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A Espada Invicta de Caxias e o Espadim dos Cadetes
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-03-2006 @ 10:04 pm
 

 

Dia 23 de agosto, a Academia Militar das Agulhas Negras e no ano do Bicentenário do Duque de Caxias será cenário de uma cerimônia que se repete anualmente desde a primeira entrega em 1932 do Espadim de Caxias aos Cadetes do Exército, que consiste numa cópia fiel em escala da invicta espada de 6 campanhas do Duque de Caxias, o patrono do Exército e da Academia de História Militar Terrestre do Brasil. História que  rememorarei a seguir.

Promovido a oficial general em 18 de julho de 1841,Caxias adquiriu seu sabre histórico de general com o qual liderou o Exército em 5 campanhas vitoriosas,3 internas( São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul)  e 2 externas, merecendo este seu histórico sabre a consagração simbólica, mas não técnica, com justiça na voz da História, de Espada Invicta. Pois tecnicamente segundo o acadêmico Ten Cel Antônio Gonçalves Meira, sabre e espada possuem características técnicas diversas. A espada de oficial não general que usara como pacificador do Maranhão é hoje patrimônio do Museu do Exército

Das mãos de seu possuidor ao seu atual relicário no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) , o sabre de Caxias, hoje expressiva relíquia da Nacionalidade,  percorreu  interessantes caminhos. Foi doado em testamento pelo Duque de Caxias ,ao Brigadeiro João de Souza da Fonseca Costa que, como 1º Tenente, fora o Ajudante - de - Ordens de Caxias na guerra contra Oribe e Rosas 1851-52 e, mais tarde, como coronel, fora Chefe do seu Estado- Maior na Campanha da Tríplice Aliança (1866-68).

Sobre esse oficial, assim se expressou o Duque, na Ordem do Dia, de 14 Jun 1869, antes de retornar vitorioso do Paraguai:

“Prestou-me como chefe de meu Estado- Maior a mais dedicada cooperação em tudo quanto tem dependido de seu alto emprego, não só na condução regular de todos os negócios de meu serviço político a seu cargo, como nas batalhas e combates a que tem assistido sempre a meu lado, recebendo e transmitido as minhas ordens e expondo-se com sangue frio e abnegação aos riscos e perigos decorrentes”.

Este sabre  de campanha foi localizada em 1925 pelo Dr. Eugênio Vilhena de Moraes, o maior  biógrafo de Caxias. Ele se   encontrava em poder de descendente direto de Fonseca da Costa, o Capitão - de - Corveta Caetano Taylor da Fonseca Costa. Este oficial de Marinha , em gesto que se reveste de nobreza e patriotismo, decidiu, em 1925, doar a valiosa relíquia, através do Dr. Eugênio Vilhena de Moraes, hoje patrono de cadeira na Academia de História Militar Terrestre do Brasil. ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Em 19 de novembro de 1931, assumiu o comando da Escola Militar do Realengo o então Coronel José Cavalcante de Albuquerque, oficial de escol, de cuja brilhante folha de serviços são destaques: Instrutor Militar da Escola de Direito do Largo de São Francisco  -  São Paulo (1916); estagiário da Escola Militar de Saint Cyr  -  França  - (1917-1918); combatente voluntário do 4º Regimento de Dragões de Cavalaria -  França; e introdutor dos blindados no Brasil, ao organizar e comandar a Companhia de Carros de Assalto e o idealizador da AMAN.

Na Escola Militar ele criou diversas tradições como os uniformes históricos dos cadetes como elo de ligação do exércitos do Império e da República  do Brasil. Criados os uniformes históricos dos cadetes,  julgou o Coronel José Pessoa que devessem eles ser complementados por uma arma privativa do posto de cadete. Idealizou então, com sua equipe, que esta arma seria uma fiel miniatura da espada invicta usada em campanha pelo Duque de Caxias.

Desde então ficou decidido ser o cadete, o único integrante do Exército a ter a honra e o privilégio de cingir à cinta a espada de Caxias:

“Como a síntese e a expressão mais viva e sublime das virtudes militares do soldado brasileiro”.

Tomada a decisão, o passo seguinte seria a localização da espada original para servir de modelo à miniatura. Encontrá-la foi um grande obstáculo, conforme as palavras do Marechal José l Pessoa:

“Porfiadas demarches foram então realizadas para concretizar a feliz idéia. Ignorávamos, até então, o paradeiro daquela relíquia histórica. Para isso recorreu-se em indagações a todos os lugares onde são destinados os troféus, sem ser encontrada. Afinal, com a preciosa colaboração do Dr. Max Fleiuss, fomos encontrá-la, entre outras armas gloriosas, nas coleções do IHGB. E, ainda com o auxílio do Dr. Max Fleiuss, secretário perpétuo daquela nobre e benemérita instituição, conseguimos a licença necessária para ser copiada a arma que é a nossa mais preciosa relíquia militar.

