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General David Martins Canabarro (1796-1867)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-03-2006 @ 10:15 pm
 

 

Significação histórica

        A excelente minisérie A Casa das sete mulheres ,tem levado ao conhecimento geral num misto de História e de muita Fantasia a História da Republica Rio Grandense 1835/45 que se constituiu na única experiência republicana brasileira antes de ela ser proclamada .República que  influiu no Marechal Deodoro da Fonseca, o proclamador da República em 15 de novembro de 1889 , quando ele presidiu a Província do Rio Grande do Sul durante a Questão Militar ,através da pregação junto a ele dos lideres Júlio de Castilhos e de Assis Brasil ,conforme ele registrou.

    A Assis Brasil se deve a primeira abordagem da República Rio Grandense do ponto de vista dos que a promoveram ,numa historiografia até então dominada pelas abordagens de cunho monarquista .

       Em que pese o sucesso da minisérie por nós já reconhecido em artigo pela Internet e no informativo O Guararapes 36 - A Casa das sete mulheres ela satanizou cruelmente as personagens Marechal Bento Manoel Ribeiro e agora o Brigadeiro David Canabarro, heróis militares surgidos do seio do povo e aos quais estão  muito a dever, as atuais e futuras gerações de brasileiros, conscientes da identidade e perspectiva históricas  do Brasil, por suas contribuições à consolidação da nossa  Unidade,  Soberania e   Integridade do Brasil .E assim, por via de conseqüência, eles são cultuados e lembradas as preciosas lições que legaram à posteridade de um Brasil que não pode ser tratado por seus filhos como uma nau sem rumo a deriva numa tempestade que não sabe de onde veio ,onde é que esta e para onde é que vai

      A seguir abordamos a real projeção na História do Brasil do Brigadeiro David Canabarro, para que ela não seja tomada como real na Fantasia e notável produção da minisérie da Globo que não lhe faz justiça histórica e da qual se espera ao final a clássica retificação:

       Qualquer semelhança com o personagem da minisérie, General David Canabarro, com o herói da História no Brasil não  tem amparo na verdade histórica e se constitui em mera fantasia para compor o enredo .

Significação histórica de Canabarro

Prestou assinalados serviços militares, de soldado de Milícias a brigadeiro do Exército Imperial, a Integridade e a Soberania  de Portugal e depois do Brasil, no Sul, nas guerras de 1811-12, pacificadora da Banda Oriental; de 1816 e 1821, contra Artigas; guerra Cisplatina 1825-28; guerra contra Oribe e Rosas 1851-52; guerra contra Aguirre 1864 e no início da guerra do Paraguai 1865-67, contra a invasão paraguaia do Rio Grande do Sul e, na mobilização do 3º Corpo de Exército pelo General Osório 

Na República Rio-Grandense, 1 a qual aderiu depois de proclamada, ascendeu por seus méritos e valor militar notável, de tenente coronel comandante de brigada, ao posto de general da República e Comandante-em-Chefe de seu Exército na fase final, até a pacificação em D. Pedrito atual , em 1º de março de 1845.

Paz que aceitou, sopitando seu ideal republicano, face ao sentimento maior  de brasilidade, que tantas vezes comprovara no campo de batalha de 1811-1828 e que seria reafirmado em 1851-52 e 1864-1867 e exacerbado com hipótese de interferência de Rosas, da Argentina nas divergência entre brasileiros, em 1845.

Ficaram célebres palavras a ele atribuídas  de  resposta a emissário enviado pelo ditador D Manuel Rosas de auxiliá-lo no combate aos imperiais:

“Diga a seu chefe que assinaremos a paz com o Império com o sangue do primeiro invasor estrangeiro que atravessar a fronteira .Pois antes de tudo somos brasileiros .”

Ao morrer pesava sob sua memória falsas acusações de traição da Revolução, em Porongos e incompetência, ou falta  de cumprimento do dever como comandante da Fronteira do rio Uruguai.

