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O Guararapes Ano 2003 abr a jun No 37 (1 de 2)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-03-2006 @ 10:56 pm
 

 

ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DAS ATIVIDADES DA

 ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL

CGC 10.149.526/0001-09 Ano 2003 Mes: abr/jun n o37

ANO DO BICENTENARIO DO DUQUE DE CAXIAS

PATRONO DA ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL

SUMÁRIO

A ATUÇÃO DO BARÃO DE CAXIAS NA CONTROVÉRSIA  DA SURPRESA DE CANABARRO EM PORONGOS EM 14 NOV 1844 p.1

A SIGNFICAÇÃO HISTÓRICA DO DUQUE DE CAXIAS p.7

PALAVRAS FINAIS NA SESSÃO SOLENE DA AHIMTB NA AMAN EM 29 DE ABRIL DE  2003 p. 11

PALAVRAS DO VICE PRESIDENTE DA AHIMTB AO PASSAR  DIREÇÃO DA FUNDAÇÃO OSÓRIO p.14

NOTÍCIAS DE MEMBROS  DA AHIMTB p.16

DIVERSOS p.22

CAXIAS NA CONTROVÉRSIA DA SURPRESA DE PORONGOS

Em 29 de março de 2003, às 12.30,  no programa da RBS , A Ferro e fogo, em Porto Alegre ,sobre a Revolução Farroupilha, o antropólogo da Pontifícia Universidade Católica, e homem da gloriosa raça negra, Sr Iosvaldir Carvalho Bittencourt, ressuscitou a controvérsia que parecia haver transitado em julgado na História, de que a surpresa do Exército Farrapo em  Porongos, em 14 nov 1844, no atual município de Pinheiro Machado, foi o resultado de uma traição de Canabarro e alguns de seus oficias à causa farroupilha, em combinação com o Barão de Caxias e Chico Pedro. Ressurreição   apoiada em falso ofício (ou forjicado)   que teria  sido dirigida pelo Barão de Caxias ao Tenente Coronel GN Francisco Pedro de Abreu, ( Chico Pedro)comandante da Ala Esquerda de seu Exército, baseada em Canguçu, desde agosto de 1843.Perguntando ao Sr. Iosvaldir o amparo de  sua afirmação, à grande e atenta audiência do programa A Ferro e fogo, informou haver buscado apoio no escritor Mário Maestri em sua obra, O Escravo Gaúcho Resistência e Trabalho. Porto Alegre: Ed. da UFRGS,1993, que aborda o ofício para nós forjicado, bem como  para vários historiadores gaúchos, como Alfredo Varela, em sua História da Grande Revolução. Porto Alegre: Ed. Globo, 1933 p. 255-259; Othelo Rosa, ao biografar Canabarro na RIHGRGS, 3 trim. 1934, p.248; O Major João Baptista  Pereira na RIHGRGS, 1 e 2 trim, 1928 p. 34-47; Alfredo Ferreira Rodrigues, em Canabarro e a surpresa de Porongos no Almanaque Literário e Estatístico do RGS 1899. p. 215-272; Assis Brasil, em História da República Rio Grandense,1887; Walter Spalding, em Canabarro mestre de brasilidade.RIHGB,v.197,1947,p.3/62;Hentique Oscar Wiedersphan em Convênio de Ponche Verde .Porto Alegre EST/SULINA/Universidade de Caxias do Sul,1980,p.67/79, em que fez um retrospecto sobre o problema Porongos e, mais Continua na página 2

Continuação de O GUARARAPES   n o 37   ano 2003    abr/jun.página 2

Ivo Leites Caggiani em David Canabarro de tenente a general. Porto Alegre: Martim Livreiro,1993, além dos não gaúchos como o Dr Eugênio Vilhena de Moraes, o grande biógrafo de Caxias, Pedro Calmon  e o General Augusto Tasso Fragoso, em A Revolução Farroupilha .Rio de Janeiro:BIBLIEx,1939.p.271 e, mais nós, em O Exército farrapo e os seus chefes. Rio de Janeiro: BIBLIEx,1992,p.127/136, bem como em O Negro e seus descendentes na Sociedade do Rio Grande do Sul. Porto Alegre:IEL,1975 e  Estrangeiros e descendentes na História Militar do Rio Grande do Sul. Porto Alegre:IEL,1975.Os os dois últimos  premiados em 1 o e 2 o lugares, em Concurso Nacional sobre o Biênio da Imigração e da Colonização do Rio Grande do Sul,  sendo O Negros e descendentes ... prefaciado pelo deputado federal Carlos Santos, ilustre descendente da raça negra, como o foram o Coronel José Mariano de Matos e o é o Dr Alceu Colares que governaram interina ou efetivamente, caso do último, os destinos do povo gaúcho. José Mariano de Matos, que na Constituinte, em Alegrete, apresentou um projeto de Abolição da Escravatura na República Rio Grandense.

       O ofício forjicado sobre Porongos, acusando de traição Canabarro e outros valorosos chefes  que com ele estavam em Porongos, foi arquitetado por Chico Pedro depois da surpresa de Porongos e levado a efeito por um major seu subordinado que o forjou e falsificou a assinatura de Caxias. Falso ofício que foi  por Chico Pedro mostrado a um radical farroupilha e este mordeu a isca ao acreditar na sua veracidade, e em seguida fazendo algumas cópias do mesmo, e as enviando,  entre outros a Bento Gonçalves e a Domingos José de Almeida, ao que hoje se sabe. Ofício que não teve efeito sobre a surpresa de Porongos, pois foi forjicado depois dela, como uma ação diríamos hoje, de Guerra Psicológica, para abalar a liderança de Canabarro no seio do Exército Farrapo, por ser considerado o único capaz de prolongar o a Revolução, o que Chico Pedro conseguiu em parte. E isto o demonstraram Felix Ajambuja Rangel, comandado de Chico Pedro e o seu cunhado Manuel Patrício de Azambuja, em depoimentos, repetimos, publicados na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, 1 o e 2 o trimestre,1928.

