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Inspirações geopolíticas das ações de Portugal (1 de 2)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-03-2006 @ 10:21 pm
 

 

Parte 1/2

INSPIRAÇÕES  GEOPOLÍTICAS DAS AÇÕES  DE PORTUGAL E DEPOIS DO  BRASIL NO PRATA E SUAS PROJEÇÕES NO RIO GRANDE DO SUL 1680-190O

SUMÁRIO

Apresentação pelo Gen Carlos de Meira Mattos

Generalidades

Brasil objetivo geopolítico prioritário de Portugal

Fundação de Colônia do Sacramento em 1680

Expansão portuguesa no Brasil , no período de União das Coroas 1580-1640

Fundação de Laguna 1688

Objetivos geopolíticos em conflito no Prata

A Fundação do Rio Grande do Sul

Gaúcho primitivo ,histórico e romance – evolução

O Tratado de Madrid de 1750

A 1a invasão espanhola do Rio Grande do Sul em 1763

A 2a invasão espanhola do Rio Grande do Sul 1773/1774

A Guerra da Restauração do Rio Grande do Sul 1774-1776

O Tratado de Santo Ildefonso 1775

A Guerra de 1801

A Campanha do Exército Pacificador da Banda Oriental 1811/1812

As guerras contra Artigas 1816 e 1820

A 1a campanha contra Artigas 1816/1817

A 2a campanha contra Artigas 1819/1820

Uruguai Província Cisplatina do Brasil e Guerra Cisplatina 1825/1828

Revolução Farroupilha 1835/1845

A Guerra do Paraguai

Bibliografia

APRESENTAÇÃO

( Pelo acadêmico emérito da Academia de História Militar Terrestre do Brasil General Carlos de Meira Mattos)

Fazer a Apresentação de um estudo histórico do Cel Claudio Moreira Bento, gaúcho filho de Canguçu , município gêmeo do de Passo Fundo , é mais que uma honra , é um prazer proporcionado pelo deleite de sua leitura Conheci o ainda jovem Major Bento em Recife , nos idos de 1971 , quando ele , empolgado pela Guerra Holandesa , tomou a seu cargo a reconstituição dos lugares históricos onde as forças improvisadas de portugueses mamelucos, índios e negros haviam derrotado e expulso definitivamente de Pernambuco as forças mercenárias da Holanda , nas memoráveis batalhas dos Guararapes , que ele descreveu e analisou militarmente e, de modo pioneir, na obra As batalhas dos Guararapes- analise e descrição militar , lançada na inauguração do Parque Histórico Nacional dos Guararapes em 1971, cujo projeto ,construção e inauguração coordenou . Desde ai acompanhei a vocação de historiador militar do Cel Bento .Ele pesquisa e escreve incessantemente. Criou a Academia de História Militar Terrestre do Brasil ( AHIMTB) , à qual de dedica com desvelado entusiasmo científico  profissional .Promove seminário, simpósios palestras e conferências por todo o Brasil , numa reverência fervorosa em divulgar nossa História Militar Terrestre .Ultimamente presenteou  - nos com a obra A Guerra da Restauração, desvendando uma parte do longo período de lutas para a fixação de nossa fronteira sul.

Agora , pede-me o Coronel Bento que faça a Apresentação de sua plaqueta :

  

– Inspirações Geopolíticas das Ações de Portugal e depois do Brasil no   Prata e suas Projeções no Rio Grande do Sul 1680-1900.

 

E mais uma vez o historiador emérito destaca a trama das ações diplomáticas e militares que , durante mais de dois séculos , os governos de Lisboa e do Rio de janeiro se empenharam arduamente buscando tornar realidade a extraordinária visão geopolítica de D.João III , contida nas cartas de 1530 , expressando a missão colonizadora de Martim Afonso de Souza .

Mais do que admirável e quase inacreditável que naqueles longínquos primeiros anos que seguiram ao Descobrimento , com a pobreza das informações e da cartografia existente na época , pudessem já , D.João e seus diplomatas traçar as linhas mestras da geopolítica para o Sul do Brasil que permanecem válidas até hoje .

Ente outras atribuições , devia Martim Afonso : estabelecer uma feitoria no Litoral Sul : explorar e colocar marcos da coroa portuguesa no Rio da Prata e encontrar um caminho terrestre que permitisse chegar as minas de prata e ouro do Peru. Estes três aspectos de sua missão Martim Afonso os cumpriu .Fundou São Vicente: enviou seu irmão Pero Lopes de Souza a explorar o Rio da Prata e este lá deixou gravado o marco da coroa lusa , no local que denominou de Estero Carindins , nas imediações da foz do rio Paraná e, finalmente, enviou   em busca do caminho terrestre para o Peru , a infeliz expedição de Francisco Chaves Pero Lobo , influenciado pelas informações do desterrado bacharel de Cananéia .

São Vicente expandiu , conquistou o planalto Piratininga , gerou o núcleo paulista de exploradores e sertanistas notáveis que compuzeram as bandeiras e povoaram o Sul até os limites platenses .As Bandeiras paulistas chegaram aos Andes como queria a diplomacia de D. João !

A custa de muita luta armada contar espanhóis e seus herdeiros nacionais e desenvolvendo uma diplomacia objetiva e tenaz , durante os 228 descritos nesta nova e original pesquisa histórica que nos oferece o Cel Bento , constatamos a tenacidade de Portugal e do Império e Republica do Brasil em perseguir as mesmas grandes linhas geopolíticas já visualizadas com extraordinária lucidez em 1530 .

