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Participação das Forças Armadas (4 de 4)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-04-2006 @ 02:35 pm
 

 

continuação... Leia a parte 3/4

PARTE 4/4

Em 1985, nos 40 anos da Vitória, a Agência Globo editou obra O Globo Expedicionário, onde Joel Silveira, em artigo “O Pracinha desarmado”, traduz a experiência colhida por ele e pelos demais correspondentes, que poderá  servir de orientação para futuros correspondentes. De sua experiência e vivência na guerra diz a certa altura: “Cheguei a Itália com 26 anos e depois de nove meses estava com 40 anos. A guerra é nojenta! O que ela nos tira nunca mais devolve.” Da convivência com seus companheiros lembrou com carinho as palavras que primeiro escutava dentro da barraca, pronunciadas com sotaque gaúcho pelo correspondente Squeff, por ocasião da Alvorada no rigoroso inverno dos Apeninos: “Guerreiros, de pé! Á luta!! Temos que acabar com essa porcaria de guerra! Estou doido para voltar para casa e para o meu chopinho na Galeria Cruzeiro”.

            Em 1985, um jornalista, colega dos correspondentes de guerra que acompanharam e sofreram com os pracinhas da FEB, William Waak, após pesquisa em Londres, Washington, Bonn e Friburgo, com a “Preocupação de cotejar a versão oficial e laudatória da FEB, com o relato de alemães e americanos”, editou o livro As duas faces da glória. A obra trouxe interessante e originais revelações: sobre a 232ª Divisão de Infantaria  alemã, cujo 1.043º Regimento de Infantaria a FEB enfrentou nos Apeninos; sobre a preocupação louvável e satisfeita do mar. Mascarenhas de Morais de que a FEB não viesse a ser usada como “bucha de canhão” pelos aliados, dado o seu caráter simbólico na luta contra o Eixo, no contexto aliado e a constatação de haver nascido no curso de sua pesquisa “profunda simpatia pelos brasileiros simples e humildes, lançados sem treinamento e sem preparo numa guerra cujo sentido e alcance muito deles nunca entenderam”. O autor de As duas faces da glória que alguns veteranos chamam “A outra face da glória” por só conter referências negativas à atuação da FEB, às quais colocadas isoladamente, como o foram, ao que parece por mágoa política contra integrantes da FEB, que o seriam da Revolução de 1964, agridem o soldado brasileiro que lá foi lutar e que deu o melhor de si como soldado do terceiro mundo, ao lutar e vencer após hercúleo esforço de adaptação doutrinária militar, tecnologia militar, psicológica e ecológica (montanha e inverno na neve) contra  ou em aliança  com os melhores soldados do primeiro mundo presentes na Europa na guerra. As críticas de As duas faces da glória concentraram-se nos ataques a Monte Castelo e em outros pontos que provocaram grande indignação entre os veteranos, muitos dos quais, afeitos às letras, responderam de diversas formas, às quais devem ser levadas em consideração na leitura do livro polêmico em foco. Com relação às falhas e erros que apontam com apoio em relatórios americanos, elas são comuns em tempo de guerra a todos o exércitos. Constatar isso basta ler-se História de um soldado do ten. -gen. Omar Bradley (Bibliex, 1957) em que ele focaliza, de observatório privilegiado, a invasão da Europa pela Normandia. Noutras obras do gênero, os erros e falhas crassos se constatam entre os aliados e o Eixo durante esta guerra e de grande repercussão tática e estratégica. Nas condições de confusão, extrema tensão, medo e de possibilidades de perda da vida a qualquer momento, os erros e falhas são comuns num clima de guerra, daí a expressão muito corrente nos meios militares mundiais que ganha a guerra quem erra menos. A leitura de As duas faces da glória não pode ser feita isolada e sim junto com os trabalhos produzidos pelos jornalistas brasileiros correspondentes de guerra que acompanharam a FEB e aqui focalizados e mais a bibliografia brasileira e estrangeira sobre esta guerra, para que desta obra, com imparcialidade e isenção, se possa retirar os ensinamentos para a posterioridade que ela em verdade contém. Em realidade não se depara com versão oficial séria laudatória que afirme que a FEB teve um papel decisivo ou predominante na Itália. Ela cumpriu muito bem a missão que lhe coube, com vitórias e insucessos, os últimos reconhecidos pelo seu comandante e que ocorreram na fase que  o autor de As duas faces da glória reconhece que a FEB “foi lançada na guerra sem treinamento e preparo”. Em realidade a FEB representou um trinta avos das divisões de diversas nacionalidades, com predominância expressiva de americanos e ingleses, presentes na Itália no final da Batalha dos Apeninos. A Itália foi uma frente secundária destinada a fixar efetivos no Eixo que poderiam reforças as frentes  de invasões aliadas da França, pelo Sul e pela Normandia. A missão do VIII Exército inglês na Itália, em relação ao V Exército dos EUA, foi a principal. A missão do IV Corpo de Exército do V Exército  foi a principal como encarregado da conquista de Monte Belvedere – o pivot dos Apeninos e em cuja defesa a 232ª Divisão de Infantaria alemã, com quartel-general em Pavulo, concentrou seu esforço defensivo ao final da Batalha dos Apeninos. O Monte Belvedere por sua vez flanqueava o Monte Castelo. A FEB, no contexto do IV Corpo, teve a missão secundária de conquistar Monte Castelo depois de a missão principal, Monte Belvedere e Monte dela Torracia, haver sido confiada à 10ª Divisão de Montanha dos EUA, especializada para aquelas missões, habilitação que a 1ª Divisão de Infantaria  Expedicionária não possuía, mas que cumpriu com galhardia e valor, ao conquistar Monte Castelo, ou o ponto 101/19 para a defesa alemã em 21 de fevereiro de 1945.

