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A quase secular guerra dos Palmares - AL – PE 1602-1696
Inserido por: ClaudioBento
Em: 12-06-2008 @ 06:53 pm
 

 

A SECULAR GUERRA DOS PALMARES
 AL – PE 1602-1696


Cláudio Moreira Bento(x)

Recordando no Dia da Consciência Negra de 20 de novembro de 2008 Zumbio Rei dos Palmares  e a secular Guerra dos Palmares 1602- 1696

A presente interpretação, objetiva evidenciar uma luta interna de grande intensidade e duração, ao ser estudada do ponto de vista da História Militar  Terrestre do Brasil como um tipo de Guerra de Resistência ou guerra de Guerrilhas. conhecida Como Guerra do Mato que José Bonifácio, guerrilheiro em Portugal contra a dominação napoleônica planejava utilizar caso o Brasil logo depois da Independência fosse invadido por alguma potencia européia.

 

ZUMBI DOS PALMARES 1655-1695

 

Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares 1678-1695, por período de 17 anos, dos 23 aos 40 anos de idade, até a sua morte, nasceu em 1655, no Quilombo dos Palmares.

Na primeira expedição que o Governo de Pernambuco enviou a Palmares, entre os prisioneiros feitos estava o menino Zumbi.

Ele foi entregue ao padre Antônio Melo, português que o batizou, criou e alfabetizou e deu-lhe o nome de Francisco.

Em 1670 aos 15 anos, Zumbi fugiu para o Quilombo dos Palmares quando este atingiu o apogeu e tornou-se líder político e militar e em pouco assume a liderança militar do Quilombo, em razão de uma cultura e valor guerreiro.

No ano seguinte o Governo de Pernambuco iniciou o combate oficial a Palmares.

E Zumbi afirmou a sua liderança como guerreiro e político destacado no combate as expedições do Capitão André da Rocha e Tenente Antônio Jacome Bezerra.

Em 1676, aos 21 anos, participou da sangrenta e feroz contra ataque a tropa do agora Coronel Bezerra, do que resultou um grande massacre da expedição além das mortes e muitas deserções.

Zumbi participou do ataque vingativo a Porto Calvo e do incêndio de canaviais.

Em 1674 enfrentou a expedição chefiada pelo negro Henrique Dias, herói das batalhas dos Guararapes. Participou das lutas contra a expedição do Sargento Mor Manuel Lopes que transformou um mocambo conquistado em sua base no interior do Quilombo.

Em 1677 combateu as tropas de Fernão Carrilho que atacaram o mocambo de sua avó Aqualtume e o de seu tio Gana Zona a partir da base de Fernão Carrilho. Nesta ocasião foi preso o seu tio Ganga Zona e seus primos irmãos Zambi e Acaune e morto outro primo Tocula, filho de seu tio Ganga Zumba – o Rei do Quilombo.

Em 1778, aos 23 anos Zumbi liderou a revolta contra seu tio e rei do Quilombo, o Ganga Zamba que terminou envenenado por haver aceito um fim da guerra com a liberdade restrita só aos nascidos no Quilombo.

Em conseqüência Zumbi, aos 23 anos assumiu a liderança de Palmares e continuou a lutar contra a Escravidão, ou a favor da liberdade dos palmarinos não nascidos no Quilombo.

Em 1691, aos 36 anos liderou a reação a Domingos Jorge Velho que conseguiram atingir o mocambo capital – o Macaco. Sua reação foi tão efetiva que obrigou a expedição retirar-se para Porto Calvo.

Zumbi- rei foi maior herói para o povo dos Palmares. Sua lenda atingiu as senzalas de Pernambuco e Alagoas e atuou no seguinte contexto e circunstâncias a seguir descrito

 

 

A formação do Quilombo dos Palmares

Durante cerca de 94 anos a região dos Palmares em Alagoas e Pernambuco foi alvo de investidas holandesas e portuguesas para ali destruir o grande Quilombo dos Palmares, uma grande confederação de mocambos .Estes povoados dos escravos fugidos dos engenhos e fazendas que ali foram se reunindo, prosperando e desfrutando da liberdade, que a Escravidão lhes tolhia.