Ass: General Carlos de Meira Mattos  Rio de Janeiro.22 Fev de 2002.

 

Generalidades

Recorrendo inicialmente a definição de Geopolítica de Eduardo Backheuser, assunto  de complexa conceituação e definição e  endossado pelo nosso mestre no assunto, o Brigadeiro Lysias Rodrigues.

Disciplina que teve como pioneiro entre nós o Marechal Mário Travassos e da qual hoje é a mais renomada e reconhecida autoridade no assunto, o General Carlos de Meira Mattos e, ambos, ex comandantes de nossa Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN )e membros Academia de História Militar Terrestre do Brasil. O Marechal Travassos como patrono de sua Delegacia em Campinas/SP, e o General Meira Mattos como seu acadêmico emérito e o primeiro a tomar posse na mesma , inaugurando cadeira que tem por patrono o comandante e historiador de nossa Força Expedicionária Brasileira( FEB) Mal João Baptista Mascarenhas de Morais. E escreveu Backheuser:

“A Geopolítica é a política desenvolvida em decorrência das condições geográficas de um país considerado”.

E assim procurou explicar seu conceito:

 “A política é a arte de administrar os povos, procurando tornar possível o que é necessário. A Geopolítica é a parte da alta administração de um Estado que traça as diretrizes para investigar, valorizar e explorar o solo de um país no tríplice aspecto: Território, Situação Geográfica e  Domínio de suas riquezas reais e potenciais”.

Para o geopolítico General Meira Mattos citado:

”A Geopolitica é caracterizada por uma visão antecipada de soluções políticas inspiradas na Geografia “.

E ainda segundo Meira Mattos “ o primeiro geopolítico português no Prata foi o rei D.João III que em Instruções a Martim Afonso de Souza vislumbrou que Portugal devia estabelecer  uma base no Atlântico Sul, em São Vicente ,que expandisse a fronteira Portugal -  Espanha ,ao rio da Prata e que descobrisse um caminho terrestre para  o Perú “

.E assim , a serviço da conquista deste objetivo, diríamos geopolítico, decorreram negociações diplomáticas e guerras que evocaremos  neste trabalho.

E, a seguir, ensaiaremos como Portugal e o Brasil conduziram a inspiração de D.João III  no Sul,  na denominada “Área Geopolítica da Ala Sul – Paraná – Santa Catarina – Rio Grande do Sul” ,pelo Coronel Golbery Couto e Silva, gaúcho de Rio Grande, em seu livro Geopolítica do Brasil (Rio de Janeiro: Ed. José Olympio, 1976).

E especial atenção daremos ao Rio Grande do Sul, cuja fronteira foi a de mais difícil fixação por a mais  turbulenta, difícil , sangrenta e dispendiosa,  merecendo o apodo de Fronteira de Vai e Vem , em  que pese sua legitimação pelo Tratado de Madrid de 1750 que reconheceu a sua conquista por bandeirantes, por estancieiros e tropeiros lagunenses e , por Silva Paes. Este   ,ao fundar a atual cidade de  Rio Grande em 1737 e estabelecer os limites de Portugal nos arroios Chuí e São Miguel.

Neste ensaio a nossa homenagem, além dos já citados, a  Alexandre de Gusmão, José Bonifácio, Alberto Torres, Oliveira Vianna, Paulo Henrique da Rocha Correia, Terezinha de Castro que também abordaram superiormente assuntos de Geopolítica do Brasil, influenciando positivamente em seu destino .

 

Brasil – objetivo geopolítico prioritário de Portugal

 

O Brasil de cerca de 1580-1777 foi o eixo dominante da Geopolítica de Portugal e onde ele aplicou ,concentrado e prioritariamente, todo o seu poder.

Aplicou-se na posse e ocupação efetiva do nosso litoral e sua defesa da intromissão estrangeira e sua diplomacia ,no período da União das Coroas Ibéricas 1580-1640, aplicou-se na expansão do espaço terrestre que lhe coube pelo Tratado de Tordesilhas de 1494, na procura de fronteiras geográficas naturais com a Espanha aqui na América, conforme  vislumbrou D.João III,citado.

Na Bacia do Rio da Prata foi procurar limites naturais no rio Uruguai e no  estuário do Rio da Prata, para o que teria que expandir seu território  para o Sul de Laguna, em Santa Catarina , até aqueles limites.

 

Fundação da Colônia do Sacramento em 1680

 

 Para tal objetivo fundou em 1680, defronte a Buenos Aires ,a Colônia do Sacramento, para participar das grandes riquezas drenadas para Buenos Aires da Bacia do Prata e da exploração das manadas de gado vacum  selvagem, monopólio do rei da Espanha, que povoavam as atuais campanhas do Uruguai e do Rio Grande do Sul ,depois de ali introduzidas pelos jesuítas, por volta de 1622.

Em torno e em conseqüência da posse de Colônia do Sacramento, espanhóis e portugueses e descendentes de ambos ,lutaram por cerca de 190 anos ,transformando a região do Rio da Prata num campo de batalha.

 Depois de cicatrizadas aquelas lutas, aos brasileiros , uruguaios argentinos, e paraguaios e bolivianos em especial compete  isolarem as preciosas lições que colheram do livro da História Militar do Rio da Prata .Lições capazes de construir uma Doutrina Militar Terrestre Comum , a serviço da defesa militar do Mercosul, contra inferência exterior no insondável 3º Milênio. Creio que seria este o maior 0bjetivo  Geopolítico comum a ser conquistado pelas Forças Armadas das nações do Prata.

