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O Guararapes Ano 2004 Jul a Set (1 de 3)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-04-2006 @ 01:03 pm
 

 

PARTE 1/3

O GUARARAPES

ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DAS ATIVIDADES DA

 ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL

CINQUENTENÀRIO DO DESAPARECIMENTO DO PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS

          Ano 2004                    Mês:  JUL/SET                        nº 42

SUMÁRIO

-  A PROJEÇÃO DO GOVERNO DO PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS 1930/45 NO DESENVOLVIMENTO DA DOUTRINA DO EXÈRCITO

- A MEDALHA DO MÉRITO HISTÓRICO MILITAR TERRESTRE DO BRASIL( PORTARIA -CRIAÇÃO,REGULAMENTO,O GRÃO MESTRE e o 1 º  COMENDADOR. AGRACIADOS EM 25 AGOSTO 2004 NOS GRAUS DE COMENDADOR,OFICIAL E CAVALEIRO

-         ASSUNTOS DIVERSOS

O GOVERNO DE GETÚLIO VARGAS E A SUA PROJEÇÃO NA EVOLUÇÃO

DA DOUTRINA DO EXÉRCITO (1930 – 45)

Cel Cláudio Moreira Bento Presidente da AHIMTB

O Presidente Getúlio Vargas, cujo sesquicentenário de falecimento ocorre  em 24 de agosto de 2004, em sua juventude foi militar do Exército, por 5 anos. Inicialmente como soldado e sargento do 6 º Batalhão de Infantaria em São Borja  em 1899. A seguir  como aluno da Escola Preparatória e Tática do Rio Pardo em 1900,1901 e 1902 até maio. E finalmente como 2ºsargento de Infantaria do 25º Batalhão de Infantaria, na Praça do Portão em Porto Alegre, em 1902 e 1903, matriculando-se na Escola Brasileira com o idéia de cursar Direito, tendo neste ano tomado parte em Expedição Militar  até Corumbá, com o 25º  Batalhão de Infantaria, em função da Questão Acreana.  Deu baixa do Exército  ao retornar de Corumbá, em dezembro de 1903, para cursar a Escola de Direito,  onde ingressou como aluno ouvinte, matriculando-se em 1904 no 2º ano . Foi seu comandante lá na 9ª Região Militar em Mato Grosso  o General João César Sampaio que como coronel comandara a Divisão do Sul que libertou Bagé, em  8 de janeiro, de cerco federalista a que fora submetida por 46 longos dias (1).Em 1906 Getúlio ingressou na política. Fundou o Bloco Acadêmico Castilhista do qual fizeram parte os alunos da Escola de Guerra de Porto Alegre, no Casarão da Várzea, Eurico Gaspar Dutra e Pedro Aurélio de Góes Monteiro que exerceriam importante papel na vida e obra de Getúlio Vargas e, principalmente no Exército, como seus Ministro  da Guerra e Chefe do Estado- Maior do Exército e executores da ação do presidente Getulio Vargas, no Exército, objeto da presente interpretação. Em Rio Pardo, cuja sede da antiga Escola citada esta sendo restaurada e inaugurada esta ano, estudaram na mesma época os seus mais tarde destacados amigos e colaboradores – o já citado Eurico Gaspar Dutra e Mascarenhas de Morais. E mais os generais Bertoldo Klinger, filho de Rio Grande, e Francisco de Paula Cidade de Porto Alegre e ambos destacados historiadores militares no passado. 

Em discurso para as Forças Armadas, em 12 de dezembro 1940, Getúlio, Vargas filho de um herói brasileiro da Guerra do Paraguai e no combate à Guerra Civil 1893/95, General Honorário Manoel dos Nascimento Vargas,  recordou aos ouvintes com orgulho, sua condição de ex – integrante do Exército, com estas palavras:

 – “Como vós fui soldado e encontrei na camaradagem das armas uma escola de lealdade, de abnegação e desinteresse, com o que continuo servindo ao Brasil, somando o meu esforço ao vosso e ao de todos os patriotas, para torná-lo cada vez mais próspero.”

E foi fardado como chefe da Revolução de 30 que ele se deslocou de trem de Porto Alegre ao Rio, onde fardado assumiu do Governo do Brasil.

 Sua contribuição para o progresso, relativamente ao Exército, foi a mais marcante da História do Brasil. Sob seu governo a Doutrina do Exército em seus campos Organização, Equipamento, Ensino e Instrução, Motivação e Emprego, atingiu a maior expressão e progressos relativos, ao longo do processo histórico brasileiro.

