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O Guararapes Ano 2003 jul a set No 38 (1 de 2)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-03-2006 @ 11:10 pm
 

 

ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DAS ATIVIDADES DA

ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL

CGC 10.149.526/0001-09 Ano 2003 Mes: jul/set n o38

ANO DO BICENTENARIO DO DUQUE DE CAXIAS

PATRONO DA ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL

SUMÁRIO

BICENTENÁRIO DE CAXIAS NO IME, PELA AHIMTB, EM 26 JUNHO 2003

- Posse como acadêmico do Gen Ex Gleuber Vieira

- Oração de recepção pelo acadêmico Gen Div Paulo Cezar de Castro p.2

- Oração do acadêmico Gen Gleuber Viera de elogio ao Cel Bento

, elevado a acadêmico emérito e ao seu patrono de cadeira nº 22 Mal José Pesso

- Posse como Vice Presidente de Honra do Chefe do DEP

- Oração de recepção pelo acadêmico e Delegado da Delegacia Marechal José

Batista de Mattos, Gen Div Rubens Silveira Brochado do 2 o Vice Presidente de Honra Gen Ex Sérgio Ernesto Alves Conforto p.6

- Participação da Academia no evento

- Exaltação de Caxias pelo Presidente da AHIMTB

Cel Claudio M.Bento.

- Palavras finais do Cel Bento Presidente da AHIMTB p.9

- Síntese histórica da AHIMTB p.13

Obs: Em razão de servidão imposta para a sessão não ultrapassar 58 minutos por ter a autoridade que determinou a redução de atender compromisso em sua agenda a Síntese Histórica e as Palavras Finais não puderam ser lidas o que agora se compensa .

A sessão contou com o prestígio das presenças do Gen Ex Manoel Luiz Valdevez Castro, comandante do CML, dos Generais de Divisão Luiz Cesário da Silveira Filho,( cmt da 1a RM) ,Edival Ponciano de Carvalho (acadêmico), Gen Álvaro (FUNCEB), Daut, Belham(, vice presidente da FHE-POUPEX), generais de Brigada Lúcio Mário de Barros Góes, (comandante da ECEME,) Mauro P. Wolf (cm da 5º Ba C BID), Sérgio Retumba Carneiro Monteiro,( Diretor da DFA) , Juarez Genial,( DPEP/ FSJ e Luiz Carlos Gomes Mattos, (Cmt 3ª Bda Inf Pqd) e Milton Braz Paduani e da reserva, generais acadêmicos Hélio Ibiapina Lima e Domingos Ventura Pinto Junior, conforme registros no Livro de Presenças.

Enviaram cartões desejando êxito ao evento os generais de Exército Alberto Mendes Cardoso, Cláudio Barbosa Figueiredo, Jorge Armando Felix, Domingos Carlos Campos Curado, Enzo Martins Peri e o Gen Div Antônio Gabriel Esper (DAC).E presença da senhoras General Gleuber e General Brochado que representaram a AHIMTB na entrega de insígnias acadêmicas aos Generais Gleuber e Conforto

LANCAMENTOS DE LIVROS PELA AHIMTB NO BICENTENÄRIO DE CAXIAS p.15

DIVERSOS p.16 Continua na página 2

Continuação de O GUARARAPES, Duque de Caxias200 anos, n o 38, jul/set 2003 página 2

RECEPÇÃO COMO ACADÊMICO DO GEN EX GLEUBEI VIEIRA

Pelo Acadêmico Gen Div Paulo Cezar de Castro

“Quanta custa ser Caxias!”. Sob este título, foi publicada, em 2001, a ordem- do- dia de 25 de agosto, concluída com sábia mensagem ao afirmar que “Para ser Caxias é necessário, realmente, amar a Pátria brasileira, estar moralmente amparado, corajosamente disposto e fraternalmente envolvido com o próximo e com a sociedade. Porque é preciso zelar e manter, com honradez e dignidade, em sua esfera de atribuições, a ordem, a segurança e a paz – obrigação de todos. Soldado do meu Exército, você é Caxias. Orgulhe-se de sê-lo”.