 

Expansão Portuguesa no Brasil no período de União das Coroas Ibéricas

 

No período de União das Coroas de Portugal e Espanha, de 1580-1640, o rei comum, permitiu que cada um de seus reinos conquistasse ,em seu nome, os territórios que desejassem.

Grande parte deste período coincidiu com as invasões e dominação holandesa na Bahia e Pernambuco.

Na Amazônia, o Capitão Pedro Teixeira a conquistou para Portugal em nome do rei comum ,em 16 ago 1639 ,conforme abordamos em A conquista da Amazônia ( Rio de Janeiro : DNER/Sev Gráfico,1971)

No Sul e no Oeste ,os bandeirantes  partindo de São Paulo , expulsaram  as reduções jesuíticas do Rio Grande do Sul(Tape), do Oeste  do Paraná (Guaíra) e do Sul de Mato Grosso(Itatins) que forçavam o Meridiano das Tordesilhas em direção ao Atlântico .

Este fato assinalou o início da penetração, reconhecimento e exploração portuguesa do atual Rio Grande do Sul, com a destruição das 18 reduções que constituíram o Tape, conforme registramos em História da 3a Região Militar 1808-1889 e Antecedentes (Porto Alegre: 3a RM,1994)

 

Fundação de Laguna 1688

 

Em 1680 Portugal fundou Colônia do Sacramento e 8 anos depois foi fundada Laguna, por santistas .Local que foi centro irradiador e base de apoio para a exploração, conquista e povoamento português do Rio Grande do Sul.

Por esta época os jesuítas retornaram ao Rio Grande e fundaram os Sete Povos das Missões e estabeleceram 11 estâncias no Rio Grande para abastecer os 7 povos da margem esquerda do rio Uruguai e 4 povos da margem direita 

Em 1705 os portugueses estabeleceram  contato terrestre Laguna-Colônia. De 1705-15  a Colônia passou para mãos da Espanha. Nesta fase teve início , por portugueses de Laguna ,a  preia( captura)  de gado alçado nas campanhas do Uruguai e Rio Grande, o qual  era transportado por terra para Laguna. E dali para outros destinos, por mar .

Com a recuperação de Colônia por Portugal ,em 1715 ,intensificou-se a  preia de gado alçado( selvagem)  no Rio Grande e Uruguai, atraindo muitos paulistas que haviam sido expulsos de Minas na guerra dos Emboabas 1710.

O gado se destinava  a suprir  com força animal( muares) e alimentação(vacuns)a atividade de exploração do Ouro em Minas, Goiás e Mato Grosso.

Foi necessário a abertura de caminho pela Serra Geral até Sorocaba/SP ,passando por Vacaria ,Lages ,Curitiba atuais etc, para escoar a riqueza  representada pelas tropas  preiadas (apresadas)no Sul. Este caminho integrou o litoral do Rio Grande ,por terra ,ao restante do Brasil.

Em 1722 se estabeleceu em São José do Norte atual ,por cerca de 2 anos, a Frota de João de Magalhães para proteger o canal da Lagoa dos Patos, melhorar os meios de travessia das tropas, protegê-lo dos espanhóis e índios Tapes(que habitavam Canguçu atual, na Serra dos Tapes) e fazer aliança com os índios Minuanos e cobrar impostos de passagem.

 

Objetivos geopolíticos em conflito no Prata

 

Em 1723 Portugal fundou Montevidéu de onde foi desalojado por crioulos espanhóis(espanhóis nascidos na América). Fato que, segundo o consenso de intérpretes da História do Prata ,definiu o destino do Uruguai, como nação independente e que encontraria em Artigas o grande intérprete e apóstolo deste sonho que entrou em choque com a Geopolítica de Portugal no Prata, de igual forma que a Argentina com seu sonho de reconstituir o Vice Reinado do Prata e o do Paraguai de reconstituir o Império Teocrático  Guarani e todos estes sonhos conflitantes incluindo partes do atual Rio Grande do Sul.

Foram esses objetivos  geopolíticos em conflito, que fariam  a fronteira  do Brasil no Sul oscilar ,gerando a  figura citada ,Rio Grande Fronteira do Vai Vem!

Em 1733 o governo de São Paulo estimulou o estabelecimento de estâncias em torno da região genericamente denominada de Viamão. Estância com o sentido de permanência, ou seja, era exigido para concretizar a posse da terra ,”um tempo mínimo de estância no local .”

Já nesta época rendiam impostos para Portugal  as minas de Guiabá e Goiás , obrigadas a passarem por um registro no rio Grande ,no atual Triângulo Mineiro e outro no sangradouro da Lagoa dos Patos conhecido por Rio Grande. E os dois locais de registros passaram a serem chamados em Portugal de Rio Grande e Rio Grande o do Sul .Daí a origem, segundo Hélio Moro Mariante (patrono de cadeira da Brigada Militar na AHIMTB) de Rio Grande do Sul .

 

A Fundação do Rio Grande do Sul

 

Em 1736, Colônia do Sacramento foi cercada pela Espanha. Do Rio de Janeiro foi enviado uma expedição ao comando do Brigadeiro de Infantaria José da Silva Pais com três objetivos sucessivos: Expulsar os espanhóis de Montevidéu, livrar Colônia do cerco espanhol e fundar o presídio Jesus, Maria José, na atual cidade de Rio Grande.

