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Tenente Manoel da Silva Caldeira (1815 - 1900)
Inserido por: ClaudioBento
Em: 07-04-2006 @ 03:03 pm
 

 

(O cronista farrapo )

Existem homens cuja nome e obra se tornam notáveis depois de mortos, quando em vida não despertaram a atenção e não foram avaliadas e valorizadas as sua obras, como no caso do maior escritor regionalista gaúcho J. Simões Lopes Neto.

Outro destes homens foi o heróico Tenente farrapo Caldeira que conviveu intimamente com todas as lideranças militares farrapas  e graças ao que viu, ouviu, participou, sentiu e memorizou sobre o Decênio Heróico em que atuou ativamente, veio a tornar-se o seu maior cronista e preservador da memória da Revolução e particularmente do perfil guerreiro que muito bem captou de seus maiores campeões.

Significação histórica

Participou intensamente e de maneira romanesca dos dez anos de Revolução Farroupilha, de soldado a tenente do célebre 1º Corpo de Lanceiros da 1º Linha do Exército da República Rio-Grandense.1

Privou  ou conviveu com a maior parte das lideranças militares, entre elas Bento Gonçalves. Foi ferido em combate gravemente mas  sobreviveu.

Graças ao que viu, participou e sentiu, captou e memorizou sobre o Decênio Heróico, veio tornar-se, segundo interpreto, o seu maior cronista e preservador da memória da Revolução e particularmente do perfil guerreiro que muito bem captou de seus maiores campeões.

Isto por prestar de 1888 a 1898 lúcidos, honestos e detalhados  depoimentos escritos, em sua maior parte redigidos em Canguçu, e, em atendimento a solicitações dos historiadores, Alcides Lima, Alfredo Ferreira Rodrigues, Alfredo Varela e Piratininho de Almeida. O último, filho de Domingos José de Almeida, o mineiro de Diamantina que foi o cérebro civil e o maior estadista da República Rio-Grandense.2

Depoimentos que foram incorporados significativamente pelos historiadores pioneiros desta  revolução, os mestres Alcides Mendonça Lima e  Alfredo Ferreira Rodrigues em seu célebre Almanaque Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul.

Depoimentos fundamentais a todos os historiadores do assunto, desde então, sem se esquecer Othelo Rosa autor de  Vultos da Epopéia Farroupilha.

Mas em que pese a sua grande projeção histórica como preservador da memória da maior e mais longa guerra civil sul-americana, Caldeira até hoje  permanecia em posição obscura que não lhe fazia justiça 3 a sua imensa contribuição à memória da Revolução.

Depois de um longo período de obscuridade, ele ressurgiu como fundador e Presidente do 1º Clube Republicano de Canguçu, organizado no 2º Distrito (região de Florida, em 1882), 4 no posto de tenente-coronel da Guarda Nacional.

Em 1893-94 foi o comandante da Guarda Nacional, encarregado da proteção do Município de Canguçu, ao qual, em 1896, aos 81 anos, foi lançada como um dos candidatos a Intendente.

Logo a seguir irá prestar ainda de Canguçu, seu torrão adotivo, os famosos depoimentos sobre a Revolução Farroupilha. Depoimentos que a cada dia terão maior valor e os estudiosos aos poucos ao elevarão ao local justo que ele deve ocupar de – o cronista da Epopéia Farrapa.

Naturalidade, descendência

O tenente farrapo Caldeira nasceu na região de Cerro Pelado, que passou  a integrar, a partir de 1857, o município de Canguçu. Ali ele e seu irmão José Joaquim Caldeira (Juca Caldeira), possuíam propriedade em 1841. 5 Segundo Frei Cristóvão de Vacaria e J. Simões Lopes Netto, 6 os Caldeiras e os Bentos, junto com outras famílias foram os fundadores do povoado Estação Cerrito, que pertenceu ao município de Canguçu, até formar, com Olimpo, a cidade de Pedro Osório. Hoje Cerrito é município  Em 1841, Manoel era tenente farrapo e seu irmão, coletor da República. 7

Os últimos anos de Caldeira ligam-se ao 2º Distrito de Canguçu ( Iguatimi, Florida, Posto Branco), onde presumo, tinha residido longo tempo e deixado descendência.

Contribuições à História da Revolução Farroupilha

Caldeira enviou carta a Alcides Lima de Quaró-Chico, em 21 de novembro de 1888 e três cartas de Canguçu a Alfredo Ferreira Rodrigues, datadas de 25 de janeiro, 20 de setembro e 20 de outubro de 1898, sendo que as duas últimas do 2º Distrito (Florida, Iguatemi).  

Estas cartas foram publicadas na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, nº 27, em 1927, em cerca de 100 páginas.

Ao Dr. Alfredo Varela ele enviou cartas de Canguçu, em 13 de setembro de 1894 e em 5 de maio de 1895, durante a Revolução de 93 e em 1º de dezembro de 1898.

 Indiretamente chegou às mãos de Varela seus escritos em Pelotas, em 20 de agosto de 1896 e dirigidos ao Dr. Piratinino de Almeida.

 Todos estes depoimentos, reproduzidos de memória, foram publicados no volume 5 dos Anais do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, 1981, em 170 páginas.

 Portanto, foram 170 páginas que o velho farrapo escreveu de depoimentos que merecem ser lidos pelos estudiosos, pois  neles sempre encontrarão novas inspirações. E lhe farão justiça.