O Quilombo dos Palmares ocupou uma faixa de terra de cerca de 200 km, em grande parte montanhosa e coberta de espessa mata, paralela ao litoral e que se estendia do Cabo Santo Agostinho em Pernambuco, até o Rio São Francisco em Alagoas.

Os Palmares eram atravessados por 9 rios que alimentavam uma mata fechada e por via de conseqüência a fertilidade do solo.

A mata e a montanha na Serra da Borborema tornavam o Quilombo dos Palmares de difícil acesso, proporcionando seguro abrigo a seu povo e, além, terreno ideal para a defesa a base de guerra de guerrilhas ,com táticas indígenas e africanas integradas e que ali foi denominada Guerra do Mato.

O Quilombo dos Palmares cresceu em número que estatísticas imprecisas avaliam em 6.000 a 20.000 quilombolas, incluindo neste número mulatos, índios, ex-escravos e supõe-se até brancos com dívidas com a Justiça.

A concentração foi facilitada pela desintegração da economia nordestina em especial por estarem as autoridades luso-brasileiras da área voltadas para o combate às invasões holandesas em Pernambuco e Alagoas 1630-54.

Depois da expulsão dos holandeses as administrações coloniais, de Pernambuco e Olinda, não puderam controlar o Quilombo dos Palmares e nem com o auxílio dos senhores de engenho, também em sérias dificuldades. Pois foram obrigados a contrair empréstimos com comerciantes do Recife – os Mascates – circunstância que daria origem a Guerra dos Mascates, entre a Aristocracia, canavieira, falida, e os portugueses no Recife ,em 1710, decorridos 16 anos da destruição do Quilombo dos Palmares.

Sem meios para reduzir o Quilombo dos Palmares ele foi se expandindo em aldeias diversas ou mocambos. Entre eles se destacaram: O Macaco, a capital dos Palmares e o maior (ficava na localidade de União dos Palmares - AL), o combativo e agressivo Subupira, e os Tabocas, Oranga, Zumbi, Amaro, Odenga, Aqualtume, Andalquituxe etc

A ameaça representada por Palmares

 

Para o Conselho Ultramarino em Portugal e a economia do Nordeste com apoio no cultivo do açúcar, o Quilombo dos Palmares constituía-se em uma ameaça assim vista à nível estratégico.

  • Se constituir Palmares estímulo permanente a fuga de escravos, que eram ao mesmo tempo capital e força de trabalho dos engenhos e fazendas.
  • Se constituir Palmares em base de partida e de abrigo de expedições destinadas a atacar fazendas, engenhos e vilas, inclusive para o seqüestro de mulheres escravas e obtenção de pólvora e sal e a libertar outros quilombolas.

Disso decorreria insegurança geral e prejuízos enormes ao desenvolvimento regional, pois os fazendeiros, senhores de engenho e governo não se conformavam com a existência de Palmares. E toda a oportunidade possível enviavam expedições contra Palmares. Seus habitantes antes mesmo da chegada da expedição sair para atacá-los já estavam sabendo. E se embrenhavam nas matas da Serra da Borborema até melhores dias.

  • A possibilidade levantada de o Quilombo dos Palmares se constituir em Tropa Negra capaz de a vir a dominar militarmente, com apoio dos escravos revoltados, as cidades de Recife, Maceió, Porto Calvo e Penedo, pois já havia precedentes neste sentido com os franceses na Antilhas.
  • Compararem a ameaça quilombola de Palmares, como de igual perigo que a representado pelos holandeses ,para a manutenção da Unidade do Brasil.

 

Objetivos conflitantes

 

Mas em realidade o objetivo dos quilombolas era a defesa do Quilombo para continuarem a desfrutar de um bem precioso e vital – a liberdade, no contexto de uma colônia onde vigorava a Escravidão, com apoio legal.

A estratégia de Portugal no combate aos Quilombos objetivava manter a Unidade do Brasil e a preservar o Estatuto da Escravidão.

E foi contra este Estatuto que surgiria e se imporia a liderança de Zumbi, conhecido hoje, como o Mártir da Abolição da Escravatura do Brasil e Patrono Cívico da Negritude Brasileira, a semelhança de Tiradentes, Mártir da Independência e Patrono Cívico do Brasil .