 Com o insucesso dos objetivos relacionados a Montevidéu e Colônia, Silva Paes desembarcou  ,ao entardecer, de 19 fev 1737, em Rio Grande atual, fundando assim o Rio Grande do Sul atual. Era esperado em terra por estancieiros e tropeiros liderados pelo Cel de Ordenanças Cristóvão Pereira de Abreu e escudados num forte que construíram com 4 pequenos canhões.

A base militar então fundada foi nucleada pelo forte Jesus Maria José erigido em terreno arenoso e protegido a retaguarda pelo Forte N. S. da Conceição e ,a distância, pelos postos militares avançados que estabeleceu no Chuí e arroio São Miguel, respectivamente guarnecidos por 12 Dragões de Minas e um Pelotão de Infantaria de 32 homens, aos quais mandou pagar soldo dobrado.

Silva Paes criou a primeira unidade de Linha – uma Companhia de Dragões, cujo comando entregou ao 2º estancieiro a fixar-se em Viamão, Francisco Pinto Bandeira, pai do legendário gaúcho Rafael Pinto Bandeira. Em 1759 terminou a organização do Regimento de Dragões do Rio Grande, valioso instrumento da Geopolítica do Brasil no Sul, cuja história por quase um século se confundiu com a do Rio Grande do Sul.

 

 

 

Gaúcho primitivo, histórico e romance - evolução

 

Nesta época surgiu a figura do gaúcho primitivo, brancos ou um misto de índio branco, um tipo de corsário dos pampas, sem lei e sem rei ,vivendo da matança do gado alçado, monopólio do Rei da Espanha, para tirar o couro e vendê-lo de contrabando a portugueses na Colônia do Sacramento e mais tarde, a partir de 1754, em Rio Pardo.

Foram  assim grandes instrumentos a serviço da Geopolítica de Portugal que os tinha como aliados e eram combatidos pelos espanhóis. Eles facilitaram a expansão por terra de Portugal no território entre Laguna e Colônia.

Com as guerras no Rio da Prata entre espanhóis e portugueses e dos platinos contra a Espanha e depois brasileiros e descendentes e descendentes platinos dos espanhóis, o gaúcho primitivo transformou-se no gaúcho histórico como grande soldado de Cavalaria ,apto para grandes movimentos com apoio no cavalo e no boi,. O   primeiro como transporte e o segundo como alimento auto transportável que o supria  com o couro para sua improvisada barraca e como barco para a travessia de rios da região ( as pelotas ) etc. Circunstância interpretada pelo Cel BM Hélio Moro Mariante como a Idade do Couro no Continente de D’El Rey ( Porto Alegre: IGTG,1974)

Gaúcho que depois de curadas   e cicatrizadas as feridas daquelas lutas e das  revoluções no Prata ,deu origem ao gaúcho romance, o gaúcho tradicionalista que cultua as tradições criadas pelo gaúcho histórico ,hoje numa impressionante rede de Centros de Tradições Gaúchas espalhados pelo Rio Grande, pelo Brasil e até no exterior, a partir do GTG 35 ,onde exerceu seu apostolado Luiz Carlos Barbosa Lessa ,de justiça consagrado um dos gaúchos do século passado, para a glória de Piratini, seu berço acidental e para Canguçu, terra natal de seus pais e onde tomou contato com o Almanaque  Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul 1889-1917 que havia sido colecionado e curtido pelos seu colaboradores em Canguçu, os irmãos Francklin Máximo Moreira e Carlos Norberto Moreira ( nosso avô e bisavô de Lessa) .E tanto a obra impressionou Lessa que a nora Francklin e filha de Carlos Norberto , Alice Moreira terminou por doá-la ao gaúcho do século citado ,dado o seu grande interesse .

Mas penso que este movimento perdeu o sentido predominante da participação bélica do gaúcho como Sentinela do Sul e assim instrumento da geopolítica na definição das fronteiras do Rio Grande e na defesa das mesmas.

Depois de havermos fundado em 10 set 1986, 150 anos da vitória do Seival, em Pelotas ,o Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul para dar apoio histórico ao culto das Tradições que tendiam descambar  para fantasias  e desconhecer o processo histórico do Rio Grande do Sul, com  identidade fundamentalmente castrense  até cerca de 20 set 1932, com o combate do Cerro Alegre, em Piratini, último confronto armado no Rio Grande.

O Tratado de Madrid de 1750

Em 1750  em clima de mútuo entendimento e amizade, Portugal e Espanha celebraram o Tratado de Madrid .

O Tratado previa a entrega  a Portugal dos Sete Povos das Missões e este por sua vez a entregar  a Espanha a Colônia do Sacramento. Os limites entre Portugal e Espanha no Rio Grande do Sul seriam naturais, o rios Uruguai – Ibicui - Santa Maria, mas em linha seca no atual Uruguai , na bacia da Lagoa Mirim .

Casais de açorianos deveria ocupar os  Sete Povos das Missões .Mas com o insucesso da demarcação os casais trazidos dos Açores se espalharam ao longo de rio Jacuí e pelas imediações de Rio Grande e Porto Alegre. Esta  presença açoriana foi estudada pelos patronos da AHIMTB ,General João Borges Fortes em Casais.(Porto Alegre,1932) e pelo Ten Cel Henrique Oscar Wiedersphan em A colonização açoriana do RGS .(Porto Alegre:LCP/EST,1979) e pela correspondente da AHIMTB , em Pelotas , Heloisa Assumpção Nascimento, em A saga dos açorianos .( Pelotas ,1999) ,romance histórico em que homenageia seu falecido esposo Cel Exército Plínio do Nascimento com esta trova açoriana .“Para Plínio com saudade :

Ausente do bem que adoro , não tenho gosto de nada , na solidão em que vivo, somente o choro me agrada .”