            A FEB no contexto mundial da Segunda Guerra foi de pouca expressão. Foi mais um símbolo na luta em defesa do mundo livre. Para o Brasil e seu povo foi grande o seu significado. Pois a FEB foi a única força expedicionária enviada à Europa por um país da América Latina. Ela traduziu um esforço nacional hercúleo para um país então essencialmente agropecuário, em recrutá-la e prepará-la, em sua primeira participação militar extracontinental, como nação independente. Seus integrantes tiveram de derrubar grandes barreiras para se adaptarem rapidamente à doutrina militar americana, à tecnologia militar que vigorou na Europa e à ecologia de um campo de batalha montanhoso, em inverno com neve, e psicologicamente às circunstâncias de distância da pátria, enquadrados por Exército de uma grande nação industrial, além de enfrentarem soldados com excelente fama de valor militar. Doutrinariamente teve de adaptar-se da doutrina militar francesa, vigorante desde 1920, a americana. Tecnologicamente teve de adaptar-se à motorização, mecanização e radiofonia militar com as suas complexas implicações, em substituição ao cavalo, ao muar e outros meios de comunicações menos modernos que o rádio. Ecologicamente foi adaptar-se à montanha e à neve só conhecido por alguns brasileiros em cartões de Natal. A FEB foi a embaixadora da atualização do Exército dos padrões operacionais na Primeira Guerra par os da Segunda. Como fatos negativos a serem respondidos um dia pela História  e apontados por alguns analistas, como resultado da convivência e influência militar americana, foi o permitir-se o desmantelamento da indústria bélica do Exército, em função da aquisição fácil e barata de excedentes americanos e o desestímulo e quase abandono do esforço nacionalizador da doutrina do Exército, sugerido pelo Duque de Caxias em 1856 e que recebeu forte estímulo de 1919-1939, sob a influência da Missão Indígena da Escola Militar do Realengo e Missão Militar Francesa e de alguns expressivos pensadores militares brasileiros da época, como J. B. Magalhães e o próprio mar. Humberto Castello Branco.  