Eis a mensagem então transmitida pelo Comandante do Exército, o General Gleuber Vieira, a quem a Academia de História Militar Terrestre do Brasil acolhe com júbilo, em razão das lições que a todos nós transmitiu, a partir da meditação e do estudo acurado dos fatos e dos vultos que construíram a grandeza da Força. Como líder do Exército, estudioso e consciente do insubstituível valor da História Militar, soube recuperar para seus comandados, com absoluta atualidade e clareza, ensinamentos e exemplos que, ainda hoje, os emulam a perseverar, a vencer desafios e a marchar de cabeça erguida, no cumprimento do dever.

Em 2002, ainda discorrendo sobre Luiz Alves de Lima e Silva, a palavra do General Gleuber nos ensina que :

“A verdadeira estatura desse herói da Pátria é representada por sua dimensão moral. Admirado pela nobreza da alma e valor incorruptível do caráter, o cidadão e o estadista ignorou, com altivez e dignidade, as investidas de invejosos e detratores. Resistiu às lisonjas. Fugiu aos aplausos. Foi simples. Foi um grande homem”.

Em antológicas ordens- do- dia , o acadêmico que ora é recepcionado pela Academia de História Militar Terrestre do Brasil sempre orientou seus comandados, com lucidez cristalina, a partir de ponderada visão da História, como, por exemplo, ao afirmar, a propósito do trigésimo oitavo aniversário do Movimento Cívico- Militar de 31 de março de 1964, que”

“A história não se apaga nem se reescreve”, concluindo que “(De sua) análise, verifica-se que ele surgiu e se afirmou na defesa do regime democrático, em comunhão com os anseios da gente brasileira”.

No ano anterior, já havia lembrado a todos que “(A Revolução de 1964) nos passa a silente mensagem de que, a qualquer tempo, atentos e preparados, estaremos prontos para a defesa da democracia”.

O General- de- Exército Gleuber Vieira, carioca de 1933, praça de 1949, na saudosa Escola Preparatória de São Paulo, foi declarado aspirante- a- oficial da Arma de Artilharia em 1954, tendo sido premiado com o diploma de Menção Honrosa, por ter se destacado no curso de História Militar. Foi instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras,

Continuação de O GUARARAPES, Duque de Caxias200 anos, n o 38 jul/set 2003, página 3 do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro e da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Serviu em unidades de elite de sua arma, realizou o Curso Avançado de Artilharia, nos Estados Unidos da América, e bacharelou-se em Ciências Políticas e Econômicas. Comandou o Grupo Montese e conquistou, pelo critério de merecimento, suas sucessivas promoções aos postos de oficial superior. Como oficial- general, comandou a Artilharia Divisionária da 3ª Divisão de Exército e a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais; foi Subchefe do Estado- Maior do Exército, Diretor de Formação e Aperfeiçoamento, Chefe do Gabinete do Ministro do Exército, do Departamento de Ensino e Pesquisa e do Estado- Maior do Exército. O General Gleuber foi o último dos ministros do Exército e o primeiro dos comandantes de nossa Força.

Ao assumir a chefia do Departamento de Ensino e Pesquisa, criou e liderou amplo, profundo e eficaz processo de modernização do ensino na Força, processo este que deitou raízes em solo fértil, tornou-se irreversível e cujo curso tem se revelado dinamizador da preparação de soldados para o Exército do mundo do conhecimento. Dos projetos e programas que orientou, aprovou, corrigiu e estimulou, sobressaem como de interesse para a nossa Academia de História Militar Terrestre do Brasil , o Programa de Leitura, o Projeto Biblioteca e o Projeto História Militar, todos em andamento nas escolas do Exército. Por meio do Programa de Leitura, oficiais e praças são orientados ao estudo de textos profissionais, com ênfase em obras de História Militar; pelo Projeto Biblioteca, o acervo de nossas escolas tem recebido atenção profissional, passou a ser cuidado com especial esmero, tem crescido e incorporado publicações de inegável valor para os estudos militares de nossos quadros; a terceira daquelas iniciativas, específica para a História Militar, permitiu reconhecer o valor dos ensinamentos da disciplina, reformular seus conteúdos programáticos e dar-lhe tratamento interdisciplinar, com evidentes frutos para o aprimoramento cultural e profissional de nossa gente. Os inúmeros Clubes de História, definitivamente incorporados ao quotidiano de nossos docentes e alunos, são produto marcante do processo que acabo de destacar.