Um sintético inventário por campo doutrinário citado, corrobora com nossa afirmação, ao mesmo tempo em que se lhe faz justiça por evocar, no cinqüentenário de sua morte (2), a projeção de sua obra na Segurança Nacional.

ORGANIZAÇÃO

O efetivo do Exército de 1930 –1945 cresceu 100% e atingiu cerca de 100.000 homens. O aumento destinou-se a fornecer quadros e tropa para as 50 unidades criadas: 13 de Fronteira; unidades- escolas da Vila Militar; unidades motomecanizadas e antiaéreas; regimentos de Artilharia; escolas novas e para as estruturas de apoio logístico e de indústria bélica implantadas ou ampliadas. Para disciplinar toda organização foram promulgadas: as leis de Organização do Exército e do Ministério da Guerra; do Serviço Militar; das Promoções; da Inatividade, etc. Foram baixados os regulamentos básicos: Disciplinar (RDE); Serviços Gerais (RISG), de Continência (R. Cont), de Administração (RAE) e um conjunto de instruções, portarias, etc...que alteraram profundamente a organização do Exército  que passou a ser comandado de instalação condigna, construída então e que se constituiu no Palácio Duque de Caxias, defronte à Praça da República, no Rio.  Fato significativo e de grande projeção na Defesa Nacional, foi a criação no Exército da Arma de Aviação que a partir de 1941, com material pessoal, passou a infra – estruturar o Ministério da Aeronáutica. Igualmente significativo, pela sua imensa projeção na Integração Nacional foi o Correio Aéreo Nacional(CAN) de que foi um dos dois pioneiros e hoje é o seu patrono – o Tenente Brigadeiro do Ar Nelson Freire Lavenére Wanderley, no primeiro vôo do CAN, entre o Rio e São Paulo, além de historiador autor da obra  Força Aérea Brasileira: Rio de Janeiro: Edit. Gráfica Brasileira, 1975,2ed. E com o qual convivemos como membros dos institutos Histórico e Geográfico Brasileiro e Ide Geografia e História Militar do Brasil. Livro prefaciado pelo pelo Ten Brigadeiro do Ar Eduardo Gomes. Então  Ministro da Aeronáutica e hoje patrono da Força Aérea do Brasil e ambos oriundos do Exército.

EQUIPAMENTO

Visando a reduzir a dependência externa em material bélico, foi criado o Quadro de Oficiais Técnicos, estimulada a indústria civil a produzi-los e implantada a Indústria Bélica Brasileira. Esta, através da construção das fábricas de Itajubá, Juiz de Fora, Piquete, Curitiba, Andaraí, Bonsucesso e Cajú, além de remodelados os arsenais do Rio de Janeiro e o de General Câmara e as fábricas de Estrela e do Realengo. Estas fábricas entraram em declínio com a importação de excedentes militares depois da 2ª Guerra Mundial, e hoje as não extintas infra- estruturam a IMBEL. No setor de Apoio Logístico foram criados; os estabelecimentos Mallet (depósitos de Material de Intendência, de Engenharia, de Comunicações, de Veterinária e de Saúde); os hospitais militares de Porto Alegre, da Bahia, de Alegrete, Santo Ângelo e de Belém, Sanatório de Itatiaia, pavilhões de Neurologia e Psiquiatria do Hospital Central do Exército, a Policlínica Central e o Instituto de Biologia; as coudelarias de Minas Gerais, Pouso Alegre, Tindiquera e os depósitos de reprodutores de Avelar, Campos e São Paulo, além de ampliadas as coudelarias de Saicã e do Rincão.

Grande projeção teve a criação da Rede Rádio do Exército que facilitou sobremodo o exercício mais  seguro do Comando, sobre todo o Exército articulado no território nacional. O material de Artilharia, em especial o de Costa, passou por uma sensível modernização e atualização  com o concurso de uma Missão Militar Americana contratada em 1939.

A indústria bélica do Exército produziu uma gama enorme de equipamentos militares, inclusive equipagens de pontes B4-A2, cujos pontões tiveram seu primeiro teste com os ponteiros do atual  4º Batalhão de Engenharia de Combate de  Itajubá em Fernando de Noronha, durante a última guerra. Unidade que tivemos a honra de comandar em1981/82 .Unidade  que foi organizada em Rio Pardo em 25 de janeiro de 1910, no local da antiga Escola Preparatória Tática ora restaurada e com 100 artilheiros do Regimento Mallet, atualmente em Santa Maria. Depois foi transferido para General Câmara onde permaneceu nas dependências hoje ocupadas pelo Arsenal de General Câmara de 1912-15, onde foi dissolvido para em 1918,reorganizado tomar o destino de Itajubá, atraído pelo prestígio do ex presidente Wenceslau Braz.

