Olá Visitante! Junte-se a nós! ou Entre para inserir uma História Militar.
[ Anuncie Já | Fórum | Blogs | Bate-Papo | Ajuda | Proposta ]
 
Página PrincipalPortal Militar Escute hinos e canções militares na Rádio do PortalHinos Fórum do Portal MilitarFórum Blogs Hospedados no PortalBlogs Converse no chat com militaresBate-Papo Videos do YoutubeVideo ArtigosArtigos AgendaAgenda Hotel de TrânsitoHotel Deixe um mensagem para todos do portal.!Fonoclama EntrarEntrar! Junte-se a nós!Junte-se a nós!
  Ir para Página Principal do Portal Militar
 
   
 
[ Todos as Histórias | Todos os Colaboradores | Os últimos 20 Colaboradores ativos ]

[ Dúvidas | Política de Publicação | Busca avançada ]

Usuários Colaboradores podem enviar Histórias Militares ou relacionadas, além de poder comentar as Histórias enviadas por outros usuários!
© Todos os direitos reservados aos seus autores. Esta material não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização de seus autores. As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Portal Militar.com.br ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo brasileiro.
 

 
CRUZAUM - Cartilha 14 - Continuação
Inserido por: Itauna
Em: 05-22-2014 @ 11:10 am
 

 

 

Da roda arcadiana de conjurados faziam parte o ouvidor Tomás Antonio Gonzaga, já promovido o desembargador; o conhecido Claudio Manoel da Costa, que possuía muitos livros proibidos, que estudara e comentara a “Riqueza das Nações” de Adam Smith (cf. Januário da Cunha Barbosa, “Parnaso Brasileiro”, tomo II) e que se encarregara de preparar os “Códigos fundamentais” da futura república; o poeta Inácio José de Alvarenga; Diogo Pereira de Vasconcelos; o intendente Francisco Gregório Pires Monteiro Bandeira; os padres Miguel Eugênio da Silva Mascarenhas e Carlos Correa de Toledo, que liam versos e propagavam a idéia do republicanismo separatista, porque sua atenção não estava voltada para o todo brasileiro e sim para o torrão natal. As influências judaico-maçônicas manobravam  seu idealismo patriótico.

O anúncio de uma derrama, finta geral do fisco cobrando tributos atrasados, provavelmente, descontentaria a multidão e aumentaria o número de prosélitos. Assim a revolução deveria estalar nesse momento e entre seus planos estratégicos figurava o incêndio dos cartórios, (cf. J. Norberto, op. cit., página 70), para provocar o desaparecimento dos títulos de propriedade. Dessa maneira, todas as rebeldias assopradas da sombra cuidavam da derrama com o maior empenho: circuncelios, albineses, jaques, campônios de Maria da Fonte, em Portugal, balaios e quebra-quilos do Norte, comunistas russos.

Joaquim José da Silva Xavier, alcunhado o Tiradentes por exercer a profissão de dentista, que se tornaria a figura principal da Inconfidência por todos os títulos, nascera em São João Del Rei e principiara a vida como mascate nas Minas Novas, onde estivera preso e ficara “sem crédito”. Era filho do boticário Domingos da Silva Santos e de Antonia de Encarnação Xavier. Em lugar do nome paterno, usava o materno. Tinha dois irmãos, ambos sacerdotes, que traziam nomes diferentes: Francisco Ferreira da Cunha e Daniel Armo Ferreira. Entrara, como recurso de vida, para a carreira das armas e, sem proteção, estacionara no posto de “alferes” da Sexta Companhia dos Dragões das Minas. As preterições lhe amargavam a alma. Tentara a mineração, sem proveito, e fizera campanha do sul, durante a operação de guerra dos Sete Anos (1756-1763), quando Portugal aliou-se à Inglaterra, por interesses comerciais, e a Espanha à França, aproveitando-se os espanhóis para invadir e dominar a Colônia do Sacramento, o Rio Grande do Sul e a ilha de Santa Catarina. No Rio de Janeiro, procurara obter da indiferença do Vice-rei Dom Luiz de Vasconcelos a concessão do abastecimento de água e dos trapiches. (cf. J. Noberto, op. cit., página 71.) Passou a fazer o que se chama “biscates” em  medições de terras. Tiradentes era pouco ou nada simpático de aparência “feio e espantado”, isso disse dele Silva Alvarenga.

Quando no Rio de Janeiro, a massa o vaiava por causa do físico incomum e por viver perguntando a esmo o que faria Minas feliz, depunha na devassa o sargento-mor José Joaquim do Rocha.

Tiradentes seria, possivelmente, um judeu português, não apenas pelo seu nome “Silva”, mas justamente na versatilidade do seu modo simples de viver, na leviandade fanfarrona de seu temperamento, na inquietação constante de seu caráter, nas tentativas desatinadas de ganhos e concessões, na onomástica mutável de sua família, na profissão do pai. (cf. Rodolfo Garcia, “Os judeus no Brasil colonial in “Os judeus na história do Brasil”, página 12. É sabida a predileção dos judeus pela arte de curar e sua derivada, a farmácia. Mendes dos Remédios, Castro Boticário e muitos outros são cognomes que denunciam ainda hoje, pela profissão ancestral a origem judaica de seus pastores).

Nada disso, porém, é bastante para se fazer em sã consciência a afirmação de que Tiradentes fosse originário de raça judaica. O papel que assumiu na derradeira etapa da malfadada conspirata demonstra, pelo contrário, UM ESPÍRITO PREDESTINADO PARA UMA MISSÃO SACRIFICIAL, uma alma amorosa de responsabilidade e uma abnegação altamente consciente de Cristo, sem nada de comum com o pensamento, ato e palavra dos judeus nessas ocasiões no território alheio. Se o sangue semita porventura lhe corria nas veias, de tal modo o solo alheio e o meio o purificara através das gerações que pôde praticar atos que o imortalizaram, tornando-o uma inesquecível figura simbolicamente expressiva.

No Rio de Janeiro, Tiradentes pusera-se em contato com um jovem mineiro que regressava ao Brasil e formado da Europa, o Dr. José Alves Maciel, o qual, segundo o depoimento de Domingos Vidal, estivera  na Inglaterra, foi em busca de apoio para o levante de Minas Gerais.

Durante a ausência do alferes, tomara posse a 11 de junho de 1788, em Vila Rica, do governo da capitania, o visconde de Barbacena, munido de autorização da coroa real portuguesa para a cobrança da derrama, que já esperavam os conspiradores ansiosamente para se manifestarem.

De torna viagem para Minas, Tiradentes passou na fazenda do opulento José Aires Gomes, coronel da cavalaria auxiliar na Borda do Campo, em companhia do ouvidor que ia substituir Tomás Antonio Gonzaga, Pedro José de Araújo Saldanha. Em conversa, expandiu sobre as novas idéias. Fez o mesmo na fazenda do Registro Velho, com o padre Manuel Rodrigues da Costa. O Dr. Maciel, que fora antes dele para Vila Rica iniciara-o no mistério da conjura, afirma Joaquim Norberto, “op. cit. página 12, o que vai ao encontro da referência de Joaquim Felício sobre as instruções secretas ou a prancha trazida da Bahia. É impossível deslindar o segredo maçônico das origens da conspiração sem consultar os arquivos secretos da maçonaria.

