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COLEÇÃO GRANDES LÍDERES - A Vida de Carlos Salvador - A adolescência
Inserido por: Itauna
Em: 05-05-2014 @ 07:00 pm
 

 

Carlos Salvador

A adolescência I

Toda seqüência de ações engendradas na vida do ser humano é de grande importância para a sua evolução espiritual. Acredito que um reduzidíssimo número de pessoas tem a verdadeira noção da importância desse evento para as várias sucessões até voltar ao seio do Pai. Cada ato praticado, cada palavra emitida, cada pensamento vibrado no éter pelo ser humano, gera um somatório de conseqüências inimagináveis, positivas ou negativas que definirão a sua situação na vida futura, determinando se a mesma gerou um carma de caráter probatório, evolutivo ou missionário.
É na adolescência que começa o jovem a despertar, a tomar consciência, a vivenciar, a descortinar o que há de bom ou ruim nessa jornada.
A palavra adolescência, etimologicamente, vem do latim, adolescere, e que quer dizer CRESCER. A adolescência não é só crescimento físico; é também uma fase de crescimento funcional, biológico, de crescimento psicológico e de crescimento social. É uma fase de crescimento em todas as direções, quer material, quer social, quer espiritual. É uma etapa muito importante na vida de todo jovem. Seus ideais, conceitos e atitudes para cada aspecto da vida surgirão desta experiência de crescimento. Serão firmadas, nessa época, suas atitudes para com a visão do mundo.
Sendo a adolescência a fase da vida compreendida entre a puberdade e a virilidade, ou seja, dos 15 aos 24 anos de idade já se pode imaginar o que será esse período na vida de um jovem na capital baiana nos anos cinqüenta, onde o desemprego, a miséria, a malandragem, a vagabundagem, a preguiça, a indolência, a falta de higiene considerada natural e outros atributos nocivos proliferando gratuitamente, num povo altamente miscigenado, resultante de uma mistura letal de pessoas comuns, da pior espécie oriunda das raças branca, indígena e negra? O que poderá ser transmitido ou repassado para um adolescente convivendo nesse meio hostil, que possa servir para a formação da sua personalidade e para a conseqüente constituição do seu caráter? Bem! Se a sua missão na atual existência for de um formador de opinião, certamente servirá de subsídio, escudo ou exemplo para se defender de tais práticas.
É importante frisar que, no campo das políticas públicas os governos não tinham preocupação com os jovens. Os governos costumavam vincular a juventude com a infância e adolescência, sem compreender que este segmento tem suas especificidades. A juventude nunca foi uma época da vida, mas é sempre um estado de espírito.
Minha adolescência teve início na cidade de Salvador e se consolidou nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nessa fase de minha vida tive de contar com a longa experiência adquirida na minha terra natal às duras penas nas ruas da cidade. Foi para mim de grande valia, porque desembarquei no Rio de Janeiro, precisamente no dia 25 de agosto de 1954, com 17 anos de idade, a cidade estava sitiada com a morte do estadista Getúlio Vargas, de forma trágica pelo seu suicídio.
Fui morar num depósito da Empresa Transportadora Bahia-Rio Ltda, situada na Rua Salvador de Sá 6 – no centro do Rio de Janeiro onde toda sorte de malandragem imperava, pela sua proximidade com a Central do Brasil, a Zona do Baixo Meretrício da famosa Rua Pinto de Azevedo localizada no sopé do Morro do São Carlos. Essa mistura de proximidades se traduzia na nata do que se podia pensar em termos da alta vagabundagem, cuja vida noturna tinha a sua matriz geradora na lendária Lapa.
Todo material e dificuldade que um jovem precisava para forjar e sedimentar o seu caráter eu tinha de sobra. Estava no fio da navalha para escolher qual o melhor lado que eu deveria optar na constituição da minha vida futura, sem ter ninguém para me orientar tive que decidir em ser um homem de bem. Toda oportunidade de optar pelo lado bom ou pelo lado ruim da vida eu tive. Fiz grandes amizades com pessoas de boa índole que me orientaram, subliminarmente, sempre para o caminho do bem, mas também fiz amizades com pessoas que trabalhavam na Empresa e viviam literalmente na marginalidade, os quais foram de grande utilidade para minha formação porque me orientaram, decisivamente, como deveria proceder, num meio tão hostil sem me envolver na vida do crime. Acredito que pela minha pouca idade e visível inexperiência essas pessoas me viam como um filho que estava desamparado precisando de orientação e apoio.
O aprendizado dessa época foi de grande valia para minha vida futura.
A Agência da Empresa em São Paulo teve um grande crescimento e precisou da minha presença na área administrativa, que nessa época eu já demonstrava grande habilidade e experiência nas questões relativas às funções de despachante de mercadorias para carregamento dos caminhões para as diversas praças do norte e nordeste do país, experiência essa adquirida, parte na cidade de Salvador, Bahia onde trabalhei dos 12 aos 17 anos.
