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O Guararapes - Ano 2005 out a dez nº 47 (1 de 2)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-04-2006 @ 01:31 pm
 

 

PARTE 1/2

ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DAS ATIVIDADES DA

 ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL

CGC 10.149.526/0001-09

O CENTENÁRIO DA ECEME EM 2 DE OUTUBRO 2005

SUMÁRIO

MEMORIA DO CENTENÀRIO DA ECEME EM 2 OUT 2005-11-05 p.1 a 10

DOUTRINA MILITAR TERRESTRE BRASILEIRA REFLEXÕES p. 10 a 15

MEMBROS DA AHIMTB FALECIDOS p.15 a 16

NOTICIAS DIVERSAS p. 16 a 18

MEMÓRIA DO CENTENÁRIO DA ESCOLA DE ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO EM 02 Out 2005

 

            Convidado, comparecemos à histórica cerimônia de comemoração do Centenário da ECEME, realizada em seu Auditório Duque de Caxias. E aqui nesta memória recordamos o que ali ocorreu, do ponto de vista da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB), que fundamos e presidimos. Memória da Escola de Método ou da razão (raciocínio), da qual falaremos com o coração e de diversas lembranças que aquela cerimônia despertou em nós.

            Em 1904, a Escola Militar da Praia Vermelha, que se estendia no espaço entre o IME e a ECEME se revoltou, no que passou à História como a Revolta da Vacina Obrigatória. A revolta foi reprimida e a Escola fechada e, logo a seguir, extinta. E por influência de veteranos e filhos de veteranos da Guerra da Tríplice Aliança, foi baixado o Regulamento de Ensino de 1905, ponto de inflexão do bacharelismo (1873 a 1905) para o profissionalismo militar que até hoje predomina. A escola extinta foi recriada em Porto Alegre em 1906 com o nome de Escola de Guerra, junto com a Escola Prática de Infantaria e Cavalaria em Rio Pardo responsáveis, a partir de então, de formar os aspirantes a oficial do Exército, posto que substituiu o de Alferes, que se tornara um símbolo do bacharelismo militar.

            Foi neste contexto que a ECEME foi criada, em 2 de outubro de 1905. E o que foi o período bacharelesco para o profissionalismo militar foi abordado, entre outros chefes, pelo antigo comandante da ECEME em 1935, o Marechal Estevão Leite de Carvalho em sua obra Memórias de um soldado legalista e, também, pelo General Augusto Tasso Fragoso na apresentação de seu livro A Batalha do Passo do Rosário em 1922. Para o Gen Tasso Fragoso foi uma forma de um ato de contrição, pelo desconhecimento de nossa História Militar pela sua geração da Praia Vermelha, fato que concluiu ao ser Adido Militar na Argentina, ao constatar a sua ignorância em História Militar do Brasil. Este fato o levaria, no retorno, a escrever várias obras críticas sob o tema,

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que o consagraram como o Pai da História Militar do Brasil. Sua biblioteca hoje constitui patrimônio

muito zelado da ECEME, e na qual realizamos muitas pesquisas sobre a Revolução Farroupilha.

A cerimônia do Centenário contou com a presença do Gen Ex Francisco  Roberto de Albuquerque, Comandante do Exército, 1º Presidente de Honra da AHIMTB e Comendador do Mérito Histórico Militar Terrestre da AHIMTB, e, também,  do Gen Ex Leônidas Pires Gonçalves, representando o meu comandante na ECEME, o Gen Ex Reinaldo de Mello Almeida. Este, filho do ilustre paraibano José Américo de Almeida, imortal da ABL, político notável e autor do célebre romance A bagaceira, e de quem recebemos vigoroso estímulo, por escrito, depois que leu nosso livro As Batalhas dos Guararapes, descrição e análise militar (1971). Obra prefaciada pelo Gen Ex Arthur Duarte Candal da Fonseca, então comandante do VI Exército (atual CMNE), que nos designara para coordenar  trabalhos, sem prejuízo de nossas funções na Seção de Planejamento, com vistas à construção do Parque Histórico Nacional dos Guararapes.

       Compuseram a Mesa Diretora, junto com os generais Albuquerque e Leônidas, citados, os generais de Exército Ivan de Mendonça Bastos, Chefe do DEP e 2º Presidente de Honra da AHIMTB e Domingos Carlos de Campos Curado, comandante do CML e antigo comandante da AMAN, que fora 3º Presidente de Honra da AHIMTB e que muito a prestigiou e, pelo Gen Div Ronaldo da Silva Marques, ex-comandante da 3ª Bda C Mec, quando produzimos o livro História da 3ª Bda C Mec – Brigada Patrício Corrêa da Câmara,(2002)  com a parceria do Cel Luiz Ernani Caminha Giorgis. Presidiu a Mesa o Gen Bda Luiz Eduardo Rocha Paiva, comandante da ECEME.

A cerimônia foi desenvolvida de modo impecável e original e consistiu dos seguintes eventos marcantes: lançamento de medalha comemorativa do centenário (elaborada pela Casa da Moeda); de selo comemorativo (lançado pela Empresa Nacional de Correios) e de cartão de telefonia pré-paga. Foi anunciada a denominação histórica da ECEME, pelo Exército, de Escola Marechal Castello Branco. Chefe este que teve marcante atuação na ECEME como seu instrutor e comandante. Foi apresentada a vibrante canção da Escola, de autoria do Cel Inf Luiz Quintino Martins de Figueiredo, cantada por todos os presentes. Ocorreu também o histórico lançamento do livro ECEME - A Escola do Método - Um século pensando no Exército (2005).

            E todas essas realizações com a gravura da ECEME e, ao fundo, o Pão de Açúcar, ponto turístico conhecido mundialmente.

                 Muito linda e expressiva foi a homenagem prestada a todos os ex-comandantes presentes, aos quais ex-alunos do seu tempo de comando foram encarregados da entrega de um exemplar do livro citado e de um diploma alusivo ao centenário. Livro e diploma de que, também, recebemos exemplar como lembrança.