Por onde andam os papéis desse tempo, se é que há escrito, além do alvará de 30 de março de 1818, do El rei Dom João VI?

O governo brasileiro, através dos seus poderes constituídos deveria respingar em todos historiadores, desavisados da questão judaico-maçônica, os maiores vestígios das atuações das forças ocultas desde o princípio do século XVIII em diante. Por exemplo, sobre o Dr. José Álvares Maciel, lê-se o seguinte em Antônio Augusto de Aguiar. “Vida do Marquês de Barbacena”, Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, Ano de 1896, página 7: “(...) Organizou sociedades secretas em Minas, Rio de Janeiro e São Paulo com o intuito de, por meio delas, fazer a propaganda das idéias e preparar elementos, que na hora oportuna fizessem a revolução”. Esse informe foi entregue ao marquês de Barbacena na sua mocidade, quando serviu em Angola, por um dos inconfidentes ali desterrados, que o marquês conhecia.

O primeiro pensamento de Aires Gomes, medroso de complicações, porque as leis ordenavam a delação, foi levar o que ouvira ao conhecimento das autoridades. Tentou, sem resultado, por intermédio do desembargador Luiz Beltrão. Por causa de seu involuntário silêncio, posteriormente se viu envolvido nas teias de um processo.

Tiradentes continuou a falar no assunto. Falou ao próprio tenente-coronel Freire de Andrade, seu comandante, que não gostou o que ouvira, e ao capitão Maximiano de Oliveira Leite, seu superior hierárquico, que o repeliu.

Enquanto isso, o derrama que serviria de pretexto se anunciava e todos os conjurados iam se deixando levar por informes aéreos que os persuadiam da adesão do Rio de Janeiro. A sombra punha em prática, tecnicamente, um de seus truques costumeiros: animar uns com o pretenso apoio de outros. Tem-se visto o resultado dessa técnica em grande número de revoluções falhadas, mesmo nas mais recentes.

Estava tudo mais ou menos combinado. Na noite marcada para o levante, Tiradentes deveria sair à rua com alguns companheiros, aos gritos de liberdade! O povo, naturalmente, se juntaria alarmado. O tenente-coronel Freire de Andrade viria com a tropa saber o que havia, como se tudo ignorasse. Os conjurados arengariam aos soldados, que os seguiriam. Povo e milícia, fraternizando, dirigir-se-iam a Cachoeira do Campo, onde o visconde de Barbacena assistia, e trariam sua cabeça. (cf. J. Norberto, op. cit. página 113).

Em surpreendente reunião, na casa do tenente-coronel Freire de Andrade, tomaram-se as últimas providências. QUAL SERIA A BANDEIRA DA FUTURA REPÚBLICA? Tiradentes propôs, em campo branco o triângulo maçônico significando as três pessoas da  Santíssima Trindade. Estaria de boa ou má fé? Ter-lhe-ia alguém assoprado a idéia sob essa forma despistadora, a fim de ser aceita por eles e pelos outros, todos católicos apostólicos romanos, ou recorrera a ela de moto próprio? O problema não é de fácil solução. Fale a propósito Izaque Izeckson: “O triângulo da sua bandeira corresponde a uma metade da estrela hexagonal de David, Magsen David. O triângulo maçônico é o triângulo dos Pentáculos Cabalísticos, o triângulo de Salomão dos ocultistas, o infinito da altura ligado às duas pontas do Oriente e do Ocidente o triângulo visível da razão revelando o triângulo invisível, isto é, o ternário do Verbo, “origem do dogma da Trindade” para os magistas e cabalistas judaicos, o que justifica maçonicamente a explicação dada por Tiradentes. É, afinal, um “Supremo mistério” da cabala: “imagem simbólica do Absoluto”, “a um tempo o emblema da força criadora e da Matéria Cósmica”, “o símbolo maçônico do Livre Pensamento”, pela significação literal, é um simples Delta ou triângulo; pela significação figurada, é o Equilíbrio, a Perfeição pela significação esotérica, é energia da cabala, Trindade na Mística e Deus na Liturgia”. É o poder estrangeiro do Brasil dominado.

Evidentemente, esse simbolismo do triângulo, apesar de não parecer, exprime o disfarçado materialismo das concepções maçônicas. Quer dizer a energia e Deus, a Força Criadora e a Trindade, a Matéria Cósmica e o Absoluto; porque o Jeová da maçonaria segundo o próprio Dario Veloso, cuja autoridade dentro da igreja ou seita do seu reino é notória, na op. cit. páginas 208-209, se enquadra neste conceito que é convenientemente ler com a maior atenção:

“A maçonaria, síntese das tradições superiores, reunindo no Brasil sob as mesmas abóbadas homens de todas as crenças e pátrias soube conservar em seu simbolismo a história dos deuses e das Ciências, respondendo consoladamente às interrogações das armas inquietas que aprendem a conhecer em um símbolo do Absoluto a imagem do Eterno. Ensina aos homens que as diversas imagens e formas representativas de Deus, são atributos da verdade única, recordada no triângulo perfeito, símbolo do Grande Arcano, da Causa Cósmica. Assim concilia os mitos “teogônicos das mais antigas religiões”, proclamados nos cultos da Natureza, é o conceito de Energia e Matéria dos filosofismos  contemporâneos”.

Se isso não é materialismo...

O mesmo materialismo maçônico se disfarça nestas palavras do maçom Mario Gitahy de Alencastro:

“A fórmula do Grande Arquiteto do Universo” envolve possivelmente (sic) a afirmação da Divindade. Mas o que a não aceitar poderá ver em seu enunciado o simples reconhecimento da força cósmica natural de que promanou a existência do Universo, ou pelo menos (sic!) sua organização”, in “A Constituição Adotada”, no “Livro Maçônico do Centenário”, ed. do Grande Oriente do Brasil, Rio de Janeiro, Ano de 1922, página 252. Segundo o Catecismo do grau de Cavaleiro Escocês, “o Grande Arquiteto é a Natureza”. Cf. R. Leforestier, “Les Iluminés de Baviere et la Franc-Maçonnerie”, Hechette, Paris, Ano de 1915, página 277”.

Não se questiona, o símbolo expressa descrições reveladoras mais preciosas do que muitos documentos sujeitos as distorções de interesses dos homens.

Ao Triângulo oriundo da maçonaria do judaísmo, Alvarenga Peixoto acrescentou o mote LIBERTAS QUAE SERA TAMEN; a liberdade, posto que tardia, o que não exprime a realidade, porquanto é inegável que a capitania de Minas Gerais ainda não estava preparada para ser livre, quanto mais antes...

