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Participação das Forças Armadas (1 de 4)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-04-2006 @ 02:20 pm
 

 

PARTE 1/4

PARTICIPAÇÃO DAS FORÇAS ARMADAS E DA MARINHA MERCANTE DO BRASIL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
(1942-1945)

Pela primeira vez, apresenta-se uma visão estratégica global e integrada da participação do Exército, da Marinha de Guerra e da Mercante e da Aeronáutica na Segunda Guerra Mundial, nas batalhas do Atlântico e do Teatro de Operações do Mediterrâneo. A pesquisa comemorativa do cinqüentenário da entrada do Brasil no grande conflito, em 22 de agosto de 1942, cobre lacuna nesta Revista sobre nossa efetiva participação.               O Brasil  participou do esforço de guerra aliada a partir de 22 de agosto de 1942, quando entrou na guerra depois de reconhecer o estado de beligerância contra ele de parte do Eixo e, até 8 de maio de 1945 – Dia da Vitória. Sua extensão geográfica (a quinta do mundo), sua posição geopolítica debruçada sobre o Atlântico e mais a sua solidariedade ao Continente Americanos  não lhe permitiram ficar neutro. Assim participou, pois, do esforço de guerra aliado nos teatros de operações do Atlântico e do Mediterrâneo, em decorrência do Acordo Bilateral Brasil-EUA, de 23 de maio de 1942, que foi coordenado pela Comissão Mista de Defesa Brasil-EUA,  desdobrada  em Washington  e no Rio de Janeiro. As Forças Armadas Brasileiras assim participaram: o Exército defendeu o território brasileiro e as instalações militares nele existentes com ênfase na Zona de Guerra então criada e dentro desta o Saliente Nordestino (RN, PB, PE, AL) e nele o triângulo Natal-Recife-Arquipélago de Fernando de Noronha, além do envio da Força Expedicionária Brasileira-FEB ao TO do Mediterrâneo, integrando o V Exército dos EUA; a Marinha encarregou-se da defesa dos portos, patrulhamento oceânico e escolta de comboios marítimos, isoladamente, ou integrando a 4ª Esquadra Americana, com Quartel General no Recife; a Aeronáutica executou ações de patrulhamento oceânico e proteção de comboios, isoladamente, ou integrando a 4ª Esquadra Americana, além do envio de um grupo de caça (1º Grupo de Caça) que integrou a Força Aérea Aliada do Mediterrâneo e uma Esquadrilha de Ligação  e Observação (1ª ELO) que combateu sobre o controle operacional da FEB, também na Itália. A cooperação do Brasil com os aliados inicialmente ficou restrita ao Continente Americano ficou restrita ao Continente Americano. Cessada a ameaça de uma ação do Eixo de invasão das Américas pelo Saliente Nordestino, resolução da Comissão Mista de Defesa Brasil-EUA de nº 16, de 21 de agosto de 1943, ampliou a ação militar do Brasil o que se traduziu, na prática, no envio de tropas de terra e ar para o teatro do Mediterrâneo e ação de nossa Marinha além de águas continentais americanas. Em contrapartida o Brasil recebeu dos EUA para o cumprimento de suas missões militares no Atlântico  e no Mediterrâneo o material bélico correspondente, pela Lei  de Empréstimos e Arrendamentos (lend-lease), saldada em 1954, além  de instrução americana correspondente à guerra anti-submarino, proteção de comboios, caça aérea, defesa antiaérea e de costa e emprego de divisões de Infantaria. O esforço militar inicial do Brasil foi para defender em ações conjuntas de suas forças de terra, mar e ar o Saliente Nordestino, que, junto à costa do Senegal, na África, formava o estreito Natal-Dakar, através do qual os alemães, antes de serem derrotados no norte  da África, podiam tentar uma ação aeronaval ou mesmo ações tipo comando contra o NE, a partir da conquista do Arquipélago de Fernando de Noronha. O Saliente Nordestino, através da base aérea de Parnamirim-Natal, cedida aos americanos junto com a base de Belém-PA, se constituiu em acidente capital estratégico integrando ponte aérea militar americana Natal-Dakar, que foi  essencial para a conquista aliada do norte da África e do Oriente Médio, invasão da Europa pela Itália e mesmo apoio a operações dos EUA no Extremo Oriente. A cooperação brasileira ao esforço aliado, a nível estratégico, se caracterizou: pela defesa do Saliente Nordestino contra uma possível invasão das Américas pelo Eixo, através do estreito Dakar-Natal; pela captura, pela FEB, de duas divisões do Eixo com 20.753 homens; pelo fornecimento de materiais estratégicos como cera de carnaúba, cristal de rocha e borracha, esta colhida pelos soldados da borracha que se embrenharam na Amazônia e pela cessão das bases aéreas de Natal e Belém aos EUA, que apressaram a vitória aliada na África, no Oriente Médio, na Europa e mesmo na Ásia. A base de Natal permitiu que milhares de