Olá Visitante! Junte-se a nós! ou Entre para inserir uma História Militar.
[ Anuncie Já | Fórum | Blogs | Bate-Papo | Ajuda | Proposta ]
 
Página PrincipalPortal Militar Escute hinos e canções militares na Rádio do PortalHinos Fórum do Portal MilitarFórum Blogs Hospedados no PortalBlogs Converse no chat com militaresBate-Papo Videos do YoutubeVideo ArtigosArtigos AgendaAgenda Hotel de TrânsitoHotel Deixe um mensagem para todos do portal.!Fonoclama EntrarEntrar! Junte-se a nós!Junte-se a nós!
  Ir para Página Principal do Portal Militar
 
   
 
[ Todos as Histórias | Todos os Colaboradores | Os últimos 20 Colaboradores ativos ]

[ Dúvidas | Política de Publicação | Busca avançada ]

Usuários Colaboradores podem enviar Histórias Militares ou relacionadas, além de poder comentar as Histórias enviadas por outros usuários!
© Todos os direitos reservados aos seus autores. Esta material não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização de seus autores. As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Portal Militar.com.br ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo brasileiro.
 

 
O Exército e a revolução Farroupilha – Uma releitura
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-04-2006 @ 02:00 pm
 

 

O GAÚCHO

Ó                                        ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DAS ATIVIDADES DO

INSTITUTO DE HISTÓRIA E TRADIÇÕES DO RIO GRANDE DO SUL 

170 anos do início da Revolução Farroupilhac 169 anos da Proclamação da República Rio-Grandense

Ano  2005  -    Edição Especial

O EXÉRCITO E A REVOLUÇÃO FARROUPILHA – UMA RELEITURA

Com a abdicação de D. Pedro I, forças políticas que assumiram os destinos do Brasil provocaram um enfraquecimento do poder militar brasileiro, sob o falso lema de que as Forças Armadas não podiam ficar nas capitais e sim na defesa das fronteiras e do litoral. Basearam-se na seguinte falsa premissa:

“Forças numerosas e permanentes são uma ameaça: À Liberdade. À Democracia. À Prosperidade econômica. À Paz”...

O caso mais gritante foi a dispensa, por ser estrangeiro (francês), do tenente Emílio Luís Mallet, atual patrono da Artilharia. Mallet foi consagrado herói na batalha do Passo do Rosário (Guerra da Cisplatina) e havia cursado a Escola Militar do Brasil.

No Rio Grande do Sul esta política atingiu radicalmente a estrutura do Exército, ao ser ordenado que o Batalhão de Artilharia, ao comando do Major José Mariano de Mattos fosse aquartelar em Rio Pardo. José Mariano era carioca, formado pela Escola Militar, e deputado provincial no Rio Grande do Sul. Foi Ministro da Guerra e da Marinha, vice-presidente da República e Presidente interino na República Rio-Grandense, para cuja adoção ele influiu decisivamente, depois da vitória da Brigada Liberal do Gen Antônio de Souza Neto na batalha do Seival, em 10 Set 1836. Mariano de Mattos foi o autor do brasão que figura na bandeira da República Rio-Grandense. Esta bandeira, com o respectivo brasão, foi adotada para o Rio Grande do Sul pelos constituintes de 1891. Este assunto foi abordado em nosso livro “Símbolos do Rio Grande do Sul”...

Próximo ao final da Revolução, Mattos foi preso em Piratini por Chico Pedro, também conhecido pela alcunha de Moringue, mais tarde Barão de Jacuí. Foi mantido preso em Canguçú, base de operações de Moringue, em cadeia que este mandara construir como “quarto de hóspedes para os farrapos”, como ironicamente divulgava.

Finda a Revolução, José Mariano de Matos foi o Ajudante-General de Caxias na guerra contra Oribe e Rosas em 1851- 52.  Ao retornar ao Rio retomou sua carreira. Mais tarde, em 1864, foi Ministro da Guerra do Império. Faleceu em 05 de janeiro de 1866.