              A histórica cerimônia foi encerrada com expressiva e densa oração, onde era enfatizada a carência de recursos para o Exército bem se adestrar, atuar, do comandante da ECEME, o Gen Bda Luiz Eduardo Rocha Paiva, filho orgulhoso do Gen Ex Paulo Campos Paiva, comandante do CMS quando este recebeu esta denominação.  Biografamos o Gen Rocha Paiva, como comandante do CMS, na obra Comando Militar do Sul – quatro décadas de História, 1553-1995 e Antecedentes (1995).O General Campos Paiva, recentemente falecido, era natural de Valença, estudioso de Guerra Revolucionária, ex- combatente da FEB e representou o Brasil na Europa nas comemorações do cinqüentenário da Vitória na 2ª Guerra Mundial.

            Neste mesmo livro biografamos, também como comandante do CMS, o Gen Ex Leônidas Pires Gonçalves, que foi Ministro do Exército no Governo do Presidente José Sarney, quando conseguiu ampliar a AMAN. Esta, por sua vez, foi construída pelo Ministro da Guerra Gen Div Eurico Gaspar Dutra, no governo do Presidente Getúlio Vargas, quando foi também construída a

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ECEME, o IME e o EPV. Presidente Vargas cuja obra notável abordamos em longo artigo: O Governo do Presidente Vargas e a sua projeção no desenvolvimento da Doutrina do Exército, 1930/45 (2004).                                                                          Continua na página 3

            Ao Ministro Leônidas credite-se, também, o programa FT 90, do qual destaco: a adoção, pelo Exército, de helicópteros, que constituem a aviação de asa rotativa da Força Terrestre, o Centro de Guerra Eletrônica (CIGE) em Brasília; a modernização da Cartografia para uso militar e o Estande de Tiro da AMAN, com apoio na eletrônica.

            Presente, também, o Gen Ex Alberto dos Santos Lima Fajardo que, como coronel, foi chefe da Seção de História do EME, quando éramos instrutor de História Militar na AMAN, tendo conseguido recursos para que fossem editadas as seguintes obras, nas quais tivemos participação na sua elaboração e coordenação:

-                            História da Doutrina Militar, citada na bibliografia do livro da ECEME e que repercutiu na EsAO, ECEME e EsSA;

-                            História Militar do Brasil, 2 v. (textos e mapas). Obra que enriqueceu muito o assunto, na qual introduzimos estudos relativos às guerras holandesas e guerras no Sul, 1763/76, nas quais luso-brasileiros desenvolveram as estratégias do “fraco contra o forte,” ou “a guerrilha”, segundo o Cel Golbery Couto e Silva em sua obra sobre Estratégia, e que passaram para a História como guerra brasílica e guerra à gaúcha, as quais temos muito estudado como soluções militares genuínas brasileiras vitoriosas na expulsão dos holandeses no norte e dos espanhóis no sul, etc.

-                            Como estudar e pesquisar a História do Exército. Brasília: EME/EGGCF, 1978.

Esta última, obra que produzimos como preparação para o exercício das funções de instrutor de História Militar na AMAN, e que foi reeditada em 1999 pelo EME e distribuída a AMAN, EsAO, ECEME e AHIMTB.

Comovente foi a homenagem prestada ao ex-combatente presente, Gen Div  César Montagna de Souza, com 91 anos. Homenagem anunciada com o toque de corneta “Presença de ex-combatente”. Chefe que biografamos como comandante da AD/6, de 05 Jun 72 a 09 Abr 73, na obra Artilharia Divisionária da 6ª DE – AD Marechal Gastão de Orleans (2003), em parceria com o Cel Luiz Ernani Caminha Giorgis, abas do Veterano da FEB José Conrado de Souza e capa do nosso filho, Capitão- de- Fragata Carlos Norberto Stumpf Bento. Nesta obra, procuramos demonstrar a grande injustiça que era feita ao grande soldado Conde D’Eu, que comandou a Artilharia Brasileira por 20 anos e que possuía curso desta Arma na Escola Militar da Espanha, sendo que lá havia estagiado em diversos tipos de unidades de Artilharia, antes de vir para o Brasil e que nos deixou preciosas memórias no livro Viagem Militar ao Rio Grande do Sul em 1865. Chefe que inspirou o seu Ajudante de Ordens, Marechal Hermes da Fonseca, a em 1905, retomar as grande Manobras Militares que haviam sido presididas por seu chefe Conde D´Eu em 1885, em Santa Cruz, Parque da Redenção,(do Paraguai)  e em Saicã.

O oficial general mais idoso presente foi o Gen Ex Antônio Jorge Correia, aos 93 anos, que biografamos como comandante assinalado da 3ª Divisão de Cavalaria em Bagé, de 04 Fev 65 a 13 Jan 66, na obra já citada 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada – Brigada Patrício Corrêa da Câmara.(2004). O General Antônio Jorge Correia foi o presidente da Comissão do Sesquicentenário da Independência do Brasil em 1972. Era filho de Ernani Augusto Correia que, junto com Eurico Gaspar Dutra, foram oficiais do Estado- Maior do Marechal Rondon no combate à Revolução de 1924, no Paraná. O General Jorge Correia foi chefe do DEP e Ministro Chefe do EMFA. Comandou, também, a 3ª Bda C Mec o irmão do general Antônio, o Gen Bda  Ernani, que comandava em 1972 os Dragões da Independência em Brasília. Nesta ocasião fomos pioneiros em elaborar a História daquela Unidade, ao escrevermos em 21 Abr 72, no Correio Brasiliense, cuja

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edição histórica foi de nossa lavra, reportagem ilustrada sob o título Uma testemunha dos grandes momentos de nossa História. E, a seguir, orientarmos e ajudamos o então Major Aquino, que elaborou a História desta Unidade de elite, publicada pela Comissão do Sesquicentenário da Independência. Mais tarde, como oficial do EM do II Exército, fomos designados por seu comandante, Gen Ex Dilermando Monteiro para representar o Exército na deposição definitiva dos restos mortais de D. Pedro I no Monumento da Independência em São Paulo, construído em 1922.