Isto por não impedir que a coluna invasora paraguaia penetrasse no Brasil por São Borja e ocupasse Uruguaiana . Assim, em ambos os casos, teria ele sido bode expiatório de duas bombas que estouraram em suas mãos dada a  simplicidade e rusticidade de sua vida não preparada para travar batalhas de alfinetes e sim batalhas reais  

Mas a História como instrumento de verdade e justiça mostrou sua inocência e sua real imagem como pode ser acompanhada do livro David Canabarro de tenente a general .Porto Alegre: Martin Livreiro,1992 do grande historiador santanense Ivo Caggiani que foi o primeiro sócio correspondente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e que nos considerávamos o maior historiador residente na imensa fronteira brasileira e o maior que Santana já possuiu.

A primeira foi a de terminar a revolução com o Comandante-em-Chefe e firmar com Caxias a paz em D.Pedrito feita com o apoio de Bento Gonçalves em carta que lhe enviou onde a certa altura mencionava:

“Tendo emitido  minha opinião, resta-me repetir-vos que a paz é absolutamente necessária, que os meios de prosseguir na guerra se escasseiam, o espírito público(opinião pública)  está contra qualquer idéia que tende a prolongar seus sofrimentos, classificando de guerra caprichosa a continuação da atual.

Uma conciliação é sempre preferível aos azares de um derrota; a história antiga e a moderna nos fornecem mil exemplos que não devemos desprezar.

Compenetrai-vos desta verdade e evitai quando puderdes os funestos sucessos que vão aparecer se prevaleceram as bravatas contra os conselhos da sã razão.  Lembrai-vos que muitos que os propalam vos abandonarão no momento do perigo.”

A segunda foi ao fazer frente a invasão paraguaia  do despreparado Rio Grande, em 1865, com tropas milicianas improvisadas e mal armadas .Acusação injusta pois ele adotou estratégia de que era mestre consumado A Guerra a gaúcha, deixando o inimigo se desgastar no terreno como se fora um pneu e distanciar-se de sua base logística.

Guerra á gaúcha iniciada a praticar contra os espanhóis depois de invadirem o Rio Grande e nele permanecerem em posições estratégicas por 13 anos e seguindo orientação do Rio de Janeiro :

“A guerra contra o invasor será feita em pequenas patrulhas localizadas nas matas e nos passos dos rios e arroios .Destes locais sairão ao encontro dos invasores para os surpreender, causar-lhes baixas ,arruinar-lhes gados, cavalhadas e suprimentos e ainda trazer-lhes em constante inquietação.”

Mas, ao excepcional valor militar de Canabarro deve o Brasil e a família Brasileira, significativa parte de sua pacificação em condições honrosas em D. Pedrito atual .

 Não fora sua destacada ação militar como Comandante-em-Chefe da República Rio-Grandense, no período em que o Barão de Caxias comandou o Exército e presidiu o Rio Grande do Sul, a Corte não teria  se convencido de aprovar a paz nas condições em que foram celebradas, pois teriam predominado algumas disposições acentuadamente revanchistas. Constatar isto basta verificar os Ofícios de Caxias 1842-1845 os quais revelam algumas de suas perplexidades com o excepcional tino militar guerrilheiro de Canabarro.

Daí surgiu uma admiração militar recíproca que , concluída a Paz se transformou em amizade e respeito.

Origem, guerreiro nato

Nosso herói em 22 de agosto  de 1796, em Pinheiros, próximo a Taquari, povoação que se originara, durante a guerra 1764-76, de uma povoação  sob proteção do Forte do Tebiquari levantado então e destinado a barrar, naquele ponto, a direção estratégica Rio-Pardo, Taquari, Porto Alegre.

Descendia de imigrantes açorianos da ilha Terceira. Passou a assinar Canabarro depois de desmobilizado da Guerra Cisplatina.  Nome adotado de seu tio e sócio em pecuária, Antônio Ferreira. Canabarro casou formalmente duas vezes no âmbito familiar .A primeira vez com uma tia mais velha para que amparasse sua única filha e natural perfilhada Maria Angélica nascida em 1834 e a 2a vez com sua cunhada viuva e pouco dias  antes de morrer e com vistas a preservar na família o patrimônio acumulado .Sua vida em realidade foi de homem solteiro com ligações amorosas alternadas sem ser o galã e conquistador que se procura deduzir da obra Os amores de David  Canabarro. Porto Alegre:Globo,1933.

