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Os molhes do Rio Grande – Construção e Projeção Econômica e Geopolítica
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-04-2006 @ 02:09 pm
 

 

De 15 a 18 de janeiro de 2006 , em férias, visitei com atenção os molhes de Rio Grande e me convenci da enorme obra de Engenharia que eles se constituíram  ao serem construídos no início do século 20. Antes eles me haviam chamado a atenção por meu pai que menino vivera na 4ª Seção da Barra como já abordamos noutro trabalho .

E das  várias tentativas para obter dados sobre como eles foram construídos, tive informação, do que hoje considero o maior historiador da cidade de Pelotas Flavio Azambuja Kremer e possuidor de notável Armazém Literário e Iconográfico sobre a História do Rio Grande do Sul e destacado acadêmico da Academia Canguçuense de História

E finalmente, obtive dados do jornalista Alan Bastos – Assessor de Imprensa do Porto do Rio Grande e que a seguir sintetizo e complemento.

Em 1881 a situação da Barra ficou crítica, limitada a embarcações de 2 metros de calado, que só podiam transpô-la depois de dias fora da Barra.

Em 1883, comissão chefiada pelo Engenheiro Honorio Bicalho – Diretor de Obras Públicas do Estado,   apresentou o projeto dos molhes convergentes para abrigar um canal de 8 a 9 metros de fundo. Segundo o Comandante Paulo de Paula Messiano, que foi Capitão dos Portos, em Rio Grande, “o projeto i do brasileiro Honório  Bicalho  adotou a solução de molhes convergentes e não paralelos, como preconizavam outros projetos . O seu  de convergência dos molhes ,segundo o citado comandante Messiano , aumentava o fluxo das marés, proporcionando assim dragagens naturais.” .

Foi neste ínterim, de 1889 a c1904, que meu avô Cel Genes Gentil Bento, futuro intendente de Canguçu de 1905/1917 e depois Chefe de Polícia e Secretário do Presidente do Estado de 1917/1922, foi trabalhar neste projeto . E  ele ali viveu de  1 a cerca de 14 anos o nosso  pai Conrado Ernani Bento, futuro Prefeito de Canguçu de 1931/1937 e de 1951/1954. A última  por  4 anos, no período que cursamos a Escola Preparatória de Cadetes de Porto Alegre e a Academia Militar das Agulhas Negras. E dessas lembranças da barra ele sempre me falava.

Em 1908 a construção dos molhes foi contratada com o Engenheiro norte-americano Elmer Lawrence Corthell, para executar projeto do Engenheiro Honório Bicalho e que conseguiu mobilizar capitais para formar a Compagnie Française de Port de Rio Grande do Sul, a qual foi transferida o contrato de execução, mas com responsabilidade do citado Engenheiro  Elmer, conforme contrato de 22 jul 1908.  Mais tarde ele foi dispensado desta responsabilidade, que passou a Campagnie Française, que contratou a execução com a Societé General de Construcion de Paris, que subcontratou as obras com três grandes firmas Dayde e Pillé, Fougerote Fréres e a Groselher.

Pesquisando fui encontrar no GOOGLE informações variadas sobre o assunto e com a resposta mais objetiva fornecida pelo Serviço de Relações Públicas do Porto do Rio Grande.

Assim conclui que os molhes do Rio Grande se constituíram um sonho desde 1885, visando, como quebra-mar, aprofundar o canal que chegara próximo da marca de 2 metros,  bem como a deter os bancos de areia.

Sua construção efetiva, a cargo da Compagnie Française de Port de Rio Grande do Sul, foi realizada de 1908 a 1915, consumindo no molhe de São José do Norte , ou molhe Leste, 3.389.800 toneladas de granito extraídos de Monte Bonito, em Pelotas e do atual município de Capão do Leão,.

O molhe de Rio Grande ou molhe Oeste foi construído com 4.012 km dos quais 370 metros submerso. arrasado na cota (-3,0) O molhe de São José do Norte ou molhe Leste consumiu 1.852.700 toneladas e o de Rio Grande 1537.100 toneladas, ou 325.600 toneladas a mais que o de Leste. Houve um consumo de 826.300 toneladas além do previsto, O molhe de São José do Norte  foi construído com 4.300, km sendo com um molhe submerso arrasado  na cota (-3,0) com 288 metros.

O primeiro navio a transpor a barra foi o Navio Escola Benjamin Constant e com um calado de 6,25 metros e em 1º de março de 1915, no 45º aniversário do término da Guerra do Paraguai. Decorridos 13 dias, em 13 de março, o Benjamin Constant calando  6,40 metros transpôs a barra sem novidade.       A construção dos molhes visava assegurar passagem franca para navios de até 6 metros de calado.