O Major João Manuel de Lima e Silva, tio de Caxias, por ser irmão do pai deste, o Brigadeiro Lima e Silva, possuía o curso da Escola Militar e comandava a unidade de Infantaria do Exército em Porto Alegre. Esta unidade foi transferida com ele para São Borja. No deslocamento, estacionou em Rio Pardo, por falta de condução para seguir para seu destino. João Manuel foi um dos que opinou pela proclamação da República Rio-Grandense, pela qual foi eleito o primeiro general farroupilha. Comandou o Exército Farrapo em Pelotas, com vistas à reconquista da cidade de Rio Grande, até sofrer ferimento no maxilar, deformador de seu rosto, sendo obrigado a ir tratar-se no Uruguai. Terminou sendo assassinado em São Borja, de onde foi exumado e sepultado com toda a pompa e circunstância em Caçapava do Sul. Seu túmulo foi, mais tarde, profanado por imperiais, e seus ossos espalhados pelos campos.

Esta introdução serve para se entender a ação dos dois e de seus comandados, em Rio Pardo, para a eclosão da Revolução Farroupilha.

Revoltados pelas sutis ações contra o Exército, visando o seu enfraquecimento ou erradicação, passaram a conspirar uma revolução. Vale lembrar que os coronéis Bento Gonçalves da Silva e Bento Manoel Ribeiro eram oficiais de Estado- Maior do Exército e que, um pouco antes, haviam comandado unidades de Cavalaria do Exército, respectivamente em Jaguarão e Alegrete. Estas unidades, juntamente com a de Bagé, haviam sido enfraquecidas radicalmente pelo Governo, pela redução de seus efetivos de cerca de 800 homens para cerca de 100. Os dois Bentos estavam revoltados com esta situação. A Bento Gonçalves cabia, na época, o comando da Guarda Nacional do Rio Grande do Sul, integrada por estancieiros, fazendeiros, charqueadores e mais pessoas que conseguissem mobilizar. Estancieiros, fazendeiros e charqueadores estavam revoltados com o aumento do imposto sobre a légua de campo e com impostos escorchantes sobre o charque gaúcho, beneficiando o charque dos uruguaios e argentinos, inimigos de ontem.

A Guarnição do Exército do Rio Grande do Sul era a mais poderosa do Império. Os desgostos com impostos, acima citados, somados aos de militares do Exército e da Guarda Nacional, serviram de combustível para as ações de 20 de setembro de 1835.

Estas ações foram decididas numa reunião maçônica em Porto Alegre, no dia anterior, na qual estavam presentes Bento Gonçalves e José Mariano de Matos.  

A proclamação da República Rio-Grandense, em 11 de setembro de 1836, no Campo do Menezes, também foi decidida em uma reunião maçônica, aproveitando o êxito da vitória farrapa de Seival. O Coronel do Exército Joaquim Pedro Soares (1770-1850), herói farroupilha esquecido pela História, era veterano no Exército Português. Participou das lutas para expulsar Napoleão da Península Ibérica. Veio para o Brasil com a Divisão de Voluntários Reais e, no Rio Grande do Sul, foi quem organizou o Corpo de Lanceiros Negros Farroupilhas. Estudamos Joaquim Pedro Soares em “O Exército Farrapo e os seus chefes”, Biliex, Rio, 1992, v.1, p.168/170. História é verdade e justiça!

Em Rio Pardo, os majores do Exército José Mariano e João Manuel fundaram, em 7 de abril de 1835, no 4º aniversário da Abdicação de D. Pedro I, a Sociedade Defensora, agitando as questões aqui abordadas. Dezessete dias após a Abdicação, em 24 de abril de 1835, ocorreu o assassinato do Juiz Casemiro de Vasconcelos Cirne, às 0900 h da manhã. Este Juiz processava acusados de promoverem agitação política em Rio Pardo. O major José Mariano foi acusado de envolvimento, não provado, na morte do mesmo e foi enviado preso para Porto Alegre.

Esta participação do Exército na Revolução Farroupilha, até bem pouco tempo não abordada pela historiografia, a concluímos em nosso citado livro “O Exército farrapo e seus chefes”, elaborado depois de detida pesquisa em fontes primárias na coleção Anais do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul.