 

O perímetro fortificado dos Palmares

 

Para defender Palmares e assegurar a liberdade de seus habitantes, o Quilombo foi progressivamente fortificado.

O perímetro fortificado do mocambo capitalo Macaco ,era constituído por uma dupla muralha de pau a pique, com vários baluartes e somente três portas de acesso fortificadas. Era protegido à distância por postos de observação ,sobre vias de acesso do recinto .

O Quilombo era atravessado por 5 rios ricos em peixes. Em seu interior plantavam milho, feijão e mandioca e criavam galinhas e porcos.

A retaguarda do mocambo – capital Macaco erguia-se o palácio do chefe do Quilombo . E protegendo-o à retaguarda uma alta escarpa inacessível da Serra da Barriga e que servia de torre de vigilância longínqua do terreno ao redor. Este local é hoje a cidade de União dos Palmares.

O quilombo vivia da agricultura, caça e pesca e obtinha armas e munições com portugueses com quem mantinham negócios.

Estes interesses comerciais dos portugueses com eles, contribuíam para as suas proteções e dos negócios dos traficantes que os alertavam de expedições punitivas contra eles, com bastante antecedência.

Em épocas de tensões ,por previsíveis ataques ao Quilombo, eram feitas chamadas a tarde.

Militarmente havia entre eles uma bem ordenada hierarquia militar.

A hierarquia decorria do seguinte sistema: os mocambos eram chefiados inicialmente por chefes com sangue nobre da África. Depois passou a ser exercido pelos mais capazes.

Um deles coube a chefia à princesa Aqualtume, a cujos descendentes estaria ligada a liderança o Quilombo ,depois da expulsão dos holandeses, para a qual o Quilombo contribuíra indiretamente por fixar para o seu controle, expressivo contingente batavo.

Dois filhos de Aqualtume Ganga Zumba e Gana Zona, assumiram a liderança de dois dos mais expressivos mocambos.

O líder que sucederia Ganga Zumba, na liderança do Quilombo dos Palmares, seria o seu sobrinho Zumbi, neto da princesa Aqualtume como se verá . Isto em razão de uma disputa de liderança entre Ganga Zumba, que aceitou uma proposta da Administração Colonial que implicava em prender e devolver a Pernambuco todos os quilombolas não nascidos em Palmares

Zumbi que se intituou um rei, se opôs. Ganga Zumba seria envenenado e a luta continuaria até a destruição total de Palmares seguida mais tarde da prisão e execução sumária de Zumbi, como se verá.

 

As expedições contra o Quilombo dos Palmares

 

Em 1644, quando os luso-brasileiros preparavam a Insurreição Pernambucana contra o domínio holandês estes atacaram duas vezes os Palmares.

A primeira expedição foi de Rodolfo Baro. Ao se aproximar dos Palmares as sentinelas do Quilombo deram o alarma geral. Os defensores rapidamente dificultaram a progressão da expedição holandesa derrubando árvores (abatizes) que detiveram a expedição nas portas de um mocambo. Ato contínuo, a expedição foi atacada em todas as direções. Vendo perigar toda a sua expedição vítima das lanças e flechas, Baro ordenou a retirada.

A segunda expedição holandesa foi ao comando de João Blaer. Foi preparada cuidadosamente.

Esta expedição seria vítima de uma doutrina militar guerreira, desenvolvida pelos palmarinos. Era a Guerra do Mato, em realidade uma guerrilha, cuja estratégia era a seguinte.

Quando os holandeses atacavam, os defensores de Palmares recuavam. Quando os holandeses paravam eram atacados, em incursões relâmpagos. E esta estratégia perdurou por cerca de 3 meses, sem que os palmarinos oferecessem combate. O próprio tempo e o terreno hostil se encarregaram de desgastar Blaer e seus homens que retornaram a Recife, tendo só destruído um pequeno mocambo.

As duas expedições ocorridas às vésperas da Insurreição Pernambucana, convenceram os holandeses de que seria necessária uma grande expedição para destruir Palmares. E abandonaram a idéia mesmo em razão do início da Insurreição Pernambucana em 1645.