Atuação militar 1811-1828

Canabarro, cedendo a vocação das armas, com 17 anos incompletos alistou-se um Regimento das Milícias de Rio Pardo e participou do Exército Pacificador de D. Diogo de Souza que fez a Campanha de 1811-12, onde  foi promovido a cabo. Nas guerras contra Artigas em 1816 e 1820 continuou a se destacar como guerreiro de Cavalaria, como nos estreveros de Catalan.

Na Guerra Cisplatina 1825-28, conquistou seus galões de tenente no combate de Rincón das Galinhas, de 24 de setembro de 1825.

Na Batalha de Passo do Rosário integrou  o 4º Regimento de Cavalaria da 2ª Linha, que fez parte da 2ª Brigada de Cavalaria da 2ª Divisão de Infantaria.

Esta ao comando do Marechal Sebastião Barreto. Isto talvez explique a sua não participação  da Revolução Farroupilha em seu início e que teve como objetivo derrubar seu comandante de Divisão. Sabe-se que não se relacionava bem com Bento Manuel Ribeiro.

Finda a guerra em 1831 fixou-se com estância em São Gregório próximo a Santana atual junto a   fronteira do Quaraí para dedicar-se à pecuária.

Canabarro manteve-se neutro na revolução, sendo por isto ameaçado por representante de Bento Manuel.

 Ao passar Bento Manoel  para o lado imperial, Canabarro decidiu lutar pela revolução sob o argumento:

“ Antes que me matem com um cevado (porco), prefiro morrer em campo aberto de armas na mão.” 

Canabarro juntou-se a gente do alegretense Tenente Coronel Jacinto Guedes que se tornou legendário por sua bravura e intrepidez e pelo lema que incutiu em seus soldados que traziam inscritos em seus chapéus :

“ Sou do Guedes; morro seco e não me entrego! “

Ficou também sob o comando do Coronel José Antônio da Silveira grande figura humana e símbolo da prudência e mais tarde general farroupilha.

Ao ser organizado o Exército da República Rio-Grandense, em 8 de novembro de 1836, em Piratini, pelo 1o General farrapo João Manoel de Lima e Silva( tio do Duque de Caxias ), Canabarro foi promovido a tenente coronel e passou a integrar a 4ª Brigada, comandada pelo citado Coronel João Antônio e constituído dos:

3º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional de Missões. Comandante Tenente Coronel Jacinto Guedes.

4º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional de Missões. Comandante Tenente Coronel David Canabarro.

Traços do perfil militar de Canabarro

O Monsenhor Pinto de Campos, biógrafo de Caxias e contemporâneo de Canabarro, sobre ele escreveu:

” Havia incontestavelmente neste homem talento militar, auxiliado por muita energia, decisão e concepção variada e vasta. Era um Proteu, revestindo-se de mil formas e imaginando constante e sucessivamente  novos ardis.” 2

Sobre Canabarro escreveu Caldeira , o cronista farrapo que o conheceu e a justa  fama que gozava:

 “ Canabarro foi o general mais severo da revolução. Mantinha ordem e boa disciplina nas forças que comandava. Era um general arrojado. Marchava com denodo na frente de Caxias, sem que este general conseguisse batê-lo em campo raso.

Canabarro era um homem alto e cheio de corpo. Não era ilustrado (culto)porém era muito perspicaz, enérgico e muito audaz. Era muito respeitado. O inimigo sempre o considerava como bom guerreiro. Ele possuía a melhor gente da fronteira consigo.” 3

Caldeira em outro depoimento acrescentado sobre Canabarro, depois de dizer que ele servira na Guerra Cisplatina onde fizera  proezas na retaguarda de nosso Exército em retirada para o passo São Lourenço, no Jacuí, depois de Passo do Rosário. E prosseguiu:

 “ Era homem de um caráter muito severo. Era valente a toda prova e muito perspicaz. Durante a revolução nunca foi derrotado. Somente em Porongos perdeu parte de tropa que comandava. Quando Caxias estava em seu encalço ele mais severo se tornou.