aviões militares dos EUA dela saltassem, sem escalas, para a África e de lá para a Europa e Extremo Oriente. Ela se projetou, inclusive, na vitória inglesa de El Alamein. Sem ela teria sido muito difícil a ajuda americana aos ingleses. Daí decorreu a expressão – O Trampolim da Vitória – dada ao Saliente Nordestino, onde se localizava a base aérea de Parnamirim-Natal. O Brasil perdeu nesta guerra 1.889 brasileiros por morte; foram afundados 34 de seus navios, dos quais 31 mercantes e abatidos 22 de seus aviões, além de haver gasto com a guerra 21 milhões de cruzeiros em cálculo da época. Durante a guerra as Forças Armadas do Brasil se modernizaram doutrinariamente. A renovação do seu material bélico foi expressiva com apoio do lend-lease. Elas se equiparam com o que havia de mais moderno: caças-submarinos; aviões de caça, de bombardeio e anti-submarino; contratorpedeiros de escolta; carros de combate; canhões de campanha, anticarro, antiaéreo e de costa, radares e sonares; detetores de minas; bombas de gasolina gelatinosa, etc... A instrução se atualizou com base nos padrões das Forças Armadas dos EUA e na experiência operacional adquirida por frações de nossas Forças Armadas que integraram a 4ª Esquadra Americana  no Nordeste na Batalha do Atlântico ou que integraram a Força Aérea  Aliada do Mediterrâneo e o V Exército dos EUA, na Campanha da Itália. O Brasil, no rol de suas vitórias militares, incluiu mais os combates de Monte Castelo, Castelnuovo, Montese e Coléchio-Fornovo, vitórias mais expressivas de sua FEB com o concurso da FAB, através de seu 1º Grupo de Caça e 1ª ELO e da Marinha de Guerra que ajudou a escoltá-la para a Itália e trazê-la de volta. O desenvolvimento da Aeronáutica em função da guerra teve grandes reflexos na acelerada modernização  da Aviação  Civil do Brasil. Não tem fundamento histórico a versão muito difundida, mas reiteradamente rebatida pelo construtor da Usina Siderúrgica de Volta Redonda, general Edmundo  de Macedo Soares, de que ela foi o resultado  de financiamento dos EUA com a condição de o Brasil entrar na guerra. Afirmação negativa feita por aquela autoridade na condição de historiador, nos institutos Histórico e Geográfico Brasileiro  e de Geografia e História Militar do Brasil. O último ele presidia ao falecer, quando, pouco antes teve a tristeza ao assistir pela TV a mudança de seu nome por outro, no calor de uma paixão política, em uma praça central da Cidade do Aço. Além da destacada defesa das Américas feita pelo Brasil, ao defender o Saliente Nordestino de uma invasão do Eixo e na Proteção do tráfego marítimo no Atlântico Sul (Oriental), com apoio, em suas bases navais e aéreas e forças aéreas e navais que integraram a Força Naval do Atlântico Sul (EUA) e 4ª Esquadra Americana, o Brasil foi o único país da América Latina a participar, fora do Continente Americano, do esforço de guerra aliado, com tropas expedicionárias, da cruzada bélica contra o Eixo, em defesa da Democracia e da Liberdade Mundial. Após a guerra por deferência aliada, o Brasil  manteve de 1945-50, na Alemanha ocupada, uma missão militar brasileira, na qual o Exército foi representado pelo coronel Aurélio de Lyra Tavares, que a chefiou, e futuro ministro do Exército Brasileiro e atualmente historiador militar e escritor, membro da Academia Brasileira de Letras. O Brasil já havia participado do esforço militar aliado na Primeira Guerra Mundial,  através de sua Marinha, representada pela Divisão de Operações Navais (DNOG) ao comando do alte. Pedro Frontin para operar no litoral da África, de Serra Leoa para o Norte, com oito navios de guerra, como parte de esquadra aliada ao comando do almirante inglês Heatcoat Grant e o Exército, representado por sua Comissão de Estudos de Operações de Guerra e de Aquisição de Material na França, constituída de 24 oficiais  que combateram no Exército da França, dos quais 8 foram promovidos por atos de bravura. Comissão chefiada pelo gen. Felipe Aché ao qual também subordinou-se à missão médica especial enviada pelo Brasil e composta  de médicos do Exército, Marinha e civis, formados ou acadêmicos, à disposição do Comando Único dos Exércitos Aliados. Um reduzido número de pilotos do Exército e da Marinha se adestraram respectivamente nas aviações militares da França e Inglaterra e nelas combateram, se constituindo, após, em sementes  das aviações do Exército e Marinha que, fundidas em 1941, deram origem à Força Aérea Brasileira. Estes pioneiros, com auxílio de Missão Naval Americana na Marinha e Missão Militar Francesa para o Exército e sua aviação militar, contribuíram entre as duas guerras para atualizar toda a Marinha e o Exército na doutrina que dominou  a 1ª Guerra.