ENSINO E INSTRUÇÃO

As transformações e progressos neste setor foram mais revolucionários no sentido da profissionalização do Exército e da sua consolidação como força operacional. No tocante ao Ensino foram construídas condignas e monumentais, as escolas de Estado- Maior e Técnica do Exército, na Praia Vermelha, até hoje servindo ao Exército. Da mesma forma, a monumental e distinta entre as melhores escolas militares do mundo – a nossa Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), como uma promessa da Revolução de 30.(3). Foi igualmente construída a Escola de Artilharia de Costa da Urca. Foram criadas além, as escolas preparatórias de Cadetes de Porto Alegre (EPPA),no antigo Casarão da Várzea, a de Fortaleza (EPF) e de São Paulo (EPSP) e os centros de preparação de oficiais da Reserva em todo as regiões militares – os célebres CPOR.

 Essa estrutura de ensino do Exército foi ainda enriquecida com a criação das Unidades Escolas da Vila Militar, da Escola de Educação Física do Exército e de um Grupamento Escola de Artilharia Antiaérea.

Para ordenar esta estrutura foram promulgadas as leis do Ensino e do Magistério Militar e baixadas instruções para regulamentar as escolas e normas para uma mais apurada seleção física, intelectual e moral dos candidatos ao oficialato do Exército.

Neste contexto prestaram relevantes serviços ao ensino no Exército  – os generais Mário Travassos e Augusto Duque Estrada, respectivamente o primeiro comandante da AMAN (4) em Resende e o último, da Escola Militar no Realengo. Aliás escola que teve em 1921, como instrutor- chefe de Cavalaria da famosa “Missão Indígena”, o então capitão Euclides de Figueiredo, destacado “jovem turco”, co- fundador em 1913 da Revista Defesa Nacional e coordenador no Gabinete do Ministério da Guerra no combate à Revolução de 24, em São Paulo e um dos chefes militares da Revolução de 32 naquele Estado.

 A filosofia do Ensino no Exército de predominantemente científica e teórica até 1905, passou até 1920 ao extremo oposto de ser predominantemente prática, segundo o Ministro da Guerra, general Eurico Dutra. Segundo ainda a autoridade citada, foi procurado o equilíbrio entre a cultura geral e a prática. Baseou-se o Ministro Dutra nas Memórias do Marechal da França, Ferdinand Foch, herói em Marne e Flandres, comandante da batalha de Somme e generalíssimo que conduziu os Aliados à vitória na 1ª Guerra Mundial e que escreveu a certa altura:

 “O futuro demonstrará a necessidade da cultura geral ao lado do saber profissional militar, para quem como o militar que vive em presença de sucessivos fenômenos sociais que exigem para a sua compreensão um certo saber político e moral. Assim, não pode um militar, sob pena de segregar-se socialmente, de contentar-se apenas com  os conhecimentos profissionais relativos ao manejo das armas e ao emprego da tropa”. 

O citado Marechal Foch, que saiu da cadeira de História Militar na Escola Superior de Guerra da França para comandar a vitória aliada na 1ª Guerra Mundial emitiu este importante e realista pensamento:

“ Para alimentar o cérebro de um exército na paz, para melhor o preparar para a eventualidade indesejável de uma guerra não existe livro mais fecundo em lições e meditações que o livro da História Militar.”

0 general Charles de Gaulle, pensava como o marechal Foch e teve suas palavras a respeito, imortalizadas, em bronze, em pérgula da AMAN à esquerda da saída do pátio Ten Moura, e por ocasião de sua visita ao Brasil, no governo do Marechal Humberto Castello Branco. 

Foram entusiastas dessa idéia de equilíbrio da cultura geral com a profissional entre nós e a implantaram mais tarde no Brasil como Ministro da Guerra e como Comandante da Escola Militar do Realengo, depois de 1930, os então major Leite de Castro e o tenente José Pessoa que depois de lutarem no Exército da França na 1ª Guerra, freqüentaram a sua Escola Militar de Saint Cyr.

