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Os 150 anos da guerra contra Oribe e Rosas 1851-52
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-04-2006 @ 02:03 pm
 

 

Em 1851 o poder na Argentina era exercido fazia 22 anos por D. Juan Manuel Rosas, ou desde  1829 e, no fazia 17 anos Uruguai, ou desde 1834, por Manuel Oribe. Rosas alimentava o sonho de reconstituição do antigo Vice-Reinado do Prata e por via de conseqüência, a ameaçar a soberania e integridade do Brasil ,  do Uruguai e do Paraguai . No Prata projetavam-se interesses ingleses e franceses que contrariavam os do Uruguai, Argentina e Brasil. Rosas tentou interferir na Revolução Farroupilha. O Brasil reconheceu a independência do Paraguai em 1844.

Caudilhos platinos disputavam o poder!

Em 1850 Manuel Oribe hostilizou brasileiros residentes no Uruguai. O barão do Jacuí Francisco Pedro de Abreu, “O Moringue”, que se celebrizara no combate à Revolução Farroupilha, agora liderando fazendeiros brasileiros, invadiu o Uruguai em ações denominadas Califórnias de Chico Pedro. Rosas exigiu satisfações, fato que terminou com o rompimento de relações Brasil - Argentina. Em 1850 o Brasil assinou com o Paraguai um tratado de aliança defensiva e ofensiva para fazer frente ao objetivo de Rosas de incorporar o Paraguai.

Na área do Rio Grande do Sul , desde 6 maio 1851,no 1º Distrito Militar(atual 3a RM), a movimentação foi intensa para o preparo de suas forças para a guerra iminente, ao lado de medidas políticas e econômicas e de aliança militar com caudilhos que se opunham a Rosas e Oribe.

O então Conde de Caxias foi nomeado presidente do Rio Grande e comandante da atual 3ª RM pela 2ª vez.

E a 3ª RM, ao comando de Caxias organizada em quatro divisões, constituiu-se no principal elemento terrestre para conduzir a guerra contra Oribe e Rosas em aliança com Urquiza, governador de Entre-Rios e Virasoro, governador de Corrientes e motivada pelas seguintes causas:

      -     Defesa dos limites do Brasil com o Uruguai

-             Manutenção de independência do Uruguai e Paraguai.

-             Defesa da livre navegação no Rio da Prata, fechada fazia cerca de 9

                 anos desde 1842 por Rosas

-             A defesa de propriedades de brasileiros na fronteira com Uruguai e

                de brasileiros perseguidos no Uruguai por Oribe.

A guerra que então teve lugar, envolveu o território da 3ª RM e parcelas expressivas dos territórios do Uruguai e Argentina. Teria sido envolvido o Paraguai, se este tivesse cumprido o tratado de 25 Dez 1850 com o Brasil.

Em Caçapava do Sul foi construída uma enorme base logística nucleada pelo monumental forte D. Pedro II, ainda com suas muralhas de pé, para aproximar o apoio às operações contra Oribe e Rosas.

Caxias assumiu o comando da 3ª RM em junho e acelerou a concentração de suas forças na fronteira Brasil-Uruguai.

Concentrou o grosso em Santana do Livramento e colocou uma divisão em Jaguarão.

Operações contra Oribe

De Santana, Caxias lançou uma vanguarda ao comando do Ten Cel Manoel Luiz Osório para fazer a ligação com o Gen Urquiza, da qual nasceu o seguinte plano de operações aliado:

-             Urquiza atravessaria o rio Uruguai em Passo del Hijo, sob a proteção da Esquadra Brasileira, e operaria junção com as forças da 3ª RM, próximo à confluência do rios  Taquarembó com o Negro.

-             Atuação da Esquadra impedindo apoio mútuo Oribe - Rosas, ao longo do rio Uruguai.

Urquiza, tirando proveito da cobertura da 3ª RM e da Esquadra, marchou para o Sul, sem honrar o combinado, levando como vanguarda Servando Gomes, que Oribe havia mandado para combatê-lo.