O livro lançado sobre a ECEME é de excelente apresentação gráfica e de preciosa iconografia a cores. Foi impresso em excelente papel e resultou da colaboração de diversas entidades e pessoas, sendo coordenado pelo Cel Eng QEMA Carlos Roberto Peres (ausente) e redigido pelo Cel Inf QEMA Hiram de  Freitas Câmara, biógrafo do Marechal José Pessoa na obra Marechal José Pessôa – a força de um ideal (1985), na qual o autor recorreu e citou vários trabalhos nossos sobre a AMAN, Espadim de Caxias e sobre o Marechal Pessôa, etc. Autoridade esta que escolhemos como nosso patrono na AHIMTB e, em Brasília, demos o seu nome à Delegacia da AHIMTB lá instalada no CMB, em razão da sua imensa projeção na construção de Brasília pelo Presidente Juscelino. Foi o Marechal José Pessoa que, não conseguindo que o Presidente Café Filho desapropriasse os terrenos onde hoje se ergue Brasília, conseguiu que esta providência fosse adotada pelo Governo de Goiás .A cadeira Marechal José Pessoa é ocupada atualmente pelo Gen Ex Gleuber Vieira, posse ocorrida no IME, em 26 jun 2003 e documentação constante do Livro de Posses nº 34, 2003, as p.135 a 189..

O livro foi prefaciado pelo Gen Ex Paulo César de Castro, distinto membro acadêmico e oficial da Medalha do Mérito Histórico Militar Terrestre da AHIMTB. Acadêmico que empossamos em cerimônia no Auditório Duque de Caxias, da ECEME, quando seu comandante, no dia 1º de março de 2001. Foi empossado na cadeira Marechal Estevão Leitão de Carvalho, o líder do Grupo dos 13 Jovens Turcos que criaram a revista A Defesa Nacional em 1913, quando era Oficial de Gabinete do Ministro da Guerra. Comandou a ECEME, na Tijuca, por ocasião da Intentona Comunista em novembro de 1935, ao final da qual foi promovido a General de Brigada. Comandou a 3ª RM, quando presidiu, em 1941, as maiores manobras do Exército, guardadas as devidas proporções no tempo e no espaço, em Saicã. Manobra que registramos na obra História da 3ª Região Militar, 1889-1953 (1995), e a sua biografia às p. 370/371. Chefiou a Comissão Militar Mista Brasil-EUA, em Washington, que coordenou as relações das Forças Armadas do Brasil com os EUA. Historiador consagrado, como membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, atuou junto a seu antigo instruendo, o Presidente Emílio Garrastazú Médici, no sentido da obtenção, pelo Dr. Pedro Calmon, de um empréstimo da CEF para a construção do atual prédio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB),  de cujas rendas de aluguel sobrevive aquela Casa da Memória Nacional, da qual foi membro honorário o Duque de Caxias, patrono da AHIMTB e que hoje somos seu sócio emérito.

Pedro Calmon, na nova sede, destinou uma sala à qual denominaram Sala Presidente Médici, para que este, quando deixasse a Presidência a usasse. Ao falecer Pedro Calmon, esta sala foi desfeita e retirado o nome do Presidente Médici que, ao falecer, pré julgado,ninguém se habilitou a fazer o seu necrológio de praxe , resultando em pegarmos o seu acervo ali, que aproveitamos em nossa obra História da 3ª Região Militar, 1953-1999 (1999) p. 53/65, em cujo comando realizou obra notável sob o lema que com freqüência evocava: “Servir e servir cada vez melhor”! O presidente Médici, ao assumir a condição de Presidente de Honra do IHGB pronunciou oração onde a certa altura enfatizou:

“Não se governa ou se comanda bem sem História e historiadores...”.

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O General Castro é autor de alentada História inédita do 21º GAC, Grupo Monte Bastione, que comandou, e tem escrito sínteses históricas da 4ª RM/DE e da Secretaria de Economia e Finanças, etc.

Em seu comando a AHIMTB foi convidada a produzir os seguintes trabalhos para a ECEME:

-                            Brasil – lutas internas até 1889.

-                            Brasil – lutas internas, 1889-2002.

-                            Brasil – conflitos internos, 1500-1945.

-                            Amazônia Brasileira. Conquista, Consolidação, Manutenção – História Militar Terrestre da Amazônia, 1614-2003 (2003).

Este último foi publicado abordando as lutas internas e conflitos externos que envolveram a Amazônia, a evolução da estrutura militar terrestre na região desde 1614 e, em caráter pioneiro, divulga listas de trabalhos sobre a Amazônia disponíveis na Internet e produzidos como monografias por alunos da ECEME e CPEAEx.

Trabalho este prefaciado pelo Gen Ex Luiz Gonzaga Schroeder Lessa, presidente do Clube Militar, presente à cerimônia e futuro ocupante da cadeira Marechal Castello Branco da AHIMTB. O General Lessa despertou, em escala nacional, a consciência da importância para o Brasil da Amazônia e, em especial, no seio do Exército.

No comando do General Castro visitamos a Biblioteca da ECEME e constatamos, com satisfação, a quantidade de títulos ali registrados no índice de autores, com obras de nossa autoria, artigos e livros que eram bastante consultados, segundo a bibliotecária.

Fomos convidados a colaborar em razão de que os trabalhos produzidos mediante contrato com uma empresa civil não atenderam plenamente os objetivos da ECEME. Inclusive, trabalho a nós encomendado pela citada empresa, havia sido bastante alterado, com interpretações históricas que não correspondiam à realidade e ao espírito da ECEME.

            E nossa proposta foi a seguinte: tratando-se de uma Escola voltada para preparar seus oficiais para a Defesa Nacional, o objetivo focal de seus estudos, poderíamos colaborar produzindo trabalhos históricos, abordando lutas internas e conflitos externos do Brasil em conjunto, e não de forma pontual, por existirem interações entre quase todos eles. E foi o que fizemos, com enormes sacrifícios, e entregamos a ”Mensagem a Garcia”, esperando que ela seja aproveitada.

            A posse do General Castro na AHIMTB está registrada no Volume 30, 2001 do Registro de Posses, às p. 1 a 23, tendo substituído na cadeira, por elevação a acadêmico emérito, o Cel Arivaldo Silveira Fontes, 1º vice-presidente da AHIMTB que, como chefe do SENAI, publicou o nosso livro O Exército na Proclamação da República (1989), premiado em 1º lugar em concurso da BIBLIEx e lançado na ECEME no comando do Gen Bda Aricildes de Morais Motta.