O então coronel Mascarenhas de Morais, como comandante da Escola Militar do Realengo nos anos 30, deu grande impulso à cultura geral, profissional e especializada dos futuros oficiais, ao implantar a biblioteca central da Escola e criar uma especializada em cada arma ou serviço e outras nos diversos departamentos (educação física, equitação, veterinária, etc...). Durante o período 1930 – 45, o Exército se beneficiou por 9 anos do concurso da Missão Militar Francesa e por cerca de 6 da Missão Militar Americana. Esta contratada depois da histórica visita ao Brasil, de 25 de março – 7 de abril de1939, do general George Marshall, Chefe do   Estado – Maior do Exército dos EUA. Ele veio a bordo do encouraçado “Nashville” trazendo inclusive o mais tarde general Matheu Ridway, comandante americano na Guerra da Coréia. No tocante à progressiva operacionalidade do Exército foram assinalados os progressos.  Os períodos de instrução das unidades eram observados e fiscalizados, com rigor. Os resultados práticos ficaram evidentes nas grandes manobras do Vale do Paraíba e de Saicã. Esta contou com o estímulo da presença do Presidente Vargas.(5) A instrução em campanha foi corporificada pela adoção de regulamentos específicos para cada Arma ou Serviço; de Organização do Terreno (OT); de Serviço em Campanha, de Tiro de Armas Portáteis (RTAP) e de Instrução dos Quadros e da Tropa. Para estimular a cultura militar geral e profissional e a sua difusão, bem como a corrente do pensamento militar brasileiro que consolidou a Reforma Militar, foi reorganizada a Biblioteca do Exército, agora também e principalmente como editora, modernizada a Imprensa Militar e estimulada e prestigiada pelos ministros militares a criação do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, bem como a Revista Nação Armada.

 Para a ampla difusão da Doutrina do Exército foi criado o Estabelecimento  General Gustavo Cordeiro de Farias.(EGGCF) Ele editou regulamentos em substituição ao esforço particular que vinha sendo feito por uma plêiade de oficiais que se cristalizaram em torno da Revista a Defesa Nacional em 1913 e usando editoras civis. O Serviço Geográfico do Exército proporcionou um grande apoio à instrução, ao levantar mais de 25.000 km² em cartas. Assim possibilitou a dispensa de cartas de território europeu sobre as quais e  mais a da Vila Militar, os oficiais brasileiros estudavam em cartas topográficas, em exercícios táticos, chamados impropriamente de jogos da guerra, segundo o grande historiador geógrafo e sociólogo militar brasileiro – general Francisco de Paula Cidade e contemporâneo em 1902, na Escola do Rio Pardo, do então Sargento Getúlio.

Na prática, a consolidação da cultura geral dos oficiais gerou alguns acidentes ou distorções, produzindo justas reações. Estas por não se produzirem os efeitos esperados. Entre os acidentes ou distorções registram-se as opiniões contrárias ao lecionar-se aspectos genéricos da Psicologia, Sociologia e Filosofia, em detrimento de conhecimentos que eles sugeriam aplicados à vida castrense. Outro foi o estudo descritivo e não o crítico da História Militar, modalidade tão exaltada  por grandes capitães da História Militar como a verdadeira escola da guerra para eles, em razão dos ensinamentos que o único laboratório da doutrina militar – o campo de batalha – lhes sugeriu à luz do estudo crítico que realizaram das experiências que nele tiveram lugar e que a História Militar registrou.(6)  No tocante à Geografia Militar foi confundi-la com Geografia Geral ou Estudos Brasileiros e não abordá-la em seus aspectos topo- táticos e topo- estratégicos e outros de interesse das operações militares nos diversos escalões, conforme foi a intenção do Coronel José Pessoa ao a introduzir na Escola Militar do Realengo com  apoio no que observara ao cursar a Escola Militar de Saint Cyr e tendo como professor no Realengo e depois na Escola de Estado- Maior do Exército o coronel Francisco de Paula Cidade, autor da célebre obra Notas de Geografia Militar Sul- Americana. 

      MOTIVAÇÃO

Este importante campo da Doutrina Militar relativo às forças morais da guerra, tão evidentes nas vitórias de Guararapes, recebeu substancial estímulo no período em estudo, através de diversas ações. O passado militar brasileiro foi rebuscado, pesquisado, interpretado, cultuado e amplamente difundido pelos periódicos militares, pela  Biblioteca do Exército,  pela Imprensa Militar e a Nacional, como foi o caso da Livraria Globo em Porto Alegre. Os estudos feitos então tornaram possível mais tarde, em grande parte, a sua consolidação na História do Exército Brasileiro – Perfil Militar de um Povo editado pelo   Estado – Maior do Exército em 1972, em projeto presidido pelo Cel. Francisco Ruas Santos( hoje patrono de cadeira na AHIMTB e completando 90 anos em 4 ago 2004)  e do qual participamos como seu adjunto. Tarefa de resgate histórico a que se dedicaram inclusive ilustres chefes do exército, como o Marechal José Pessoa, idealizador da AMAN, que pesquisou e escreveu sobre os grandes chefes  da Cavalaria Brasileira, cuja galeria iconográfica que mandou desenvolver, hoje encontra-se no Curso de Cavalaria da AMAN.