Nas imediações de Montevidéu, Urquiza, após escaramuças com Oribe, celebrou um Convênio de Capitulação sem consultar Caxias.

Caxias e as tropas da 3ª RM internaram-se no Uruguai. Percorreram 500Km de terreno difícil, agravado pelo mau tempo. Levaram, como impedimenta mais de 100 carretas tracionadas por bovinos, inclusive a artilharia de Mallet, que aí adquiriu seu apelido histórico de “Boi de botas”, pois enfrentaram lama grossa no itinerário de marcha.

Então, as tropas da 3ª RM, revelando “elevado grau de abnegação, resistência e espírito de sacrifício” cumpriram etapas de 17 Km por dia, sem encontrarem locais para acantonar.

Em 14 out 1851, Caxias operou junção com Urquiza. Isso assinalou o término da guerra contra Oribe e, por via de conseqüência, garantiu segurança para os rio  -grandenses da Fronteira ou moradores do Uruguai.

Guerra contra Rosas

Em 21 nov 1851, ficou estabelecido um tratado entre os aliados( brasileiros uruguaiose argentinos )contra Rosas e não contra a Argentina.

-             Urquiza comandaria o Exército de Invasão destinado a combater Rosas.

-             Caxias permaneceria no Uruguai, mais especificamente em Colônia do Sacramento, com o grosso da 3ª RM e em condições de atuar, caso necessário.

-             O Brasil contribuiria na invasão com uma Divisão ao comando do Brig. Manuel Marques  de Souza – o futuro barão de Porto Alegre e

-             A Esquadra Brasileira cooperaria da melhor forma com a invasão.

-             A transposição das forças de invasão seria na ponta do Diamante, para onde os aliados se deslocaram  da seguinte forma:

-   A Cavalaria Argentina marchou por terra até a concentração.      

-             A Infantaria e Artilharia argentinas foram transportadas pela Esquadra Brasileira que forçou Tonelero.

-             Os uruguaios foram transportados pela Esquadra Brasileira até Potrero Pires. Dali, por terra, alcançaram Diamante em 31 dez 1851.

A 1ª Divisão Brasileira destacada do nosso Exército embarcou em Colônia do Sacramento em nossa  Esquadra e chegou em Diamante, em 20 dez 1851.

Em 30 dez 1851, havia  sido concluída a concentração em Diamante, após 40 dias de haver sido decidida.

A transposição do rio Paraná, em Diamante, teve início a 23 dez 1851, com a Cavalaria de Urquiza atravessando a nado para estabelecer uma cabeça – de -praia na margem direita. Operação épica que descrevemos em Travessia Militar de Brechas e Cursos d’água no Brasil(1645-1986), em A  Defesa Nacional (nº 723, Nov/Dez 1985). Transposição sem atuação inimiga que se estendeu por cerca de 15 dias. Nela a Esquadra Brasileira teve papel decisivo.

A Divisão de Cavalaria entre- riana, que atravessou o rio a nado, perdeu por afogamento muitos homens e cavalos.

Em 8 jan 1852, todo o Exército aliado havia transposto o rio e se concentrado em Espinilho.

E dali os aliados brasileiros, argentinos e uruguaios, sob o pomposo nome oficial Exército Grande da América do Sul, encetou sua marcha para Buenos Aires.

E, no dia 3 fev 1852, teve lugar a vitoriosa batalha de Moron ou de Monte Caseros, na qual a 1ª Divisão Brasileira destacada das tropas de Caxias, teve marcante atuação.

À Divisão Brasileira coube  atacar o centro da posição inimiga, que era o ponto mais forte – El Palomar e Caseros, que os brasileiros conquistaram.

A Divisão Brasileira, que lutou em Monte Caseros, foi constituída ruída das seguintes unidades:

-             Infantaria: 5ª, 6ª, 7ª, 8ª , 11º e 13º Batalhões

-             Artilharia: 1º RA(200h)

-             Cavalaria ;2º RC ao comando do Ten Cel Manoel Luiz Osório.