Localizada o sabre  de campanha do Pacificador, o Projeto Espadim foi submetido à aprovação do Ministro da Guerra, General - de - Brigada José Fernandes Leite de Castro (1930-32).

Desejaram  aquele General e o Coronel José Pessoa:

“Que Caxias, o Duque da Vitória, pairasse no seio dos cadetes do Brasil, de igual forma que Napoleão no seio dos cadetes de Saint Cyr, na França”.

O Ministro Leite de Castro aprovou a proposta e concedeu o crédito correspondente para a confecção dos espadins. Os projetos e os recursos foram remetidos ao Chefe da Missão Militar Brasileira na Europa, Coronel José Duarte Pinto. Este, com desvelo e entusiasmo, cumpriu a missão, encomendando a confecção das peças à firma Solingen da Alemanha.

Em outubro de 1932 os espadins chegaram ao Brasil tendo sido incluídos na carga da Escola Militar do Realengo pelo BI nº 288 daquele ano. A seguir foram organizadas as “Instruções para recebimento e uso do Espadim de Caxias”, ao que se sabe, somente publicadas no BI nº 148 de 1938.

Nos dias 15 e 16 dez 32 teve lugar a primeira cerimônia de entrega de Espadins aos cadetes, desdobrada em duas fases. A primeira de âmbito interno e a segunda, uma solenidade pública realizada no dia 16 dez na Praça Duque de Caxias, atual Largo do Machado, defronte do Monumento do Patrono do Exército e que contou com a presença do Dr. Getúlio Vargas, Chefe do Governo Provisório do Brasil, e de várias autoridades.

”A cerimônia teve início com as bandas tocando o antigo toque de alvorada, o mesmo que, nos campos do Paraguai, despertava os nossos gloriosos regimentos. Toque que terminou com o de “Apresentar armas”. Quando profundo era o silêncio da grande assistência, ouviu-se a voz de um oficial, lendo com vibração as palavras sacramentais do juramento, no que era acompanhado pelos cadetes, que tinham os olhos fixos no semblante quase austero de seu Patrono e pareciam iluminados pela famosa estrela que guiou sempre aquele guerreiro de vitória em vitória, e que certamente há de guiar as novas gerações, através dos caminhos ásperos da vida. Neste instante ecoou o troar dos canhões e o rufar surdo dos tambores, anunciando a criação de uma nova arma, representativa das virtudes de nossos antigos combatentes. Seguiu-se a leitura do Boletim alusivo, do Comando da Escola, nº 297 de 16 Dez 1932...”.

Sobre o evento assim iniciou sua Ordem do Dias  o Comandante da Escola Militar do Realengo, publicada no BI nº 297 daquele ano:

“Cadetes!

Defrontando a estátua do Marechal Luiz Alves de Lima e Silva, aquele que em vida foi o maior dos generais sul-americanos acabais de prestar o compromisso do recebimento do vosso espadim  -  arma distintivo que reproduz o sabre glorioso do invicto soldado, que com atos de sublimada grandeza esmaltou com refulgência inigualável as páginas gloriosas da história nacional, marcando-as de traços imperecíveis e assinalando o seu nome como o do cidadão que melhor serviu à Pátria e mais a estremeceu....”

“...A espada que foi esteio de um regime, que em rudes prélios cimentou a unidade nacional e, em terras estranhas,  acutilou bravamente os inimigos do Brasil, tendes hoje a honra e a rara fortuna de a cingirdes à cinta, outorgado ao Corpo de Cadetes o encargo de guardar aquele glorioso que reflete, no brilho espelhante do seu aço, a constância no dever e que nunca a ferrugem da deslealdade de leve sequer maculou, em meio século de intenso batalhar em prol da ordem e do prestígio desta terra estremecida, a que ele serviu com inexcedível dedicação e bem alto a elevou no conceito das nações!

Na homenagem que aqui prestais  -  vossos espadins em continência, não reverenciais somente o vulto homérico do general nunca vencido, que enriqueceu de imarcescíveis louros o Exército Brasileiro e iluminou de refulgências gloriosas uma época da vida nacional!...

E assim há 71 anos, desde 15 de dezembro de 1932, inicialmente, na antiga Escola Militar do Realengo e a partir de 1944, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) em Resende, repete-se anualmente a mais significativa cerimônia da vida dos cadetes   -   a entrega dos espadins aos alunos do 1º ano.

A grandiosidade do ato, a história dessa arma, seu simbolismo, as tradições que ela encerra, estão traduzidas  nas palavras que os jovens futuros oficiais proferem em uníssono, como juramento:

 “Recebo o sabre de Caxias, como o próprio símbolo da Honra Militar”.

O Coronel José Pessoa mandou gravar, na lâmina dos espadins, as palavras Duque de Caxias e o Brasão de armas da Escola Militar.