Para demarcar os limites do Tratado no atual Rio Grande do Sul, Portugal enviou para o Sul o Exército Demarcador  forte de 1633 homens (Infantaria, Artilharia e Aventureiros) ao comando do governador do Rio  de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo  General Gomes Freire de Andrada que permaneceu no Rio Grande do Sul(atual) até 1759 por cerca de 7 anos. Trouxe quase toda a Guarnição do Rio .

Em 1753, depois de ser colocado o 1º marco divisório em Castilhos, no Uruguai, ao prosseguirem a demarcação, na altura de Bagé – Santa Tecla atuais, índios missioneiros, liderados por Sepé Tiaraju ,impediram o prosseguimento da demarcação pelos exércitos de Portugal e Espanha.

A seguir a teve lugar a tentativa feita para a demarcação do Tratado a partir do estratégico  Passo São Lourenço , no rio Jacuí, acima de Cachoeira do Sul

Tentativa  impedida pelos índios, resultando somente a Fundação do Forte Jesus Maria José do Rio Pardo – “A tranqueira invicta” a primeira base militar portuguesa no interior do Rio Grande do Sul e estímulo ao povoamento do rio Jacuí até Rio Pardo .

Na derradeira tentativa demarcatória de 1755/56, O Exército de Portugal partiu do forte São Gonçalo que erigira na margem norte do rio Piratini, próximo ao Canal São Gonçalo que une as lagoas dos Patos e Mirim e que recebeu seu nome em razão do forte ali construído . Em 16 ago 1756 operou junção com o Exército da Espanha no Campo das Mercês ( nas cabeceiras do rio Negro próximo a Bagé  )e, assim chamado pelas condecorações e graças que ambos os exércitos conferiram a seus integrantes.

E a partir da região atual Bagé – Santa Tecla ,os índios missioneiros liderados por Sepé Tiarajú levaram a efeito uma guerra de guerrilhas contra os exércitos demarcadores, dando início a uma guerra típica da região chamada A Guerra à gaúcha que abordamos na Antologia do CIPEL 1996–em Regionalismo Sul-Rio-Grandense.

Os índios queimavam as pastagens no eixo de progressão dos exércitos, matavam os cavalos cansados para não serem reaproveitados, tiravam os vacuns do eixo de progressão e trucidavam  patrulhas e soldados isolados que ousassem  se afastar do grosso dos exércitos.

Os índios foram massacrados no combate de Caiboaté e morto Sepé Tiarajú, pelo Governador de Buenos Aires .Eventos ocorridos no município de São Gabriel e abordados por Osório Santana Figueiredo no citado História de São Gabriel , os quais abordamos com detalhes na citada História da 3a RM ,v.1.Autor também de Carreteadas heróicas.(Santa Maria : Pallotti,1986 ) que aborda o uso militar da carreta no Rio Grande , importante e único meio de transporte terrestre de cargas no Rio Grande e importante ferramenta a serviço da geopolitica por dilatado período

A impossibilidade de demarcação do Tratado e da devolução por troca de Sete Povos por Colônia, traria a guerra ao território gaúcho e alterou o destino dos casais de açorianos que vieram para povoar e defender os Sete Povos ,com uma espingarda a ser distribuída por casal .

 

A 1ª  invasão espanhola do Rio Grande do Sul

 

Em 1762 Portugal foi invadido por Espanha e França. No Brasil o governador de Buenos Aires, D. Pedro Ceballos conquistou Colônia do Sacramento e invadiu o Rio Grande do Sul pelo litoral. Depois de conquistar a Fortaleza de Santa Tereza, então construída por Portugal, conquistou a Vila de Rio Grande e São José do Norte.

 

A 2ª invasão do Rio Grande do Sul 1773/77

 

Em 1773/74 o mexicano governador de Buenos Aires o D. Vertiz y Salcedo invadiu o Rio Grande do Sul para combater as guerrilhas portuguesas estabelecidas nas Serras dos Tapes e do Herval(atuais Canguçu e Encruzilhada do Sul)  que cumpriam a seguinte estratégia emanada do Rio de Janeiro depois da invasão de 1763 pelo litoral.

“A guerra contra o invasor espanhol será feita com pequenas patrulhas, localizadas nas matas e passos dos rios e arroios. Destes locais sairão ao encontro dos invasores para surpreendê-los, causar-lhes baixas, arruinar-lhes cavalhadas e suprimentos e ainda trazer-lhes em constante e contínua inquietação”.

Marchando em duas colunas .D Vertiz sofreu fragorosa derrota em 10 jan 1774, em Tabatingai e teve destroçada, em Santa Bárbara ,coluna vinda dos Sete Povos trazendo cavalhadas e bovinos(transporte e alimentação).

Foi uma modelar Ação Retardadora  liderada pelo comandante e governador do Rio Grande do Sul atual, o Cel Cav Marcelino de Figueiredo.

Ao chegar frente ao Rio Pardo, com  sua mobilidade e alimentação seriamente comprometidas, Vertiz y Salcedo retornou para Rio Grande através dos atuais Encruzilhada do Sul e Canguçu , bases das guerrilhas portuguesas, deixando plantada no Rio Grande do Sul a Fortaleza de Santa Tecla ,para impedir as incursões  das guerrilhas no atual Uruguai para  preiar  vacuns, cavalares e destruir estabelecimentos espanhóis e colher informações militares .

