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Participação das Forças Armadas (2 de 4)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-04-2006 @ 02:25 pm
 

 

continuação... Leia a parte 1/4

PARTE 2/4

Após oito meses de combates constantes, em que, como todos os exércitos, sofremos  pesados revezes e obtivemos brilhantes vitórias, o balanço de uns e outras é ainda favorável às nossas armas. Desde o dia 16 de setembro de 1944, a FEB percorreu, conquistando ao inimigo, às vezes palmo a palmo, cerca de 400 quilômetros, de Lucca e Alessandria, pelos vales dos rios Sercchio, Reno e Panaro e pela planície do Pó; libertou quase meia centena de vilas e cidades; sofreu mais de 2.000 baixas, entre mortos, feridos e desaparecidos; fez o considerável número de mais de 20.000 prisioneiros, vencendo pelas armas e impondo a rendição incondicional a duas divisões inimigas. É um registro deveras honroso e de vulto para uma Divisão de Infantaria. Um dia se reconhecerá que o esforço foi superior às suas possibilidades materiais, porém plenamente consentâneo com a noção de dever e amor à responsabilidade, revelados pelos nossos homens em todos os degraus e escalões de hierarquia, e em todas as crises e circunstâncias da Campanha que neste instante acabamos de encerrar.

            Regressamos com feridos ainda sangrando dos últimos encontros, mais nunca, pela nossa atuação, o prestígio e nome do Brasil periclitaram ou foram comprometidos. É bem verdade, e vale a pena afirmar, que preço bem alto pagamos por esse resultado.

            O sangue dos nossos bravos camaradas tingiu de vermelho essas belas verde-escuras montanhas dos Apeninos e algumas centenas dos nossos companheiros já não retornarão à Pátria, conosco, porque dormem o sono eterno, sob as terras úmidas e verdejantes das planícies da Toscana.

            Não foram muito os meses que aqui passamos: muitos foram, entretanto, os triunfos que incorporamos ao rico patrimônio e às nossas tradições militares. Camaiore, Monte Prano, Bargano vale de Serchio; Monte Castelo, La Serra, Castelnuovo – no vale do rio Reno; Montese, Zocca, Marano su Panaro no vale do rio Panaro; Collechio e Fornovo di Taro – a rica planície do Pó.

            Esses nomes de inscreverão, por certo, dentre aqueles que recebem o culto de gerações patrícias, porque na Itália, como nos campos de batalha sul-americanos, o Exército Brasileiro mostrou-se digno do seu passado e à altura do conceito que os seus chefes e soldados de outrora firmaram com a espada e selaram com sangue dos seus legítimos e sempre venerado heróis.  

            Ao término da guerra, o general Mark Clark, comandante do V Exército dos EUA  e atualmente general honorário brasileiro e homenageado no nome do Estádio da Academia Militar das Agulhas Negras em Resende-RJ, enviou a seguinte mensagem ao comandante da FEB:  

            Mostrou-se essa Força, sob seu Comando (do General Mascarenhas de Moraes), ser capaz de enfrentar problemas novos, treinar e disciplinar-se para o combate no qual desempenhou parte relevante.

            A FEB refletiu as altas qualidades da Nação brasileira, que enviou seus melhores  filhos, para lutar em solo estrangeiro, longe da pátria, pela implantação dos princípios de justiça e de liberdade.  

            O General Willis D. Crittenberger, comandante do IV Corpo de Exército dos EUA, ao qual a FEB integrava, assim se manifestou ao comandante da FEB:  

            “Os efeitos da Força Expedicionária Brasileira, sob o vosso comando, durante a campanha do IV Corpo na Itália, terão um lugar proeminente quando for escrita a história da Segunda Guerra Mundial.” A dissolução da FEB ocorreu em função do aviso 217-185, de 6 de julho de  1945, do ministro da Guerra. A participação da FEB na Campanha da Itália ao lado dos aliados, particularmente ingleses e americanos, em defesa da democracia e da liberdade mundial, aproximou ainda mais estes povos. A FEB foi composta de brasileiros de todos os cantos do Brasil, conforme diz a Canção do Expedicionário:  

            Você sabe de onde eu venho? Venho do morro do Engenho. Das selvas dos cafezais. Venho das praias sedosas, das montanhas alterosas, do pampa, do seringal, das margens crespas dos rios, dos verdes mares bravios, da casa branca da serra, do luar do meu sertão, da terra da Senhora Aparecida e do Senhor do Bonfim.

            Enfim do Brasil inteiro! 

Divisão de Infantaria Divisionária 1ª (1ª DIE)  