Alfredo Ferreira Rodrigues teve conhecimento da existência em Canguçu, do velho farrapo, através de seu colega no Colégio Sul Americano em Pelotas – Genes Gentil Bento, filho de Canguçu e mais tarde seu intendente de 1905-1917. 8

Para min a grande contribuição de Caldeira foi captar de maneira precisa e feliz e preservar para a posteridade os perfis militares dos principais líderes farrapos, nos quais baseamos nossos estudos sobre o assunto.

Eles são fundamentais para compor o perfil do combatente brasileiro no Sul, 9 assunto de interesse das pesquisas históricas do Estado-Maior do Exército. Não fora Caldeira a posteridade não teria conhecido o perfil dos campeões farrapos.

Candidato a Intendente de Canguçu

Através de reportagem no jornal Opinião Pública de Pelotas, de 28 de maio de 1896, conhecemos mais sobre o maior cronista da república. Dessa reportagem sintetizamos o seguinte:10

“ O Partido Republicano, guarda avançada da República em Canguçu, reuniu-se ali em 3 de maio de 1896, elegendo sua comissão executiva. Em eleição prévia escolheu para candidato à Intendência de Canguçu, o venerando ancião e velho farrapo, tenente-coronel Manoel Alves da Silva Caldeira, valente soldado de 35 ... Trata-se de republicano convicto, companheiro inseparável de Bento Gonçalves e Garibaldi. Ele arrostou corajosamente o decênio da memorável cruzada de 35, cujo atestado traz patente  na funda   cicatriz que lhe atravessa a fonte... Apesar de contar 81 anos, ainda é varonil. Dotado de esclarecida inteligência, honesto e probo, desafiando neste particular  a quem quer que seja.

Na Revolução de 93 , estando no comando dos patriotas que guarneciam a vila de Canguçu, estava sempre toda a noite e constantemente no quartel com seus camaradas, dormitando sobre dura tarimba, sem pensar nas comodidades da vida. 11

O artigo assinado por  Juvenal concluiu com este estímulo a Caldeira:“ Avante! Grande patriota e velho farrapo! “

Mas o candidato escolhido em seu lugar pela Comissão Executiva foi Leão dos Santos Terres, em razão da avançada idade do velho farrapo que representou Canguçu em histórico congresso republicano em Porto Alegre

Integravam a citada  comissão, Carlos Noberto e Franklin Moreira, filhos do 1º Escriturário do Ministério do Interior e Justiça da República Rio-Grandense, em 1838, em Piratini – José Ignácio Gonçalves Moreira ,genro do presidente da Câmara de Piratini, o legislativo de fato da República Rio Grandense. José Ignacio bisavó do autor e trisavô de Barbosa Lessa seria em 1857 o primeiro serventuário de Justiça de Canguçu. Era irmão de Pedro  que, em 1838, fora escriturários do Ministério da Guerra e da Marinha da República Rio-Grandense e ao que consta seriam sobrinhos de Domingos Moreira, Presidente da Câmara de Jaguarão, a primeira a aderir à República Rio-Grandense.

O Grupo republicano em Canguçu, em 1889, possuía raízes na República Rio-Grandense. Foi denominado Grupo dos 27. 12

Participação resumida

Caldeira em seus apontamentos conta sua participação na revolução, desde os 20 anos, quando foi preso no sítio de Porto Alegre e enviado ao Rio, onde foi obrigado a sentar praça na Artilharia da Marinha, na ilha das Cobras. Nesta condição i participou da fuga de Fortaleza de Santa Cruz, dos coronéis Onofre Pires e Corte Real, em companhia dos quais retornou ao Rio Grande.

De retorno ingressou como sargento-ajudante no célebre Corpo de Lanceiros Negros, ao comando de seu conterrâneo, o Coronel Joaquim Teixeira Nunes.

No memorável combate de Rio Pardo, ele foi o porta-estandarte do Corpo e cumpriu religiosamente esta ordem de Teixeira Nunes – “ Onde eu for  o estandarte me segue e onde for o estandarte todo o Corpo de ve segui-lo”

Em 3 de janeiro de 1839, Caldeira foi ferido gravemente numa escaramuça. Seu cavalo foi atingido a bala, no peito, e ele no pé e no queixo que foi quase esfacelado e a língua teve o freio cortado.

Mas sobreviveu, apesar de lhe darem dois dias de vida. Foi tratado pelo Dr. José Carlos Pinto, Cirurgião-Mor do Exército, Farrapo  em Viamão. Noutra ocasião foi ferido a espada na testa .

A abordagem do velho farrapo canguçuense como o primeiro cronista militar da Revolução Farroupilha farrapa não se esgota aqui. Acreditamos que muito se falará da sua obra, à semelhança do tenente argentino Cândido Lopes que fixou em pintura primitivista toda a Guerra do Paraguai até a batalha de Curupaiti, onde foi ferido e teve de amputar a mão. Quanto iríamos imaginar que o cenário de minha  infância e meninice em Canguçu 1931-44 já havia sido percorrido 50 anos antes pelo velho farrapo – o maior cronista da Revolução Farroupilha. 

O números se referem a notas ao texto no livro O Exército Farrapo e os seus chefes .

 


Última alteração em 07-04-2006 @ 03:03 pm

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