O trabalho em empresa de transporte rodoviário de cargas tem as suas particularidades inerentes às mesmas. Tem seus períodos próprios – é sazonal. Tem época que se trabalha o mês inteiro, com horário para começar e sem horário para terminar. Enquanto tiver mercadoria no depósito e caminhões para carregar se trabalha noite e dia sem parar, obedecendo a um revezamento do pessoal, tanto da administração como do carregamento.
Senti a diferença do clima. No Rio de Janeiro mesmo nos meses mais frios a temperatura média, à noite era de 20 graus e durante o dia sempre tínhamos bastante sol. Em São Paulo, nessas circunstâncias à noite a temperatura caia, na maioria das vezes, naquela época a dois e três graus positivos, em média, quando não era negativa.
O São Paulo daquela época era uma cidade surpreendente, com uma miscigenação de várias etnias tão grande que confundia qualquer pessoa que ali chegasse e, sem sombra de dúvidas, permanecia muito tempo confuso sem saber que força maravilhosa era aquela que atraia tanta gente para uma metrópole tão heterogênea. Era idêntica a uma colônia de abelhas cujo meio ambiente fosse constituído de uma florada diversificada e abundante. Não faltava emprego nem trabalho para seus nativos nem para os “paus-de-arara” que ali chegavam para construírem as suas vidas.
Completamente livre para fazer da minha vida o que quisesse era o tipo de situação que mais um adolescente queria. Não tinha a total consciência do perigo que corria numa metrópole onde a maioria dos seus imigrantes e retirantes nem sempre tinham motivos muito óbvios para estarem ali. Na maioria das vezes os motivos eram, sem dúvida, a seca que o impeliam na busca de melhor situação para suas famílias, ora eram crimes cometidos na sua terra natal que aqui encontravam um bom refúgio.
Adquiri grandes conhecimentos nas questões inerentes a transportes de cargas. Tanto o trabalho burocrático da administração como o adestramento necessário na área de escritório central de uma grande empresa pioneira no ramo do transporte, se tornou para mim de grande proveito quando ingressei nas FFAA.
Em Salvador - Bahia, com 15 anos de idade adquiri uma grande habilidade como despachante na entrega de mercadorias em todo o município acompanhando os motoristas que transportavam cargas do Rio de Janeiro e de São Paulo para aquela praça. Conhecia a cidade como a palma da minha mão. Tanto o centro da cidade como o recôncavo baiano não tinha mistério para mim, eu conhecia por nome de bairros e de ruas o que facilitava muito o serviço de entrega das mercadorias. Se um outro despachante que não tinha a técnica nem a minha pratica, num caminhão com 250 entregas, por exemplo, levasse dois ou três dias para consolidá-las eu fazia em um dia, o que era uma grande vantagem para o caminhoneiro. Com isso ficava assoberbado de serviço porque todos queriam que eu os acompanhasse nas descargas de mercadorias. Desde tenra idade já era considerado o homem dos "sete instrumentos" porque além dessa habilidade que antes citei, era também exímio datilógrafo, tinha um talho de letra muito bom, já trabalhava com máquinas de calcular manual e elétrica que estavam sendo implantadas à época, a situação do momento já forjava no meu caráter de forma indelével os atributos necessários requeridos para a liderança futura. Pontualidade, assiduidade e responsabilidade passaram a fazer parte da minha vida, me levando, por isso, a desfrutar uma grande liderança junto aos motoristas e outros empregados e carregadores da empresa. Aliado a todo esse procedimento e conhecimento precoce, pois tinha apenas 15 anos de idade à época conhecia bem todos os sinais de transito e já dirigia todos os tipos e marcas de caminhões, pois nas horas vagas era eu quem fazia as manobras nos veículos comuns e das carretas já carregados, no grande estacionamento do depósito da empresa situado à Rua Dr João Tobias, 95 na Mooca e na Rua Domingos Paiva, 111 – no Largo da Concórdia rua esta situada paralela à ferrovia Santos Jundiaí. Vale salientar que, talvez, pelos exemplos nocivos que presenciei na cidade do Salvador praticados por pessoas da família e por amigos mais chegados que morriam, prematuramente, pelo uso imoderado de substâncias tóxicas, eu não tinha o vício do tabagismo nem do álcool, apesar da solidão e do intenso frio da capital paulistana.
Morava no próprio depósito, lavava a minha própria roupa e fazia a refeição quando tinha tempo suficiente para isso, pois a rotina diária era, sobretudo, intensa e desgastante.
O depósito da Rua Domingos Paiva era imenso. A Empresa o adquiriu para satisfazer a demanda nas épocas de grandes volumes de mercadorias para as praças do Rio de Janeiro, do Norte e do Nordeste. Tanto tínhamos mercadorias pesadas que servissem para formar o lastro dos caminhões tais como originária da Gessy Lever cuja fabrica no município de Campinas nos mandava semanalmente 30 a 40 Caminhões Ford F-8 com 9 a 10 toneladas cada um para as diversas praças acima citadas. Recebíamos, também, mercadorias leves e de grandes volumes de empresas tais como Chapéus da Prada S/A, da Atma Paulista – Brinquedos de Plástico e outras cujo valor do frete era altíssimo e compensava.