Nesta época por ali havia passado por terra, de Salvador às matas do Pau Brasil, em Pernambuco, para preparar secretamente o Exército Patriota, o Sargento Maior (Major) Antônio Dias Cardoso o Mestre das Emboscadas e da Guerra Brasílica, que possuía semelhanças com a Guerra do Mato, usado por Palmares. Chefe que estudamos em As Batalhas dos Guararapes – Análise e descrição militar (Recife: UFPE, 1971. 2 v.) e hoje patrono do Batalhão de Forças Especiais do Exército .

Durante o período da Insurreição Pernambucana 1645-54 o Quilombo dos Palmares foi deixado de lado pelos holandeses e pelos luso-brasileiros.

Com o fim da guerra em 1654 , a concorrência do açúcar da Jamaica provocou uma decadência econômica do Nordeste canavieiro.

Assim ,o Quilombo comerciou internamente com as vilas de Serinhaem, Porto Calvo, Penedo e Alagoas. O Quilombo fornecia produtos agropecuários, caça e pesca em troca de ferramentas, armas de fogo, pólvora e sal.

Até 1668, por cerca de 23 anos, continuou o Quilombo dos Palmares rechaçando fracas expedições sem auxílio o estatal de Pernambuco que estava impotente para uma ação de envergadura.

Em 1668 fazendeiros de Alagoas e Porto Calvo celebraram um Tratado de União Perpétua que objetivava ,com apoio em poderosa tropa a ser mobilizada:

- Usar os alimentos encontrados nos mocambos para alimentar a expedição.

- Que os palmarinos capturados que pertencessem aos moradores de Alagoas (Maceió) e Porto Calvo seriam devolvidos mediante indenização de 12.000 réis, a qual ficaria reduzida a metade se o palmarino se entregasse voluntariamente.

  • Venda dos demais, em leilão, menos os menores de 12 anos.
  • Pena capital, para os palmarinos, culpados de assassinatos e roubos contra fazendas.A vila de Serinhaem aderiu ao Tratado!O projeto ficou no papel.

Em 1669 o governo de Pernambuco determinou que os escravos recapturados seriam vendidos para outros locais do Brasil.

Mas a procissão para os Palmares de escravos fugidos se acelerou e o Quilombo em 1670, decorridos mais de 70 anos,atingiu o seu apogeu.

 

A luta oficial contra Palmares

 

Em 1671, teve início a luta oficial do Governo de Pernambuco contra Palmares. O Capitão André da Rocha e depois o Tenente Antônio Jácome Bezerra capturaram 200 quilombolas. O tenente Bezerra foi promovido a coronel.

Esta expedição oficial, foi o início do fim do Quilombo!

Em 1676, forte de 600 homens, o agora Coronel Bezerra atacou Palmares. Destruiu vários mocambos e roças de subsistência.

Mas um vigoroso contra-ataque de Palmares, cercou parte de sua tropa que foi toda massacrada. Estas perdas e deserções o obrigaram a retornar ao Recife.

Como vingança, uma expedição de Palmares atacou Porto Calvo e incendiou canaviais.O Capitão Mor de Porto Calvo atacou Palmares e destruiu um mocambo com 700 choupanas. E a guerra chegou a Palmares!

Em 1674 o Governo de Pernambuco enviou outra forte expedição composta de soldados, índios, mestiços e negros do Batalhão de Henrique Dias, que se destacara com seus soldados negros nas Batalhas dos Guararapes (vide op. cit.). Mas o Quilombo resistiu a investida com pesadas perdas.

 

O Governo estabelece uma base no Quilombo

 

Em 1675 o Governo de Pernambuco enviou outra expedição ao comando do Sargento Mor (major) Manuel Lopes que atacou um mocambo com mais de 2.000 moradias e deparou com uma capela onde era praticada o sincretismo religioso cristão e divindades africanas.

A estratégia da expedição foi conquistar e se instalar no mocambo, protegido por muralhas de pau a pique, depois de obrigar seus habitantes à retirada, seguida do incêndio do mocambo.