            Foi empossado neste dia o General de Exército Gilberto Figueiredo, chefe do DEP, como 2º Vice-Presidente de Honra da AHIMTB. Como Diretor do Arquivo Histórico do Exército e ele como assistente do Ministro Leônidas sempre prestigiou as iniciativas nossas no Arquivo Histórico, como as comemorações dos centenários de chefes do Exército e a inauguração de Sala Arquivo da FEB, onde foi reunida toda a documentação da FEB e informatizada, etc.

            Como general, ele foi comandar a 2ª Bda C Mec em Uruguaiana, Grande Unidade que havia sido comandada pelo Coronel Euclides Figueiredo e seus filhos, os generais Euclides e Diogo. Este, presente no centenário da ECEME, como seu ex-comandante. E lá teve o General Gilberto a iniciativa de propor a denominação histórica de sua GU de Brigada Charrua. Brigada cujo histórico estamos concluindo sob o título de 2ª Bda C Mec – Brigada Charrua, em  parceria com o Cel Luiz Ernani Caminha Giorgis, oficial que conseguimos com o General Figueiredo, chefe do DEP, que fosse contratado como professor de História do Colégio Militar de Porto Alegre, onde além destas funções nos auxilia como nosso dirigente  da Delegacia General Rinaldo Pereira da Câmara, a

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impulsionar no Rio Grande do Sul, a nossa Academia e o Projeto História do Exército na Região Sul, já com nove obras publicadas. Fizemos a oração de recepção do General Figueiredo, publicada no O Guararapes nº 28.

             O livro sobre a ECEME aborda os seguintes tópicos: Origem dos estados maiores; A criação da ECEME; A ECEME e as suas cinco casas [1ª: no atual PDC; a 2ª: na Praia Vermelha (na antiga Escola Militar); a 3ª: no local da hoje Policlínica Central do Exército; a 4ª: no local do atual 1º Batalhão da Polícia do Exército, de 1920/40, sob influência da MMF; e a 5ª: sede atual, onde ela permanece desde 1940, há 65 anos]; A missão; Os comandantes; Influências Internacionais (alemã, francesa e norte-americana); A evolução do pensamento, da doutrina e do ensino militar na ECEME; e Bibliografia, na qual fomos honrados com dois títulos, como o livro O Exército na Proclamação da República, lançado ali na ECEME em 1989, no comando do Gen Bda Aricildes de Morais Motta e editado pelo SENAI, como já referido.

               Os seguintes patronos de cadeiras e acadêmicos da AHIMTB figuram na bibliografia com seus livros, artigos ou entrevistas: Marechal Tristão Alencar Araripe, Humberto de Alencar Castello Branco, Coronéis Diniz Esteves, Nilton Freixinho (com livro e entrevista), João Baptista Magalhães (J.B. Magalhães); Marechal João Baptista Mascarenhas de Morais, Coronéis Jarbas Passarinho, José Fernando Maia Pedrosa e Francisco Ruas Santos, Marechal Juarez Távora (patrono da Delegacia da AHIMTB em Porto União), Generais Carlos de Meira Matos e Hélio Ibiapina Lima.

               No conjunto da cerimônia apreciamos sobremodo a homenagem aos ex-omandantes presentes com suas sínteses biográficas e fotos no livro, à semelhança do que temos feito nos livros sobre a História do Exército na Região Sul no capítulo: Os comandantes da GU, suas experiências profissionais, ações e lições de Comando, constituído de sínteses biográficas e com os elogios e palavras de despedidas ao final do Comando. Creio que isto é importante e deveria ser generalizado em nosso Exército. Deixo um modelo a ser seguido e aperfeiçoado.

            Nestas homenagens a ex-comandantes, destaco a do então Gen Bda Humberto de Alencar Castello Branco, tio e padrinho do Cel Aviador Fernando Hyppólito da Costa, sobrinho e afilhado do Marechal Castello Branco e tetraneto de Hipólito da Costa, que focalizamos no nosso livro ora publicado e premiado em 1972 pela Assembléia Legislativa do RS e pela Associação Rio-Grandense de Imprensa. Hipólito da Costa – o gaúcho fundador da Imprensa Brasileira (2005).

                 Muito temos escrito sobre o Marechal Castello Branco, e lembro de haver sido convidado para uma cerimônia em que seu filho, filha e nora entregaram à ECEME o arquivo pessoal do, agora, seu patrono. Presente também na ocasião o General Carlos de Meira Matos, comendador do Mérito Histórico Militar Terrestre da AHIMTB e que nela inaugurou a cadeira Marechal Mascarenhas de Morais.

         Conhecemos o Coronel Meira Mattos em 1978 no nosso primeiro ano na ECEME. Era um nome famoso na Força Terrestre, como intelectual de nomeada e por seus estudos de Geopolítica, quando fomos à sua casa, próxima da Escola, tentar obter um de seus livros para nosso querido amigo o então Major Eng Roberto Martinez, que se preparava em Bento Gonçalves para prestar exame para a ECEME. Em 1971, quando o General Meira Mattos  comandava a Brigada de Infantaria em Natal, recebemos dele alentada carta de elogio ao nosso trabalho sobre as Batalhas dos Guararapes. E em visita a Recife, com sua senhora e sua notável companheira e incentivadora e nossa boa amiga, D. Serrana, gaúcha de Passo Fundo, município gêmeo de meu Canguçu e lamentavelmente falecida, recentemente, fez questão que os guiasse em visita ao Parque Histórico Nacional dos Guararapes, prestando atenção nos mínimos detalhes e, em especial, nas palavras  em placa de bronze ali gravadas e pronunciadas pelo General

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Mascarenhas de Morais ao retornar vitorioso da  Itália e ali depositar os louros da Vitória da FEB. Mais tarde, em São Paulo em 1977, como membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, ali prestigiou, com sua presença, a nossa posse como sócio daquela casa, na cadeira Cel Diogo Morais de Arouche Lara, o primeiro historiador militar do Brasil, na condição de Reino Unido a Portugal e Algarve. Ao fundarmos a AHIMTB, fizemos questão que ele fosse o primeiro acadêmico a ser empossado, na cadeira Marechal Mascarenhas de Morais, do qual é o biógrafo e que o ajudou a elaborar as obras referentes à FEB. Em 2001, prefaciou nosso plaqueta Inspirações geopolíticas das ações de Portugal e do Brasil no Prata e suas projeções no Rio Grande do Sul, 1680-1900. E continua o General Meira Mattos, com mais de 90 anos, ativo intelectualmente e publicando valiosos estudos. Tomara que prossiga em sua luta cultural.

