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COLEÇÃO GRANDES LÍDERES - A Vida de Carlos Salvador - A Casa Paterna
Inserido por: Itauna
Em: 05-05-2014 @ 07:44 pm
 

 

PRIMEIRA PARTE

Capítulo I

Na casa Paterna

Considero como uma feliz determinação do destino, se é que existe, que Salvador, capital do estado da Bahia, tenha sido o berço destinado para lugar do meu nascimento justamente no dia 1º de janeiro de 1937, às 0400 horas da manhã, uma sexta-feira, dia esse, consagrado à Confraternização Universal.

Essa cidade desde a sua implantação e expansão, foi palco de grandes revoluções e revoltas até sedimentar sua condição cosmopolita tendo em vista o caldeamento de várias raças que ali aportaram como desbravadores do solo soteropolitano culminando numa mistura de raças incomparavelmente inconfundível e singular no cenário nacional.

Por isso essa cidade, que para mim foi de suma importância, levando-se em conta o potencial elevado de energia espiritual que ali subjaz, caracterizando-se um potente portal, uma egrégora, um ponto focal poderosíssimo cuja energia que emana do Cruzeiro do Sul, ali se concentra, oferecendo dessa forma as condições necessárias para que as entidades luminares que regem o nosso país façam dali o lugar ideal para se reunirem  periodicamente a fim de traçarem os destinos de nossa nação. Tudo isso faz com que os meus olhos vislumbrem as evidências como o símbolo de uma grande missão, sem sombra de dúvidas, de cunho transcendental.

Na capital, embora predominasse a religião católica apostólica romana, implantada com dificuldade pelos jesuítas, pois os nativos da terra e os da mãe D´África nunca viram com bons olhos os seus postulados empurrados de forma brutal goela abaixo,  a fim de mudar de forma contundente a nossa cultura, esse ato fez com que a título de resistência, proliferassem outras doutrinas as quais eram praticadas por grupos distintos  na maioria das vezes isolados em roças situadas nos bairros mais afastados do recôncavo baiano. Considerando a diversidade de rituais das diversas nações do culto afro denominado de Candomblé, a Bahia tornou-se um centro polarizador da doutrina irradiando-se por toda parte sobre a influência e cobertura dos Orixás.

A novel capital do estado da Bahia e posteriormente sede do país, imortalizada pelo martírio de sua população nativa e dos irmãos trazidos de África tornou-se símbolo de resistência nacional contra as invasões de nações mais antigas nas lides das conquistas, cujos planos, objetivos e metas eram  de dominação do novo eldorado para saqueamento de nossas riquezas minerais e de outras, também, existentes à epoca.

Tanto os D´África quanto os silvícolas nativos  não eram raças primitivas como os conquistadores informaram para seus superiores de além-mar e sim raças em franca decadência, pois já haviam alcançado níveis elevados de desenvolvimento em épocas milenares passadas. Eram, portanto, prepostos de SUMÉ - Pagé Avarumã de quem receberam a educação primitiva e para sua evolução aprimorada.

Minha infância foi como a de todos os jovens pertencentes a famílias consideradas, hoje, abaixo da linha  da pobreza, pois  a falta de cultura e de educação na época de desenvolvimento da capital baiana só os mais abastados tinham oportunidade de freqüentar escolas fora do país e lograr êxito nos estudos.

O que hoje existe com a denominação de favela ou região marginal urbana tem a sua origem naquela época onde as condições eram ainda piores, pois as casas mal-acabadas de pau-a-pique (sopapo), por onde o sol e a chuva passavam pela cobertura mal feita. Algumas famílias se alojavam em antigas senzalas o que hoje seria considerado comunidade de “Quilombos”.

Felizmente, os escravos trouxeram  para a formação de nossa cidadania uma cultura muito rica à título de folguedos e folclore, conscientemente, voltado para a educação  dos jovens no sentido de prepará-lo  de forma rústica para a luta  na vida dura e difícil que estava enfrentando pela condição de ser inferior que o conquistador o considerava. Toda essa prática, sistematicamente, usada fornecia o subsídio necessário ao jovem cujo patrimônio adquirido era o suporte valioso na transmissão de uma hereditariedade moral, física, social e espiritual, tão necessária para o papel que iríamos desempenhar na formação e construção do “Brasil – Pátria do Evangelho, Coração do Mundo”.