Vertiz y Salcedo sofreu grande pressão guerrilheira ao atravessar o Passo da Armada, no Camaquã , entre os atuais municípios de Encruzilhada e Canguçu desde então assim chamado pelas dificuldades ali passadas pela Armada(  nome de Exército em  espanhol) .

Assim, com as fortalezas de Santa Tereza e Santa Tecla os espanhóis começaram a barrar as incursões guerrilheiras no atual Uruguai e com o forte São Martinho, incursões nos Sete Povos das Missões .

Os limites de Portugal com Espanha recuaram por 13 anos ,período em que os espanhóis chegaram a controlar 2/3 do Rio Grande do Sul .Os portugueses ficaram confinados a faixa litorânea entre São José do Norte e Viamão e ao norte do rio Jacuí até Rio Pardo e com suas bases de guerrilhas nas serras dos Tapes(Canguçu atual ) e na serra do Herval (Encruzilhada do Sul atual ).

 

A Guerra da Restauração do Rio Grande 1774-76

 

Como mencionado ,com as invasões de 1763 e 1774, os espanhóis passaram a controlar cerca de 2/3 ao atual Rio Grande do Sul, com apoio em suas forças baseadas nos fortes de São Martinho, ao norte de Santa Maria, de Santa Tecla(próximo a Bagé atual) e na Vila do Rio Grande e corte do canal São Gonçalo.

Foi  então que o Marquês de Pombal decidiu expulsar os espanhóis do Rio Grande, assunto que resgatamos em detalhes em nosso livro: A Guerra de Restauração.( Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1994) .

Portugal concentrou poderosa força no Rio Grande do Sul assim articulada: .

-       São José do Norte (82%) – 3365  homens

-       Rio Pardo   -  710

-       Porto Alegre  -  27

E o Exército do Sul conduziu seu esforço ofensivo sobre 3 pontos fortes:

Forte São Martinho: por barrar o acesso português aos Sete Povos e ameaçar o flanco do Rio Pardo, defendido pelo forte Jesus Maria José(2º). São Martinho foi conquistado em 31 out 1775 por Rafael Pinto Bandeira com suas guerrilhas e dragões 

Forte Santa Tecla: Por barrar o acesso das guerrilhas portuguesas às campanhas de Maldonado, Montevidéu e Colônia, ameaçar Rio Pardo e, possibilitar ,através do passo do Rosário, o intercâmbio e de reforços com os Sete Povos. Foi reconquistado em 25 jan 1776 , depois de prolongado sítio e demolido depois de levantada a sua planta.

Vila de Rio Grande:  Por barrar o acesso português  pelo litoral para o Sul , e base de partida espanhola para ataques sobre Porto Alegre e Laguna. Data desta época a fortificação de Porto Alegre por uma linha pelo alto onde se ergue a Santa Casa e apoiada nas margens do Guaíba e que  seria bem desenvolvida por ocasião da Revolução Farroupilha, quando Porto Alegre foi objeto de 3 sítios farrapos .Linha de fortificação cuja história resgatamos em mapa em Porto Alegre – memória dos sítios farrapos e da administração de Caxias.( Brasília: EGGCF, 1989).

A vila de Rio Grande foi reconquistada na madrugada de 1º de abr 1776, dia de São Francisco de Paula que daria origem ao primitivo nome da atual cidade de Pelotas , como Povo de São Francisco de Paula , desde então padroeiro desta cidade.

Guerrilheiros de Rafael Pinto Bandeira, baseados em Canguçu atual passaram a usar o seguinte caminho , em linha seca, ao longo do itinerário hoje balizado por Canguçu – Piratini – Pedras Altas – Herval – passo do Centurion no rio Jaguarão – Mello, no Uruguai.

Este caminho de invasão seria barrado em 1801 pelos espanhóis com o forte de Cerro Largo(atual Mello ) no Uruguai.

 

O Tratado de Santo Ildefonso 1775

 

Foi celebrado em  1777  o Tratados de Santo Ildefonso e imposto a Portugal ,pelo qual ele perdeu em definitivo a Colônia do Sacramento e temporariamente os Sete Povos, mantendo suas bases militares em Rio Grande, no litoral e, em Rio Pardo ,no interior ,com  jurisdição , sobre a vasta campanha. Bases  articuladas , por terra ,através do Vao  dos Prestes( atual) no rio Camaquã  entre Encruzilhada e Canguçu.

O novo traçado dividia São Gabriel atual ao meio ,bem como Bagé e abrangia quase todo D. Pedrito. Seu limite de fato na Bacia da Lagoa dos Patos  foi o rio Piratini. Foi estabelecida nos limites uma faixa denominada Campos Neutrais que no litoral abrangia todo o atual município de Santa Vitória do Palmar.

Foi demarcado entre Bagé e Santa Maria atuais ,com uma faixa chamada Campos Neutros que teoricamente isolaria espanhóis e portugueses Mas não evitou o contrabando franco do gado pertencente ao rei da Espanha pelo gaúcho ,personagem sem lei e sem rei que surgiu nas campanhas do Uruguai e Rio Grande do Sul e que de abatedor de manadas de vacuns selvagens para tirar o couro e vender de contrabando , passou a contrabandear gado em pé para as charqueadas portuguesas estabelecidas por volta de 1780 ,em Pelotas atual e na margem esquerda do rio Piratini, junto a sua foz.

Contrabando focalizado por Guilhermino Cesar em O contrabando no sul do Brasil (Caxias do Sul :UCS-EST,1978) e que se constituiu em poderoso instrumento geopolítico a serviço de Portugal .