            Acabamos de escrever a obra As Escolas do Exército em Rio Pardo, 1859-1911,em parceria como O Cel Luis Ernani Caminha Giorgis e por sugestão do Gen Ex Renato Cesar Tibau da Costa , atual Chefe do Estado- Maior do Exército e que o prefacia. Escola  da qual foram alunos entre outros, dois presidentes da República, Getúlio Vargas e Eurico Gaspar Dutra e outros futuros chefes do Exército.          No final deste período de transição para concentrar a formação de oficiais no Realengo em 1911, o jovem Humberto morou em Rio Pardo com o seu pai, oficial de Infantaria, e ingressou no ano seguinte no Colégio Militar de Porto Alegre, que substituiu, no Casarão da Várzea, a Escola de Guerra de 1906/1911. Ao assumir a Presidência da República, uma de suas primeiras visitas sentimentais foi rever Rio Pardo, cenário de sua adolescência.

                Figurou em 1º lugar na fila de ex- comandantes o General de Exército Ivan de Souza Mendes, já com certa dificuldade para caminhar .A ele devo haver conseguido a verba necessária para restaurar ,em Valença, a casa onde o Duque de Caxias faleceu e passou os dois últimos anos de sua vida. Infelizmente a burocracia demorou a empregar a verba, o que determinou ser a mesma, depois, insuficiente. “Tais são as coisas deste mundo”.

               Entre os ex-comandantes, o Ministro da Guerra General de Exército Zenildo de Lucena que, ao visitá-lo na ECEME, me falou da surpresa, no Gabinete do Ministro, de um historiador haver realizado um bom comando. Me surpreendeu este conceito, pois a História é a mestra da vida, a mestra das mestras e ajuda a quem a ela recorrer a fazer um bom comando. Basta conferir os comandos dos chefes historiadores: Bernardino Bormann, Tasso Fragoso, Tristão de Alencar Araripe, Estevão Leitão de Carvalho, José Pessoa, Mascarenhas de Morais, Castello Branco, Valentim Benício, Lira Tavares, Edmundo Macedo Soares, Carlos de Meira Matos  e muitos outros de menor graduação.  Ao General Zenildo coube a iniciativa de criar, no dia 19 de abril, aniversário da 1º Batalha dos Guararapes, o Dia do Exército, assunto que abordamos como História Militar crítica à luz de fundamentos da Arte Militar, aprendidos na ECEME, e que resultou no nosso já citado As batalhas dos Guararapes – análise e descrição militar (1971), lançado no Parque Histórico Nacional dos Guararapes, cujo projeto, construção e inauguração coordenamos por delegação do General Arthur Duarte Candal da Fonseca e continuada pelo Gen Ex João Bina Machado, comandante do hoje CMNE e ex-comandante assinalado da ECEME, conforme consta de seu registro biográfico. Chefe ilustre e idealista, com o qual muito colaboramos na área de Comunicação Social, quando lá instalamos e chefiamos por largo período, na ausência de seu titular Ten Cel Edmirson Maranhão, cursando Guerra na Selva, a Seção de Comunicação Social, com ações vitoriosas, voltadas para o meio estudantil e imprensa, com resultados muito positivos.            Posteriormente, muito o ajudamos na elaboração de suas Memórias, das quais nos confiou um exemplar, à disposição dos interessados na sede da AHIMTB na AMAN, junto com outras preciosas memórias de chefes do Exército que, depois de

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mortos, através daqueles trabalhos permanecem espiritualmente presentes entre nós e nos

ensinando, com suas experiências de vida profissional.                                                                    

       Mais tarde o General Bina Machado nos confiou a honra de entregar a sua espada de oficial general à AMAN, o que fizemos com pompa e circunstância em formatura geral da Academia. Espada que havia pertencido ao ilustre General Bento Carneiro Monteiro, filho do General Victorino Carneiro Monteiro, Barão de São Borja, e neto do injustiçado General Bento Manoel Ribeiro, cuja memória foi defendida pelo grande brasileiro Dr. Osvaldo Aranha, ex-aluno ilustre do Colégio Militar do Rio de Janeiro, integrante de seu Esquadrão de Cavalaria. Defesa que publicamos em nosso O Exército Farrapo e os seus chefes (1993).

               O General Bento Manoel Ribeiro Carneiro Monteiro teve a iniciativa, em 1919,  como Chefe do Estado- Maior do Exército, de criar a Missão Indígena na Escola do Realengo, integrada por oficiais aprovados em concurso. Missão que produziu uma geração de oficiais de marcante atuação no cenário político nacional. Confirmar é obra de simples verificação e raciocínio. Missão Indígena que teve grande influência da Doutrina Alemã através dos Jovens Turcos, com curso na Alemanha,c 1910 a 1912, sendo que alguns a integraram. Missão imortalizada em placa de bronze existente na pérgula da AMAN, voltada para o Portão Monumental.

              Senti a falta na cerimônia do meu comandante, o General- de- Exército Reinaldo Mello de Almeida, que foi representado no ato pelo General- de- Exército Leônidas Pires Gonçalves, na época chefe da Seção de Doutrina da ECEME , a quem os alunos, por seu porte, elegância e bem fardar-se era chamado de “oficial QEMA tipo exportação”.

                Na cerimônia, predominavam caras novas, inclusive oficiais generais que eu jamais havia visto. Alguns coronéis haviam sido meus alunos de História Militar na AMAN de 1978/80. E me procuraram lembrando aqueles tempos em que instrutor de História Militar

               Ao procurar a placa com os nomes dos formandos da ECEME notei que a da minha turma era uma das primeiras, à qual se seguiam um extenso número de placas.