Ministro e comandante, o General adotou iniciativas concretas em prol da valorização da História Militar. Retornou a Diretoria de Assuntos Culturais ao âmbito do Departamento de Ensino e Pesquisa, provisionou- lhe com recursos de vulto a fim de mantê-la em franca atividade, notadamente quanto à Biblioteca do Exército, o que permitiu a publicação, em 2001, da “História Oral do Exército na Segunda Guerra Mundial”. Para que este ambicioso trabalho tomasse corpo, apôs sua assinatura na Portaria nº 583, de 26 de outubro de 1999, pela qual criou o projeto em apreço, o qual “permitirá a formação de precioso acervo, aberto à consulta, ao estudo e à pesquisa, bem como passa a constituir um dos módulos iniciais de um amplo Projeto de História Oral do Exército, inserido no Programa de História Militar, a ser desenvolvido pela Diretoria de Assuntos Culturais”, como bem registrou o General Motta, seu coordenador geral, na apresentação da obra.

Da ação do General, resultaram, também, a criação da Fundação Cultural Exército Brasileiro, voltada para as atividades desenvolvidas pela Instituição nesse campo de valor afetivo, e que tem facilitado a recuperação e a preservação de seu rico patrimônio artístico e cultural. São exemplos marcantes de sua gestão a restauração do Monumento Nacional aos Continuação de O GUARARAPES, Duque de Caxias200 anos, n o 38 jul/set 2003 página 4

Mortos da Segunda Guerra Mundial e a continuação do projeto Museu Militar Conde de Linhares, que estimula a criação de um centro cultural no seu entorno geográfico.

Por tudo o que foi resumidamente exposto, apraz-me, Senhor General, em nome da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, apresentar efusivos votos de boas-vindas ao novo acadêmico e de cumprimentos à nossa Academia de História Militar Terrestre do Brasil que cresce com o concurso de sua reconhecida inteligência e de suas experiências profissional e cultural incontestes. Foi uma honra saúda-lo.

Seja muito bem-vindo, General Gleuber Vieira! A cadeira Marechal José Pessoa lhe pertence de direito e por justiça!

ORAÇÃO DE POSSE NA ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL DO ACADÊMICO GEN EX GLEUBER VIEIRA 26 JUN 2003

Nada mais justo que esta reunião se desenvolva em uma casa de saber, o nosso IME. Não importa se aqui tratamos hoje o exato das ciências ou o seu intangível. Importante porque o conhecimento evocado e desenvolvido pelo AHMTB é tão decisivo e definitivo para a essência profissional de um exército quanto a engenharia militar.

Identifico e exalto na História Militar os pilares básicos para a formação do caráter e capacitação profissional na caserna, e, bem assim, para a pura elaboração doutrinária.

Reconheço sua relevância na busca das raízes da Instituição, na identificação de suas fontes de riqueza espiritual e profissional, nos exemplos dos chefes, na interpretação e crítica inteligente e objetiva dos fatos históricos, na busca de ensinamentos nos campos da tática e da estratégia.

Em síntese, buscando no passado a interpretação do presente e prospectando as iniciativas do futuro.

Respeitoso e respeitador da HM, se dela não me fiz pesquisador e amante de todos os minutos, nela me louvei em incontáveis momentos de minha carreira. E, por valorizá-la, procurei em todas as oportunidades estimular seu estudo, incentivar sua pesquisa, apoiar as iniciativas resultantes, encaminhar o aperfeiçoamento de metodologias, buscando, enfim, seu emprego atraente e útil.

Só por isso, entendo, posso merecer a distinção que hoje me concedem, ocupar a cadeira que tem como patrono o insigne Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. Pois que, em contribuição objetiva em trabalhos ligados à HM, não ouso ombrear com os pares, dignos membros da AHMTB. Vejo mais como singela homenagem ao velho soldado que, nos desvãos do destino, alcançou a cúpula da Instituição Exército Brasileiro, este sim, o grande homenageado neste evento.