Aconteciam, antes, várias reuniões com muita falácia inconseqüente no escritório do Guarda-livros João Rodrigues de Macedo, que era pessoa “altamente protegida” pelas autoridades, reuniões as que sempre comparecia Tiradentes com o cônego Luiz Vieira. Também penetrou nelas o irlandês (?) Nicolau Jorge, nome originário Sírio ou judeu, funcionário da Junta Real dos Diamantes e morador no Tijuco, que costumava, nas discussões, defender os ingleses contra os norte-americanos, cujas idéias os conjurados aprovavam totalmente. O Guarda-livros mostrava-se apavorado com aquelas colocações e desabafava seus medos com o tenente-coronel Basílio de Brito, “o mais dissimulado de todos os homens desse tempo”, (cf. Joaquim Norberto, op. cit. página 127), o qual, com toda certeza, informou logo o caso com as minúcias ao conhecimento do visconde de Barbacena. O governador ouviu-o em silêncio, mandou chamar João Rodrigues a Cachoeira e deu-lhe, como hoje vulgarmente o político responde, um vomitório. E sua desconfiança já despertada ficou mais atiçada ainda.

O velho contratador ou arrematador dos dízimos, Domingos de Abreu Vieira, compadre de Tiradentes, viu-se também envolvido na conjura pelo simples motivo de ter hospedado o padre José da Silva de Oliveira Rolim, do Tijuco, maçom, mandante de vários crimes de morte e contrabandista de diamantes. (cf. J. Norberto, op. cit. páginas 129-131.) O padre era homem influente de muitas posses e podia ser muito útil ao projetado movimento pela independência. Mostrava-se muito despeitado com o governo de visconde de Barbacena por não lhe despachar um requerimento de seu interesse. Ligou-se a Tiradentes, maçonicamente, conforme declara Joaquim Felício; porque o alferes “não hesitava em falar do levante fosse onde fosse e com quem fosse”, segundo o relato de Joaquim Norberto.

Tomás Antonio Gonzaga, de partida para a íntima relação com a grande loja da Bahia, noivada com a famosa órfã Maria Joaquina Dorotéia de Seixas, que se imortalizou  nas suas endechas arcadianas sob o pseudônimo de Marília de Dirceu.

Diz-se-ia que mais tangia a lira e pensava no amor do que na trama da conjuração, que pagou com o desterro.

Os quintos do ouro em atraso subiam de modo estarrecedor a mais de três mil contos, soma enorme para a época. (cf. “Instruções do ministro Martinho de Melo ao visconde e governador Barbacena” in “Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil”, tomo II, página 36.) A maior dos magnatas (ou marajás) das minas de ouro estava em alcance para com o Erário.

Alguns historiadores asseguram que o povo murmurava. O povo é uma hipótese que, na história oficial, conforme a preferência política, serve para encobrir a verdade das ocorrências e muitas outras coisas.

Na verdade, os grandões é que andavam murmurando e provocando adesões, conforme iam se espalhando pelos vários rincões mineiros. Avolumavam-se os boatos do levante por ocasião da derrama. Foi quando entrou no cenário da conjura, procurando sondar os ânimos, O CORONEL JOAQUIM SILVÉRIO DOS REIS.

Tiradentes partira outra vez para o Rio de Janeiro, a fim de tratar de seus requerimentos de água e trapiches. Durante sua ausência, o coronel Silvério deu a denúncia traiçoeira ao visconde e governador Barbacena que, logo, para evitar qualquer pretexto de sedição, suspendeu a derrama, FINGINDO IGNORAR A VERDADE DE TODO O QUE REALMENTE ESTAVA ACONTECENDO.

De resto, o coronel traidor era natural de Leiria, em Portugal, e possuíra grande fortuna, feita rapidamente, mas estava em grande atraso com o fisco. Era um dos “maiores maganões que tinham passado para a América”. (cf. J. Norberto, op. cit. página 189.) Tornou-se espião com “a máscara da amizade”.

Os judeus que procuram chamar a si vultos famosos da história oficial bem poderiam ficar com esse sucessor de Iscariote. O cognome “dos Reis”, que ele usava, era comum nos marranos portugueses.

Depois da tragédia, repelido de todos, disfarçou-se, tomando mais um cognome inteiramente judaico: Montenegro. Passou a assinar Joaquim Silvério dos Reis Montenegro, no Estado do Maranhão, e aceito na corporação para onde se transferiu. (cf. J. Norberto, op. cit. página 192.) Todo esse procedimento de falsificação de identidade foi judaico em contraposição com o do infeliz Tiradentes, que morreu e foi enterrado no Brasil como filho da terra no cadafalso, levando a sua humilhação ao ponto de oscular o verdugo. O descendente de Iscariote recebeu os trinta dinheiros da traição e se transferiu para outro Estado. Outro denunciante foi o dissimulado Basílio de Brito Malheiro do Largo, cujos negócios andavam muito perturbados. (cf. Norberto, op. cit. página 192.) Serviu também de espião e de terceiro delator o mestre-de-campo Inácio Correa Pamplona.

Joaquim Silvério dos Reis Montenegro prestou-se ao infame papel de vir ao Rio de Janeiro para ser “a terrível sombra do pobre Tiradentes” e residir em frente à casa onde se hospedara, pondo-se em comunicação com ele durante a estada nesta cidade. Barbacena e o vice-rei queriam conhecer em profundidade quais eram os elementos de que dispunham os conjurados na capital e aos quais a gabolice do alferes não se cansava de aludir.

Os esbirros da autoridade policial vigiavam e acompanhavam os passos do líder dos conjurados, que, aconselhado pelo delator, a quem se abria confiante, pensava em fugir.

Tendo procurado desesperada e enfrutiferamente refúgio seguro, acolheu-se à casa de Domingos Fernandes, na rua dos Latoeiros, atual rua Gonçalves Dias, de onde destinou recado a Silvério dos Reis pelo padre Inácio Nogueira, ignorante da alhada em que se metia. Foi a viúva Inácia Gertrudes de Almeida que arranjara refúgio para o pobre Tiradentes. “Sempre o óbolo da viúva...”

Dom Luiz de Vasconcelos, de acordo com o visconde de Barbacena, esperava o estouro da revolta da capital, mas nada ocorria. O Inácio foi preso e confessou onde o alferes estava. Então prenderam-no e bem assim todos quantos tinham tido com ele a menor ligação social.

Na noite de 17 para 18 de maio, um vulto humano misterioso todo embuçado, percorreu as ruas escuras de Vila Rica, e, batendo à porta dos conjurados, os preveniu de que tudo estava descoberto, de certo para que se pudessem o bom recato e queimassem documentos comprometedores. (cf. J. Norberto, op. cit. página 248.) Era o poder ocultamente paralelo que desde ali em diante atuava. O objetivo era salvaguardar o segredo do movimento e a melhor gente que dele tomavam parte, no intuito de reservar forças para melhor oportunidade. NUNCA SE CONSEGUIU SABER QUE VULTO FOI ESSE, QUEM O MANDOU E DE ONDE VEIO...

