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Inspirações geopolíticas das ações de Portugal (2 de 2)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-03-2006 @ 10:24 pm
 

 

 

continuação. (Leia a parte 1/2)

A conseqüência deste evento foi a incorporação de fato ,pela força das armas, por ações combinadas do Exército Pacificador  em Paissandú e depois em Cunha Peru com as  forças no  acampamento São Diogo e da  que guarnecia  São Borja, contra seguidores de Artigas   que ocupavam o distrito de Entre-Rios . Distrito , onde hoje se situam os municípios de Santana, Quaraí, Uruguaiana, Alegrete e parte dos de Rosário do Sul e D. Pedrito e com fronteiras naturais nos rios  Uruguai e Quaraí e linha seca em Santana.

Mesmo antes e principalmente  depois da guerra de 1774 /76, como da de 1801 e Campanha do Exército Pacificador 1811/12, militares que delas participaram receberam terras para a criação de gado e também para defendê-las, tornando-se cada estância ou fazenda uma célula militar a ser mobilizada ao primeiro sinal de perigo.

Sobre isto escreveu Oliveira Vianna em  Populações Meridionais do Brasil (Rio de Janeiro, 1952).

 “Na verdade a maior parte da gente que povoou a campanha rio-grandense era composta de militares profissionais que de soldados se fizeram estancieiros atraídos pelo encanto e liberdade  da vida pastoril...”

Não foi só! Dessa aristocracia pastoril os elementos que não tinham como os militares acima nomeados, uma origem militar, possuíam em regra, uma educação militar. Porque se havia soldados que se faziam estancieiros, havia estancieiros que se faziam soldados:  E eram quase todos!

Todos os estancieiros da fronteira, por ocasião das guerras e das invasões platinas eram naturalmente levados a se tornarem poderosos caudilhos, valentes capitaneadores dos bandos da peonagem das estâncias recrutada de improviso, formando centro de agrupação da população da campanha, tornados em falanges particulares de civis ,ou guerrilheiros.

 Incorporados aos Exércitos em marcha, eles eram verdadeiros soldados, sujeitos aos rigores da disciplina e da hierarquia militar.

Terminada a guerra, esses caudilhos civis tornavam a seus pagos armados em companhia de seus guerrilheiros.  Estes ensarilhavam as suas lanças ...  Camarada e amigo dos seus soldados, estes agora tornados  a sua faina de peões e capatazes, continuavam a manter a mesma obediência militar. Como lhe prestaram na guerra, continuavam agora a prestá-la já ,em pleno regime de paz e de trabalho!

Esta combinação , estâncias nas fronteiras distribuídas a militares ,se constituiu poderoso e econômico instrumento de concretização da Geopolítica de Portugal e depois do Brasil no Rio Grande do Sul.

Foi com muita justificacia e sensibilidade tradicionalista gaúcha que em 1954 o deputado Ruy Ramos, ao prefaciar  Galpão de Estância .( São Luiz Gonzaga: Graf.Porto Seguro ,1954 1 ed)  do inspirado poeta gaúcho Jaime Caetano Braun escreveu:

“ O culto das tradições gaúchas representa no Rio Grande do Sul um impulso espontâneo e irresistível da alma da raça ... Falar das lutas e das dores do gaúcho para definir e fixar os limites do Brasil no Rio Grande do Sul e manter a posse da terra e dominá-la, é tocar na corda sensível das gerações gaúchas “.

Observamos com pesar que o tradicionalista gaúcho em geral desconhece esta realidade mencionada por Ruy Ramos, da qual tem uma noção  romanceada e fantasiosa da luta dos rio-grandenses como Sentinelas do Brasil, conhecendo só que lutamos com os castelhanos, mas sem saber as circunstâncias históricas dessas lutas, no tempo e no espaço.

Ao contrário se concentra no culto da Revolução Farroupilha em bases históricas manipuladas, olvidando que ela só foi possível com adesão e condução da mesma, pela  participação efetiva de oficiais do Exército e Unidades do Exército que guarneciam a então maior guarnição do Brasil: 4 Regimentos de Cavalaria Ligeira , um Batalhão de Infantaria e um Batalhão de Artilharia, afora a Guarda Nacional , cujo comandante era o Coronel de Estado –Maior do Exército  Bento Gonçalves da Silva

Circunstâncias que reproduzi com fidelidade  em nosso livro de cunho profissional militar. O Exército Farrapo e os seus chefes (Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1992. 2v).

