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COLEÇÃO GRANDES LÍDERES - Os primeiros contatos com as FFAA
Inserido por: Itauna
Em: 05-05-2014 @ 09:32 pm
 

 

 

OS PRIMEIROS CONTATOS COM AS FFAA

 

Era o ano de 1957 e já havia adquirido bastante experiência de vida,  o suficiente para não temer nenhuma adversidade. Tive nesse momento a consciência de que havia uma força estranha positiva  me orientando, cada vez mais, para as missões assaz difíceis e para tal necessário seria que tivesse uma preparação à altura das dificuldades que adviriam.

A Empresa Transportadora Bahia-Rio Ltda, pioneira nos transportes de cargas para as diversas regiões do Brasil,  atingiu um desenvolvimento muito grande nesse ramo de negócios, por ser a pioneira. Como soe acontecer nesse mundo, sabemos que  tudo é cíclico e a área dos transportes de cargas também não escapou a regra e num processo de desagregação ocasionado por diversas transações fraudulentas realizadas pelo seu Gerente Geral, pressionado pela enfermidade que sua esposa contraiu, levando-a ao obito. A meu ver, pois naquela época não vivia preocupado com esses detalhes, embora gostasse muito do meu trabalho não me importava com o destino da Empresa pois, sentia que a minha vida profissional não estava, sem sombra de dúvidas ligada ao ramo rodoviário. No entanto, o meu conhecimento nesse tipo de trabalho foi perfeito e de grande utilidade para minha vida futura, onde passei por todas as fases do processo, iniciando como Office Boy aos quatorze anos de idade na cidade do Salvador na Bahia, fui transferido para São Paulo capital onde fiquei um bom período e alcancei aos vinte anos  de idade a posição de gerente da agência do Rio de Janeiro onde encerrei a carreira de rodoviário, ingressando  no Exército Brasileiro aos 21 anos de idade, no dia 20 de janeiro de 1958, onde servi 30 anos passando para a reserva remunerada no dia 31 de março de 1988.

 Eu era um funcionário considerado da família até porque a Empresa se originou de uma parceria cuja ajuda financeira partiu do senhor Manoel Barreiro, espanhol proprietário da Casa Oriental e de uma grande firma de secos e molhados situada no comércio na cidade baixa da cidade de Salvador.  O espanhol era meu padrinho de crisma, e procurou me orientar desde a mais tenra idade de forma que me tornasse em qualquer função ou cargo que exercesse uma pessoa séria, honesta, competente,   confiável, pontual, assíduo e responsável. Nos ensinamentos que me proporcionou, sempre enfatizava os atributos da pontualidade, assiduidade e responsabilidade. Gozava, portanto, de trânsito livre na empresa de forma que tanto na Bahia, como em São Paulo e Rio de Janeiro desfrutava da convivência  das suas famílias morando na mesma residência.

Considerando a situação difícil da empresa em todas as agências, principalmente na de São Paulo, fui transferido para o Rio de Janeiro como responsável pela administração da mesma. À época a empresa ocupava um grande depósito na Avenida Brasil, nº 555-F, de propriedade da Força Singular Exército, sob a administração da DOF – Diretoria  de Obras e Fortificações para a qual pagávamos, religiosamente, o aluguel.

O depósito tinha grande capacidade para armazenar as mercadorias que iam para os estados do norte e nordeste do Brasil.

Todo o trabalho ia transcorrendo de forma normal, com as dificuldades naturais de uma empresa que tinha no seu universo uma grande concorrência no mercado pois outras co-irmãs iam sendo introduzidas no meio de transportes de cargas que a cada momento se organizavam e a cada vez mais a sua estrutura administrativa ia se aperfeiçoando, alterando a sua razão de ser.

Apesar das grandes dificuldades do momento o gerente, senhor José Theodoro de Menezes saldava suas dívidas ativas em dia e de forma regular: Energia elétrica, correio, telégrafo, telefone, água, impostos, salários  e alugueis.