Condecorações brasileiras 

            A participação do Brasil na guerra ensejou a criação de 15 medalhas condecorativas. No Exército foram criadas (Dec. – Lei nº 6.795, de 17 de agosto e regularizado pelo Dec. 16.821 de 13 de outubro tudo de 1944) “Medalha de guerra”, destinada a premiar oficiais do Exército da ativa e reserva que prestaram serviço relevante ao esforço de guerra, no preparo da força ou no desempenho de missões especiais dentro e fora do Brasil; “Medalha de Campanha”, destinada a premiar militares do Exército da ativa e da reserva e assemelhados que participaram de missões de guerra sem nota desabonadora e a militares dos exércitos aliados que participaram da campanha incorporados a forças terrestres brasileiras e “Cruz de combate” de primeira e segunda classes, destinadas a militares do Exército que se distinguiram em ação na guerra. A primeira classe destinava-se a premiar atos de bravura ou espírito de sacrifício revelado no cumprimento de missões de combate, incluindo as unidades que se destacaram na luta. E, finalmente, a “Medalha de sangue do Brasil”, criada por Dec. –Lei 7.709, de 5 de julho de 1945, destinada a premiar militares do Exército, assemelhados e civis feridos em conseqüência de ação objetiva do inimigo. Na Marinha criadas por Dec. 6.774, de agosto de 1944, “Medalha Cruz Naval” destinada a militares da Marinha de Guerra (ativa, reserva, reformados) que no exercício da profissão tenham praticado atos de bravura ou ação além do dever e  “Medalha de serviços relevantes” destinada a militares da Marinha (ativa, reserva, reformados) e de marinhas aliadas que tenham prestados serviços relevantes ao Brasil, ou tido conduta excepcional em operações de guerra, ou feito mais de 300 dias de mar em campanha. “Medalha de serviços de guerra”, criada por Dec. – Lei 6.095, de 13 de dezembro de 1943, destinada a ser conferida a militares da Marinha de Guerra do Brasil e das aliadas (ativa, reserva, reformados) e aos oficiais tripulantes dos navios mercantes brasileiros ou aliados, que tenham prestado valiosos serviços de guerra, quer a bordo de navios, quer em comissões em terra. “Medalha da Força Naval do Nordeste” (FNN) e Medalha da Força Naval do Sul” (FNS), criadas por Dec. 3.587, de 3 de junho de 1954, destinadas a rememorar os serviços que aquelas forças prestaram ao Brasil durante a guerra e concedida aos oficiais e praças que integraram os Estado-Maior e Estado-Menor de seus comandos e às tripulações dos navios que constituíram das FNN e FNS. Os comandantes destas forças durante a guerra receberam medalhas de ouro. Aos demais foram conferidas medalhas de prata e bronze. Na Aeronáutica foram criadas por Dec. 7.574 de 10 de abril de 1945 as seguintes condecorações: “Cruz de bravura” conferida aos militares da Aeronáutica (ativa e reserva) que em campanha se distinguiram por ato de excepcional bravura; “Cruz de sangue”, conferida a militares da FAB e a civis brasileiros nela servindo que foram feridos em ação contra o inimigo; “Cruz da aviação”  conferida a tripulante de aviões, militares da ativa ou da reserva convocados, que tenham desempenhado com eficiência missões de guerra; “Medalha da campanha da Itália”, conferida a militares da Aeronáutica (ativa e reserva) que participaram da campanha da Itália, prestando bons serviços sem nota desabonadora e a unidades, pelo brilho de seus feitos na Itália; “Medalha cruz de serviços relevantes”. É uma medalha singular pois foi criada e jamais concedida, à semelhança da medalha aos mais bravos da Guerra do Paraguai, por ser difícil subjetivo o critério e por esta razão o duque de Caxias se recusou a concedê-la para prevenir injustiças. A “Medalha cruz de serviços relevantes“ era para ser conferida a oficiais (ativa, reserva, reformados) e civis que tenham prestado serviços  relevantes de qualquer natureza, referentes ao esforço de guerra, preparo e desempenho de missões especiais dentro e fora do país, confiadas pelo Governo. As concessões de condecorações pelas três forças foram expressivas e as relações dos agraciados constam de registros especiais nos Ministérios da Marinha, Exército e Aeronáutica. A Marinha Mercante do Brasil, que pagou  pesado tributo em sangue e vidas ao esforço de guerra, se enquadrou nos critérios das “Medalhas de sangue do Brasil” e de “Serviços de guerra”.  