Total: 4.020 homens ou 1/6 do efetivo aliado.

Muito contribuiu para o rompimento da posição rosista atiradores de escol alemães, em número de cerca de 100, que foram espalhados entre as unidades brasileiras de Infantaria e armados de moderníssimos fuzis Dreyse de agulha, conforme abordamos em nosso Estrangeiros e Descendentes na História Militar do RGS, ao tratarmos dos Brummer, a Legião Alemã contratada na Prússia pelo Brasil para este conflito e composta de um BI, um RA e duas Companhias de Pontoneiros equipadas com equipagens Birago.

Enquanto isso se passava, Caxias, com o restante das tropas da 3ª RM em Colônia, e com apoio da Esquadra Brasileira, ali aguardava o desenrolar dos acontecimentos, após haver reconhecido, em 17 jan,1852 , a costa junto a Buenos Aires onde escolheu um local para um possível desembarque.

Rosas conseguiu evadir-se a bordo de um navio inglês. A Divisão Brasileira desfilou triunfalmente em Buenos Aires. Em 1º Mar, retornou coberta de glória a Montevidéu onde se reintegrou às forças da 3ª RM.

Com a vitória sobre Rosas forma definidos:

-             Os limites Brasil-Uruguai.

-             A confirmação das independências de Uruguai e do Paraguai.

-             O direito do Brasil à livre navegação no Rio da Prata.

-             A reparação da espoliação de patrimônios de brasileiros no Uruguai, que foram ameaçados em sua  vida e ofendidos em suas honras e dignidades

Como se vê, foi grande a repercussão geopolítica da atuação, mais uma vez da atual 3ª RM, ao comando de Caxias.

Esta campanha é tratada com riqueza de detalhes operacionais por Genserico Vasconcelos, e riqueza documental, por Bormann e Titara, nos seguintes clássicos:

-             VASCONCELOS, Genserico, Cap. História Militar do Brasil. Rio,

                            BIBLIEX, 1941, v. 2 (baseada no livro a seguir).

-             BORMANN, J. Bernardinho, Mar. Rosas e o Exército Aliado. Rio

                     Of. Tip. Gerson, 1912(É a obra mais importante de autoria de ex-

                      comandante da 3ª   RM).

-             TITARA, Ladislau dos Santos. Memórias do grande exército

                    aliado   libertador do sul da América. Rio, BUIBLIEX, 1950.

                          Bormann e Genserico são patronos de cadeiras da AHIMTB

Com a experiência adquirida na Revolução Farroupilha e na guerra contra Oribe e Rosas, Caxias, ao assumir o Ministério da Guerra pela primeira vez em 1855, procurou modernizar o Exército:

-             Erigiu a Escola Militar na Praia Vermelha em 1855-58

-             Adaptou a tática das Armas às Ordenanças de Portugal, levando em conta as peculiaridade do Exército e a natureza de nossas guerras.

-             Introduziu no Exército estruturas, cuja eficiência comprovara no comando do Exército   em operação de guerra contra Oribe e Rosas

Deixou uma preciosa visão geral do território da 3ª RM entre as guerras contra Oribe e Rosas, 1851-52, e a do Paraguai, 1865-70, o médico alemão:

AVÉ-LALLEMAN, Roberto. Viagem  pelo Sul do Brasil em 1858. Rio, INL,

     1953, 2 v.

Itinerário que percorreu: Rio Grande–Porto Alegre–Rio Pardo–Santa Cruz- Rio Pardo – Cruz Alta – Cachoeira – Santa Maria – São Martinho – Missões – São Borja – Itaqui – Uruguaiana – Alegrete – Saicã – São Gabriel – Caçapava – Cachoeira – Rio Pardo – Taquari – Porto Alegre – São Jerônimo – Rio Grande – Pelotas – Rio Grande.

Ele evidenciou então  as preocupações e preparativos na área da 3ª RM para com a Guerra do Paraguai, que ocorreria    7 anos depois .        