            Foi a parcela combatente da FEB e foi também comandada por Mascarenhas de Moraes. Foi integrada pela Infantaria Divisionária (ID), ao comando do gen. Zenóbio da Costa e composta dos Regimentos de Infantaria – 1º RI (Regimento Sampaio-Rio de Janeiro, ao comando do cel. Aguinaldo Caiado de Castro), 6º RI (Regimento Ipiranga-Caçapava-SP, ao comando do cel. João Segadas Viana, futuro ministro da Guerra 1961-62), 11º RI (Regimento Tiradentes-São João del Rei, ao comando do cel. Delmiro Pereira de Andrade). Comandou ao final da guerra o 6º RI o cel. Nelson de Melo, futuro ministro da Guerra em 1962. O 1º RI teve ação destacada na conquista de Monte Castelo, em 21 de fevereiro de 1945, além de em outras ações. O 6º RI teve papel destacado na conquista de Castelnuovo e rendição em Fornovo, em 29 de abril de 1945, da 148ª Divisão de Infantaria Alemã e de remanescentes da divisão italiana, Itália. O 11º RI teve atuação destacada no combate de Montese, em 14 de março de 1945, além de em outras ações; pela Artilharia Divisionária (AD) ao comando do gen. Cordeiro de Farias e composta dos grupos de Artilharia I-GO-105 (Grupo de São Cristovão-Rio, ao comando do ten.-cel. Levy Cardoso), II-GO-105 (Grupo Monte Bastione, de Campinho-Rio, ao comando do cel. Geraldo da Camino, sendo o primeiro a entrar em ação na Itália), III-GO-105 (Grupo Bandeirantes de Quintaúna, em São Paulo-SP, ao comando do ten.-cel. José de Souza Carvalho, IV-GO-155 (grupo Montese), ao comando do ten.-cel. Hugo Panasco Alvim), 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO da FAB, sob controle operacional da FEB); 9º Batalhão de Engenharia de Combate, de Aquidauana-MT, ao comando do ten.-cel. José Machado Lopes, 1º Batalhão de Saúde de Valença-RJ ao comando do maj.  Bonifácio Borba; Esquadrão do Recolhimento, atual Esquadrão ten. Amaro de Valença-RJ, ao comando inicialmente do cap. Franco Ferreira e depois do cap. Plínio Pitaluga – Tropa Especial (Companhia de Transmissões, Companhia de Manutenção Leve, Companhia de Intendência, Companhia do Quartel-General, Banda de Música e, Pelotão de Polícia organizado à base da mobilização de policiais da Guarda Civil de São Paulo). A 1ª DIE foi organizada à base de uma Divisão de Infantaria do Exército dos EUA. Ou seja com 14.254 homens (734 oficiais e 13.520 pracinhas, expressão que passou a denominar os expedicionários brasileiros e que até hoje perdura) e equipado com 66 obuses (54 de 10mm e 12 de 155mm) 144 morteiros (90 de 60mm e 54 de 80mm), 500 metralhadoras (87 submetralhadoras 4,5, 175-30 e 237-50), 11.741 fuzis (5.231 carabinas e 6.510 fuzis todos .30), 1.156 pistolas, 45, 2.387 armas anticarro (13 canhões 37mm e 57 de 57mm, além de 585 lança-rojões 2.36 e 1.632 lança-granadas) e 72 detectores de minas anticarro e máscaras contra gases para todo o efetivo. Possuía 14.358 viaturas motorizadas, das quais 13 carros blindados M8 e cinco  de meia-lagarta. Isto permitia à 1ª DIE transportar de uma só vez um terço de seu efetivo, o que ocorreu na perseguição no rio Panaro. Os 47 botes de assalto e passadeiras permitiam à divisão realizar pequenas transposições de cursos d’água. Seus 736 telefones, 42 telégrafos, 592 estações de rádio e 10 aviões Piper Cub de ligação lhe proporcionavam ampla capacidade de observação e ligação. Com esta organização a 1ª DIE tinha possibilidade de atacar numa frente de até 6 Km e defender uma frente de cinco a 10 km, depois de adaptação em montanha que ocorreria na região dos Apeninos. O adestramento da 1ª DIE iniciou no Brasil com apoio em 115 regulamentos americanos (210.874 exemplares) traduzidos e coordenados pelo Estado-Maior da FEB do Interior, que funcionou na Casa de Deodoro e prestou grande concurso à mobilização complexa da FEB sob a chefia do gen. Anor Teixeira dos Santos. Concorreram para este adestramento vários oficiais com estágio no Exército dos EUA. Assim, em 25 de maio de 1944, aniversário da Batalha de Tuiuti, a 1ª DIE desfilou em moldes americanos, ou seja, motorizada, pelas ruas do Rio de Janeiro. Na Itália, tão logo recebida pelo gen. Mark Clark, comandante do V Exército dos EUA, ele determinou pessoalmente o adestramento da divisão em operações  de montanha, pois ela teria de enfrentar os Apeninos e no inverno, com gelo, paisagem desconhecida e inimaginada pelos pracinhas brasileiros acostumados aos trópicos. A mobilização da 1ª DIE foi tarefa complexa e hercúlea que passou pela convocação de civis, policiais de São Paulo, reservistas de tiros de guerra, operários da fábrica de fechaduras para serem transformados em armeiros, enfermeiras, médicos aproveitados como oficiais de outras especialidades e expressivo número de oficiais de nossos CPOR e NPOR. Houve muita criatividade e adaptabilidade do homem brasileiro às atividades baseadas particularmente na motorização e nas comunicações de rádio, que exigiram muitos especialistas. Enfim foi tornado possível o que era necessário. De retorno, a 1ª DIE, semeada por todo o Exército, contribuiu signficativamente, pela transmissão de sua gloriosa experiência operacional, para a modernização de todo o Exército, quer seja nas escolas quer seja  na tropa. A atuação da FEB na Itália, partindo do Rio de Janeiro, se constituiu na segunda expedição militar extracontinental do Brasil, pois em 1648, expedição naval e terrestre, partida do Rio de Janeiro e nucleada pelo atual Regimento Sampaio, havia libertado Angola do domínio holandês durante 13 longos anos. Do armamento a 1ª DIE já travara conhecimento no Brasil com os obuses 105 e 355. Na Itália se familiarizou com os fuzis .30 Garand automático MI e Springfield de repetição, submetralhadoras Thompson MIAI e carabinas, além das metralhadoras Bowning média e pesada e canhões anticarro. Na Itália, depois do primeiro ataque brasileiro o Monte Castelo, em 29 de novembro de 1944, ficou evidenciado que o adestramento da 1ª DIE havia sido insuficiente e que ela no Brasil e na Itália não havia completado o ciclo padrão que era reservado às divisões americanas. Durante o inverno o treinamento foi completado e os combatentes puderam minorar as agruras da guerra, através de visitas à retaguarda, em Roma e Florença, proporcionadas pelos Serviço Especial da FEB. A DIE refletia na sua composição a predominância dos seguintes contigentes fornecidos pelos estados: Rio de Janeiro (8.036 h); São Paulo (3.889); Minas Gerais (2.947); Rio Grande do Sul (1.880)... Portanto os cariocas e fluminense representaram juntos cerca de 32% da FEB.

 

Operações da 1ª DIE/FEB

 

            Esta divisão brasileira foi uma das 20 divisões e 16 brigadas aliadas compostas de canadenses, sul-africanos, indianos, neozelandeses, marroquinos, argelinos, além de franceses, italianos e poloneses livres e, particularmente, ingleses e americanos que integraram, no final da Batalha dos Apeninos, o XV Grupo de Exércitos aliados destinado a libertar a Itália  do jugo nazi-fascista, bem como a fixar importantes efetivos alemães dos XIV Exército e Exército da Ligúria para impedir que atuassem nas frentes da Operação Overlod (invasão aliada da Normandia, em 16 de junho de 1944) e da Operação Anvil e depois Dragoon (invasão aliada pelo sul da França, em 15 de agosto 1944). Para a última foram rocadas algumas divisões francesas, cuja falta na Batalha dos Apeninos a 1ª DIE/FEB veio de certa forma minorar. Os brasileiros entraram em combate em 18 de setembro de 1944 na proporção de um terço de seus efetivos e com o nome de Destacamento FEB, antes que houvesse completado o ciclo de instrução normal previsto pela doutrina americana. Eles atuaram na região da boca do cano da bota que a Itália representa. O destacamento foi lançado ao norte do rio Sérchio para combater os alemães estabelecidos na Linha Gótica (280km), entre os mares Tirreno e Adriático. A 1ª DIE/FEB teve seu batismo de fogo através de seu Destacamento em 18 de setembro na conquista de Camaiore, seguida de Monte Agudo e Monte Prano em 26 de setembro. O destacamento  foi rocado mais para a direita no vale do Sérchio onde conquistou Fornaci e Barga. Em 11 de outubro lançou-se sobre Galicano que conquistou e consolidou. Daí lançou-se, em 30 de outubro, sobre Castenuovo de Garfagnana onde foi repelido e retraiu sobre Galicano, tendo conhecido o seu primeiro insucesso, fato comum em tropas estreantes. Mas progrediu em 15 dias 40 km, capturou uma fábrica de peças de aviões, em Fornaci, fez 208 prisioneiros do rio Reno, onde recebeu uma frente de 15km, muito ampla, sobre a estrada 62, ao norte de Porreta Terme e que era dominada pelo Monte Castelo que impedia o prosseguimento do V Exército sobre Bologna. Monte Castelo, defendido com unhas e dentes pelo inimigo, foi alvo de cinco ataques. Os primeiro e segundo ataques foram executados em 24 e 25 de novembro pela Força Tarefa 45 (Task Force 45) integrada por brasileiros e americanos. Os ataques não foram bem sucedidos mas resultaram na conquista temporária de monte Belvedere. O terceiro ataque foi feito pela 1ª DIE/FEB um dia após contra ataque alemão que reconquistou Belvedere dos americanos, fato negativo no ataque brasileiro que foi flanqueado por Belvedere, ponto onde o inimigo concentrou o esforço de defesa por ser a chave de acesso à rica planície do rio Pó e realizado com chuva, lama e céu encoberto, do que resultou mais um insucesso brasileiro. À noite, em conferência no Passo de Futa – QG do IV Corpo, seu comandante precipitou-se e colocou em dúvida a capacidade de combate dos brasileiros e quis saber a razão do insucesso. A resposta do comandante brasileiro foi dada por escrito. Ele argumentou: “Que tropas veteranas americanas também foram obrigadas a recuar de Monte Belvedere naquela frente, face a forte resistência inimiga; que a missão atribuída à 1ª DIE/FEB de defender numa frente de 20km e de atacar numa frente de 2km era exorbitante para uma divisão de Infantaria e que ela não havia, por culpa do governo no Brasil e do V Exército na Itália, tido o período de treinamento padrão mínimo previsto para as divisões americanas e que ela estava recebendo missão de tropa de montanha sem sê-lo”.