Recordações do Brasil em guerra  

            Os torpedeamentos de navios mercantes do Brasil por submarinos do Eixo, entre o rompimento de relações diplomáticas com a Alemanha e Itália e a entrada do Brasil na guerra, provocaram imensa indignação popular e “quebra-quebras” em quase todo o Brasil, contra súditos do Eixo, em especial, contra os patrimônios de alemães aqui residentes, além de hostilidades e provocações a brasileiros deles descendentes. As maiores e mais prósperas colônias eram de alemães, italianos e japoneses e descendentes, cujos países de origem integravam o Eixo. O Brasil sofreu fortíssimo racionamento de derivados de petróleo que moviam usinas elétricas espalhadas por todo o Brasil, bem como uma escassez de pneus, o que afetou muito, junto com a de gasolina, os transportes rodoviários, ensejando, por outro lado, o mercado negro, origem de algumas fortunas feitas na ocasião. Os veículos automóveis passaram a usar um complexo adereço – o gasogênio que produzia um combustível à base da queima do carvão vegetal e também o CO que tantas e traiçoeiras mortes provocou por ser letal, mas incolor e inodoro. Foram realizadas campanhas populares pró-recolhimento de sobras de borracha, para reaproveitamento desse importante item estratégico para o esforço aliado. Foram feitos exercícios de black-out em diversas cidades brasileiras, mas sem muito rigor e pouco levados a sério. O analgésico, a Cafiaspirina, da Bayer, na Alemanha, foi substituído pelo Melhoral da multinacional dos EUA. O lema adotado pela FEB “A cobra está fumando”, respondeu ao ceticismo de que a FEB só lutaria na Europa quando a cobra fumasse. Os caça-submarinos, adquiridos pelo Brasil nos EUA, deslocando respectivamente 110 e 350 t., foram batizados dentro da Marinha de     “caça pau” ou “cacinhas” os menores da classe J, em contraposição  ao “cação” ou “caça ferro” , por ser o primeiro de madeira, menor, menos desconfortável com água pouco para banhos que o outro da classe G, de ferro, maior e mais confortável, possuindo  inclusive dessalinizador – sinal de banho diário  e praça d’armas, o equivalente a cassino de oficiais no Exército e Aeronáutica. Os beneméritos Catalinas, heróis na guerra e da paz na integração da Amazônia, ganharam o apodo de “patas-chocas”. Os pracinhas brasileiros, nome carinhoso por que passaram a ser conhecidos até hoje os expedicionários da FEB, conseguiram surpreender os aliados, evitando serem vítimas no inverno, nos Apeninos, do “pé de trincheira”, enregelamento dos pés, seguido de gangrena, que tinha sido responsável por muitas baixas americanas e por milhares de baixas no Grande Exército de Napoleão e aos nazistas quando lutaram no Leste Europeu. A orientação superior correta e a criatividade do brasileiro driblaram este traiçoeiro inimigo. Os pracinhas o evitaram, colocando de lados as botas, forrando as galochas como calçados, com jornais, papéis velhos e capim. Como todo o soldado do Eixo ou Aliado, o brasileiro, ou brasiliano, para os italianos, cantou, com versão própria e mesmo com uma paródia, a canção Lili Marlene, de origem alemã, que traduziam a saudade da mãe e do lar cantando ou ouvindo a canção italiana Mama, e a saudade da terra natal através do canto da Canção do Expedicionário, letra de Guilherme de Almeida e música de Spartaco Rossi, que  diz no seu estribilho: “Por mais terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra sem que eu volte para lá e que leve por divisa este V que simboliza a vitória que virá. A nossa vitória final!” Este  fato confirmou-se para a maioria, menos para os que morreram na guerra e foram sepultados em Pistóia na Itália e depois de lá permaneceram 15 anos, foram transladados, em cerimônia cívica tocante em 24 de junho de 1960, para  o Monumento aos Mortos da 2ª Guerra Mundial, erigido na Praia do Flamengo, graças ao empenho do comandante da FEB, desde o final da guerra. Monumento que acolhe os restos mortais de mortos do Exército, Marinha de Guerra e Mercante e da Aeronáutica na guerra, menos os desaparecidos no mar, que tiveram o Oceano Atlântico como túmulo. Na guerra, os febianos, outra designação aos integrantes da FEB, recebiam dois sacos de lona azul. O saco A, destinado a guardar objetos de uso imediato do combatente, e o saco B, destinado a guardar equipamento de uso eventual. Logo, a espirituosidade do brasileiro da FEB passou a designar de Saco A o febiano da frente de combate e Saco B, o febiano que ficava na retaguarda. Ser chamado Saco B era pejorativo e ofensivo para um verdadeiro soldado... O Exército enviou, via aérea, para  a Itália, 67 enfermeiras