Mas, em 1937, o riopardense, Major Deoclécio de Paranhos Antunes,  recebeu do Cel Jonathas Rego Monteiro, o fundador do atual Arquivo Histórico do Exército, em 1934, a missão  de copiar os Ofícios de Caxias que se encontravam no arquivo do Museu Júlio de Castilho, na Seção Histórica, sobre a responsabilidade do Dr. Eduardo Duarte.

Ofícios copiados e publicados na série Primeira Exposição Geral do Exército, na administração  do Ministro da Guerra General Canrobert Pereira da Costa, e sob o título:

Ofícios do Barão de Caxias 1842-1845. Rio de Janeiro: Imprensa Militar, 1950.

 O Major Deoclécio  representava o Instituto de Geografia Militar do Brasil (IGHMB), na Comissão de três membros que  organizou a citada Primeira Exposição Geral do Exército. E na  página 148, ao final do ofício forjicado escreveu:

“Nota Importante do Copiador: Este oficio deve ser criteriosamente analisado. Há quem tenha dúvidas a respeito de sua autenticidade. No livro 171 do Museu do Estado, ele esta deslocado. Isto é, foi copiado na última página do mesmo p. 249, enquanto o oficio que trata da parte de combate dos Porongos esta na página 201. O oficio a que se refere Caxias, de 28  de outubro, contendo o mesmo assunto, não foi possível descobrir. Este oficio talvez elucidasse o assunto. Vide o que diz a propósito Alfredo Ferreira Rodrigues no Almanaque do Rio Grande do Sul de 1901. A defesa de Alfredo Ferreira Rodrigues de Canabarro me parece fraca. Julgo o documento legítimo, pois Francisco Pedro não teria nenhuma conveniência  em divulgar um documento que lhe tiraria todas as honras de uma estrondosa vitoria, como foi julgada a surpresa de Porongos.”                                                      Continua na página 3

Continuação de O GUARARAPES   n o 37   ano 2003    abr/jun.página 3

Julgo apressada e imprudente esta conclusão de autenticidade e fidedignidade do documento e da inconveniência de Chico Pedro em não divulga-lo, pois isto não aconteceu em  realidade e a divulgou bastante,  como o arquiteto  de sua forjicação, como se verá, com apoio em  depoimento, seguir  de Felix de Azambuja Rangel, segundo Wiedrsphan no citado Convênio de Ponche Verde, p.71.

" Após a surpresa de Porongos, perto da Quinta do Bibiano estando Chico Pedro acampado no Pequeri, disse ao seu Major de Brigada João Machado de Moraes - És capaz de imitar a firma de Caxias! Respondeu-lhe: A letra é boa e talvez eu possa imitar ! Pois vamos fazer uma intriga contra Canabarro. Pois  este homem é o único que pode ainda sustentar a Revolução, portanto vamos fingir um ofício de Caxias para min, dizendo que no dia tal ataque de Porongos, mais ou menos, vá atacar Canabarro e derrotá-lo, visto haver entre ele, Barão de Caxias e oficiais de Canabarro um convênio. Esta intriga foi devido a dizerem os republicanos que Canabarro era um traidor. E assim este distinto general republicano passou a traidor, o que é uma grande ofensa ao seu ilibado caráter e imorredoura memória".

O citado Felix Azambuja Rangel mencionou que Chico Pedro encontrando-se com Caxias em Piratini, mostrou o citado oficio que ditou em Pequeri, no que Caxias aprovou e mandou tirar pelo seu Secretário a cópia que assinou, entregando-a de novo a Francisco Pedro. E, este, ao passar pela casa de Manoel Rodrigues Barbosa, mostrou tal oficio. Este republicano extremado, exaltou-se, chamou Canabarro de traidor e pediu a Chico Pedro para deixar-lhe o ofício afim de copiá-lo. Logo que se retirou Francisco Pedro, Manoel mandou fazer diversas cópias e remeteu uma delas a Bento Gonçalves..."

Manuel Patrício de Azambuja, cunhado de Felix Azambuja Rangel, informou que "ouviu Chico Pedro ( seu parente próximo ), seu comandante, dizer:  Produziu bom efeito a bomba que lancei no meio dos farrapos...

E na Quinta do Bibiano eu soube da trama, por Chico Pedro, do falso oficio e imitação da assinatura de Caxias... Em caminho, Felix Rangel expôs-me reservadamente parte do que fica dito e mais tarde me disse o próprio Barão de Jacuí, o Chico Pedro"

E prossegue "É que Canabarro  era único chefe republicano que realmente tinha verdadeiro prestígio para manter por mais algum tempo a luta, por isso bem compreenderam Caxias e Chico Pedro inutiliza-lo, indispondo-o com os outros generais e seu Exército, o que conseguiram com artificioso plano.” ( WIEDRSPHAN, Convênio de Ponche Verde p. 72/73). Chico Pedro, chefe militar notável e que admiro como soldado, omitiu este fato em suas Memórias publicadas na RIHGRGS,1921. Qual seria o motivo? 

Sobre a assinatura por Caxias do forjicado oficio  em Piratini, o historiador local, David de Almeida negou que Caxias tenha lá estado, quando a isto fiz uma referência.

Admitido que a carta foi forjicada por Chico Pedro e assinada depois de Porongos por Caxias, ela não teve interferência nos resultados de Porongos e nas conseqüências para a Infantaria constituída  de soldados  negros, segundo o que Mário Maestri abordou em seu citado livro e no que se apoiou o antropólogo da PUC Sr Iosvaldir para afirmar que Canabarro e Caxias combinaram a surpresa de Porongos, para matar os soldados negros da Infantaria.