Bento Gonçalves e Bento Manoel eram coronéis de Estado-Maior do Exército. Os majores José Mariano de Mattos e João Manoel Lima e Silva comandavam  respectivamente a Infantaria e a Artilharia da guarnição do Exército no Rio Grande do Sul. José Mariano é considerado o 1 o comandante do 22o GAC –Grupo Uruguaiana .

Cultua-se os lenços branco e vermelho dos tempos da sanguinária, feroz e  cruel Revolução Federalista de 1893-95, marcada pelos massacres fratricidas, por degolas , de  irmãos gaúchos inermes em Rio Negro – Bagé e do Boi Preto em Palmeira das Missões. Conjuntura perversa  em que foram degoladas as virtudes de Firmeza  e Doçura  simbolizadas por dois amores perfeitos nos ângulos do losango do brazão farrapo, adotado como o do Rio Grande do Sul em 1891 .

Firmeza simbolizando em combate lutar com toda a garra, coragem e valor.

Doçura representada pelo respeito ,como religião, depois da vitória, à vida, à honra, à família e ao patrimônio do vencido inerme.

Doçura de qual deu exemplo Flores de Cunha ao receber a rendição de Honório Lemes, o Tropeiro da Liberdade , ao se  recusar a receber a sua espada e o seu revólver ,para em seguida se abraçarem comovidos.

Sobre este assunto produzimos o livro:  Símbolos do Rio Grande do Sul - subsídios para sua revisão histórica, tradicionalista e legal.( Recife: UERPE, 1971) . Obra em que resgato a figura do simbolista farrapo Bernardo Pires.

Penso, salvo melhor juízo , que o MTG que tem por patrono o Ten Cel Cav João Cezimbra Jacques, criador em 1903 do Grêmio Gaúcho em Porto Alegre, que devia exaltar e divulgar as tradições guerreiras do Rio Grande do Sul e dos que a construíram ,para se buscar coerência com o filósofo Shesterton: “A Tradição é a democracia dos mortos”, Ou seja, a maneira como os mortos se  sentem votando quando as tradições que eles construíram ou o Trado(legado) são respeitadas e cultuadas no caso pelos tradicionalistas.

Cezimbra Jaques a quem se deve o exelente Assuntos do Rio Grande do Sul .( Porto Alegre: ERUS,1979) , cuja figura foi resgatada pelo Cel Hélio Moro Mariante que obteve vitória em sua tese de tornar Cezimbra Jaques patrono do MTG , por seu pioneirismo no Tradicionalismo Gaúcho no Prata .Pois na Argentina o tradicionalismo surgiu forte em 1914 por italo-argentinos ,que segundo Maddaline W. Nicholes em seu O Gaúcho .( Rio de Janeiro: Zelio Valverde ,1946 ) traduzido por Castilhos Goycochêa, “havia na Argentina mais de 200 clubes, sendo mais de 50, em Buenos Aires ,cuja finalidade ostensiva era perpetuar a tradição gaúcha .. “

E sobre as tradições militares com apoio na História existe um silêncio sepulcral de parte da Mídia. Seria bom que  os líderes tradicionalistas parassem um pouco para pensar. Isto para que não se dê motivo esta piada que circulou de boca em boca, em 1961, no episódio da Legalidade.

Que um CTG imitando um Regimento de Cavalaria ,fez solene alto defronte  ao Mata Borrão, na Avenida Borges de Medeiros.

E boleou a perna um gaúcho e se dirigiu solene aos alistadores para seguir para o norte do Brasil para defender a Legalidade.

E perguntou-lhe o alistador: - E os demais vão bolear a perna e se alistarem? . E obteve como resposta: - Não! Pois de briga só sou eu! Os outros são só de dança!

 

As guerras contra Artigas de 1816-1820

 

Em 20 jun 1814 Montevidéu sitiada capitulou a Argentina. E o futuro do Uruguai oscilou entre quatro objetivos geopolíticos conflitantes:

Será província Argentina? Será independente com Artigas? Será protetorado da Inglaterra ?Será província portuguesa ,sonhada pela rainha Carlota Joaquina, irmã do rei Fernando de Espanha prisioneiro de Napoleão ?