recrutadas e adestradas no Brasil, vencendo soldo de segundo-sargento e arvoradas na Itália ao posto de segundo-tenente, para resolver problemas hierárquicos. Os brasileiros na Itália receberam vencimentos em dólares, no triplo do tempo de paz, que eram divididos em três partes. Uma era entregue à família no Brasil, outra era paga em liras ao expedicionário na Itália e a última era depositada como Fundo de Previdência. Um general-de-divisão ganhava 32.713 cruzeiros e uma pracinha 1.669, o que fazia da FEB, segundo o oficial da 4ª Seção do Estado-Maior da FEB, o mais tarde gen. Sena Campos, a força aliada mais bem paga. Havia, no Brasil, um temor generalizado, mas infundado, à espionagem nazista, chamada de Quinta Coluna. Mesmo inocentes receptores de rádio, em mão de alemães e descendentes, eram tratados como transmissores de rádio a serviço da espionagem. Houve muitas injustiças, à semelhança do que ocorreu nos EUA com americanos descendentes de japoneses. A FEB dispôs de Pelotão de Sepultamento, atividade logística ingrata, mas indispensável ao tratamento condigno de restos mortais de heróis que se imolaram pela causa da democracia e da liberdade mundial. Houve também uma equipe de Justiça Militar integrada por quatro oficiais-generais, entre eles o já consagrado historiador e geógrafo militar brasileiro gen. Francisco de Paula Cidade, que vinha de comandar a 8ª Região Militar em Belém, sede da Base Aérea de Val  de Cans, cedida aos EUA e que integrou O Corredor da Vitória EUA-Brasil-África, itinerário, da ponte aérea militar que foi essencial para a reconquista aliada da África, invasão da Europa pela Itália e mesmo operações contra o Japão. Paula Cidade, na 8ª Região Militar, teve a missão inicial: “Ficar em condições de ocupar a Guiana Francesa, que era administrada pela França por um governo pró-Alemanha, em Vichy, antes que outra nação extracontinental o fizesse e de lá não mais saísse.” A Justiça Militar funcionou seis meses em Nápoles e depois na fortaleza de São João, no Rio. Julgou 112 apelações. Condenou à morte dois soldados de um QG de Retaguarda que estupraram uma moça italiana e mataram o parente que saíra em sua defesa. A pena de morte por fuzilamento foi atenuada, sucessivamente, para prisão perpétua, 30 anos, e finalmente seis anos. O Natal de 1944 a FEB passou nos Apeninos, em situação de grande tensão e no meio da neve; situação que só conhecia de gravuras de cartões de Natal, representando o Papai Noel com seu trenó cheio de presentes, deslizando na neve. Tensão justificada, pois a FEB estava enfrentando tropas alemães veteranas, inclusive remanescentes do legendário África Korps do gen. Rommel. O soldado brasileiro estranhou a comida farta e múltipla com 10 cardápios, além de colorida, mas estranha ao seu gosto e costumes e, para agravar, sempre comida em pé ou sentado, em situação de desconforto e durante 10 longos meses. Que saudades de um feijão com arroz à moda brasileira! Foram comuns na guerra na Itália os desapertos ou apropriações indevidas dos veículos para passeios particularmente de transporte pessoal chamados Jeep. A FEB, ao receber os primeiros teve muitos deles desapertados por americanos. Tão logo possível desapertou vários do V Exército e, qual não foi a sua surpresa, ao remover a pintura dos mesmos, constatar que  eles já haviam sido desapertados da Marinha Americana, pelo Exército dos EUA. Na FEB era multado, respectivamente, com 250 e 300 liras quem abandonasse seu veículo sem a segurança necessária ou o deixasse roubar (desapertar). A disciplina na FEB foi respeitada em níveis muito bons. Os faltosos eram punidos pelo Regulamento Disciplinar e as punições recebidas eram convertidas em multa em dinheiro, proporcional à graduação e por dia de prisão. Isto era válido para infrações de motoristas e as punições de oficiais recebiam multa dupla em relação às praças. Isto evitava o afastamento dos punidos do serviço e a imobilização de outros para guardá-los. O produto das multas era destinado a um fundo de amparo às famílias de pracinhas falecidos em campanha. Foi uma medida inteligente e que funciona mesmo na paz por doer no bolso, onde o soldado é, geralmente, muito sensível! Os oficiais oriundos dos CPORs e NPORs tiveram bom desempenho e representaram cerca de 28% do efetivo  total da FEB, dos quais cerca de 10% eram de sargentos promovidos a oficial. O pracinha comportou-se com humanidade. A condenação à morte de dois foi uma exceção. Ilustra esta afirmação um sargento comandante de patrulha, Nestor Silva, que, ao fazer  prisioneiros alemães, evitou que um deles fosse roubado em seu