Se outras razões não houvessem para alegrar-me com este encontro, que, mais que registrar minha posse como acadêmico titular e atestar o sucesso da iniciativa do Cel Bento ao fundar a AHMTB, jovem de sete bem vividos e profícuos anos, estariam outras duas, sobremodo importantes.

A primeira delas me conduz à obra, de toda uma vida, do Cel Bento, não apenas no âmbito desta Academia que hoje preside, mas pelo que realizou ao longo de brilhante trajetória como profissional de engenharia militar e, dando expansão à singular vocação, como pesquisador e historiador militar.

Estudante aplicado e exemplar representante da Arma de Vilagran Cabrita, cedo demonstrou seu pendor para o trato inteligente dos fatos históricos que constróem a existência de nosso EB.

Continuação de O GUARARAPES, Duque de Caxias200 anos, n o 38 jul/set 2003 ,página 5

Para reforçar sua natural aptidão, buscou o constante aperfeiçoamento através de cursos que privilegiaram seu conhecimento em áreas como arquivo, organização e métodos, pesquisa e interpretação da história em seus diferentes níveis.

Inúmeros cargos que ocupou e funções que desempenhou no âmbito de FT ofereceram largo campo para efetiva e bem-vinda produção de trabalhos que vieram enriquecer estudos de estado-maior, bibliotecas, arquivos militares e civis, transcrições em anais de órgãos públicos e privados, além de subsidiar incontáveis e inteligentes participações em reuniões, seminários e painéis.

O reconhecimento lhe chegou pela aceitação de sua presença em inúmeras instituições culturais ligadas à história e à geografia, Brasil afora. Chegou igualmente pelos diversos prêmios nacionais e estrangeiros que lhe foram merecidamente outorgados e condecorações recebidas.

Vejo, ainda hoje, o escritor e pesquisador prolífico, o entusiasmado historiador responsável maior pela criação desta Academia, bem nascida e orientada para elevados propósitos.

Outra razão que me sensibiliza sobremodo e me obriga a respeitosa retrospectiva, é o fato de sentar-me à cadeira que tem como patrono essa insigne e gigantesca figura do Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.

O sertão da Paraíba viu nascer o menino José, sexto entre nove filhos de Cândido Clementino e D. Maria Cavalcanti de Albuquerque, em 12 de setembro de 1885.

Os estudos na capital do Estado o colocaram sob a influência benéfica de cultos mestres que marcaram sua formação e o estimularam na busca do saber. O fascínio pelo conhecimento e a inquietude de José logo o conduziram a expandir seu universo de vida, buscando na Capital Federal o horizonte de Ordem e Progresso proclamado na bandeira da novel República.

Aprovado em exame de suficiência, ingressou na Escola Preparatória e Prática de Realengo, que começou a cursar em 1903. Ali começou a temperar seu espírito para a caserna e a experimentar o ambiente dos desafios dos dias difíceis das conturbações políticas de 1903 e 1904. O conseqüente fechamento da Escola Militar da Praia Vermelha levou o aluno José Pessoa à capital gaúcha, onde concluiu seus estudos básicos de formação militar.

Nesses anos de vida escolar conviveu com o desconforto e a insuficiência de métodos de instituições obsoletas e, certamente, sentiu as primeiras percepções da importância da formação dos quadros de oficiais da Instituição e do quanto havia por realizar.

Nesse período, teria esboçado os referenciais que o orientariam futuramente na celebrada tarefa que se impôs, de privilegiar a preparação do caráter e da personalidade do oficial do Exército.

Chegando à tropa, o alferes de Infantaria José Pessoa sentiu o influxo positivo das reformas internas então promovidas pelo Marechal Hermes da Fonseca, estimulando a elevação do nível de operacionalidade. Nada melhor para um início de carreira.

Viveu, jovem, a ebulição profissional promovida pelos “jovens turcos” e pela “Missão Indígena”. Do mesmo modo conviveu na caserna com os conflitos entre os “teóricos bacharéis” e os “práticos tarimbeiros”.

Ainda alferes, em 1911 e 1912, pôde provar a coragem pessoal e a aptidão para a chefia na luta pelo restabelecimento da ordem e pacificação do nordeste sertanejo.