No dia 22 de maio, os conspiradores foram presos e postos em rigorosa incomunicabilidade, em Minas Gerais. Foi preso no Tijuco o irlandês Nicolau Jorge. Apreendiam-se todos os seus livros e papéis. O padre Rolim meteu-se pelo matagal mas foi agarrado. Atulharam-se as masmorras de gente de prol e de gente obscura. Abriram-se devassas, que agora se denominaria inquéritos investigativos, no Rio de Janeiro e em Vila Rica, devassas essas contestáveis à luz da verdade, demoradas e repletas de “proteções escandalosas”. É impossível, hoje, com a documentação existente verificar essas proteções do mistério. Longos interrogatórios e longas acareações “Improváveis”. Limitou-se quanto se pode o direito constitucionalmente de defesa dos implicados, abertamente. Só não se pôde limitar o direito da força, a defesa oculta.

A conspiração mais parecia um sonho de poetas, espalhava-se dessa forma a opinião proposital, publicamente, à maior parte da gente. Mas os ministros do reino luso nela pressentiam a ameaça contra os tronos do R.E.U., Reinado dos Estadistas Unidos, que rosnava soturnamente no século da Enciclopédia. Cruelmente, portanto, redobraram os rigores. O terror processual durou mais ou menos dois anos.

Transido de pavor, o velho Cláudio Manoel suicidou-se no cárcere. FORA O CODIFICADOR DAS CONSTITUIÇÕES FUNDAMENTAIS DA FUTURA REPÚBLICA DO BRASIL. Há nos corredores da política quem desconfie que o velho Cláudio Manoel sabia demais e precisou emudecer na terra. Talvez não resistisse aos interrogatórios e revelasse enquanto vivo o que mais valia calar na época. POR ISSO, O SUICIDARAM...

Tomás Antônio Gonzaga negou sempre tudo, formalmente. Alvarenga Peixoto desmandou-se em jeremiadas, culpando os amigos que o haviam metido no cipoal. A covardia mesquinhou aqueles homens. Houve quem fizesse versos laudatórios ao taciturno Barbacena, para movê-lo à compaixão. Mas, quando todos assim se acovardavam, a figura famosa de Tiradentes se plasmou sobre o território brasileiro, de maneira historicamente inconfundível, desde as dimensões siderais do Astral superior. Herói ou louco, já o clamor público o havia ajuizado. TODO HERÓI TEM ALGUMA COISA DE LOUCO POR SER FORA DA CRAVEIRA COMUM. Impávido, Tiradentes assumiu inteira responsabilidade de todo o movimento pró independência republicana, levando sobre os próprios ombros as culpas dos demais implicados.

A 6 de junho de 1790, Dom Luiz de Vasconcelos, carregado de serviços ao Brasil e, sobretudo, ao Rio de Janeiro, passara o cargo a Dom Luiz José de Castro, conde de Rezende, cujo caráter estava mais de acordo com a maneira de proceder do visconde de Barbacena, senhor Felisberto Caldeira Brant.

O governo real, querendo acabar com as delongas do processo e unificá-los, mandou que fosse feito na capital da colônia, onde os réus envolvidos deviam ser sentenciados para escarmento dos povos.

Veio de Lisboa uma Alçada na fragata Golfinho, em dezembro de 1790, quando já se espraiava em França a maré revolucionária em caminho para o terror. Essa Alçada condenou 14 dos principais conjurados à morte, comutando-lhes, logo depois, a rainha Dona Maria I, a pena em degredo para as possessões do continente africano. Alguns foram mandados para o arquipélago conferido ao judeu Fernando de Noronha, que se conhece pelo próprio nome dele, a carpir saudades no presídio marítimo. Outros sofreram penas menores.

A soberana rainha Dona Maria I, queria perdoar os implicados, levada pelo sentimento maternal de seu coração; mas os cruéis ministros, resseguidos pela “razão de estado”, impediram-lhe o gesto magnânimo. (cf. Vide a obra de Southey, “História do Brasil”, tomo III, páginas 678 e seguintes.) O canhão maçônico da Bastilha e da Ponte Nova retumbava nos seus ouvidos de “guardas fiéis” do trono do R.E.U., Reinado dos Estadistas Unidos, apavorando-os.

As honras de “primeira cabeça” do levante teve-as José Joaquim da Silva Xavier, Tiradentes. Foi o único que a comutação não alcançou. Enforcado. Esquartejado. A casa residencial arrasada e seu terreno salgado. A memória do enforcado (Arcano 12) declarada infame para que a punição aparentemente lícita continuasse no tempo às gerações do porvir brasileiro no tempo. Uma forca de altura desmarcada.

Foi uma execução aparatosa com baraço, pregoeiro, procissão e tropa formada. Tiradentes foi morto com grande resignação do verdadeiro mártir da pátria amada Brasil acima de tudo. (cf. J. Norberto, op. cit. páginas 409, 410 e 416.) Ao carrasco, o negro chamado Capitania, que se emocionara, beijou as mãos e os pés, em sinal de humildade. (J. Norberto, op. cit., página 413).

Vítima das “forças ocultas” conhecidas dos representantes do povo brasileiro que se aproveitaram do idealismo dos inconfidentes para impedi-los à revolta subiu sozinho os íngremes degraus do patíbulo. Não acompanharam os integrantes das lojas maçônicas com seus aventais e bandeiras, nem os judeus que se infiltraram na sombra da conjura e o querem reclamar para seu sangue judaico. É um autor judeu quem faz questão desse dois pontos, nas trevas de todas as conjuras, na verdade, sempre estão infiltrados os judeus. Como não estariam na maçonaria brasileira, se existem participando até na norte-americana? Salomão Pinto e Jacob Pinto, dois judeus portugueses de NewHavem, no Connecticut, desempenharam relevante e oculto papel na guerra da Independência Ianque (V. J. Lúcio de Azevedo, “História dos cristãos-novos portugueses”, página 434. Veja também no Livro maçônico do Centenário”, o retrato de Washington revestido das altas insígnias de pedreiro livre.) Calados, afundaram-se no ministério dos embuçados noturnos, a fim de preparar outras conjuras e novas vítimas de morte. Os consolos dos implicados é que não desampararam o grande mártir no momento extremo em que o moribundo passa dos enganos próprios deste mundo ilusório para a realidade das auroras eternas.

Tiradentes tinha razão em afirmar que contava com elementos para sublevar o Rio de Janeiro. Eles falharam; mas existiam de fato.