Decorridos 5 meses, os guerreiros do Quilombo se reorganizaram à distância de 25 léguas da base de Manuel Lopes. Este foi a procura do combate que se desenrolou violento.Manuel Lopes manteve-se senhor de sua base de partida agora um arraial. Mas inquietado pela guerrilha palmarina e carente de munição de boca pediu reforços.Foi reforçada por Fernão Carrilho experimentado em lutas contra quilombos fora de Palmares.

Fernão Carrilho reuniu líderes das vilas de Pernambuco e Alagoas interessados em destruir o Quilombo. Pretendeu organizar uma dispendiosa expedição com 200 arcos e 100 mosquetes e não conseguiu. Atacou sem sucesso o Quilombo dos Palmares e retornou ao Recife.

 

                         Atacados os mocambos dos líderes do Quilombo

 

Em 1677 Carrilho voltou a atacar. O objetivo desta vez foi o mocambo da velha princesa Aqualtume, avó de Zumbi. O segundo ataque foi contra o mocambo Subugera de Gana Zona, filho de Aqualtume e tio de Zumbi, cuja liderança já se impusera como grande guerreiro e esclarecido político.

Mas encontrou Subupira destruído pelo fogo, pelos seus defensores. E neste lugar Carrilho estabeleceu a sua base militar e de partida para raios e relâmpagos sobre outros mocambos.

No mocambo Amaro, eliminou em sangrento confronto grande quantidade de seus habitantes entre eles Toculo, um filho de Ganga Zumba, de uma ligação poligâmica, prática comum. Foi xxx o irmão de Canga Zumba – Gama Zona e mais 2 filhos deste, Zambi e Acaiene.

 

 

Um arraial no coração dos Palmares

 

Carrilho fundou no coração de Palmares o arraial de Bom Jesus e a Cruz e ficou convicto de que havia destruído o Quilombo dos Palmares.

O Governo de Pernambuco procurou integrar à Colônia Palmares e seus habitantes com uma povoação portuguesa.

Canga Zumba, o rei do Quilombo, vendo nisto possibilidade de paz e progresso para seu povo enviou em 1678 seus emissários ao Recife. E lá aceitou a seguinte proposta de paz. Os governadores de Pernambuco propuseram os seguintes termos para a Paz com o Quilombo dos Palmares:

 

1 – Que escolhessem o local para suas habitações e plantações.

 

2 – Que em 3 meses se recolhessem ao local que escolheram.

 

3 – Liberdade para os negros nascidos nos Palmares, conforme proposta do rei Ganga Zuma.

 

4 – Que fossem restituídos pelo Quilombo os escravos que haviam fugido dos engenhos e fazendas.

 

5 – Que poderiam comercializar e relacionar-se com os brancos.

 

6 – Que teriam o status de vassalos do Rei e obedeceriam as ordens do governador de Pernambuco.

 

7 – Que o rei negro Ganga Zuma seria nomeado mestre de campo de toda a sua gente e responsável pela ordem entre os negros.

 

E teve início um confronto de lideranças. Zumbi, o sobrinho do rei Ganga Zumba, não se conforma com a cláusula 4 do Tratado, embora nascido em Palmares.

Zumbi agora rei dos Palmares

 

O confronto entre o agora Mestre de Campo Ganga Zuma e os ideais de Zumbi prosseguiu. O rei Ganga Zuma foi envenenado pela corrente de Zumbi que em conseqüência assumiu a liderança como rei.

E a guerra dos Palmares recomeçou cruel e sangrenta e os liderados de Zumbi privados de pólvora e armas de fogo.

Em 1680 o Capitão Mor André Dias atacou Palmares e só conseguiu destruir uma fortificação no outeiro da serra da Barriga.

Zumbi foi convidado a reintegrar-se e chamado até de Capitão Zumbi. Mas este resistiu nas matas, usando a guerrilha Guerra do Mato.

                       O paulista Domingos Jorge Velho entra em cena

 

O Governo de Pernambuco recorreu então ao bandeirante Domingos Jorge Velho experimentado no combate a Guerra do Mato, no Piauí.

Em 1691, Domingos Jorge Velho, forte de mais de 1000 homens, atacou o mocambo capital dos Palmares – o Macaco e atual cidade de União dos Palmares-AL.