relógio por um dos componentes da sua patrulha. Passado algum tempo, o sargento está num amplo refeitório aliado e percebe que um garçom o fita insistentemente, dando-lhe a impressão de tratar-se até de um homossexual. Percebe que este prisioneiro, ao servir bifes aos pracinhas, coloca um em cada prato e no seu dois bifes. Não suportando mais aqueles olhares insistentes irrita-se, levanta-se e pergunta ao alemão: “Qual é a tua cara?” E o prisioneiro alemão respondeu com grande alegria:  “O sr. não se lembra de mim? Eu sou aquele prisioneiro que o Sr. não deixou que roubasse o relógio que foi presente de meu avô”. Aí então houve uma confraternização comovida. Casos como estes foram comuns e, particularmente, os de divisão de ração de pracinhas brasileiros com italianos famintos e, particularmente, crianças. Os brasileiros feridos ou doentes desfrutam da ordem, higiene, respeito ao repouso de parte de dedicados médicos e enfermeiros americanos, bem como dos médicos e enfermeiros dedicados do Exército e da Aeronáutica que acompanharam e ajudaram a cuidar dos combatentes brasileiros, ao lado de capelães católicos na assistência espiritual, como o frei Orlando, que morreu em acidente de campanha e veio a ser consagrado como o Patrono do Serviço Religioso do Exército. Os uniformes dos brasileiros eram os mesmos dos americanos, diferenciados pelo distintivo, no caso o da FEB e pelas estrelas dos oficiais brasileiros que, no inverno, queimavam de frio e queixo dos usuários. O pessoal do Banco do Brasil usou uniformes, tendo como insígnias distintivas de posto, penas dispostas de diversas formas, gerando confusão e caracterizando o cel. do Banco do Brasil, um irônico, cronista, como “tendo penas para todos os lados”. No âmbito, da FEB, foram editadas publicações: Cruzeiro do Sul,  Carioca, E a cobra fumou, O Sampaio, Vem Rolando, Marreta, na mão, com fatos cômicos e irreverentes que distraíam a tropa e elevavam seu moral. Durante a guerra, no Brasil, tornou-se moda a escuta em grupos, em bares, clubes etc., do noticiário sobre a guerra. Se difundiram rádios a bateria que era carregada por aerodínamos movidos pela energia do vento. Os pilotos de caça vivem grandes tensões durante as missões e, após cumpridas, intenso extravasamento. Assim, os pilotos do Senta a Pua! Cantavam várias canções e, entre elas, a que se tornou o hino oficial da Aviação de Caça da FAB, chamado Carnaval em Veneza, composta depois de um bombardeio a Veneza no Carnaval de 1945, pela Esquadrilha Azul do 1º Grupo, sobre música de Benedito Lacerda e Erivelto Martins. Ela falta nas palavras código Jambock, nome de código do grupo, Bug, código de avião não-identificado, ao contrário da Bandit, que designava avião inimigo, e Flak sigla da artilharia antiaérea alemã, a maior inimiga do grupo. Quando o Senta a Pua! partiu para os Estados Unidos, alguns despeitados e céticos, julgando que ele não entraria em ação e só faria uma viagem bem remunerada ao exterior, chamavam os avestruzes de “1º Grupo de Caá-Níqueis”. Encomendadas pela Inglaterra como traineiras, foram adaptadas pelo Estaleiro Lage como corvetas que integraram a Força Naval do Sul as Barreto de Menezes, Matias de Albuquerque, Fernandes Viera, Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, faltando, no lugar de Matias de Albuquerque, a consagração do herói Mestre Campo Antonio Dias Cardoso, já feita pela polícia Militar de Pernambuco e Academia Militar das Agulhas Negras após revelada a sua grande importância e levantada a discriminação odiosa sobre ele da História oficial por ser português. O único pracinha sepultado em Pistóia é o gaúcho Fredolino Chimango, que era considerado desaparecido e foi identificado como brasileiro por ter sido encontrada, em seus restos mortais, uma corrente de pescoço com a medalha de N. S. Aparecida, a Padroeira do Brasil. Foi comum o uso de brasileiros falando inglês como oficiais de ligação junto aos americanos como o atual cel. historiador militar e diretos-presidente do jornal Letras e Marcha, Victorino Portella. F. Alves, que foi oficial de ligação da Artilharia Brasileira junto às artilharias inglesa, americana, sul-africana, marroquina e polonesa, tendo o auxiliá-lo Osvaldo G. Aranha Filho, herdeiro do chanceler do Brasil Osvaldo Aranha Filho, herdeiro do chanceler do Brasil Osvaldo Aranha. Os pracinhas recebiam do Brasil e passavam aos italianos o péssimo cigarro Yolanda, representado por uma loura e que passou a ser conhecido como bionda cativa (loura má).

FIM

 


Última alteração em 07-04-2006 @ 02:35 pm

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