E chegava a dizer aos oficiais faltosos, caso repetissem outras faltas que ele dava duas alternativas, prisão, ou liberdade de desertar para Caxias e apontava para o acampamento imperial.

Era homem de poucas palavras e positivo. A sua vontade era de ferro. Depois da pacificação  foi o primeiro homem da Fronteira do Quaraí. Dizia que não era homem do primeiro informe (versão) e que era preciso ouvir as partes. Ele falava português pelo dicionário Rio-Grandense ou seja o linguajar gauchesco típico de época.” 4

Segundo Alfredo Varela, “Canabarro era de constituição robusta, de estatura avantajada, grosso de corpo e de feições carregadas.” 5 e para Garibaldi , “Canabarro era rude na aparência, mas de excelente coração  6

Era um mestre na guerra de guerrilhas das cochilas. Fugia ao combate decisivo e fazia a guerra de recursos, a Guerra á gaúcha consistente em fatigar o inimigo ao danificar-lhe  o equipamento, arruinar suas cavalhadas e mantê-lo sob a tensão de uma surpresa.

Antônio Vicente da Fontoura, que liderou a reação contra Bento Gonçalves  a partir  de 1841 culpando-o por inúmeros insucessos militares e que ao final teve papel importante  na Paz de D. Pedrito, assim referiu ao comportamento de Canabarro como comandante do II Corpo de Exército.

“ Canabarro era laborioso, ativo e enérgico, prevendo as marchas e os planos do inimigo e suprindo a nudez e provação do soldado. Em marcha, já em um  e outro flanco, já na retaguarda e logo na frente, fazendo conservar a ordem dos esquadrões e a regularidade das colunas, infundindo ao soldado, enregelado de frio, um novo brio, uma audácia ,mesmo contra o rigor da estação.” 7 .Possuía rusticidade(endurance ) invulgar que infundia a sua tropa e grande capacidade de manobrar e de amplos deslocamentos .

Com os combates de Taquari, de 3 de maio de 1840, de São José do Norte de 15 de julho de 1840 e de setembro a 23 de novembro de 1840 os insucessos atribuídos a Bento Gonçalves, pela oposição, em razão das vitoriosas  operações contra o General Pedro Labatut na região de Cima da Serra, comandadas por Canabarro, este passou a ter grande prestígio.

A este tempo os republicanos  lutavam sem Infantaria e bom suporte logístico. Bento Gonçalves não os possuía suficientes, isto era agravado pelo efetivo da tropa de 1ª Linha reduzido a 1/3 e a situação logística péssima em razão do grande endividamento interno e externo da República.

O prestígio de Canabarro foi crescendo até colocar sombra em Bento Gonçalves e mais tarde em Netto.

 No último, por este não ter interferido na marcha de Caxias de Rio Grande até Passo de Lourenço, levando 5.000 cavalos.

Principais feitos de Canabarro

Canabarro numa atividade incrível percorreu o Rio Grande, do qual tinha o mapa na cabeça, em todos os sentidos. Dentre seus maiores feitos amplamente abordados em histórias do decênio, registro:

Prisão em Herval em 17 de dezembro de 1836, de surpresa, do Coronel João Silva Tavares, um dos mais destacados chefes imperiais.8 Em 1838, restabeleceu o sítio de Porto Alegre.

Comandou expedição a Laguna, em julho de 1839 levando o Coronel Joaquim Teixeira Nunes e seus célebres Corpo de Lanceiros Negros para a conquista de um porto de mar do que resultou a proclamação da efêmera República Juliana e sua aclamação como general.

Paz de D. Pedrito 

Canabarro ao assumir o Comandante – em - Chefe do Exército da República  em agosto de 1843, em que pese dificuldades de toda a ordem, manteve sua tropa em movimentação e atividade constantes, através da guerra de guerrilhas e  por cerca de 16 meses. Teve 21 encontros com os imperiais. Canabarro lutou como só haviam feito os republicanos em 1836 e 1837.

Foi mais de um combate por mês, segundo estatística de Morivalde Calvet . Fagundes. 9

Caxias o perseguiu por 38 léguas, através de toda a fronteira sudoeste, sem conseguir um  encontro com Canabarro, que tentava repetir a tática vitoriosa contra o General Manoel Jorge, em 1841, a guerra à gaúcha que abordamos na Revista do CIPEL de 1996 .