Começávamos a trabalhar em idade precoce para ajudar a melhorar a renda familiar e a manter o clã. Sentíamos que essa prática se revelava muito salutar para o jovem pois apesar de termos tempo para os folguedos que a infância necessita para uma boa formação, aprendíamos um ofício o que nos proporcionava manter a mente no limite, sempre ocupada com coisas úteis.

Era, então, quase o final da década de 30, e o limiar do ano de 1937, quando Getulio Vargas implantou a ditadura do Estado Novo. A quarta Constituição é então outorgada, com clara inspiração fascista. Fui o segundo filho do casal e ainda tive o privilégio de ter boa moradia e alimentação saudável. Os meus pais ainda gozavam de boa saúde. O meu tio Valdemar, irmão de meu pai,  tinha acabado de se formar em  enfermagem o que beneficiou muito na formação e construção da nossa constituição física na fase importante de crescimento, pois o mesmo trazia boas vitaminas, cálcio e outros tônicos que foi de grande valia. Aliado a tudo isso, o padrinho da minha mãe era médico pediatra e orientava a nossa família quanto as questões de saúde preventiva e curativa.

O meu diferencial com relação aos meus irmãos teve início quando foi escolhida a minha tia-avó Joaquina Xavier de Jesus para me batizar. Sendo ela governanta de uma família espanhola composta de  três pessoas e ser bastante considerada por todos, desfrutava de uma situação diferente da situação que a minha família estava começando a atravessar. Os seus patrões Amadeu, Joaquim e Manoel Barreiro, eram comerciantes proprietários de um grande armazém no Largo da Fonte Nova, mais precisamente na confluência de várias ruas que formavam um delta perfeito e ali eram atendidas várias famílias pois o mesmo tinha  a primazia pois era como se fosse nos dias de hoje um grande supermercado. Também possuiam uma grande casa que à época era denominado de secos e molhados no comércio na cidade baixa.

Minha madrinha que eu tratava carinhosamente de “Dinda” e ela me apelidou  de “Senhorzinho” conforme eu passei a ser chamado por todos, tinha na época do meu nascimento 37 anos de idade, era solteira e tinha uma vida independente. Morávamos na Ladeira das Galés,  num casarão pertencente ao armazém onde os empregados almoçavam e jantavam nos dias úteis. Ai passei toda a minha infância. Só ia  na casa de meus pais para visitá-los periodicamente.

Na minha infância, embora tivesse tudo o que era preciso para a minha sobrevivência eu ia para a casa de meus pais para brincar com meus irmãos e os amigos, todos na minha faixa de idade,  pois com a minha madrinha eu era criado muito preso por falta de amizade com outras crianças. Nesses momentos podia constatar o nível de pobreza e necessidades que meus irmãos estavam passando. O meu pai que nessa época era o gerente geral da Tipografia Naval, situada no início da Av Dr José Joaquim Seabra, denominada de Baixa dos Sapateiros, se envolveu com amigos alcoólatras, que por coincidência um deles chamado de Antenor era meu padrinho de batismo e diuturnamente se entregavam ao vício aliado ao tabagismo que também era inveterado.

A educação de meu pai foi muito boa, pois os meus avós na época tinham boas condições, era o que hoje chamamos de classe média alta. Era uma pessoa de moral e com grande conhecimento pois alimentava o gosto pela leitura de bons livros, tanto que colecionava as Seleções do Rider Digest desde o número um até o dia do seu falecimento, tudo encadernado, pois tinha facilidade de fazê-lo na tipografia que era chefe. Quando sóbrio tinha uma conduta irrepreensível e moral  ilibada, no entanto ao tomar a primeira dose ficava violento. Essa atitude nos trouxe muito sofrimento e aborrecimento, pois ao chegar em casa despejava em nós toda sua irritabilidade do dia com violentas surras e minha mãe era quem mais sofria com essa atitude, pois a minha avó o apoiava até para se vingar das trapalhadas que cometíamos durante o dia.

 


Última alteração em 06-02-2014 @ 12:23 am

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