osvaldo Aranha, passou a servir sob as ordens do Major Moraes, até 31 de dezembro, quando os revoltosos imigraram para o Uruguai.

            A partir de fevereiro de 1927, começaram a se apresentar em Santana do Livramento, no quartel do 6º Grupo de Artilharia a Cavalo, muitos dos envolvidos na rebelião, que retornavam do vizinho país. Fonte: REGIMENTO MALLET - cento e setenta anos de seu dia-a-dia - de Antonio Carlos Mesquita do Amaral

 


Última alteração em 12-13-2008 @ 06:41 pm

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