Mário Maestri deu crédito ao ofício forjicado e conferiu a Caxias, em seu comentário, uma atitude racista, que não encontra amparo na vida e obra  do maior do nossos generais, ao acreditar que Caxias tenha ordenado, “poupe sangue brasileiro quanto puder, particularmente da gente branca da província  ou índios”. Assim ficava claro  que deveria matar os negros da Infantaria. “E prossegue Mário Maestri “E os corpos dos 100 guerreiros negros farrapos, não deixavam dúvida da identidade que unia chefes imperiais e farroupilhas no medo e no ódio aos seus trabalhadores negros.”                                                                Continua na página 4

Continuação de O GUARARAPES   n o 37   ano 2003    abr/jun.página 4

A propósito de Mário Maestri recordo que escreveu no DO Leitura (12/141 fev 1993,p.10) do Diário Oficial de São Paulo que nosso livro O Negro e descendentes na Sociedade do Rio Grande do Sul e o do professor Fernando Henrique Cardoso eram os mais completos e os mais sérios sobre o negro no Rio Grande do Sul. E que nós não havíamos subordinado nossa obra a nenhuma linha ideológica e, sim, resgatado documentalmente, pela primeira vez, a presença do negro no processo histórico gaúcho. E neste trabalho  levantamos, exaltamos, glorificamos e trouxemos  a público a existência dos Lanceiros negros farrapos que  figuraram com justo destaque  na minisérie A Casa das sete mulheres. Assunto sobre o qual abastecemos, a seu pedido, o correto e ético ator Douglas Simon que representou bem o personagem Cel Joaquim Teixeira Nunes, a maior lança farrapa, no dizer do General Tasso Fragoso e que comandou os bravos lanceiros negros que Caxias, pioneiro abolicionista, os incorporou, como livres,  com a paz de Ponche Verde, à Cavalaria do Exército no Rio Grande do Sul . Lanceiros negros que , em justo tributo as suas memórias, que me orgulho de haver despertado nos gaúchos e brasileiros, foram exaltados tardia, mas  de forma comovente com o seu líder Teixeira Nunes, por terem salvado a Republica Rio Grandense de total falência em Porongos, conforme tratamos em o citado,  O Negro e seus descendentes ...sob o titulo Os Lanceiros Negros que salvaram a Revolução Farroupilha em Porongos( p.172/173).

   Lanceiros Negros que também estudamos na 3a parte de nosso citado, Estrangeiros e descendentes na História Militar do RGS . Talvez se o antropólogo Sr Iosvaldir tivesse lido estes livros não teria feito as colocações caluniosas sobre o Duque de Caxias, dando a idéia aos gaúchos de se tratar de um racista .Mas o que fazer ? Ele lançou na ventania penas de centenas de sacos, que a semelhança da calúnia, que ele potencializou, jamais poderão ser reunidas. E faço estas colocações por dever de justiça na voz da História ,por Caxias ser o patrono da Academia de História Militar Terrestre do Brasil que presido e também o autor de obra a ser lançada breve, Caxias e a Unidade Nacional, patrocinada por brasileiros membros e amigos desta  Academia e admiradores de Caxias, inclusive um soldado de Portugal.

Ivo Caggiani em David Canabarro de Tenente a General. Porto Alegre Martins  Livreiro - Editor, 1992 escreveu:

"Ainda que estivessem em andamento as negociações de paz, a grande preocupação de Caxias era realmente David Canabarro a quem nunca conseguira vencer " e, completaríamos a que nunca Chico Pedro conseguira surpreender!

E que Caxias escreveu ao Ministro da Guerra Jerônimo Coelho.

"E sem dúvida a primeira vez que Canabarro é surpreendido, o que até agora parecia impossível por sua continua vigilância!”

Deste ofício  forjicado, publicado como autêntico pelo Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, como informou,  o Sr Mário Maestri ,existiram  cópias que circularam entre os farrapos e produziram seus efeitos de Guerra Psicológica, sendo uma encontrada por Alfredo Varela  na documentação de Domingos José de Almeida e outra com os filhos de Bento Gonçalves. Hoje face a este contraditório ninguém acredita na autenticidade deste ofício  e que Canabarro teria  sido um traidor.

E a própria minisérie,  A Casa das Sete Mulheres, não alimentou nos gaúchos esta convicção expressa na RBS no programa A ferro e fogo, pelo convidado antropólogo Sr Iosvaldir Carvalho Bittencourt, reservista do 18º BI Mtz e que concordou com nossa tese de haver  sido o Barão de Caxias pioneiro abolicionista na Paz de Ponche Verde, em D. Pedrito. Pacificação que a Casa das Sete Mulheres apresentou honrosa, comovente  e com pompa e circunstância. Estavam junto com Canabarro na surpresa de Porongos os generais Antônio

Continua na página 5

Continuação de O GUARARAPES   n o 37   ano 2003    abr/jun.página 5

Neto, João Antônio da Silveira, coronéis Lucas de Oliveira, Felipe Portinho e Teixeira Nunes e o Ministro Vicente da Fontoura dos quais jamais se ouviram desconfianças de lealdade e do valor de Canabarro.

E a Teixeira Nunes e a seus lanceiros negros esta muita a dever a República Rio Grandense, por terem evitado, ao custo de muitas de suas  vidas, numa luta desigual a Republica continuar operando com um exército que em pouco se refez e atingiu cerca de 1000 homens sobre o rio Jaguarão.

Sobre o assunto escrevemos em O Exército Farrapo e os seus chefes

Canabarro ao assumir o Comando- em-  Chefe do Exército da Republica, em agosto de 1843, manteve a sua tropa em movimentação e atividade constantes, através da Guerra de Guerrilha ( A Guerra a gaúcha). Segundo o General Morivalde Calvet  Fagundes em sua História da Revolução Farroupilha p.201.

“Canabarro sustentou por 16 meses a Guerra de Guerrilha. Foi mais de um combate por mês. Caxias o perseguiu por 38 léguas, através  de toda a fronteira sudoeste sem conseguir um encontro com Canabarro, que tentava repetir  a tática vitoriosa contra General João Paulo dos Santos Barreto, em 1841, famoso engenheiro militar.