E do IHGB onde se encontra há 78 anos e de onde saiu 3 vezes com toda a pompa e circunstância para uma cerimônia na Escola Militar do Realengo e duas na AMAN

A primeira ocorreu em 1939 no Realengo e se deveu à iniciativa do então Major Jonas Correia Neto. Foi a espada posicionada, em solenidade de rara grandiosidade, defronte do Corpo de Cadetes, formado, e ao lado da espada do General San Martin trazida pela representação da Escola Militar da Argentina em visita ao Brasil.

E do local onde hoje se encontra, segundo o Prof. Pedro Calmon em 1978 somente sairia em condições excepcionais de alto sentido cívico e com cerimonial condizente com a grandeza do símbolismo que ela traduz.

Assim pela segunda vez e em 1978 o Sabre  Invicto  foi levado a AMAN em homenagem ao Presidente da República Gen João Figueiredo , o primeiro ex detentor do Espadim de Caxias a atingir a Presidência da República  e a terceira vez em 1980, no centenário de morte do Duque de Caxias .

“E em ambas o professor Pedro Calmon presidente do IHGB impôs como condição ele ser levada a AMAN com toda a pompa e circunstância confiando “o comandante da AMAN Gen Bda Iran Ribeiro Arnt e o presidente do IHGB ,professor Pedro Calmon que ao Ten Cel Cláudio Moreira Bento, oficial da AMAN e membro do IHGB  que a levasse   nas duas ocasiões comandando  uma Guarda de Honra e de Segurança composta de cadetes” .E assim foi feito !

Em 1939 o General José Pessoa, atual patrono de cadeira na AHIMTB e denominação de sua Delegacia em Brasília, com assíduo colaborador  de nossas revistas militares em assuntos de História e Doutrina Militar, escreveu na Revista da Escola Militar :

“O Espadim de Caxias do Corpo de Cadetes, ainda quase sem história pela sua apoucada existência, nem por isso devemos olvidar-lhe fatos que hoje sabidos, mais tarde será difícil reconstituí-los. Haja vistas o exemplo histórico da nossa lendária Academia Real Militar da qual hoje ,mal se sabe ter sido fundada por D. João VI.”

As sinceras  homenagens ao Marechal José Pessoa que, além da obra magnífica ligada à idealização e construção da AMAN, o maior sonho de sua vida e na qual passou as suas últimas vinte e quatro horas na ativa, preocupou-se em preservar sua História e Tradições, ao documentá-las com depoimento em artigos em nossas revistas militares.

Estava convicto o Marechal José Pessoa de que a História “é a mestra das mestras, a mestra da vida” e a mãe da Tradição. E que sem documentação, não á história e nem tradição que resista à ação dos tempos. E, mais, que o povo ou grupo social sem tradição, ou que se a possui não a cultiva, é flor sem perfume, é espada sem têmpera, que quebra ao primeiro embate. É nau sem bússola, à deriva na tempestade, que não sabe de onde veio, onde está e para onde vai.

Soube o Marechal José Pessoa construir e preservar, através dos cadetes do Exército, a tradição contida em seus Espadins, cópias fiéis da espada de rija têmpera moral e cívica, tal qual a do aço de que foi forjada  -  a espada de campanha de Caxias, o Pacificador  -  a maior espada do Brasil. Espada que figura com destaque, entre os maiores generais da História da Humanidade.

Espada que desde 1996 figura no brasão da Academia de História Militar Terrestre do Brasil de qual o Duque de caxias foi eleito o seu patrono, como a mais representativa espada brasileira.

Nas cerimônias de entrega de espadins na AMAN se faz presente com toda a pompa e circunstância a espada que o Duque de Caxias recebeu do povo depois da Guerra do Paraguai. Relíquia por vezes confundida com o sabre de campanha de Caxias, do qual foram copiados em escala os espadins dos cadetes.

Esta espada simbólica que possui  gravada na lâmina de um lado, Imperador e Constituição e do outro, Honra e Pátria, foi doada pelo Povo ao General Invencível ao retornar da Guerra do Paraguai .Ela  foi  entregue solenemente a AMAN, no dia 23 de abril de 1953 pelo Embaixador Joaquim de Lima e Silva Moniz de Aragão, descendente de Caxias. Foi um dia festivo este aniversário da AMAN e do qual recordo muito bem. Minha turma de fevereiro de 1955 escolheu como seu patrono o Aspirante Mega e transpôs conosco o Portão Monumental da AMAN e na condição simbólica de General Cadete, título simbólico que lhe fora concedido no dia, pela Sociedade Acadêmica Militar, o General Cyro do Espírito Santo Cardoso que comandara a AMAN de 1948/50 quando ele era ainda Escola Militar de Resende e era muito amigo de Pedro Calmon que convidara para visitar a Escola Militar.

Sócio emérito .Comunicação a CEFHAS em 30 julho de 2003

 


Última alteração em 07-03-2006 @ 10:04 pm

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