O depósito era tão grande que tinha no seu interior, embora desativado, um desvio da linha de trem que antigamente o mesmo entrava para descarregar suas mercadorias. Para mensurar mais ou menos o seu tamanho houve em São Paulo uma sonegação do produto arroz e foram depositados nessa empresa, em média 500.000 sacos do produto, em pilhas de 30 sacos de altura. Ocupou, simplesmente, um espaço mínimo devido o seu tamanho. Esse arroz foi quase totalmente perdido. Quando percebi que o mesmo estava mofando e proliferando uns ratos gerados pelo próprio produto, verifiquei que ninguém tinha o produto, contatei com algumas fabricas da adjacência e doei durante uns cinco meses ininterruptos para seus empregados. Quando terminou a sonegação o restante foi retirado do depósito e jogado no mar, acredito.
Essa foi uma fase de grande experiência para formação moral e do meu caráter. Cito esses acontecimentos porque numa empresa de tal porte ficando um departamento com tantas responsabilidades sob a guarda de um fiel com 17 anos de idade, os apelos para a prática da desonestidade se nos apresentavam em todo o momento. Os ajudantes, num total de 21, homens brutos, ignorantes, analfabetos, já formados, todos subordinados a mim não tinham uma formação moral das melhores e sim com fortes tendências a pequenos furtos e se lhes fossem dada oportunidades desviariam maiores volumes.
Era muito comum chegarem caminhões do interior paulistano para descarregar altas horas da noite e para adiantar a vida do caminhoneiro nós recebíamos a mercadoria. Certa vez foram descarregados vários caminhões da Gessy Lever para as praças do nordeste e desses caminhões quatro, logo depois, constatamos que eram para Minas Gerais e nós não trabalhávamos para esse estado. Essa mercadoria ficou mais ou menos uns dois meses no depósito e não houve reclamação por parte do remetente. Mas nós tínhamos muita intimidade e relacionamento com todos os motoristas e começamos a sentir falta de quatro companheiros. Ficamos sabendo que os mesmos tinham sido mandados embora por justa causa porque tinham desaparecido com a mercadoria. Entramos em contato com o departamento de pessoal da Gessy Lever e informamos que a mercadoria estava em nosso depósito. Depois de devolvida a mercadoria à firma quis saber o que queríamos pela atitude meritória. Informamos que se ainda fosse possível reintegrasse na empresa os quatro motoristas. E assim o fizeram.
No entanto, houve muita relutância para que não devolvêssemos a mercadoria e os carregadores achavam que o mais correto seríamos vendermos o produto e dividir com todos.
Embora a empresa produzisse muito capital, pois o transporte de cargas por via rodoviária tinha a primazia naquele momento, tendo em vista não existir a concorrência que hoje existe no mercado. Os responsáveis pela mesma gastavam a rodo o dinheiro ganho com facilidade, porém com o sacrifício dos empregados, com farras e gastos de somenos importância. A vida para os empregados não era nada fácil. O patrão comprou uma mansão no bairro do Ipiranga no valor de três milhões, na moeda da época, para pagar em três anos, ou seja, um milhão por ano. Os salários eram pagos de forma irregular porque aliado às prestações da compra do imóvel a sua esposa, D. Diva, contraiu um câncer que para atenuar as dores resultantes da insidiosa doença tinha que se submeter a uma aplicação de medicação caríssima existente na época, duas vezes por semana, o que dilapidou as suas finanças a tal ponto que levou a empresa à falência.
Existia no bairro da Mooca, onde nós estávamos sediados, um vasto comércio de pensões administradas por italianos, que vendiam ótima comida para as empresas ali existentes. Almoçávamos e jantávamos pagando por quinzena. A situação financeira da empresa chegou a um ponto tão exasperador que não teve mais jeito e o nosso crédito foi, literalmente, cortado. Esse foi um período ótimo para a minha formação e desenvolvimento, tendo em vista a ginástica que nós tínhamos que fazer para alimentar vinte e um empregados famintos, sem cerimônia e educação.
No Largo da Concórdia, situado a uns duzentos metros do nosso depósito funcionava duas vezes por semana uma grande feira que comercializava todo tipo de comestíveis. Fizemos amizade com os barraqueiros, via de regra, italianos e nortistas, que nos doavam os alimentos necessários para preparação da nossa alimentação. Esses alimentos ora eram doados, ora eram conseguidos por intermédio do conhecido “escambo”, trocando por mercadorias que ganhávamos das empresas que transportavam suas mercadorias por nosso intermédio.

Nota: Esse trailer deixa bem claro o que vem mais por ai.
Realmente as dificuldades se multiplicaram de tal modo que se tornou insustentável. A enfermidade da mulher do patrão ser agravou cada vez mais causando até o óbito da mesma.

Aguardem!...

 

 


Última alteração em 06-02-2014 @ 12:22 am

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