Um certo dia, de forma inopinada e inusitada,  o nosso escritório foi invadido por uma força militar constituída de 05 elementos sob o comando de um oficial armado de pistola, visivelmente nervoso, que depois o identifiquei como sendo um Major o qual trazia  consigo um oficial que dava para se notar na atitude do comandante da patrulha que o mesmo estava preso sob  suspeita de alguma irregularidade. Apesar do nervosismo de todos por essa intervenção insólita pude observar a identidade no uniforme do detido: “Cap SARRAF”. Para mim tudo aquilo que estava acontecendo, embora fosse um caso de grande seriedade, conforme pude constatar depois, se constituiu numa aventura que teve grande repercussão na minha vida profissional, a partir daquele fato.  O gerente, eu, e os empregados, juntamente com mais ou menos 21 trabalhadores braçais, homens fortes, resolutos, acostumados a grandes confusões criadas por eles mesmos, nas suas farras noturnas  semanais, com ingestão de altas doses de bebidas alcoólicas, que acabavam entrando em conflito entre eles mesmos cujo entrevero atraia  a polícia de choque da época sob o comando de Felinto Muller e seus capacetes vermelhos. Começava a pressentir que toda aquela confusão misturada com palavras de baixo calão de ambas as partes, aliada  ao forte armamento que a patrulha portava de uma parte e a grande quantidade de facas e bordunas que faziam parte de nosso arsenal, a excitação de ambas as partes chegou a um estado de fissão tão elevado que cheguei acreditar que tudo aquilo, em breve, deflagraria uma reação em cadeia incontrolável que não permitiria um acordo de pessoas educadas que hoje chamamos de conciliação ia se transformar num conflito de grandes proporções, inclusive, com perdas de vidas de ambas as partes com conseqüências desagradáveis.

De um lado, o gerente cuja vida política pregressa mostrava fortes  antecedentes comunistas afeito a grandes lutas ideológicas, aliado ao seu temperamento agressivo, por ter sofrido muito com a perseguição do Estado Novo ao “partidão”. Pude entender depois a grande ojeriza que ele tinha por elementos uniformizados, com capacetes, combat-boot, armamentos que lhe traziam lembranças não muito agradáveis, pois a sua saúde não era muito boa ocasionada por torturas a que foi submetido quando do fechamento do partido comunista em 1935, passando à inatividade.

Do outro lado a patrulha, sob o comando do oficial que depois fiquei sabendo ser um Major acompanhado de um Sargento, um Cabo e dois soldados armados de pistola, metralhadora, mosquetão e cassetetes, respectivamente, tinham a missão de esclarecer o seguinte: se a empresa pagava devidamente o aluguel, porque constava o débito? qual o destino do dinheiro? o que havia acontecido com o mesmo? o Cap SARRAF saberia o seu destino? teria, então o mesmo feito “farras” com o dinheiro recebido do aluguel, conforme podemos constatar no inverso do seu nome? O Gerente da empresa tendo documentos que comprovavam estar em dia com o pagamento do aluguel se sentia com autoridade suficiente para “expulsar” a força militar, e vociferava aos berros que “aqui quem manda sou eu” e não permitia  a invasão de forma açodada conforme foi feita.

Por incrível que pareça, prevaleceu a boa formação militar dos invasores aliada a ética e disciplina dos mesmos, os ânimos se acalmaram e com a saída da força militar de nosso escritório voltou tudo ao normal e começaram os comentários e avaliação do que poderia acontecer se passássemos à via de fatos. Deus provou mais uma vez que era brasileiro. No entanto, depois comecei a relembrar o acontecido e não saia da minha memória as fardas vistosas e eletrizantes e os armamentos que os militares usavam que para mim surtiu um efeito catalisador chamando a minha atenção de forma tão contundente que, por um momento, pensei:  como poderia ingressar nas forças armadas, se já estava com 20 anos de idade? era,  portanto, refratário.