Aproximou-se de Olavo Bilac, com outros tenentes de seu tempo, no apoio à campanha pelo serviço militar obrigatório. Em 1916, como instrutor militar na Faculdade de Direito de São Paulo, foi um paladino das idéias de Bilac, que exercitou, com todo ardor cívico, junto a homens como ele próprio. Continua na página 6

Continuação de O GUARARAPES, Duque de Caxias200 anos, n o 38 jul/set 2003 página 6

Em 1916, freqüentava estágio na Academia Militar de Saint Cyr na França, sob a forte influência militar tradicionalista francesa.

Embora o Brasil não participasse diretamente das operações na 1ª GG, o Governo autorizou a participação de oficiais que se encontravam na Europa junto às forças aliadas nas quais estagiavam.

Em tais circunstâncias, o tenente José Pessoa teve seu batismo de fogo em campanha externa como Cmt do 1º Pelotão do 1º Esquadrão do 503º Regimento de Cavalaria do Exército Francês.

Mais que a oportunidade de participar de operações em tão exigente teatro- de- operações, adquiriu a experiência de emprego de um novo engenho – o carro- de– combate – que revolucionaria os referenciais doutrinários da tática. No comando daquele pelotão, ficou impressionado e marcado pelos soldados turcos sob seu comando, combatentes determinados, rústicos e agressivos. Auferiu subsídios e firmou conceitos sobre a importância da efetiva liderança em combate.

Louvado por sua atuação e condecorado pelo governo francês por atos de bravura e coragem, foi evacuado quase ao final da guerra, acometido que fora por grave doença. Foi quando, baixado em hospital francês, apaixonou-se pela enfermeira inglesa D. Blanche Mary Edward, com quem viria a se casar e formar a família que se enriqueceu com três filhos, duas meninas e um menino.

Após integrar modernas unidades do Exército Francês, regressou ao Brasil retemperado e atualizado no que havia de mais moderno em táticas e procedimentos de combate terrestres. Tornou-se pioneiro da introdução do carro -de- combate no Exército Brasileiro, sendo autor, ainda como capitão de obra que foi paradigma no ensino do emprego da nova máquina de guerra, “Os Tanques na Guerra Européia”, editado em 1921.

Sua fértil trajetória profissional teve curso no desempenho de inúmeros e importantes cargos. Foi Embaixador Plenipotenciário do Governo Brasileiro em Missão Especial no Paraguai e adido militar na Inglaterra.

Teve sempre a movê-lo a força espiritual do idealismo e a exata percepção do momento histórico vivido. Via contritamente à sua frente o que muitos consideravam utopia. Sua vasta e polimórfica cultura lhe permitia uma visão de futuro que não era adequadamente percebida pela maioria de seus contemporâneos. Já naqueles anos, com larga percepção geopolítica, preocupava-se com a recuperação do semi-árido nordestino, a interligação terrestre com a Amazônia, a navegação no rio S. Francisco e a colonização do planalto central. Na época, poucos foram capazes de entender sua avançada e inovadora concepção a respeito da formação de oficiais do EB.

Entre 1930 e seu falecimento em 1959, atuou direta ou indiretamente, como protagonista ou coadjuvante, em incontáveis iniciativas em proveito daquele sistema. Sua maior e sempre lembrada obra definiu-se em dois momentos. O primeiro, quando coronel e logo general, no processo de revalorização do sistema de ensino de formação, na Escola Militar, entre 1931 e 1934, realizando ampla reforma material, estrutural e espiritual na própria Escola Militar do Realengo. O segundo, o passo gigantesco, audacioso e definitivo, a transferência e construção da nova escola militar no município de Resende, berço bem forjado de nossa Academia Militar das Agulhas Negras, obra que marcou em definitivo o lugar de destaque que o Mar José Pessoa ocupa no panteão dos vultos célebres de nosso exército.

Nas felizes palavras do então Ten. Cel Hirtam de Freitas Câmara, que produziu importante obra sobre a vida do chefe militar que agora evoco, o Mar José Pessoa inseriu no sistema de ensino de formação de nossos oficiais o que se pode chamar de ”forma ideológica de formação de novos oficiais à imagem de Caxias”.

Continua na página 7

Continuação de O GUARARAPES, Duque de Caxias200 anos, n o 38 jul/set 2003 página 6

O EB lhe deve essa iniciativa de inestimável valor e alcance. Nossos jovens oficiais carregam consigo a força de seu ideal.

