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Livro: História de um Sargrento sem Malícias - Homenagem Póstuma
Inserido por: Itauna
Em: 05-27-2014 @ 02:52 am
 

 

 

MINISTÉRIO CRISTÃO
UMBANDA INTEGRAL
ADMINISTRAÇÃO
 
1. HOMENAGEM PÓSTUMA
Em 11 de dezembro de 2011 a então Diretora do Jardim Escola Nuclear da Área Educacional da SOBENCO - Sociedade Beneficente Nuclear Comunitária, esposa do Presidente do NEXPP/SOBENCO, Sr Carlos Salvador da Silva assim se expressou, por ocasião da homenagem póstuma in memorian pelo falecimento da supra citada diretora senhora Maria Martins Santos da Silva.,
 
Senhores e senhoras familiares!
Senhores e senhoras do NEXPP/SOBENCO!
Senhores e senhoras Colaboradores Eméritos!
Senhores e senhoras políticos municipais!
Senhores, senhoras e jovens que amam o Jardim de Infância, Guardiões da Pátria, Clube de Mães, Clube da Terceira Idade!
 
Há mulheres  que não morrem, pelos menos enquanto não morra o último daqueles que tiverem a felicidade de conhecê-las e de com elas privar. São mulheres-legenda, mulheres-símbolo, figuras que marcaram de tal forma sua passagem pela terra, já pela imaculada limpidez de sua alma, já pelas qualidades excelsas de seu coração, já pela indestrutível formação de seu caráter, já pela riqueza imensa de sua cultura e liderança, que enquanto viva alguém que as tenha conhecido, e amado, tais mulheres não morrerão. Vou falar-lhes de alguém assim. Que não morreu; que vive e fulge, em todo o esplendor de sua magnífica personalidade, aqui, junto de nós, ao lado de nós, no dia-a-dia dos nossos dias, fazendo-nos senti-la presente nos mais corriqueiros atos do nosso cotidiano, fazendo-nos lembrá-la em todos os instantes de nossas atividades de trabalho ou lazer, fazendo-nos quase querer procurá-la e com ela discutir um acontecimento, pedir um conselho, solicitar uma orientação. Vou falar-lhes de uma mulher que se chamava Maria Martins Santos da Silva. Sou o mais indicado para fazê-lo pois com ela convivi 48 anos  e partilhei do sofrimento que ela suportava quando alguma de suas queridas amigas passava por alguma dificuldade na sua vida privada com sua família. Quantos e quantos, da verdadeira legião de amigos e amigas de Maria Martins, poderiam fazê-lo melhor do que eu? Quantos amigos íntimos e queridos, que a conheceram na juventude, que o acompanharam na mocidade, que com ela privaram durante quase meio século poderiam fazê-lo melhor? Aqui está, por exemplo a D Lourdes, mãe do seu afilhado Leo de alma e coração, por quem esta incumbência seria desempenhada com, muito mais propriedade e muito maior brilho; esta amiga sempre externa grande pesar envolvido nas mais sofridas lembranças da irmã que sempre estavam unidas nas lides espirituais no exercício das funções que juntas desempenhavam na área espiritual juntas trabalhavam; aqui estão as mães dos seus aluno do Jardim de Infância;  as mães dos Guardiões da Pátria, as componentes do Clube de Mães, do Clube da Terceira Idade, os Médiuns da Corrente da Paz Universal e do NEXPP, as pessoas que religiosamente  recebiam as cestas básicas, na distribuição de leite que igualmente melhor do que eu poderia fazê-lo. Os membros do SOPÃO - Sindicato de Obreiros, Paralíticos, Abandonados e Órfãos, que várias vezes diziam "esta é minha mãe, que nunca tive";. E tanto outras como o D Mariza, D Maria esposa do Primo Francisco e suas filhas e filhos Carlinhos, Tatami, Soninha e Cristina; suas queridas filhas Maninha e Valéria. Mas quis o coração generoso dos amigos e amigas de Maria Martins,  fosse eu o apontado para traçar o perfil da esposa e amiga comum. Faço-o com orgulho; comovido e agradecido por esta oportunidade de lembrar uma das figuras que mais impressionaram e marcaram o meu coração. Não é figura de Retórica o que agora lhes peço: peço-lhes perdão pela pobreza da expressão e pequenez do verbo. Não tenho forças nem sou digno de traçar o perfil de Maria Martins Santos da Silva, com o brilho e a grandeza de sua exuberante e extraordinária personalidade. Que se acresça em boa vontade e amor, o que de pouco brilho e de pobre expressão estas palavras contém.      