Em 14 nov 1844 ,Canabarro foi surpreendido em Porongos por Chico Pedro. Esta surpresa foi por longo tempo discutida pelos farrapos. Fomos ou não traídos  em Porongos ?  

Lamentamos que a RBS, em A ferro e fogo, no ano do bicentenário do  Duque de Caxias, tenha propiciado este absurdo de potencializar uma calúnia contra o maior de nossos generais, assim definido por Alfredo de Taunay, a beira de seu túmulo, no sepultamento de Caxias, na qualidade de representante do Exército:

 “Só a maior concisão, unida a maior singeleza e que poderá contar os seus feitos! Não há pompas de linguagem ! Não há arroubos de eloqüência capazes de fazer maior esta individualidade, cujo principal atributo foi a simplicidade na grandeza.”

Capistrano de Abreu, grande historiador do Brasil, assim interpretou os sentimentos do Exército Brasileiro, ao saber que o Duque de Caxias havia dispensado as honras militares:

“O Duque de Caxias dispensou as honras militares! Acho que ele fez muito bem! Pois as armas que ele tantas vezes conduziu à vitória, talvez sentissem vergonha de não terem podido libertá-lo da morte !”

Caxias tem sido grande  vítima da manipulação da História. Manipulações que  abordamos e rebatemos em artigo Caxias vítima da manipulação da História  publicado na Revista do Exército,v.127,out/dez1980; no Letras em Marcha, jul/ago 1993 e na Folha Popular de Santana do Livramento de 25 ao 1990 etc, e o publicaremos ampliado em nosso livro Caxias e a Unidade Nacional, comemorativo  de seu bicentenário pela AHIMTB de que é patrono.

Não sei para onde,  parte expressiva da Mídia quer levar a identidade e perspectiva históricas do povo brasileiro, promovendo monólogos, sem o contraditório, e manipuladores irresponsáveis de mentes, ao invés de promover um Projeto Verdade. Pois   não estão ouvindo os historiadores, como se eles não se existissem e, num desrespeito e invasão ditatorial de suas funções sociais, como os mestres dos mestres, os mestres da vida, a se concluir da expressão hoje incorporada ao popular, “A História e a mestra das mestras, a mestra da vida! História que no Brasil , segundo o historiador gaúcho Luiz Flodoardo da Silva Pinto, vem sendo usada no Brasil como “A Maestra da calúnia e da mentira.” Enfim  é preciso que a Mídia do Brasil atue no sentido de unir e não dividir almas de brasileiros, como Caxias que poderia ser considerado também o Patrono da Unidade Nacional, além de patrono da Anistia, segundo o historiador e jornalista Dr Alexandre Barbosa Lima Sobrinho.             Continua na página 6

Continuação de O GUARARAPES   n o 37   ano 2003    abr/jun.página 6

Aqui o nosso protesto símbolo, como um passarinho que leva exaustivamente água no seu bico tentando apagar um grande  incêndio na escala axiológica(de valores)  brasileira, tarefa para ele impossível, mas consciente de que esta fazendo a sua parte e, na comprida esperança de pobre,  de que os demais façam a sua, ou cumpram o seu dever democrático.

Mas em que pese todo este esforço a calúnia contra Caxias prossegue na seguinte obra editada como editor chefe pelo Sr Elmar Bones Costa ,nome que desconheço na historiografia gaúcha com auxílio de uma equipe na obra História Ilustrada do Rio Grande do Sul( Porto Alegre,1998), projetada e executada põe JÁ Editores, que potencializam enorme calúnia contra Caxias nos subtítulos Madrugada sangrenta a p.141 e no Ponche Verde ,p.143  nas quais reproduziram gravuras da História do Exército Brasileiro , em 3 volumes ,sem mencionar a fonte e inclusive uma colocada a nosso crédito , alegoria nossa sobre uma resistência a todo o custo dos lanceiros negros em Porongos. Obra que manipula a História e cuja credibilidade e dada pelo Governador Antônio Brito que nela figura com seu lema “A gente sabe o que  o que quer ,a gente sabe aonde vai.” Patrocínio  da CEEE, através de seu diretor presidente Dr Pedro Bisch Neto e mais do Secretário de Cultura Dr Carlos Appel e tudo com apoio em Lei Estadual de estímulo a produção cultural. Figuram como consultores Sérgio da Costa Franco e Paulo Xavier que duvido tenham sido consultados sobre a absurdas e covardes calúnias contra Caxias. Esta manipulação histórica teria apoio no lema do Rio Grande na época’” A gente sabe o que quer . A gente sabe aonde vai ? .” Seria algo semelhante ao praticado na Suécia : Ou seja mudar o senso comum dos gaúchos, apagar o seu passado histórico para dele os desligar e só enaltecer realizações socialistas. Ou então, segundo o húngaro Georg Luchas da Escola de Frankfurt, esforço para destruir e confundir  a História Gaúcha e a Cultura Ocidental Cristã. Ou então estariam os promotores desta história manipulada sendo permeados e  manipulados como inocentes úteis , com idéias que lhe foram vendidas por lideres do grancismo, e sem exercerem o seu dever de crítica .Se isto esta acontecendo pobre Rio Grande . Ele vai para o buraco ! Quero crer que os que promoveram esta obra não consultaram os historiadores gaúchos .Invadiram a sua função social .Três obras nossas colocadas na bibliografia, não avalizam os absurdos cometidos nesta História Ilustrada do RGS, obra para enganar gaúchos incautos e feitas por historicidas gaúchos. Fica o registro  para o caso de se desejar evitar o rumo ao buraco das Tradições e História do RGS .Do contrário de nada adiantará. Lição:  cada macaco no seu galho, sem invasão da função social dos outros, o que no caso foi feito com o apoio do Executivo do Rio Grande do Sul, de propósito ou como inocente útil ? A seguir o senso comum sobre Caxias que se procura destruir nos gaúchos inocentes úteis que não exercerem o seu direito de criticar idéias permeadas por lideranças que os manipulam como gadinho de osso( Por C.M Bento).

