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MR-20 - Movimento Redentor 20 de Novembro - Discriminação
Inserido por: Itauna
Em: 05-16-2014 @ 08:24 am
 

 

 

MINISTÉRIO POPULAR

CTRH / Nú AE

SOCIEDADE CULTURAL

DO MOVIMENTO REDENTOR 20 DE NOVEMBRO

 

CRIANÇA NEGRA NÃO SERVE

"O que é que a escola ensina, meu Deus? Sabe? Tem vez que eu penso que pros pobres a escola ensina o mundo como ele não é."

Antônio Cícero de Souza
                                                                    Lavrador no Sul de Minas Gerais

 Prefácio do livro A questão política da Educação popular)


Quando eu lecionava, era tradição nas escolas fazer-se, de acordo com a tradição religiosa católica, uma coroação de "Nossa Senhora", no dia 31 de maio, encerrando o que chamavam o mês de Maria. Em vez de aula, nessa data, os pais e a comunidade eram convidados a participar do evento, no qual servia-se um lanche para todos os presentes e havia muita música, apresentação dos alunos, enfim, uma grande festa.
No lugar mais apropriado da escola, erguia-se o altar, todo enfeitado de flores e motivos religiosos. No alto ficava a imagem da Virgem a ser coroada, cercada de meninas vestidas de anjos com asinhas brancas e guirlandas.
Isso tudo era cuidadosamente preparado e ensaiado durante todo o mês, para que no dia da festa saísse impecável e solene.
Fazia parte dos preparativos selecionar as meninas para a coroação. Só poderiam participar as que tivessem condições de comprar os apetrechos para ser anjo: a vestimenta, a asa, a coroa, o sapato e a meia branca.
Num dos muitos anos em que participei da preparação dessa festa,  a diretora entrou na minha sala de aula com o objetivo de selecionar as meninas para serem anjos. Naturalmente, muitas já tinham as roupas guardadas em casa e seus nomes eram anotados para comporem o altar. Entre essas, seria escolhida a mais "bela" para colocar a coroa na virgem.
¾ Quem tem vestimenta de anjo? - perguntou a diretora.
Uma menina negra bem à nossa frente foi a primeira a levantar a mão.
A diretora continuou perguntando. Notei que ignorava a mão da menina, esticada  bem à sua frente. Sem perceber que era intencional ¾ nessa época eu ainda era inocente ¾ dirigi-me à diretora e apontei a nossa primeira candidata a anjinho, que resplandecia de alegria por saber que tinha a roupa em casa, que estaria no altar no dia da festa, junto com as colegas da escola e poderia até ser a escolhida para coroante.
Nossa dirigente máxima, a diretora da escola, que deveria ser um modelo para o corpo docente, olhou-me com olhar severo de reprovação por lhe mostrar a menina negra com as mãos levantadas e virando-se de costas para a turma, fazendo um sinal para que eu me aproximasse, disse-me entre-dentes:
¾ Só serve loira dos olhos azuis.
Nessa época, repito, eu ainda era ingênua e a ingenuidade nos faz crédulos, dóceis, pessoas de reações lentas. É como se fossem necessários muitos anos, como disse Saint-Exupéry, para se tornar um homem.
Fiquei ali como expectadora, totalmente sem ação, enquanto a diretora procurava entre a turma meninas loiras de olhos azuis.  Até que finalmente ela se foi, com os nomes das eleitas anotados.
O que fazer com a aluna negra de mãos levantadas, sem saber que depois de tanto tempo da abolição, ainda não fora alforriada? Para a diretora, era ainda uma menina inferior à branca de olhos azuis que procurava para sua festa hipócrita.
Lembro-me de minha reação infantil: queria chorar.
O nó na garganta impediu-me de continuar a aula, só queria chorar em algum canto, longe de tudo que me lembrasse de  que havia gente que fazia diferença entre brancos e negros, e que aquela mulher era, absurdamente, diretora de uma escola, da qual eu era professora efetiva. Com efeito, eu teria que aturar, quisesse ou não, durante minha vida profissional, uma diretora racista.
Não me lembrava de nada referente a isso nos livros que estudara no curso do magistério. Aliás, nesses livros, não consta a realidade das escolas. A instituição escolar é um dos mais acirrados problemas da nossa sociedade. Enquanto lá dentro torturam-se crianças de todas as maneiras, do lado de fora as professoras são aclamadas como maravilhas e detentoras de todo o poder de educar.
Pobres crianças! Como diz uma colega minha, das poucas que têm consciência do mal que a escola faz às crianças: "Hoje é feriado, as escolas estão fechadas; que bom, pelo menos hoje, as crianças estão em paz."
Trecho do livro "Escola, instituição da Tortura" ( Memórias de uma professora) de Maria da Glória Costa Reis. Ed. Scortecci, 2004.
Um ser humano não é melhor do que o outro,
mas tem a OBRIGAÇÃO de ser melhor do que é !!!

 

"NA SENDA DO SABER ENCONTRARÁS A VERDADE"

 

 


Última alteração em 05-16-2014 @ 08:24 am

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