Em 1940, o agora General José Pessoa,  o idealizador da AMAN e também um dos grandes artífices da concretização de Brasília  (7), iniciou histórico artigo em 1940 na Revista da Escola Militar com seguinte argumento 

“É da tradição que se nutre a alma da nação. Das relíquias do passado retiram os povos as forças com que vencerão no futuro. Difundir pois o conhecimento da Historia do Brasil é o grande dever de todos nós. Esse conhecimento nos desvendará a grandeza moral de que se cobriram nas lutas pela nossa Independência, unidade política  e grandeza territorial, os nossos antepassados.”

Oficialmente o culto aos heróis do Exercito do passado mereceu ênfase sob o seguinte argumento ao tempo do Presidente Getúlio Vargas.

 “O mérito excepcional sempre foi raro. Daí a necessidade do culto aos heróis mortos de mérito excepcional . Ele desenvolve nosso sentimento de veneração, exemplifica  e exalta   a virtude para o estímulo dos moços. As suas qualidades deixaram sulcos indeléveis que sempre servirão de lições para o presente e o futuro”.

Assim o Duque de Caxias mereceu culto especial . Foram exumados seus restos mortais e da sua esposa e colocados no Panteon a Caxias, em cerimônia histórica, alem de criado o Espadim  de Caxias dos Cadetes do Exército, cópia fiel da em escala da heróica espada do Pacificador, que desde 1925,´é  patrimônio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro a que o Duque pertenceu como seu membro honorário.(8) Outros heróis brasileiros do Exército como Osório, Sampaio, Mallet, Vilagran Cabrita, Andrade Neves e Antônio João , etc foram cultuados  condignamente. Mereceram ênfase as comemorações  do centenário de nascimento do Marechal Floriano Peixoto no Rio,  por cerimônia cujo orador foi então tenente-coronel Jonas Correa, junto ao monumento do Consolidador da Republica. Homenagens a Floriano Peixoto estimuladas pessoalmente por Getúlio Vargas que através de seu pai aprendera a admirar o Marechal Floriano Peixoto

Foi inaugurado monumento aos Heróis de Laguna na Praia Vermelha e restaurados diversos monumentos históricos. Recorreu-se enfaticamente à História  Militar através de concursos na oportunidade de cerimônia cívicas de projeção nacional e no assessoramento superior, por destacados historiadores ou pensadores militares do Exército tais como: generais Estevão Leitão de Carvalho, Valentim Benício e Souza Docca , coronéis J.B. Magalhães, Paula Cidade, Lima Figueiredo, Afonso de Carvalho, Cordolino de Azevedo, De Paranhos Antunes, Jonas Correia e outros, hoje consagrados como patronos de cadeiras da AHIMTB.. 

No setor civil registre-se destacada colaboração entre outras de Pedro Calmon – divulgador ímpar através de seus escritos  e da sua inspirada e privilegiada palavra, de nossas tradições e glorias militares e mais a de Gustavo Barroso e Eugênio Vilhena de Morais..

                    Para reconhecer o mérito militar  foi criada a Ordem do Mérito Militar. As unidades históricas ganharam estandartes, nomes e distintivos e algumas, uniformes históricos como a AMAN e os Dragões da Independência.

                    O antigo Batalhão do Imperador extinto pela Regência, foi recriado com o nome de Batalhão da Guarda Presidencial. Depois da Intentona  Comunista que provocou tantas vitimas inocentes no Exército, o culto à memória dos mesmos adquiriu grande expressão. Esta tradição se mantinha acesa até o presente, visando prevenir  acontecimentos como aqueles que violentaram as tradições democráticas e cristãs do povo brasileiro e que tiveram como alvo o Exército, desde então a maior barreira do avanço do Comunismo Internacional no Brasil, a caráter ou sob disfarces  sutis.

Dentro do contexto Motivação poderíamos alinhar à valorização do reservista pela criação de seu dia; elaboração do Estatuto dos Militares, Construção de Vilas Militares nas fronteiras Sul e Oeste, em Amambaí, Campo Grande, Mato Grosso, Quarai, Uruguaiana, São Borja, Foz do Iguaçu,  Coimbra, Óbidos, Guajará- Mirim, São Luiz, Dom Pedrito, Bela Vista e General Câmara, além das de Quintaúna, em São Paulo, Santa Cruz no Rio de Janeiro, Socorro no Recife e Vila Operária na Fábrica Estrela da Raiz da Serra, para não citar a remodelação da Vila Militar em Deodoro.

Leia a continuação (parte 2/3)

 


Última alteração em 07-04-2006 @ 01:03 pm

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