Mal se passavam quatro anos (1790-1794) e as autoridades deitavam a mão à meada maçônica que se tecia no Rio de Janeiro. Nesse tempo, foi a Inconfidência, cujos autos estão guardados NA SEÇÃO DE MANUSCRITOS DA BIBLIOTECA NACIONAL. Segundo o depoimento do denunciante e principal testemunha, José Bernardo da Silveira Frade, em casa do mestre maçom de retórica Manoel Inácio da Silva Alvarenga era costume reunir-se uma academia onde, em 1801, fora instalada a já mencionada primeira loja simbólica regular e filiada ao Grande Oriente da França, e que, anos depois de ser proibida pelo vice-rei, passou a realizar assembléias particulares. Concorriam a esses conciliábulos professores, bacharéis, médicos e outros intelectuais. Entre eles, estava sempre presente o cristão-novo Amarante, boticário, nos fundos de cuja botica se realiza as sessões maçônicas, em que se liam papéis, afirma a citada testemunha, “na língua francesa aonde se tratava da Revolução da França contra Portugal, ocorrendo vários discursos sobre sua liberdade, sobre os quais fizeram os mesmos assistentes várias reflexões tendentes a fazer odiosas as monarquias, mostrando contra elas paixão mas inclinação às repúblicas, encarecendo a felicidade que os povos gozam nas mesmas. (cf. “Anais da Biblioteca Nacional”, tomo XLIII-XLIV, páginas XLIV e XLV.) Os freqüentadores do conventículo costumavam louvar o estado da França revolucionária e atacar a religião. (página XLVI) Os principais deles eram os médicos Jacinto e João Marques, e o boticário Agostinho Martins. (cf. Depoimento de Diogo Francisco Delgado, nos autos da devassa guardados na Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional.) A medicina e a indústria farmacêutica são as grandes preferidas profissões judaicas.

Conquanto a independência do Brasil – escreve Castro Carreira, “História Financeira e Orçamentária do Império do Brasil desde a sua fundação” – não fosse conseguida a custa de grandes sacrifícios de vidas inocentes e dinheiro, todavia se aumentaram em muito os seus compromissos, que juntos aos novos encargos naturalmente criados, como se verá no desenvolvimento de suas despesas, fizeram o Brasil principiar sua vida como nação lutando com muitas dificuldades dos déficits injustificáveis e do recurso aos empréstimos no exterior, no qual se tem mantido, até hoje, e à revelia dos poderes constituídos.

“O mau está no ajuste das finanças  do país, nos dias próximos à sua independência, retrata a desordem financeira da metrópole; de sorte que o Brasil independente, entrava logo no regime dos déficits orçamentários, arrastando-se a passos largos para a subordinação ao crédito estrangeiro”. Tornar-se-á independente para continuar subordinado ao Sistema Financeiro Internacional.

Começou desse modo a existir independente onerado com um empréstimo contraído pelo governo português, cuja responsabilidade recaiu contra o povo brasileiro e com uma tradição de finanças arrebentadas para sempre.

Por exemplo, em 1812, ao pretender a fundação de mais uma grande loja maçônica “Distintiva”, em São Gonçalo da Praia Grande, Rio de Janeiro, e outra no Paço Real da corte de Dom João VI, enquanto isso o escrivão do Real Erário, Manuel Jacinto Nogueira da Gama, visconde de Baependi declarava lastimável o estado do Tesouro, denunciando que não tinha dinheiro nem para pagar aos empregados públicos, que, PARA NÃO MORREREM DE FOME, ESMOLAVAM O “PÃO DA CARIDADE”. DEVIAM-SE AS TROPAS VINTE E SEIS MESES DE VENCIMENTOS! Isso está se repetindo hoje.

Com a fundação de outra grande loja maçônica “Comércio e Arte”, em 1815, no Rio de Janeiro, nela reuniram-se, desde logo, eminentes estadistas, políticos e outras altas autoridades e personalidades. O pensamento predominante era então o da Independência do Brasil. E o maior ou mesmo único propósito da maçonaria era a campanha eminentemente política pela independência... Assim compreende o público leitor que até eclesiásticos, metidos em política e interessados na independência brasileira, se associaram em grande quantidade à loja, e visando o país, que oferecia o necessário ambiente de segredo para a conspiração política. Assim ficamos sabendo entre os maçons de então o cônego Januário da Cunha Barbosa, frei Francisco de Santa Teresa Sampaio e muitos outros. Mas a compreensão mais ampla era a independência maçônica do Brasil.

Era, porém, indispensável que primeiramente a própria loja maçônica de cá se tornasse independente do Oriente Lusitano e do Oriente da França. Foi assim que, no dia 28 de maio de 1822, a convite do capitão João Mendes Viana, reuniram-se todos os maçons no Rio de Janeiro em Assembléia Magna, na loja “Comércio e Arte”, com o fim de instalarem um Grande Oriente do Brasil. Para conseguirem o mínimo de três lojas, fundaram naquele mesmo dia 28 de maio mais duas: a “União e Tranqüilidade” e  a “Esperança de Niterói”.

O senhor José Bonifácio de Andrada e Silva, pois, foi o primeiro Grão mestre do Grande Oriente do Brasil, oficialmente instalado no dia 17 de junho de 1822. Porém, 86 anos depois. houve a resposta do Senhor das Sete Encruzilhadas, anunciando a Umbanda.

Era do interesse da maçonaria que o príncipe Dom Pedro se iniciasse no Grande Oriente do Brasil. José Bonifácio encarregou-se de fazer do jovem Bragança um devotado maçom. A 13 de maio de 1822 a maçonaria conferiu-lhe o título de Defensor Perpétuo do Brasil. No dia 2 de agosto, era o príncipe recebido sob a “abóbada de aço” no Grande Oriente do Brasil, com o pseudônimo maçônico de Guatimozim. (O nome foi escolhido em lembrança do último imperador asteca, vencido e supliciado por Cortês, mas considerado símbolo do Estoicismo.) Contra todas as regras e regulações, o aprendiz Guatimozim foi eleito pouco depois Grão mestre do Grande Oriente do Brasil.

No manifesto de 6 de agosto de 1822, o Grão mestre Dom Pedro clamava alta voz, referindo-se às cortes de Lisboa: “Lançou mãos roubadoras aos recursos aplicados no Banco do Brasil, sobrecarregado de uma dívida enorme nacional”. Começa daí em diante a trágica subordinação ao crédito estrangeiro. Muitos milhões de almas que estagiaram naqueles índios e negros testemunham, hoje, contra os ilícitos cometidos.

Mas ainda no mesmo ano de 1822 o próprio Dom Pedro I, por desentendimentos entre os maçons do Brasil, fechou o Grande Oriente.

A situação em Portugal era de pânico total. As tropas francesas do general Junot ocuparam o norte daquele país e dirigiram-se para tomarem a capital de Lisboa. Toda a família real, toda a corte e cerca de 15 mil funcionários do Estado português, já tinham abandonado o reino, deixando o povo português à mercê dos 1200 soldados franceses e outros infiltrados (novembro de 1807). “As almas nunca morrem e os corpos nunca vivem!”

Uma carta de alerta foi endereçada por Antonio Carlos Ribeiro de Andrada ao príncipe regente, Dom Pedro, em março de 1822.

Isto posto, preliminarmente, convém aqui registrarmos a tragédia sofrida pelo povo português, em virtude a revolução francesa. É verdade, a família de Dom João VI, toda a corte e os seus 15 mil funcionários, antes de fugirem com destino ao território brasileiro, roubaram os cofres do Tesouro e saíram batido, levando o que foi possível saquear do povo. Com certeza, muito mais de 80 milhões de cruzados em ouro e diamantes originários do solo brasileiro, e a maior porção de todo o dinheiro saqueados do povo português e do reino. Os atos lícitos ou ilícitos cometidos hoje, estão na razão direta das ações e reações pretéritas.