 

Comissão Mista de Defesa Brasil-EUA

 

            O ataque japonês  a Perl Harbour; a campanha submarina contra a navegação americana; a guerra em curso na Europa, África e Ásia levaram os EUA a encarar a possibilidade de um ataque do Eixo às Américas, visando atingir indiretamente o Canal do Panamá, estratégica e vital posição na defesa dos EUA. O local mais provável para um desembarque do Eixo nas Américas seria o Saliente Nordestino do Brasil. Então os EUA tomaram a seguinte decisão: organizar uma defesa total em terra, no mar e no ar, o suficiente para repelir um ataque proveniente de qualquer parte do mundo. Dentro deste contexto celebrou o Acordo Militar Brasil-EUA, em 23 de maio de 1942, que  teve a implementá-lo a Comissão Mista de Defesa Brasil-EUA, desdobrada em Washington e Rio de Janeiro. Antes o Brasil já havia sido visitado, de 25 de maio a 7 abril de 1939, por Missão Militar Americana, chefiada pelo chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA, gen. George Marshal que, após visitar instalações das Forças Armadas do Brasil no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, levou de volta, como convidado, o chefe do Estado-Maior do Exército Brasileiro, general Pedro Aurélio de Góes Monteiro, que retornou ao Brasil, em 14 de junho de 1939, após visitar as instalações militares daquele país e lançar as bases de uma cooperação mais estreita, que se traduziu numa Missão Militar Americana para o Exército Brasileiro que completasse lacuna da Missão Militar Francesa que acabava de deixar o Brasil, em função da guerra que provocou a invasão da França. Esta missão veio complementar o trabalho de missão americana que instruía  a Artilharia de Costa do Brasil, sob a orientação do general Kimberly. A delegação do Brasil à Comissão Mista de Defesa em Washington  foi chefiada pelo general de divisão, Estevão Leitão de Carvalho, que, como comandante do Teatro de Operações Nordestino, havia planejado a defesa do Saliente Nordestino que foi executada em ação conjunta pelas forças terrestres, aéreas e navais com responsabilidade pela defesa do TO. Integraram a delegação o vice-almirante Álvaro Rodrigues Vasconcelos e o cel. – aviador Vasco Alves Seco. A delegação da Comissão no Rio de Janeiro foi chefiada pelo maj. – gen. J. Gareshe Ord, dos EUA. A primeira reunião da comissão foi em Washington, em 25 de agosto de 1942, Dia do Soldado no Brasil. A Resolução11 da comissão estabeleceu em síntese: responsabilidade do Exército Brasileiro pela defesa territorial do Brasil e dos estabelecimentos militares nele existentes; cooperação da Força do Atlântico Sul (depois 4ª Esquadra Americana) com forças aéreas e navais brasileiras, na proteção das áreas costeiras brasileiras e, destas, com aquela força, na proteção do tráfego marítimo em subsetor do Atlântico Sul, em rotas de comboios estabelecidas por ela. Esta comissão Mista de Defesa coordenou durante toda a guerra a participação do Brasil em aliança  militar com os aliados. Sobre o assunto o chefe da delegação brasileira gen. Estevão Leitão de Carvalho e também destacado historiador brasileiro deixou a preciosa obra – A serviço do Brasil na II (Guerra Mundial, (Rio, Edt. A Noite, 1950). O gen. Leitão de Carvalho foi chefe brasileiro de escol. Foi líder dos “jovens turcos” oficiais do Exército que tiraram cursos de 1910-12 na Alemanha e que de retorno fundaram a revista A Defesa Nacional. Era casado com a herdeira do escritor Machado de Assis e comandou no início da guerra as grandes manobras de Saican da 3ª Região Militar no Rio Grande do Sul que contaram  com a presença do presidente Getúlio Vargas. A participação de forças militares do Brasil, em lutas fora do Continente Americano, resultou na Resolução 16 desta Comissão Mista de Defesa Brasil-EUA. Por esta Resolução a FEB seria constituída de um corpo de Exército com três divisões de Infantaria e uma divisão blindada para lutar na África e Europa. Para a FAB era previsto participar de operações  aéreas no Mediterrâneo com mais um grupo de bombardeiros médios, além do 1º Grupo de Caça e 1ª ELO. A ação da Marinha foi estendida ao patrulhamento e proteção de comboios fora de águas americanas. Desde junho de 1941 o Brasil iniciou a cooperação com os EUA ao colocar os portos de Salvador e Recife à disposição da Força Tarefa 3 dos EUA ao comando do almirante Jonas H. Ingran mais tarde o comandante da Força do Atlântico Sul e 4ª Esquadra Americana. A base de Natal a partir de 16 de setembro de 1941 foi colocada à disposição de um esquadrão de Catalinas dos EUA. Adidos militares navais americanos a este tempo espalharam-se pelos principais portos brasileiros que foram objetivos de ataques em plano de Adolf Hitler. A Comissão Mista teve o peso de seus trabalhos em Washington. Ela colheu preciosa experiência que não pode deixar de ser levada em conta em futuras cooperações militares do Brasil. Foi  de grande relevância o seu trabalho. À Comissão Mista coube implementar o Acordo Militar Brasil-EUA, através da elaboração de planos minuciosos, além de estabelecer, entre os estados-maiores das delegações respectivas, acordos destinados à defesa mútua Brasil-EUA. Os planos deviam estabelecer a responsabilidade do Brasil e EUA nos teatros de operações que viessem a ser criados. À Comissão Mista competia recomendar aos governos contratantes as alterações a introduzir nos planos aprovados. Todo o relacionamento Brasil-EUA nos TO do Atlântico Sul e Mediterrâneo sofreu intensa discussão na Comissão Mista, cujo trabalho relevante somente veio à tona com a edição do citado e relevante A Serviço do Brasil na Segunda Guerra Mundial, obra de um dos mais destacados soldadoso do Brasil no período de 1912-1945, além de historiador militar do Exército, cuja obra merece ser conhecida e refletida. Seu arquivo pessoal encontra-se no Arquivo Histórico do Exército desde 1989. Os negócios do Brasil junto à Alemanha ocupada de 1945-50 foram representados de fato pela Comissão Militar Brasileira junto ao Conselho Aliado de Controle da Alemanha (EUA, URSS, Inglaterra, França). Esta comissão foi a única de um país latino-americano creditada junto ao referido conselho e realizou trabalhos que competiriam a uma embaixada.