             E aí lembrei. Já se passaram 36 anos de minha formatura. Foi aí que senti como o tempo havia passado e eu não havia percebido, até então. E mais, sobre o muito o que eu havia aprendido ali naquela grande e saudosa escola. E me senti  orgulhoso de haver correspondido àqueles preciosos ensinamentos como historiador militar terrestre de vocação e como profissional militar.

           Os seguintes oficiais de minha turma da ECEME nos ajudaram na missão da AHIMTB . O mais tarde Gen Bda Hans Gerd Haltemburg( hoje falecido) que assumiu a cadeira Cel J.B. Magalhães em 4 jul 2001, em cerimônia no PC do comandante dos Dragões da Independência em Brasília, onde deixou sua alentada História da Cavalaria ,a publicar . Ele foi o chefe da minha turma na ECEME. Ele comandou a 2ª da C Mec em Bagé e muito nos auxiliou com preciosos subsídios sobre seu comando, para escrevermos a citada história daquela Brigada.

Integra a Delegacia Mal José Pessoa da AHIMTB em Brasília  outro integrante de nossa turma, o Cel Anisio Negrão que atua na Fundação Cultural do Exército em Brasília. E ambos Gen Haltenburg e Cel Negrão também artistas plásticos .A posse do Gen Haltenburg consta do volume de posses da AHIMTB, nº 32, 2001 as p.74/108.     Procuramos modestamente colaborar com aquele evento centenário entregando ao comandante da ECEME um DVD, mandado fazer pela AHIMTB e constante da Memória Política do Cel Art QEMA Ref Jarbas Gonçalves Passarinho, patrono em vida da cadeira 50 da Academia, sobre a Contra- Revolução Democrática de 1964, liderada pelo Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, hoje consagrado patrono da ECEME, estabelecimento que teve expressiva participação naquele evento e do qual neste Guararapes .- reproduzimos uma reflexão que nos remete a Março de 64.     Memória esta do Cel Passarinho que é preciosa fonte histórica a fazer frente, no futuro, às deformações sobre seus objetivos iniciais, provocadas pelas estratégias adversas de silêncio e

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deformação dos fatos, sem vez e voz para o contraditório, que caracteriza o instituto da Liberdade de Imprensa, o que provoca a falsa impressão no observador desavisado de “quem cala consente”.                                                                                      

Bibliografia utilizada

BENTO, Cláudio Moreira. Amazônia Brasileira: conquista, consolidação, manutenção – História Militar Terrestre da Amazônia, 1614-2003. Porto Alegre: Metrópole, 2003.

______. Artilharia Divisionária da 6ª DE: AD Marechal Gastão de Orleans. Porto Alegre: Promoarte, 2003.

______. As batalhas dos Guararapes: descrição e análise militar. Recife: UFPE,19711 ed e Porto Alegre:AHIMTB/Metropole, 2004.

______. As escolas do Exército em Rio Pardo: 1859-1911.

­­­­­­______. Comando Militar do Sul: quatro décadas de História, 1553-1995 e antecedentes. Porto Alegre: Palotti, 1995.

______. Hipólito da Costa: o gaúcho fundador da Imprensa Brasileira. Porto Alegre: Metrópole, 2005.

______. História da 3ª Bda C Mec: Brigada Patrício Corrêa da Câmara.

______. História da 3ª Região Militar: 1889-1953. Porto Alegre: 3ª RM, 1995.

______. Inspirações geopolíticas das ações de Portugal e do Brasil no Prata e suas projeções no Rio Grande do Sul:1680-1900.

______. O Exército Farrapo e os seus chefes. Rio de Janeiro: Bibliex, 1993.

______. O Exército na proclamação da República. Rio de Janeiro: SENAI, 1989.

______. Presidente Vargas e a sua projeção no desenvolvimento da Doutrina do Exército: 1930/45. 2004.

CÂMARA, Hiram de Freitas. Marechal José Pessoa: a força de um ideal. Rio de Janeiro: Bibliex, 1985.

ESCOLA DE COMANDO E ESTADO- MAIOR DO EXERCITO.ECEME A Escola do Método Um século pensando o Exército. Rio de Janeiro:BIBLIEx,2005

ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO. Como estudar e pesquisar a História do Exército. Brasília: EGGCF, 1978. 1 ed e 2 ed 1999.

REFLEXÕES SOBRE A DOUTRINA MILITAR TERRESTRE BRASILEIRA

                Presenciando como convidado, em dois de outubro de 2005, as marcantes comemorações do centenário da Escola de Estado- Maior do Exército (ECEME), onde estudamos em 1967-69, fomos levados às seguintes considerações, ou reflexões, estimulados pela Ordem do Dia do primeiro comandante da centenária ECEME, o Gen Bda Miguel Maria Girard, retiradas do livro do qual então ganhamos exemplar junto com um diploma ECEME-A Escola do Método- Um século pensando no Exército

              “Estarei sempre pronto a colher, estudar e aceitar todas as idéias e informações que me queiram espontaneamente apresentar...”.

                Como historiador militar terrestre que me tornei desde que saí da ECEME e estimulado pelas idéias que ali colhi, passei a sonhar que o Brasil, disporía um dia de uma doutrina militar terrestre genuína,  como as que possuem as grandes potências e as grandes nações. Doutrina “Tupiniquim”  como a que sonhava, o pensador militar Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, patrono da ECEME.E estudando a História Militar destas nações que se tornaram grandes potências, ou grandes nações, concluímos que elas desenvolveram doutrinas militares próprias ao longo de seus processos históricos. E aprendemos que elas definem pragmaticamente  Doutrina Militar, como as maneiras pelas quais uma força armada considerada é organizada, equipada, instruída, motivada e empregada.      E, em conseqüência, é dividida em campos denominados  Organização, Equipamento, Instrução e Motivação que se situam na área  da Ciência Militar e o Emprego na área  da Arte Militar.