SIGNIFICAÇÃO HISTÓRICA DO DUQUE DE CAXIAS

Hoje, quando a novela A Casa das sete mulheres, num misto de pouca História e muito fantasia, trouxe a baila em escala nacional e popular a Revolução Farroupilha,  no ano do Bicentenário do Duque de Caxias, o seu pacificador e patrono do Exército Brasileiro e de nossa Academia de História Militar Terrestre do Brasil, em Porto Alegre a RBS, em seu programa A ferro e fogo, em 26 de março, sobre a Revolução Farroupilha, potencializou calúnia histórica  contra Caxias, como envolvido numa falsa trama com os líderes farrapos, visando eliminar os infantes e lanceiros negros farrapos, torna-se oportuno evocar a sua significação histórica em espacial para a AMAN, onde há mais de 70 anos seus cadetes usam como arma privativa, cópia fiel  reduzida, em escala, do invicto sabre de Caxias  de 5 campanhas, e como o próprio símbolo da Honra Militar .Continua na página 7

Continuação de O GUARARAPES   n o 37   ano 2003    abr/jun.página 7

 AMAN que guarda como relíquias a espada de Caxias que lhe foi ofertada pelo povo e a gravura da Imagem da N.S da Conceição, a padroeira do Exército Imperial, em cujos pés ele expirou, em 7 de maio de 1880, em Juparanã, em Valença, o maior de nossos generais, cujo sabre invicto também orna o brasão da Academia de História Militar Terrestre do Brasil. Personagem histórica maior que o Marechal José Pessoa sonhou um dia fosse também o patrono desta Academia cujo ponto final de sua magnífica construção, seria como seu fecho de ouro,  o Panteon de Caxias, onde seria abrigados os seus resto mortais –o que terminou sendo defronte ao Palácio Duque de Caxias no Rio de Janeiro. AMAN que guarda em pedestal de busto de Caxias, o nome dos  soldados de bom comportamento que por sua disposição testamentária  o transportaram ao túmulo, além de quadro a óleo de sua esposa D. Ana(Anica).

         Passemos a interpretar  a vida e obra do Duque de Caxias, cuja origem de seu titulo Caxias adveio de povoado de Portugal, no distrito de Lisboa, conselho e freguesia de Oeiras, situado na costa norte da foz de Lisboa, ao pé de uma elevação onde há uma torre que serve de guia aos navegantes que demandam a entrada do rio Tejo. Foi residência real e tem uma estação na linha férrea Lisboa/Cascaes .E dela teria vindo para o Maranhão como nome da cidade de Caxias que deu origem ao titulo do maior dos nossos generais, que foi consagrado o patrono do Exército Brasileiro, em 13 mar 1962  e desde 25 ago. de 1924, a data de seu aniversario, foi consagrada o  Dia o Soldado do  Exército que o forjou e de cujo seio ele emergiu como um dos maiores brasileiros de todos os tempos. Prestou ao Brasil mais de 60 anos de excepcionais e relevantes serviços como político e administrador público de contingência e, inegualados, como soldado de vocação e, de tradição familiar, a serviço da Unidade, da Paz Social, da Integridade e da Soberania do Brasil.4

Ainda em vida e até nossos dias ,o Povo, a Imprensa , estadistas, chefes militares notáveis, pensadores, escritores e historiadores militares e civis o tem definido como: :Filho Querido da Vitória; O Pacificador; General Invicto; Contestável, Escora, Esteio e Espada do Império do Brasil; Duque de Ferro e da Vitória; Nume e Espírito Tutelar do Brasil; Símbolo da Nacionalidade; o Maior Soldado do Brasil; o maior dos generais sul-americanos; Alma Militar do Brasil e Herói tranqüilo e perfeito etc.

Sua obra monumental de Pacificador de 4 lutas internas , e mais as suas modelares manobras de flanco de Humaitá e Piquiciri na Guerra do Paraguai o credenciam a figurar, sem favor nenhum, na galeria dos maiores capitães da História Militar Terrestre Mundial.

Sua eleição inconteste para patrono do Exército o foi no sentido como a definiu Pedro Calmon:4

”Como o chefe integral do Exército, o seu modelo, a sua alma, a imagem maravilhosa do espírito que nele deve vibrar, e a síntese mágica das virtudes  e brios de que ele deve estar embuído .“

E também ,como uma espécie de oráculo, para consultas em momentos graves, para autocríticas e correções de rumos, ou na busca da solução mais adequada em determinadas conjunturas complexas .

E sua  elevação ao patronato do Exército se deveu fundamentalmente a haver vencido 6 campanhas militares( 4 internas e 2 externas),além de haver dirigido o Exército de forma marcante e muito fecunda, como Ministro da Guerra, em 3 oportunidades (1855/58,l861/62 e l875/78), cumulativamente  com a Chefia do Governo do Brasil, na condição de Presidente do Conselho de Ministros .Caxias foi o 1 o Porta Bandeira do Pavilhão Nacional, tão logo proclamada a Independência, em solene cerimônia , em 10 nov  1822, na Capela Imperial, quando a recebeu das mãos do próprio Imperador. E ninguém mais do que ele glorificaria  a bandeira do Império que ele ali recebia.

Continua na página 8

Continuação de O GUARARAPES   n o 37   ano  2003    abr/jun. página 8

Possuía grande orgulho nativista por haver sido veterano da Guerra da Independência na Bahia, como integrante do Batalhão do Imperador, merecendo condecoração alusiva de ouro que sempre ostentou com grande carinho e orgulho.

Profissional militar de altíssimo gabarito, sempre sonhou com o Exército Brasileiro possuir uma Doutrina Militar genuína. Sonho que expressou ,em 1862, ao baixar Ordenanças do Exército  Imperial do Brasil, calcada em adaptações das Ordenanças de Portugal, às realidades operacionais do Brasil que vivenciara, em 5 campanhas militares, em que lhe coube comandar e conduzir à vitória  o Exército Brasileiro e com a ressalva: ”até que o nosso Exército possua uma Tática(Doutrina) genuinamente nossa”, Mais um pioneirismo seu !