            Passo de Futa foi o ponto de inflexão de alguns insucessos iniciais de uma tropa bisonha para as vitórias de uma tropa veterana e bem comandada e assessorada pelo Estado-Maior. O inverno, iniciado logo após, obrigou a uma estabilização da frente por 70 longos dias. Então, os brasileiros vindos de um país tropical,  padeceram rude e rigoroso inverno, com temperaturas variando de  - 15º a – 4º e, sobretudo, tenso, face às possibilidades de veteranos alemães acostumados àquelas condições de tempo e terreno. A 1ª DIE/FEB ressurgiu do inverno, o mais rigoroso dos últimos 50 anos, aguerrida, disposta e veterana. Suas ações estrategicamente até o fim se incluem na Batalha dos Apeninos que foi muito cruente e penosa. Os Apeninos foram acidente capital estratégico para o inimigo, por impedir o acesso dos aliados à rica planície do Rio Pó. E, após conquistados os Apeninos, seria a vez dos Alpes, o que significaria a decisão da guerra na Itália. A  chave para a conquista dos Apeninos era a cidade de Bologna. O acesso a esta era a Estrada Nacional 64 que era dominada pelas elevações de Monte Belvedere, Monte Castelo e Castelnuovo etc... Foi nestas elevações que os alemães de 232ª Divisão de Infantaria, ao comando do experimentado gen. barão von Eccart von Gablenz, que comandara o XXVI Corpo de Exército alemão na Batalha de Stalingardo, concentraram seu esforço defensivo, particularmente em Monte Belvedere, pivô de defesa inimiga nos Apeninos e que possuía dominância de fogos e vistas sobre Monte Castelo. É importante este entendimento de que as dificuldades de conquista de Monte Castelo encontravam-se bem mais no seu flanqueamento por Belvedere, onde o inimigo concentrou seu esforço defensivo, do que nele próprio e que para conquistar Monte Belvedere os americanos usariam uma unidade especializada, a 10ª Divisão de Montanha.

            Terminado o inverno, o próximo passo a 1ª DIE/FEB foi cooperar com o IV Corpo na conquista de saliente dos Apeninos em sua zona de ação, cortado pelo rio Marano, que integrava a Linha Defensiva Gengis-Kan e dominava a estrada 64 (Porreta Terme-Bologna), essencial ao abastecimento de 10 divisões do V Exército. Para a conquista do saliente no maciço onde se situavam as posições alemãs de Belvedere, Monte Castelo, Soprassaso, Castelnuovo, Gorgolesco, Mazzancana, Della Torracia, La Serra, Stª Maria Viliana, Torre de Nerone, Montese e Montelo foi elaborado o Plano Encore a ser executado pela 10ª Divisão de Montanha americana e 1ª DIE/FEB. O plano visava expulsar o inimigo do vale do Reno e após perseguí-lo no vale do rio Panaro. Os brasileiros deviam sucessivamente: capturar Monte Castelo com auxílio da 10ª de Montanha que devia capturar Belvedere e Della Torracia; limpar o inimigo do vale do Marano; apossar-se de Stª Maria Viliana e capturar Torre de Nerone e Castelnuovo, o último, chave para liberar as comunicações do V Exército nos vales dos rios Silla e Reno. Em 20 de fevereiro, a 10ª de Montanha conquistou Gorgolesco e Mazzancana, o último, com auxílio de pilotos brasileiros do 1º Grupo de Caça (o Senta a pua!). Em 21 de fevereiro, a 10ª de Montanha e a 1ª DIE/FEB atacaram simultaneamente Della Torracia e Monte Castelo, objetivos que conquistaram sucessivamente. O primeiro foi Monte Castelo, pelos brasileiros. A conquista brasileira de Monte Castelo foi o episódio mais emocionante e afirmativo da capacidade de combate do brasileiro e de sua maturidade operacional. Em 23 e 24 de fevereiro os brasileiros travaram o encarniçado combate de La Serra. Em 5 de março caiu pela manobra contra Castelnuovo, o falado, traiçoeiro e famigerado saliente na rocha-Soprassaso, responsável pelas maiores perdas da FEB no inverno. Ele era o objetivo dos nossos pracinhas que o conquistaram  com grande gana. Depois dele, veio a conquista pela 1ª DIE/FEB de Castelnuovo, base para a montagem de um ataque do V Exército sobre Bologna. A seguir, teve curso a Ofensiva da Primavera, de 14 de abril - 2 de maio, para libertar o norte da Itália e desfechada pelo XV Grupo de Exército Aliado. À 1ª DIE/FEB coube inicialmente conquistar, em 14 de abril, as alturas de Montese, Cota 888 e Montelo, com forte apoio de artilharia e de blindados e geradores de fumaça americanos. A reação da artilharia alemã ali concentrada antes de ser destruída, para não cair em poder dos aliados, foi de grande e inusitada intensidade. Foi um duríssimo e disputado combate, o que é atestado pelas 426 baixas brasileiras (34 mortos, 382 feridos e 10 extraviados). Em Montese, a 1ª DIE/FEB ajudou a romper a defensiva alemã nos Apeninos e conquistou  a chave de acesso ao vale do rio Panaro o que facilitou ao V Exército derramar-se sobre a planície do rio Pó, em aproveitamento do êxito e logo a seguir em perseguição. Sobre a conquista de Montese referiu o comando do IV Corpo aliado:

 

“Ontem só os brasileiros mereceram as minhas irrestritas congratulações. Com o brilho de seu feito e seu espírito ofensivo, a 1ª DIE/FEB está em condições de ensinar às outras divisões como se conquista uma cidade”.

 