A Infantaria passou a ser instruída pelo sistema do Cel Bernardo Antônio Zagalo. A Cavalaria adotou o regulamento do Mar. Carl Beresford que comandara a reação em Portugal contra a invasão de Napoleão. A Artilharia adotou o Regulamento da Guarda Francesa do Gen. Pardal, talvez influência de Mallet. A Engenharia ganhou a sua primeira equipagem de pontes Birago prussiana que por muitos anos foi usada em Rio Pardo.

Em 1860 Caxias adotou as Ordenanças de Portugal com as adaptações que a pacificação do Maranhão, São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul e Guerra contra Oribe e Rosas lhes impuseram. E justificou:

“Até que se possua uma doutrina genuinamente nossa”.

E foi com esta doutrina que o nosso Exército iria enfrentar a Guerra do Uruguai, 1864-65, e do Paraguai 1865-70, contando mais com os ensinamentos colhidos da Guerra  da Secessão nos EUA, a primeira guerra total da História Militar.

Para acompanhar-se a evolução administrativa do Exército no Império 1822-89 e os seus reflexos no Exército , consultar a obra:

PONDÉ, Francisco de Paula e Azevedo, Gen. Organização Administrativa

        do Ministério da Guerra no Império. (Rio, BIBLIEX, 1986)

Dela podem se extrair informações, tais como as a seguir: As forças do Exército   que combateram nesta guerra foram organizadas em acordo , Dec 762, de 2 fev 1851. Dispuseram de Ajudante General(com respectivos deputados do Ajudante General nas divisões. E as brigadas teriam assistentes do deputado por divisão e um assistente do deputado divisionário), o Quartel Mestre General(com um deputado por divisão e um assistente do deputado por brigada) e o Secretário Militar.

O Ajudante General era responsável por planos, operações, justiça, instrução, administração do pessoa. O Quartel Mestre General reunia funções logísticas (aquisição, depósito, transportes material e pessoal).

Explicamos isto em detalhes em O Exército na Proclamação da

    República(Rio, SENAI, 1989).

Esta estrutura testada com sucesso na guerra em foco foi introduzida no Exército por lei 648, de 18 Ago. 1852.

Durante esta guerra, o efetivo das forças terrestres brasileiras era em torno de 28.371h, assim distribuídos: Exército 18.957; Forças Auxiliares – 1.091; Guarda Nacional destacada – 8.323h.

Dec. 553 de 5 Abr. 1852 aprovou o regulamento do Curso de Cavalaria da Província do Rio Grande do Su;. Dec 908 de Jun. 1852 aprovou regulamento de 26 artigos para os inspetores de Infantaria, Cavalaria e Artilharia das OM do Exército.

Dec. 7025, de 7 Ago. 1852, aprovou novo plano de uniformes.

Por aviso circular de 19 Ago 1893, o Exército  criou escolas elementares, em suas OM, de primeiras letras, destinadas a praças que tenham revelado potencialidade de acesso, a cabos e sargentos. Era a origem das centenárias Escolas Regimentais. Caxias retornou muito doente desta guerra ,acreditando haver perdido definitivamente sua saúde que ele recuperou depois de longa estação e águas em Caxambú ,combinada por banhos de cachoeira em São João Del Rey .

(x) Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e do

                      Instituto de História e Tradições do RGS

 

OS 150 ANOS  DA BATALHA DE MONTE CASEROS

 

Luiz Ernani Caminha Giorgis (x)

 

   Registramos, este ano, os 150 anos da Batalha de Monte Caseros, que teve lugar  em 3 fev 1852, próximo à localidade de Morón, a 30 Km a SO de Buenos Aires .Batalha  também conhecida como Batalha de Morón ou ainda como Batalha da Quinta dos Santos Lugares.

 Foi travada entre as tropas do ditador argentino Juan Manuel Ortiz de Rosas  e as tropas Aliadas ( Argentina, Brasil e Uruguai) ao comando do também argentino, Gen Justo José Urquiza e vencida por este.