            Saliente Nordestino (Brasil) foi e é expressão muito usada a nível estratégico. Abrange os estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Possuiu grande projeção estratégica durante a guerra, seja no domínio aliado do Atlântico Sul (Ocidental), abaixo do paralelo 10 Norte, seja nas ligações aéreas dos EUA com Dakar, na África, que tiveram notável projeção nas operações aliadas no norte da África, Oriente Médio, sul da Europa e mesmo na Ásia. Seria a porta de entrada de um ataque do Eixo às Américas, visando conquistá-las, ou mesmo de ações aeronavais tipo comandos contra importantes instalações estratégicas dos EUA, em Natal (base aérea de Parnamirim) e Recife, quartel-general e base logística da Força Naval do Atlântico e 4ª Esquadra Americana (aérea e naval) encarregada da segurança do tráfego marítimo aliado em subsetor do Atlântico Sul assim batizado: Trinidad-ponto (30º LatW-10º LongN)-Ilha de Ascensão-ponto (26º LatW-40º LongS)-ponto litoral Argentina no paralelo 40º LongS. No Saliente se incluem as ilhas de Fernando de Noronha e da Trindade, além do atol das Rocas que poderiam servir de apoio a atividades aeronavais do Eixo, com vistas a operações contra ou no oceano contíguo ao Saliente. Todo o esforço conjunto das forças brasileiras de terra, mar e ar com jurisdição direta sobre o Saliente Nordestino foi de defendê-lo bem como suas instalações militares e, dentro dele, o triângulo Natal-Recife-Fernando de Noronha e, neste Fernando de Noronha, pela possibilidade, se conquistado pelo Eixo, servir de base de operações contra o continente. Este esforço defensivo foi intenso até a expulsão do Eixo da África e neutralização dos submarinos alemães que atuaram no subsetor do Atlântico, de cuja defesa participaram forças navais brasileiras-Força Naval do Nordeste e aéreas da 2ª Zona Aérea ao comando do brig. Eduardo Gomes, com jurisdição sobre todo o NE e com suas principais bases aéreas em Fortaleza, Natal, Recife e Salvador. Passou pelo Saliente Nordestino e especialmente pela base aérea de Natal (Parnamirim), bem como pela de Belém, o chamado Corredor da Vitória – ponte aérea militar dos EUA, ligando Flórida-Belém-Natal que foi essencial para a conquista da África, Oriente Médio, sul da Europa e apoio a operações no Extremo Oriente. Dentro deste Corredor da Vitória, a base aérea de Natal, no extremo do Saliente, passou à História como Trampolim da Vitória. Foi encarregada  da defesa territorial do Saliente e de suas instalações militares a 7ª Região Militar ao comando do Gen. – div. João Baptista Mascarenhas de Morais, que mais tarde comandou a FEB, na Itália. O valor estratégico do Saliente Nordestino já havia sido utilizado pelos holandeses que dominaram Pernambuco, de 1631-1654, não pelo valor de seu açúcar, mas sim pela inexpugnável base militar terrestre e naval que se constitui para eles o Recife, fortaleza natural protegida por dois largos e profundos fossos – os rios Capibaribe  e Beberibe, onde ficaram a salvo por 23 anos de um ataque terrestre dos luso-brasileiros. Dali eles controlaram o estreito do Atlântico e interferiram no tráfego marítimo da Espanha, com suas colônias sul-americanas, além de bloquearem o socorro de parte da Espanha e depois de 1640 de Portugal, ao Brasil.

 

Mobilização Militar do Brasil

 