Em 15 de novembro de 1915 ,no 26º  aniversário da proclamação da República, foram inaugurados 500 metros de Porto Novo. Foram  monumentais para a época as  obras de construção de seu cais e a dragagem de 8.000.000m3 de  seu canal de acesso que atingiu  10,40 metros de fundo .

O cais foi construído com uso de blocos de concreto de 60 a 70 toneladas e o aterro a oeste do porto possuía uma área de 200 hectares. Nestas obras trabalharam cerca de 4.000 operários.

A infra-estrutura para a construção dos molhes foi notável para a época.

Ela compreendia vias férreas, com a de Capão do Leão direto a base do Molhe Oeste e a linha de Monte Bonito ao  trapiche da Boca do arroio Pelotas,no São Gonçalo. Dali, via fluvial e lacustre, as pedras eram transportadas  em balsas até o trapiche do Cocuruto ,no molhe, Leste,em São José do Norte.

As pedras extraídas eram colocadas nas pranchas ferroviárias, em caixas de ferro com capacidade para 20 toneladas e pousadas nas plataformas ferroviárias por potentes guindastes.

Nos trapiche da Boca do Arroio existia potente transbordador elétrico que descarregava as caixas cheias de pedras e as colocavam em balsas de 75 metros, com capacidades de 24 caixas (cerca de 480 toneladas) . E assim também operava o transbordador do Cocuruto de São José do Norte e o outro na base do molhe de Rio Grande.

Nos molhes, as pedras das caixas de ferro eram retiradas cheias e recolocadas vazias nas pranchas ferroviárias, depois de lançadas as pedras no mar, por poderosos Titãs elétricos com atuação num raio de 30 metros.

Os molhes  na sua parte paralela ao final, guardam uma distância de 725 metros.

Em 1919, finda a 1ª Guerra Mundial ,a União encampou esta monumental obra de Engenharia a transferindo para o Estado.

Imagine-se a grande repercussão estratégica e geopolítica desta monumental obra que  domou a barra diabólica, dando razão ao tribuno Gaspar Silveira Martins que afirmava aos que diziam ser os molhes obra impossível ao que ele respondia ´” A barra não tem querer !“ Antes dos molhes, por  cerca de 180 anos “ a barra diabólica de Rio Grande “ fora um grande entrave ao progresso do Rio Grande do Sul e hoje se projeta no futuro do Mercosul, com o Super Porto, construído sob a proteção dos citados e belos molhes, ponto turístico expressivo do Rio Grande do Sul.

E aqui lembro como historiador , que os munícipes de Pelotas e Capão do Leão, contribuíram para a construção dos molhes com 3.389.000 toneladas de pedras de lá extraídas. E que o municipio de Canguçu concorreu com a construção do Super Porto de Rio Grande com o arrasamento de seu então belo ponto turístico local o Cerro da Liberdade, para lá transportado via rodoviária pela Estrada de Produção.

Cerro da Liberdade, monumento comunitário municipal com origem na cerimônia de libertação de 2 escravas menores, como homenagem aos canguçuenses que integraram o seu Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional e retornaram a Canguçu finda a guerra.

Nome que se procura imortalizar na memória comunitária com a criação  pela Academia Canguçuense de  História da Comenda Cerro da Liberdade.

Foram contribuições expressivas dos municípios de Pelotas,  Pedro Osório e de Canguçu ao progresso regional e nacional , mas que deformaram as suas paisagens.

E o que foi a barra de 1737, fundação  de Rio Grande pelo Brigadeiro de Infantaria José da Silva Paes, até por volta de 1908, descrevemos  em nosso artigo, A barra diabólica do Rio Grande Diário Popular. Pelotas, 5,12,19 26 de abril de 1970.    E  as lutas em torno de sua posse por portugueses e espanhóis, resgatamos o em nosso livro A Guerra da Restauração (da Vila do Rio Grande), publicado pela Biblioteca do Exército em 1992.

O Sangradouro da Lagoa dos Patos de 1763/1776 chegou a ser  artilhado em ambas as margens com 5 fortes de cada lado. Em Rio Grande os espanhóis e em São José do Norte os portugueses.

Sangradouro que neste período foi cenário de dois confrontos entre esquadras da Espanha e de Portugal . E  que na madrugada de 1º de abril de 1776 foi atravessado por dois destacamentos de granadeiros portugueses guiados pelo riograndino Tenente de Dragões do Rio Grande  Manoel Marques de Souza 1º, atual patrono da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada em Pelotas e  que então era o Ajudante –de-  Ordens do Tenente General Henrique Bohn, comandante o poderoso Exército do Sul que reconquistou em definitivo  Rio Grande, há 13 anos sob domínio da Espanha.

São fatos creio pouco conhecidos pelos habitantes do Rio Grande e Zona Sul que resgatamos  nos seguintes livros e artigos nossos:

A fundação do Rio Grande por Silva Paes, in: História da 3ª Região Militar 1808-1883 e Antecedentes, editado pela 3ª Região Militar. 1994.