    Esta batalha foi a principal e a final da campanha contra Rosas, que ameaçava incorporar à Argentina ,o Uruguai , o Paraguai e o Rio Grande do Sul, em seu sonho de reconstituir assim o antigo Vice - Reinado do Rio da Prata. O ditador contava com o apoio da Inglaterra, que tinha grandes interesses no Prata.

    Rosas contava com 24 .000 homens e os Aliados com 26.000, sendo destes 20.000 mil argentinos, 4.200 brasileiros e 1.800 uruguaios.

O efetivo brasileiro era 1/6 do total, mas foi o mais importante para a vitória, com a Divisão Brasileira, comandada pelo Brigadeiro Manuel Marques de Souza( 3º ) e futuro Conde de Porto Alegre .Divisão composta de  duas Brigadas de Infantaria. Ali lutou  o 2º Regimento de Cavalaria, de Bagé’, comandado pelo Tenente-Coronel Manuel Luiz Osório, hoje Patrono da Arma de Cavalaria e o 1º Regimento de Artilharia a Cavalo, o desde então famoso “Boi de Botas”, com 200 homens. O comandante deste Regimento  era o hoje Patrono da Artilharia, Marechal Emílio Luiz Mallet, que integrava  à 4ª Divisão de Cavalaria, comandada pelo Brigadeiro Davi José Martins Canabarro, herói da Guerra dos Farrapos.

 Embora Canabarro e Mallet não estivessem presentes à Batalha, o Regimento honrou os nomes destes bravos representado por artilheiros  seus comandados pelo Maj Joaquim Gonçalves Fontes.

   Distribuídos entre as tropas brasileiras de Infantaria estavam 100 atiradores de elite prussianos, usando os moderníssimos fuzis Dreyse de agulha (percussor).

   Os Aliados formaram o chamado Grande Exército Libertador da América do Sul, para livrar a Argentina da opressão e megalomania do ditador Rosas, no poder desde 1829, e que havia tentado, sem sucesso, interferir na Guerra dos Farrapos quando recebeu esta altiva recusa do General Canabarro comandante do Exército Farrapo:

“Com sangue do primeiro estrangeiro que atravessar a fronteira assinaremos a paz com o Império ..)

   A marcha para a concentração Aliada, antes da batalha, foi caracterizada pela difícil transposição do rio Paraná, em Diamante que durou cerca de 15 dias.

   Rosas em Caseros montou seu dispositivo com a tropa formando uma cunha com o Arroio Morón, e a Artilharia  protegida por parapeitos  e atiradores de escol nas sotéias (terraços) das casas da povoação e ainda duas Divisões de Cavalaria na Reserva.

O ponto mais forte era o centro. A sua Artilharia e  era bem superior à nossa. Mas foram caçados por atiradores brasileiros de escol ,munidos com os fuzis Dreyse a agulha ,de longo alcance ,segundo o Cel Cláudio Moreira Bento em sua obra Estrangeiros e descendentes na História Militar do RGS.( Porto Alegre:IEL,1975)

   Urquiza colocou os Aliados em linha oblíqua, com os uruguaios à direita, a Divisão Brasileira no centro e os argentinos à esquerda, reforçados estes com o 2º Regimento de Osório.

   Enquanto isso, ao Marquês de Caxias, que era o Comandante do então 1º Distrito Militar, hoje 3ª RM, estava acampado na Colônia do Sacramento com 16 .000  homens prontos a intervir, se necessário.

   A batalha começou às 0600 horas com troca de tiros de armas leves. O 2º RC foi lançado pela esquerda para chamar a atenção do inimigo, enquanto a direita transpunha o Arroio Morón.