            A guerra encontrou o Brasil em condições de realizar a sua defesa territorial, com apoio em sua extensão geográfica e as poucas possibilidades de um desembarque em massa do Eixo no seu território a partir da África. Mas o encontrou despreparado para realizar operações aéreas e navais relacionadas com guerra anti-submarino e proteção de comboios em suas águas territoriais. O Exército possuía  um efetivo de 60 mil homens concentrados no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. Sua instrução desde 1920 obedecia a padrões da Missão Militar Francesa. O armamento era a base do adquirido pela organização de 1908, liderada pelo marechal Hermes da Fonseca. Constitui-se de fuzis Mauser 1908, metralhadoras Madsen e canhões Krupp 75. Predominava  o transporte e a tração à base do cavalo e do muar. A Artilharia de Costa mais moderna era a dos fortes Floriano e Copacabana, anteriores à Primeira Guerra. A Marinha possuía um efetivo de 14 mil homens. Dispunha de dois couraçados, dois cruzadores, sete contratorpedeiros, um submarino, três navios mineiros, em sua maioria velhos e desequipados para a guerra anti-submarino e proteção do tráfego marítimo e adquirido para a Esquadra Brasileira criada em 1910. Seu arsenal do Rio de Janeiro possuía condições de construção de mais unidades navais o que ocorreu no curso da guerra. A Aeronáutica recém-criada com apoio na fusão das aviações do Exército e da Marinha que deram origem à Força Aérea Brasileira-FAB, dispunha de aviões ultrapassados em relação às forças aéreas mais modernas, para a realização  em toda a plenitude de operações de proteção ao tráfego marítimo, guerra anti-submarina, caça aérea e bombardeio, missões que lhe caberiam pela Resoluções 11 e 16 da Comissão Mista de Defesa Brasil-EUA. A indústria bélica brasileira possuía capacidade limitada de atender às necessidades bélicas das Forças Armadas do Brasil. Foi impositivo apelar para a indústria dos EUA. No período de tensões que antecedeu a guerra, o Brasil adquiriu três submarinos da Itália, alguns navios nos EUA e armamento na Alemanha. Com a guerra, o Brasil equipou suas forças armadas com material bélico dos EUA, adquirido pela Lei de Empréstimos e Arrendamentos daquele país – o lend-lease. Assim conseguiu participar do esforço de guerra aliado nos TO do Atlântico e Mediterrâneo com equipamentos atualizados. O Exército adquiriu equipamento: 1 e ½ divisões de infantaria, uma divisão blindada, uma divisão motorizada, dois regimentos  de artilharia antiaérea, além de 150 canhões de Artilharia de Costa, dos quais 100 Vicheres Armostrong do tempo da Primeira Guerra que foram adaptados com pneus para serem tracionados por tratores e duplicados seus alcances, em trabalho admirável do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro. A Marinha adquiriu 16 caça-submarinos, oito contra-torpedeiros, um navio transporte além de adaptar suas unidades navais para operações de guerra anti-submarinos  e proteção de tráfego marítimo. Num trabalho admirável do Arsenal de Marinha do Rio, com a ajuda do Estaleiro Lage construiu até 1945, 5 contra-torpedeiros, 12 corvetas e 2 caça-submarinos. A FAB foi equipada com três grupos de reconhecimentos e guerra anti-submarino dos tipos Ventura, Hudson e Catalina e um grupo de bombardeio médio B-25, um grupo de caça equipado com Thunderbolt P-47 e uma esquadrilha com 10 Piper Club L-4. Além disso incorporou as modernas bases aéreas de Fortaleza, Natal, Recife, Salvador, Fernando de Noronha, que serviram para a defesa territorial, proteção do tráfego marítimo e combate a navios furadores de bloqueio naval e possuíam os requisitos essenciais a uma aviação moderna e que foram construídas pelos EUA e por eles utilizadas dentro do Corredor da Vitória que contribuiu para suas vitórias na África e sul da Europa e mesmo operações na Ásia.

            A mobilização no Exército elevou seu efetivo de 60 mil para 180 mil. Ela foi feita a base de convocação de reservistas; intensificação da formação de oficiais na Escola Militar e Centros e Núcleos de Formação de Oficiais da Reserva; intensificação da formação de sargentos em todas as unidades e de especialistas em todas as regiões militares. A Marinha desenvolveu  grande esforço de mobilização, cabendo destacar o Centro de Formação de Reservistas de Natal e a reciclagem do pessoal da terra e guarnições de navios ultrapassados. A FAB convocou pilotos  civis formados nos EUA, instruiu pilotos nos centros de preparação  de oficiais da reserva de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre e ampliou o número de oficiais formados pela Escola de Aeronáutica dos Afonsos, além de reduzir a duração do seu curso. A instrução foi iniciada a ser solucionada com o envio aos EUA de oficiais brasileiros para se adaptarem em escolas e campos de instrução à nova doutrina em curso. Os EUA enviaram ao Brasil oficiais veteranos seus para ministrarem instrução. A Aeronáutica, através de sua FAB, bem como a Marinha, através de sua Força Naval do Nordeste, se beneficiaram da instrução teórica e prática ministrada pela Força Atlântico Sul e 4ª Esquadra Americana que integraram. Depois criaram a Usbatu para instrução aérea e a Eitas e o Citas para instrução naval e todas especializadas em guerra anti-submarino e proteção do tráfego marítimo ou de comboios. O valor dos equipamentos adquiridos para as Forças Armadas do Brasil foi estimado em cerca de sete milhões de cruzeiros ao preço da época.  Todo este esforço resultou em expressivo progresso e atualização militar do Brasil. Os heróicos e legendários catalinas, adquiridos pelo Brasil, além dos relevantes serviços prestados na guerra, como o Arará que afundou um submarino alemão, ainda prestaram excelentes  e históricos trabalhos por muitos anos após, a integração e desenvolvimento da Amazônia. Eles merecem um monumento que perpetue a memória de seus assinalados serviços de guerra e sobretudo de paz. Ficaram conhecidos como patas-chocas na gíria dos pilotos brasileiros.