 Em 13 de novembro de 1844, Canabarro foi surpreendido e, Porongos, por Chico Pedro. Esta surpresa foi por longos tempos  discutida pelos farrapos. "Fomos ou não traídos em Porongos?"

Surpresa que não foi mais completa graças a reação do Cel Teixeira Nunes e do seus lanceiros negros que ali apresentaram uma resistência a todo o custo, salvando da derrota a honra da moribunda  Republica

Em defesa de Canabarro tem saído entre outros Eugênio Vilhena de Moraes, o biografo de Caxias e Alfredo Ferreira Rodrigues e outros   

David Canabarro o último Comandante – em –Chefe do Exército Farrapo recusou o apoio de Rosas da Argentina  para continuar a luta.

Sopitando seu ideal de República face ao perigo de intervenção estrangeira, segundo a tradição, teria respondido ao emissário de Rosas à proposta de apoio estrangeiro de que com o sangue do primeiro estrangeiro que atravessar a fronteira celebraremos a paz com Império. Acima de nosso sentimento republicano está o de brasilidade".

Tem-se apoiado alguns, em instruções que teriam sido dadas pelo Barão de Caxias a Chico Pedro, nas quais Canabarro seria conivente com o ataque de Porongos. É uma agressão injusta contra Caxias, Canabarro e Chico Pedro.

Até hoje não foi aprovada a autenticidade do documento, em realidade um documento forgicado. 10 É incluído por dedução nas injustas suspeitas o Coronel Lucas de Oliveira.

Acertada a pacificação, Canabarro, em 28 de fevereiro de 1845, assinava e fazia divulgar esta proclamação ao Exército da República:11 Hei-la:

"Concidadãos ! Competentemente autorizado pelo Magistrado Civil a quem obedecíamos e na qualidade de Comandante – em -Chefe, concordando com unânime vontade de todos os oficiais da força de meu Comando, vos declaro que a guerra civil que há mais de nove anos devastava este  país está acabada.

A cadeia dos sucessos por que passam todas as revoluções tem transviado o fim político a que nos dirigimos, e hoje, a continuação de uma guerra tal, seria o ultimatum da destruição e do aniquilamento de nossa terra.

Um poder estranho ameaça a integridade do Império; e tão estólida ousadia jamais deixaria de ecoar em nossos corações brasileiros.

O Rio Grande não será teatro de suas iniqüidade, nós partilharemos a glória de sacrificar os ressentimentos criados no furor dos partidos, ao bem geral do Brasil.

"Concidadãos ! Ao desprender-me do grau que me havia confiado o poder que dirigia a revolução, cumpre assegurar-vos que podeis volver tranqüilos ao seio de vossas famílias.

Vossa segurança individual e de propriedade está garantida pela palavra sagrada do Monarca, e o apreço de vossas virtudes confiado ao seu magnânimo coração.

União, fraternidade, respeito às Leis e eterna gratidão ao ínclito Presidente da Província, o Ilmo e Exmo Sr. Barão de Caxias, pelos afanosos esforços que há feito na pacificação da Província.

Campo em Ponche Verde, 28 de fevereiro de 1845.

Ass: David Canabarro

No dia seguinte o Barão de Caxias, em seu acampamento em D.Pedrito, na margem direita do rio Santa Maria , 1º de março de 1845, difundiu proclamação que representava , além da Paz da Revolução Farroupilha, a pacificação da Família Brasileira atingida pelas revoluções liberais que ameaçaram incendiar o Brasil de Norte a Sul, durante 14 longos e sofridos anos de lutas fratricidas.

Da proclamação de Caxias retiro estas sentenças:

"Uma só vontade nos una, Rios-Grandenses. Maldição eterna a quem ousar recordar-se das nossas disenções. União e Tranqüilidade seja de hoje em diante nossa Divisa."12

Preciosa lição da História não respeitada pelos vencidos na Luta Armada urbana e rural levada a efeito no Brasil ,em decorrência da Revolução Democrática de 1964

Trechos das proclamações de Canabarro e Caxias fiadoras da paz de D .Pedrito, em termos honrosos , estão gravadas em bronze, juntas e em destaque, no hall da entrada principal do Clube Militar, do Rio de Janeiro, para reflexão e admiração de todos quanto pela primeira vez por ali adentram o Clube Militar.

