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Os 80 anos da revolução de 5 de julho de 1922
Inserido por: ClaudioBento
Em: 06-29-2006 @ 05:34 pm
 

 

      Em 5 de julho transcorreu o 80 o aniversário da Revolução de 1922 em cujo contexto teve lugar o épico episódio dos 18 do Forte de Copacabana que passaremos a evocar, para tentar compensar o enorme silêncio sobre o este importante episódio de nossa História.

Antecedentes

As glórias conquistadas  pelas Forças Armadas, no Paraguai, não foram reconhecidas e premiadas por políticos do Império, em especial os liberais ,que se recusavam a reconhecer a contribuição do   Exército e à Marinha, no processo do desenvolvimento político e social do País.  

Descuravam da  eficiência operacional das Forças Armadas contribuindo para que estivessem muito aquém relativamente a posição do Brasil entre as demais nações da América do Sul .

Vários confrontos  surgiram, todo resultantes de atitudes hostis de membros do  governo contra chefes militares que desejavam o aprimoramento e o aparelhamento do Exército, para o exercício das suas atribuições relacionadas com a Defesa Nacional 

 Logo se consolidou no seio da corporação, desaparelhada e mal instruída, a idéia de que os chefes eram , desconsiderados, aliado a  opinião de que o Governo  menosprezava, o Exército  não lhe permitindo o direito de cooperar no desenvolvimento nacional

Em conseqüência , conceituados chefes passaram a atuar em partidos políticos, que os atraíam, enquanto  cresciam os efeitos da desmoralização dos efetivos da guerra, agravando os problemas de falta de operacionalidade da força .

Nem mesmo a Proclamação da Republica devolveu ao Exército as condições necessárias à defesa do país, na eventualidade de uma agressão externa .

A Guerra Civil na Região Sul 1893-95 e a Revolta na  Armada, 1893-94, trouxeram graves  prejuízos com resultados negativos   para a urgência da reorganização e reaparelhamento. Fato ainda bastante agravado com a participação na Guerra de Canudos em 1897 .

A projeção do Marechal Hermes na modernização do Exército

   A questão da Vacina Obrigatória  em 1904 envolveu  o Exército em nova crise.

  A Escola Militar da Praia Vermelha se revoltou, em 1904, contra o Governo. E  marchou contra o Palácio do Catete, sendo dominada pelas forças legais.

  Disto resultou o fechamento da Escola seguido de sua extinção a par  da adoção do regulamento de Ensino de 1905 , ponto de inflexão do bacharelismo militar para o profissionalismo militar que até hoje vigora e que começou a ser implementado na Escola  de Guerra em Porto Alegre 1906-11

O Marechal Hermes, despontou em 1904  no cenário brasileiro, como o homem capaz de devolver à nossa organização militar, a eficiência operacional,

Quando Ministro da Guerra de Afonso Pena, adotou  medidas fundamentais para assegurar o ressurgimento da força de terra: Procedeu reformas fundamentais no Exército como o alistamento e Serviço Militar, baseados na Lei n.º 1.860, 4  jan 1908.

O Marechal Hermes como comandante da Escola do Realengo impediu que ela participasse da Revolta de 1904 .

Como comandante do 1o Distrito Militar atual 1a RM de que é denominação histórica, por nós sugerida e argumentada , passou a levar as tropas do Rio a realizarem Manobras em Santa Cruz a partir de 1905 dando continuidade as manobras de Santa Cruz , Saicã  etc realizadas pelo Conde D' Eu em 1885 do qual Hermes era Ajudante de Ordens.

 Como Ministro da Guerra Hermes da Fonseca reaparelhou O Exército ,criou Brigadas Estratégicas , e deu inicio a construção de quartéis modernos .Como presidente da República enviou oficiais para estagiarem no Exército Alemão. 

Os momentos difíceis vividos pelo Brasil com a Primeira Guerra Mundial fizeram com que o presidente Wenceslau Braz, sucessor de Hermes da Fonseca, dirigisse apelo ao povo e às Forças Armadas, solicitando um Imposto de Honra, para o Brasil atender aos seus compromissos externos.