E Portugal optou pela invasão, que no mínimo traria a vantagem geopolítica de definir os limites entre os atuais Uruguai e Brasil, no Rio Grande do Sul.

Em 1815 o Brasil foi elevado a condição de Reino Unido com sede no Brasil. D. João VI decidiu invadir e ocupar o Uruguai com a Divisão de Voluntários Reais que mandou vir de Portugal.

Concentrou na Fronteira do Rio Pardo poderoso Exército e estimulou a mobilização de forças de guerrilhas e de voluntários.

 

A 1ª Guerra contra Artigas 1816/1817

 

Artigas ao que  parece  pretendia barrar o avanço pelo litoral da Divisão de Voluntários Reais rumo a Montevidéu e conquistar os Sete Povos das Missões. Reforçado nos Sete Povos, bater as forças do Rio Grande do Sul ,na Fronteira do Rio Pardo e, a seguir, cair pela retaguarda sobre a Divisão de Voluntários Reais.

O Plano de Portugal visava invadir o Uruguai pelo litoral com a Divisão de Voluntários Reais e conquistar Montevidéu. Defender com as tropas da Fronteira do Rio Pardo as linhas dos rios Uruguai e Quaraí ,contra invasões de Artigas. Caso invadido o Rio Grande ,expulsar Artigas e suas tropas.

O Rio Grande foi invadido por Artigas por Santana e São Borja.

Ao final  Artigas foi derrotado em Catalão em 4 jan 1817 e a partir  de São Borja foi destacada força contra  povoações indígenas na margem direita do Uruguai, bases da partida de ataques de Artigas contra o Rio Grande.

A Divisão de Voluntários Reais entrou em Montevidéu em 20 jan 1817, decorrido 16 dias da Batalha de Catalan e , Portugal ,mais uma vez ,decorridos 40 anos , colocava os limites do Brasil no rio da Prata, seu antigo e perseguido sonho geopolítico.

 

A 2ª campanha contra Artigas 1819-20

 

Artigas reuniu um Exército frente a Santana atual . As tropas do Rio Grande foram concentradas em Bagé, em condições de apoiar a Divisão de Voluntários Reais de Montevidéu.

Artigas invadiu  os Sete Povos pelo passo Santo Isidoro, em 25 abr 1815 e se apossou dos povos de São Luiz Gonzaga e São Nicolau. Foi destacado para enfrentá-lo ,em São Nicolau, no comando de um Regimento de Cavalaria de Milícias, o Cel Diogo de Morais Arouche Lara que foi repelido e morto em ação. Foi o primeiro historiador militar do Brasil como Reino Unido por haver escrito sobre a campanha anterior contra Artigas. É patrono de cadeira na Academia de História Militar Terrestre do Brasil ,ocupada pelo historiador paulista Hernani Donato e é nosso patrono no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo .

O Conde de Figueira, governador do Rio Grande ,socorreu os Sete Povos das Missões e junto com tropas deste distrito militar  encontrou São Nicolau abandonado e terminou por livrar os Sete Povos da ameaça de Artigas.

O Conde de Figueira deixou o Cel José de Abreu na cobertura do rio Arapeí (no Uruguai hoje) e deslocou uma  força de Bagé para Las Canas no Uruguai, face ao forte do Cerro Largo e guarneceu Jaguarão, Guarda Militar criada em 1801 .

Em jan 1820, Artigas em seu acampamento de Taquarembó ,próximo a Santana, invadiu o Rio Grande, obrigando o Cel José de Abreu a retirar-se para o passo do Rosário (atual Rosário do Sul).

O Conde da Figueira, governador do Rio Grande, em manobra fulminante, deslocou-se de Porto Alegre e assumiu o comando das tropas de Rio Grande em Operações  E atacou Artigas acampado nas nascentes de Taquarembó ,em 20 jan 1820 e derrotou seu Exército ,obrigando-o a deslocar-se para Corrientes . Em 29 set 1820 Artigas foi obrigado a exilar-se no Paraguai de onde não mais retornou.