Com medo dos franceses e na ânsia de conseguirem reserva nos navios, os ladrões portugueses e seus aliados estrangeiros trocavam socos e pontapés. Mesmo vaiados em ato público os ladrões, a população ainda conseguiu ouvir a gritaria de Dona Maria I, chamada de louca: “Não corram tanto! Vão pensar que estamos fugindo!” E de fato estavam!!!

É de se indagar QUEM É A VERDADEIRA METRÓPOLE DO BRASIL: PORTUGAL OU INGLATERRA?

Eis aí descrevemos parcialmente a carta de alerta enviada por Antônio Carlos Ribeiro de Andrada ao príncipe regente, Dom Pedro. Trata-se de fato um documento histórico:

“Em verdade, Real Senhor, era-me já

quase impossível poder, por mais tempo,

aturar o trabalho entre inimigos de toda ordem,

e que não pouparam a pessoa de Vossa Alteza Real,

em volta com os ataques ao Brasil.

O horizonte nada promete...

O augusto pai de Vossa Alteza Real é

um perfeito escravo de um ministério

vendido ao partido desorganizador das Cortes...”

O documento chegado ao conhecimento de Dom Pedro alertava também para o fato de que Portugal pretende REIMPLANTAR A COLONIZAÇÃO NO BRASIL ATUAL. A maçonaria acredita que a independência brasileira é apenas uma questão de tempo.

De resto, com a elevação de Dom Pedro I ao Grão mestrado, o senhor José Bonifácio de Andrada e Silva abandonou o Grande Oriente e fundou, com outros maçons dissidentes, uma nova sociedade secreta, “meio maçom e meio carbonária”.

A nova sociedade denomina-se “Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz”. Tinha fins políticos, era à semelhança da grande loja “Alta Venda” com sede na Itália. Logo depois, o imperador “Guatimozim” também se associou no ApostoLado da Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz, sendo-lhe conferida a dignidade de Arconte - Rei da Nobre Ordem.

Ora, todo o processo ordinário de independência do território brasileiro não se encerra com o episódio inicial da ruptura política no ano de 1822.A rigor, a independência do povo brasileiro não se conquistou até hoje. Ainda é dependente da subordinação imposta do Reinado dos Estadistas Unidos, R.E.U.. Temos os olhares bem atentos! Perseguem-nos só os protestantes.

As tropas francesas já haviam deixado o território português mas Dom João VI permanecia ainda exilado no Brasil.

Em junho de 1822, ainda antes da emancipação, o regente Dom Pedro convocou uma Assembléia Constituinte e Legislativa, composta de 90 deputados eleitos nas províncias – 26 bacharéis, 22 magistrados, 19 sacerdotes, 7 militares e os 16 restantes proprietários, médicos e funcionários públicos. No ano seguinte, a Assembléia foi instalada.

Organizaram-se os países para a restauração do Absolutismo na Europa continental, sob a liderança da Rússia, da Áustria e da Prússia. Apoiado também pela França, que restaurou a monarquia, com Luis XVIII como rei absoluto, os poderosos desses países organizaram em seguida, no Congresso de Viena, a Santa Aliança, instrumento de defesa político-militar do Absolutismo. Assumiram o compromisso de lutar contra quaisquer movimentos nacionalistas e liberais que os ameaçassem.

Então Portugal, na condição de Estado-Membro, poderia solicitar a intervenção daquela Santa Aliança no Brasil – “o território de ninguém”. Por essa trama maquiavélica, fez-se necessariamente inadiável reconhecer a independência do povo brasileiro antes mesmo de qualquer outro, dentre os países da América do Sul. Essa tarefa, após calorosas e prolongadas discussões e “acordos” intermediados pelo império de Londres, está incorporada de conformidade com o Tratado de agosto de 1825, e “satisfatório para o banqueiro Nathan Mayer Rotschild”.

Dessa forma, o Brasil conseguiu, teoricamente, o reconhecimento de sua independência, mas, como denuncia Caio de Freitas: “Teve de ceder em quatro pontos: - a associação de Dom João VI ao título imperial; a declaração constante do tratado de que a independência fora outorgada pela livre e espontânea vontade do soberano português; a promessa, feita pelo governo imperial, de que o Brasil não se ligaria a outras possessões portuguesas e, finalmente, o acordo sobre compensações pecuniárias, atingindo a soma de 2 milhões de libras esterlinas”. (George Canning e o Brasil, v. 2, páginas 334-335). “Deus não joga xadrez com os eruditos”. (Aumbhandan).

Em troca de negociata imposta pelo reino inglês no reconhecimento português, a representação do governo brasileiro assinou com a Inglaterra um tratado de renovação e revisão dos anteriores tratados de 1810, e uma convenção estipulando o ano de 1831 para A EXTINÇÃO DO TRÁFICO DE ESCRAVOS. “Sempre acham as elites que os índios e os negros não são almas imortais”.

A independência de 1822 não contou com a adesão de todas as províncias. Os governadores e comandantes de armas da Bahia, Piauí, Pará, Maranhão e Cisplatina, nomeados por Lisboa e apoiados por tropas portuguesas, mantiveram-se fiéis a Portugal e contra a imposição da Inglaterra. Comportavam-se como se fossem eles viver para sempre, e impunemente.

Os rebeldes da província na Cisplatina diferenciavam-se das rebeliões travadas nas demais províncias. Enquanto na Bahia, Pará, Piauí e Maranhão resistia-se à independência e procurava-se preservar a fidelidade ao governo de Portugal, a Cisplatina buscava sua própria emancipação, numa batalha começada no início do século XIX.

O território que hoje compõe o Uruguai foi, durante o período colonial, teatro de operação de confrontos prolongados entre Espanha e Portugal pela sua posse, disputas jamais resolvidas pelo Tratado de Badajos, em 1801. Tratava-se da solução aparentemente definitiva dos limites do Brasil.

Diante desta exposição, descrevemos a causa da revolução dos franceses contra o governo de Portugal. Por ocasião da estada da corte portuguesa no Brasil, Dom João VI autorizou a invasão do território cisplatino, atendendo às ambições expansionistas portuguesa e em represália ao reino da Espanha. Ora, em virtude da guerra dos Sete Anos (1756-1763), deu-se a aliança entre a Espanha e França, em plena disputas entre Portugal e Espanha por territórios na América do Sul. Então os espanhóis colaboravam com Napoleão Bonaparte na invasão a Portugal, em outubro de 1807. As tropas napoleônicas decidira invadir aquele país, no mês seguinte.