    Estudando a História Militar Terrestre do Brasil, concluímos que ela sofreu influências mais fortes das seguintes nacionalidades, além de outras em menor intensidade: espanhola, até 1659; inglesa, até 1822; e continuada indiretamente  através de Portugal, até cerca de 1920; francesa, até 1940 e norte-americana até os nossos dias.

  Mas aprofundando nossas pesquisas constatamos que o Brasil resolveu dois dos seus maiores problemas estratégicos com doutrinas próprias:

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    1º A Guerra Brasílica, desenvolvida na Bahia e Pernambuco de 1824/1854, da qual resultou a expulsão do Exército Holandês, preservando-se a Unidade Nacional e servindo o dia 19 de abril, dia da 1ª Batalha dos Guararapes, para ser consagrado como o Dia do Exército Brasileiro, cujo espírito ali despertou junto com o de nacionalidade.        

Assunto que abordamos em nosso livro As Batalhas dos Guararapes – descrição e análise militar (1971) e ora reeditado ampliado pela AHIMTB, em Porto Alegre, em comemoração aos 356 anos da 1ª Batalha. Doutrina luso-brasileira ou Guerra Brasílica que, também, analisamos no livro Como estudar e pesquisar a História do Exército Brasileiro (1978) e (1999).

E a partir deste estudo sobre as batalhas dos Guararapes que chegamos a conclusão da presença nelas  de um grande profissional militar, o Sargento- Maior Antônio Dias Cardoso, que fora mandado da Bahia para Pernambuco, numa missão hoje tipo forças especiais,  para preparar, nas matas de pau-brasil em Pernambuco, a Insurreição Pernambucana. Personagem que abordamos criticamente pela primeira vez em nosso citado livro sobre as Batalhas dos Guararapes e a seguir no capítulo das Guerras Holandesas, da História do Exército editada pela Comissão de História do Exército do EME (CHEB) em 1972, e na condição de historiador convidado pelo EME, para escrever o capítulo Guerras Holandesas. Desde 1971 Dias Cardoso era considerado um patrono não oficial da Forças Especiais do Brasil até ser consagrado pelo Exército como tal , com apoio em dados que fornecemos as mesmas. Desde 1972 Dias Cardoso foi consagrado nome de uma das ruas do Bairro Guararapes na AMAN , até ser consagrado como nome de uma de suas turmas.

A Guerra à Gaúcha, desenvolvida no Rio Grande do Sul de 1763/77, quando ele foi invadido em 1763 e 1774, e estava muito mal guarnecido. E a solução foi apelar para a guerra de guerrilhas, “a guerra do fraco contra o forte”, que tomou o nome regional de guerra à gaúcha, que esteve presente no Sul até 1932, último confronto militar lá ocorrido.

                Guerra à gaúcha, desenvolvida com o apoio na seguinte diretriz emanada do Rio de Janeiro, incapaz de socorrer o Rio Grande do Sul invadido:

                “A guerra contra o invasor será feita com pequenas patrulhas localizadas em matas e nos passos dos rios e arroios. Destes locais sairão ao encontro dos invasores para surpreendê-los, causar-lhes baixas, arruinar-lhes cavalhadas e suprimentos e ainda trazer-lhes em constante e contínua inquietação”.

                 E isto foi muito bem executado, sagrando-se com mestres deste tipo de guerrilha, o lagunense Cap Francisco Pinto Bandeira,  que comandou a primeira subunidade do então criado, o legendário  Regimento de Dragões do Rio Grande e mais seu filho, o Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira, o primeiro gaúcho ou continentino, a galgar o generalato e por nós estudado na obra Comando Militar do Sul – 4 décadas de História (1995) e hoje patrono do  8º   Esqd C Mec, em Porto Alegre, pertencente à 8ª Bda Inf Mtz, sediada em Pelotas e cuja proposta foi por nós instruída , a pedido do comando da 8ª Brigada Inf Mtz .

      Abordamos pioneiramente a guerra à gaúcha na obra que escrevemos em 1972 e ora publicada pela AHIMTB, Hipólito da Costa – o gaúcho fundador da Imprensa Brasileira (2005). E, antes, na obra A Guerra de Restauração do Rio Grande (1996), como apoio no relatório do Comandante do Exército do Sul, Ten Gen Henrique Bohn e sua correspondência com o Vice- Rei. E ambos, pela primeira vez, explorados como História Militar Crítica.

      Escrevemos mais especificamente sobre o assunto em artigo Guerra à Gaúcha, na Antologia do CIPEL (1996).   Prosseguimos nos estudos sobre doutrinas brasileiras de guerras de resistência, ao estudarmos, a Guerra dos Palmares, que durou cerca de um século. E ali constatamos uma doutrina militar genuína brasileira, A Guerra do Mato desenvolvida como

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guerrilha pelos quilombolas e como antiguerrilha pelos que  combateram, por um século, aquela resistência. Tipo de guerra lembrado por José Bonifácio, que havia sido guerrilheiro em Portugal, para expulsar Napoleão. Modalidade que pretendia adotar no Brasil caso fosse este invadido.                  

       E pesquisando ainda antiguerrilhas bem sucedidas no Brasil, vamos encontrar, o hoje patrono do Exército, Duque de Caxias e, também patrono de nossa AHIMTB, que pacificou o Maranhão, usando guerrilhas contra guerrilhas,  bem como  no combate aos revoltosos farrapos no Rio Grande do Sul. Valendo - se nesta, contra  o grande mestre da guerra à gaúcha, Davi Canabarro, de  outros dois mestres nesta modalidade, o General Bento Manoel Ribeiro e o Ten Cel GN Francisco Pedro de Abreu, o Moringue ou Chico Pedro, conforme abordamos em nosso livro O Exército Farrapo – os seus chefes (1992).

       Ouvi contar que o Paraguai enfrentou e venceu uma guerrilha na região do Chaco e perguntado como tinha sido bem sucedido, respondeu haver seguido a tática de guerrilha contra guerrilha, usada no Maranhão, em 1838, por Caxias.

                  Ao escrevermos nosso livro, Amazônia Brasileira – Conquista, Consolidação, Manutenção – História Militar Terrestre da Amazônia 1614-2004 (2004), deparamos com as guerrilhas lideradas contra os invasores pelo então Capitão Pedro Teixeira. E, mais tarde no Acre, o gaúcho Plácido de Castro, veterano major federalista em 1893-95, apropriando lições de guerra à gaúcha contra o inimigo regular que ali ele enfrentou e venceu.