 

O Exército brasileiro

 

            Durante a guerra foi ministro da Guerra o gen.-div. Eurico Gaspar Dutra, futuro presidente do Brasil, logo depois da guerra e, chefe do Estado-Maior do Exército, o gen.-div. Pedro Aurélio de Góes Monteiro. Já em 1939, depois da visita do gen. George Marshall ao Brasil, a Missão Militar Francesa do Exército foi substituída por Missão Americana para que o Exército se atualizasse para ficar em condições de lutar com a doutrina militar e material bélico dos EUA, pois não estava em condições  de operacionalidade para o tipo de guerra em curso na Europa. Mesmo antes de reconhecido o estado de beligerância do Eixo contra o Brasil, o Exército preparou-se para a missão de defesa territorial  do Brasil, com ênfase na defesa do Saliente Nordestino, via de acesso lógica para uma tentativa do Eixo de invasão  das Américas, a partir do Senegal, na África. O efetivo do Exército no NE foi elevado de seis mil para 50 mil homens. A mobilização e o aprestamento do Exército para a defesa do Saliente Nordestino e das suas instalações militares foi feita pelo  gen. Div. João Baptista Mascarenhas de Moraes, como comandante da 7ª Região Militar, sediada no Recife. Com a expulsão dos alemães e italianos do norte da África, em novembro de 1942, cessaram os longos dias de espera e vigílias, acerca da possibilidade de uma ação do Eixo no Saliente. Foi decidido  então o envio de uma Força Expedicionária Brasileira para lutar na África e Europa, cabendo o seu comando ao mencionado gen. Mascarenhas de Moraes. Esta autoridade, em dezembro de 1943, depois de escolhido comandante da FEB, à frente do Grupo de Observadores militares, integrado por oficiais brasileiros que haviam estagiado no Exército e Força Aérea dos EUA, visitou, no norte da África e Itália, as prováveis frentes de combate onde seria empregada a FEB   e o Grupo de Caça da FAB. A FEB, prevista no valor de um corpo de Exército com duas divisões  de infantaria e uma blindada, cujo comando caberia possivelmente ao gen. – div. Eurico Gaspar Dutra, conforme era o seu do desejo, resumiu-se numa divisão de infantaria – a 1ª Divisão de Infantaria Brasileira – 1ª DIE, por dificuldade de os EUA fornecerem material, por empenhados na invasão da Europa pela Normandia. A FEB foi reforçada com um depósito de recompletamento.

            Sua estrutura foi fixada pela Portaria do Ministro da Guerra 47/44, de 9 de agosto de 1943. Ela combateu em 239 dias de ação, 6 de novembro de 1944 - 2 de maio de 1945, na Itália, integrando o V Exército dos EUA. Lutou contra ou em aliança com frações expressivas dos melhores exércitos do mundo presentes na Europa, fazendo  boa figura e coroando assim o grande esforço profissionalizante do Exército, traduzido pela Reforma Militar 1898-1945, provocada pela Guerra de Canudos. Da experiência operacional colhida pela FEB muito se beneficiou o Exército para atualizar-se na Doutrina Militar do Exército dos EUA. Passou esta instituição por uma autêntica revolução cultural, particularmente quanto a sua motorização e motomecanização que substitui o cavalo e o muar. Coube ao Exército, no campo estratégico: defender a ilha  brasileira Norte-Nordeste, vital para os EUA na defesa do Canal do Panamá e particularmente o Estuário do Amazonas (abastecimento de borracha) e do Saliente Nordestino, bem como a proteção das bases aéreas de Belém e Natal, vitais para vitória da ofensiva aliada de 1943, na África e no Oriente Médio.

 

Defesa territorial do Brasil

 