 Reduziram – se todas as despesas públicas . E diminuíram as Forças Armadas , ainda sob  o preconceito  civilista:

    “ Força armada, um peso nos encargos do País…”

Despontou  Olavo Bilac. Homem de elevada formação cívica, compreendendo a grandeza do problema, saiu como um apóstolo, pregar pelo país a necessidade do Serviço Militar, como preito  de amor á Pátria e mostrando  o quartel como escola de civismo. E aconselhou:

 ‘’E pregai o patriotismo aqui e lá fora, nas bancadas das aulas, nos laboratórios, nas salas do hospital, nas ruas nos lares novos em que nascentes, nos lares novos em que constituireis, e em  que o vosso afeto frutificará em novos brasileiros’’

  E foi adotado em 1916 o Sorteio Militar , assunto que abordamos em A Defesa Nacional .n o 729,jan/fev 1987.Era o novo Exército , preconizado pela ‘’Reorganização Hermes” e pelos militares idealistas que encontravam, na revista A Defesa Nacional , fundada, 1913, fato que resgatamos em A Defesa Nacional  n o 715 ,set/out 1984 .Ela instrumento de luta  e com um braço na Missão Indígena da Escola Militar em 1919/1921 , anterior a Semana de Arte Moderna de 1922 e tomada pioneiramente do sentimento nacionalista daquela Semana histórica ao ponto de chamar-se Indígena, fato pouco ou não percebido  até hoje.

Reflexos da 1a Guerra Mundial no Exército

A 1a Guerra Mundial trouxe muitos avanços na Arte da Guerra e Ciência Militar . Era o momento oportuno para dinamizar  a atualização do Exército.

Para isso, o Brasil enviou uma Comissão Militar em 1918 para atualizar-se combatendo no Exército da França e estudar a aquisição de novo armamento, assunto que resgatamos na A Defesa Nacional n o 752,abr/jun 1991 .Em 192O contratou uma Missão Militar Francesa, que nos trouxe expoentes em todos os setores de atividade militar e que nos prestou grande benefício até 1939

O episódio das Cartas falsas e prisão do Mal  Hermes no 3 o RI

     A campanha presidencial  iniciada, 1921, foi exacerbada . Concorreram Artur Bernardes, governador de Minas, e Nilo Peçanha, ex- presidente  da Republica.

     A excitação dos ânimos atingiu proporções de explosão, quando o Correio da Manhã publicou uma carta, atribuída a Artur Bernardes, contendo conceitos ofensivos aos chefes militares.

    Explorado por intensa campanha jornalística, o fato exaltou a opinião pública.

    Exigida  a prova pericial,  o Clube Militar, presidido pelo Marechal Hermes, reuniu – se em sessão extraordinária, em 12 de novembro, e resolveu nomear uma comissão para examinar o documento.

    Em 29 dezembro, foi aprovada em Assembléia a Moção Frutuoso Mendes que cometeu um lamentável equivoco :

 ‘’ Considerando que ficou apurada a autenticidade da carta contendo expressões ofensivas ao Exército e à Armada, dado à publicidade  nesta capital a 9 de outubro último e porque não tenha este Clube Militar qualidades jurídicas para promover a ação, resolve confiar  o caso ao julgamento da Nação’’.

   Mais tarde foi provado que a Carta era falsa!

        Acusado Hermes da Fonseca de intervir em questão política em Pernambuco o governo mandou repreender o presidente do Clube Militar.

       Como este não  aceitasse a punição, teve decretada sua prisão – por 24 horas – no PC do Comandante 3º Regimento de Infantaria, da Praia Vermelha. O Clube Militar foi fechado , por 6 meses. Pois cometera um grave erro de julgamento .

        A trama política envolveu o Exército.  A maioria dos signatários da Moção Frutuoso Mendes passou a conspirar para impedir a posse dos eleitos, unindo – se aos políticos, pretendiam vencer com o emprego das armas.

          A prisão do ex – Presidente da República e marechal do Exército e seu líder profissional inconteste ,em condições que feriam sua dignidade de oficial – general, fez com que aumentasse a agitação na tropa. Houve  um silêncio geral , prenúncio de tempestade.

         A prisão do Marechal por 24 horas numa unidade que servia  de prisão a elementos insubordinados, parecia aos jovens  oficiais informados sobre a crise – indicar :

       ‘’ A intenção do governo de afrontar acintosamente os brios do

Exército, pela humilhação  de  sua mais alta patente’’.