Rosas resistiu a este primeiro golpe. Em seguida, os Aliados fizeram o centro e a direita girarem sobre o próprio flanco direito e a Divisão Brasileira atacou o centro de Rosas ,enquanto a nossa direita atacava a esquerda inimiga. Nesta hora houve um retardamento do avanço da Infantaria uruguaia e o Brigadeiro  Marques de Souza ordenou  a 1ª Bda de Infantaria  reforçar, mas esta acabou ultrapassando os orientais e conquistando a posição inimiga.

Enquanto isso a 2ª Bda Infantaria  atacava pela frente e colocava os rosistas  em fuga. O centro foi rompido às 1100 horas. O 1ºRACav (o Boi de Botas) bateu a Artilharia  de Rosas com auxílio  dos atiradores prussianos ( os brummer )  munidos de fuzis Dreyse .E  sob a proteção de nossa Artilharia os atiradores prussianos e caçadores brasileiros expulsaram à baioneta os rosistas  e tomaram as sotéias.

 Osório ainda fez uma carga com seu Regimento, venceu os rosistas  e arrebatou uma bandeira de Rosas. E, depois de mais alguns entreveros, às 1300 horas  “não havia mais inimigo a combater”. Toda a Artilharia , munições, equipamentos, fardamentos, armamentos, carros, carretas, cavalos, rosistas  caíram em poder dos Aliados. Foram feitos 7.000 prisioneiros.

   Na verdade, a resistência de Rosas não foi tão forte como se esperava, considerando-se a superioridade do armamento e a posição defensiva assumida. Os Aliados perderam 250 argentinos, 18 brasileiros (dois oficiais e mais 16 entre sargentos e soldados) e 19 uruguaios.

   Rosas fugiu para não ser preso . No caminho para o Porto de Buenos Aires renunciou em um papel escrito à lápis. Embarcou em um navio inglês e refugiou-se em Londres.

   A Divisão Brasileira desfilou nas ruas da capital, ovacionada pelo povo portenho e logo depois embarcou nos navios da nossa Esquadra, retornando à Pátria com a missão cumprida.

 O General Urquiza que assumiu a presidência da Argentina , em agradecimento, saudou o Brigadeiro Marques de Souza da seguinte forma:

“Quando a história, traçando o horrível quadro da ditadura argentina, tributar o merecido elogio aos libertadores desta terra, o nome de Vossa Senhoria e de seus valentes companheiros de armas, ocupará o honroso lugar que lhes compete, como dignos aliados da civilização e da liberdade.”

   Em conseqüência desta vitória, foram definidos os limites Brasil-Uruguai;  confirmou-se a independência do país oriental;  foi reparada a espoliação de brasileiros residentes naquele país, antes dominado pelo ditador Manuel Oribe, aliado de Rosas e , restabelecido o direito brasileiro à livre navegação no Rio da Prata, fechada desde 1842. E o General Urquiza governou a Argentina até 1860.

                                Fontes consultadas

1-ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL

        O Guararapes 32 .jan/mar 2002 .( os 150 anos da Guerra

         Contra Oribe e Rosas ,por Cláudio Moreira Bento )

         2-BENTO.Cláudio Moreira .História da 3a RM 1808-18889 e

          Antecedentes .Porto Alegre:SENAI,3a RM,1994.

3-(____).Estrangeiros e descendentes na História Militar do

            RGS,Porto Alegre :IEL,1975.

4-(____).Os patronos nas Forças Armadas do Brasil .No site

          (www.resenet.com.br/users/ahimtb)

5-DONATO,Ernani.Dicionário de batalhas brasileiras. São Paulo:

          IBRASA,1996.

6-PESSOA ,Corina de Abreu ,Cartas de Montevidéu. Rio deJaneiro

          BIBLIEx,1953 . 

7-VASCONCELLOS,Genserico , História Militar do Brasil. Rio

         de Janeiro BIBLIEx,1941.2v

(x) Acadêmico Delegado da Academia de História Militar Terrestre do Brasil no RGS –Delegacia Gen Rinaldo Pereira da Câmara e 1 vice Presidente do Instituto de História e Tradições do RGS

 


Última alteração em 07-04-2006 @ 02:03 pm

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