 

Uruguai Província Cisplatina do Brasil 1821 e Guerra  Cisplatina 1825-28

 

O Uruguai em 31 jul 1821 foi incorporado ao Império do Brasil como Província Cisplatina. Portugal conquistara dois objetivos geopolíticos . Ou sejam:  definir os limites do Rio Grande do Sul com o Uruguai que permanecem até hoje , exceto alteração ocorrida em 1809 e ,pela segunda vez ,ter o seu limite extremo no Rio da Prata. Este duraria cerca de 7 anos.

Em 7 set 1822 o Brasil proclamou a sua Independência e teve de voltar suas atenções para consolidá-la na Cisplatina, no Maranhão, Pará e Bahia e ainda enfrentar a Confederação do Equador no Nordeste, em 1824.

Foi nesta conjuntura adversa que o nascente Exército Brasileiro, desfalcado das lideranças militares e da tropa representada pelas 3 divisões portuguesas que em maioria retornaram a Portugal , teve de enfrentar duas invasões argentinas e orientais no Rio Grande do Sul.

 Assim ,em 19 abr 1825, 33 orientais vindos da Argentina iniciaram o processo de Independência do Brasil do atual Uruguai. Esta proclamada em 25 out 1825 e o Uruguai declarado confederado às Províncias Unidas do Rio da Prata(Argentina). O Congresso argentino aprovou a Independência e o Império do Brasil declarou guerra à Argentina. E sofreu o Brasil derrotas no Uruguai como a de Sarandi , ao comando do agora Marechal José de Abreu e então destituido.

O Brasil concentrou seu Exército no acampamento Imperial do Carolina(Santana). Carolina era o último nome da Imperatriz D. Leopoldina.

Massena  Rosado  incompetente comandante elevado de comandante de batalhão a comandante de Exército, foi o mentor  dessa infeliz estratégia, que deixou a descoberto toda a fronteira e o Exército e o Rio Grande presas fáceis . O Exército de ser  envolvido e batido em  de Santana seguido de conquista do Rio Grande .Ao Marquês de Barbacena assumir o comando do Exército em Santana declarou:

“Encontrei um exército descalço, sem munição de boca(alimentos) e de guerra, sem remédios, sem cavalos e reduzido depois de um ano a mais humilhante defensiva!!! “

O Exército Argentino que invadiria o Rio Grande era regular e veterano das lutas da Independência do Chile, Bolívia e Peru.

Para evitar ser envolvido, o Marquês de Barbacena determinou que o Exército deixasse Santana e se concentrasse em Bagé para enfrentar ali a invasão e interpor-se entre o inimigo e os principais centros urbanos gaúchos.

O Exército Argentino se apossou de Bagé onde ficou ilhado por cerca de 116 horas de 26 a 30 jan 1827, em razão de violento temporal. Este atraso foi providencial para o êxito da bem sucedida manobra estratégica de Barbacena de conseguir interpor-se entre os centros do poder da Província e o invasor, nas serras de Caçapava, favoráveis a Infantaria, o  forte o Exército Brasileiro que ali foi reforçado com elementos enviados do Rio de Janeiro por D. Pedro I .

Isto obrigou o Exército invasor a tomar o rumo de São Gabriel. E o Exército Brasileiro saiu em seu encalço . E  no dia 20 fev 1827, tem lugar defronte a cidade de Rosário atual, a indecisa Batalha do Passo do Rosário, a maior batalha campal travada no Brasil e em realidade um grande combate encontro após o qual os argentinos retornaram ao Uruguai e o Exército Brasileiro, manobrando em retirada para não ser destruído pelos generais, Vento e Fogo, procurou o Passo São Lourenço no rio Jacuí. Abordamos este assunto em detalhes nos números  os 672 e 680  da Revista A Defesa Nacional .

Mais tarde os Exércitos do Brasil e da Argentina deslocaram-se para o corte do rio Jaguarão onde ficaram frente a frente ,até ser celebrada a Convenção Preliminar de Paz que reconheceu a Independência do Uruguai que fora incorporada artificialmente ao Brasil por 7 anos e cujo destino fora selado em 1723 com a conquista de Montevidéu por crioulos argentinos.

A posição do Uruguai independente entre os  imaturos Brasil e Argentina ,representou “um algodão entre dois cristais” por prevenir choques armados potenciais entre ambos no Rio da Prata.