Como Ministro da Guerra entre suas muitas grandes realizações: A Escola Militar da Praia Vermelha, a reforma do QG do Exército ,em local hoje onde se situa o Panteon com sua estátua eqüestre que abriga em seu interior os seus restos mortais e os de sua esposa e ,a introdução da função de Ajudante Geral do Exército, substituída mais tarde pelo  Estado - Maior do Exército, além de outras marcantes, como o primeiro Regulamento Disciplinar do Exército 1875.

Como cidadão sua culminância foi pacificar a Família Brasileira em Ponche Verde e ali consagrar-se pioneiro abolicionista, ao assegurar, a despeito de fortíssimas pressões de escravocratas, Liberdade  para os lanceiros negros farrapos, os incorporando ao Exército, como livres ,na Cavalaria Ligeira do Rio Grande .Na Revolução Farroupilha que por quase 10 anos assolou o Rio Grande do Sul, segundo Pedro Calmon :

“O barão de Caxias venceu sobretudo por convencer, pois a verdadeira vitória não consiste em sufocar ou subjugar o adversário, pois é antes uma tarefa de persuasão, de conquista de corações para que se atinja o ideal vencedor. E Caxias sobrepôs a olhos fratricidas ,a dignidade da paz justa, cobrindo as forças em luta com o véu iluminado da concórdia e da pacificação. Pois ali reuniu ao gênio de guerreiro consumado, a generosidade clemente e aliciadora .”

Ao pedido de um áulico de que se festejasse a vitória com um Te Deum na igreja São Sebastião em Bagé, optou  por uma missa em “sufrágio das almas dos mortos imperiais e republicanos que haviam tombado em defesa de suas verdades”, entre os quais encontrava-se seu tio general João Manuel de Lima e Silva que fora consagrado pelos farrapos como o seu primeiro general.

A grandeza desta tolerância  a serviço da preservação da Unidade da Família Nacional, fez com os gaúchos o consagrassem como o seu presidente e a seguir como seu senador vitalício em 1845.

Como líder de batalha, o seu grande feito estratégico foi a modelar Manobra de Flanco da posição fortificada de Piquiciri, através do Chaco, onde correu Risco Calculado, ao sacrificar o Princípio de Guerra da Segurança, em benefício do da Surpresa que ele obteve a nível estratégico, ao desembarcar, de surpresa, na retaguarda profunda do adversário em Santo Antônio, abreviando em muito a duração do conflito e poupando assim recursos de toda a ordem e vidas humanas de irmãos brasileiros, argentinos ,uruguaios e paraguaios ,envolvidos no maior conflito até hoje ocorrido na América do Sul e o primeiro com características de Guerra Total entre nações.

Como líder de combate seu maior momento foi na conquista da ponte de Itororó . Ao perceber que o seu Exército poderia ali ser detido, desembainhou sua invencível espada de 5 campanhas, brandiu-a ao vento, e voltou-se decidido e convincente para seus liderados e apelou com energia com o brado -”Sigam-me os que forem brasileiros !”Ato continuo 

                                                                                 Continua na página 9 

Continuação de O GUARARAPES   n o 37   ano 2003    abr/jun.página 9

lançou-se sobre a ponte de Itororó com o seu cavalo de guerra, indiferente ao perigo e arrastando atras de si todo o Exército detido, para, em seguida, colher expressiva vitória tática que removeu obstáculo que quase colocou em perigo toda a sua brilhante manobra estratégica através do Chaco. Sua derradeira ação pacificadora foi a de pacificar a Questão Religiosa, ou Epíscopo  - Maçônica, defendendo e obtendo êxito na assinatura pelo Imperador de decreto de  n o 5093, de 17 set 1875 de Anistia assim expressa:

“Artigo Único .Ficam anistiados os bispos ,governadores e outros eclesiásticos das dioceses de Olinda e Pará que se acham envolvidos no conflito suscitado em conseqüência de interditos postos a algumas irmandades das referidas dioceses ,e em perpétuo silêncio os processos que por este motivo tenham sido instaurados.”

Caxias nasceu em 25 ago. 1803 no local do atual Parque Histórico Duque de Caxias do município de Duque de Caxias - RJ , que recebeu o nome de seu título por ele ali haver nascido. Faleceu  em 7 mai. 1880, aos 77 anos, na Fazenda de Santa Mônica ,em Juparanã - Valença - RJ, a vista do rio Paraíba do Sul e onde se recolhera e passara os dois últimos anos de sua vida, viúvo e aos cuidados de sua filha mais velha a baronesa de Santa Mônica.

Segundo sua vontade expressa em testamento, foi transportado ao túmulo no Rio de Janeiro, por soldados de bom comportamento, cujos nomes foram imortalizados em pedestal de seu busto em passadiço do Conjunto Principal antigo da AMAN, próximo da Sala dos Professores onde nela existe o retrato a óleo de D.Ana (Anica)  Luiza  - Duquesa de Caxias, sua esposa ,com quem viveu 41 anos de 1833-74, de feliz e modelar casamento e que se constituiu no grande amor e inspiração do maior cabo de guerra brasileiro, segundo seu biógrafo Dr Vilhena de Moraes.

Falou junto a sua sepultura interpretando os sentimentos do Exército Brasileiro, o já consagrado escritor e historiador Major de Engenheiros Alfredo de Taunay  que assim concluiu a sua antológica oração:

“Só a maior concisão, unida a maior singeleza e que poderá contar os seus feitos! Não há pompas de linguagem !Não há arroubos de eloqüência capazes de fazer maior esta individualidade, cujo principal atributo foi a simplicidade na grandeza.”