            A conquista de Montese ajudou a desmantelar a Linha Gensis-Kan. A 1ª DIE/FEB, em aproveitamento do êxito, conquistou o vale do médio Panaro em 19 de abril e, Zocca, nó rodoviário que ofereceu forte resistência em 20, Marano e Vignola em 23, onde foram recebidos os brasileiros aos brados de “Vivam nossos libertadores (Liberatori)”; à partir daí, teve início a Perseguição. Em solução singular, mas de grandes dividendos táticos, a 1ª DIE/FEB iniciou a perseguição com a Infantaria embarcada em veículos de sua Artilharia Divisionária e protegendo o flanco direito do V Exército. Em 24 de abril ela alcançou S. Paulo d’Énza. De 27-30, no vale do rio Taro, combateu com o inimigo em Colechio e em Fornovo di Taro, após o que executou manobra envolvente contra os alemães reunidos em Respício, onde eles receberam ultimato para rendição incondicional dos brasileiros. O inimigo rendeu-se em Gaiano na região de Fornovo di Taro. Rendição que se caracterizou como ação de nível e repercussão estratégica, e foi recebida do experimentado gen. Otto Fritter Pico, veterano de diversos teatros de operações e comandante da 148º Divisão de Infantaria Alemã e do gen. Mário Carloni, comandante da Divisão Bersaglieiri, Itália, e, ainda, de sobras da 90ª Divisão Panzer. Foram capturados 20.573 homens, dos quais 894 oficiais, e entre eles muitos veteranos do África Korps, ao par de copioso material bélico. Sobre este feito dos brasileiros comentou o gen. Mark Clark agora no comando do XV Grupo de Exércitos: “Foi um magnífico final de uma atuação magnífica”. De 28-30 de abril, enquanto tinha curso a rendição alemã, Benito Mussolini foi morto em 28, em 29 os russos entraram em Berlim e em 30 Adolf Hitler se suicidou. A 1ª DIE/FEB ocupou Alexandria a 30, em 1º maio ocupou  Casale, Solero, Salvatore e Costeleto, dia em que o Alte. Doenitz assumiu o poder na Alemanha. Em  2 ocupou Turim, terra natal do ten.-gen. Carlos Napion, patrono do Serviço de Material Bélico do Exército Brasileiro, e estabeleceu ligação com a 27ª Divisão Francesa em Susa. Neste dia houve rendição incondicional das tropas alemãs na Itália. Dia 8 de maio – Dia da Vitória Aliada na Segunda Guerra Mundial. A 1ª DIE/FEB foi a primeira tropa aliada a estabelecer contato com a Operação Dragoon, em Susa. De 8 de maio – 3 de junho a 1ª DIE/FEB atuou como tropa de ocupação das regiões de Piacenza e Alexandria. Após, concentrou-se em Francolise para retornar ao Brasil, o que teve lugar em 14 de junho na cidade do Rio de Janeiro, onde foi recebida vitoriosa e triunfalmente pelo Brasil e passou sob um arco do triunfo encimado pela legenda – “A cidade as Forças Armadas Brasileiras”.  A atuação da 1ª DIE/FEB na Itália foi dividida em quatro fases pelo seu oficial de operações ten.–cel. Humberto de Alencar Castelo Branco: I – Campanha do Destacamento FEB no vale do rio Arno; 2 – Campanha da margem oriental do rio Reno; 3 – Ofensiva sobre as defesas dos Apeninos; e 4 – Rompimento da frente e perseguição. A 1ª DIE/FEB integrou o IV Corpo com mais três divisões americanas: a 10ª de Montanha; a 1ª Blindada (os tigres) e 34ª de Infantaria (os cabeças-de-boi). Atesta também o valor do soldado brasileiro cruz encontrada após o  combate  de  Castelnuovo  e com esta inscrição expressiva em alemão – “Aqui jaz um herói brasileiro”. Em 1962 o terceiro ano da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército produziu a valiosa pesquisa. O comportamento do combatente brasileiro na Itália, com vistas dela tirar valiosos ensinamentos de Engenharia Humana. Combatente que se fez representar na FEB por cerca de 74%, de cariocas e fluminenses (32%), paulistas (15,5%), mineiros (11,7%), gaúchos (7,5%) e paranaenses (6,1%). A pesquisa histórica crítica, baseada em ampla bibliografia então disponível e depoimentos de veteranos chegou a interessantes  e relevantes considerações ou conclusões, que não podem ser desconhecidas do planejador, pensador e chefe militar do Exército Brasileiro. Por exemplo: a pesquisa concluiu que na FEB o combatente brasileiro não se adaptou e mesmo reagiu a normas disciplinares rígidas, confirmação de pesquisas anteriores sobre o mesmo tema na História Militar do Brasil. E, mais, que ele se submete a liderança afetiva dos chefes que o comandam pelo exemplo e não aos ausentes espiritualmente, e insensíveis às esperanças, aspirações, imaginação e sentimentos de seus homens. Como fatores concorrentes para   o   bom   desempenho   do   combatente   brasileiro   na  Itália   e   que   contribuíram  para   ele   sentir-se   valorizado  socialmente alinhe-se: 1 – Lutar no V Exército dos EUA que dispensava grande atenção e valor à vida e ao bem-estar dos seus soldados e onde o prêmio e o castigo eram distribuídos com isenção e sem favores, além de que com presteza e oportunidade; 2 – Lutar em território com uma população histórica e tradicional, mas então vencida, dominada, submissa, torturada pela fome, desemprego e corrupção e com emotividade semelhante à brasileira; 3 – Sentir-se alvo de orgulho no Brasil, de estímulos de sua imprensa, de atenções das madrinhas de guerra, de desvelo familiar e dos brasileiros e atenções dos superiores; 4 – Ser alvo agora de interesse geral, boa assistência médica, alimentação jamais sonhada, dinheiro farto, roupa variada e farta e assistência religiosa;  5 – Lutar e ser bem sucedido contra considerado melhor soldado do mundo; e 6 – Desenvolvimento de fortes laços de camaradagem, na adversidade da guerra, com reflexos no moral elevado, disciplina consciente e sentimento de honra e de dever. Influíram no combatente na Itália:

 

Sentimento de autodefesa; expressiva rusticidade biopsíquica; limitada confiança nos superiores; reduzido hábito de subordinação por afetividade; temor reverencial ao desconhecido; agradável surpresa pela forma como foi assistido e administrado; submissão ao considerado insuperável.

 

Marinha de Guerra Brasileira

 