A Revolução Farroupilha, iniciada em 20 de setembro de 1935, evoluiu em 11 de setembro de 1836 para a proclamação da República Rio-Grandense, que duraria cerca de 9 anos e que influenciaria, 44 anos mais tarde, na Proclamação da República no Brasil.  Esta proclamação foi realizada sob forte influência de oficiais que atuaram, em 1886, na Questão Militar no Rio Grande do Sul, ao tempo em que o Marechal Deodoro da Fonseca era o presidente e comandante das Armas da Província. No Rio Grande do Sul, Deodoro recebera a influência republicana de Júlio Prates de Castilhos e de Joaquim Francisco de Assis Brasil.

Indo para o Rio de Janeiro, o Marechal Deodoro e seu grupo fundaram no ano seguinte, em 1887, o Clube Militar. Em 1888 influíram decisivamente na abolição da escravatura, ao protestarem contra o uso do Exército como “capitão-de-mato” para perseguir escravos fugidos. E, finalmente, em 1889, três anos depois da Questão Militar no Rio Grande do Sul, proclamaram a República Brasileira, agora já com 116 anos, e que caminha para duplicar os anos de duração do Império.

Tanto influiu a República Rio-Grandense na adoção da República do Brasil que os constituintes gaúchos de 1889 adotaram, como símbolos do Rio Grande do Sul, a bandeira, o brasão e o hino da República Rio-Grandense.

A República Rio-Grandense não foi só feita e conduzida por gaúchos. Dela participaram, com destaque, dois fluminenses oficiais do Exército, José Mariano de Matos e João Manoel de Lima e Silva; três mineiros, que foram ministros da República, Domingos José de Almeida, de Diamantina, Ulhôa Cintra, de São João d’el Rei, que era Coronel de Cavalaria do Exército, e José da Silva Brandão, de Ouro Preto. No campo militar, ao lado dos generais gaúchos Bento Gonçalves, Antônio Neto, Davi Canabarro e Antônio da Silveira, atuou o paulista de Sorocaba, General Bento Manoel Ribeiro.

(*) Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB) e do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)

Atividades do IHTRGS

No período de 09 a 17 de setembro, o Presidente da AHIMTB e do IHTRGS, Cel Bento, veio ao Rio Grande do Sul. Em Rio Grande, em cerimônia realizada no 6º GAC, condecorou com a medalha do Mérito Histórico Farroupilha os historiadores João Marinônio Carneiro Lages e Flávio Azambuja Kremer. Em Canguçú, condecorou os historiadores Armando Ecíquo Peres e Cairo Moreira Pinheiro. Em Porto Alegre, em cerimônia realizada no Colégio Militar, condecorou o Coronel Roberto Leonardo Carvalho de Araújo e o Major da Brigada Militar do Rio Grande do Sul André Luís Woloszyn, ambos membros do IHTRGS. Entregou diploma de Colaborador Emérito da AHIMTB ao Comandante do CMPA, Ten Cel Thiovanni Piaggio Cardoso.  

O Cel Bento, dirigindo-se a oficiais e alunos do CMPA presentes à citada cerimônia, destacou a importância da participação de oficiais do Exército na Revolução Farroupilha, e a Instituição como preservadora das fontes sobre a citada Revolução.

Esteve, também, em visita ao Reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Dr. José Carlos Ferraz Hennemann, ao Comandante Militar do Sul, General Carlos Alberto Pinto Silva e ao Comandante da 3ª Região Militar, General Marco Antônio Longo.

Cláudio Moreira Bento, Cel. Luiz Ernani Caminha Giorgis, Cel

Presidente da AHIMTB/IHTRGS Vice-Presidente e Delegado/RS

Visite o site da AHIMTB: www.resenet.com.br/users/ahimtb 

 


Última alteração em 07-04-2006 @ 02:00 pm

[ Envie esta História para um amigo! ]

 
Comentar
Comentar
Veja mais
Veja mais
Perfil do usuário colaborador
Perfil do usuário colaborador
Envie uma Mensagem Privada
Envie uma Mensagem Privada