Querida Mestra. Apicultora Geral, Abelha Rainha, Mãe Maria. Assim a chamavam os amigos e amigas de  Maria Martins Santos da Silva. Coração capaz das maiores ternuras, capaz das mais violentas reações, sempre em prol dos mais necessitados. Perdi muitos e muitos anos sem conhecê-la. Conheci-a e com ela privei, quase diariamente, durante 48 anos. E creio que a conheci um bastante para externar meus sentimentos dessa forma.
Conheci-a como Rainha do Lar. Educadora emérita, embora autodidata, missão que o destino lhe dera e de que tanto se orgulhava. Suas colegas de trabalho não a terão ouvido comentar, talvez, como comigo comentava, passagens de suas lutas diárias em favor das suas amigas procurando resolver as situações que as afligiam. A satisfação imensa em verificar a reação de um instruendo, seu no aproveitamento dos ensinamentos que acoliam com resultado para sua vida futura. Maria Martins, instrutora, era um pedreiro apaixonado, vendo em cada um dos seus alunos um edifício que construía com o mais apaixonado amor. E quanto! Quantos alunos. Quantas centenas, quantos milhares de instruendos, quantos milhares de cérebros ajudou a plasmar, quantas mentes ajudou a formar, quanta cultura enriqueceu com sua vasta e jamais alardeada cultura. Maria Martins foi uma apaixonada pelo saber e, até idade atual, era uma mulher  que apenas lia, que apenas estudava, que apenas acumulava conhecimento e saber para dá-los, para transmiti-los com aquele dar de si sem nada pedir e pensar em si, que era um dos traços mais marcantes da sua impressionante personalidade.
Conheci-a como profissional na arte do comando. Sem formação militar exercia a liderança com seus "subordinados" com desenvoltura, surpreendendo a todos que lhes observavam e questionavam - como podia usar os princípios de chefia e liderança com tanta propriedade e maestria. Era nato esse dom na sua pessoa cujo princípio tinha o domínio quase que perfeito. As questões ligadas ao direito, agia como se fosse uma advogada com a formação de mestrado que a vida lhe proporcionou. Sabia conciliar os conflitos quando lhe eram solicitados. Conheci-a e respeitei-a. E não conheço colega de profissão que não a tenha respeitado. Que aquela figura normolínea quase gorda, roupa simples eternamente limpa, pouca vezes de saia  e via de regra usando calça para melhor compor era uma das mais elegantes, das mais finas condutas, dos mais bem compostas orientadoras desta nossa terra. Embora, como já disse, auto didata em diversos assuntos, tinha não apenas uma enorme cultura e conhecimento; tinha, também, uma verdadeira intuição da profissão que exercia, de forma surpreendente. Sob um risinho leve e frouxo, risinho de criança, quase que um regougar, escondia-se a palavra fácil, fluente e cadente. E ao ouvi-la  falar, pois falava pouco, era ter a felicidade de escutar-lhe um improviso, era ouvir música em palavras, era aprender como pode ser musical a língua brasileira quando manejada por mente de mestra, quando trabalhada como Mãe Maria sabia trabalhar. Mas aqui não! Aqui, no trato da sua profissão de orientadora de uma escola de formação básica, Maria Martins não era somente amor nem todo coração. Não se lhe anteparasse uma perspectiva de desonestidade; não se lhe apresentasse uma possibilidade de irregularidade que ai, então a mulher se transformava em leoa. E aquela atitude  de Virgem Maria se transmudava. E Maria Martins rugia. E Maria Martins ululava. A rigidez de seu caráter não admitia a menor possibilidade de algo menos leal, menos correto ou menos justo. Não aceitável! A honestidade não era condição de sua formação; era ela mesmo, em si, na própria essência da sua natureza e da sua forma de ser.
 