Os limites do Brasil continuaram os mesmos com o Uruguai e com o território equivalente da previsto pelo Tratado de Madrid, pois o que se perdeu ao sul do Jaguarão, fronteira seca ,foi compensado com o território conquistado no quadrilátero(rios Quaraí, Uruguai, Ibicuí, Santa Maria) tendo fronteiras naturais bem definidas com a Argentina e com o Uruguai.

O Exército foi desmobilizado em Piratini que serviria de foco de insatisfações que levariam o Rio Grande a Revolução Farroupilha. E entre os desmobilizado o jovem Alferes Antônio Joaquim Bento( nosso trisavo que viera com a Divisão de Voluntários Reais de Portugal .

 

Revolução Farroupilha 1835-45

 

Uma série de desgostos acumulados contra o Governo Central e seus representantes no Rio Grande do Sul, levaram os rio-grandenses inicialmente a uma revolução para depor o Presidente da Província e o seu Comandante das Armas e depois a proclamação da República Rio-grandense que duraría cerca de 9 anos e cuja atração exercida pelo  bloco das repúblicas platinas era fortíssima e ameaçadora. Face a este grande perigo o Imperador D. Pedro II encarregou o Barão de Caxias de pacificá-la.

E depois de grande esforço neste sentido conseguiu pacificar a Revolução Farroupilha em 1 mar 1845, conformo abordo nas seguintes obras:

Contribuição à História de D. Pedrito. D. Pedrito: Prefeitura, 2001

O Exército farrapo e os seus chefes. Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1992- 94 2v.

Caxias foi escolhido Presidente da Província e eleito por ela seu senador vitalício, cargo que exerceu com grande orgulho por cerca de 30 anos.

Seu trabalho pacificador foi assim reconhecido pelo líder farrapo Bento Gonçalves em carta a um amigo.

“Por fim temos uma paz que só conseguimos algumas vantagens pela generosidade do Barão de Caxias, desse homem verdadeiramente amigo dos rio-grandenses, que não podendo fazer-nos publicamente a Paz nos fez o Barão o que já não podíamos esperar, salvando assim em grande parte, nossa dignidade .”

Ao  Manoel Rosas, ditador argentino propor atravessar a fronteira com tropas argentinas e ajudar os farrapos ,recebeu esta resposta do General Davi Canabarro , último comandante do Exército Farrapo :

“Com o sangue do primeiro soldado argentino que atravessar a fronteira assinaremos a Paz com o Império ....”

O sentimento de brasilidade era mais forte naquele momento do que o de República. Vale lembrar que a Revolução Farroupilha foi um laboratório de técnicas, táticas e estratégias militares no Rio Grande do Sul. E mais do que isto, foi uma escola de formação de líderes de combate, que depois de combaterem por quase 9 anos como republicanos farrapos e imperiais, se irmanaram na defesa do Brasil nas guerras externas que se seguiriam contra Oribe e Rosas 1851-52, contra Aguirre 1864 e do Paraguai 1865-70.

Na vitória contra Oribe e Rosas ficaram definidos os limites do Brasil com o Uruguai ,através de acidentes naturais.  Ajudou-se a confirmar as independências do Uruguai e do Paraguai ameaçadas por Rosas  e foi assegurado o direito do Brasil a sua livre navegação no rio da Prata, essencial para comunicar-se com a sua província Mato Grosso. Enfim equilíbrio político no Rio da Prata, um objetivo geopolítico conquistado temporiamente .

Na Guerra contra Aguirre do Uruguai o Brasil nela se envolveu para defender estancieiros brasileiros da fronteira que tinham suas propriedades invadidas e os cerca de 40.000 brasileiros residentes no Uruguai que tinham propriedades confiscadas e interesses desrespeitados.

Mais uma guerra em defesa do objetivo geopolítico do Brasil de assegurar o equilíbrio político no Rio da Prata .

 

A Guerra do Paraguai

 

A invasão do Uruguai em 1864 provocou a intervenção no conflito do Marechal Solano Lopes do Paraguai que invadiu o Rio Grande do Sul por São Borja e conquistou Uruguaiana e também invadiu o Mato Grosso pela Colônia Militar de Dourados .

Estes fatos provocaram a guerra da Tríplice Aliança Argentina – Brasil – Uruguai contra o Paraguai 1865-70.