            Durante a guerra foram respectivamente ministro da Marinha e chefe do Estado-Maior da Armada do Brasil, os almirantes Henrique Aristides Gilherm e Américo Vieira de Mello. Antes da entrada do Brasil na guerra, em 22 de agosto de 1942, a Marinha em realidade já vigiava submarinos do Eixo, em ação conjunta com o Exército e Aeronáutica, com vistas a proteger os porto e litoral do Brasil, notadamente o Saliente Nordestino (RN, PB, PE, AL), porta de entrada natural de um ataque do Eixo às Américas, de ataques aeronavais e de ações de sabotadores. Mereceu especial atenção a defesa do Rio de Janeiro, sede do governo brasileiro, que foi protegida por uma rede de aço anti-submarino que era lançada entre a Ilha de Villegaignon e a Praia de Boa Viagem, em Niterói, além de minas flutuantes que eram lançadas e recolhidas pela fortaleza de Santa Cruz. Inicialmente a vigilância do litoral do Saliente Nordestino foi realizada simbolicamente por três navios de guerra baseados no Recife. A partir de janeiro de 1942 passou a sê-lo pela Divisão de Cruzadores, integrada por seis navios de guerra. Com a entrada do Brasil na guerra, em função de Acordo Militar Brasil-EUA, que foi implementado pelo resolução II da Comissão Mista de Defesa Brasil-EUA, a proteção da navegação marítima no litoral do Brasil e notadamente no Saliente Nordestino, passou a ser feita pela Força do Atlântico Sul (EUA) e mais tarde chamada também 4ª Esquadra Americana com QG no Recife e a qual passou a subordinar-se, operacionalmente, a primitiva Divisão de Cruzadores e agora denominada Força Naval do Nordeste (FNN) ao comando do alte. Alfredo Carlos Soares Dutra. A Força Naval chegou a possuir mais tarde 26 navios especializados em proteção do tráfego marítimo e guerra anti-submarino. Ela constituiu a FT-46 da Força do Atlântico Sul (EUA) que teve como sua FT-48 as bases navais brasileiras de Belém, São Luís, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador, Maceió, Vitória, Santos, Florianópolis, Rio Grande e mais  a uruguaia de Montevidéu. Para a proteção do tráfego marítimo entre o Rio Grande e Rio de Janeiro e mais além foi criada a Força Naval do Sul (FNS) com sete navios de guerra e subordinados ao Estado-Maior da Armada. Necessidades navais posteriores determinaram a criação subordinado à 4ª Esquadra, do Comando Naval do Centro, incluindo a defesa flutuante do Rio de Janeiro, as bases de submarinos e de navios mineiros, quatro submarinos, seis contratorpedeiros, dois navios-transporte (José Bonifácio e Vital de Oliveira) e o tender Ceará. Antes da guerra nossa Marinha não possuía nem equipamento nem adestramento para operações de guerra anti-submarino, de proteção de comboios, em que pese sua instrução ser orientada desde 1922, na Escola Naval, por uma Missão Naval Americana. O adestramento da Marinha foi iniciado na Flórida-EUA na Escola de Som de Key West e Centro de Adestramento de Miami, através de guarnições de brasileiros que equiparam os primeiros caça-submarinos que o Brasil adquiriu dos EUA. Após foi instalado   no Recife o EITAS (Escola de Instrução Tática Anti-Submarino) e em seguida, em 23 de outubro de 1943 no Rio de Janeiro, o CITAS (Centro de Guerra Anti-Submarino) que é o atual CAAML (centro de Adestramento Alte. Marques de Leão) e ambos nos moldes da Escola de Som de Key West. A flotilha de submarinos brasileira prestou valiosos serviços a equipes adestradas pelos EITAS e CITAS e a própria 4ª Esquadra Americana. Os caça-submarinos Guaporé e Gurupi serviram de escola para as guarnições de demais caça-submarinos recebidos dos EUA. Durante a guerra a Marinha incorporou 16 caça-submarinos e oito contratorpedeiros comprados dos EUA pelo Lend e Lease e especializados em guerra anti-submarino e proteção de comboios. Construiu até 1945, cinco contratorpedeiros, dois caça-submarinos e 12 corvetas, todos equipados para guerra anti-submarino. Adaptou para o mesmo fim dois cruzadores, um navio tanque, um navio tender, dois navios hidrográficos e mais seis varredores de minas como corvetas, bem como os demais navios auxiliares. Desempenharam relevante papel o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro e mais, quando a Logística, a Base Naval de Natal ao comando do seu criador o alte. Ari Parreiras, em apoio aos caça-submarinos e contratorpedeiros de escolta que tão alto elevaram as tradições de nossa Marinha em missões de proteção do tráfego marítimo em nosso litoral e além. A Marinha de Guerra do Brasil, particularmente através de sua Força Naval do Nordeste, escoltou 575 comboios, somando mais de 16 milhões de toneladas brutas de arqueação num total 3.164 navios mercantes, com a perda de somente três navios escoltados e em condições bastante singulares. Seus navios de guerra percorreram o equivalente a três voltas à terra pelo Equador. Além desses a Marinha realizou 40 comboios de abastecimento Recife-Fernando de Noronha, 15 de transportes para o Exército e Aeronáutica e oito para escolta da FEB do Rio de Janeiro para a Itália; guarneceu os canhões e metralhadoras de 38 navios mercantes; destruiu minas a deriva; protegeu o navio de manutenção dos cabos submarinos com Europa e EUA; escoltou os soldados da borracha entre Fortaleza e Belém; executou diversos salvamentos de náufragos e navios acidentados no mar; socorreu ou protegeu aviões dos EUA na travessia Dakar-Natal; além de haver participado de ataques e submarinos. Atuou em ação conjunta com o Exército e Aeronáutica nas defesas local e ativa dos portos do Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Natal, Belém e mais nos de Vitória, Santos, Rio Grande e da estratégica Ilha da Trindade com o concurso de seus fuzileiros navais. Em Recife e Salvador a artilharia dos encouraçados São Paulo e Minas Gerais estiveram a serviço da defesa ativa daqueles portos. Durante a guerra, ou em função dela, a Marinha de Guerra perdeu três navios e 486 homens. O navio transporte Vital de Oliveira foi torpedeado próximo a Vitória, tendo afundado e morrido 99 militares da Marinha e Exército. A corveta Camaquã naufragou fazendo 33 vítimas. O cruzador Bahia foi alvo de uma grande tragédia que vitimou 336 homens, salvando-se somente 36 homens. Quando executava, logo ao término da guerra, um exercício de tiro em mar alto, uma rajada de metralhadora atingiu acidentalmente suas bombas de profundidade depositadas no convés, levando o navio a explodir e a naufragar rápido. A Marinha teve um grande surto em sua doutrina nos campos da organização, equipamento, instrução e ensino, motivação e operações, graças em grande parte à administração assinalada do ministro Guilherm, que retomou com vigor a fabricação de navios de guerra no Brasil e infra-estruturou a logística e o ensino naval de modo marcante.  

Força Naval do Nordeste (FNN) 