Tive oportunidade de bem conhecê-la como esposo e pai, no entanto pude observá-lo no longo tempo de convivência a forma como tratava os filhos menores quando o acompanhavam até a escola. E nesses momentos, então a mulher voltava a ser criança; revestido o coração de ternura, revestida a alma de apenas amor não poupava esforços para cercá-los de carinho.
Tenho certeza, sem medo de errar nas minhas assertivas que Maria Martins não via no Senhor  Carlos somente o esposo, via sim, a outra metade do seu casal.
Com certeza ela era mais a companheira de todas as horas, a conselheira de todos os momentos, a amiga, a irmã. Sei por que vi. Nos momentos mais amargos da sua existência – ela que tanto sofria com uma injustiça ou com uma traição – nos momentos mais negros da sua vida, era para ela que corria. Era com ela que se aconselhava. Era a ela que pedia orientação, porque era nela que buscava abrigo. Amava-a com um amor revestido de extrema ternura e de admirável compreensão.
Excedia como doméstica que era, compondo, criando quitutes saborosos, orientando muitas vezes como se preparar uma comida que só ela sabia fazer. Maestra da nossa gloriosa cozinha com uma forte intuição, como se estivesse recebendo mensagens do alto, com uma perfeita harmonia. Precisavam ver a alegria que se estampava no seu semblante quando alguém elogiava o tempero dos quitutes por ela preparados.
Conheci-a como amiga e esposa. Amiga que dela fui com muita facilidade, porque os nossos ideais eram análogos e semelhantes. Quando o conheci pessoalmente, nos idos de 1965, parecia que já há muito a conhecia de nome e de legenda pela harmonia que se instalou de pronto. Conheci-a pessoalmente, e ela simpatizou comigo e imediatamente se identificou com os meus ideais. Maria Martins era uma pessoa singular. Fomos companheiros de todos os dias, amigos de todas as horas. Foi quando fiquei sabendo o que queriam dizer os amigos para Maria. Não posso dizer-lhes que amigo, para Maria, era a essência da sua própria vida. Não, não vejam nestas palavras uma contradição. Morreu a matéria. Morreu aquele corpo que, na tarde límpida de 11 de dezembro de 2011 – um domingo, expirou em meus braços, ficando livre do sofrimento que a assediava há 4 anos. Na 2ª feira, a conduzimos ao Cemitério Parque do Jardim da Saudade em Edson Passos - Mesquita /RJ,   para cumprir o ritual mais doloroso para mim, porém com a satisfação de ver parar o sofrimento, que como espiritualista, sabia que ela havia cumprido o seu karma e estava livre para ser amparado pelos seus guias e protetores que sempre o amaram. Mas ela, na sua forma de ser, ela na sua alma, no seu espírito, no seu coração, na sua cultura, ela aqui está. Continua viva e vívida, junto de nós, na sua caminhada. Maria Martins Santos da Silva, morreu apenas um pouco, quando morreu seu corpo. E naquele dia, morri e todos que a conhecia morreu um pouco também. Como nos versos que algumas vezes lhe disse e que ela gostava de me ouvir repetir:
 
“Toda adversidade traz em si a semente
de um bem igual ou melhor”.
 
Quando Maria Martins morreu, levaram alguma coisa minha e de todos os que lhe queriam. Um pouco assassinados ficamos, para lembrar e louvar uma das almas mais puras, um dos corações mais ternos, um dos caracteres mais límpidos, uma das culturas mais brilhantes, uma das inteligências mais lúcidas e mais privilegiadas que alguém poderia, um dia, conhecer.
 
 
 
CARLOS SALVADOR DA SILVA
            Seu dileto esposo
 
 
 
 


Última alteração em 05-29-2014 @ 08:12 am

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