De igual forma as charqueadas gaúchas que se expandiram a partir de de 1780 viriam a se tornar instrumentos de geopolitica a serviço da fixação de nossa fronteira Sul ,cuja história foi abordada Alvarino Foutoura Marques em Episódios do ciclo do charque .(Porto Alegre:EDIGAL,1987). E continuada em Evolução das charqueadas rio-grandenses.( Porto Alegre : Martim Livreiro,1990)

Não poderiamos deixar de mencionar o mate como instrumento da geopolítica de Portugal no Sul e abordada em tese de Maria Emília Barcellos da Silva em O Chimarrão uma vivência gaucha .( Rio de Janeiro :Fac.Letras UFRJ,1987).E mais o tropeirismo de mulas  ,conforme estudamos em Caminhos históricos estratégicos de penetração e povoamento do Vale do Alto e Médio rio Paraíba  1565-1822.(Resende: AHIMTB ,1998) ,como contribuição ao XIV Simpósio de História do Vale do Paraiba promovido pelo IEV ,em Campos do Jordão e publicado na RIHGB .Tropeirismo estudado por Aluisio Almeida em Vida e morte do tropeiro. (São Paulo : ED. Martins ,1971 ) e por Pedro Ari Veríssimo da Fonseca em Tropeiros de Mula .( Passo Fundo: Diario da Manhã,1985). Evento providencial que segundo Ari Veríssimo foi responsável por haver dado o Rio Grande do Sul ao Brasil. Afirmação  assim justificada :

Para transportar a prata das minas de Potosi para a América Central, para dali seguirem para a Espanha  foi necessário criar-se mulas em Entre –Rios, na atual Argentina ,para transportar a prata até o Caribe .Com o esgotamento da prata em Potosi que coincidiu com a descoberta das Minas Gerais , os tropeiros espanhóis inicialmente com suas mulas do eixo Potosi- Caribe se transferiram para o eixo Rio Grande do Sul atual – Sorocaba , centro dispersor dos tropeiros de mulas para atingirem Minas Gerais ,Mato Grosso e Goiás abastecendo os mineradores de vários gêneros e fornecendo-lhes mulas para movimentar a atividade mineira .

“Sem a abertura do caminho por tropeiros ligando o Rio Grande – São Paulo –Minas não teria ocorrido os ciclos do ouro   e do café e se completado a Unidade Nacional , unindo o Rio Grande ao restante do Brasil..”

A marcha das estâncias gaúchas se constituiu igualmente em poderoso instrumento geopolítico em favor da consolidação do Rio Grande do Sul brasileiro o que pode ser avaliado da obra de patrono de cadeira na AHIMTB ,o General João Borges Fortes em Rio Grande de São Pedro .(Rio de janeiro:BIBLIEX,1941).

A demarcação do Tratado de Santo Ildefonso ficou indefinida entre os rios Piratini e Jaguarão .Esgotadas as manadas selvagens elas passaram a ser criadas extensivamente por fazendeiros e estancieiros

O Tratado de Santo Ildefonso significou  uma grande perda territorial com a qual os gaúchos  não se conformaram e se prepararam para o troco .

 

A Guerra de 1801

 

O Rio Grande de 1777-1801 por 20 anos trabalhou com afinco  e acumulou riquezas, mas inconformado com o Tratado de São Ildefonso de 1777 – um retrocesso.

A guerra  se aproximava. Como preparativos para um futuro conflito Portugal fundou , no início  de janeiro de 1800 ,as povoações de Caçapava e Encruzilhada para barrarem ,em caso de guerra, o histórico caminho de invasão: Aceguá – Santa Tecla – Lavras – Caçapava – Encruzilhada – Pântano Grande – Rio Pardo.

E fundou Canguçu aprofundando a defesa feita em Piratini ,desde 1789, para barrar o caminho de invasão usado pelos guerrilheiros de Rafael Pinto Bandeira na guerra 1774-76: Canguçu – Piratini – Pinheiro Machado – Pedras Altas – Herval do Sul – passo Centurion no rio Jaguarão e Forte de Cerro Largo.

Estourando a guerra na Europa, Espanha invadiu Portugal e conquistou Olivença. No Rio Grande a guerra seria sustentada com recursos humanos e materiais fornecidos pela iniciativa privada.

Na Fronteira do Rio Grande , sob a liderança do Cel Manoel Marques de Souza 1º, atual patrono da 8ª Brigada Motorizada de Pelotas e no comando da Legião de Cavalaria da Fronteira de Rio Grande, criada em 1776 ,ao comando de então Coronel Rafael Pinto Bandeira invadiu o contestado território ao Sul do rio Piratini e levou nossa fronteira até o rio Jaguarão ,depois de neutralizar  as guardas espanholas de São José, Santa Rosa, Quilombo e da Lagoa.

Data daí a fundação de Jaguarão com o estabelecimento ali de uma Guarda Militar ao comando do Major Vasco Pinto Bandeira.

Na Fronteira do Rio Pardo, ao comando do Cel Patrício Correia da Câmara, (atual denominação histórica da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada em Bagé) , a frente de seus Dragões do Rio Grande, baseados no Rio Pardo expulsou os espanhóis de Batovi (a primitiva São Gabriel) e de Santa Tecla para onde haviam retornado e da Guarda São Sebastião, na Coxilha São Sebastião. Ao oeste Patrício colou a fronteira no rio Santa Maria, como previra o Tratado de Madrid.