Com a presença de D. Pedro II e dos presidentes da Argentina e Uruguai ,renderam-se em Uruguaiana, em 18 set 1865 , 550 oficiais e 5.131 soldados paraguaios que haviam invadido o Rio Grande e ocupado Uruguaiana por largo período .

Nesta guerra o Brasil defendeu a sua Integridade e sua Soberania .A última  ameaçada pelo Paraguai em seu direito de livre navegação no rio Paraguai, essencial para as comunicações do Governo Central no Rio com a Província de Mato Grosso e impedida com a construção pelo Paraguai da Fortaleza de Humaitá – a Sebastopol da América do Sul  .

Os aliados derrotaram a Marinha do Paraguai em Riachuelo em 11 jun 1865, onde destruíram a sua capacidade ofensiva estratégica e ,o seu Exército em 24 mar 1866 na batalha de Tuiti ,onde  destruíram a sua capacidade ofensiva tática e a seguir a Dezembrada onde destruíram a capacidade defensiva tática de Solano Lopes depois de haverem destruído a sua capacidade defensiva estratégica com a conquista da Fortaleza de Humaitá que abriu o rio Paraguai a livre navegação pelo Brasil .E finalmente ,a atuação do Brasil no sentido da manutenção da Integridade e independência do Paraguai  ,com vistas a manutenção do equilíbrio político no Prata.

No período 1680 –1870 ,o Brasil ,no Rio Grande do Sul ,conseguiu definir e proteger suas fronteiras em obstáculos naturais. Fato  que exigiu da diplomacia portuguesa e depois brasileira imperial e republicana  atuação e negociação permanentes e com muita freqüência luta armada, conforme abordado.

Não conseguiu a diplomacia  colonial e depois  a imperial brasileira superar o gigantesco antagonismo geopolítico do Prata representado por uma convergência para Buenos Aires de sua influência sobre as bacias dos formadores do rios da Prata ,os rios Uruguai, Paraná e Paraguai que penetram fundo no território brasileiro.

Para o General Meira Mattos , o Marechal Mário Travassos, ”preocupou-se , na época com a tirania da geratriz da bacia do Prata ,mais extensa no Brasil ,carreando para Buenos Aires todo o comercio da enorme bacia. Teve então a visão geopolítica antecipada,da solução política inspirada na Geografia , traduzida hoje pelos corredores de exportação: Rio Grande – Uruguaiana. Paranaguá-Asunção e Santos Santa Cruz de La Sierra.”

Antagonismo geopolítico superado por períodos intermitentes de 1680-1777, durante quase 100 anos em que Colônia do Sacramento pertenceu a Portugal e de 1821-20, por cerca de 7 anos quando o Uruguai integrou o Brasil como sua província Cisplatina.

Hoje esta influência de Buenos Aires sobre áreas brasileiras banhadas pelos afluentes citados, vem sendo compensadas com a malha ferroviária e corredores de exportação terminando nos portos de Porto Alegre e Rio Grande, no caso do Rio Grande do Sul. Soluções estas sugeridas como já mencionado pelo Marechal Mário Travassos como capitão e pioneiro em estudos geopolíticos entre nós, ao qual se atribui a localização da Academia Militar das Agulhas Negras em Resende, atendendo a critérios de Geopolítica. Estabelecimento militar do qual viria a ser o seu primeiro comandante em 1944 e o único no posto de coronel . Hoje ele é patrono da Delegacia da Academia de História Militar Terrestre do Brasil em Campinas –SP

 

Bibliografia

 A seguir apresentamos ao leitor e pesquisador interessado, algumas fontes de interesse da História da Geopolítica do Brasil no Prata e de sua projeção no Rio Grande do Sul menos algumas já citadas no texto .

 1.        BACKHEUSER, Everaldo.   Curso  de  Geopolítica  Geral  e  do  Brasil.  Rio de   Janeiro: BIBLIEX, 1982.

 2.        BENTO, Cláudio Moreira. A Guerra da Restauração do RGS. Rio de Janeiro: BIBLIEX,1996.

 3.        (____)  História  da 3ª RM 1808-1889 e  antecedentes. Porto  Alegre:  3ª  RM (SENAI), 1994.