Mocambo que cairia depois de 3 anos de sitiado e 22 dias de sangrentos combates. Conquista que provocou a queda pela manobra de todo o Quilombo de Palmares depois de quase um século em que fora iniciado.

 

O fim do Quilombo de Palmares

 

Zumbi liderou a resistência derradeira em Macaco, contra Jorge Velho e Bernardo Vieira de Mello que mandaram erigir uma paliçada protetora, a guerra de trincheira de 600 metros de comprimento, frente a paliçada dupla do mocambo Macaco.

Zumbi liderou pessoalmente o contra ataque contra duas investidas de Jorge Velho e Vieira de Mello.

Os defensores usaram todos os recursos para a defesa, inclusive água fervente, obrigando-os a um retraimento.

Zumbi convocou todos a morrerem pela liberdade. As cenas são inusitadas. Atacantes foram pescados com ganchos de madeira e estrangulados pelos defensores mais fortes.

A paliçada atacante foi reforçada. E foram infrutíferos os ataques a fortaleza de Macaco nos dias 23 a 29 de janeiro de 1694, sem o auxílio de Artilharia.

 

Artilharia contra o Quilombo

 

Os atacantes receberam reforços do Recife e retiraram os 3 lados da fortificação, cujo 4º lado era um precipício inacessível.

E o Macaco foi sediado por conflito, mas dispunha de água e alimentação para resistir do cerco – agora total.

Na madrugada de 6 de fevereiro de 1694 o mocambo foi despertado por tiros de canhão que abriram brechas na tripla paliçada do mocambo Macaco.

Por elas os atacantes penetram, obrigando os líderes de Zumbi a tentarem escapar por saída junto ao precipício, no qual encontram a morte os que ali se jogaram ou foram jogados em número estimado em 200. Zumbi conseguiu romper o cerco ferido por 2 projéteis.

E a luta aberta, não era o forte dos Palmarinos. E ela se transformou num massacre cruel. Ao nascer do sol só feridos e mortos. O corpo de Zumbi foi procurado, mas não encontrado, contrariamente a que diz a lenda e afirmaram respeitados autores.

Em 20 de novembro de 1695, decorridos cerca de 22 meses, aos 40 anos Zumbi com apoio na traição de velhos palmerinos, foi localizado, surpreendido, cercado e preso, com resistência a prisão até a morte, junto com 20 de seus guerreiros e pelo bandeirante André Furtado de Mendonça.

Este mandou cortar a sua cabeça e a enviou ao Recife para ser espetada em praça pública, para exemplo e mostrar que o herói que tornara para os escravos havia de fato morrido.

Hoje projetado no tempo a sua luta de combate a escravidão causa pela qual deu a vida, o dia de sua morte, como justiça na voz da História do Brasil foi consagrada como o Dia da Consciência Negra.

Este fato histórico gerou milhares e milhares de páginas de documentos, livros, artigos e debates.

Justo na área em grande parte coincidente com a do Quilombo dos Palmares seria palco quase século e meio mais tarde da Revolta dos Cabanos de Alagoas e Pernambuco, estudado mais adiante, cuja motivação que talvez permanecesse no inconsciente coletivo da população da área era a de restaurar o Reinado de D. Pedro I.

 

A presente interpretação buscou apoio nas seguintes fontes.

 

ENNES, Ernesto. As guerras dos Palmares. São Paulo: Cia Ed. Nacional. 1938 (Português, funcionário do Arquivo Histórico Colonial e da Biblioteca Nacional de Lisboa).

ABRIL CULTURAL. Zumbi in: Grandes Personagens da nossa História. São Paulo, 1972, p. 141-156.

BLOCH EDITORES. História do Brasil. Rio de Janeiro, 1976.

PEDROSA, José Fernando Maia. Quilombos e negritude a serviço da ideologia. A Defesa Nacional.

FREITAS, Mario Martins de. Rumo Negro de Palmares. Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1954 (Trata-se de oficial Veterano da FEB, já falecido).

 (x) Presidente da Academia de história Militar Terrestre do Brasil

 


Última alteração em 12-06-2008 @ 06:53 pm

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