Caxias depois da Guerra do Paraguai., segundo o Mal Odylio  Denys, encontrou-se com o Major  .Alfredo de Taunay  na esquina da rua do Ouvidor com a l o de março e assim lhe falou:

“- Que falta o senhor me fez na guerra ! Se o tivesse ao meu lado quanta coisa teria tido ocasião de escrever!”

Capistrano de Abreu, grande historiador do Brasil , assim interpretou os sentimentos do Exército Brasileiro ao saber que o Duque de Caxias havia dispensado as honras militares:

“O Duque de Caxias dispensou as honras militares! Acho que ele fez muito bem! Pois as armas que ele tantas vezes conduziu à vitória ,talvez sentissem vergonha de não terem podido libertá-lo da morte !”

O Duque de Caxias sublimou as Virtudes Militares de Coragem, Abnegação, Honra Militar , Devotamento  e Bravura.

O Exército manifestou-se oficialmente em Ordem do Dia alusiva ao seu falecimento concluindo suas considerações elogiosas com esta afirmação:

“Se houve quem prestasse serviços excepcionais ao Brasil foi o Duque de Caxias. Se houve quem menos os fizesse valer ,foi o Duque de Caxias!”

Desde 1931 os cadetes do Exército portam como arma privativa o Espadim de Caxias, cópia fiel em escala do glorioso e invicto sabre de campanha de Caxias. Continua página 10

Continuação de O GUARARAPES   n o 37   ano 2003    abr/jun.página 10

Em 1o mar l996, há 7 anos  fundamos em Resende - RJ ,A Cidade dos Cadetes - a Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB) que elegeu o Duque de Caxias como o seu patrono e o seu invicto sabre como símbolo em seu brasão, por ser a mais representativa espada do Brasil. Academia de História Militar Terrestre do Brasil que com a presente sessão abre em seu âmbito as comemorações do bicentenário do Duque de Caxias, que será marcada pelo lançamento breve de livro por ela editado Caxias e a Unidade Nacional patrocinado por subscrição popular de membros e amigos da nossa Academia de História e admiradores de Caxias e como conclusão de um projeto iniciado ai na AMAN, em 1980, quando ela sediou a cerimônia nacional oficial evocativa da centenário da morte do Duque de Caxias presidida pelo Presidente da República General João Figueiredo .Evento  documentada pela Revista Agulhas Negras 1980.AMAN  29 de abril de 2003.

PALAVRAS FINAIS DO PRESIDENTE DA AHIMTB NA AMAN  EM 29  DE ABRIL  DE 2003 NO ANO DO BICENTANÁRIO DE CAXIAS

Hoje, decorridos  7 anos de fundada em Resende, A Cidade dos Cadetes, a Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB) realizou mais uma   sessão nesta Academia Militar das Agulhas Negras.

Sessão  memorável onde nossa Academia deu início, em seu âmbito, às comemorações do bicentenário de seu patrono, O Duque de Caxias, cuja memória esta tão intimamente ligada e este estabelecimento de ensino como foi evocado .Sessão onde a AHIMTB fez um retrospecto do que já realizou desde que fundada e procedeu a posse, como seu 3 o  Presidente de Honra, do comandante desta Casa ,o Exmo Sr Gen Bda Claudimar Magalhães Nunes e, como acadêmico, na cadeira n o 1 General Adailton Pirasssinunga,  do Cel Prof Ney Paulo Pannizzutti.

Vale lembrar que são patronos de cadeiras em nossa Academia de História os seguintes oficiais ligados a AMAN: Marechais João Baptista Mascarenhas de Morais e José Pessoa seus ex comandantes; os generais Moacir Lopes de Resende, o 1 o historiador da AMAN e  Paulo Queiroz Duarte , o 1o comandante do Curso de Infantaria aqui em Resende; Pedro Cordolino de Azevedo professor de História Militar por mais de 25 anos, e Adailton Pirassinunga , cujo perfil foi hoje aqui evocado .E como acadêmicos ligados ao Magistério da AMAN os falecidos coronéis  Cecil Wall Barbosa de Carvalho e Geraldo Levasseur França. E atualmente os professores coronéis Alceu Paiva, Antônio Carlos Esteves e a partir de agora o Coronel Ney Paulo Panizzutti. Como se vê é uma ligação muita estreita com a AMAN, valendo recordar que o 4o presidente de Honra da nossa Academia é o Coronel professor Antônio Esteves, o fundador e presidente da Associação Educacional D. Bosco que introduziu em Resende o ensino superior civil há cerca de 40 anos e mais que o primeiro comandante da AMAN , o Marechal Mário Travassos, grande geopolíticos brasileiro é o patrono de nossa Delegacia em Campinas -SP

Em 7 anos nossa Academia difundiu  um conjunto precioso de conhecimentos em  todo o Exército  com o objetivo de reforçar no seu público alvo   a consciência da identidade e perspectiva históricas nacionais, procurando   demostrar a validade desta sentença, colhida na Associação de Oficiais da Polícia Militar de São Paulo:

                                       “Construir é fazer História. Só resiste ao tempo a construção que tenha substância e valor. Mais do que apenas construir com cimento, ferro e blocos , é preciso construir com alma, para que o tempo  se encarregue de confirmar a obra, para que ela supere o tempo.”

E nesta sessão nos 7 anos de resistência cultural da Academia de História Militar Terrestre do Brasil foi  aqui sintetizado  o que tem ela tem realizado, efetivamente, para ajudar o Exército a conquistar seu Objetivo Atual n o 1 Continua na página 11  

 Continuação de O GUARARAPES   n o 37   ano 2003    abr/jun. página 11

                        Pesquisar, preservar, cultuar e divulgar a memória histórica, as tradições e os valores morais, culturais e históricos do Exército.

Objetivo providencial e oportuno quando  bem entendido, prestigiado e implementado, com vistas a  neutralizar  no seio do Exército a estratégia comunista denominada Grancismo, que aos poucos e sutilmente envolve e confunde a Sociedade Brasileira .