A Revolução eclode na madrugada de 4/5 julho 1922

           E teve inicio a conspiração da qual estiveram ausentes poucas unidades no Distrito Federal e Mato Grosso. Ao Forte de Copacabana, ao  comando, do Capitão Euclides Hermes, filho do Marechal Hermes e presidente do Clube Militar, caberia a ação inicial do protesto da mocidade militar brasileira contra a humilhação do Marechal .:

Desencadeado movimento, na madrugada de 4 para 5 de julho de 1922. , Ele apresentou três focos: Vila Militar, Escola Militar do Realengo e o Forte de Copacabana.

Neste último, os preparativos, com antecedência, traduziram  pela organização antecipada de trincheiras e de uma rede de arame farpado e, sobretudo, nos dias 3 e 4 de julho, pelo reabastecimento da praça com víveres para um mês, impedimento dos  soldados, mudanças de colchões e fogões do alojamento para o  interior do Forte, preparação de sacos de areia e eletrificação da rede.

Foi enviado um general para parlamentar que perdeu a esperança de evitar o levante .Foi  aprisionado e depois solto. O que se via e sentia era um anormal e  Intensa movimentação de praças .E a presença de carretas com granadas que quebravam o silêncio da noite.

Reforços chegaram , encontrando fácil ingresso no Forte, cujo efetivo aumentava a cada instante.

À uma da manhã de 5 julho ,  o primeiro disparo do Forte na direção ilha de Cotunduba, logo seguido de  outros contra a rocha da base do Forte do Vigia, idem sobre o  3.º Regimento de Infantaria .Este como protesto por ter acolhido preso o Marechal Hermes.

As praças, dirigidas por oficiais e formadas no pátio interno do Forte, deram vivas ao Marechal e cantaram hinos patrióticos, ao  alvorecer de 5 de junho .

Na Vila Militar, de madrugada, ocorreu o seguinte  no 1º Regimento de Infantaria. O Ten Frederico Cristiano Buys, da 1º Companhia foi detido pelo próprio comandante, tentou sublevar a unidade. Foram  presos os oficiais que chegavam nos trens  à estação da Vila.

Por descuido  de comando, ou  desconfiança  recíproca, a tropa da Vila Militar permaneceu nos quartéis, vigiando – se mutuamente..

 

A Revolta na Escola Militar

 

A única força instruída, disciplinada era a Escola Militar, disposta e avançar: E 497  alunos das quatro armas foram detidos na  linha do riacho Piraquara , por cerca de 10.000 homens .

 Os alunos combateram sem conseguirem vencer a resistência . A luta era inútil  O  comandante, Coronel Xavier de Brito, decidiu retrair a Escola Militar , para evitar sacrifício maior. Morreu –o aluno Eliseu Xavier Leal  e vários foram feridos ..

A Vila não se revoltou . Foi  reforçada por unidades vindas da guarnição do Rio, inclusive uma Companhia de Metralhadoras Pesada ,  ocupou a Escola Militar..

Dominado o foco Realengo –Campo dos Afonsos, o governo tendo como Ministro da Guerra Pandiá Calogeras, lançou sobre Copacabana , batalhões do Exercito e da Policia Militar ao  comando do Coronel Nepomuceno Costa .

Os couraçados S. Paulo e Minas Gerais , hidroaviões navais e fortalezas da baía bombardearam violentamente o forte .

 

A resistência dos 18 do Forte

Chamado para parlamentar , o Capitão Euclides Hermes foi preso e o Ten Siqueira Campos assumiu o comando .

Dentro do forte , sobre o impacto do bombardeio naval ,foi  tomada a decisão de “Lutar, peito aberto , ate o fim” .

 Siqueira Campos reuniu os companheiros , dividiu a bandeira brasileira em 29 pedaços , cabendo um a cada combatente .

 E o grupo saiu às 15 horas , 6 de julho , ao encontro da força legal . Logo de inicio , reduziu-se à metade ,só reforçado pelo Eng Otávio Correia . Rumou para a Praça Serzedelo Correa , onde os esperavam as forças governistas .

Desabotoados , com fuzis , pistolas ou armas brancas nas mãos , queixos levantados , os revolucionários  procuraram os soldados adversários .