            Foi a força mais expressiva da Marinha de Guerra do Brasil durante a guerra. Ela teve origem na Divisão de Cruzadores que, antes da entrada do Brasil na guerra, patrulhava o litoral do Saliente Nordestino. Ainda com aquele nome foi incorporada em 12 de setembro de 1942, ao comando da Força do Atlântico Sul e mais tarde 4ª Esquadra Americana ao comando do alte. Jonas H. Ingram com QG no Recife. Força americana responsável pela resolução 11 da Comissão Mista de Defesa Brasil-EUA; pela segurança do tráfego marítimo aliado, em grande extensão do Atlântico Sul (ocidental); e pela interceptação de navios corsários do Eixo e navios furadores de bloqueio no Cinturão do Atlântico Sul (Natal-Ascensão-Serra Leoa). Os últimos transportando matérias-primas para a Alemanha. Em 5 de outubro de 1942 foi que ela passou a ter a denominação de Força Naval do Nordeste ao Comando do CMG Alfredo Carlos Soares Dutra. Ele foi promovido C. Alte, em 8 de janeiro de 1943. Era veterano da Primeira Guerra Mundial como integrante da Divisão de Operações Navais que integrara esquadra aliada no litoral da África, próximo a Gibraltar. A FNN em 2 de março de 1943 passou a constituir-se na Força Tarefa 46 da Força do Atlântico Sul. Ela foi constituída dos cruzadores veteranos da Divisão de Operações Navais (DNOG) da Primeira Guerra: o Rio Grande do Sul (como capitânia) e Bahia, as corvetas Carioca, Caravelas, Cabedelo, Camocim, Rio Branco e Camaquã, tender Belmonte também veterano da Primeira Guerra da DNOG, contratorpedeiros Bertioga, Beberibe, Bracuí, Bauru, Baependi, Benevente, Babitonga e Bocaina, caça-submarinos classe J-Javari, Jutaí, Juruá, Juruema, Jaguarão, Jaguaribe, Jacuí, Jundiaí e classe G-Guaíba, Guajará, Grajaú, Goiana, Guaporé, Gurupá e Graúna; contratorpedeiros Marcílio Dias, Mariz e Barros e Greenhald. Os últimos construídos no Brasil e pioneiros da primeira escolta para transportar a FEB para a Itália e, até certo tempo, quatro submarinos classe T, usados para o adestramento em guerra anti-submarino. A FNN teve como missões: prover grupos-escolta para Trinidad-Bahia e vice-versa, assumindo o controle do serviço ao largo do Recife, bem como escoltas de vaivém entre Belém e os comboios Bahia-Trinidad e ainda outras escoltas quando pedido, além de prover a segurança anti-submarino dos portos brasileiros. A FNN coube realizar o maior esforço operacional da Marinha nesta guerra na proteção do tráfego marítimo e especialmente na proteção de comboios. Na FNN realizaram 50 ou mais comboios as corvetas Carioca (78), Caravelas (77), Cabedelo (74) e Camaquã (51) e os cruzadores Bahia (64) e Rio Grande do Sul (62); os caça-submarinos Gurupi e Guaporé (64) e Rio Grande do Sul (62); os caça-submarinos Gurupi e Guaporé (64), Jutaí (57), e Jurema (50). Em realidade a FNN protegeu o tráfego marítimo entre o Rio e Recife e mais tarde até Trindad e mais além. Ao longo do litoral do Brasil o tráfego marítimo esteve dividido em quatro cruzeiros de ida e volta: Rio-Trindad (JT-T); Bahia-Trindad (BT-TB); Rio-Florianópolis (JF-FJ); e Rio-Santos (JS-SJ). A FNN não perdeu nenhuma unidade por ação do inimigo e sim por acidente, caso do veterano cruzador Bahia alcançado por uma tragédia que resultou no seu afundamento com perdas de 336 homens inclusive americanos, quando o navio iniciava a sua missão de proteger aviões americanos voando no estreito Natal-Dakar, de volta, por término da guerra. A tragédia foi causada por uma rajada de metralhadora antiaérea ter, com sua carga explosiva, atingido cargas de profundidade dispostas sobre o tombadilho, num exercício de tiro na manhã de 4 de julho de 1945, distante 900km de Natal, na Estação nº 13. Morreram 101 homens na explosão e 235 como náufragos no mar, inclusive cinco a bordo do cargueiro inglês Balf. Sobreviveu só um oficial, o 1º ten. Lúcio Torres Dias, como náufrago socorrido pelo Balf. Ele se dedicou, após, ao estudo e à solução do socorro a náufragos, com apoio em sua triste experiência. A perda do Bahia foi a maior tragédia da Marinha Brasileira. A corveta Camaquã foi emborcada por violento golpe de mar em 21 de julho de 1942, a 12 milhas da barra do Recife (Nordeste) quando escoltava o comboio Rio-Trinidad 18. Pereceram 33 homens e sobreviveram 84 graças ao esforço de socorro prestado pelos caça-submarinos Graúna e Jutaí. Diversos fatores adversos concorrentes levaram o navio “a exceder seu braço de endireitamento e emborcar”. Foram perdas materiais  e humanas lamentáveis que enlutaram a Marinha, mas que contribuíram, com reflexões críticas, para evitar-se repetições dos mesmos. A tragédia do Bahia é atribuída à imprudência, negligência ou imperícia de um metralhador ao colocar o carregador da arma com ela engatilhada, ocorrendo disparo ocidental sobre as cargas de profundidade, além de imprevidência logística de socorro a náufragos com meios adequados. A perda da Camaquã atribui-se a descuido com o lastro mínimo recomendado para navegar em mar de vagas longas com ritmo perigoso à estabilidade das corvetas de navios mineiros, um eventual golpe de leme e aglomeração da guarnição e sotavento (a sotaondas) para proteger-se da chuva. Acidentaram-se levemente os caça-submarinos Guaporé, Javari, Jaguaribe e o cruzador Rio Grande do Sul que encalhou nos baixos de Olinda, em 26 de março de 1943, de onde foi retirado pelo tender Melvilhe dos EUA. Os caça-submarinos da classe J, em dias de má visibilidade, eram semelhantes, à distância, a uma torreta de submarino. Foram confundidos com submarinos e atacados por aviões americanos o Javari e o Jaguarão. O Javari foi metralhado, registrando uma vítima fatal, e o Jaguarão foi bombardeado, caindo a bomba a 20 metros. Estes enganos foram muito comuns durante a Segunda Guerra no ar, na terra e no mar. O Javari poderia ter abatido o avião, mas seu comandante não quis somar outro erro ao primeiro, como o fez um carro de combate americano, que, atingido por equívoco por um avião amigo, reagiu abatendo-o. O navio transporte Vital de Oliveira foi torpedeado quando escoltado pelo caça-submarinos Javari da FNN, em 19 de julho de 1944 ao sul de Vitória. Pereceram 99 militares no naufrágio e sobreviveram 174. A sua guarnição, a começar pelo comandante, honrou as tradições da Marinha de Guerra do Brasil, comportou-se com estoicismo e dignidade chegando, em certos momentos, a dar vivas ao Brasil. O Javari era escolta tecnicamente insuficiente. Ele saiu em vão à procura do submarino antes de prestar socorro às vítimas do Vital de Oliveira que, em sua missão logística de transportes e suprimento, era obrigado a correr riscos. Uma força progride tirando lições de seus sucessos e insucessos, daí o registro dos insucessos aqui.  