O poderio francês, contudo, rivalizava com a Inglaterra a grande potência capitalista e industrial. Napoleão buscava, então, outros meios de atingir o rival poderio inglês. Havendo dominado praticamente todos os países da Europa continental, em 1806, ele proibia que tais países europeus fizessem qualquer tipo de comércio com os ingleses, pretendendo arruinar a Inglaterra economicamente. Essa proibição ficou sendo conhecida e chamada de bloqueio continental.

Dessa maneira, vencida a resistência das forças do patriota Artigas, a banda oriental foi incorporada ao império português, em 1821, com o nome de Província Cisplatina.

Ora, a Espanha era governada por José Bonaparte, irmão de Napoleão Bonaparte, que almejava assumir o controle sobre os domínios espanhóis na América do Sul, devido a abdicação forçada do rei Carlos IV e do príncipe herdeiro Fernando VII.

Essa também era a expectativa ambiciosa de Dona Carlota Joaquina, esposa de D. João VI e filha herdeira do trono da Espanha. Durante a estada no Brasil, desde 1807, imaginava Dom João VI tornar-se regente do império espanhol na América do Sul.

Mas as ambições de Dona Carlota Joaquina ficaram limitadas à incorporação da Província Cisplatina.

Com a independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, organizaram-se várias forças pelo domínio da Cisplatina. Uma pretendia assegurar a dominação portuguesa. Outra, a do tenente-general Carlos Frederico Lécor, queria ligá-la ao império do Brasil.

Havia também antiga pretensão de Buenos Aires de alargar os domínios argentinos incorporando o território cisplatino, o que se chocava com as pretensões territoriais do Brasil nessa região ao Sul.

“Nossa posição constitucional é esta: pode-se dizimar os corpos indígenas e negros intrinsecamente livres e escrupulosos, mas essas almas imortais nunca são feitas escravas ou usadas como uns instrumentos cegos”. (Aumbhandan).

 

 

 

O RETORNO DE D. JOÃO A PORTUGAL

 

 

Devido a incapacidade de D. Maria I continuar reinando por apresentar sinais de loucura, Dom João passou a governar o império de Portugal, como príncipe regente. Após morrer a mãe, em 1818, no Rio de Janeiro, o príncipe foi coroado rei, recebeu o título de Dom João VI.

Em Portugal, depois da expulsão das tropas do general Junot, graças a ajuda das tropas da Inglaterra comandadas pelo lord militar Beresford, pioraram as dificuldades econômicas. Na ausência de Dom João VI, exercia o governo o inglês.

Essa situação tornou-se insustentável para o povo português. Então explodiu na cidade do Porto, em 1820, uma revolução liberal, que se alastrou em toda a capital Lisboa.

Os revolucionários portugueses proclamavam a criação das cortes gerais para o país, isto é, a assembléia constituinte que redigiria uma nova Constituição Portuguesa. Ele exigiam o imediato retorno de Dom João VI e a família real, o afastamento do comandante militar inglês, lord Beresford, E A VOLTA DO BRASIL À CONDIÇÃO DE COLÔNIA.

Entre os revolucionários portugueses, estiveram à frente do movimento numerosos maçons do Grande Oriente Lusitano. No Brasil, a  loja maçônica “Comércio e Artes”, atentamente, conseguiu vencer as dificuldades aqui no país. Reunindo os seus integrantes, desde logo, eminentes estadistas, políticos e outras ilustres autoridades e personalidades, antes da convocação de uma assembléia constituinte e legislativo à Constituição do povo brasileiro. O pensamento predominante era então o da Independência do Brasil. E o maior ou único trabalho da loja maçônica contrária a volta do Brasil à condição de colônia, era a campanha maciça pela independência.

Quanto as suas atribuições de constituinte, a assembléia nessa ocasião da Revolução Liberal do Porto, cá em nosso território brasileiro escolheu Antônio Carlos Ribeiro de Andrada para presidir os trabalhos de uma comissão encarregada de preparar o projeto de Constituição Brasileira.

Os brasileiros autênticos, sentindo-se ameaçados, formaram o primeiro PARTIDO BRASILEIRO, favorável à independência. Representando a Aristocracia rural, o PB procurou o apoio do Grão mestre Dom Pedro I em sua luta contra a recolonização. Seus principais líderes associados à maçonaria foram José Bonifácio de Andrada e Silva, João Mendes Viana, Joaquim Gonçalves Ledo, Cônego Januário da Cunha Barbosa, capitão Manuel José Oliveira, Francisco das Chagas Ribeiro, coronel Francisco Luis Pereira da Nobrega Sousa Coutinho, major Albino dos Santos Pereira, major Manuel dos Santos Portugal e major Pedro José da Costa Barros.

Obviamente, o retorno também de Dom Pedro I para Portugal, como exigiam os revolucionários portugueses, implicaria no abandono a criação do Grande Oriente Brasileiro e enfraqueceria a autonomia administrativa do país. Então, para evitá-las, os maçons e a gente do povo colheram num documento aproximadamente 8 mil assinaturas, pedindo a Dom Pedro que ficasse no Brasil.

Dessa forma, a 9 de janeiro de 1822, José Clemente Pereira fez a entrega do documento com as assinaturas e Dom Pedro teria afirmado aos maçons: “Como é para o bem de todos e felicidade geral desta nação, ESTOU PRONTO: DIGA O POVO QUE FICO”. Essa fala ficou conhecida como “O Dia do Fico” e foi decisiva para a seguida EMANCIPAÇÃO DO BRASIL.

Isso teria feito as tropas portuguesas, sob o comando de Jorge de Avilez, a se manifestarem radicalmente contra Dom Pedro I. Evidentemente, o roubo de mais de 80 milhões de cruzados em ouro e diamantes e a metade de todo o dinheiro saqueados dos cofres do Tesouro de Portugal, teria que ser acertada judicialmente por toda a família real.

O comandante das tropas portuguesas foi forçado, sob a intervenção pessoal do príncipe regente, a abandonar o Rio de Janeiro. De imediato, os ministros, todos portugueses fiéis a causa de Portugal, se demitiram, ao que levou Dom Pedro a organizar um outro corpo ministerial. Formada só com “brasileiros”, a nova equipe de ministros (maçons) era chefiada por José Bonifácio. Essa é a mentalidade política dos representantes do povo na atualidade.

Para conter as medidas recolonizadoras de iniciativa dos constituintes de Portugal, esse novo ministério de Dom Pedro decretou, o “Cumpre-se”, pelo qual aquelas medidas com força de lei portuguesa só seriam executadas com a expressa autorização de Dom Pedro, que exercia o poder para controlar e defender a autonomia do Brasil aquela altura. Por isso, então, ele recebeu o título de “Defensor Perpétuo do Brasil”, em maio de 1822. Em seguida, convocou uma assembléia constituinte, em junho de 1822. Houve quem acreditasse nisso!

Desde o início, foram intensos os debates em torno de projeto, ficando clara a existência de duas tendências políticas principais: a liberal radical e a conservadora. A primeira tendência, constituída por deputados maçons próximos às classes sociais urbanas e ao político Joaquim Gonçalves Ledo que era quem defendia a limitação dos poderes do imperador Pedro I, a autonomia das províncias e maior participação política das diversas classes sociais. A outra tendência, formada por deputados ligados à Aristocracia proprietária e ao ministro José Bonifácio; propunha a centralização do poder público nas mãos de D. Pedro e amplas restrições ao direito de voto.