Em que pese os grandes prejuízos causados pela Revolução Farroupilha, não se pode deixar de reconhecer que ela foi um laboratório para as guerras externas de 1851-52 e 1865-70 que formou excelentes chefes  e soldados da Cavalaria mais famosa da América, a Rio-Grandense,  fato exaltado por Garibaldi em suas Memórias e que Caxias sempre reconheceu e escreveu a propósito da morte do General  Andrade Neves.

Face a ameaça de um valor maior a Integridade e a Soberania nacionais, calou no coração dos rio - grandenses o ideal de República, adiado por 44 anos.

De novo em defesa da Soberania e Integridade

Por ocasião de guerra contra Oribe e Rosas, Davi Canabarro foi nomeado coronel comandante da Guarda Nacional de Alegrete e Uruguaiana. Lá deu todo apoio ao Marquês de Caxias e ao agora seu Ajudante General do Exército, o Coronel José  Mariano  de Mattos, ex-ministro farrapo bem como, ao Chefe do Estado - Maior de Caxias e Ministro da Guerra do Império em 1864,e o Coronel Miguel Frias que fora líder de um movimento revolucionário, no Rio e que depois assessorou Caxias como Ajudante General na Pacificação do Rio Grande de 1842-45.

Canabarro recebeu o comando da 4ª Divisão, ou Divisão Ligeira, integrada pelas seguintes brigadas: 13

13ª Brigada - comandante Coronel GN Demérito Ribeiro, antigo companheiro de Bento Manuel, que efetuou  a prisão do Presidente da Província Brigadeiro Antero de Brito em Itapevi e que depois do combate de Ponche  Verde voltou a lutar pelo Império.

Era constituído de guardas nacionais alegretenses e gabrielenses (2 corpos).

"Da data  18 de novembro de 1866, em que Caxias assumiu o comando do Exército Brasileiro, até a morte de Canabarro, decorreram cerca de 4 meses. Neste ínterim, Canabarro teve a alegria do reconhecimento nacional, traduzido por Caxias a quem a conhecia e reconhecia competência militar, ao restaurar-lhe no comando da Fronteira e permitir-lhe prestar à defesa da Integridade do Brasil, o concurso de seu prestígio, na mobilização do 3º Corpo de Exército, em auxílio a Osório que levou o citado Corpo para Teatro da Guerra.

Sofreu bastante, por longos anos, o intrépido campeão, as injustiças de traição, em Porongos e de incompetência e inércia, quando da invasão do Rio Grande do Sul pelos paraguaios. E mais, a imerecida pecha de conquistador. Acusações de que foi inocentado por Alfredo Rodrigues, Danton Garrastazú Teixeira e Morivalde Calvet Fagundes. 15

Os Anais do Arquivo Histórico do RS 8v, fornecem interessantes informações sobre a atuação de Canabarro.

Ele esteve presente com sua Cavalaria na rendição dos paraguaios em Uruguaiana aos 68 anos .

A morte do herói

Depois se retirou para a sua estancia de São Gregório em Santana .E nesta em 25 de março foi ferido num pé quando executava numa mangueira um atividade campeira ,Pequeno ferimento que evolui para um grave infeção que terminou por mata – l.o na

Jornal do Rio de Janeiro assim noticiou sua morte

"Tendo sido um notável caudilho da revolução por que passou esta Província, na qual adquiriu a reputação de bravo e habilidoso para a guerra, desceu ao túmulo, acompanhado de graves acusações que a história um dia decifrará se foram merecidas ou injustas.”

História é verdade e justiça e ela provou que as graves acusações a este bravo e autêntico herói militar e filho adotivo de Santana foram injustas e diria covardes !

(x) Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul.

PS : Os números no texto se referem a notas ao texto no original na nossa obra O Exército farrapo e os seus chefes .

 


Última alteração em 07-03-2006 @ 10:15 pm

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