            Pela resolução 11 da Comissão Mista de Defesa Brasil-EUA, a defesa do território brasileiro e das instalações militares nele existentes ficou a cargo do Exército. Decorrido um mês e três dias da entrada do Brasil na guerra, o Dec. 10490-A, de 25 de setembro de 1942, criou a Zona de Guerra Brasileira. Ela abrangeu todo o litoral do Brasil, o vale do rio São Francisco e as águas oceânicas contíguas ao Brasil, no limite de uma faixa de segurança estabelecida pela Declaração do Panamá e mais a nossa fronteira no Rio Grande do Sul. O restante foi considerado Zona do Interior. A Zona de Guerra foi dividida pelos Teatros de Operações (TO): Amazônico, Nordeste, Centro Meridional, Meridional, Mato Grosso e Marítimo que foram na prática nominais, em função da remota possibilidade de um ataque do Eixo, à exceção do TO Nordeste que organizou  um plano sob a orientação de seu comandante, gen.-div. Estevão Leitão de Carvalho, antes de seguir para os EUA para assumir a chefia da Comissão Mista de Defesa Brasil–EUA. O plano respondia às seguintes possibilidades do Eixo: prática de atos de guerra por forçar aeronavais do Eixo contra comunicações marítimas de interesse do Brasil, o que veio a concretizar-se; ações de envergadura contra o Nordeste (Saliente Nordestino) por forças do Eixo, após dominarem a África Oriental e o Atlântico Sul. Em função delas, a defesa do Nordeste e por via de conseqüência a do Brasil e das Américas, devia concentrar-se no triângulo Natal-Recife-Fernando de Noronha. Para fazer face às possibilidades levantadas de ações do Eixo, o Plano de Defesa do TO Nordeste estabeleceu como missões: impedir o Eixo de estabelecer bases aeronavais no Nordeste; vigiar a costa para assinalar forças do eixo em tentativas de desembarque e ações corsárias; manter a todo o custo as bases aeronavais de Natal e Recife; impedir o Eixo  de estabelecer-se em Fernando de Noronha e, manter forte massa de manobra em Campina Grade capaz de socorrer Natal e Recife. Para o cumprimento destas missões o TO Nordeste foi dividido entre a 10ª Região Militar (MA, PI, CE) e a 7ª Região Militar sobre o Saliente Nordestino (RN, PB, PE, AL e Fernando de Noronha). Esta ao comando sucessivo dos generais João Baptista Mascarenhas de Moraes e Newton Andrade Cavalcanti e, dispondo da 7ª Divisão de Infantaria articulada nos estados de Pernambuco e Alagoas, da 14ª Divisão de Infantaria articulada nos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte e mais o Destacamento Misto de Fernando de Noronha, composto  de tropas de Infantaria, Artilharia (de Costa e Antiaérea), Comunicações e Engenharia (do 4º BE Cmb de Itajubá-MG). Em caso de invasão e impossibilidade de repelir ou destruir o inimigo as duas divisões de Infantaria deveriam retardá-lo: A 7ª ao longo dos eixos (Recife-Caruaru-Rio Branco)  e (Maceió-União-Garanhuns) e até a linha de Resistência (Garanhuns-Glicério-Palmares-Vitória-Limoeiro). A 14ª devia retardá-la nos eixos (Natal-Santa Cruz) e (João Pessoa-Sapê-Campina Grande) até a linha (Itambé-Cahê-Mamaguape-Vila Nova-Bom Jesus), devendo participar da Resistência na linha (Itabaina-Nova Cruz-Serra Caiada). A 14ª ao comando do gen.-de-bda. Gustavo Cordeiro de Farias, que emprestou seu nome ao EGGCF, atual gráfica do Exército, tinha por missão, caso o inimigo desbordasse Natal vindo entre Touros e Areia, manter Lages a todo o custo. Em caso de desembarque e vantagem inicial do Eixo, cada núcleo vencido deveria retrair e juntar-se a outro núcleo e assim por diante, à semelhança do que já havia sido feito ao tempo das invasões holandesas. Ao Destacamento Misto de Fernando de Noronha  competia: impedir qualquer desembarque inimigo, principalmente face a Baía de Santo Antônio; precaver-se contra bombardeios aéreos e navais e impedir a todo o custo que Fernando de Noronha seja usada como base aeronaval do Eixo, para operações contra o Continente. O restante das tropas do Exército do TO Nordeste receberam missões de vigiar o litoral e defender os portos e bases militares em Fortaleza, Luiz Correia, São Luiz, Aracajú, Salvador, Itaparica, Ilhéus, Canavieiras, Santa Cruz, Porto Seguro, Caravelas, Conceição da Barra, Vitória e Marataízes. As maiores concentrações de tropas tiveram lugar  em ordem de valor: Recife, Natal, Fernando de Noronha, Fortaleza, Campina Grande (Reserva da 7ª Região Militar), Salvador, Caravelas, Vitória e Aracajú. O resto da tropa foi distribuído por todo o litoral do Nordeste, numa linha tênue e descontínua. Várias unidades do Exército foram deslocadas em missões de guerra, do interior para a vigilância do litoral, onde passaram  longos e intermináveis dias padecendo saudades da família e solidão. Nos restantes TO criados houve problemas menores no tocante a operações que se concentraram na proteção de portos, bases militares e vigilância do litoral, daí no final da guerra haver sido editada lei que passou a ser conhecida como Lei da Praia, que trouxe vantagem de mais uma promoção na reserva aos que durante a guerra estavam na Zona de Guerra Brasileira. O Rio São Francisco mais uma vez comprovou ser o rio da unidade nacional, por assegurar a ligação entre o Nordeste e o Rio de Janeiro, no trecho Juazeiro-BA a Pirapora-MG, a salvo da ação de submarinos, daí ser incluído na Zona da Guerra. O dispositivo de defesa do TO Nordeste foi desenvolvido e aperfeiçoado até meados  de 1943, quando ficou reduzida a ação do Eixo no norte da África e com inespressiva ação de submarinos no nosso litoral, a partir de agosto de 1943. Milhares de militares do Exército cumpriram por quase um ano, na solidão e desconforto das praias do imenso litoral brasileiro, a missão de guerra que lhes foi imposta. Felizmente a guerra não atingiu o território do Brasil! O Sistema de TO não funcionou. Os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica resolveram de forma conjunta e harmônica os problemas surgidos. O Dec. 4.098, de 6 fevereiro, criou, aproveitando o clima emocional do ataque japonês de Pearl Harbour, o Serviço de Defesa Passiva e Antiaérea, a ser coordenado por uma diretoria nacional. Ela promoveu alguns exercícios de alerta e black out, mas não mereceu a compreensão popular que não se sentia ameaçada iminentemente; não possuía recursos e leis coercitivas, sendo até alvo de desprestígio em função de campanha movida contra ela. É um problema a ser levado a sério no futuro, particularmente na era dos mísseis intercontinentais.