Marinha Mercante brasileira 

            Ela foi muito sacrificada. Pagou pesado tributo com expressivas perdas materiais e sobretudo em vidas de brasileiros imolados às centenas com torpedeamentos por submarinos. Ela começou a ser atacada antes da entrada do Brasil na guerra, por submarinos nazistas e fascistas, depois dele haver rompido relações com o Eixo, em 28 de janeiro de 1942, junto com as demais nações americanas. Em conseqüência, Hitler destacou para o Atlântico Sul e inclusive para as costas brasileiras submarinos (U-Boats), para atacarem navios mercantes brasileiros e aliados. Em dois dias, de 15-17 de agosto de 1942, eles afundaram cinco navios mercantes brasileiros. Estes fatos provocaram grande indignação e revolta nos brasileiros, de norte a sul, levando o governo do Brasil a reconhecer, em 22 de agosto de 1942, o estado de beligerância do Eixo contra ele. A Marinha Mercante possuía antes da guerra cerca de 650 mil t. de arqueação, das quais 130 mil adquiridas antes da guerra nos EUA, num total de 20 navios. Antes de sua entrada na guerra, o Brasil teve torpedeados 22 navios. Estes, somados aos 10 torpedeamentos durante a guerra, somaram 32 perdas, ou cerca de 137 mil t. de arqueação, o equivalente ao que adquirira antes da guerra. Isto foi compensado, em parte, com a incorporação à frota mercante brasileira de 20 navios do Eixo (três alemães, onze italianos, cinco dinamarqueses e um finlandês) apreendidos em portos brasileiros, num total de cerca de 120 mil t. de arqueação, afora o transatlântico italiano Conte Grande e o cargueiro alemão Windhuk, somando ambos 45 mil t. de arqueação, que foram cedidos aos EUA por indispensáveis ao esforço de guerra aliado. Dos 20 navios apreendidos do Eixo, o Brasil afretou 12 aos EUA com respectivas tripulações brasileiras. Foram eles o Nortelóide, Cearalóide, Recifelóide, Bahialóide, Pirailóide, Minaslóide, Vitorialóide, Apalóide, Goiazlóide, Pelotaslóide, Riolóide, Gaveolóide e Sulóide. A esmagadora maioria dos mercantes brasileiros pertencia à empresa Lóide Brasileiro. Em 31 de dezembro de 1941 sua frota era de 88 navios num total de 553 mil t. de arqueação. Em 1942, e particularmente no segundo semestre, ela perdeu 15 navios dos quais 13 torpeados, um desaparecido no Triângulo das Bermudas e um perdido, por fortuna no mar – o Mantiqueira – num total de 74 mil t. de arqueação. Até a entrada do Brasil na guerra o Lóide Brasileiro mantinha 19 linhas com a Europa, EUA e América do Sul. As do EUA eram as de maior expressão. Com a guerra ele direcionou o seu esforço  para as linhas com os EUA, as linhas de abastecimento de petróleo e carvão e mais as linhas costeiras brasileiras, visando apoiar, inclusive, as Forças Armadas do Brasil, no esforço de defesa do Saliente Nordestino. A linha de abastecimento de petróleo foi feita pelos petroleiros Recôncavo, Ponta Verde e Itamaracá pela rota do Pacífico, via canal de Panamá, até Curaçao e Aruba nas Antilhas. O Ponta Verde encalhou no Estreito de Magalhães, sendo abandonado após partir-se ao meio. Além desse perderam-se sem interferência inimiga: o Atalaia, colhido em mar alto por um ciclone e enviando como última mensagem: Não há esperanças – tudo perdido – adeus”; o Mantiqueira, após em meio a uma tempestade bater em pedra submersa, foi abandonado; o Butiá foi abandonado após encalhar por um erro de navegação; e o Miranda por naufrágio. Com a entrada do Brasil na guerra ele armou com um canhão e duas metralhadoras, no máximo, 38 navios mercantes, armas guarnecidas por homens da Marinha de Guerra. Deles 34 eram do Lóide Brasileiro. Combateram com submarinos os Rio Branco, Tamandaré, Buri e o Goiazlóide. Perceberam a presença próxima de submarinos e conseguiram escapar de torpedeamentos os Itaberá, Nortelóide e Recifelóide. O Araranguá, fundeado para o conserto de suas máquinas, viu desfilar em sua frente um submarino inimigo que não percebeu sua presença. Apesar dos sacrifícios humanos e dificuldades incontáveis, a guerra proporcionou grandes lucros ao Lóide Brasileiro. Foram expressivas as perdas humanas em nossa Marinha Mercante em função dos torpedeamentos. Elas atingiram a impressionante cifra de 972 mortos (dos quais 470 tripulantes e 502 passageiros) no total de 1.889 brasileiros mortos em função da guerra ou mais de 51% deles. Tristíssima estatística que enlutou tantos lares no Brasil. A Marinha Mercante Brasileira, entidade civil, pagou, pois, lado a lado com militares brasileiros das três forças, pesadíssimo tributo em sangue e vidas, no esforço de guerra brasileiro. Por esta razão suas heróicas vítimas, mártires da democracia  e da liberdade mundial, repousam no Monumento aos Mortos do Brasil da Segunda Guerra Mundial, ao lado de heróis mortos da Marinha de Guerra, Exército e Aeronáutica, no aterro do Flamengo. Os marinheiros mercantes do Brasil têm desenvolvido heróico e relevante esforço, na paz e na guerra, para a construção do Brasil, em função do papel econômico vital para a vida da Nação, pois por suas mãos passam a massa das riquezas que o Brasil importa ou exporta e que caracterizam a sua balança comercial. O pouco reconhecimento social a sua importante contribuição de parte do governo e da sociedade brasileira é caracterizado por ausência de estímulos justos de maior convivência familiar em sociedade, em terra, além de financeiros e de aposentadoria justa que compensem em parte suas solidões, saudades da família, dos amigos e da Pátria e renúncias. Estes óbices de natureza psicossocial têm sido apontados por estudiosos do assunto como o mais sério obstáculo a que o Brasil realize sua vocação marítima sobre os seus mais de 8.000 km de litoral debruçados sobre o Atlântico e não recorra, maciçamente, ao afretamento de outras bandeiras que, em grande parte, concedem aos seus marítimos, sentimental e financeiramente, aquilo que é negado aos marinheiros mercantes brasileiros. A contribuição em vida e sangues que deram ao esforço de guerra aliado é eloqüente e fala da  importância de seu papel social ainda não reconhecido e premiado à altura pela sociedade brasileira. Já na Primeira Guerra a maior atingida foi a Marinha Mercante Brasileira com o torpedeamento, pela Alemanha, dos navios mercantes Paraná, em 3 de abril de 1917, o que obrigou o Brasil a romper relações com o Império Alemão, e mais os mercantes Tijucas, Lapa, Macau, Tupi e Acari, o que levou o Brasil a reconhecer por Dec. de 26 de outubro de 1917 o estado de guerra da Alemanha contra o Brasil.  