Reverencio, pois, o ilustre líder militar, Mar José Pessoa, cuja memória há de iluminar minha presença e meus atos na qualidade de acadêmico titular, honrado em ocupar a cadeira da qual é o inspirador patrono.

Cumprimento o Presidente e os Presidentes de Honra da AHMTB, seus acadêmicos, delegados e colaboradores, agradecendo honrado a distinção de me concederem espaço em seu seio. Sou particularmente grato às generosas referências contidas na amável saudação proferida pelo Gen Castro. Agradeço a presença dos estimados convidados, que saúdo com apreço. Deixo, por fim, a minha palavra de comprometimento com os propósitos desta Academia, com fé e esperança em seus nobres destinos.

ORAÇÃO DE RECEPÇÃO AO 2 o VICE-PRESIDENTE DE HONRA DA AHIMTB GEN EX SÉRGIO ERNESTO ALVES CONFORTO, CHEFE DO DEP

Pelo Acadêmico Gen Div Rubens Silveira Brochado,

Em nome Da Academia de História Militar Terrestre do Brasil.

Coube-me a honra de, em nome da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, proferir a oração de recepção ao Exmo. Sr. Gen Ex Sérgio Ernesto Alves Conforto, no momento em que Sua Excelência é por ela acolhido.

Neste 26 de junho de 2003, o Gen Conforto assume o cargo de ‘2 o Vice-Presidente de Honra da Academia de História Militar Terrestre do Brasil o que configura motivo de júbilo para o seu Colégio Acadêmico.

Como de tradição acadêmica , devo, inicialmente, discorrer sobre a biografia do Gen Conforto. Num esforço de síntese procurarei alcançar este intento.

Sua Excelência nasceu no Rio de Janeiro, em 3 de setembro de 1940. Foi aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro, de 1953 a 1959.

Em dezembro de 1962, na Academia Militar das Agulhas Negras, foi declarado Aspirante- a- Oficial da Arma de Artilharia, iniciando uma trajetória caracterizada pelo compromisso profissional e pela indiscutível competência.

Realizou o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais em 1973 e de Comando e Estado- Maior nos anos de 1976 a 1978. Foi o primeiro oficial brasileiro a cursar a Escola de Superior de Guerra do Exército dos Estados Unidos, nos anos de 1986 e 1987.

Em sua brilhante carreira, a dedicação às lides do ensino militar constitui forte marca. Foi instrutor do Colégio Militar do Rio de Janeiro, da Escola de Comunicações, por duas vezes, e da Escola de Comando e Estado- Maior do Exército, por três vezes, nela totalizando nove anos. Na ECEME, fez parte da equipe que estruturou o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, tendo desempenhado as funções de coordenador e diretor do curso, por mais de três anos. Comandou a Escola de Instrução Especializada em 1989 e 199 Ainda no tocante ao ensino militar, como oficial- general , foi Diretor de Formação e Aperfeiçoamento de 1998 a 2000 e neste ano assumiu a Chefia do Departamento de Ensino e Pesquisa. O Gen Conforto, entre outras condecorações, possui as Ordens do Mérito Militar, Naval, Aeronáutico, das Forças Armadas e Judiciário Militar.

Gen Conforto, em nome do Colégio Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, peço a Vossa Excelência que se digne a acolher nossos votos de boas vindas.

O apreço que Vossa Excelência tem pela História Militar faz com que este momento se revista de alegria para um grupo de idealistas que entrega-se febrilmente à preservação e à

Continuação de O GUARARAPES, Duque de Caxias200 anos, n o 38 jul/set 2003 página 7

difusão de memória das Forças Terrestres do Brasil e, em particular, do nosso Exército e em apoio a diretriz do Exército relacionada com sua História, Tradições e Valores .

A inserção de Vossa Excelência enriquece os trabalhos deste obstinado grupo.

Esta, Gen Conforto, é, ainda, oportunidade de manifestarmos nosso apreço à sua distinta família, que também é acolhida no seio da Academia. Seja bem- vindo.! Que Deus o proteja e o ilumine.