 4.        (____)  Caminhos  históricos estratégicos de penetração e povoamento do Vale do Alto e Médio Paraíba 1565-1822.Resende:AHIMTB,1998. Usa a cronologia que informa o que se passava no Brasil em determinado momento, integrando atividades econômicas .Foi publicado na RIHGB também).

 5.        (____)  Real  Feitoria do Linho Cânhamo do Rincão do Canguçu. Canguçu: Prefeitura, 1982.

 6.        (____)  Apresentação  in: NEVES, Ilka. Canguçu – RS primitivos moradores primeiros  batismos  1800-1813.  Pelotas:  Ed.  Universitária/UFPEL,  1998 .   (Registra o fluxo migratório para a área e origem dos migrantes).

7.        (____)   Como  estudar  e  pesquisar  a   História   do  Exército   Brasileiro.  Brasília: EME/EGGGF, 2000.

 8.        (____) Brasil Conflitos externos  1500-1945. (  site  www.resenet.com.br/users/ahimtb).

 9.        CÉSAR,  Guilhermino.  História  do  Rio  Grande do Sul – Período Colonial. Porto Alegre: Liv. Globo,1970..

 10.   CIDADE, Francisco  de Paula.  Notas de Geografia Militar sul-americanas. Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1940(Curso ministrado na ECEME).

11.   (____) Lutas ao sul do Brasil com espanhóis e seus descendentes. Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1946.

12.   FORTES,   João  Borges.  O  povoamento  do  Rio  Grande  do  Sul.  Rio  de Janeiro, 1931.

 13.   MATTOS,  Carlos  de  Meira. A Geopolítica e as projeções do Poder. Rio de Janeiro, 1950 (Prefácio de Luiz Vianna Filho).

 14.   (____) Brasil – Geopolítica e destino. Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1975.

 15.   MONTEIRO, Jonathas do Rego.  A Colônia do Sacramento 1680-1777. Porto Alegre: Liv. Globo, 1937 2v.

 16.   SILVA,  Golbery  do  Couto e. Geopolítica do Brasil. Rio de Janeiro: Ed. José Olympio, 1976.

 17.   (____) Planejamento estratégico. Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1955.

 18.   SILVA,  João  Ribeiro.   A  Geopolítica  e   a   Geoestratégia  dos   descobrimentos portugueses(Nota oferecida pelo autor a AHIMTB).

 19.   RODRIGUES,  Lysias.  Geopolítica  do Brasil. Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1951.   ( Prefaciada por Everaldo Backheuser. )

 20.   SOARES,  Teixeira.  História  da  formação das Fronteiras do Brasil. Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1975.

 21.   TRAVASSOS, Mário.  Projeção  Continental  do Brasil. Rio de Janeiro, 1931 (prefácio de Pandiá Calógeras).

 22.   (____)  Introdução  à Política de Comunicações brasileiras. Rio de Janeiro, 1941(Prefácio de Gilberto Freire).

 Obras sobre cidades brasileiras situadas na Fronteira  do Brasil no Rio Grande do Sul com o Uruguai que ajudam a comprovar o resultado da projeção Geopolítica de Portugal e depois do Brasil no Rio Grande do Sul.

1.      Santa Vitória do Palmar

 a)     AZAMBUJA,  Péricles.  História  das  terras  e mares do Chuí. Caxias do Sul: UCS, 1978(Prefácio de Cláudio Moreira Bento).

 b)     BENTO,  Cláudio  Moreira.  Santa Vitória do Palmar na História Militar. Revista Militar Brasileira, v. 105, 1974 jul/dez.

 c)      AMARAL, Anselmo. Campos Neutrais. Porto Alegre: Of Grafisilk,1973

2.      Jaguarão

 a)     FRANCO,  Sérgio  da  Costa. Origem de Jaguarão 1790-1833. Caxias do Sul: UCS, 1980.

 3.      Herval do Sul

 a)     MEDEIROS,  Manoel da Costa. História do Herval. Caxias do Sul: UCS, 1980.