A 1ª CSM – Circunscrição do Serviço Militar fazia limites com o terreno de nosso galpão que nos separava por um pequeno campo de futebol no qual toda tarde batíamos bola organizando uma “pelada” das mais disputadas possíveis, considerando que os “atletas” formavam uma equipe composta de homens rudes em todos os sentidos. Participava de nossas “peladas” um Sargento da 1ª CSM que se tornou nosso amigo de esporte e do churrasco que fazíamos todo final de mês.

Um certo dia conversávamos a tarde em nosso escritório e ele notou a minha facilidade e habilidade na datilografia, bem como a capacidade para redação própria de documentos tais como  cartas, ofícios, memorandos e outros documentos como relatórios. Habilidades estas que não eram comuns para uma pessoa da minha idade, alem  do que à época eu já exercia as funções de gerente da empresa.

Ele então me fez a pergunta chave: você já serviu às Forças Armadas? Respondi-lhe que não. Ele me perguntou se eu era alistado para o serviço militar. Respondi que sim. Havia me alistado na Bahia. Então ele me pediu o CAM – Certificado de Alistamento Militar, a certidão de nascimento e duas fotografias, para me apresentar na próxima seleção, e assim o fez, ficando considerado “Refratário”.

Era, exatamente, o mês de setembro do ano de 1957. O Sargento preparou tudo para que eu me apresentasse na devida CS – Comissão de Seleção para os exames necessários e após a conclusão dos mesmos aguardar o dia da apresentação na unidade aonde eu iria me apresentar para servir, se fosse o caso.

Após ser aprovado em todos os testes e exames fui aprovado e mandaram me apresentar no dia 12 de janeiro de 1958 no quartel do 1º G Can Au AAé – 40 para ser entrevistado, receber o material individual, cortar o cabelo, saber qual a subunidade onde eu iria incorporar, bem como receber o armário para colocar o material e receber o número e  o nome de guerra.

Porém, durante a seleção realizada no período compreendido do dia 12 ao dia 19 e janeiro de 1958, onde todos os conscritos que iriam incorporar ficavam separados por subunidades, fiquei sabendo que iria servir na BCS – Bateria de Comando e Serviços, sob o comando do então Cap de Art ABDIAS DA COSTA RAMOS e o meu número seria 669 e o nome de guerra SALVADOR.

Para mim tudo o que estava acontecendo era extremamente surpreendente. Eu não conseguia imaginar com relativa certeza, porque para mim tudo era novo. Parecia que eu estava dentro de uma colméia de abelhas. Todos que ali militavam tinham, as suas funções definidas e obedeciam a uma ordem central. Pude observar logo, até porque já havia, na minha tenra idade,  sido responsável pelo comando de  homens embrutecidos afeitos a trabalhos onde não era necessário o uso da inteligência e sim da força bruta. Pude constatar que ali onde eu estava começando um  novo  tipo de vida, também, acontecia da mesma forma só que mais organizada e com um objetivo já definido – preparar o homem para a reserva e convocá-lo para a batalha em campanha, se fosse o caso. Davam exagerado valor a três princípios que eram considerados da maior importância para que tudo desse certo naquela organização: pontualidade, assiduidade e responsabilidade. Comecei a ouvir exortações tais como: “o soldado não pensa!”. Notei, também, que a disciplina era o ponto forte para o sucesso e o equilíbrio do comando.

Eu estava entrando num campo novo de atuação e logo percebi que a minha vida iria mudar 180 graus e era necessário que me adaptasse logo para que não sofresse, demasiadamente, com a mudança.

Estava no limiar do período de adaptação, mais precisamente na fase da criação de hábitos. No entanto o destino começou a agir e interferir para que eu num curto espaço de tempo pudesse progredir naquela nova jornada de vida.

 

 


Última alteração em 06-02-2014 @ 12:38 am

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