SIGNIFICAÇÃO HISTÓRICA DO DUQUE DE CAXIAS - O PATRONO DA ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL (AHIMTB)

Pelo acadêmico emérito Cel Cláudio Moreira Bento ,Presidente da AHIMTB

Hoje, quando a novela A Casa das sete mulheres, num misto de pouca História e muita fantasia, trouxe a baila em escala nacional e popular a Revolução Farroupilha, no ano do Bicentenário do Duque de Caxias o seu pacificador e patrono do Exército Brasileiro e de nossa Academia de História Militar Terrestre do Brasil . Ano também em que em Porto Alegre a RBS, em seu programa A ferro e fogo, em 26 de março, sobre a Revolução Farroupilha, potencializou calúnia histórica contra Caxias, como envolvido numa falsa trama com os líderes farrapos, visando eliminar os infantes e lanceiros negros farrapos, torna-se oportuno evocar a sua significação histórica aqui no Rio de Janeiro onde ele nasceu e viveu a maior parte de sua vida e faleceu

Mas hoje o Duque de Caxias tem sido alvo alternado, ora de silêncios ora de deformações de sua real imagem ,ou de contaminantes indiferenças em locais e instituições que por vezes se limitam a cultuar sua imagem de maneira mecânica, sem aprofundarem, captarem e explorarem o real sentido e as preciosas lições de sua vida e obra. E tudo em contraposição, aos conceitos que até poucos anos atrás dele emitiam ,o Povo, a Imprensa , estadistas, chefes militares notáveis, pensadores, escritores e historiadores militares e civis que o definiam como:

Filho Querido da Vitória; O Pacificador; General Invicto; Condestável, Escora, Esteio e Espada do Império do Brasil; Duque de Ferro e da Vitória; Nume e Espírito Tutelar do Brasil; Símbolo da Nacionalidade; o Maior Soldado do Brasil; o maior dos generais sul-americanos; Alma Militar do Brasil e Herói tranqüilo e perfeito etc.

Sua obra monumental de Pacificador de 4 lutas internas , e mais as suas modelares manobras de flanco de Humaitá e Piquiciri na Guerra do Paraguai o credenciam a figurar, sem favor nenhum, na galeria dos maiores capitães da História Militar Terrestre Mundial. Sua eleição inconteste para patrono do Exército o foi no sentido como a definiu Pedro Calmon:

”Como o chefe integral do Exército, o seu modelo, a sua alma, a imagem maravilhosa do espírito que nele deve vibrar, e a síntese mágica das virtudes e brios de que ele deve estar embuido .“

E sua elevação ao patronato do Exército se deveu fundamentalmente a haver vencido 6 campanhas militares( 4 internas e 2 externas),além de haver dirigido o Exército de forma marcante e muito fecunda, como Ministro da Guerra, em 3 oportunidades (1855/58,l861/62 e l875/78), cumulativamente com a Chefia do Governo do Brasil, na condição de Presidente do Conselho de Ministros .

Caxias foi o 1 o Porta Bandeira do Pavilhão Nacional, tão logo proclamada a Independência, em solene cerimônia , em 10 nov 1822, na Capela Imperial, quando a recebeu das mãos do próprio Imperador. E ninguém mais do que ele glorificaria a bandeira do Império que ele ali recebia. Profissional militar de altíssimo gabarito, sempre sonhou com o Exército Brasileiro possuir uma Doutrina Militar genuína. Sonho que expressou ,em 1862, ao baixar Ordenanças do Exército Imperial do Brasil, calcada em adaptações das

Continua na página 8

Continuação de O GUARARAPES, Duque de Caxias200 anos, n o 38 jul/set 2003, página 8

Ordenanças de Portugal, às realidades operacionais do Brasil que ele vivenciara, em 5 campanhas militares, em que lhe coube comandar e conduzir à vitória o Exército Brasileiro e com a ressalva: ”até que o nosso Exército possua uma Tática(Doutrina) genuinamente nossa”, Mais um pioneirismo seu !