E hoje nossa Academia tem a consciência de haver avançado muito neste particular o que o comprovam  seus arquivos; os trabalhos de seus  membros espalhados por todo o Brasil, e  inclusive no Timor Leste, Estados Unidos e Portugal e a divulgação de seus trabalhos em seu site , no  Militar e em Resende ,em Caserna ,no Portal Agulhas Negras etc.

E   tudo isto nos  dá hoje uma sensação de vitória ao lembramos que a História Cultural do Exército já registrou a criação do Instituto Histórico Duque de Caxias que não ultrapassou a sua sessão de criação e desapareceu..

Caso a nossa AHIMTB tivesse hoje que encerrar suas atividades por falta de apoio financeiro, vontade cultural de seus membros e apoio moral dos integrantes das  instituições em cujo proveito julga que trabalha, deixaria um precioso acervo documental e bibliográfico sobre suas realizações e em especial na Internet .

Acervo onde se destacam a documentação de posses; coleção  de seu Informativo O Guararapes;  valioso arquivo biográfico;  a História do Exército na Região Sul já com 8 volumes editados e 2 encaminhados e,  os compêndios de Lutas Internas e Externas para a ECEME e mais o de História Militar Terrestre da Amazônia pronto para ser editado .E grande parte de seu acervo em CDs E, a serem lançados, breve, trabalhos sobre Caxias, a Batalha do Passo do Rosário e a participação das Forças Armadas e da Marinha Mercante do Brasil na 2a Guerra Mundial. etc.

Mas instituições como nossa Academia de despesas certas e rendas incertas se assemelham a um aniversário de crianças cheios de balões em seu início e que aos pouco vão estourando ou murchando Ë comum a falta de recursos , a incompreensão de parte de companheiros , que a despeito de diretriz do Exército sobre o assunto, entendem  não ser o trabalho da Academia de importância e assim  não a prestigiam e até não a visitam,  parecendo considerarem  a nossa História Militar como um casaco velho sem serventia e para ser jogado no lixo. Ou que ao se olhar para traz, para o passado ,  corre-se o perigo de  acontecer como em Sodoma e Gomorra, o  virar-se estátua de sal 

Outros  por não terem percebido a relevância da História Militar Crítica quando estudantes e a confundido  com a História Militar Descritiva que não os levava a lugar nenhum e que foi assim definida por Frederico o Grande, ao assistir uma péssima aula de um professor de História Militar de seu filho:

 Então falou indignado:

                              “ Não ensine História Militar a meu filho como se ensina a um papagaio, fazendo ele decorar datas, nomes e trechos .Faça meu filho raciocinar e tirar conclusões e lições do que lhe ensina. “

Este é o espirito do ensino da História Militar Crítica que foi introduzido na AMAN  na década de 60 e continuado com vigor pelos que o sucederam onde nos incluímos

Por oportuno  vale lembrar aos presentes, o que colhi  no Museu da República.

Ser o passado comparável a  uma enorme planície onde correm dois rios .Um reto e de margens bem definidas que é o rio da História .Esta fruto da razão e da análise isenta da fontes históricas autênticas ,fidedignas e integras, à luz de fundamentos de crítica escolhidos.

O outro é um é cheio de curvas e meandros e de margens indefinidas e por vezes com perigosos alagamentos. Este. é o rio do Mito.

Continua na página 12

Continuação de O GUARARAPES   n o 37   ano 2003    abr/jun. página 12

E  este fruto das paixões humanas, das fantasias , da ignorância , das manipulações, das deformações ,dos preconceitos e da injustiça etc .

 Hoje o Brasil acabou de assistir a novela A Casa das sete mulheres onde foram linchados moralmente  dois grandes soldados brasileiros, os generais Bento Manoel Ribeiro e David Canabarro aos quais o Brasil muito esta a dever a preservação de sua Integridade, Soberania e Unidade no Rio Grande do Sul .

Imagens manipuladas destes  dois heróis que abordamos em  O Exército  farrapo e seus chefes  editado em 1992 pala Biblioteca do Exército .Sobre isto me escreveu um historiador e tradicionalista santanense terra de Canabarro. Velocino Silveira:

“Prezado amigo Presidente .Os detratores da História e os ante heróis sempre viverão minisculamente. As adaptações para TV não dá para comentar. O importante e tocar a boa tropa e os bois cornetas que fiquem para traz.”

A História Militar Terrestre do Brasil , tem sido tradicionalmente no mundo ,uma atividade nobre para soldados inativos e uma maneira de continuarem a contribuir para o progresso da instituição com a experiência que adquiriram . E neste objetivo vem se aplicando a nossa Academia num toque de reunir  soldados inativos e ativos e civis interessados em delegacias espalhadas pelo Brasil.

Dentre os objetivos  que a Academia persegue registre-se o de resgatar, preservar e divulgar as obras de historiadores militares terrestres e com elas, expressivamente, a História Militar Terrestre do Brasil, indiscutivelmente o Laboratório da Tática , da Logística e da Estratégia terrestres brasileiras

Aqui vale lembrar o Marechal Ferdinand Foch que saiu da cadeira de História Militar da Escola Superior de Guerra para comandar a vitória aliada  na 1a Guerra Mundial e sob cujo comando lutaram 24 oficias de nosso Exército e inclusive o então Ten de Cavalaria José Pessoa, patrono da Delegacia de Brasília e futuro idealizador da AMAN, o qual  como seu comandante, dinamizou o ensino de História Militar e introduziu o de Geografia Militar, como a Geografia do Soldado, a serviço do maior esclarecimento nos mais diversos escalões do fator da decisão militar - 0 TERRENO .Falou o marechal Foch:

“Para alimentar o cérebro (entenda-se Comando ) de um Exército na paz, para melhor prepará-lo para a indesejável eventualidade de uma guerra ,não existe livro mais fecundo em lições e meditações do que o livro História Militar.

Leia a Parte 2/2

 


Última alteração em 07-03-2006 @ 11:06 pm

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