 4.      Bagé

 a)     SALIS, Eurico Jacinto. História de Bagé. Porto Alegre: Liv. Globo, 1955.

 b)     TABORDA, Tarcísio da  Costa.  Bagé de sempre. Bagé: FUNBA, 1981.

 c)      BENTO, Cláudio Moreira Bento .Retrospecto da História Militar de Bagé 1680-1921. in:História da 3a Bda C Mec –Brigada Patricio Correia da Câmara  Porto Alegre: Pallotti,2002

 5.      D. Pedrito

 a)     BENTO,  Cláudio  Moreira.  Contribuição à História de D. Pedrito. D. Pedrito:  Prefeitura,   2001  (Org.  por  Adilson  Nunes  Ferreira ,aborda origens e a Paz   de D. Pedrito em 1845).

 6.      Santana do Livramento

 a)       CAGGIANI, Ivo.   Sant’ana  do Livramento. Sant’ana do Livramento:  ASPES/Museu Folha Popular, 1984 3v.

 7.      Alegrete e Quaraí

 a)     TRINDADE,  Miguel  Jacques.  Alegrete  do  século XVII ao século XX. Porto Alegre: Ed. Pallotti, 1972 2v.

 8.      Uruguaiana

 a)     PONT, Raul. Campos Realengos. Porto Alegre: EDIGAL, 1983  2v.

b)  F0NTTES,Carlos .Uruguaiana. aqui te canto. Porto Alegre: Evangraf,2.000

 Outros municípios diretamente a retaguarda dos citados  da Fronteira:

9.      São Gabriel

 a)     FIGUEIREDO,  Osório  Santana.  História  de  São Gabriel.  Santa Maria:  Ed. Pallotti, 1993.

b) SILVA, Aristóteles Vaz de Carvalho e .São Gabriel na História. s/l:CITAL 1963

 10. Caçapava do Sul

 a)     CASSOL, Arnaldo.  Caçapava capital farroupilha. Porto Alegre: Martim Livreiro,  1986 (parceria com Nicolau Abrão).

b)     ABRÃO,  Nicolau.  História  de Caçapava. Porto Alegre: Martim Livreiro, 1990.

 11. Lavras do Sul

 a)     TEIXEIRA,  Edilberto.  Lavras  do  Sul  na  batéia  do  tempo.  Lavras  do Sul: Prefeitura, 1992.

 12. Piratini

 a)     ALMEIDA, Davi. Roteiro histórico e sentimental de Piratini. Piratini

 b)     BENTO,  Cláudio  Moreira.  Piratini  um  sagrado  símbolo farrapo. Resende: AHIMTB/IHTRGS, 2001.

 13. Canguçu

 a)     BENTO, Cláudio Moreira.  Canguçu reencontro com a História. Porto Alegre: IEV, 1983.

 b)     (____). Canguçu 200 anos. Resende: Graf. Patronato, 2000.

 c)      (____).Real Feitoria do Linho cânhamo do Rincão do Canguçu  1783-89 -- (Localização em Canguçu Velho) :  São Lourenço do Sul :        Prefeitura  Municipal ,1892

 d)     ACADEMIA  CANGUÇUENSE  DE  HISTÓRIA.  Revista  Canguçu  200 anos.

 Resende: Graf. Patronato, 2000 (organizado por Cláudio Moreira Bento).

 14. Pelotas

 a)     OSÓRIO, Fernando  Luiz..  Cidade de Pelotas. Porto Alegre: Ed. Globo, 1962.

 b)     (____) Sangue e alma do Rio Grande. Porto Alegre: Liv. Globo, 1997.

 c)      MOREIRA. Angelo Pires .Pelotas na tarca do tempo. Pelotas .1990.3v.

 d)     NASCIMENTO, Heloisa Assumpção. Nossa cidade era assim .Pelotas :Graf UFPEL,1999.3v.

e) BENTO ,Formação de Pelotas- síntese .Diário Popular, Pelotas 21 maio 1971.

 15. Rio Grande (Antiga sede da Fronteira do Rio Grande)

 a)     NEVES,  Décio  Vignoli.  Vultos do Rio Grande.  Santa  Maria:  Pallotti,  1980.

b)     FORTES. João Borges. Rio Grande de São Pedro (.Rio de Janeiro:  1941)            

 16. Rio Pardo (Antiga sede da Fronteira do Rio Pardo)

 a)     ANTUNES,  Deoclécio  de Paranhos. História do Rio Pardo. Porto Alegre: Liv. Globo, 1933.

Leia a Parte 1/2

 


Última alteração em 07-03-2006 @ 10:44 pm

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