 

 Siqueira , com a sua parabellum (pistola)em posição de tiro, abriu a marcha  pacífica até a estrada da rua Barroso, que depois levaria seu nome.

 

Com a calma que beirava à raia da loucura, percorreram grande parte da Avenida Atlântica. Quem os visse de frente, observaria que Eduardo Gomes ia sobre o passeio, acompanhando – o , na mesma linha, Carpenter, Newton Prado, Otávio Correia e o soldado Pedro de Melo andando no asfalto .

 

As tropas da Brigada Policial, do Exército da Marinha do Batalhão de Guardas saíram da Praça  Serzedelo Corrêa, ao conheceram a aproximação dos revoltosos. E atravessaram a rua Barroso..

 

E teve lugar um combate renhido e desigual. Entrincheirados por detrás do paredão que separava a praia do asfalto, os 18 do Forte  respondiam a cada tiro da força com uma saraivada de balas.

 

Mas, diante da superioridade numérica e de armas, ostentadas pelos legalistas, começaram a tombar , iniciando por Pedro Ferreira de Melo, Otávio Correia e Mário Carpenter.

 

Num último esforço e lutando como fanáticos, deslocaram-se alguns metros pela praia e bateram-se com tanto destemor que os governistas tiveram de ser reforçados para acometê-los  à baioneta, já sem munição e quase mortos ou feridos.

Narrou Pedro Rocha:

 

“ Que gente maluca! Fogo à vontade ! Tiro individua! Aa metralhadoras em rajadas, prolongadas, varriam  o terreno, centímetro por centímetro. Quantas minutos durou a fuzilaria? Ninguém mais se mexia na areia.

 

‘ Cessar  Fogo’! Estariam todos mortos? ‘’ Calaram baionetas! Avançar por lanços! Deitar! Movimento de ondas’’ ‘’Cargas! Cargas !Cargas! Carregavam contra os mortos e agonizantes… Tal fuzilaria dera a esse sacrifício a grandeza de que carecia, para sensibilizar a Nação. ‘’Sensibilizou – se mas não se moveu.

 

‘Terra admirável o Brasil! Mesmo entre os homens, plantado dava. Um povo, de cujo cerne brotavam rebentos daquela natureza, estava predestinado a passar de geração em geração, no decorrer dos séculos, sua imensa Pátria ! Sempre e sempre, livre e melhor. No punhado de homens, que se sacrificara por um ideal, todos os espécimes da raça brasileira estavam representados. Brancos, pretos, mulatos. Todos ignoravam a palavra medo. Logo, por que se entregarem como e humilhantes…Muito mais simples, um ponto final na vida’’

 

Dominada a revolução no Rio . a população tivera o esperado espetáculo. No entanto, aquele suicídio coletivo, mexeu-lhe com os nervos . Preparara – se para um drama; não se conformava, pois com a tragédia a que assistira. Sentia –se ludibriada e humilhada…”A Revolução de 22 foi reprimida com mão de ferro pelo Governo  , alimentando a conspiração que se traduziu na Revolução de 1924 e na Coluna Miguel Costa /Prestes que percorreu todo o Brasil e preparou o ambiente para a vitória da Revolução de 30  .

Para Itatiaia forma enviados presos tendo a localidade por menagem entre outros os tenentes Levi Cardoso ,Ciro do Espírito Santo Cardoso etc  

A Revolução em Mato Grosso

 

Em Mato Grosso em 5 Jul 1922 O General Clodoaldo da Fonseca primo de Hermes da Fonseca assumiu o comando reuniu oficiais e comunicou-lhes o plano revolucionário dizendo contar com apoio de São Paulo, Rio Grande do Sul ,Bahia e Minas.

 

Ato contínuo deslocou uma unidade para Três Lagoas na fronteira com São Paulo ..Ao conhecerem o insucesso do movimento no Rio resolveram  os revolucionários de Mato Grosso a depor as armas .

 

Continuou a conspiração Joaquim Távora ,cujo ação resultaria na eclosão da Revolução de 1924 m São Paulo em 5 jul 1924 .Em 1922 teve início um longo processo revolucionário que culminou com a vitória na Revolução de 30 que tantas transformações provocou no Brasil . Foi um episódio rico em lições e hoje silenciado numa consciente ou inconsciente ação memoricida .

 


Última alteração em 06-29-2006 @ 05:34 pm

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