Como Ministro da Guerra entre suas muitas grandes realizações: A Escola Militar da Praia Vermelha, no local onde hoje se acha a praia entre a ECEME e o IME e que formou as gerações de oficiais que fizeram a guerra do Paraguai , como o bravo General Tibúrcio que hoje da o nome a esta praça .E a reforma do QG do Exército ,em local hoje onde se situa o Panteon com sua estátua eqüestre que abriga em seu interior os seus restos mortais e os de sua esposa, além de outras marcantes, como o primeiro Regulamento Disciplinar do Exército em 1875.

Como cidadão, sua culminância foi pacificar a Família Brasileira em Ponche Verde, em D.Pedrito atual em 1 o mar 1845 e onde se consagrou pioneiro abolicionista, ao assegurar, a despeito de fortíssimas pressões de escravocratas, a Liberdade para os lanceiros negros farrapos, os incorporando ao Exército, como livres ,na Cavalaria Ligeira do Rio Grande.

Na Revolução Farroupilha que por quase 10 anos assolou o Rio Grande do Sul, segundo Pedro Calmon :

“O Barão de Caxias venceu sobretudo por convencer, pois a verdadeira vitória não consiste em sufocar ou subjugar o adversário, pois é antes uma tarefa de persuasão, de conquista de corações para que se atinja o ideal vencedor. E Caxias sobrepôs a olhos fratricidas ,a dignidade da paz justa, cobrindo as forças em luta com o véu iluminado da concórdia e da pacificação. Pois ali reuniu ao gênio de guerreiro consumado, a generosidade clemente e aliciadora .”

Ao pedido de um áulico de que se festejasse a vitória com um Te Deum na igreja São Sebastião em Bagé, optou por uma missa em “sufrágio das almas dos mortos imperiais e republicanos que haviam tombado em defesa de suas verdades”, entre os quais encontrava-se seu tio general farroupilha João Manuel de Lima e Silva que fora consagrado pelos farrapos como o seu primeiro general.

A grandeza desta tolerância a serviço da preservação da Unidade da Família Nacional, fez com os gaúchos o consagrassem como o seu presidente e a seguir como seu senador vitalício por 30 anos, em 1845.

Como líder de batalha, o seu grande feito estratégico foi a modelar Manobra de Flanco da posição fortificada de Piquiciri, através do Chaco, onde correu Risco Calculado, ao sacrificar o Princípio de Guerra da Segurança, em benefício do da Surpresa que ele obteve a nível estratégico, ao desembarcar, de surpresa, na retaguarda profunda do adversário em Santo Antônio, abreviando em muito a duração do conflito e poupando assim recursos de toda a ordem e vidas humanas de irmãos brasileiros, argentinos ,uruguaios e paraguaios ,envolvidos no maior conflito até hoje ocorrido na América do Sul e o primeiro com características de Guerra Total entre nações.

Como líder de combate seu maior momento foi na conquista da ponte de Itororó . Ao perceber que o seu Exército poderia ali ser detido, desembainhou sua invencível espada de 5 campanhas, brandiu-a ao vento, e voltou-se decidido e convincente para seus liderados e apelou com energia com o brado -”Sigam-me os que forem brasileiros !”Ato continuo lançou-se sobre a ponte de Itororó com o seu cavalo de guerra, indiferente ao perigo e arrastando atras de si todo o Exército detido, para, em seguida, colher expressiva vitória tática que removeu obstáculo que quase colocou em perigo toda a sua brilhante manobra estratégica através do Chaco Continua na página 9

Continuação de O GUARARAPES, Duque de Caxias200 anos, n o 38 jul/set 2003 página 9

Sua derradeira ação pacificadora foi a de pacificar a Questão Religiosa, ou Epíscopo - Maçônica, defendendo e obtendo êxito na assinatura pelo Imperador de decreto de n o 5093, de 17 set 1875 de Anistia

Caxias nasceu em 25 ago. 1803 no local do atual Parque Histórico Duque de Caxias do município de Duque de Caxias - RJ , que recebeu o nome de seu título por ele ali haver nascido. Faleceu em 7 mai. 1880, aos 77 anos, na Fazenda de Santa Mônica ,em Juparanã - Valença -RJ, a vista do rio Paraíba do Sul e onde se recolhera e passara os dois últimos anos de sua vida, viúvo e aos cuidados de sua filha mais velha a baronesa de Santa Mônica.

Leia a Parte 2/2

 


Última alteração em 07-06-2006 @ 11:09 am

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