               Os indígenas da Amazônia possuíam suas doutrinas militares próprias que deveriam ser apropriadas a uma doutrina militar de resistência naquela área.É de interesse as observações do padre jesuíta João Daniel, que lá viveu por 18 anos e que escreveu na prisão de São Julião, em Lisboa, em 1797, a obra Tesouro descoberto no máximo rio Amazonas, cujas informações de interesse militar as reproduzimos nos sub- títulos: Aspectos de interesse militar dos índios e As guerras entre índios amazônicos e sua arte militar.

                Entre os pioneirismos de adaptação de doutrinas militares estrangeiras às nossas realidades operacionais, o Duque de Caxias, desponta como pioneiro, ao adaptar, em 1863, como Ministro da Guerra, as nossas realidades operacionais que ele vivenciara no Maranhão, em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e na Guerra contra Oribe e Rosas (1851/52), as Ordenanças de Portugal ou a Doutrina Militar portuguesa, de influência inglesa. E ninguém reclamou desta sua doutrina no Paraguai, a não ser os nossos inimigos de então.

              O Marechal Floriano Peixoto teve preocupação doutrinária genuína ao mandar editar o livro História da Guerra do Paraguai, pelo seu veterano Cel Emilio Carlos Jourdan, patrono de cadeira na AHIMTB,  para que os alunos de nossas escolas militares vivenciassem as realidades operacionais sul-americanas.

              O Marechal Castello Branco, pensador militar fecundo, tinha esta preocupação conforme nos revelaram os coronéis Francisco Ruas Santos e José Fernando Maia Pedrosa,  no livro Marechal Castello Branco – seu pensamento militar 1946-1964 (1968), lançado na ECEME quando ali estudávamos e por iniciativa de seu comandante o Gen Bda Reinaldo de Mello Almeida. Recordo que foi nesta ocasião que ali surgiu o Sistema de Apoio Administrativo do Exército Brasileiro (SAAEB) para adaptar o apoio administrativo em nosso Exército às realidades econômicas do Brasil. Creio que daí resultou a criação, no nosso Exército, dos Batalhões Logísticos.

          Isto nos faz lembrar Canudos cuja Doutrina Militar era baseada numa Ordenança de Portugal, apropriada  a uma guerra regular na Europa, mas imprópria  para  combater no ambiente sertanejo nordestino onde os revoltosos vinham obtendo  repetidos sucessos. Foi  preciso a intervenção e a criatividade do Ministro da Guerra, o Marechal Graduado Carlos Machado Bittencourt, de  deslocar-se até a Bahia e lá estabelecer uma estrutura de apoio logístico para apoiar as forças atuando contra Canudos. Na época as operações do Exército e Polícias Militares

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eram assinaladas por continuados insucessos e eram incapazes de possuir elementos para a realização de reconhecimento. Foi então que o General Carlos Telles, herói da resistência ao sítio federalista de Bagé, em 1893, selecionou de seu  31º Batalhão de Infantaria um grupo de militares

que dominava o uso do cavalo e formou com eles uma tropa montada de reconhecimento de posições dos revoltosos para prevenir emboscadas. Além disso, cumpria missões de recolhimento, no sertão,  de suprimentos de toda a ordem. Com estas medidas as emboscadas tornaram-se infrutíferas e melhorou a alimentação de sua tropa isolada.

            Outro pensador militar preocupado com esta idéia de doutrina militar terrestre brasileira foi o Cel J. B. Magalhães que materializou suas convicções em seu livro A evolução militar do Brasil (1958).

             Não posso aqui deixar de fazer referência a outro pensador militar contemporâneo, o Coronel Amerino Raposo Filho em seu trabalho notável que até despertou, em 1969, algumas reações contrárias na ECEME, sob o domínio da Doutrina Militar Norte- Americana: Caxias e os problemas militares brasileiros (1971). No capítulo VI de seu trabalho ele aborda o relevante subtítulo “Caxias, o inspirador de nossa doutrina militar”. Desta forma, o Coronel  Amerino demonstrou a notável visão estratégica de Caxias e a sua adaptabilidade, com facilidade, ao realizar em sua vida, operações militares completamente diversas em distintos Teatros de Operações (TO). Vale a pena ser relido e refletido! Tal análise foi reproduzida no livro Caxias e a Unidade Nacional (2003) comemorativo ao seu bicentenário, editado pela Academia de História Militar Terrestre da qual ele também é o patrono.

Castello Branco referia-se a Caxias como “possuidor da antevisão do praticável”, conforme abordamos no artigo intitulado Fontes de Cultura de Caxias em Arte da Guerra, publicado na Revista Militar Brasileira, v. 116, março 1980 e repetido por iniciativa da citada revista no v. 120, jul/set 1983, trabalho que  incorporamos no livro Caxias e a Unidade Nacional (2003).

              Estes pensadores militares dos quais tomei conhecimento, ousaram pensar, além dos limites da doutrina militar vigente de influência estrangeira e fizeram o Exército avançar, conscientes que uma doutrina militar possui duas constantes: “o homem e a sua contínua mudança”. E esta se faz necessária no caminho de uma efetiva e constante nacionalização.

               Hoje, uma Doutrina Militar consta de um enorme contexto de documentos que constituem em seu conjunto o Corpo de Doutrina, que para entrar em vigor necessita  de regulamentação. Além disso, do conhecimento, do estudo e da prática por parte de todos os possíveis executantes, apoiados em manuais específicos, como os traduzidos pelo Estado- Maior da Zona Interior da Força Expedicionária Brasileira que funcionou na Casa de Deodoro, no Rio de Janeiro. Um Corpo de Doutrina do Exército, nestas condições, tem sido o grande desafio aos historiadores, pensadores, instrutores, planejadores e chefes militares do Exército.

              E, deste modo, contrariando este pensamento derrotista ou conformado: “No Exército, nada se cria, nad

 


Última alteração em 07-04-2006 @ 01:31 pm

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