 

Força Expedicionária Brasileira (FEB)

 

            Participou da Campanha da Itália no Teatro do Mediterrâneo, de 6 de julho de 1944 – 2 de maio de 1945, integrando o V Exército dos EUA ao comando do gen. Mark Clark e subordinado ao seu IV Corpo de Exército ao comando  do gen. Willis Crittenberger. Lado a lado com o V Exército lutava o VIII Exército inglês comandado pelo mar. Montegmery que depois foi substituído pelo gen. Lease. O comandante  supremo do Teatro do Mediterrâneo foi o marechal Sir Alexander. Foi neste contexto de veteranos destacados que a FEB combateu com um efetivo de 25.334 brasileiros, ao comando do gen. – div. João Baptista Mascarenhas de Moraes que também acumulou o comando da força operacional da FEB, a 1ª Divisão  de Infantaria Expedicionária (1ª DIE). A FEB foi idealizada no encontro de Natal, em 28 de janeiro de 1943, dos presidentes Getúlio Vargas, do Brasil e Franklin Delano Roosevelt, dos EUA, no retorno deste de Casablanca. Ela decorreu da resolução 16 da Comissão Mista de Defesa Brasil-EUA e foi criada pela Portaria MG nº 47/44, de 9 de agosto de 1943. Integraram a FEB os seguintes generais-de-brigada: Zenóbio da Costa, comandante da Infantaria Divisionária (ID) e subcomandante da FEB; Osvaldo Cordeiro de Farias, comandante da Artilharia Divisionária (AD) e Olympio Falconiere da Cunha, como comandante dos elementos da FEB não integrantes da 1ª DIE que incluía um depósito de pessoal de cerca de 5.000 brasileiros, destinado ao recompletamento imediato de elementos da 1ª DIE feridos ou mortos em ação. A FEB seguiu para a Itália em cinco escalões, em navios de transportes dos EUA e escoltada inclusive por navios da Marinha de Guerra do Brasil. O maior feito da FEB e de repercussão estratégica, foi a captura, em função da manobra de Coléchio-Fornovo de 2 divisões do Eixo, num total de 20.573 prisioneiros, dos quais dois generais. A FEB esteve em contato durante suas operações com as seguintes grandes unidades alemãs: 42ª e 114ª Divisões Jaeger; 94ª, 148ª, 232ª e 334ª divisões de Infantaria, 29ª e 90ª divisões Panzer Granadier e com o Corpo de Paraquedistas Blindado Herman Goering, além das divisões italianas Monte Rosa, São Marcos e Itália, ou equivalente a 13 divisões. Suas vitórias mais expressivas foram os combates de Monte Castelo, Castelnuovo, Montese e Coléchio-Fornovo. Perdeu em ação 443 brasileiros do Exército, dos quais 13 oficiais e 430 praças. Caíram prisioneiros 35 homens  o que contrasta com os 20.573 do Eixo que capturou. Além dos citados, integraram a FEB mais a Inspetoria-Geral, Seção de História,  Serviço de Saúde, Banco do Brasil, Pagadoria Fixa, Seção Brasileira de Base (Depósito de Intendência e Serviço Postal), Conselho Superior de Justiça, etc... O Estado-Maior da FEB foi o mesmo da 1ª DIE e assim constituído: Chefe, cel. Floriano da Lima Brayner; 1ª Seção-Pessoal, ten. –cel. Thales Moutinho da Costa; 2ª Seção-Informações; ten. cel. Amaury Kruel; 4ª Seção Logística, maj. Aguinaldo Senna Campos, mais tarde historiador militar de Logística; e 3ª Seção Operações, o ten. – cel. Humberto Castelo Branco, oficial de escól com curso de  Estado-Maior nos EUA, futuro líder da Revolução de 1964 e seu primeiro presidente da República, além de pensador militar brasileiro fecundo. Traduz exatamente e sinteticamente o que foi a contribuição da FEB ao esforço aliado, o seu comandante general Mascarenhas de Morais, natural de São Gabriel-RS, ex-comandante da Escola Militar do Realengo que acabara de comandar a defesa territorial do Saliente Nordestino Brasileiro, como comandante da 7ª Região Militar e que viria a ser promovido a marechal  vitalício pelo Congresso Brasileiro, além de consagrar-se historiador militar, ao escrever dois livros focalizando a atuação da FEB. Disse ele sobre a Vitória, ao anunciá-la:

 

            A Força Expedicionária que apresentou o Brasil nesta sanguinolenta guerra cumpriu galhardamente a missão que lhe foi confiada, mercê de Deus e a despeito de condições e circunstâncias adversas. Num terreno montanhoso, a cujos píncaros o homem chega com dificuldades; um inverno rigoroso que a totalidade da tropa veio enfrentar pela primeira vez e contra um inimigo audacioso, combativo e muito bem instruído, podemos dizer assim mesmo, e por isso mesmo, que os nossos bravos soldados não desmereceram a confiança que neles depositavam os seus chefes  e a própria Nação brasileira.

Leia a parte 2/3

 


Última alteração em 07-04-2006 @ 02:29 pm

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