Rio Grande nas Guerras do Sul entre espanhóis e descendentes 1763-1777 que abordamos no citado livro e mais no citado A Guerra da Restauração do RGS. Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1992.

A invasão do Rio Grande, em 1894, de parte da Armada revoltada ,no livro História da 3ª Região Militar 1883-1953.2º volume, 1995. Neste livro abordo o antigo Quartel General do Exército que foi o 1º Quartel  General especialmente  construído para este fim no Rio Grande do Sul.

            Rio Grande e a Revolução Farroupilha abordamos em nosso livro O Exército Farrapo e os seus chefes, Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1991, 2 v. E nele a figura do riograndino natural de Povo Novo, General Antônio Netto, o vencedor de Seival ,em 10 setembro de 1836 e o proclamador da Republica Riograndense no dia seguinte, com a sua Divisão Liberal integrada por forças dos então distritos do município de Piratini , distrito sede e os de Canguçu, Cerrito e Bagé até o Pirai  Esta circunstância tem sido pouco destacada na historiografia farrapa..

Abordamos a vida de outros ilustres militares riograndinos nas seguintes obras:

Marechal Manoel Marques de Souza 1º em História da 8ª Bda Motorizada..2001.

Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira no livro Comando Militar do Sul – 4 décadas de História. 1995. O Conde de Porto Alegre no livro Conde de Porto Alegre – bicentenário., 2005.          Livros lançados pela Academia de História Militar Terrestre do Brasil na área do Comando Militar do Sul pelo projeto em Curso História do Exército na Região Sul.

Estudamos igualmente em Canguçu – reencontro com a História. Porto Alegre: IEL, 1983 ,o ilustre oficial que foi o 1º a entrar em Rio Grande reconquistado, em 1º de abril de 1776 e que seria o comandante e governador militar do Rio Grande do Sul ainda subordinado ao Rio de Janeiro, de 1780 a 1801, até falecer ao final da Guerra de 1801 e ser sepultado na Igreja São Pedro – o Tenente General Sebastião Xavier Cabral da Câmara ,  criador de Canguçu em 30 dez 1799 e, na mesma ocasião de Encruzilhada do Sul e Lavras do Sul sobre dois possíveis caminhos de invasão do Rio Grande do Sul em 1801 e ali  serem barrados , caso a invasão em 1801 se efetivasse. Sobre Silva Pais fomos convidados a elaborar as orelhas da obra Brigadeiro José da Silva Pais de autoria do historiador catarinense Walter Piazza e editado pela Universidade de Rio Grande. Enfim seriam assuntos que faltam ser incluídos na história do Porto de Rio Grande, o que sugerimos a Delegacia da AHIMTB em Rio Grande Cel Honorário Antônio Carlos Lopes e sobre o tema realizamos exposição no Grupo Marques de Tamandaré.

Recordo que quando diretor do Arquivo Histórico do Exército conseguimos transferir da Divisão de Levantamento no Forte da Conceição, toda a cartografia histórica do Brasil que incluíam várias cartas náuticas históricas do Brasil que colocamos a disposição do Serviço de Documentação Geral da Marinha  dirigida pelo hoje Alte Max Justo Guedes .E entre elas lembro de uma carta do sangradouro e barra ,levantada por um jovem oficial de Marinha nascido em Rio Grande ao tempo da Revolução Farroupilha se bem me lembro , o hoje heróico Almirante Tamandaré, patrono ou denominação histórica do 6º Grupo de Artilharia de Campanha Marques de Tamandaré, em cuja praça fronteira consta haver sido sepultado o Cel de Ordenanças Cristovão Pereira de Abreu , considerado o primeiro tropeiro do Rio Grande do Sul, que atravessava as tropas de gado colhidas no atual Uruguai , para São José de Norte os fazendo nadar de um abanco de areia para outro até atingir São José do Norte .Operação hoje difícil de se entender como era executada,

Mas parecendo um sinal dos tempos raros apreciam conhecer estes detalhes. Teria razão este comentário a nós enviado  como explicação pelo descaso com assuntos e personagens de nosso passado e de estímulo ao nosso trabalho de pesquisar, preservar, cultuar e divulgar nossa História, Tradições e Valores cívicos;

“Agora no Brasil, pouca gente quer saber de onde viemos, quem deu a vida por nós , pela nossa liberdade, Todos querem saber qual foi o time vitorioso, qual a escola vencedora do Carnaval, qual candidato vencerá nas próximas eleições, quem irá para o Paredão no Big Brother, mas sem se importarem e possuírem consciência de sua identidade e perspectiva histórica etc .” Tomara que esteja enganado ! 

 


Última alteração em 07-04-2006 @ 02:09 pm

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