Aproveitando-se de sua posição de ministro, Grão mestre da “Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz, José Bonifácio criou essa associação com fins políticos, à semelhança da famosa “Alta Venda” da Itália. Ele viajara por muitos países onde a “Carbonária” lançara os seus tentáculos; deixara-se empolgar pelo sistema de organização da poderosa sociedade secreta “Carbonária”. José Bonifácio simpatizara sobretudo com a famosa “Alta Venda”. (cf. Adelino de Figueiredo Lima, “Nos Bastidores do Mistério”, Rio, Ano de 1954, página 41).

A sociedade secreta tornou-se o instrumento atuante de repressão do poder maçônico aos liberais radicais, que limita os poderes constituídos e a autoridade do soberano do país. Dessa ocasião, foram Joaquim Gonçalves Ledo, Januário da Cunha Barbosa e José Clemente Pereira, que fez entrega do documento com as assinaturas pelo “Dia do Fico”, os primeiros a serem presos políticos e exilados do país. Essa política de poder repressivo, paralelamente, acirrara toda a posição ao governo situacionista e causara os desentendimentos em toda a classe política. Eis aí descrevemos o efeito que logo provocou a demissão desse ministro, José Bonifácio. Isso gerou a insatisfação dos maçons, pelo fato também do fechamento do Grande Oriente do Brasil por decisão do imperador Dom Pedro I.

Foram veiculadas denúncias políticas que Dom Pedro passou a enfrentar não só dos políticos da oposição. As do jornal Sentinela da Liberdade à Beira do Mar da Praia Grande, de José Estevão Grondona; os ataques dos Andradas através do jornal “O Tamoio”, quase todos  contra a presença de portugueses no governo brasileiro, na administração direta e nas Forças Armadas e Forças auxiliares.

Enfim, a declaração lastimável do escrivão do Real Erário, Manuel Jacinto Nogueira da Gama, visconde de Baependi, confessando que não tinha dinheiro para o pagamento aos funcionários públicos. E o manifesto de 6 de agosto de 1822, em que Dom Pedro lançou mãos roubadoras em toda a verba creditada ao Banco do Brasil.

Em setembro de 1823, ficou pronto o projeto da Constituição do Brasil, de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e tinha três fontes de inspiração: as idéias liberais da época, a experiência constitucional portuguesa e a realidade brasileira, conforme a visão da aristocracia rural, sem os ditames de Deus.

Seguiram-se as idéias liberais da divisão política dos poderes propostas por Montesquieu em seu livro “O espírito das leis e presentes na Constituição dos Estados Unidos da América. O projeto de Antônio Carlos estabelecia um equilíbrio considerável entre os três poderes, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Negava também ao soberano  imperador o direito de vetar matérias aprovadas pelo Legislativo. Mas esquecem disso: “Deus é a Lei e o Legislador das nações!”

Já a experiência constitucional portuguesa serviu de modelo para a organização militar.

Enfim, o caráter liberal do projeto de 1823 era apenas aparente, já que os direitos político-eleitorais eram exclusivos daqueles que, medidos por um censo econômico, tivessem certa renda anual representada em alqueires de farinha de mandioca.

Dom Pedro I com uma carta com força de lei de 20 de outubro de 1823, revogou e cassou o Alvará que tinha força de lei, datado de 30 de março de 1818, cuja autoria era de seu pai, Dom João VI; pela mesma lei, porém, tornaram a ser proibidas as sociedades secretas, sob pena de morte ou de exílio. “Os homens públicos apaixonam-se por finalidades irrisórias que tem por nome a riqueza fácil, a glória, o luxo. Nós as abominamos”.

Entretanto, oito anos depois, foi restaurado o Grande Oriente do Brasil, em 1831. De novo, foi aclamado Grão mestre da Sociedade “Apostolado” o senhor José Bonifácio de Andrada e Silva, que dirigiu então aos maçons do mundo e do Brasil um famoso MANIFESTO MAÇÔNICO CONHECIDO DOS DOUTORES EM TEOLOGIA E DAS DIOCESES, do que transcreveram chamando mais a atenção à parte final. Notemos neste trecho que, naquelas ocasiões, os maçons usavam exatamente o mesmo modo de falar de hoje.

“No dia 3 do 9o mês do ano da Verdadeira Luz de 5.831 reuniram-se os membros que existiam do G:. Dr.:, os representantes das velhas e novas Lloj:. Fluminenses, os deputados da Loj:. Razão ao Or:. de Mato Grosso, e Grande número de Mmac:. Bbras:. e estrangeiros, de diversos Ritos e Graus, presidida a Assembléia pelo Grão Mestre Delegado, depois de invocar-se em humildade e respeito o auxílio de o Deus da Natureza e dos Mmac:., foi reinstaurado em suas funções o adormecido Grande Oriente do Brasil; e de novo nomeado Grão Mestre, o cidadão José Bonifácio de Andrada e Silva, e preenchidas provisoriamente as dignidades vagas, entrou no exercício de seus augustos trabalhos, assinalando o seu começo pelo convite fraternal e conciliatório que faz a algumas outras lojas existentes.

Está, pois, em vigor o Grande Oriente do Brasil. Resta comunicar esta grande obra a todos os Maçons Brasileiros e do mundo inteiro convidando a uns para se reunirem a ele e evitarem assim a reaparição das crises que têm perseguido a Maçonaria neste intenso território, e aos outros para com eles travar  mútuos laços de amizade e beneficência. Porém, cumpre declarar primeiramente com a franqueza e candura  da verdade quais são os princípios do Oriente Brasileiro.

Nenhum assunto que não tenha conexão com os Graus simbólicos da Maçonaria será tratado no Oriente Brasileiro e nas Lojas de seu círculo; nenhum outro fim terão os seus trabalhos que não  seja o aumento da felicidade humana, ensinando e inspirando o amor das virtudes domésticas e sociais, o respeito à Religião, a submissão às leis do Estado, a tolerância de todos os cultos e a de todos os Ritos Maç:. reconhecidos e professados atualmente pelos GGR:. OOr:. de todo o mundo, fazendo unicamente exceção dos princípios dos iluminados e do que forem contrários às leis gerais da Natureza e às positivas do Brasil. A voz da política nunca mais soará no recinto dos nossos Templos, nem o bafo impuro dos partidos políticos e das facções manchará a pureza de nossas colunas.

...Continua "O EXÉRCITO SÓ PODERÁ SER DESTRUIDO POR ELE MESMO"
 


Última alteração em 05-22-2014 @ 11:27 am

[ Envie esta História para um amigo! ]

 
Comentar
Comentar
Veja mais
Veja mais
Perfil do usuário colaborador
Perfil do usuário colaborador
Envie uma Mensagem Privada
Envie uma Mensagem Privada