Torpedeamentos de mercantes do Brasil  

            Foram torpedeados de 22 de março de 1941 a 23 de outubro de 1943, 32 navios mercantes do Brasil por submarinos do Eixo. Eles transportavam 1.734 pessoas entre passageiros e tripulantes que eram, respectivamente, em número de 502 passageiros e 470 tripulantes. Foram eles os: Taubaté, em 22 de março de 1941; o Cabedelo, desaparecido no Triângulo das Bermudas com 54 homens com presunção de torpedeamento, mistério que até hoje permanece. O Buarque foi torpedeado em 16 fevereiro de 1942, próximo ao Cabo Hateras, salvando-se toda a tripulação e morrendo um passageiro do coração; Olinda, torpedeado ao largo da Virgínia-EUA, em 18 de fevereiro de 1942, salvando-se toda a tripulação de 46 homens; Arabutã, torpedeado em 7 de março de 1942, próximo ao Cabo Hateras, salvando-se a tripulação de 47 homens e os passageiros em número de quatro, sendo um deles náufrago do Buarque, morrendo com a explosão o enfermeiro do navio; Cairu, torpedeado em 8 de março de 1942, com dois torpedos que o partiram ao meio e próximo a Nova York, tendo morrido 47 tripulantes e seis passageiros, além de perdida a estratégica carga de cristal de rocha, essencial às comunicações de rádio aliadas; Parnaíba, torpedeado em 1º de março de 1942, próximo a Trinidad, morrendo sete dos 72 tripulantes, incluindo quatro marinheiros de guerra que guarneciam seu canhão; Comandante Lyra, torpedeado em 18 de março, ao largo do Ceará, por um submarino italiano que inaugurou os torpedeamentos no litoral do Brasil, matando dois de seus 52 tripulantes, dos  quais quatro marinheiros de guerra que guarneciam seu canhão; Gonçalves Dias, torpedeado em 24 de março de 1942, ao sul do Haiti, morrendo seis tripulantes dos 52, dos quais quatro marinheiros de guerra que guarneciam seu canhão; Alegrete, torpedeado desarmado em 1º de junho de 1942, próximo à Ilha Santa Lúcia, salvando-se toda a tripulação de 64 homens; Pedrinhas, torpedeado em 26 de junho de 1942, próximo da Lat. 23N – Long. 62W, salvando-se seus 48 tripulantes; Tamandaré, torpedeado em 26 de julho de 1942, a caminho de Trinidad, próximo a Tobago, tendo morrido quatro de seus 100 tripulantes; Barbacena, torpedeado em 28 de julho de 1942, nas Antilhas, com dois torpedos, tendo morrido os três marinheiros de guerra que guarneciam o canhão e mais três de uma guarnição de 61 homens; Piave, torpedeado desarmado em 28 de julho de 1942, nas Antilhas, morrendo só o comandante dos 35 tripulantes e foi o último a sê-lo com o Brasil formalmente neutro. Com a atitude do Brasil francamente favorável à causa aliada, Hitler determinou que o submarino U-507 atacasse a cabotagem do Brasil. Deste modo ele afundou os: Baependi, torpedeado em 15 de agosto de 1942, no litoral baiano, que transportava 306 pessoas, das quais 233 passageiros, morrendo ou desaparecendo 270 pessoas, entre elas integrantes do 7º Grupo de Artilharia de Dorso; Araranguá, torpedeado na mesma data e rota com dois torpedos, morrendo  ou desaparecendo 131 dos 142 tripulantes e passageiros, incluindo o comandante e imediato; Anibal Benévolo, torpedeado em 16 de agosto de 1942, no litoral baiano, morrendo 150 das 154 pessoas, salvando-se só quatro tripulantes e entre eles o comandante; Itagiba, torpedeado em 17 de agosto de 1942, ao sul de Salvador, morrendo 36 pessoas do total de 181, entre as quais integrantes do citado Grupo de Artilharia, que se dirigia para Olinda; Arará, torpedeado no mesmo dia, ao sul de Salvador, morrendo 20 de seus 35 tripulantes; e Jacira, torpedeado em 19 de agosto de 1942, ao sul de Salvador, salvando-se os seus seis tripulantes. Estes afundamentos trágicos e quase concomitantes, levados a efeito pelo submarino U-507, provocaram grande revolta popular, levando o Brasil a reconhecer o estado de beligerância do Eixo contra ele, em 22 de agosto de 1942, data de sua entrada na guerra na causa aliada. Pois eles haviam de forma traiçoeira provocado 602 mortes de brasileiros, sem distinção de sexo e idade. A partir deste momento o Eixo afundou por torpedeamento mais os seguintes mercantes: o Osório e o Lages, torpedeados em 27 de setembro de 1942, próximo da foz do Amazonas, quando comboiados por navios de guerra dos EUA, tendo morrido cinco homens dos 39 do Osório e três dos 49 do Lages; Antonico, torpedeado em 28 de setembro de 1942, na costa da Guiana Francesa, tendo sido metralhados os seus tripulantes nas baleeiras, quando inermes, ferindo muitos e matando 16 dos 40 tripulantes, comandando o massacre o comandante do submarino U-516, o cap. Gerard Wieb e executando a tarefa covarde o artilheiro ten. Markle; Porto Alegre, torpedeado em 3 de novembro de 1942, na região do Cabo da Boa Esperança, na África, morrendo um dos 47 tripulantes; Apalóide, torpedeado em 22 de novembro de 1942, as Antilhas, morrendo cinco de seus tripulantes, tendo sido antes apreendido na Dinamarca; Brasilóide, torpedeado em 18 de fevereiro de 1943, ao norte de Salvador, salvando-se seus 46 tripulantes; Afonso Pena, torpedeado em 2 de março de 1943, ao sul de Salvador, após abandonar indevidamente o comboio, morrendo 125 dos seus 242 ocupantes; Tutóia, torpedeado em 30 de junho de 1943, na altura de Santos, morrendo sete de seus 37 tripulantes; Pelotaslóide, torpedeado desarmado em 4 de julho de 1943, em missão para os EUA, que o afretara,  e ao sul de Belém, tendo morrido cinco de seus 42 tripulantes; Bagé, torpedeado em 31 de julho de 1943, próximo de Aracajú, morrendo 28 dos seus 134 ocupantes; Itapagé, torpedeado em 26 de setembro de 1943, ao sul de Maceió, tendo morrido 26 dos seus 106 ocupantes; e Campos, torpedeado em 23 de outubro de 1943, entre Ubatuba e Santos, morrendo 14 de seus 106 ocupantes, sendo que alguns em acidentes com duas baleeiras atingidas pelas hélices do navio deixadas em funcionamento. No litoral brasileiro foram afundados de 1942-45 39 mercantes estrangeiros, além de três ao largo, num total de 42, dos quais 12 com escolta ou em comboio e 30 navegando isolados ou escoteiros. O afundamento do Birminghan/City trouxe expressiva perda para o Brasil, por trazer equipamentos para navios brasileiros de guerra em construção no Arsenal de Marinha e para equipar nossas bases navais. O Eagle, o Thompson, o Lykes e o S. B. Hunt conseguiram permanecer navegando. Assim, em 1943, foram torpedeado os City of Cairo, Teesbank, Empire Hank, Ripley, Omblitins, Alcoa Rambler, Star of Suez, East Wales, Observer, Oak-bank  e Queen City que viajavam isolados. Em 1943 foram torpedeados os Baron Dechomont, Climassen, Bragaland, Yorkwood, Birminghan City, Broad Ayrow, Minotaur, Fitz John Porter, Stang, Hound, Mariso, Indentua, Adelfotis, Eagle, Venezia, Vernon City, Fort Chilcotin, Washburne, African Star, Harmonic, Richard Caswell, William Boyce, James Robertson, Thomas Simichson, Thompson Lykes, S. B. Hunt, Elihu B e o Fort Hallket. Em 1944-45 foram torpedeados o William Gaston, além de ao largo o Nebraska, Anadey, Janeta e Buron Jedbeugh. O sistema de comboios estabelecido pela 4ª Esquadra Americana, a qual a Força Naval do Nordeste da Marinha do Brasil integrava,  diminuiu expressivamente os torpedeamentos no litoral do Brasil, em que pese a ação intensa dos submarinos alemães. A maior intensidade dos torpedeamentos tiveram lugar no litoral do Nordeste, especialmente entre o Recife e Salvador e até dezembro de 1943. A maioria dos comandantes de submarinos alemães não abandonaram os preceitos de dignidade humana. Combatiam com tenacidade e não ultrapassavam os limites com náufragos inermes, que em alguns casos socorreram com víveres. Mas existiu uma exceção, o submarino U-516 ao comando do capitão Gerard Wiebe  que ordenou o massacre ao artilheiro ten. Markle que metralhou os náufragos do mercante brasileiro Antonico. O Brasil tentou processá-los como criminosos de guerra, sem êxito. Por longos anos existiu versão que o torpedeamento de mercantes brasileiros, que determinou a entrada do Brasil na guerra, foi feito por submarinos americanos. Diversos historiadores têm encontrado a resposta negativa na Alemanha, onde consta o registro dos afundamentos por seus submarinos, de mercantes brasileiros, com respectivos nomes, posição e circunstâncias, no Diário do Comando Alemão dos Submarinos (Kriegsstagebah – B. d. u) consultado pelo alte. Arthur Oscar Saldanha da Gama, ex-combatente da FNN e historiador naval do Brasil. Acidentaram-se durante a guerra os mercantes: Atlântico (abalroado); Mantiqueira (perdido por precipitação da tripulação); Butiá (bateu na ilha das Canárias); Comandante Capela (escapou   de encalhe em Aracaju); Comandante Alcídio (que perdeu-se por encalhe em Aracajú); Sulóide (desgovernado afundou, após bater em casco sossobrado em Baía Oslow-Carolina do Norte); Goiazlóide (abalroado num comboio); Piratini (foi ao encontro de escolhos para escapar de um submarino); Bahialóide (encalhou ao sul de Tobago mas escapou); Aiuroca (foi abalroado na entrada de Nova York); Tiradentes (afundou após colidir com outro quando ambos viajavam no escuro); Cisne Branco (afundou após bater em outro); Araponga (no litoral de São Paulo foi afundado pelo Vênus); Guaibá (se perdeu após encalhar por ter sido abalroado); Araribá e Piratininga (abalroaram); Chuilóide e Tietê (afundaram depois de colidirem na ilha do Coral-SC); Aratimbó (foi de encontro, em 1º de fevereiro de 1944, à rede  anti-submarina de proteção do Rio de Janeiro); o Duque de Caxias (foi colhido em comboio pelo cruzador Rio Grande do Sul); França M (levou uma proada da corveta Felipe Camarão que o confundiu com um submarino); barcaça Areia Branca (posta a pique pelo Transporte de Guerra Monterrey-EUA, em Natal, após colisão); e o rebocador Veloz (abalroado no Rio pelo USSYMS-45). Naufragou em condições envoltas em mistério e na região das Bermudas o Santa Clara, em 15 de março de 1941. Todos estes torpedeamentos e acidentes envolvendo navios mercantes do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial expressam a grande tragédia vivida então pela Marinha Mercante do Brasil, onde avultam as tragédias particulares dos afundamentos dos Baependi (270 mortos), do Aníbal Benévolo (150), do Araranguá (131), Itagiba (56) e de outros. Foi grande o sacrifício da Marinha Mercante.  

Leia a parte 3/4

 

 


Última alteração em 07-04-2006 @ 02:28 pm

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