A partir  de Santa Maria atual, 40 dragões e aventureiros, sob a orientação do Cel Patrício ,em Rio Pardo, conquistaram sucessivamente a guarda espanhola de São Martinho e os Sete Povos que foram incorporados pela força das armas.

A vitória portuguesa foi decidida no passo N.S. da Conceição do Jaguarão (atual Passo Centurion), com a retirada ,em 13 dez , da tropa de Espanha para o forte de Cerro Largo.

Em 17 dez 1801 foi conhecida a paz na Europa, onde a Espanha não devolveu Olivença e aqui no Brasil Portugal não devolveu o que conquistara.

Assim com esta vitoriosa guerra sustentada com recursos materiais das fazendas e charqueadas , o  Rio Grande do Sul foi bastante ampliado.

Conquistou os territórios com as ricas pastagens dos Sete Povos, entre os rios Piratini e Jaguarão e , o território entre o rio Santa Maria e o divisor de águas das bacias da Lagoa dos Patos e do rio Uruguai  ,acrescendo aos atuais municípios de São Gabriel (mais da metade), a Bagé cerca de mais 1/3 e a D. Pedrito quase a metade. E sem esquecermos todo o município de Santa Vitória.

Enfim a Fronteira do Brasil no Rio Grande do Sul se apoiava agora em acidentes naturais na  linha balizada  pelos rios Uruguai – Ibicuí – Santa Maria – Jaguarão – Lagoa Mirim e, em linha seca em Aceguá. Do que hoje é o Rio Grande só faltava o quadrilátero chamado distrito de Entre Rios, formado pelos atuais municípios de Santana, Rosário, Alegrete, Uruguaiana e Quaraí.

 

A Campanha do Exército Pacificador da Banda Oriental 1811-12

 

Com a independência das províncias que constituíram  o Vice Reinado do Prata, o governador de Élio de Montevidéu se manteve fiel à Espanha. Montevidéu  foi cercada por argentinos e por orientais liderados por Artigas.

Portugal organizou um Exército ao comando de D. Diogo de Souza, primeiro Governador e Capitão General do Rio Grande do Sul , então capitania instalada em 1808.

Seu objetivo  era o de prevenir no Rio Grande do Sul os reflexos das lutas que incendiavam o Prata. Artigas em seu sonho de Independência do Uruguai incluía nele partes do Rio Grande do Sul, bem como a Argentina em refazer sob sua égide o antigo vice Reinado do Prata.

A concentração do Exército foi em Bagé atual ,que então surgiu como Guarda e Distrito Militar ,cujo dirigente de fato foi o ex Dragão do Rio Pardo, Capitão Ricardo de Mello( bisavô do escritor Erico Veríssimo)que respondeu pelo distrito de 1811 – 25, por 14 anos.

Élio, sitiado em Montevidéu por Artigas e pelo argentino  Rondeau, pediu socorro a D. João VI , cunhado do rei Fernando de Espanha preso por Napoleão e que era irmão da rainha D. Carlota Joaquina.

E ficou decidida a invasão do Uruguai que teve início em 25 jul 1811, com a travessia do passo Centurion ,no rio Jaguarão, seguida da conquista do Forte Cerro Largo. E prosseguiu conquistando o Forte de Santa Tereza, se apossou de Castilhos e atingiu Maldonado onde se incorporou  ao Exército , como coronel auditor, o futuro Visconde de São Leopoldo, deixando precioso testemunho em sua obra Anais da Província de São Pedro(Rio de Janeiro: INL, 1942). Foi o presidente fundador em 1838 do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e é considerado Pai das histórias de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul .

Em 14 out o governador Élio de Montevidéu pediu para D. Diogo que retornasse a Bagé com seu Exército , em razão de armistício que celebrou com argentinos e Artigas por imposição britânica. Por temor de ameaças de Artigas, D. Diogo destacou para o acampamento  próximo a Santana atual ,em dez 1812 ,os regimentos de Dragões e de Milícias do Rio Pardo. Acampamento dentro do distrito espanhol de Entre Rios.

Em 1812,depois de convocar no Rio Grande todos os homens entre 16 e 46 anos, D. Diogo deixou Maldonado  com o seu Exército e atravessou Uruguai e foi até Paissandú em 48 dias de marcha, de 16 mar – 2 mai 1812, percorrendo 96 léguas e entrincheirando-se em Paissandú. Esta marcha ,não pacífica ,foi desenvolvida no itinerário Maldonado – Pão de Açúcar – Passo de Cuelo – Cerro Pelado – Passo do Durazno – Rio Yi – Rio Negro – Arroio Malo, sob o argumento de uma ameaça de Artigas , em posição entre os rios Quaraí e Ibicuí , no distrito de Entre Rios. E tiveram lugar vários combates com  artiguenhos.

A partir do Distrito Militar dos Sete Povos das Missões, criado em 1801, portugueses atacaram os povos de Japejú (local de nascimento de San Martin) e São Tomé. A vanguarda de Artigas foi batida junto ao arroio Laureles e em todas estas ações foram apreendidos muitos bovinos e cavalos.

Depois de cerca de 40 dias em Paissandu, por ordem de D. João, D. Diogo começou a retomar ao Rio Grande, permanecendo 3 meses nas cabeceiras do Cunha Perú, fronteiro a Santana do Livramento atual .

Em 12 set 1812 ,o Exército Pacificador retornou a Bagé pelo Passo N. S. da Conceição no Jaguarão , em Herval do Sul atual.

Leia a Parte 2/2

 


Última alteração em 07-03-2006 @ 10:21 pm

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